segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Solidões compartilhadas: Sonhos, devaneios e amores de Juci Dias, a Guria Faceira



Guris e gurias, amigos leitores, hoje compartilho pela primeira vez minhas solidões poéticas com a escritoramiga Juci Dias, de São Leopoldo/RS. Conheci a autora virtualmente através das milhares de redes sociais as quais me conectei. Se não me engano, nosso primeiro encontro virtual foi no dihitt, uma espécie de comunidade de blogueiros. A partir daí, segui o blog de Juci Dias (aí vai o link: http://bahguriafaceira.blogspot.com.br/ ), twitter, etc. Por sinal, foram alguns versos no twitter dela que me despertaram muito a atenção para essa fodástica poeta; logo em sua descrição no perfil, Juci apresenta-se assim: “A frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração...”. Passei a acompanhar sua poética e trago aqui a seleção de alguns textos fodásticos dela (tem muitos outros mais no link do blog "Guria Faceira", que passei acima pra vocês).
Que o tempo não esfrie o calor de nossas emoções, amigos leitores!

Sobre mim

Adoro a simplicidade das pequenas coisas
Elas me encantam...
Detalhes me fascinam, e algumas doses
Enlouquecem-me...
Sou uma ruiva “radioativa”
Beta ... Alfa... Gama...
Produzo minha própria fluorescência
Atravesso corpos opacos
Com minha luz ordinária...

Do tipo que odeia
Jogo sujo...
Palavras claras bem posicionadas
São sempre bem vindas
Este é meu maior “fenômeno natural”
Não coleciono derrotas
Conquisto batalhas...
“Ionizo” toda e qualquer pequena partícula.

Não vivo o ontem nem tão pouco o amanhã
Respiro o momento,
Visto-me um dia de anjo
O outro de diabo.
Sensata, possuo os pés no chão
Aprendi que ruivas
Não possuem asas...

Não sou do tipo leve
Que vaga pelas mentes alheias
Simplesmente chego e cravo minha marca.
Já toquei o intocável
E fui surpreendida pelo inimaginável...

Carrego muitos rótulos
E rotulo apenas arquivos já mortos.
Metade de mim é compreensão
E a outra razão
Equilibrada...
Desequilibrada...
Centrada...

Simplesmente eu...
Rude... Grossa... Meiga
Sou apenas mais uma “fórmula” indefinida
Entre outras tantas...




Gosto de sonhos,
devaneios e amores.
Gosto do balanço, de como me balanças,
sem ao menos me tocar.
Gosto da luz, que tens em teu olhar
e de teu jeito meigo de falar.
Gosto do modo sem modo,
do teu jeito de reclamar.
Gosto tanto e, de tanto gostar,
quero para sempre te amar!!!




Olhos distantes
Perdidos no horizonte,
A brisa mansa toca meu rosto...
Te vejo por entre o céu,
Recheado de nuvens,
Me perco no silêncio
Que afaga meu coração...
Doce momento...
Pequenas lembranças...
E um único pensamento:
Você!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mais de 50 tons de cinza nas “Aventuras de Pi”


Quando soube que o filme “As aventuras de Pi” estava passando no Cine Glória, de Valença/RJ, não sei por que tive uma reação de ojeriza ao filme (talvez – talvez não: com certeza - pelo fato de ter 11 indicações ao Oscar – muitas indicações de um festival de filmes que prima pela politicagem, com raras exceções, apego a valores estadunidenses de patrotismo cego e autorreferências de nação narcisista, me fez desconfiar do mais novo sucesso de bilheterias. Em resumo: não vi esse novo filme do diretor Ang Lee (ainda, pois, como vários outros filmes, pretendo me despir dessa pré-conceituação e assisti-lo – o que não tira minha desconfiança a obras ‘dignas de Oscar’), assim como não li o livro que o gerou (ainda também, por ainda não ter acessado a obra – fato que resolvo em breve), não é o que me importa agora, nem é o assunto dessa crônica que inicio. O fato é que tive uma ojeriza inicial ao filme e não sei explicá-la direito; algo me fazia antipatizar com a obra e me fez, inconscientemente, ignorar as notícias sobre ela.
Moacyr Scliar, o fodástico escritor
"meio desconhecido"
Algum tempo depois, ouvindo distraidamente uma conversa alheia (sim, não há moralidade nesse quesito de produção literária: cronistas têm ouvidos de fuxiqueiros e buscam assuntos pras suas crônicas muitas vezes através desse viés), soube que o livro “Life of Pi”, do canadense Yann Martel, obra que gerou o filme, foi acusada de ser um plágio de uma obra de um escritor brasileiro do Rio Grande do Sul “meio desconhecido”. Fiquei tentando imaginar qual era esse escritor gaúcho “meio desconhecido”. Mais tarde, numa investigação virtual, descubro que o escritor gaúcho “meio desconhecido” era o fodástico MOACYR SCLIAR (!!!) e o livro, possível vítima do plágio, era “Max e os felinos” (1981). Sim, MOACYR SCLIAR, vencedor de 3 Prêmios Jabuti de Literatura (1988, 1993 e 2009), 1 Prêmio APCA (1989) e 1 Premio Casa de Las Américas (1989), sétimo ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras, autor de mais de 60 livros, em sua maioria muito elogiados pela crítica nacional e internacional, com obras traduzidas em diversas línguas – inclusive para o inglês, cuja possível tradução o escritor Yann Martel deve ter lido para realizar seu premiado (o autor ganhou o Prêmio Boker) 'quase plágio' bem-sucedido (as desculpas esfarrapadas do canadense só comprovam mais sua culpa e a falta de fineza ao considerar ter melhorado a "ideia" de outros escritores).
Obra de Moacyr Scliar,
traduzida para o
inglês
Mas não é o caso do plágio que me ofende (o próprio Scliar não quis processar o pretensioso Yann), não é o fato de o filme concorrer ao Oscar que me chama a atenção, não, nada disso é o assunto dessa crônica, isso é só uma introdução pra explosão, a montagem para a dinamite que me detona: o que me dói é o “meio desconhecido”, é a falta de conhecimento da maioria da população brasileira para escritores nacionais fodásticos como Moacyr Scliar (ah, ninguém tem a obrigação de saber tudo, né? Pois a mídia nacional e internacional sabia bem quem era Scliar, inclusive o escritor canadense Yann Martel); o que me faz baixar a cabeça de vergonha é lembrar que sou brasileiro numa hora dessas.
O tigre de bengala
da capa de "Life of Pi"
debochando do
patriotismo brasileiro
Dá vontade de chorar de raiva, amigo leitor, e se você acha esse comportamento completamente inconcebível e/ou inexplicável, só posso ter mais vontade de chorar de raiva, de medo de mantermos pra sempre essa identidade nacional de povo que samba, é feliz e que só valoriza as coisas de seu país nos momentos de folia parva. Aumentaram a passagem do ônibus? Putaquepariu, vou reclamar no facebook, no twitter, e ficar em casa. Mais um político corrupto no Congresso Nacional? No próximo ano, vou votar no Neymar, nada pode piorar, nosso negócio é driblar. Plagiaram a ideia de Moacyr Scliar? Ah, é mesmo... e quem é esse cara? 
Há muito mais que 50 tons de cinza na nossa relação com a bandeira verde, azul, amarela e branca; maltratamos a pátria idolatrada, somos sadomasoquistas, gostamos de bater, gostamos de apanhar. Só não gostamos muito de pensar. 
Me desculpem, foi só um desabafo sem nexo, sei que vocês têm que sair, afinal hoje é domingo de carnaval. Me desculpem, podem ir pra folia, curtam a vida, que é bonita e é bonita; só me deixem aqui quieto no meu canto. Acho que vou ler “Max e os felinos”, ficar diante da fera mais uma vez pra me distrair... 


        

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval psicodélico: Eu prefiro ser mutante a sambar cambaleante

Chegamos a mais um período de carnaval e, diferente do ano anterior, em que o blog se dedicou a essa grande festa nacional, em 2013 o blog não vai sambar conforme a música. Aproveitando o tema do próximo  Sarau Solidões Coletivas In Bar, em homenagem ao rock e aos demais movimentos contraculturais da década de 1970, que acontecerá no sábado após o carnaval (dia 16/02), às 19 h, no Mineiru's Restaurante, no Centro de Valença/RJ, e inspirado na poética anticarnaval de Paulo Ras (ano passado, ele compartilhou um poema anticarnaval aqui no blog e, neste ano, ele já produziu outra obra-prima contra a carnavalização brasileira - veja no link: http://impressoesedigitais.blogspot.com.br/2013/02/impressao-de-des-carnavalizar.html ), hoje apresento-lhes um poema que inventa um novo ritmo, muito popular entre aqueles que nadam contra a corrente: o "não sambo"! 
O poema traz várias referências a nomes de bandas, álbuns e músicos brasileiros da década de 1970 (entre eles, Som imaginário; "Um passo a frente", da banda A Bolha ; "Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas", de Rita Lee; "Revolver", de Walter Franco, "Miragem", de Os Lobos; "Jardim elétrico", dos Mutantes; "A divina Comédia ou Ando meio desligado", dos Mutantes, "Loki?", de Arnaldo Baptista, entre outros; além de citações de músicas de Raul Seixas e Roberto Carlos) e cria um antigo ritmo novo, um possível hit para os amigos leitores que fogem do carnaval: o "não sambo"!
Bem-vindos ao não samba desse Carnaval 2013, amigos leitores!

Não sambo 
(ou Eu prefiro ser mutante 
a sambar cambaleante)

Um som imaginário retoca meus sentidos contra os velhos micos e mitos,
Me tira da bolha, um passo a frente pra fugir do povo espremido,
Sambo rock louco, sambo soul concreto, sambo o que sou,
Sambo o que somos, sambo o “não sambo”,
Sambo e não sambo, sambo sem ou, ou, ou!

Os repiques populares são miragens no som nosso de cada dia,
Pois atrás da folia o que se vê são ruínas
De um samba que ninguém sambou, de uma identidade que se inventou;
O meu carnaval é Loki zombando das marteladas suingadas que o povo criou,
O meu carnaval é o bloco que ficou em casa e não desfilou.

Eu sambo o inexistente, eu sambo contra o panis et circenses que se formou,
Eu sambo porque não sambo non sense,
Porque não quero ficar aí parado esperando um disco voador surgir
Num carro escarrado da Marquês de Sapucaí.
Eu já caí nesse engano e, pra evitar novo tombo, eu sambo o “não sambo”,
Pois sou do bando de Flicts, sou o que não está exposto no carnaval,
Um rosto perdido na fogueira de vaidades da invenção da identidade nacional.

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas
E tu queres desfiles, plumas, fantasias,
Enquanto os revólveres dos francos atiradores da falta de comida
Apontam seus canos endividados, ameaçando nossos últimos dias?

Ah, eu que não me perco nesse universo irreal
De maravilhosas cidades, de portos seguros, de diversão banal,
Pra me entreter na falsidade, no fosso exposto, na ignorância fatal;
Eu sambo o que não se samba na farsa da avenida,
Minha folia é depois da quarta-feira de cinzas, a alegoria destruída,
A percepção tortuosa da vida mascarada de mundo real.

Há um jardim elétrico de pessoas amontoadas em torno da bateria do capital:
Por isso que eu ando meio desligado, por isso eu não sambo nesse gingado,
Por isso que eu sou mutante, por isso que não estou assim assado de sambar assim,
Por isso que eu não sambo nesse baile de mascarados;
Não quero me fazer outrem, não quero me iludir!

Eu batuco o difuso, posso parecer confuso, mas se chorei ou se sorri,
O importante é que não sambei sem saber – o certo é que sou rei de mim;
O “não sambo” é o não samba que eu fiz
Pra sobreviver na corda bamba desse sambado país. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Solidões compartilhadas: Os disfarces negros e poéticos de Bruno Couto


Hoje compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com o poeta e músico valenciano Bruno Couto. Conheci o fodástico artista no último Sarau Solidões Coletivas In Bar, quando ele me mostrou um poema de sua autoria e topou declamá-lo ao vivo, acompanhado pelo violão de Eddie Mendonça. Trago dois poemas do jovem autor. O primeiro, “Disfarce negro”, é rico em atmosfera gótica e em musicalidade (segundo Bruno, a obra foi concebida como letra de música, mas pareceu-lhe melhor como poema), uma crítica feroz ao autoritário “fazer direito” da sociedade (lembra-me muito os poemas de Baudelaire e da primeira fase de Cruz e Sousa – aquela do “Acrobata da Dor” entre tantos outros grandes poemas). O segundo, que batizei de “Negado”, desfaz a visão dogmática de ver Lúcifer simplesmente como um ser do mal (“acho que julgar que erra não é ser mau”, afirma Bruno Couto) e me lembra um pouco o “Rock do Diabo”, de Raul Seixas, e “Simpathy for devil”, do Rolling Stones (por sinal, os versos finais do poema “Negado” de Bruno Couto trazem um ritmo muito parecido ao do refrão da música dos Rollings Stones).
Encontremos nossos disfarces negros, sem hesitações, através do fodástico universo poético de Bruno Couto (todo mundo tem algo oculto por trás das máscaras do dia a dia, não adianta negarem, amigos leitores).

Disfarce negro

Há uma máscara para cada um de seus pecados,
Há uma indulgência que paga por cada violação,
Há um desprezo por tudo o que existe,
Mas como se não há nada além de tudo isso?

Sob a luz
Teatro da desgraça,
Negação da vida,
Miséria é breve...

No frio da noite,
Meu espírito vai queimar,
Precisando "fazer direito"
Para se esconder e não aprender!
Diante da cruz - lágrimas em vão!
Nos representando no palco de novo ...
Cubra os olhos para não ver a sua vida.
Mas até lá fique na escuridão meu coração!

Sob a luz
Teatro da desgraça,
Negação da vida,
Miséria é breve...

No frio da noite,
Meu espírito vai queimar,
Precisando "fazer direito"
Para se esconder e não aprender!
Sob um disfarce negro!
Oh, disfarce negro!
(Nos rendemos!)



Negado

Do seu lar fui negado por algo que não fiz,
Hoje pago por pecados pelos quais nem mesmo cometi,
Sempre sou lembrado nos momentos de dor
E esquecido nos momentos de amor,
Por várias culturas passei e vários nomes recebi
Mas por apenas um atenderei:
“Lúcifer”
E pela eternidade existirei!


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Meu oriente poético: Eu boneco inflável


Alguns cineastas que marcaram meu retiro cinéfilo das férias desse último janeiro foram os asiáticos Wong Kar-Wai (Hong Kong) e  Hirokazu Koreeda (Japão). Assisti à parte (e pretendo assistir a muitas outras mais) das obras deles – de estilos bem diferentes, mas ao mesmo tempo extremamente poéticos, cada um em sua forma peculiar - graças ao blog Sonata Première, pois seus filmes Cult são de difícil acesso / locação (antes eu só havia assistido ao premiado “Beijo roubado”; através do blog, pude conhecer “Amores expressos”, “Felizes juntos” – que prefiro chamar de “Happy Together”, pois o título original faz referência à famosa canção do The Turtles –, os três de Wong Kar-Wai e “Boneca inflável” – este de Hirokazu Koreeda). De todos esses, apesar da maravilhosa fotografia e roteiro de “Felizes juntos”, o que mais me marcou foi o fodástico “Boneca inflável”. O filme causa um estranhamento no início, pois seu pacto ficcional (o ato de adentrarmos no universo imaginário do filme) se dá no plano do realismo fantástico: uma boneca inflável, objeto sexual de um homem solitário, toma vida e, durante as manhãs e tardes de ausência de seu dono, passa a andar pela cidade, conhecendo a atmosfera opaca do cotidiano humano. Caminhando com ela pelo vazio da cidade moderna, nós, os espectadores, nos damos conta de nós mesmos e o quanto da conhecida solidão nossa coletiva há no universo que a boneca vê; o estranhamento passa e estamos absolutamente envolvidos na trágica trajetória da boneca inflável. O filme e os universos dos cineastas asiáticos citados me marcaram tanto que o fenômeno da criação poética aconteceu naturalmente: como tudo que amo e absorvo, a obra se tornou uma inspiração para um novo poema.
Para a produção desse poema, me baseei na temática de amor e desamor, comum nos filmes de Wong Kar-Wai, e de vazio, impresso na obra-prima de Hirokazu Koreeda. Para isso, também retomei a personagem “Ela” (referência a uma música fodástica da antiga banda valenciana “Província”) de um conto fantástico meu chamado “Figuras de linguagem”, ainda não publicado no blog, mas presente em meu sexto livro “Diários de solidão” (2010). Inverti os papéis do filme – o boneco inflável é o eu lírico e “Ela”, a dona, que, após algum tempo de uso, abandona o homem-objeto. Os capítulos são divididos por frases de efeito ditas pelos personagens do filme “Boneca Inflável” ou impressões deixadas nos olhos do espectador (como é o caso do título do capítulo I). O poema traz várias referências pops nacionais (há citações de músicas da Legião Urbana, Herva Doce, Engenheiros do Hawaii, Biquíni Cavadão e até de funk – o “Bonecão do posto”), imitando a característica de inspiração pop dos cineastas  Wong Kar-Wai e Hirokazu Koreeda (em “Felizes juntos”, há a clara referência “Happy together”, do The Turtles; em “Amores Expressos”, “Califórnia Dreams”, do Mamas And Papas, é tocada frequentemente; em “Boneca Inflável”, há referência a poemas e a filmes – como a “Pequena sereia”, procurada incessantemente por um pai na locadora onde a boneca inflável passa a trabalhar).  Meu poema traz uma temática menos densa que a do fodástico filme homenageado, mas tenta seguir uma constante do universo cinematográfico de Wong Kar-Wai e Hirokazu Koreeda: a fragilidade e sutilezas das relações humanas.
Nos enchamos de ar e caminhemos pelos universos poéticos de Wong Kar-Wai e Hirokazu Koreeda, amigos leitores!
 
Boneco inflável

Parte I
A beleza é feia

Ela me dizia
Que eu era lindo,
Mas esqueceu de me informar
Que éramos jovens demais.

Ainda é cedo,
Eu lhe diria,
Mas Ela não me ouviria.
Saiu sem dizer adeus;
Talvez por isso Ela ficou em mim...

Andando pela cidade
Mais tarde,
Percebi sozinho
Que a beleza era vazia...

Parte II
Mãos frias é igual a coração quente

As mãos dela estavam quentes
Sobre meu ombro decadente.
Talvez eu fosse a solução
Pros seus problemas,
Mas fui problema sem solução.

Minhas mãos frias sobre a mesa aquecida
Pelo toque de suas mãos ardentes
Na colocação das cartas sobre a mesa.
No jogo da despedida,
A disputa acabou e eu perdi por W.O.

Eu deveria lhe dizer adeus,
Mas não disse.
Meu coração quente só percebeu o inverno
Quando Ela abriu a porta
E deu a partida...

Parte III
Somos todos vazios

O boneco do posto vive maluco,
Vive doidão,
Cheio de ar, cheio de vida artificial,
Enquanto consumidores exibem
Seu universo rarefeito
Na entrada e saída
Da loja de conveniência.

Realidade incoveniente
Ver tanta gente indiferente
Passando pelo boneco dançarino
Sem esboçar nenhum sorriso.

Nesses feriados sem Ela,
Minha mente não descansa
E, refém de pensamentos absurdos,
Imagino que o boneco do posto
Tão maluco, tão doidão
É só mais um homem inseguro
Enganando a solidão.

Parte IV
Dói ganhar um coração

Eu, que não a amava,
Agora fumo, bebo conhaque
E nem é mais inverno!
Agora percebo que tenho coração,
Mas ele bate demais.

Onde está a ferida
Que me abre?
Preciso estancá-la
Pra perder a falta de ar,,,

Então beijo outra e mais outras,
Assim volto a respirar,
Mas todo beijo acaba,
Então volto a esvaziar.

Parte V
Nem tudo é tristeza no mundo que vi

Enquanto as calçadas serviam
De lenço pra chuva,
Vi uma garota tentando abraçar
As gotas que caíam.

A garota tinha pressa,
A garota tinha vida,
A garota não era Ela,
A garota que, de repente,
Sorriu pra mim,
Fazendo cócegas de sol
Em meu coração sereno.

A garota era um sonho
Que eu não via;
Acordei e vi que a chuva infinita
Não mais me caía:
Seja tristeza, seja alegria,
O pra sempre sempre acaba.

Então percebi que pessoas tristes
Também sorriem;
Todas as estações passaram
E agora eu passo por Ela
Triste sorrindo,
Enchendo meu pulmão de ar,
Em busca da garota dos sonhos,
Em busca de um novo pra sempre
Que também vai acabar
(Dói, eu sei;
Mas é só de vez em quando).



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Solidões compartilhadas in memoriam: Adriano Gonçalves nos tempos da Arcádia

Mais de um mês se passou que o artistamigo Adriano Gonçalves partiu e suas músicas permanecem e sempre permanecerão conosco. Hoje compartilho mais uma de suas antigas composições, a melancólica e fodástica "Nada vale a pena", composta na época em que Adriano Gonçalves tocava na banda Arcádia (também publicada na última edição do jornal Valença em Questão e disponível no blog do VQ: http://blogdovq.blogspot.com.br/2013/01/vq-48-poesia.html). Segundo outro integrante da banda, o Bruno Gonçalves, Adriano omitiu na última versão dada à música os versos "nada vale a pena se não se tem o amor de Jesus, que expressa a verdadeira razão de viver". Seja como for, mantenho a versão final solo optada por Adriano, sem esquecer do registro citado por um dos integrantes da banda.
Deixo aqui o registro em vídeo da última dessa música gravada pelo próprio Adriano Gonçalves. O vídeo foi gentilmente cedido por Zé Ricardo Maia.
A liberdade continua inspirando a arte dentro de nós, amigos leitores!


Nada vale a pena


Parecia mentira quando você apareceu
Abri meus olhos quando ouvi a sua voz me chamar
Depois de muito tempo eu acordei
Depois de muito tempo eu enxerguei

Nada vale a pena
Se não se é feliz
Nada vale a pena
Se não se tem o amor

Parecia mentira quando você apareceu
Tirou as vestes de solidão que cobriam o meu olhar
Depois de muito tempo eu acordei
Depois de muito tempo eu enxerguei

Nada vale a pena
Se não se é feliz
Nada vale a pena
Se não se tem o amor


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Solidões compartilhadas: Marcio Bragança de lá e de cá


Hoje compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com o fodástico compositor, músico e escritor carioca Marcio Bragança, o Marquês de Cascadura. 
Conheci Marcio Bragança através da poetamiga Janaina da Cunha, durante uma edição do fodástico evento, organizado por ela, o Identidade Cultural & Movimento Culturista (atualmente, Marcio Bragança é o produtor musical do evento). 
Autor do blog “Conjugando sonhos” (vale a pena conferir - segue o link: http://conjugandosonhos.blogspot.com.br ), Marcio declarou, no facebook, que o poema lhe surgiu no meio de um engarrafamento: “Estava no meio de um engarrafamento e veio o texto. Estranho falar de amor num momento tão estressante como esse.”
Para os amigos leitores que sabem que o amor não tem hora nem lugar:

De Lá e de Cá

Preciso de uma nova inspiração
Uma mulher que me tire o chão
E me faça sentir voar
Flutuar nos ventos da paixão
Sem medo que de lá eu caia
Que eu me sinta seguro na barra da sua saia
Que eu me perca em suas entranhas
Que ela seja agridoce e tenha novos sabores
Que ela seja descompassada
Pra entrar no compasso dos meus defeitos
Que ela seja o sol que brilha após as trevas
Numa homérica odisseia
Não quero muita coisa
Só quero o amor puro e intenso
De lá e de cá

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...