sábado, 20 de agosto de 2011

Prosa poética em homenagem aos historiadores: A agulha e a História

Em homenagem ao Dia do Historiador, comemorado no dia 19 de agosto, posto a prosa poética "A agulha e a História", escrita após visita a diversos museus no Rio de Janeiro/RJ e publicada em meu quarto livro "O último adeus (ou o primeiro pra sempre)". Pra ser lida ao som de "Múmias", do Biquíni Cavadão, e "Missionários", de Uns e Outros:


A agulha e a História

            Perdido entre estátuas de Napoleão, Tiradentes, Hitler e Getúlio Vargas, ele se sente tão pequenino, sozinho como uma agulha no palheiro.
            Loucos, mártires, ditadores, sonhadores, sucessos da mídia dos cartéis dos cartéis dos livros de História parecem deuses entre mortais, uma sopa de ideias e ideais que consome os seus consumidores, traz um marketing espetacular, alimenta e gera efeitos colaterais. Enquanto a agulha busca ser homem, ter um nome, um rosto, uma alma, uma novidade para os seus olhos cansados de impérios, forcas, preconceitos e suicídios induzidos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Diário de um fã-nático solitário: tudo por um show do Biquíni Cavadão


18 de agosto
05:45 – Arrumo a mochila e me preparo para um dia longo: de casa pra escola, da escola em Teresópolis pra viagem a Valença, de Valença a Ipíabas, Ipíabas com Biquíni Cavadão, tudo por um show!
06:33 – Carona pra escola, a manhã começa fria, mas promissora, “só quem sonha acordado vê o sol nascer”.
07:20  às 10:40– Entrando na sala pra dar aula – Assunto: Arcadismo. Associo a música “Descivilização” às estéticas árcades. Informo aos alunos que faltarei amanhã (direção já está ciente), pois tenho horas-aula sobrando na casa e usarei pra ir ao show do Biquíni Cavadão, banda-assunto desta aula. “Yeah, o professor é do rock! “ – os olhos dos alunos dizem. Aviso que amanhã eles não ficarão à toa – deixei atividade-trabalho com canção da Paula Fernandes valendo ponto. “Ah, o professor é do rock, mas não perdoa!” – os olhos deles sabem que não sou tão irresponsável assim.
11:00 – Ganho carona pra rodoviária; estou com sorte.
12:00 às 14:05 – Dentro do ônibus de Teresópolis para o Rio de Janeiro. No meio da viagem, um engarrafamento sonolento me influencia um breve cochilo. Acordo na rodoviária, o mp3 ainda ligado toca “Mesmo assim”, do Biquíni. Meu vizinho de viagem é um senhor de meia-idade, que se despede me desejando “Boa sorte!”. Ai, ai, será que falo acordado sobre meus desejos quando estou dormindo? Por 5 minutos, perco o 14:00 para Valença. O jeito é esperar o próximo.
15:15 às 18:45 – Dentro do ônibus do Rio de Janeiro para Valença. Durante a viagem, meu irmão me liga e me informa que a van que sairia de Valença para o show do Biquíni Cavadão em Ipíabas foi cancelada. Ai, ai. Logo depois, o irmão da Ju me informa que também não iria. Ai, ai, ai. No mp3, toca “Impossível”. Impossível eu voltar atrás: digo pra mim mesmo que vou pro show de qualquer jeito!
18:45 às 22:45 – Em Valença, dou uma pausa pra recarregar as baterias do celular, da máquina fotográfica e as minhas. Como diria um vizinho do bar do Tio Jorge, “vamo que vamo”. Visito a Ju, passeio com o cão labrador Ramone (ator de meu ciple-conto “Falsa expectativa”, parto para a rodoviária: de Valença para Barra do Piraí, de Barra do Piraí pra Ipíabas, estou sozinho, mas estou comigo, “não quero me desapontar”, ah! Cheguei em Ipíabas!
22:45 às 0:40 – Assisto ao show de uma banda local (bem razoável os caras, ainda mais prejudicados pela aparelhagem de som irregular), cumprimento alguns conhecidos (morei, trabalhei e fiz faculdade em Barra do Piraí há alguns ‘séculos’ atrás), Pinheiro e sua esposa, ambos de Valença, passam por mim. Ele diz: “Não avisei que te encontraria?”, rs, não estou tão sozinho assim; continuo comigo e agora com eles. Vou para a frente do palco principal. O apresentador anuncia que, dentro de instantes, chegaria ao palco o Biquíni Cavadão!
18 para 19 de agosto
0:40 até altas horas da madrugada (ou o tempo-momento de uma eternidade em meus olhos fascinados) –  Com vocês, Biquíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiniiiiiii CavadÃO! A banda faz um show memorável, intercalando músicas novas (“É dia de comemorar” e outra, composta com o vocalista do Fresno) e muitos sucessos (“Em algum lugar do tempo”, “Vento, ventania”, “No mundo da lua”, “Sexta-feira”, “Tédio”, “Timidez”, “Zé ninguém”, etc). Plateia vibra com o show, pulo, canto, ah!eu estou vivo! Vivo, suado, fascinado. Tudo vale a pena quando a alma e o show do Biquíni Cavadão não são pequenos! Pinheiro registra fotos minhas durante o show; hipnotizado com o espetáculo, só percebi o que ele fazia após muitos flashes. Fim de show, vou ao camarim, tieto o vocalista Bruno Gouveia, quase esqueço minha máquina digital lá, fã-nático completo!
19 de agosto pleno
Altas horas da madrugada até 05:50 – Mofando na rodoviária pra pegar o ônibus pra voltar a Valença; não lamento, o sorriso estampado no rosto. Cada último show do Biquíni Cavadão parece o primeiro. O sol ri no horizonte... Amanhece! 


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

32 anos ao sabor do sol: Motivos pra ir a outro show do Biquíni Cavadão

“Nem sempre se pode sonhar
Com aquilo que não se pode ter
Mas que regra mais idiota
Pois quando a gente sonha
É exatamente com o que não temos
E quase sempre
Com o que mais queremos”
É incrível como esses versos da balada “Mesmo assim”, do Biquíni Cavadão, pesam ainda mais em nossas reflexões depois que passamos dos 30 anos de idade. Após os 30, qualquer atitude sonhadora do indivíduo pode ser motivo de censura pelos adultos – fiscais de postura – ao nosso redor. Os colegas conselheiros – nossos inimigos que moram ou convivem ao nosso lado, “ah, esses humanos que vivem pela cidade aí afora” (versão do Biquíni para o hit da banda Tóquio é f...)...! – os maestros da boa conduta sempre nos relembram que o tempo passou, que o ‘the dream is over’, que sonho bom é estabilidade consumista (rotina estressante com carro na garagem, apartamento de frente pro mar, delírios poéticos trancados na gaveta do criado surdo-mudo e atitudes entusiásticas e revolucionárias no armário da desilusão), que não se deve fazer isso, que não se deve fazer aquilo, já não se tem idade pra tal coisa, tudo que fazemos é “ilegal, imoral ou engorda” (ouçam a versão dessa música com o Biquíni no CD Tributo ao Rei, em homenagem a Roberto Carlos, eu recomendo!), blá, blá, e ficamos procurando um “vento, ventania”, que nos leve sem destino, pra longe dos nossos censores de plantão. Sei que não devemos viver no reino de Peter Pan, o mundo é grande e não podemos ser pequenos pra sempre, mas quem disse que não podemos passear pela Terra do Nunca de vez em quando?

Sei também que você, leitor – com seu aparelho de censura interno; não negue, todos nós temos um lado meio colega conselheiro preparado pra acionar contra os loucos delirantes que nos aparecem em momentos inusitados de nossa passagem apática pela vida –, você deve estar pensando por que resolvi falar disso no meio de uma correria furiosa pela sobrevivência ao “sabor do sol” de uma quarta-feira ardente a queimar desejos adormecidos. Pois bem, explico: é porque um dos meus desejos acordou bem disposto hoje: depois de horas e horas extras, consegui juntar um dia e convencer a direção de minha escola (rá, rá, pensou que tinha juntado dinheiro, né? Cuidado com seu aparelho de censura, ele pode explodir!) pra poder sair de Teresópolis e assistir ao show do Biquíni Cavadão no Festival de Inverno em Ipíabas, distrito de Barra do Piraí/RJ, amanhã à noite.
Pronto! Já imagino a cara de muxoxo que várias pessoas vão fazer! “Você me pergunta se meu amor vai crescer / Eu não sei, eu não sei / Fique por perto e você verá / Eu não sei, eu não sei”, meu rosto estará cantando esse fragmento de “Something”, de George Harrison, caso eu me depare com tais caras de desdéns durante a minha aventura.
Entre 1994 e 1995, fui num show do Biquíni Cavadão (foi o primeiro show ao qual assisti de bandas do popularmente conhecido Rock Brasil 80) no Central Sport Club, em Barra do Piraí/RJ, eu era um moleque meio “Zé ninguém”, cheio de “Timidez” e “Tédio” em mim, buscando “No mundo da Lua” o “Impossível” em minhas “Idas e voltas”, às vezes até “brincando com fogo” pra manter a chama da vida acesa, antes que as “teorias” do “mundo adulto” me engolissem. Fui com meus primos, éramos três moleques perdidos e inexperientes em baladas noturnas, o show começou vibrante, permaneceu assim, estávamos pulando, vivendo, estávamos vivos ali! Depois disso, acompanhei os shows do Biquíni nas cidades interioranas o quanto a rotina de trabalho – outrora gráfico, depois operário, até hoje como professor - me permitiu fazer (2 vezes em Barra do Piraí, 3 vezes em Valença, 1 vez em Rio Preto – sendo que, em 2 apresentações dos caras, fui levado ao palco pra ‘cantar’, fato que me rendeu o status de fã-nático ‘muito doido’ ‘que canta mal pra caraio’ na pequena cidade de Valença), sempre dançando pra não dançar (hit de Rita Lee, já cantado pelo Biquíni). Já escrevi cartas pros caras, presenteei o vocalista com um soneto meu no show de Rio Preto, o primeiro (e, por enquanto, único) “Verse essa canção” deste blog utilizou a canção “Impossível”, do “Descivilização”, quarto CD do Biquíni, em homenagem ao Bruno Gouveia, vocalista da banda, canto as músicas desconhecidas todas (recomendo todas, com destaque pra “Antes do mundo acabar”, “Você me perdoa”, “Foi só distração” e “Um beijo pra acabar”, do ótimo CD “Quem sonha acordado vê o sol nascer”, pouco explorado pela banda no último show em Valença, fato que me intrigou, pois não sabia que eles já estavam preparando o “Rock 80 vol.2”, mas eu perdoo rs – quem ouvir a segunda canção que listei do Cd citado vai entender a piada), saio exausto dos shows deles, alguns “boquiabertos” devem me achar um bobo, mas “cada um com a sua cara”, eu não me canso de ser “escravo” das músicas deles, e parafraseando o novo single da banda, é meu dia de comemorar!

Em nenhum instante dos meus pós-30 anos, pretendi, nem pretendo retornar a minha adolescência, não quero voltar no tempo, que cada bom momento se mantenha em seu relógio específico, mas nem por isso quero esquecer o que já vivi, aquele garoto fui eu, ele cresceu, mas não vou perdê-lo, os sonhos persistem, vou a mais um show do Biquíni Cavadão e não vou perder toda essa vibração que ainda carrego comigo. “Mesmo assim, eu não esqueço as promessas que eu fiz pra mim / não quero me desapontar”, deixo-lhes, pra pensar, parte do refrão da canção “Mesmo assim”, citada no início dessa crônica-artigo-desabafo-sei-lá-que-gênero-vocês-vão-me-classificar. Como diria o titã Paulo Miklos, “vou ser feliz e já volto”. Quem quiser me encontrar amanhã à noite, estarei lá na frente do palco, com meus 32 anos, sem medo de sonhar com aquilo que não posso ter.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Olimpíadas Londres 2012 e Rio 2016: Queimando Zeus com a tocha olímpica

Segundo uma lenda grega, Héracles (ou Hércules, como é mais popularmente conhecido), após realizar seus doze trabalhos, construiu o Estádio Olímpico em honra ao seu pai Zeus, deus máximo da mitologia grega. Hoje imagino como Zeus resmunga com toda sua fúria celestial a falta de transparência nas verbas brasileiras destinadas às Olimpíadas do Rio de Janeiro (pode ser delírio, mas tive a impressão de que o som do último trovão que vi riscar o céu tupiniquim sinalizava um violento pqp em grego, vociferado pelos deuses esquecidos da Antiguidade). Héracles deve sentir-se desonrado e furioso ao saber que nenhum governo, seja ele inglês ou brasileiro, se preocupou em realizar pelo menos doze trabalhos humanitários para sediarem as próximas Olimpíadas. A outra lenda grega originadora das Olimpíadas, a ideia de ‘trégua olímpica’, passa longe das ruas em chamas de Londres e dos ônibus sequestrados nas estradas fluminenses.
            Não é privilégio dos dias atuais o desrespeito e heresia aos mitos gregos que estimularam a geração das Olimpíadas. Desde que o Comitê Olímpico Internacional (COI) resolveu reacender as chamas dos Jogos Olímpicos, a partir de 1896, os deuses, semideuses e heróis da Grécia Antiga veem seus antigos ideais queimarem em Infernos mais quentes que o de Hades. Desde o princípio de seu ressurgimento, sob a tutela do COI, os Jogos Olímpicos têm sido usados como uma plataforma para promover ideologias políticas controversas e opostas às que suas antigas lendas pregavam. Prova disso é que a Alemanha nazista já foi país-sede das Olimpíadas (Jogos de Berlim, em 1936), heresia tamanha que deve ter estimulado Zeus a convocar Marte, o deus da Guerra, pra gerar a Segunda Guerra Mundial e impedir que fossem realizados os Jogos Olímpicos em 1940. Hoje, a chama, outrora olímpica, queima prédios e carros em Tottenham, em protesto contra a morte de Mark Duggan, de 29 anos, baleado injustamente pela Polícia inglesa na quinta-feira, dia 04/08. Hoje, em alguma favela, a chama, agora sem trégua olímpica, deve atear fogo em pneus que aprisionam pessoas que se rebelam contra o regime criminoso das milícias na periferia cada vez mais inflada de ódio do Rio de Janeiro. Héracles clama que doze trabalhos comunitários sejam cumpridos nas futuras cidades-sedes, mas os governantes ingleses e brasileiros rezam para outros deuses, negam credibilidade aos rituais antigos e respondem a tudo com um sorriso maroto e olímpico de hipocrisia. A filosofia global matou Zeus e homenageia Marte disfarçado de Divino Desenvolvimento.
            Londres e Rio de Janeiro se preparam para um Salto Mortal nas próximas Olimpíadas. Que Zeus seja benevolente em sua punição olímpica aos países pecadores.      

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Contos solteiros: "Reunião de amigos"


Nesse Dia do Solteiro, lembrei de um fato que sempre persegue e atormenta o sujeito que carrega tal estado civil: as vozes amigas que nos perguntam quando vamos tomar vergonha na cara e casar. Qualquer sorriso solteiro feliz é frustrado diante de tal inquérito amigo. Lembro-me que às vezes me reunia com os amigos para jogar cartas e beber e sempre a Rosimere, esposa do Teco (que, após casar, retomou o nome de Anderson rs), dava-me um sorriso malicioso e me fazia a pergunta fatal: “E aí, Brunno, quando vai casar?” Tal pergunta não me deixaria tão melancólico se eu quase sempre não estivesse bêbado e envelhecendo diante dela. Um dia, havíamos derramado uma, duas garrafas de sidra mais algumas cervejas, a pergunta fatal se repetiu, mais um sorriso sem graça meu, não tinha respostas para ela, mas foi assim que esse conto saiu e depois foi publicado no “Diários de solidão” (2010):  

Reunião de amigos

Eis a Santa Ceia: vemos passados, prevemos futuros. Uma reunião de amigos é um liquidificador de tempos e emoções (de já vú, não, me desculpe, não vi nada, não o vejo há muito tempo). Cartas sobre a mesa, o velho baralho; jogamos com a história, a nossa história, minúsculos pontos de tédio e solidão nas quatro paredes isoladas da Grande História dos Mundos. E o tempo passa lá fora, o GRANDE, ONIPOTENTE E APRESSADO TEMPO. E a moça ao meu lado quer jantar diálogos de flores, me pergunta sobre casamento. E eu, solteiro e em silêncio, guardo meu sorriso de desespero: serei o messias sacrificado ou Judas, o ingênuo traidor? Maçãs, maçãs nos rótulos das garrafas sobre a mesa, maçãs no rosto, “teus seios duas maçãs” uma canção de Nenhum de Nós, maçãs... símbolos da expulsão do Paraíso? Os deuses da casa trancam a porta do Éden da minha imaginação e me levam ao Juízo Final (te lembras de quando caíste em tentação - ou era de embriaguez?... sabes onde estás? que a vida passa e não fazes nada? que não existe eternidade pra teus atos - ou desacatos? que só o casamento e a dívida externa duram pra sempre?). E agora o tempo passa, o GRANDE, ONIPOTENTE E APRESSADO TEMPO passa dentro e fora da casa... 

George Harrison e eu: Um fantasma para "Taxman"

Minha bipolaridade às vezes me choca e tudo isso invade minha incursão george harrisoniana. Durante a manhã e grande parte da tarde e da noite, enquanto ouvia as más notícias das tragédias da chuva em Teresópolis, no último sombrio mês de janeiro, chorava por dentro e estava deserto e introspectivo por fora. A chuva não parava, Santa Rita (localidade de meus alunos a quem já havia dedicado dois poemas) assim como toda área rural ainda estava isolada (e terrivelmente desolada). Naqueles tempos de tormenta, estive em Barra do Piraí, para visitar meus avós e outros familiares que tenho por lá. Revi Amanda, a filha de minha prima Betinha. A menina tem mais ou menos seis anos e eu tinha que sorrir, pois a sua vida ainda ignora a insensibilidade da tempestade e não admite um amiguinho triste. Por um momento, fui criança e tentei, por um momento, diminuir a carência afetiva que a menina tem, devido a um pai ausente (como já foi o meu) e, por esse momento, eu não me  pertenci e a chuva que me destruía, nesse único momento, mostrou um arco-íris. Encontrei a infância que não tive, George Harrison finalmente apresentava uma composição digna de Lennon/McCartney e o revólver estava apontado para os meus eus líricos anteriores. Em processo oposto ao de "Here Comes the Sun", "Taxman" perde sua crítica social (contra os cobradores de impostos e o sistema que eles representam) e se torna uma fuga existencial momentânea, ocultando a guitarra que suavemente chora:

Fantasma


 

Ela tem amor,
E eu vou aí.
Onde ela for
Vai me divertir.

Minha prima Amanda, musa inspiradora
dessa (sub)versão georgeharrisoniana
Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

Ela faz o inocente
Parecer muito bom.
Nego todo meu eu,
É muito bom!

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

Se há um carro,
Eu vou no táxi invisível.
Se ela tem seis anos,
Não tenho mais que cinco.
Se o mundo é frio,
Nela só há calor.
Se há muita dor,
Ela me faz sorrir.

Feliz fantasma!!!

Porque sou seu fantasma.
George Harrison
Sim, sou seu fantasma.

Só me leve pra onde ela for,
(ah,ah, sou invisível)
Porque não ser eu é muito bom...!
(ah,ah, me esqueci)

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.

E essa menina
Me lembra um guri,
(o seu fantasma!!!)
Que não tinha pena
De outros mortais.
(o meu fantasma!!!)

Porque sou seu fantasma.
Sim, sou seu fantasma.
E hoje eu não quero lembrar de mim...!
(um eu fantasma!!!)

domingo, 14 de agosto de 2011

Poema do dia dos pais: O segundo domingo de agosto

Poema dedicado ao Dia dos Pais, publicado no meu quarto livro "O último adeus (ou O primeiro pra sempre)" (2004), inspirado no poema "Viagem na família", de Carlos Drummond de Andrade; pra ser lido ao som de "Pais e filhos", de legião Urbana e "Pai", de Fábio Júnior:

O segundo domingo de agosto

Eu trouxe um discurso repleto de emoções pra você ouvir
mas não sei por que de minha boca só sai o silêncio
Talvez a distância imaginária intimide minha voz
quando me aproximo
e a certeza de que deixarei as palavras pra depois
traz desespero em minha incerteza interior
Eu tento dizer o que não sei
Sou sua imagem e semelhança
o espelho em movimento de suas aventuras e desventuras
O herói e o vilão em você também estão em mim
e os meus olhos dizem, os seus também
mas não sabemos ouvir
não sabemos ver
Talvez a divergência musical distorça as letras de nossas canções
e o nosso presente seja um passado que você nega
e um futuro que eu escondo

Pai, eu trouxe o silêncio pra você me ouvir

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...