sexta-feira, 23 de março de 2012

Poema seduzido: Estranha a contragosto

Hoje é o Dia da Sedução! Por esse motivo, posto hoje um poema, selecionado para o meu próximo livro "Foda-se e outras palavras poéticas", dedicado a essas musas que nos seduzem, vindas não sei de onde, lindas, líricas, sempre estendendo nossos horizontes para noites além. Hoje falo pouco; em silêncio fascinado, as relembro e vejo-as passar por mim, com aquele sorriso perverso de quem tem o dom de seduzir e levar um, milhões de versos meus pra si:


Estranha a contragosto

“Uma noite foi muito”
Marcelo Mirisola, “Joana a contragosto”

Na calada da noite, ela fala grandes palavras
Dicionário de cama
Sentimentos abertos no quarto fechado
Movimento de lábios, grandes lábios
Furioso cio
As luzes apagadas ocultam sua insegurança
Não sei quem ela é, de qual planeta vem
Marte ou Vênus
Antes rendida em sua roupa rendada
Agora nua, vencedora
Em minha cama de histórias inacabadas
Em minha colcha retalhada de suor
Sobre mim
Oferece-me o corpo para pequenas mortes
E as pequenas mortes se repetem
Se repetem
Se repetem
Então os assassinatos acabam
E ela parte
De volta pra vida
Deixa-me em meu berço de utopias frustradas
Embalado pela melodia amarga
Do beijo doce do adeus
Não, ela não volta
Adeus...

2 comentários:

  1. Na verdade, o Dia da Sedução é no dia 23 de fevereiro; posto com um mês de atraso rs... Que o Dia da Sedução fique sendo todo dia e nos percamos das datas, de tão seduzidos que somos rs

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  2. Como não posso falar porque minha garganta está completamente inflamada (talvez por falar demais rsrsrsr).O que me resta hoje Carlos, senão te perturbar kkkkkk, adooooooooro.

    Bem vamos ao que me interessa:

    1- suas introduções são instigantes e inquietantes. "vejo-as passar por mim, com aquele sorriso perverso" - a perversidade é sempre um elemento sedutor. Não falo da perversidade doentia, mas daquela que nos faz perder o chão e definitivamente não queremos tabuas de salvação, apenas cair mais ainda.

    2- "Dicionário de cama/Sentimentos abertos no quarto fechado/
    Movimento de lábios, grandes lábios/Furioso cio"

    1º verso - lindo. o corpo do outro é sempre um livro aberto pronto para ser inscrito, desvelado, sentido e instigado.
    2º verso - antítese perfeitas.
    3º e 4º versos - amei a combinação dos lábios, de fato um movimentos, dependendo do momento, quase sincronico. encontrar essa medida para falar de nossa genitália ou partes delas com beleza e poesia é difícil sem parecer meloso demais.

    Certa vez ouvi uma crítica sobre agregar a palavra cio aos nossos desejos, eu particularmente, não vejo palavra mais adequada. concordo que exista uma diferença entre a animalidade puramente fisiológica e a possível fusão entre sentimentos e a necessidade física. mas em que ordem essas coisas aparecem? seria primeiro sentimento, toque, ação puramente física e depois toque e sentimento. seja lá como for, o ato em si com a pessoa do nosso agrado que nos deperta aquele sentimento é divino.

    3- "Antes rendida em sua roupa rendada/Agora nua, vencedora" - é exatamente assim que muitas de nós nos sentimos no primeiro instante, num suspense se voces (homens) gostam daquela roupa, fico sempre em dúvida se voces veem mesmo a roupa kkkk. Mas depois meu amigo, o gosto do poder de ve-los vencidos vale, nao digo qualquer sacrificio, alguns sacrificios. lembre-se que no mundo grego, não lembro se na mitologia, literatura ou na realidade grega, quando as mulheres queriam parar as guerras, faziam guerra de sexo, nada mais justo não acha? tantos guerreiros nos campos de batalhas e nenhuma batalha para nós, que injustiça. no entanto, a relação do sexo na grecia era diferente para nos, mulheres e para os homens. para estes o sexo era a garantia da eternidade deles atraves da prole, mas será que para a mulher tinha esse mesmo sentido?

    4- "Sobre mim/Oferece-me o corpo para pequenas mortes/E as pequenas mortes se repetem/Se repetem/Se repetem/Então os assassinatos acabam" - quem, em algum momento, não foi um serial killer, que atire a primeira pedra?

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