segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Eternizando Mortos; Ao Cadáver, o poema de Stéphanie Rachid Dias Proviett Cury

Hoje, no Dia dos Finados, tenho o prazer incomensurável de compartilhar minhas solidões poéticas com o fodástico poema de Stéphanie Rachid Dias Proviett Cury, recém-formada em Medicina (já avisando que exercerá a função com vibração e trazendo um lirismo único) e filha da mais-que-fodástica escritoramiga Gilda Maria Rachid Dias (filha de poetamiga fodástica, fodástica poeta também é).
Reflitamos sobre o lírico cadáver, exposto pelo bisturi poético de  Stéphanie Rachid Dias Proviett Cury.

Ao Cadáver

Ao curvar com a lâmina de seu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembrar que esse corpo viveu.
Seu nome não sabemos, mas o destino deu-lhe o poder e a grandeza de servir à humanidade que por ele passou indiferente.
Você que teve o seu corpo perturbado em seu repouso profundo pelas nossas mãos ávidas de saber, o nosso mais profundo respeito e agradecimento.

( Escrito por Stéphanie Rachid Dias Proviett Cury)


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Solidões Compartilhadas In memoriam: Tua partida, de Dézio Botelho

Há alguns meses atrás, o aluno Charles Botelho, do 7.º Ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, me procurou numa tarde em que eu me encontrava na escola, produzindo os vídeos do Luz, Câmera...Alcino! Sabendo, por intermédio da bibliotecária Emidiã Fernandes, que eu era poeta com livros publicados e administrador de um blog, Charles me entregou um dos poemas escritos por seu pai Dézio Botelho – um poema fodasticamente maravilhoso por sinal.
Queria parabenizar o autor de tal obra-prima, mas Charles, logo depois, me contou que seu pai havia falecido há um tempo, mas que deixara um extenso acervo de poemas de sua autoria, até o momento completamente desconhecidos pelo público. Sabendo disso, ofereci o espaço do blog para a publicação e divulgação de alguns desses fodásticos poemas do já eterno Dézio Botelho. Hoje trago o poema “Tua partida”, com o qual Charles primeiramente presenteou meus olhos com o lirismo fascinante de seu pai Dézio Botelho.
Que o silêncio mortal da partida de Dézio Botelho se transforme agora em silêncio de apreciação, desejo de eternidade para as obras líricas do pai de Charles Botelho.

Tua partida
(Dézio Botelho)

Depois que tu partiste
Tudo pra mim mudou,
Até meu sorriso lindo
Deixou de ter amor.

A roupa que eu vestia
Com o tempo  desbotou,
Talvez tenha sido saudades
De tudo que passou.

Meus calçados me machucam,
Parecem que querem vingar-se
Pois pensam que sou culpado
De nós dois nos separarmos.

Meus cabelos que eram negros,
Como a noite sem luar,
De repente ficaram brancos
Como se estivessem a nevar.

Meus olhos que eram verdes,
Castanhos passaram a ficar
E olham sempre pro caminho
Pensando que tu vais voltar.

Agora só tenho tristezas
E vontade de odiar,
Vontade de te esquecer
Para nunca mais te amar.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Metacanto Premiado: O meu Moinho Poético

Yeah, amigos, como eu dissera no facebook, há alguns dias atrás, as novidades não param!!! Meu poema “Moinho poético”, que foi finalista no III Concurso UPPES de Poesias em outubro de 2004 e publicado em meu quinto livro “Eu & Outras Províncias – Progressos e Regressos” (2008), 11 anos depois, volta a brilhar num concurso literário e conquista a honra de conquistar o Destaque Especial no Concurso Metacantos 2015 (voltado a metapoemas – poemas que falam do fazer poético), da Editora LiteraCidade, ganhando como premiação a publicação em uma antologia.
Mais uma vez, consegui destacar um filho-poema meu e levar o nome de nossa querida Princesinha da Serra, Valença/RJ, para mais um concurso literário!
Como não tenho como fornecer exemplares a todos os amigos leitores posto hoje o premiado poema no blog para degustação/crítica dos amigos leitores.
Bom Fodástico Dia e Arte Sempre!

Moinho poético

No moinho dos sonhos reais,
A vida é transformada.

Palavras que escapam,
Sobreviventes da angústia e do prazer,
Cortam as folhas do caderno do mundo.

A pena rebelde tinge de sangue a acomodação.

O pulso versificado,
O coração em estrofes,
Vozes silenciosamente flutuantes,
Pensamentos altos que se abaixam aos nossos olhos,
Razão e sensibilidade que dançam num ritmo incomum.

            É o bom silêncio,
            É a parede que tem ouvidos,
            São os versos,
            Estão em mim.

                     A realidade é uma invenção do homem.
                     A poesia é a realização de um deus.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Solidões Compartilhadas: Venha, o poema-convite de Ana Paula Furtado

Nada melhor que retomar o blog com uma talentosa e fodástica poetamiga estreante nas solidões compartilhadas. Ela faz aniversário em setembro, antecipando primaveras lírica, é professora e pedagoga e traz consigo uma poética única e intensa; há tempos pedia-lhe um poema de sua autoria para o blog e, há cerca de um mês atrás, ela finalmente me enviou e brindou meus olhos leitores com um maravilhoso poema seu. Seu nome é Ana Paula Furtado, poetamiga de Valença/RJ, e, no poema de sua autoria com o qual estréio minhas solidões compartilhadas com essa fantástica artistamiga, o seu eu lírico nos convida pra que não percamos tempo e sigamos, com ela, o caminho do amor.
Vamos, amigos leitores, acompanhar o fodástico poema de Ana Paula Furtado pelas trilhas do amor sem medo, sem pudor!

Venha (Ana Paula Furtado)

Pensar em você
É o mesmo que me perder em mim
Buscar no fundo do meu ser
Tudo o que pertence a você

Sei que o tempo vai passar
E você irá do nosso amor lembrar
Correr para junto de mim
Tentando aplacar, enfim
A dor de estar longe de tudo
Inclusive do meu mundo

Venha!!! Não perca um só minuto
Mesmo que tudo pareça confuso
Eu quero ter você
Até o amanhecer

Viver para amar
Sem ao menos analisar
Onde nós iremos parar
Qual é a graça desta da vida pertencer
Se não posso ousar ter você?

Venha!!! Mais uma vez,eu lhe peço
Desejo lhe repetir, eu não nego
Esquecer o que há lá fora
Venha!!! Vamos embora...


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Árvores vitoriosas ganham raízes na eternidade: Relembrando os poemas vencedores de Vanessa Cristina e de Mirtes Fernandes

É, camaradas leitores, o tempo passa aceleradamente e a cada dia a correria pela sobrevivência parece crescer, tomando quase todo intervalo de minha vida (fim de bimestre então o tempo passa como um sopro), o que tem feito eu me distanciar cada vez mais do blog (já pensei até em alterar seu nome para ‘Raros Intervalos de Solidões Coletivas’). Mas hoje, Dia da Árvore, fui tomado por uma belíssima lembrança: quando eu lecionava para os alunos do nono ano da E.M. Nadir Veiga, em Teresópolis/RJ, em 2010 (o último ano antes das trágicas chuvas que arrasaram a escola) , inscrevi um poema de minha autoria (“Ensaio sobre a cegueira das árvores”, já publicado aqui nas primeiras postagens do blog) e outros dos artistalunos daqueles memoráveis nonos anos no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ, cujo tema era “Árvore”.
E o resultado não poderia ter sido mais fodástico: conquistei o primeiro lugar na Categoria Adulto e as poetalunas Vanessa Cristina Silva dos Santos e Mirtes Fernandes Andrade conquistaram, respectivamente, o terceiro e o primeiríssimo lugar na Categoria 13 a 15 anos (por sinal, até hoje considero o poema de Mirtes muito mais fodástico que o meu – dá aquela inveja boa do tipo “queria ter escrito esse poema”).
Cinco anos depois, trago de volta do túnel os dois fodásticos poemas das duas fodásticas ex-poetalunas – elas já vivem as atribulações da fase adulta, mas seus poemas vivem a eterna primavera juvenil da eternidade. Também trago a animação inspirada no poema vencedor de Mirtes Fernandes, produzida pelo professor-artistamigo Max Vitor Sarzedas.
Que árvores contemplem a possibilidade da vida eterna assim como os fodásticos poemas de Vanessa Cristina Silva dos Santos e de Mirtes Fernandes Andrade!

Liberdade

Já lutei comigo mesma
pra dizer que isso é normal,
mas não consigo me acostumar
com tudo que fazem contra mim,
não consigo me acostumar
com os meus galhos cortados
e com a lenha
que retiram de mim
só pra produzirem
uma coisa chamada dinheiro.
Nunca pedi nada demais para eles,
só pedi minha liberdade,
liberdade para crescer,
liberdade para sentir
o sol, a chuva e o vento,
liberdade para sentir
o que as que antes de mim sentiram,
liberdade para viver,
liberdade para ser
o que sou desde que nasci,
liberdade para ser uma
                                     Árvore.

Vanessa Cristina Silva dos Santos, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 - 3.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

O nascer de uma árvore

Do broto
Vi nascer
E a árvore
Aparecer.

De sua raiz
Vi surgir
E o tronco
A lhe engolir.

Do tronco
Vi as folhas aparecendo
E seus frutos
Pássaros comendo.

Do fruto,
Uma bela fruta
Que cai despedaçando-se
No chão.

De seu caroço
Um novo broto
Para novamente
Surgir do chão
Aquela, a Árvore Inspiração.


Mirtes Fernandes Andrade, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 -  1.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Juntando-se ao Lado Hardcore da Inércia: O Luz, Câmera...Alcino! Também Diz Não

Yeah, amigos, o vídeo já começou a brilhar há algum tempo no Youtube e finalmente chega ao blog Diários de Solidões Coletivas: eis mais um fodástico curta-metragem do Luz, Câmera..Alcino!, de Teresópolis/RJ, desta vez, retomando o Projeto Brasil Musical (iniciado em 2012) e faz um clipe à fodástica e vibrante canção "Eu digo não!", da banda de punk rock/hardcore brasileira (bem ao gosto do ativistamigo Lucimauro Leite) Inércia, de São Gonçalo/RJ.
O clipe é um pedido antigo do músico-amigo Rafael Almeida, integrante da banda Inércia e responsável pelo Feira Moderna Zine entre outras tantas atividades culturais. O roteiro foi, como sempre, feito de imrpoviso entre o professor-diretor e os artistalunos participantes; optamos por aproveitar a letra, que fala sobre revoltar-se contra as más condições de trabalho e os mandos e desmandos do patrão, para relembrar as manifestações legítimas trabalhistas contra o autoritarismo de alguns patrões e questionar e denunciar o trabalho infantil em empresas corruptas/quase clandestinas. Acrescentamos também, no final, um fodástico poema de crítica social "Eu quero chegar", escrito pela ex-poetaluna Maria Eduarda Ventura, artisticamente conhecida como Duda Ventura (ela se formou no ano passado, mas continua como sempre 'causando' no Alcino e mantém o título de ter sido a mais fodástica filmadora e supervisora artística do Luz,Câmera...Alcino!)
A filmagem, direção e edição do vídeo foram minhas, contando com o super-talento nato dos artistalunos Ana Gabriela Medeiros, Stallone Oliveira, Carollany Corrêa, Brendha Fernandes, Richarles Mello, Vânia Camacho e Maiara Charles. Ainda contamos com o retorno da ala infantil do Luz, Câmera...Alcino! com as super-atrizes Luana Rodrigues da Silva (a Luana Loira), Vitória Gabrielle, Eduarda "Duda" e Jaqueline de Souza (as artistalunas das turmas coordenadas pela orientadora Vanessa Satiro).
Além do clipe, trago também nesta postagem as duas obras inspiradoras do vídeo: a super-vibrante e crítica letra de música “Eu digo não!”, da banda Inércia e o fodástico poema social “Eu quero chegar”, da jovem e talentosa poetamiga Duda Ventura.

Clipe do Luz, Câmera...Alcino! para a canção "Eu digo Não!", da banda Inércia, de São Gonçalo/RJ



Eu Digo Não  (Inércia)

Por todas as imposições injustas
Que você acha que eu tenho que acatar
Sem condições justas
Assim não dá, não podemos ficar!
Não! Eu digo não!
A cada ano um aumento na esmola!
Não posso sobreviver com esse mínimo!
Pois tudo aumenta a toda hora!
Como pode sobreviver com sobras?

Não! Eu digo não!
Já estamos cansados de ser mandados!
Suas leis só apoiam o patronato!
E nós, que trabalhamos pra sustentá-los?
Desse jeito, no meu trabalho, sou escravo!

Não! Eu digo não!
Não! Eu digo não!
Eu quero chegar (Duda Ventura)

Eu quero chegar em um lugar e ver mato.
Eu quero chegar em um lugar e ver carteiras assinadas, muito trabalho,
Eu quero chegar em uma comunidade e ver igualdade,
Eu quero chegar em um lugar e me sentir importante.
Eu não quero mais ver desigualdade,
Eu não quero mais ver diferença entre os homens,
Chega de ver mauricinho passando de carro importado,
Enquanto alguém passa fome ao meu lado.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Solidões Compartilhadas de fim de mês tenebroso: O fim de agosto no olhar lírico de Genaldo Lial

O mês de agosto não foi fácil, amigos leitores! Por isso, que nada melhor que, nesses minutos finais do fatídico mês, retomar o blog e encerrar o mês com um fodástico poema novo do poetatletamigo Genaldo Lial da Silva, inspirado no tema “fim de agosto”.
Segundo o autor, o poema surgiu a partir da declaração amarga do professor-amigo Fernando de Souza Pires, nosso colega de trabalho, que refletia que até o chocolate andava sem gosto em agosto.
Boa leitura e Arte Sempre, amigos leitores!

FIM DE AGOSTO

Que dia triste de lamúria
Até o chocolate está sem gosto
Mas, neste momento de penúria
Alivia-me um pouco do desgosto
De não ver mais o teu lindo rosto
Vejo, apenas, um céu cinzento e fosco
Confesso que eu fui um homem tosco
Pois, por mim, nada te foi imposto
Aceitei o que por ti foi proposto
E deixei você partir no fim de agosto
E depois de tudo isto exposto
Aqui, então, eu fiquei
Como um triste e humilhado rei
Que do seu trono foi deposto.
 Genaldo Lial da Silva, 26/08/2015


Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...