Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
Yeah, amigos leitores! Rolou no sábado, dia 04 de julho, o “Sarau
Solidões Coletivas Es Loco Por Ti, América”, de volta a Comuna da Quinta das
Bicas, de Erli Gabriel e Gilson Gabriel, no Bairro Biquinha (e não Carambita,
como erroneamente coloquei no primeiro vídeo do evento), em Valença/RJ!
O
evento contou com apresentações vibrantes e fodásticas, público animado e teve
até, no início, um ritual puri coordenado pelo artistativistamigo Lucimauro
Leite.
É sempre bom demais realizar saraus na Comuna da Quinta das Bicas, mas
este teve um gosto mais-que-especial, feito em tributo lírico aos
mais-que-fodásticos artistas latino-americanos!
Hoje tenho o prazer de postar os 5 vídeos que mostram um
pouco do que rolou no “Sarau Solidões
Coletivas Es Loco Por Ti, América” (as memórias e baterias do celular e da
câmera foram poucas pra registrarem todo esse grandioso evento).
Vida Longa ao Sarau Solidões Coletivas e Arte Sempre, amigos
leitores!
Todo amigo professor
sabe dessa fatal verdade: em fins de bimestres, podemos escapar da morte, de
surtos arrasadores de doenças transmissíveis, podemos escapar de tudo, menos do
infalível Conselho de Classe! E foi esse momento infalível na vida profissional
de todo professor que inspirou meu microconto de humor (no formato twitter, ou
seja, uma narrativa super-curta e fictícia de, no máximo, 140 caracteres),
recém-classificado na Coletânea 2015 (com previsão de lançamento entre agosto e
setembro desse ano) do 5.º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba/SP (é
a segunda vez que classifico no Concurso – a primeira foi em 2013).
Hoje posto no blog
esse recém-classificado microconto de humor, que brinca com o momento mais
inevitável daqueles que escolhem a carreira de professor.
Conselhos de Classe,
Humor e Arte Sempre, amigos leitores!
Conselho de Classe
- O caso desse menino
é preocupante... Ele não desenha nada direito!
Hoje é o Dia Mundial do Rock e o escritor-blogueiro
que vos fala (muitas vezes rotulado de ‘poeta roqueiro’) não poderia deixar
passar essa data sem gritar um texto destilado de solos de guitarra. Por isso,
trago hoje ao blog um conto inédito meu, que possivelmente será lançado em um
dos meus próximos livros chamado “Diários de Solidão 2 – Quando a companhia faz
ausência”.
O conto que posto hoje é uma narrativa curta
e fictícia inspirada em minhas lembranças do estrondoso sucesso do meu
ídolo-maior Kurt Cobain e nas minhas leituras de entrevistas que ele concedeu à extinta revista Bizz – uma, memorável (nem tão memorável, pois não me lembro da p... do
número da revista), o repórter informa que Cobain tinha recém-saído de mais uma
internação por uso de drogas e os dois conversam sobre o recém lançado (e
super-fodástico) álbum “In Utero”. Na entrevista, o jornalista pergunta a Kurt
sobre a canção “I Hate Myself And I Want To Die” (“Eu me odeio e quero morrer”),
que estava presente apenas como faixa bônus em CDs, EPs e CDs singles, ou seja,
a faixa não fazia parte do LP “In Utero”. Kurt respondeu ao repórter que ‘aquilo’
foi apenas uma brincadeira dele e o entrevistador não se aprofundou na pergunta
– apesar de descrever um Kurt bastante melancólico após sair de mais uma
internação – e ficou tudo por isso mesmo. Tempos depois, veio a notícia do
suicídio de Kurt Cobain.
Depois disso, passei a ouvir entristecido o LP “In
Utero” na casa de meu primo Charles (para minha completa inveja, dos meus
amigos, só ele tinha o álbum em LP e, além disso, possuía um toca-discos que
ainda tocava – o da minha casa, estava com a agulha ferrada do toca-discos há
um tempo), ficava pensando naquela música desconhecida do Nirvana citada pelo
repórter, “I Hate Myself And I Want To Die”, e pensando, pensando... Mais
tarde, lendo diversas entrevistas de Kurt e finalmente ouvindo a emblemática canção
citada, ficava cada vez mais evidente que Kurt Cobain já se preparava para sua “autodis-solução”
há algum tempo, todos nós sabíamos e deixamos tudo aquilo rolar, apresentando
surpresa com uma profecia constantemente anunciada.
Essa história ficou na minha cabeça por muito
tempo, a ideia rockstar de que os bons ídolos morrem cedo, o nosso ar
supostamente surpreso e, ao mesmo tempo, cheio de fascinação para a morte de
artistas que sabíamos serem extremamente melancólico e declaradamente (e, ao
mesmo tempo, fodasticamente) autodestrutivo, a pouca insistência do repórter na
questão de uma evidente tragédia declarada... tudo isso ficou rolando na minha
cabeça por anos e anos e anos até que me surgiu esse conto, cujo narrador – um repórter
sensacionalista e meio cretino, com crise de consciência - acaba fazendo sua
confissão de forma atropelada no balcão de um bar ( esse meu estilo foi muito,
muito influenciado pela técnica narrativa usada por Rubem Fonseca no conto “Gazela”,
de seu primeiro livro “Os prisioneiros” – mas lido por mim antes numa coletânea
sobre ‘contos de amor’), ao mesmo tempo que revela seu encanto pelo personagem “recém-autofalecido”
rockstar Guto Colbin.
Como um “prisioneiro”, este conto, que
batizei de “Furo de reportagem (ou O sucesso inevitável de Guto Colbin)” ficou
guardado entre meus arquivos de computador e, finalmente, é revelado ao amigo
leitor.
Bom Dia Mundial do Rock e Arte Sempre, amigos
leitores!
Furo de reportagem (ou O sucesso inevitável
de Guto Colbin)
Arte
é o cacete! O povo quer é sangue, podridão. O que você acha que teve mais
visualizações, amigo: as fotos do crânio estourado do Guto Colbin ou o clipe de
sua última canção experimental “Meu miolo mole molha os móveis de nossa mansão
de mansos vazios”? Te respondo em números, colega: 2 bilhões de visualizações
das imagens fúnebres do nosso último rockstar... O clipe? Ah, agora que o gênio
já é defunto, passou de 10.000 pra 1 milhão de acessos. Mas a morte continua
ganhando, cara, a morte sempre ganha. O título da música era grande demais pra
fazer sucesso, o ritmo complicado demais pra virar hit, a letra poética e
premonitória demais pra ser compreendida; não era pop, ele nunca foi pop, tô
nesse ramo de fazer matéria pra revista de música há bastante tempo e até hoje me
impressiono com o sucesso que Guto Colbin fez. Talvez tenha sido seu ar
incompreendido, talvez por não nos dizer nada de uma forma tão poética que até o
nada fazia sentido, sei lá, queriam um rebelde que morresse cedo e, assim,
vendesse mais fácil. Porque o povo quer é sangue, cara. A última canção falava
claramente disso, desse vazio, uma morte declarada, um salto no vazio, todo
mundo sabia que, depois dela, ele se mataria. Mas deixaram ele morrer... E já
viu como ele vende bem mais agora? Ah, cambada de filhas da puta! Deixaram ele
morrer... Inclusive eu... É, inclusive eu...
Já
te disse que fui um dos últimos que o entrevistou? Eu perguntei pra ele sobre
seu último álbum “Blecaute em mim mesmo”, sobre o clipe, sobre as mudanças de
rumo de seu estilo sonoro, sobre sua nova obsessão com a temática da morte.
Sabe o que ele fez? Me deu um sorriso triste, o mais triste que você pode
imaginar e me disse que era tudo uma brincadeira, “como quando brincamos de
apagar a chama da vela sobre a mesa com os dedos molhados sem medo de nos
queimarmos”. Sim, foi exatamente essa comparação que ele fez. Pensei: estou
diante de um cara prestes a se matar. E o que fiz? Registrei toda a entrevista,
linha por linha, até logo, tchau, tenho que levar a matéria pra revisão e o
prazo é curto. Sentiu a escrotice? O cara estava prestes a se matar e a minha
preocupação era a de que a minha matéria saísse na edição daquele mês, antes
que a desgraça acontecesse. É... igual aquele cara que lavou as mãos, esqueci o
nome dele; acho que já bebi demais, mas manda mais uma dose, hum, isso,
capricha... Onde que eu tava mesmo? Ah, a revisão! O editor só destacou a parte
em que o Guto Colbin cita sua décima internação numa clínica pra
desintoxicação; o povo quer é isso: saber se o rockstar drogado se transformou
num bom menino ou se ele vai voltar a se apresentar com o nariz escorrendo
sangue de tanto pó. Se o artista diz que está curado, o povo vai conferir o
show, a filmadora ligada, só esperando uma recaída, uma meleca de sangue sair
do nariz do cantor e entrar para os vídeos mais acessados da internet. É isso,
o povo gosta de sangue e Guto Colbin sangrava bastante no palco; talvez esteja
aí a razão de seu imediato e inexplicável sucesso. Ah, e sabe o que aconteceu
com a comparação que o Colbain fez? Rá, o revisor cortou, só ficou “Era tudo
uma brincadeira”, os adolescentes retardados que leem a porcaria da revista na
qual escrevo não teriam capacidade de compreender ou aceitar a poesia trágica
de Colbin, preferem agitar a cabeça, seguir o ritmo, escutar sem ler, ouvir sem
entender, ah, fazer o quê? Melhor calar minha boca; é dessa droga que tiro meu
sustento. É... talvez o revisor também estivesse lavando as suas mãos como eu,
sei lá, devo estar viajando, já bebi demais, hey! mas deixa o copo aí, põe mais
uma dose, sei que devo estar te enchendo o saco e você, como dono de bar, vai
me dizer que não, mas é assim, né, somos todos hipócritas.
Mandaram eu resumir
minhas duas laudas sobre o último álbum do Guto Colbin para dez linhas e sobre
a internação, que ele quase não quis comentar, tive que aumentar, até inventei
um pouco, fazer o quê? Não sou o editor, só sigo ordens. A edição saiu 10 dias
antes do Colbin se matar; assassinaram meu texto, espero que ele não tenha lido
a matéria, o cara fingia de louco, mas dava pra perceber: ele era sensível pra
caralho, letrista foda, compunha muito, Guto Colbin era um daqueles gênios
raros do rock... Agora se foi, já era... Espero que ele não tenha lido aquela
merda de matéria, senão ele teria mais um estímulo pra se matar, ai, ai... Hey!
essa dose veio bem mirrada, amigo, capricha mais na próxima, ora, o preço da
bebida já está de matar e você vem de mesquinharia comigo que sou cliente
antigo? Quer que eu vá embora, acha que bebi demais, é? Não vai responder, só
fazendo seu trabalho, né? Pois saiba que não vou sair, tô muito bem ainda, tá me
entendendo? Estamos todos fazendo nosso trabalho; somos todos hipócritas. Minha
inspiração na última entrevista com Guto Colbin não valeu de nada pro editor daquela
porra de revista na época! Agora que o cara está morto, é sorrisinho do chefe e
edição especial com a matéria na íntegra! Anos fazendo faculdade de jornalismo
pra bancar o vampiro de rockstars numa revistinha de bosta. Mudar o mundo é o cacete!
Revolucionar a escrita jornalística, rá!... O povo quer é desgraça, aqueles
jornais que a gente espreme e parece que sai sangue de suas páginas, saca? É
isso aí, camarada, somos todos vampiros. Aí, isso! Agora sim, uma dose
caprichada, gostei de ver, esse é o Benedito que eu conheço, por isso que eu
bebo sempre aqui, você sabe servir bem um cliente fiel!
É...
O Colbin era um daqueles músicos raros, sabe, tô nesse ramo de fazer matéria
pra revista de música há bastante tempo pra saber quando uma estrela brilha de
verdade. E há muito tempo um cara não brilhava tanto como Guto Colbin. Fiz umas
dez entrevistas com ele, sabe? É... A gente força uma intimidade com os
artistas pra tirar uma confissão e, quem sabe, se der sorte e for competente,
conseguir alguma declaração polêmica. Mas o Colbin era foda, tinha aquele jeito
dissimulado e melancólico, sabe, de quem engana descaradamente e que parece
sempre estar jogando contigo assim como jogamos com ele. Das polêmicas que
tirei dele, metade eu forjei, distorci, fazer o quê? O cara não se abria,
respondia a tudo com evasivas poéticas e nenhum leitor quer ler poesia, saca?
Tem muita gente brilhosa na música, amigo, mas o Guto Colbin era brilhante e me
fazia parecer um cretino. Não, ele nunca foi grosseiro comigo não, irônico
talvez... Filho da puta! Colbin era um artista do caralho e podíamos falar
sobre tanta coisa, suas inspirações, aspirações, transpirações, mas o editor
queria que eu registrasse mais as pirações dele... Agora me diz: como retirar
confissões de um louco lúcido? Inventei muito do Guto Colbin que vi e ouvi; era
meu trabalho, porra de trabalho cretino!
Posso te confessar
uma coisa, Benedito? Nunca me esqueço daquele sorriso triste que ele me deu
naquela última entrevista; às vezes, fico horas com aquela imagem na minha
cabeça. Talvez ele precisasse apenas de um gesto amigo, sei lá, tipo “não faça
isso”... Não... Soaria artificial; ele parecia saber que tudo estava perdido e
parecia prever que eu simplesmente faria o meu papel de jornalista; Guto Colbin
sabia me fazer parecer um cretino... Sim... Acho que fui mesmo... Todos fomos
cúmplices de um suicídio induzido, amigo. Sim, era inevitável; o Guto Colbin
sabia perfeitamente disso... Putz! Já é bem tarde, né? Só nós dois aqui,
puxa... O tempo passou tão rápido, né? Você deve estar morto de cansaço, hein,
Benedito? Não vou te segurar mais, amigo, encerra minha conta, vê quanto deu e
pode ir fechando o bar. Já estou saindo...
Há algum tempo que eu não fazia meus rock poemas, minhas subversões
poéticas com canções de rock. A homenageada (ou vítima?) dessa vez foi a banda
de punk rock californiano/hardcore punk norte-americana Pennywise: escolhi a vigorosa
canção “Same Old Story” e, como sempre, alterei quase completamente o conteúdo
da letra original, me deixando guiar apenas no ritmo da canção e transferindo à
melodia um poema que refletisse sobre um fato da atualidade brasileira (no
caso, uma crítica aos “religiosos” que, através de “Ministérios de Amor” [como
no livro “1984”, de George Orwell], pregam o ódio e a violência aos que não seguem as suas
deturpações da Bíblia).
Em tempo: a escolha da canção “Same Old Story”, da banda Pennywise, não
foi à toa – hoje à noite, encerrando o evento “Rock na Garagem”, organizado pelo Feira Moderna Zine, que rolará a partir das 17h no
Metallica Pub (Rua José do Patrocínio, 42, Porto Novo, São Gonçalo/RJ), a banda True North fará um tributo à banda Pennywise, e, como
eu participarei também do evento (e, no ano passado, fiz uma participação
especial no show que a banda citada fez em tributo ao Bad Religion), resolvi
repetir a dose e fazer essa nem tão singela, mas sincera homenagem.
Com vocês, os “salmos ferozes” que criei na melodia de “Same Old Story”,
de Pennywise:
Salmos ferozes
Eles pecam e traem
Dizem que leem sagrados livros
Cultivam ódio em olhos inocentes
Querem vê-lo ajoelhado enquanto ficam de pé
Eles lhe oferecem caros lotes
Para um alucinado além
Eles levam a sua lucidez
Em nome de um Jesus louco que só eles têm
Eles lhe cospem demônios nos salmos
Eles cospem demônios nos salmos ferozes
Eles lhe cospem demônios nos salmos
São destrutivos e parasitas como cupins
Eles lhe cospem demônios nos salmos
Eles cospem demônios nos salmos ferozes
Eles lhe cospem demônios nos salmos
São rudes, verdadeiros bichos ruins
Dê-me a sua outra face e largue essa pedra
Faça como o autêntico Jesus
E peça paz pra todo mundo ao invés de guerra
Eles agora aliciam jovens
Para o alucinado além
Querem acabar com toda lucidez
Querem que a bíblia da fúria vire lei
Eles lhe cospem demônios nos salmos
Eles cospem demônios nos salmos ferozes
Eles lhe cospem demônios nos salmos
São destrutivos e parasitas como cupins
Eles lhe cospem demônios nos salmos
Eles cospem demônios nos salmos ferozes
Eles lhe cospem demônios nos salmos
São rudes, verdadeiros bichos ruins
(Cupins, ruins)
Eles forçam as portas da sua casa como bem entendem
(Cupins, ruins)
Escolhem a melhor hora pra chamá-los de irmão e irmãs
(Cupins, ruins)
Levam sua família para com eles almoçarem
(Cupins, ruins)
Mostram de sobremesa que a fé no ódio leva ao novo céu
(Cupins, ruins)
Então apresentam a loja deles e os seus estoques
(Cupins, ruins)
As delícias capitalistas de seus preconceituosos améns
Hoje trago o vídeo com a apresentação do poema, postado ontem aqui no blog, "Ode Melancólica para o Desfile Cívico Popular
de 2015 na ferida (mas ainda linda e viva) Teresópolis" que foi declamado hoje de manhã, em frente à Prefeitura, no dia de aniversário de 124 anos de Teresópolis, durante o Desfile Cívico Popular realizado pelos servidores públicos e por outros representantes de diversos movimentos artísticos, sociais e populares, em protesto ao desgoverno municipal pelo qual a cidade sofridamente passa.
Amigos leitores, Teresópolis/RJ, a
cidade serrana na qual trabalho e resido, a cada dia sofre novos golpes devido ao desgoverno
municipal atual, até nos momentos que deveriam ser os mais célebres para o município. O mais recente golpe foi o cancelamento do habitual Desfile
Cívico no aniversário de 124 anos de fundação da cidade (o omisso desgoverno do
[des]Prefeito Arlei Rosa conseguiu acabar com mais um evento tradicional do
município, culpando a crise que a própria [des]administração atual
proporcionou). Mas, por amor a Teresópolis, nós, o povo, incentivado pelos
movimentos de servidores públicos municipais, estamos nos organizando para
realizarmos, em tom de protesto, o tradicional Desfile Cívico que o atual
desgoverno municipal foi incapaz de fazer. O Desfile acontecerá amanhã, dia 06 de julho, às 10h,
partindo do Parque Regadas até a Prefeitura. Vamos, amigos, todos juntos
desfilar em protesto ao atual quadro crítico político de Teresópolis e por amor
à (outrora) “mais formosa das cidades do Brasil”.
O poema, inspirado no hino e na História
(antiga e atual) da cidade serrana, que posto hoje é uma homenagem a essa
fodástica iniciativa popular e aos 124 anos de fundação de Teresópolis, nosso
formoso abrigo, ferido pela incompetência dos políticos da cidade, mas ainda nosso
abrigo, cidade serrana belíssima ainda que ferida, que jamais deixaremos de
defender.
Ode Melancólica para o Desfile Cívico Popular
de 2015 na ferida (mas ainda linda e viva) Teresópolis
Teresópolis, mãe de guerreiros timbiras
e temiminós,
já abrigaste em teus seios o corpo
ferido dos escravos fugidos,
já deste eco à voz do povo oprimido e
hoje abrigas novamente
o grito sufocado em cada um de nós.
Povoaste o longo caminho entre a Corte e
a Província das Gerais
com a fazenda-modelo do incansável
George March,
encantaste o Brasil ainda menino das
famílias imperiais
e hoje, com uma prefeitura em desatino,
procuras novos destinos
em nossa marcha revoltada pelas tuas
feridas belezas naturais.
Outrora berço da paz e da harmonia, hoje
sofres com desgovernos sucessivos
que violentam teu sorriso antigo, abrigo
de grandes festivais.
Vítima de Arleis Napoleônicos,
vereadores cúmplices incompetentes e de sindicatos patronais,
a luz e amor no meigo perfume de tuas
flores agora só sobrevivem em teu hino,
cada vez mais esquecido pelo
enriquecimento ilícito e pela falta de lisura
de teus filhos mais omissos; oh,
Teresópolis, perdes o ar puro e a textura,
perdes o brilho e a cor nas manobras
venenosas e obscuras de monstros sem pudor.
Donos de cruéis zoológicos e de
ganâncias colossais,
eles pisam sem carinho em teus verdes
campos em flor;
és paraíso profanado pelas pragas da
corrupção e da falta de amor,
oh, Teresópolis, hoje desfilamos,
choramos e nos revoltamos com a tua dor;
nós, os bichos rebeldes que fugiram das
jaulas do teu porco opressor,
nós, os seres famintos pela ressurreição
de todo teu esplendor,
nós, todos órfãos e viúvos pela falta de
hospitais,
nós, todos desabrigados pela carência de
um novo lar;
oh, Teresópolis, hoje desfilamos,
choramos e nos revoltamos em tua avenida destruída,
pois queremos trazer-te de volta à vida,
oh, beldade serrana infinita,
cobertos por um lindo céu de anil, hoje
fazemos nosso desfile civil
pra resgatar a ti, Teresópolis, a mais
formosa das cidades do Brasil!
Hoje trago ao blog também dois mais-que-fodásticos poemas curtos da
artistamiga voltarredondense Rosangela Carvalho – o primeiro é uma quadra (é,
poetamigo Genaldo, eis aí outra maravilhosa autora de quadras rs) sem título
super-indicado para ler nesses tempos de rigoroso inverno; o segundo é uma
reflexão lírica sobre as lutas nossas de cada dia, pensamento poético válido
para todo guerreiro da vida.
Em tempo: os dois poemas serão lidos hoje, sábado, dia 04/07, a partir
das 19h, no Sarau Solidões Coletivas de volta à Comuna da Quinta das Bicas
(quintal da casa do Gilson Gabriel), Rua Edson Giesta, 50, casa 2 (Perto do o
Mercadinho Francisquinha), Biquinha, Valença/RJ, com o tema “SARAU SOLIDÕES
COLETIVAS ES LOCO POR TI, AMÉRICA! - SOMOS TODOS NERUDA, VALLEJO, BORGES,
CORTÁZAR, MÁRQUEZ, GUILLÉN E GALEANOS, em TRIBUTO LÍRICO AOS FODÁSTICOS ESCRITORES
HISPANO-AMERICANOS.
Além disso, Rosangela Carvalho, assim como eu, concorremos juntamente
com outros 7 fodásticos poetas às 3 vagas na finalíssima do Prêmio Olho Vivo
2015 – Categoria Poeta (no ano passado tanto ela quanto eu nos classificamos e
realizamos um breve sarau no evento – o vídeo pode ser encontrado em postagens
anteriores aqui no blog), organizado pelo fabuloso jornalista Cláudio Alcântara
e sua talentosa equipe. Tanto Rosangela Carvalho quanto eu contamos com o voto
de vocês para classificarmos pelo segundo ano consecutivo no Prêmio Olho Vivo
(o link para votação pode ser acessado dando um clique na foto “Prêmio Olho
Vivo” na lateral direita do blog).
Pensemos liricamente nas lutas da vida e respiremos a beleza poética de
um dia frio com a fodástica poetamiga Rosangela Carvalho!