Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
Em homenagem ao poema “O primeiro adeus”, de Raquel Freire, que compartilhei há pouco, relembro meu poema homônimo ao dela, publicado em 2004, no meu quarto livro “O último
adeus (ou o primeiro pra sempre)”. Como o poema de Raquel Freire, o meu também
relembra a dificuldade de dizer adeus, deixar o outro partir sem mim, sem si,
sem se, dizer adeus sem saber dizê-lo. Dedicado a todos os eus líricos que
partiram e se partiram na partida da pessoa da pessoa, a todos os eus que leem a
proximidade da distância e, inexperientes com as frequentes despedidas, nada
podem fazer além de, cheios de vazios, tentar dizerem adeus...
O primeiro adeus
Cadê tuas mãos? Por que as escondes?
É tão estranho este teu medo inesperado
de me tocar...
Cadê teu sorriso?
Algum sentimento teu adoeceu
e agora me sinto doente também
Não sentes? Estás morta?
Não... É apenas teu coração
distanciando-se de mim...
- Vamos dar
um tempo – tu dizes.
Mas que tempo é esse? Hoje, amanhã, nunca ou pra sempre?
Agora percebo como és egoísta;
mal administro meu tempo
e ainda queres um pouco dele pra ti?!?
Sabes que não posso dar o que não tenho,
não posso esperar... O relógio sempre corre do meu pulso:
não tenho tempo, estou perdendo tempo contigo...
E lágrimas querem libertar-se de meus olhos,
passear pelo rosto como moças que esperam seus pares
num canto escuro do salão - eu dancei...
Mas homens não choram...
então esperarei tu saíres pra voltar a ser um bebê.
A tua partida me lembra o adeus do ET de Steve Spielberg:
Hoje compartilho minhas solidões poéticas com a poetamiga Raquel
Freire. Poeticamente freudiana (e assim como o mestre Freud, consegue trazer a
psicanálise para a literatura e vice-versa), Raquel é uma profissional formada
na Universidade Paulista em
São Paulo, seus trabalhos são focados em Agressividade Infantil;
Transtorno de Conduta e Transtorno Opositor; área Educacional e Transtornos de
Personalidade. Atua na área de Pedopsicoterapia; Psicodiagnóstico / Aplicação
de Testes Psicológicos; e Consultoria para Empresas e Escolas. Inspirada em seu
primeiro paciente, Raquel construiu o seu poema-psicanálise de adeus (reparem
que, como Freud, ela não desrespeita nenhuma regra de sigilo com o paciente, e
sim desnuda o lirismo do consciente e inconsciente humano).
A forma como conheci a poetamiga com quem compartilho minha
solidão poética é interessante e ainda me gerará um novo conto: vi Raquel pela
primeira vez num evento do Sarau Solidões Coletivas com a atriz Ana Rachel Coelho.
Depois a adicionei no facebook, onde a encontrei com o heterônimo Clarice
Raquel Starling Freire. Passei a chamá-la de Clarice – que, na verdade, era uma
referência da poetamiga à personagem de “Silêncio dos inocentes”, fato que não
reparei por distração e falta de disciplina com meus (des)conhecimentos
culturais rs - e, só algum tempo depois, ao nos revermos que ela me revelou não
se chamar Clarice, e sim Raquel (a partir daí, fica sempre na minha cabeça, um
possível conto chamado “Meu nome não é Clarice”, que, em breve, sairá de meu
inconsciente coletivo-artístico, prometo!).
Fã-nática por CPM 22 (ainda tô devendo um poema para a banda
em homenagem ela), autora do blog http://www.raquelfreirepsicologa.blogspot.com.br/,
Raquel Freire se considera “uma pessoa
de bem com a vida, que busca estar bem com as pessoas, e que ama, dar e receber
Alegria!” E é com alegria que hoje compartilho o poema de sua autoria, o qual
ela me confiou. O texto merece destaque na contemporaneidade por resgatar
aquele laço, imortal desde Freud, entre Literatura e Psicanálise. Um poema pra
ser lido, analisado e refletido nos ids, egos e superegos de cada leitor, um
adeus para a eternidade do inconsciente consciente de cada autor.
O Primeiro Adeus
Como é difícil dizer adeus.
Dizer adeus ao teu sorriso, ao teu riso, aos teus olhos.
A esses olhos: digo adeus.
Dizer adeus a tudo que me confidenciou
A tudo o que vi
A tudo o que procurei em outros lugares além do que os teus
olhos me diziam.
Encontrei nos livros o que expressar “no algo” que eu via, e
não havia outro jeito de dizer.
O fim é um papel.
Um papel...
E qual foi o meu papel?
Eu sei, eu fiz tudo o que deveria ter feito e fiz.
Tudo foi necessário e hoje te encaminho para outra etapa da
tua vida.
E agora meu querido, eu nada mais posso fazer, a não ser te
dizer adeus.
E mesmo assim, saiba que é difícil ter que te dizer esse
adeus.
Eu sei, tu ficarás bem.
E eu? Eu fingirei que nada sinto, que sou fria frente a
isso.
O que é isso?
Bem sabes que é recíproco.
Reciprocidade nomeada de transferência e
contratransferência.
Isso é tudo.
Tudo o que nos restou, e é também tudo o que sempre foi.
Mas mesmo assim: como é difícil ter que te dizer adeus...
Talvez seja assim por ser o primeiro, e que tortura será se
todos forem assim.
Preferia me manter apática a tudo isso, mas não sou.
Descubro hoje que não sou essa frieza calculada que
pressupunha ser
Seus medos e sua resiliência tal como as de um Batman,
permearam e foram retratos de uma vida, onde seu passado encontra-se distante
E sua idade se faz sinônimo do eu que já não sou mais.
Pensei que hoje, anos findados de uma história oculta, os
resquícios dela estariam protegidos pelo presente
E que eu, agora apoderada de uma posição, de um lugar, que
supunha assegurar o não sentir.
Um lugar: todos nós temos um lugar, um sótão...
Acontece que alguns escondem morcegos, enquanto outros
resplandecem fadas.
Você é o meu menino morcego, e espero que Machado de Assis
esteja errado ao afirmar “O menino é o pai do homem.”
“Ai meu Deus”, como é difícil dizer adeus.
Esse Deus que eu não creio, que na verdade não existe, mas
que digo por mero dizer.
Ser Deus é difícil, ou fingir ser, também é.
Como é difícil ter que te dizer adeus...
Mas apesar de acabar, saiba nesses versos que nunca terás
acesso, muito do que eu dei nada foi diante do que recebi.
E se um dia a gente se encontrar, espero que se lembre de
mim, e mesmo se não lembrar, eu jamais me esquecerei de ti.
Como é difícil ter que te dizer adeus...
Esse não é o momento para pensar no que sinto ao te dizer
palavras de fim.
A hora é apenas para dizer adeus.
E agora então, te dou um abraço, e te digo adeus.
Adeus!
Raquel Freire, junho de 2010. Adaptado em 02 de junho de
2012 ás 03: 31 horas.
Mais uma vez compartilho
minhas solidões poéticas com a poetamiga valenciana Jaqueline Cristina, autora
do blog "Deliciosa Ilusão", companheira dos Saraus Solidões Coletivas
e grande declamadora. Ela declama tão bem que desta vez a solidão poética
compartilhada é falada: é o vídeo que registra a poeta brilhando com seu poema
"Embriaguez" (o poema escrito pode ser acessado no blog da poeta,
através do link:
http://deliciosailusao.blogspot.com.br/2012/06/embriaguez-ilusoria.html) na 4.ª Edição do Identidade Cultural &
Movimento Culturista, organizado por Janaína da Cunha no Café do Bom, Cachaça
da Boa, na Rua da Carioca, no Rio de Janeiro/RJ. Em tempo: Jaqueline Cristina
estará comigo amanhã, durante o Sarau "Solidões Coletivas in Grade do Rock:
Os balas negras na fortaleza poética", na Grade da Praça da Bandeira, às
17h, em Valença/RJ, no sarau de abertura para o show de lançamento de CD da
Banda de rock valenciana The Black Bullets. Para os leitores e ouvintes
liricamente embebedarem-se com a embriaguez ilusória de Jaqueline Cristina:
Sexta-feira é dia de renovar as esperanças com poemas
grandiosos. Por isso hoje compartilho minhas solidões poéticas com a amiga
ativista multicultural Janaína da Cunha. Bisneta do imortal Euclides da Cunha,
jornalista, poeta, atriz, acadêmica da Academia de Letras do Brasil,
correspondente da ABL/Suíça, agitadora cultural, militante artística, criadora
e apresentadora do Evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, a
Comendadoramiga Janaína da Cunha é muito mais que uma escritora, ela é a própria
Literatura em lindos e líricos movimentos (quem quiser conferir mais poemas
dessa grande escritora, aí vai o link do blog "Santos &
Profanos", atualizado pela própria autora:
http://janainadacunha7.blogspot.com.br/).
Conheci Janaína da Cunha através de contatos com Nana B.
Poetisa e do Evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, organizado
por Janaína, e confesso que um otimismo sublime se desenvolveu em minha poética
naturalmente pessimista: sim, a escritora tem esse poder de renovar artes
estagnadas; sim, desde que a conheci, eu acredito ainda mais no poder salvador
da arte! E, por isso, para todos nós mantermos viva a chama da arte e da
esperança, hoje compartilho seu poema "Só por hoje" para que voltemos
a ACREDITAR na humanidade, na vida, na cultura e contracultura renovadoras de
toda expressão artística.
Mirian Panzer
Além do excelentíssimo poema, posto também o vídeo que
contém a interpretação belíssima da atriz gaúcha Mirian Panzer para essa
obra-prima de Janaina da Cunha. Com sonoplastia de Juhnior Luiz, a performance
encantadora de Mirian Panzer foi apresentada na 4.ª Edição do Evento Identidade
Cultural & Movimento Culturista, no dia 30 de junho de 2012, no Café do
Bom, Cachaça da Boa, na Rua da Carioca, Rio de Janeiro/RJ.
Viajemos com Janaína da Cunha, Mirian Panzer e Juhnior Luiz
por esse mundo lírico de grandes esperanças que só a boa arte é capaz de nos
levar.
SÓ POR HOJE
Só por hoje quero me embriagar de vida
e viajar nos braços da ilusão.
Só por hoje eu quero voltar a ser aquela menina
que frequentava a escola bíblica dominical
e se sentia protegida de todas as dores
quando segurava a mão de sua mãe.
Como gostaria que essa menina renascesse das cinzas
que a marca da vida deixou na mulher!
A menina que acreditava em sonhos impossíveis,
que o poder do amor era capaz de modificar o coração do
homem
e de transformar o mundo num lugar melhor.
Só por hoje eu quero voltar a ACREDITAR!
Acreditar na humanidade,
na força dos meus versos
e nas palavras dos grandes homens
que assinaram seus nomes na história.
Marthin Luther King onde está você?
Ghandi onde foram parar seus ensinamentos?
Valeu a pena, Malcom X, tudo o que você passou?
Madre Teresa de Calcutá... para que tanto amor, tanta
entrega?
Vocês lutaram por acreditar em algo maior,
se doaram por outros homens
que bordam suas vidas em mesquinharias e enganos!
Muitos foram os homens e mulheres que acreditaram
na justiça, no amor e na esperança
como um dia eu acreditei quando era criança.
E daí? Posso dizer: "Garças à Deus" por isso?
Valeu a pena pregar suas ideologias, viver por elas,
doar suas vidas e derramar seu sangue
por amor a humanidade como Jesus Cristo fez?
Por quem?
Por esses homens ingratos, cegos pelo preconceito,
surdos de covardia e mudos de orgulho e prepotência?
Valeu? Será que valeu?
Seres humanos onde está a sua humanidade?
Indago isso todos os dias quando ligo a televisão
e assisto prostitutas e gays sendo espancados covardemente.
Quando leio no jornal e vejo meu povo se matando
e pedófilos safados roubando a inocência de nossas crianças
Hoje a solidão poética é escrita a quatro mãos: o poetamigo Carlos Orfeu e eu produzimos a ode abaixo em homenagem à cachaça e à vida lírico-boêmia, a partir de um bate-papo no chat do facebook. É uma ode meio de repentistas, uma ode de ódio destilado, um poema sóbrio embriagado, um poema cheio de cinzas no meio das trevas coloridas. Pra que entendam melhor a construção do poema-diálogo, coloquei as estrofes criadas por Carlos Orfeu em branco e as minhas em azul.
Mais abaixo, os leitores têm a oportunidade de ver o mesmo poema escrito a quatro mãos, declamado em dueto: o vídeo mostra Carlos Orfeu e eu apresentando o inédito poema no "Identidade Cultural & Movimento Culturista - Tema Cachaça" do dia 30 de junho de 2012. Organizado por Janaína da Cunha, o evento acontece todo último sábado de cada mês, no Bistrô Café do Bom, Cachaça da Boa, na Rua da Carioca, no Rio de Janeiro/RJ, e, na última edição, tive a oportunidade de fazer um dueto lírico teatral experimental com o poetamigo de São Gonçalo/RJ Carlos Orfeu. a garrafa usada durante a presentação possui pinturas do artista plástico Welington de Sousa. Como diria Baudelaire, embriaguem-se, leitores, embriaguem-se de vinho e versos (no nosso caso, de cachaça e poema escrito a quatro mãos):
Ode ao ódio
destilado (ou Os cinzas no bar das trevas coloridas)
- Tempos estranhos e os caminhos
distantes,
Prisão de grades invisíveis e
tubos de conexão...
- Por isso bebemos
lúcidos, amigo Orfeu, essa água amarga,
Essa embriaguez
destilada de loucura sem solução...
- É, camarada, sinto este gole
entupindo nossas reflexões,
Abrindo a porta de nossas
indignações,
Derramando cada saliva cáustica de
água-ardente,
Deixando a nossa lira nestas horas
com asas de ave fênix.
- Estamos sem Eurídice,
Orfeu, meu camarada,
Cortaram-lhe as asas
E a nós, alcoólatras do
nada, resta-nos a viola embriagada.
- Com a viola de nossas cordas
vocais,
Precisamos colher as asas de
Eurídice...
- Sim, por isso a
melodia angustiada
Um amor perdido,
Uma aguardente
E milhões de canções
desesperadas.
- Canções embriagadas oferecidas
ao vento que invade o boteco,
Inspiradas entre o ardido e o
fedido,
Do colega ao lado chorando vômitos,
Enquanto eu e você brindamos
feridos
- Os versos que nos
restam são cachaças
Que acalentam os frios
dessa manhã mal madrugada
Bebamos, amigo, por
nossas línguas cortadas
Que as feridas
cicatrizem com a substância que embriaga.
- Bebamos!Bebamos! Um brinde à
miséria de todos os dias,
Um brinde ao amor perdido nas
drogas,
Um brinde às crianças sem escola,
Um brinde a toda nossa sagrada
desgraça,
Um brinde de fúria a toda dor que
temos que engolir muitas vezes calados.
- Uma ode molhada de
ódios destilados,
Um porre das águas
ardentes de nossas lágrimas versificadas,
- Um porre sem remédios que amenizam,
um porre sem cura.
- Ah, lá vem o dono do
bar, com outra garrafa!...
- Com um sorriso, feliz por estarmos
consumindo
Com aquela cara de vascaíno tipico
português dono de bar
- Seu time ferido, seu
sorriso deprimido,
Em todo bar, a mesma
falta de luz,
O mesmo excesso de
escassez ...
- O mesmo banheiro sujo, com nomes
e telefones querendo programas desconhecidos,
A mesma sujeira que se estende
para as ruas, planaltos, igrejas, etc...
- E estamos sujos
também, amigo, em puro estado de embriaguez,
Numa luta sem trégua,
vendo tudo que nos cega,
Eis nossos versos
bêbados no guardanapo
- Em bic azul ou preta, nem sei
mais,
Eita, cachaça de nossa desgraça,
escorrendo nas goelas!
Estamos com a nódoa em nossas
roupas, como diz Bandeira em algum poema.
- Bandeira morreu e
estamos morrendo também...
- É,caro amigo poeta, estamos
morrendo em vida,
A pior morte é viver e por dentro estar
morto.
- A morte tá dando
Bandeira em nós, amigo Orfeu...
- Mas buscamos renascer das cinzas
sempre,
Pois temos nossa inquietação,
Buscamos voar para longe de nossas
gaiolas...
- A bebida já dá tremedeira de tanto desatino,
amigo poeta...
- Estamos suando, delirando,
E o bêbado ao lado pedindo algumas
humildes moedas
Para tomar mais uma dose de cana.
- Mais um gole, voemos,
amigo, voemos pra longe...
E eis que o dono do bar
nos dispara sua voz cansada
Ele quer fechar o bar.
- Mais um gole, as paredes cantam,
as mesas cantam,
As garrafas dançam alguma canção
antiga
Cantada pelo costumeiro cantor dos
bares com seu velho violão.
- É hora de nossa
retirada... Não podemos adiar...
- Vamos pedir uma saideira, pois
hoje é sexta,
Vamos pedir uma música ao cantor,
Algo que como sempre ele dirá que
não ensaiou.
- Bebemos demais, amigo
Orfeu, o músico já partiu,
A música acabou,
O que ouves é o
silêncio que ficou.
- O que faremos agora?
O músico acabou, a música partiu,
O bêbado no fundo do boteco que
dormiu.
- A Eurídice que não
voou, nem voltou
- É, meu amigo, ela nos deixou...
- O jeito é partir,
amigo... Fingir que o sonho acabou
E voltar amanhã, pedir
outra dose, continuar...
- Apertar a mãos dos que ficaram e
dar um sorriso descolorido
- Contra as trevas
coloridas que acinzentam nossa cara aborrecida
Pelos sorrisos cheios
de lágrimas;
Voemos, amigo, pra fora
do bar.
- É, voltaremos amanhã com o mesmo
dono do bar,
Os mesmos fiéis bêbados nos seus
cristianismos da cachaça
E nós com as mesmas inquietações
que não mudam,
Com a mesma vontade de seguir
descalços buscando transformações,
Voemos e não dissolvemos no ar
- Sim, amigo, partimos,
embriagados e feridos...
- Partimos para outros dias
estranhos e distantes caminhos...
- Mas inteiros seguimos;
Seja como for, a poesia
vai continuar
- Com nossas almas erguidas e
nossas armas azuis, pretas ou vermelhas
Ditas nas linhas do horizonte
infinito
- Até logo, amigo,
Até logo, dono do bar,
Até logo,
Porque adeus não há!
- Até logo é garantia de amanhã,
O adeus deixamos para os
moribundos e os inocentes,
Os que buscaram e sentiram nos
lábios o beijo da meretriz de preto.
- Sim, adeus, monstros
coloridos,
Partimos cinzentos, mas
plenos;
Até logo, Orfeu!
- Partimos, mas antes nos abracemos,
apertemos as mãos;
Até logo, caro amigo Carlos Brunno,
Amanhã é outro dia de nossa
desgraça engarrafada e vendida para consumirmos
- Sim, amanhã voltamos
mais uma vez pela Eurídice que se perdeu
Hoje os estadunidenses, que adoram ser chamados de 'americanos' (como se os três continentes americanos fossem só eles) ou de 'norte-americanos' (como se o continente da América do Norte tivesse apenas o país deles), comemoram o "Independence Day" (o dia da independência dos Estados Unidos - reparem que a tradução literal do dia comemorado deixa-nos a impressão de que o mundo ganhou liberdade a partir do momento em que eles foram independentes). Lembro que, enquanto os estadunidenses comemoram o seu Dia de Liberdade, páginas das ditaduras e golpes de Estado, que nos tiraram a liberdade e foram ferrenhamente defendidas por eles, continuam obscuras e/ou esquecidas, apesar de toda desigualdade mantida pelo sistema econômico que os estadunidenses liberalmente defendem (é fácil ser liberal e defender o sistema privado e capitalista quando se está no topo do poder). Lembro também que o Brasil, cada vez mais e pior, tenta bancar uma filial latina desse mesmo Estados Unidos da América, que tanto nos explorou. Lembro de cada atentado contra a liberdade da América Latina, do Oriente Médio, da África, só porque nossos 'friends' estadunidenses não admitem sistemas políticos e costumes diferentes dos deles. Lembro que mais da metade de sua população ignora outros povos dos três continentes americanos, em defesa de um patriotismo cego e débil à sua pátria que tanto nos endivida (não venham me chamar de xenófobo; só estou cansado de ser sadomasoquista com aqueles que nos ensinaram mil formas de torturas). Em ironia a essa data comemorativa estadunidense, a esse Dia da Independência tão fartamente comemorado às custas de todos outros países do mundo, fiz uma paródia ao poema "Mar português", de Fernando Pessoa. Se o poema de Fernando Pessoa comemora a expansão da colonização portuguesa, homenageando as viagens de seus intrépidos patrícios navegantes, a minha paródia rememora o passado rico de inglória desse Estados Unidos Dono da América, que ricamente comemora o Dia de Sua Liberdade, em detrimento ao presente de pobreza que suas investidas e invasões históricas nos fizeram passar. Pra ser lido após ter assistido a "Dançando no escuro" e "Dogville", ambos filmes de Lars Von Trier.
Independence Day
ou Eles comemoram tudo que eu sangrei
(Nascido nas ditaduras de julhos
num Golpe de Estado qualquer)
Ó Estados Unidos da América, quantas das tuas lutas contra o
mal
Sacrificaram minha pátria natal!
Pra te ajudarmos, quantos cães teus mataram
Nossos filhos que recusaram a tua falsa liberdade!
Quantas américas diferentes teus filhos negaram aceitar
Para que fosses único, ó Estado Americano a nos ignorar!
Valeu cada combate? Todo combate teu valeu a pena
Pois é na lida sangrenta que o teu dólar aumenta.
Quem quer reinar como ditador
Tem que abraçar-te como credor.
A França deu-te a Estátua da Liberdade
E agora pensas que és o dono do céu, da Terra, do mar, das
Américas e da verdade.
Ó Estados Unidos da América, quanto da tua falsidade e da
tua instável invencibilidade
Há, entre teus covardes heróis, pra tu comemorares com
tamanha vaidade?
Compartilho minhas solidões poéticas hoje com o amigo
compositor, músico e intérprete valenciano Fael Campos. A trajetória de eventos
de lançamentos de meus livros cruza com o início da carreira musical de Fael
Campos. Conheci o promissor artista quando ele tocava bateria na banda punk
valenciana The Zombiez e, mais tarde, o revi tocando canções próprias – bem
diferentes do estilo musical de sua banda anterior- em rodas de violão de
amigos no Jardim de Cima em
Valença. Cerveja vai, vinho vem, proximidade do lançamento do
meu quinto livro “Eu e outras províncias”, em 2008, convidei-o para tocar no
lançamento do livro e ele topou. A partir daí, Fael brilhou mais e mais a cada
evento do qual participamos: UniVersos Culturais de Valença, em 2009,
lançamento do meu sexto livro “Diários de solidão” em Valença, Rio das Flores e
Teresópolis, entre 2010 e 2011, Arte Valença, também em 2011, até o “Sarau
Solidões Coletivas in Bar”, do qual ele fez parte do grupo a partir do Terceiro
Engradado Poético.
Fael Campos, em caricatura
de João Paulo Maia
A composição de Fael Campos que compartilho com os leitores
foi criada por ele, inspirada na tour de lançamentos do “Diários de solidão”,
histórico que torna essa composição uma obra artística indispensável nas
postagens desse blog. O vídeo, postado após a letra da música, foi gravado ao
vivo no Open Bar, onde realizamos o Sarau “Solidões Coletivas in Bar 3”. Em tempo: Fael Campos estará
comigo no “Solidões Coletivas in Grade do Rock: Balas negras na Fortaleza Poética”,
sarau que abrirá o show de lançamento do CD da banda de rock valenciana “The
Black Bullets”, no dia 07 de julho, às 17 h, na Grade da Praça da Bandeira, em
Valença/RJ.
Pra quem quiser conhecer mais o trabalho desse grande
artista, visite o seu blog (aí vai o link:
http://faelcamposmusica.blogspot.com.br/ ) e o site: http://faelcamposmusica.wix.com/fael#!bio ).
Mais ou menos(Fael Campos)
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
Mais pra mais, porque aprendemos.
Mais pra menos, pois sofremos
Pra entender o que sabemos,
Sem saber por que vivemos.
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
Sem querer viver aqui,
Sem querer partir,
Sem querer eu sou assim
E vou até o fim
Pois não dá pra não viver,
Você sempre quis saber,
Eu só quero explicar
Que isso vai continuar...
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
A vida é mais, a vida é menos,
Sempre mais ou menos...
Não seria justo mesmo, não seria o ideal
Eu pagar pelos meus erros como se fosse um animal.
Não seria justo mesmo, não seria o ideal,
Eu morar no céu pra sempre só porque não fiz o mal.