terça-feira, 6 de setembro de 2011

Poema inédito: O instinto e o instante


Hoje é Dia do Sexo! Em homenagem a isso, posto mais um dos meus poemas inéditos, já pré-selecionado para o livro “Foda-se e outras palavras poéticas”, com lançamento previsto para o próximo fim do mundo (2012). Pra ser lido, ouvindo a canção "Orgia", do excelente CD "Vou ser feliz e já volto", do titã Paulo Miklos:


O instinto e o instante

“Eu tenho fome
Eu tenho em mente
Uma grande orgia”
Paulo Miklos , “Orgia”

Bandeirantes desbravando as matas desconhecidas,
Nem heróis, nem vilões, apenas bandeirantes,
Minhas mãos percorrem o seu corpo.
Instinto instante, instinto, instante,
Instinto... instante... eu e ela...
O meu prazer, talvez o dela...
Se existe romance, não o leio;
Se existe amor, não o sinto;
Porque somos bombas-relógios
(Instinto-instante, instinto - instante...)
Na madrugada, explodiremos e ela partirá
Mas não ficarei triste, não desta vez
Porque neste instante eu sou jogador
Se quisesse perder, apostava no amor
Instinto instante
Instante instinto
Mas não ficarei triste
Instinto instante
Instante instinto
Não desta vez
INSTINTO INSTANTE
INSTANTE INSTINTO
talvez...
BUM!

Poemas juvenis: Fim do fim do mundo (1997)


Leio o resumo da semana: novos incêndios na Serra dos Mascates em Valença, choque entre polícia e moradores no Morro do Alemão, violência em escolas, corrupção constatada, corrupção inocentada, suspeitas de corrupção, ensaios pra novas corrupções, festejos para os novos anúncios do fim do mundo (como nos lembra o poeta Wilson Fort, o fim do mundo é um moto contínuo). Às vezes, assustado com tudo isso, tento concentrar minhas vibrações nas mãos amigas que se entrelaçam às minhas e o sol brilha, mas o fim de mundo continua vivo em alguma nuvem escondida.
Por isso, hoje posto o poema que dá título ao meu primeiro livro solo “Fim do fim do mundo” (1997). Na época em que o escrevi, a TV Globo exibia uma novela chamada “Fim do mundo”, que brincava com o eterno drama dos fins dos tempos (somos dinossauros pensantes sempre realizando peças de nossa autodestruição) e o poema tenta dialogar com a canção “o último dia”, de Paulinho Moska que abria a novela (“Meu amor / o que você faria se só te restasse um dia / Se o mundo fosse acabar / Me diz o que você faria”). O cantor e compositor Paulinho Moska iniciava sua carreira solo, eu gaguejava meus primeiros versos e o mundo mais uma vez chegava ao fim pra recomeçar mais uma vez no dia seguinte, da mesma forma, com os mesmos erros e o mesmo caos de outrora. Em (des) homenagem ao nosso fim do mundo de cada dia, mantenho o poema com sua mesma forma, com as mesmas qualidades e defeitos, com os mesmos desejos e ingenuidades da versão publicada em 1997. Ainda espero que um dia o fim do mundo deixe de fazer parte de nossa rotina.

Fim do fim do mundo

Quando balas perdidas
Não ferem mais os corações inocentes
Quando favelas maciças
Não caem ao som de entorpecentes
Nem à batida de polícia
Meu amor!
Será que o fim do mundo acabou?

Quando noites mal dormidas
São pagas com a conscientização geral
Que só o sonhador tinha
Quando cores descoloridas
Apagam do céu a cor do mal
E dizem bom dia
Meu amor!
O que o amor significa?

Quando todo aquele rancor de rotina
Se retira e, num último momento de dor,
Você me beija
Meu amor!
O que esse beijo significa?

E quando este sonho acabar...
Como vou acordar
E encarar o mundo
Se o fim do mundo não acabou...
Meu amor!
Quando vamos dormir a dor
E acordar pra vida?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Clipoema: Aquele

Clipoema produzido, em 2008, por Bruno Pimentel. Na época, Bruno era aluno da E. M. Nadir Veiga, cursava o 7.º Ano do Ensino Fundamental e já era um gênio precoce na informática. O vídeo foi produzido em homenagem à noite de autógrafos do meu quarto livro "Eu e outras províncias" em Teresópolis. Abaixo o poema e o clipoema citados:

Aquele

            Aquele que te corta é o mesmo que te protege
            Aquele que te força é o mesmo que te foge a mente
            Aquele que te solta é o mesmo que te persegue
            Aquele que te incomoda é o mesmo que te entende
            Aquele que não chamas de amor
            Aquele que tu negas eu sou.



  

domingo, 4 de setembro de 2011

Poema inédito: Eu policarpo meu mundo


Depois de algumas postagens otimistas, minha bipolaridade resgata o pessimismo adormecido na viagem desastrada pelas margens de uma cidade perdida, às vésperas das festas da Independência de um Brasil que nunca foi livre. Todos comemoram a vida, a vitória de seu time, mas o ar continua sujo e ninguém assiste as lágrimas do torcedor derrotado do outro lado. A festa cultural do aniversário de Valença se aproxima e relembro que continuo excluído, os políticos corruptos continuam sendo ‘inocentados’ e todas as vozes que podem reclamar um mundo melhor assinam contratos bem pagos de silêncios massificados. Meu ex-professor Fábio Elionar me lembrou ontem que o vazio não é só nosso; é do mundo todo. Lembrar dele me fez retomar a leitura do livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto. O livro, quase que totalmente ignorado em sua época, tornou-se um marco da Literatura Brasileira e o precursor do Modernismo ‘tupiniquim’, movimento que, aos poucos, libertou nossa arte das amarras dos modelos europeus. A obra de Lima Barreto é protagonizada pelo personagem Policarpo Quaresma, um patriota extremista e ingênuo que busca desastrosamente dar identidade e transcender um Brasil corrompido. As desventuras do protagonista culminam em sua morte – o mundo não admite heróis que carregam a bandeira da pureza; os nobres ideais são sempre postos na frente de um pelotão de fuzilamento, sem direito a absolvição. O poema inédito que posto hoje é dedicado ao meu professor Fábio Elionar, ao triste fim de Policarpo Quaresma, ao Lima Barreto e ao direito de todo ser pensante de ficar triste e pessimista, de vez em quando, mesmo que o sol enganosamente ameace alegrar o solo sem sonhos:   

Eu policarpo meu mundo

Vai, Policarpo, beijar teus esqueletos do passado
com lábios putrefatos.
Yeah, Policarpo, vai tocar rebu desafinado
contra o muro lapidado
(surdo, o mundo te ouvirá calado).
Sim, Policarpo, teu samba é apático,
pois os vultos morenos estão cansados.
Oh, Policarpo, jaz em ti um jazz mutilado
pelo tédio mortificado
(imundo, nenhum ritmo brasileiro será tocado).
Volta, Policarpo, pro teu universo obituário
de cadáveres atestados.
Adeus, Policarpo, retorna pro livro empoeirado
com teus capítulos desastrados
(obtuso, o teu romance será negado). 

sábado, 3 de setembro de 2011

Hoje é dia de show de rock!

Hoje, dia 03 de setembro, estamos há alguns dias do dia em que comemoramos o dia da falsa independência, assistirei ao show de rock da banda independente Detonautas Roque Clube no Clube dos Coroados, em Valença/RJ. Em homenagem a esse dia, compus essa postagem com os títulos de algumas canções da banda. Espero que gostem:

 Hoje é dia de show de rock! (Voo detonauta)

Quando o sol se for, o show começará. O retorno de saturno em meu signo noturno me informa que a noite será tempestuosa de rock com serenas baladas de amor entre um isqueiro que se acende e uma chama de raiva que se apaga. Meu tênis roque me levará para a frente do palco, pronto para o combate contra o silêncio, contra o ladrão de gravata. Gritarei por um mundo melhor, por um outro lugar e sei o que passa em sua mente: que tanto faz, que um show de rock nada vai mudar. Mas, ei, peraê!!! Só por hoje, me deixe gritar; quero o amanhã novo de novo enquanto houver... show, vida e uma oração do horizonte pra proteger meu coração. Somos soldados de chumbo levantando os pés contra a gravidade das verdades do mundo; vamos detonar! Soltem minhas asas, porque só por hoje eu vou querer voar sem medo de esborrachar no chão, só por hoje louco insano, eu vou querer pular até não aguentar mais. Expulsarei o mercador das almas, enfrentarei o dia que não terminou e me sentirei um cara de sorte por estar vivo, por estar em mais um show de rock, por ainda ser quem eu quero crer que sou. Quando o show acabar, meu corpo voltará pra casa, cansado pisarei sobre os cacos da realidade na terra estranha aos meus sonhos, mas não vagarei triste, porque meu espírito já estará agendando uma nova folia rock, uma nova rota alternativa pra seguir na vida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Um "Cinto" para Arnaldo


Hoje, dia 02 de setembro, é a data em que Arnaldo Antunes faz aniversário e isso me fez lembrar do poema “Cinto”, inspirado no estilo popconcreto do cantor, poeta e compositor aniversariante. Aí vai o poema, publicado no meu terceiro livro “¿NOTE OR NOT SER?”, de Outubro de 2001 (Livro finalista na Categoria Poesia Straniera - Libro edito, no Premio Internazionale Revista Il Convivio - 2002, na Sicilia-Itália):

Cinto

Um cinto segura a minha calça
Um cinto mantém o meu pudor
Um cinto que todo mundo usa
Um cinto de qualquer um
Um cinto comum
Um cinto apaixonado por mulher
De cinta-liga
Um cinto que todo mundo tira
Na hora de “fazer amor”
Um cinto pelas ruas
Um cinto como qualquer outro
Um cinto único
Um cinto comum
Um cinto que não vem do verbo sentir
Um cinto que segura o sentimento
Um cinto que todo mundo perde
Entre quatro paredes
Um cinto que todo mundo recebe
Um cinto que ninguém quis receber.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Crônicas à flor da pele: O lirismo pungente

Hoje estava ouvindo mais cedo a canção "Um cara de sorte", da Banda Detonautas Roque Clube, que tocará neste sábado, dia 03 de setembro, no Clube dos Coroados, em Valença. O novo hit da banda é uma balada que fala sobre um eu lírico "com uma vontade enorme de sair e andar sem direção, sem destino e sem medo da morte, simplesmente andar e ouvir o que dirá meu coração". Após o primeiro toque do refrão ("Não vou deixar que alguém/ Conquiste o impossível por mim, ahhh eu não vou deixar que alguém / Conquiste o impossível por mim, eu não vou deixar"), o eu lírico da letra da canção se dirige à pessoa amada, pedindo-lhe perdão e lembrando que ela é quem está sempre o protegendo em silêncio e que ele nunca soube expressar o seu amor e carinho "em palavras de novela". Nesse momento, um verso da canção me prende: "Mas quando a gente cresce, a gente aprende a dar valor a quem está perto". Por quê? Na verdade, são porquês: hoje está um frio danado, daqueles que gelam qualquer alma solitária, estou sozinho em Teresópolis trabalhando muito ("E tudo que eu conquistei, foi com o suor do meu trabalho" é outro verso da canção citada), passei as últimas semanas entrando em diversas polêmicas quixotescas (o sistema não muda, caros amigos; a gente grita, então ele tapa os ouvidos), quando me meto em confusões assim, me torno uma pessoa quase que intratável para o convívio social e minha namorada Juliana, longe ou perto, sempre me apoiou e nem sempre sei me expressar bem para retribuir essa proteção que ela dá pra um artista insano como eu, pronto, o frio está se intensificando mais ainda, a balada dos detonautas entra em minha mente e relembro de uma crônica que escrevi há cerca de 3 anos atrás, numa noite assim, num leve desespero assim. O nome da crônica é "O lirismo pungente" e foi premiada com menção honrosa no 11.º Prêmio Missões, em Roque Gonzales/RS. Essa postagem de hoje é totalmente dedicada a minha namorada Juliana (ela foi a musa inspiradora dos escritos há 3 anos atrás e torna a ser agora que relembro o texto), que já segurou diversas vezes minha barra, e a todos os "caras de sorte". Pra ser lida ao som de "Um cara de sorte", excelente balada do Detonautas, "Quando eu te encontrar", de Biquíni Cavadão, "À flor da pele", de Zeca Baleiro, e "Fico assim sem você" (do Claudinho e Bochecha, em versão de Adriana Calcanhoto):

O lirismo pungente


Amada,
Hoje fui num espetáculo teatral para crianças baseado em poemas de Drummond e, mais uma vez, aproveitei uma infância que não tive, um deslumbramento de criança que não me existe mais... Talvez quando fui no circo dos antigos Trapalhões e tive a oportunidade de conhecer, ou melhor, abraçar - porque conhecer é algo muito mais complexo que só adultos pensamos e inventamos - Dedé, Mussum, Zacarias (Didi não foi), senti alguma sensação igual, meio entrega tola, meio aceitação ingênua, mas esses momentos são flashs distantes que minha 'maturidade' corrompeu e quase esqueceu.
Saí do teatro com uma vontade exigente de lhe escrever, como se minha vida dependesse disso, como se o poeta Rilke falasse em meus ouvidos: "escrever é preciso?" Sim, eu preciso!... Não, não confunda minhas notícias, minhas tours culturais pela nova cidade como luxo, ostentação; não quero me envaidecer ou despertar-lhe a inveja... É que preciso dividir essa avalanche de novidades com alguém, você sabe, eu preciso dividir senão explodo, enlouqueço e sinto ainda mais falta de você, da arte que construímos amorosamente juntos e que a distância agora atrapalha. Mas a arte não tem barreiras, por isso os quadros invisíveis do amor no coração, as palavras pousando nas mãos, POR ISSO PRECISO DIVIDIR, COMUNICAR-ME COM VOCÊ! Senão meu mundo está destruído, perde o pouco de sentido que ainda possui, perde você, perde o nosso mundo, por isso a necessidade: escrever é rever você e, ao mesmo tempo, salvar a mim.
Há mais dramas e desesperos do que você pode imaginar nos dedos que lhe escrevem, nas mãos que se oferecem às palavras, na mente que age de forma (deforma) hipnótica... O grupo teatral daqui me lembrou os grupos teatrais daí... e isso me gerou uma calma explosiva, um desespero tranqüilo, uma tempestade serena, entende? Como o Marco Polo das "Cidades Invisíveis" de Ítalo Calvino, quanto mais vejo outros lugares, mais me lembro de minha cidade afetiva, que nem é minha, tanto que se distancia. A cidade que criei não existe, mas ela cresceu demais, como os delírios de Marx e More, ela existe em mim independente de mim.
Sei que estou sendo mais uma vez confuso e sei que, por mais esquisito que eu seja, você vai me entender; saber disso me faz sentir uma imensa alegria estranha que me dá vontade de chorar. Você sempre teve razão quando me disse que meu lirismo é bêbado - só assim para explicar essa poesia alienígena que toma conta de mim e me enche de tamanhos paradoxos, só um bêbado pode ser mais paradoxal que Camões...
Mas não pense que choro ou que estou triste, pois é exatamente o contrário: eu sorrio e estou feliz numa felicidade reflexiva - e não imbecil como os alienados festivos sorriem e vivem felizes. É uma melancolia feliz, por ser eu, por senti-la, mesmo distante, sentir a cidade afetiva, sentir você, próxima/distante, num movimento sensual de alma e corpo, saudade e toque.
Está frio, uma chuva deixou os caminhos molhados por aqui, na rádio ouvi Adriana Calcanhoto cantando Claudinho e Bochecha: "sou eu assim sem você/ eu preciso tanto de você/a solidão é meu pior castigo..." e, mesmo treinando minhas independências, uma corrente fantástica me lança, me arrasta até essa confissão, o eu te amo de "Vamos fazer um filme", do poeta Renato Russo (e eu tanto tempo rejeitei esta canção...), é a tal alegria estranha que me dá vontade de chorar, mas eu não choro, meus olhos são secos e melancolicamente felizes por escrever estas palavras confusas e saberem que você vai me compreender...
Estou sendo prolixo (ah! lirismo pungente bêbado sem beber!); tudo isso era apenas para lhe dizer que sinto saudades e porque precisava escrever para me manter vivo, manter-me vivo com você - se não posso sempre estar fisicamente diante de você, que pelo menos as palavras encontrem os seus olhos, o seu corpo, seus amores e medos, que as palavras encontrem você até eu voltar, até me ressuscitar - carne, osso e algo mais - com você.
Saudações poéticas
Beijos Amorosos
Abraços sem braços
Até eu reencontrar você
Carlos Brunno S. Barbosa

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...