sexta-feira, 18 de abril de 2014

Solidões Compartilhadas: A Páscoa de Cristo, de Genaldo Lial

Apesar de o blog estar de luto pela morte do genial mais-que-fodástico Mestre dos Mestres Gabriel Garcia Marques (estou devendo aos leitores, ao escritor colombiano e a mim mesmo uma elegia a suas obras primas), não podemos nos esquecer dessa data especial que é a Páscoa, o período no qual comemoramos a Morte e Ressurreição de Cristo. Por isso, compartilho mais uma vez minhas solidões poética com o fodástico artistamigo Genaldo Lial.
Com poema rico em figuras de linguagem (cheio de paradoxos [uso de palavras com o sentido contraditório, oposto ao usual, fornecendo visões absurdas e diferentes da que nos acostumamos. Ex.: falsas verdades – se é verdade não pode ser falsa, se é falsa não pode ser verdade, mas o autor propõe a imagem desarmônica como se fosse harmônica], hipérbatos [inversão da ordem normal das palavras em uma oração], entre tantos outros) e um ritmo fodástico, Genaldo Lial nos embala para a Páscoa de Cristo.
Curiosidade: além da genialidade, Genaldo Lial é um artistamigo excêntrico e um tanto avesso às modernidades: o poeta foi o primeiro artista a me entregar o poema datilografado e não digitalizado, o que demonstra o quanto ele é fã de coisas antigas e um tanto esquecidas, ou seja, fã da máquina de escrever, da honra e da gratidão, palavra pouco usada na arte contemporânea.

Páscoa de Cristo

Com pouco quero falar muito
O muito porém não será tanto
Discorrerei sobre um único assunto
Falarei sobre a vida de um homem santo

Não professarei palavras de sabedoria
Nem criarei falsas verdades
Relembrarei fatos da profecia
Ocorridos em nossa humanidade

Há dois mil anos entre nós ele viveu
Entre gestos e atitudes, ensinamentos mil
Cá nós ainda não éramos nem mesmo o Brasil
E já o imolaram tanto que não morreu

Homem de bondade e transcendência maior não há
A todos os seus por parábolas ensinou
Por muitas vezes antes de morrer ele falou
Conhecereis a verdade e ela vos libertará

Do seu leito de morte ressurgiu
Provando a todos o poder
Suas máculas de sangue alguém viu
E não restaram dúvidas pra crer.

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