quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quebrando o gelo no inverno: Desfazendo pontos finais

Há sempre em nós, artistas, aquele momento de crise, em que ameaçamos parar de escrever; a realidade parece nos ferir mais profundamente, a inspiração adormece no leito do esquecimento, vontades que se vão, leves desesperos. Já passei por isso; outros blogueiros amigos, como a escritoramiga Isadora, autora do blog “Lamento de um blue” também já ameaçou dar fim à sua fodástica arte. Mas sempre algum bichinho-artista da continuidade nos morde, avisando que nossas dores feridas de imortais belezas não aceitam separar-se da eternidade, da continuidade; o ponto final, definitivo nos fere. E assim, após momentos de grave crise, a poesia retorna – mesmo que cambaleante, a arte sempre retorna e se renova!
O poema abaixo é para quem acredita que nenhum ponto final é definitivo; basta desenhar mais dois pontos finais ao lado dele que eles viram reticências. Sonhos não morrem; quando somem por um tempo é porque eles adormecem profundamente à espera de um novo beijo lírico, em busca da continuidade do fim. Sei que sumo do blog de vez em quando, mas não há desistência, só dou um tempo pra me manter sempre pronto pra transformar pontos finais em reticências.
Arte sempre, amigos leitores!

Diante do ponto final 
(A continuação do fim)

- Como assim
é o fim?
pergunta o leitor insatisfeito,
porém a solidão permanente
dos olhos perplexos
diante do ponto final
não lhe respondem nada.

Antes era um blues que lhe tocava,
agora só essa superfície blue,
esse lamento azul
da ausência de cores,
de novas palavras.

Pior que a existência absurda
é essa carência confusa
pela continuação do que está acabado;
estranha impressão de ponto final.
mal colocado

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