terça-feira, 14 de maio de 2013

Solidões metaleiras compartilhadas: O heavy de Rabib Floriano Antonio


Nesses momentos de inverno em que paradoxalmente se faz calor no frio, compartilho mais uma vez minhas solidões poéticas com o poetamigo valenciano Rabib Floriano Antonio. Desta vez, seu eu lírico traz uma faceta nova, minimalista e metaleira. “Heavy”, o poema que compartilho hoje, foi composto no calor do momento, minutos antes do show da banda Black Cult no Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, no dia 20 de abril, na Boite Mr. Night (os vídeos ainda não foram postados aqui devido a inéditos conflitos entre minha conta no youtube e meu login no blogger, mas, em breve, resolvo esses obstáculos virtuais). 
O poema de Rabib traz aquela velocidade estonteante do heavy metal e a síntese enérgica de ritmo e palavras em versos contagiantes (Dica: Reparem o quanto os pontos finais que atingem os versos e cortam frases sem verbos reafirmam o peso heavy do poema.)
Um poema para nos prepararmos para batermos nossas cabeças pela liberdade underground que o heavy metal nos traz, amigos leitores!

Heavy

Heavy. Pesado.
Chumbo denso
Prateado.
Heavy
Como alma
De condenado.
Pesado.
Tão pesado.
Plúmbeo
E prateado
Tão distorcido
Como cultuado.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Solidões metaleiras compartilhadas: As dimensões metállicas de Karina Silva


Mais uma vez tenho o prazer de compartilhar minhas solidões poéticas com a fodástica poeta valenciana Karina Silva. Rica em influências simbolistas e rock’n roll, Karina nos traz as “dimensões metállicas” (sim, é com dois l mesmo, em homenagem a banda de heavy metal Metallica) de sua poesia.
Em tempo: o poema de Karina Silva foi declamado pela própria poeta, em parceria comigo, no Sarau Solidões Coletivas In Bar 13: Astronautas de mármore, donzelas metállicas, passagens pra Saigon, armas químicas e poemas” (percebemos que o poema traz, em seu conteúdo, referências ao título do sarau), realizado na Boite Mr. Night, em Valença/RJ, no dia 20 de abril de 2013 e também foi declamado duas vezes no dia 27 de abril: pela própria Karina, representando o Sarau Solidões Coletivas, no evento musical realizado no Coreto do Jardim de Cima, em Valença/RJ, e por mim, no evento “Identidade Cultural & Movimento Culturista”, organizado por Janaína da Cunha, no Bar e Restaurante Amarelinho da Cinelândia, no Rio de Janeiro/RJ. Os vídeos destes eventos já estão no Youtube e, em breve, serão postados aqui no blog também.
Não estamos sozinhos enquanto tivermos a poesia rock’n roll de Karina Silva, amigos leitores!

Dimensões metállicas

Eis que esqueço o meu lamento
da angústia que transcende o tempo!
A noite já cairá
e a solidão vem ao meu tormento...
Mas vejo que sozinha não estou!

Ao longe, sombras dançantes do além
são astronautas que não param em um lugar,
são astronautas que sempre irão retornar.
Estão se aproximando,
ao som que vem os vem chamando,
não param de dançar,
enquanto eu estou alucinando!

Passando pelo mundo real,
as luzes começam a mudar
o brilhante luar...
Destacam um portal de ferro
no qual se aprisionava donzelas metálicas do heavy metal!

Com um olhar perdido em qualquer lugar,
é hora do show começar!
A meia noite acaba de chegar
e eu quero o meu rock’n roll para gritar!
A noite vai arrepiar!
Eu quero rock n’roll para alucinar!

Enquanto as armas químicas
fazem rima em minha poesia,
o hoje vira amanhã
e o heavy metal continua a tocar
Com o rock’n roll que nunca irá se calar!


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Solidões compartilhadas: O poema-presente de Rogério Silva


Neste último aniversário que fiz, dia 07 de maio, completando 34 anos de loucura e poesia, recebi uma oferenda lírica do poetamigo valenciano Rogério Silva: um poema, um presente, cuja garantia é eterna.
Ofereço esse poema-presente de Rogério Silva a todos que fizeram, fazem e farão aniversário.
A arte é sempre um bom presente, amigos leitores!

Feliz aniversário

se o amigo de mim duvidar
das coisas que tenho a dizer,
deve ao menos concordar
que uma rima eu sei fazer.

é com emoção que aqui digo:
seu aniversário viemos comemorar!
juntando irmãos e amigo
saboreando uma comida de bom paladar.

na vida, cada ano que passa
buscamos coisas que nos dão prazer
fazemos de tudo com muita graça.

isso me mantém solidário
por isso desejo aqui
um feliz aniversário!


terça-feira, 7 de maio de 2013

Poema de aniversário pra barata e pra mim mesmo


No ano passado, comemorei meu aniversário aqui no blog com um poema inédito bem ao estilo do poema “Profundamente”, de Manuel Bandeira. Neste ano, relembro um poema que fiz também pensando nos meus milhares de aniversários, publicado no meu quinto livro “Eu e Outras Províncias: Progressos & Regressos”, de 2008, desta vez inspirado na poesia cortante e pré-modernista de Augusto dos Anjos, misturada ao universo sufocante da prosa de Kafka e à ironia machadiana, que tanto amo.
Aqui é assim, amigos leitores: qualquer que seja a data, comemoramos com poesia!

Feliz aniversário!

Feliz aniversário!
o apocalipse diz pra barata
enquanto espíritos conversam, satirizam minha carne
mas me respeitam
(como a barata, sou sobrevivente da nova era)

Feliz falsa idade, feliz falsidade
estranhos ao meu redor
comemorando a proximidade de meu perecimento
(de tanta descrença, criei fé no nada)

Feliz aniversário!
o agente penitenciário diz pro encarcerado
enquanto Cronos conversa com meu relógio biológico
mas recua
(como o prisioneiro, ainda tenho uma pena a cumprir)

Idade média, ser atual
estranhos como sempre
penetras invadindo a privacidade de meu silêncio
(de tanto otimismo, criei a ojeriza)

Feliz aniversário!
o médico diz pro psicopata internado
enquanto a confeitaria alimenta minha ignorância
com bolo cheio de glacê
(como o psicopata, eu quero me desconhecer)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Poemas maquinofaturados: O amor nos tempos da Revolução Industrial


Recebi um dos desafios mais inusitados desde que o blog foi criado: uma garota chamada Lara Lima, observando que as postagens de meu blog às vezes citavam momentos históricos, me perguntou via facebook se eu teria algum poema que falasse sobre a Revolução Industrial para ela declamar num sarau que aconteceria na escola dela. Atolado com notas, médias e provas do fim do bimestre, confessei a ela que não possuía poema sobre o assunto. Este seria o ponto final se os parafusos que faltam e sobram em minha cabeça não começasse a maquinar um poema sobre a Revolução Industrial, que, fora a ficção científica de Julio Verne e cia, pouco foi explorada pelos movimentos e comunidades poéticas. Ah, tá, eu confesso: não aceito perder um desafio novo (ou, pelo menos, não aceito perder sem tentar), minha cabeça fica matutando, martelando os assuntos que me aparecem das formas mais loucas e/ou inusitadas e... bem, o que vocês verão abaixo é uma espécie de poema tentativa de falar sobre a velocidade alucinante de nossas cegas paixões associada à Revolução Industrial. Deve ter saído meio louco, sei lá, revoluções mexem com minha imaginação. Relacionei o amor cego que nos faz abandonar a nós mesmos com a mudança do artesão - com controle sobre toda obra - para o operário alienado que serve aos mandos e desmandos do patrão dono da máquina - o eu lírico serve a amada como o artesão passa a servir o patrão dono da máquina.Tem um pouquinho de influência do som da banda Cake também, pois deixei os CDs deles rolando no som enquanto eu produzia o poema (“Long Time” está martelando singelamente na minha cabeça até agora rs). Há também inspiração num poema romântico do jovem poetamigo valenciano Luiz Guilherme, já publicado aqui no blog, quando eu compartilhava com ele pela primeira vez as solidões poéticas; me baseei na anáfora - a repetição constante do você - contida no poema dele. 
Espero que os professores artistas historiadores me perdoem a ousadia poética que talvez não tenha sido tão bem sucedida quanto eu desejava.
De qualquer forma, dedico o poema à leitora inspiradora Lara Lima e a Rafael Faraco, professor de História do Alcino que sempre me incentivou a conhecer e a trabalhar ‘interdisciplinariamente’ a Revolução Industrial.
Que a máquina do amor avassalador nos revolucione, amigos leitores!  

O amor 
nos tempos da Revolução Industrial

Meu amor já foi um campo cultivado na solidão...
Antes da revolução, eu plantava minhas sementes sozinho:
da ingenuidade prima ao eu sujeito simples e finalizado,
eu cultivava minha identidade,
me construía, tinha completo domínio de mim mesmo,
então você chegou, cheia de vapor, composta, rainha de si
e eu me perdi nas engrenagens de seu olhar dominador.

Você me fez só ver Você,
Você me fez deixar de ver
e eu, cego, segui Você,
acompanhei Seus avanços
e agora, mesmo Você me explorando,
eu não me canso de querer Você
só Você
sempre Você!

E foi tudo tão veloz
e foi tudo tão feroz
que eu aceitei ser vítima de seu progresso algoz
e Você me teceu como bem entendeu
e Você sempre Você
libertando-me da solidão de outrora
pra agora me prender
em sua máquina mágica de me fazer
só desejar Você
sempre Você
só Você!

Meu amor agora é campo desfeito,
sou eu perdendo o controle de mim mesmo
pra girar em torno do estranho desejo
de seguir me ignorando,
obedecer aos seus comandos
e viver amando
Você
só Você
sempre Você!


Solidões tatuadas compartilhadas: A Miss Tattoo de Gilson Gabriel



Ah, as mulheres tatuadas! Toda mulher tem seu charme, sua arte enigma sedução, mas as mulheres tatuadas, ah, elas trazem no corpo um verso de mistério a mais, uma tinta nova de arte enigma sedução! Sou fascinado por mulheres tatuadas, confesso que viajo nas danças dos desenhos tatuados passeando na pele do corpo em movimento. Por essa razão, somada ao talento sublime do fodástico poetamigo valenciano com quem compartilho minhas solidões poéticas hoje (minha poética chega no dedo mindinho dos pés poéticos desse papa da poesia), publico o mais-que-fodástico poema “Miss Tattoo”, do escritor-mestre Gilson Gabriel. O poema é viagem vertigem pelos corpos femininos tatuados que desfilam nos olhos fascinados do eu lírico voyeur, a imagem externa provocando delírios no olhar interno do admirador. O poema abaixo é mais uma obra-prima de Gilson Gabriel, cujos versos grudam na pele, no coração, no compartilhamento da admiração pela arte que ronda os corpos de quem se tatua.
Em tempo: o poema foi declamado pelo próprio Gilson Gabriel no Sarau Solidões Coletivas In Bar do dia 20 de abril, na Boite Mr. Night (em breve, os vídeos estarão disponíveis aqui no blog; assim que minha conexão da internet – mais conhecida como “lerdanet”- finalizar o envio dos arquivos para o youtube).
Viajemos, amigos leitores, pelas superfícies fascinantes das musas poéticas de Gilson Gabriel!

Miss Tattoo

Ela tatuou asas nas costas.
Imaginaria ela ser um anjo?
Seria mesmo a criatura um ser de luz?
Voaria ela por aí a nos guardar?
Ou suas asas encobririam um ser que não se pode mostrar?

Ela tem laços tatuados em suas pernas.
Seria ela uma figura embrulhada
Ou para algum incógnito amante terno presente?
E sem os laços se solta e flana livre por aí?
Ou com os mesmos se embaralha e se amarra eternamente?

Ela tem flores por todo o corpo tatuadas.
Seria ela o adorno do entorno do castelo
Que colore e perfuma quem passa por suas estradas?
Ou incorpora astral jardim em pétalas e espinhos
Com os quais disfarça dores presentes e passadas?

Ela traz nos braços e pernas traços tribais.
Compõe assim, pictoricamente, seu traje de guerreira?
Faz assim sua ligação com seus deuses e deusas?
Fortifícasse entre curvas e pontos a ponto de impor-se a quem lhe enfrente?
Ou compõe, a um amado, uma sinfonia que toca, se a toca?

Ela transcreveu na pele as notas que por aí entoa.
Aguarda ela que seu pássaro encantado lhe ouça
E reconheça nela o amor eterno que ainda espera?
Ou quer ser lida feito partitura onde declaração maior inspire
E possa ser solfejos, cantos líricos, hinos de guerra?

Ela pintou, de alto a baixo de seu corpo, um amor dragão
Que vez ou outra se transforma em borboleta.
Será que vai um dia, enfim, ter asas como tanto sonha?
E vai poder assim planar, subir aos céus, ser livre então?
Ou vai fugir daqui em disparada, buscando um mundo que a ela não se oponha?


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Poemas punks pagãos: Minha religião é terrível, baby!

Livre das correções de provas e trabalhos de fim de bimestre, com as médias dos alunos já calculadas, com uma barba extensa e desleixada pelo tédio de esforços repetitivos e excesso de trabalho do último fim de mês, com a casa meio bagunçada, no meio do caos cotidiano, eu retorno, amigos leitores, e trago velhas novidades!
Hoje posto um poema pagão inédito, em tributo a Bad Religion, fodástica banda punk estadunidense homenageada no último evento "Rock na Garagem", organizado pelo Feira Moderna Zine, no Metallica Pub, em São Gonçalo/RJ, realizado no dia 27 de abril. Criei o poema com base em letras da banda - principalmente em "You" e  "Sorrow" - e em algumas ideias que a banda prega em suas canções.
Em tempo: no dia do evento "Rock na Garagem" do dia 27 de abril, declamei esse poema e outros acompanhado da guitarra de Rafael A. e, em breve, postarei o vídeo aqui no blog.
Vivam a punk poesia, amigos leitores, pra que não enlouqueçamos nas torturas do dia a dia!!!


Minha religião é terrível

Minha religião é terrível, baby!
Rezo com os punhos fechados todos os dias
Contra os demônios da rotina.
Eles estão por toda parte, baby!
Na inércia da cidade,
Na nossa falta de vontade
E é preciso combatê-los com arte, querida,
Por isso que o meu terço é a poesia
E meu templo é o tempo presente,
Precisamos orar pelo povo carente
E, na rima pobre, revelar a face brutal
De um mundo omisso e desigual.
Vou levá-la a minha igreja, baby!
Basta aceitar meu convite, basta lutar com vontade,
Que encontraremos o céu nessa terra, a paz na guerra
Mais cedo ou mais tarde.

Sei que minha religião é terrível, baby,
Mas só ela me faz feliz nesse inferno de sorrisos tristes,
Só ela me faz insistir que um paraíso ainda existe
Longe daqui, perto de mim, dentro de ti!






Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...