sábado, 7 de janeiro de 2012

Poemas ardentes: O mapa astral do diabo feliz

Verão, dias quentes, despertar de calores, posto hoje um poema ardente, publicado originalmente no meu quinto livro "Eu e outras Províncias" (2008):



O mapa astral do diabo feliz
(Sonho eroxótico)


Li no mapa astral do diabo da maçã
Que o meu futuro estaria na intimidade de teu corpo
E, mesmo no meio da neblina, eu ainda verei
A cigana das terceiras intenções sorrir
Ao prever que o vento do meu inverno
Será regado por chuvas quentes de verão
E nosso deus dormirá no céu de nossas bocas
Enquanto minha serpente rastejará no teu Éden.

Li no mapa astral da paixão ardente
Que o Cupido acertaria tuas partes íntimas
E, no infinito do outro lado do sono, encontrarei
O mais concreto dos sonhos
E os poetas proibidos cantarão livres
Em nossas cordas vocais.

- Quando a intimidade de teu corpo voltar
Ao calor de meus lençóis sem pudor
Eu terei a ti
Eu terei prazer!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Já começou mais um Apocalipse Brasil! Dê uma espiadinha...

Após conversa com o poeta Paulo Ras, resolvi rever as principais notícias dos primeiros dias de 2012, esse "novo tempo que começou": prefeito de Nova Friburgo/RJ afastado por desvio de verbas das chuvas, o Estado de Minas Gerais sucumbe diante das ferozes chuvas de janeiro (a cada mudança de ano, novas cidades são violentadas e as outrora atingidas são novamente feridas, por tudo que não se fez no ano que passou), nosso Ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra (possível candidato à prefeitura de Recife; não esqueçam desse promissor cidadão de bem) favorece investimento maior de verbas para Pernambuco ('coincidentemente', o curral eleitoral do famigerado representante de nosso Brasil corrompido), o governo do Chile pretende substituir a expressão "Ditadura Militar" por "Regime Militar" para designar o período sanguinário que seu país foi  obrigatoriamente governado por Pinochet, novo Big Brother na Globo, novo hit de Parangolé no carnaval fora de época da Bahia e Michel Teló "pegando" o mundo inteiro (e pensar que já bastavam as catástrofes naturais). Até hoje, não entendo por que nos preocupamos tanto com o fim do mundo, pois vivemos apocalipses todos os dias do ano, "dançamos no campo minado" - novamente relembro essa expressão de uma canção dos Engenheiros do Hawaí. E como ninguém liga muito pras minhas postagens de poemas sociais (são as que possuem menor índice de visualização no blog - por que será?), resolvi aproveitar o pré-carnaval para indicar o meu "samba-desenredo" pra tocar na nossa maior festividade nacional. O poema que posto hoje é uma homenagem à peça  "Apocalipse Brasil", do grupo teatral valenciano Amor e Arte,  dirigido por Cadu Souza, e ao extinto grupo musical 'punkado' valenciano "The Zombiez", formado, na época, por Fábio Arieira, Zé Ricardo e Felipe Souza (no passado, chamados de Fabinho, Zé Zombie e Felipe Z). O poema abaixo estará em meu próximo livro "Foda-se e outras palavras poéticas", a ser publicado neste ano:


Apoteose
(Samba-desenredo)

“Vamos celebrar a estupidez humana”
Renato Russo, “Perfeição”

Uma pedra no caminho
Eu ando sozinho
Tropeçando no mundo
Caindo em abismos cada vez mais profundos
Eu vivo em conflito
Pisando em cacos de vidro
E a moça quer flores, beijos e versos bonitos
Eu só trago dores, desejos perversos e aflitos
E a moça quer rosas e vinhos
Eu só tenho venenos e espinhos
Bem-vinda, menina, ao imundo da vida
Ao início da corrupção
Ao insólito, à raiz do mal
Um meteoro no país do carnaval
APOCALIPSE BRASIL! APOCALIPSE BRASIL!
Ao precipício, ao canibalismo social
Valores vencidos, zumbis no caos
APOCALIPSE BRASIL! APOCALIPSE BRASIL!
Uma festa é o que nos resta
Uma treva é o que nos espera

Solidões compartilhadas: A cabeça cheia de poesia de Paulo Ras

Um breve sol tenta lentamente se reabrir nessa manhã melancólica como um poema que passa em nossa cabeça, avessa aos maus sinais desse nosso estranho tempo. Hoje posto mais um poema do curitibano Paulo Ras, pra tentarmos encher nossa cabeça de poesia (como diria Paulo Leminski, a poesia é o nosso "inutensílio essencial para a vida"):


A cabeça cheia de poesia,
A boca cheia de verbo,
Os olhos perdidos em sombras,
Os passos desnorteados de esperança,
A alma dispersa em tantos dias a fio.
E no cavalgar dos meses,
No trote lépido das horas vãs,
Na marcha maldita dos anos,
A velocidade variável do tempo
Que me devora, me mastiga,
Me digere, me cospe.
Mostrando-me que tanta poesia,
Tanta tristeza,
Tanto pesar,
São mais eternos que os amores que não tive,
Que os ardores que sufoquei,
Que os dias em que morri.
Então, calo, amanso, remanso,
Riso, nostálgico, perdido.
Junto tudo,
Misturo tudo,
Destruo tudo.
Para, enfim, saber que, da vida,
Pouco levo,
Pouco entendo e
Nada sei.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Clipe ensolarado: Apenas um delírio lírico de verão

O clipe de verão abaixo é apenas um delírio que tive no verão do ano passado, na Praia do Cachadaço, em Trindade - Parati/RJ. Não é nada demais: apenas um deslizar de ondas, um sol lírico que relembra o grande desejo de viver no poema "In extremis", de Olavo Bilac (um dos poemas mais fodásticos desse - hoje, renegado - grande poeta brasileiro), somado a calores de palavras, um poema vago relembrado no raro vento que beija a maresia.



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Meu conto comemorativo ao Dia Internacional do Trote Telefônico

Hoje é o Dia Internacional do Trote Telefônico (ainda quero saber quem é o pândego que organiza e estipula essas datas comemorativas rs)! Em homenagem a essa data tão 'especial', posto no blog um conto meu, publicado originalmente no meu sexto livro "Diários de solidão" (2010). Lembro que o trote telefônico revolucionou os serviços de comunicações do mundo inteiro, pois gerou o famoso bloqueador de chamadas a cobrar; por isso, amigo leitores, comemorem essa estranha data com moderação:

Anônima pontual

- Tic-tac, tic-tac... - o relógio anuncia que é meia-noite e, cheio de reticências, lembra que o tempo não para.
            “TRIMMMMMMM!!!!!!!”, o telefone grita cheio de pontuações desesperadas.
            - Alô??? - a voz atende cansada, cheia de interrogações ásperas.
            - ... - responde o silêncio, cheio de reticências amorosas.
            - Ah! Não vai falar nada! Então dane-se! - a voz corresponde agressiva, cheia de exclamações solitárias.
            “(...)”, a chamada desliga apática, cheia de pontuações medrosas e doloridas.
            - Não era nada, mais uma vez, não era nada - a voz filosofa desanimada, cheia de vírgulas intercaladas e sem ponto final


            “TRIMMMMMMM!!!!!!!”, o telefone grita em outra casa com novas pontuações desesperadas.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sobre o velho ano novo e o meu retorno sem partida (A volta dos que não foram)


Inicio as postagens de 2012 pedindo perdão aos leitores: meu temporário sumiço aconteceu devido a viagem a São Pedro da Serra, distrito de Nova Friburgo/RJ, onde passei o Réveillon. Essa parte turística da região serrana, na qual estive nos últimos dias, me somou grandes e belíssimas imagens e aventuras poéticas, porém me afastou dos meios virtuais, pois não havia conexão com a internet na área onde eu fiquei hospedado (fator que gerou férias forçadas do blog). Como João de Santo Cristo da canção “Faroeste Caboclo”, da banda Legião Urbana, conheci muita gente interessante, muitos lugares líricos e agradáveis, mas, para viver tal epopeia, sacrifiquei meu ambiente virtual, fato que não é pra se lamentar, e sim para sorrir – só estamos bem no virtual, quando sabemos viver e conviver no mundo real (meu Tio Jorge, dono de bar, já dizia: “Se estamos bem, está tudo bem!”). Me desculpem pela ausência, amigos leitores, mas desapareci para o meu bem, para a continuidade do blog, para o bem de nossa relação (às vezes, leitores e escritores precisam dar um tempo pra se reavaliarem, sentirem saudades e assim caminha nossa eterna relação amorosa pela leitura rs) e como diria os Paralamas do Sucesso, eu estive fora uns dias e trouxe tanta novidade (...)!!!
Sobre previsões para este novo velho ano (os anos novos já nascem velhos de tantas promessas impossíveis que a gente cisma de repetir sem convencer nem os nossos próprios ouvidos), não as farei – deixo isso ao site do Kibeloco que já o fez primorosamente (confiram no link:http://kibeloco.com.br/platb/kibeloco/2011/12/29/globo-com-2012/#.TvzIrQScPlI.facebook) e ao  Dr. Lisérgio Virabossa (suas previsões estão no blog do mestre Alexandre Fonseca: http://algumcantoemseusorriso.blogspot.com/p/previsoes-para-2012-pelo-dr-lisergio.html) . Não tenho a cara de pau dos videntes para sempre profetizar fatos que raramente acontecerão da forma como são previstos; nunca fui bom acertador de jogos de bicho, nem adivinhei os números da Mega Sena da virada pra gastar minhas fichas nos dados viciados da roleta do futuro. Do amanhã saberei quando ele tornar-se hoje.
Quanto às velhas promessas de ano novo, ah! como todos, sigo esse tradicional e falho ritual: após bilhões de juramentos na virada do ano, dormi o falecido 2011, sonhando acordar 2012 com a beleza permanente de Tom Cruise com retoques de photoshop e alma limpa como a de Gasparzinho; resultado: acordei pro espelho de primeiro de janeiro com o mesmo rosto que eu tinha (talvez com uma ruguinha a mais e aquela velha ressaca do novo réveillon) e meu espírito está longe de ser um fantasminha camarada. Em resumo: amadurecemos a cada dia, amigo leitor, mas não viramos totalmente outros só porque o ano virou – não se rasga uma personalidade nossa só porque jogamos a folhinha do calendário passado por uma nova; a confecção, os números com os quais simbolizamos os dias, os meses são todos iguais; a essência é a mesma e a mudança é lenta; se queremos realmente nos renovar, deixemos a hipocrisia pra trás: amadurecemos sim, mas não mudamos totalmente. A vida não retoca e virada de ano não desenha um novo ser humano: abrimos novas portas, mas os muros da individualidade – por mais que os escondamos com poucos tijolos ou novas pinturas – permanecem ali, só podem ser derrubados lentamente e não com um chute vão na efêmera euforia coletiva do fim do ano.
Sobre o mundo novo, ah! todos com “Imagine”, de Lennon, na cabeça, mas a canção sai quase calada no elitismo estrondoso dos fogos de artifícios: mais cidades em estado de alerta por causa da chuva (por sinal, Nova Friburgo é uma delas), os podres poderes continuam inatingíveis pelas tragédias e por suas corrupções, o de cima sobe e o de baixo desce, e tudo que digo não é pessimismo: é constatação, amigo leitor, abra os olhos, o estourar de sidras e champagnes não vai mudar a realidade se continuarmos achando que o mundo vai mudar porque embriagamos. Encaremos: 2012 só será diferente quando cuspirmos o pouco pão e renunciarmos ao famigerado circo; enfim, vivas ao Novo Ano e vaias à Ultrapassada Ingenuidade Festiva.
Resumindo, amigos leitores, saúdo a todos por uma humanidade melhor, por um ano novo melhor, mas lembro que continuo quase o mesmo (a mesma língua afiada na lábia macia, ou a mesma língua macia na lábia afiada, ou sintetizando: o paradoxo continua beijando os lábios da minha poesia) e nego a tradicional despedida do ano velho: nada de “adeus, ano velho” - que ele fique em nossa memória pra não nos tornarmos os novos e velhos babacas hipócritas de outroras. Que tudo se reanalise no complexo divã do ano novo que já nasceu e que, sem dormirmos de frente pro relógio psiquiatra dos tempos, nos tornemos seres humanos melhores para o bem do consultório de nossas insanas almas. Que o próximo réveillon seja apenas uma nova festa pra comemorarmos o que já mudou e não um rosário de promessas velhas pra repetirmos o que nunca se realizou. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Poema rock: O amor é uma arma cercada de rosas

Hoje a postagem demorou, mas saiu, meio nublada (como o céu que me observa da janela), mas inédita. A razão da demora deve-se ao fato de eu ter construído um poema inédito, a pedido da minha ex-aluna Bruna Rodrigues, que fizera aniversário no dia 27 de dezembro e me pedira de presente que falasse sobre amor ferido e fosse inspirado nas canções de Guns n' Roses. Ok, o desafio foi aceito e aí vai o meu poema gunsn'rosiano de oferenda para minha ex-aluna e para todos os fãs da banda (na minha época, o Guns n' Roses era uma das bandas mais escutadas, porém pouquíssimos admitiam ouvi-los, pois entre as tribos de grunges, punks e metaleiros era de mau tom - sob riscos de tapas na cabeça, cuspes e desprezos - admitir que se ouvia, de vez em quando, e até gostava da banda liderada por Axl Rose. Apesar de todo preconceito, pois a maioria o achava uma modinha e/ou muito comercial/banda de rock pra menina, viado e otário, todo ser humano roqueiro que se preze já ouviu e curtiu sorrateiramente um LP - sim, na época, era LP - da banda. E o sucesso - inseparável da eterna polêmica do velho adolescente Axl, que ameaçou furar o evento - foi comprovado pelo fenômeno de vendagens de seu álbum "Greatest Hits", lançado no Brasil em 2010, e pela legião de fã-náticos que aguardaram por horas e horas o show da banda no último dia do Rock in Rio 2011). 
Para construir o poema, me inspirei nos eus líricos meio dilacerados das  letras das canções do Guns e fiz referências dentro do texto ao nome e símbolo da banda (Guns n' Roses) e ao título e refrões de alguns de seus sucessos, como "Paradise City", "November rain", "Patience", "Civil War", "Live and let die" e "Yesterdays". Espero que a aniversariante Bruna Rodrigues e demais fãs (dos mais escandalosos aos mais enrustidos) aprovem a minha ousadia:


Uma arma cercada de rosas


É uma arma cercada de rosas esse amor que te atiro;
Por isso a fragrância feroz no gatilho sensível,
Por isso a dor do espinho quando recebes os meus tiros.

Sabes como é difícil manter a vela aquecida
Pra acionar as pólvoras de um amor perfeito,
Depois que as chuvas frias de novembro molharam o quarto rarefeito
(É arma sem balas certeiras esse amor que te trago em batalhas perdidas).

È uma arma clandestina esse amor eterno e furioso;
Por isso o coldre pesado, trabalhoso de carregarmos nesse ano rancoroso,
Por isso as saudades da Cidade Paraíso nesse ambiente perigoso.

Sei como é difícil entender esse meu estranho ser e estar ao teu lado
A viver e a me deixar morrer – é simples e, ao mesmo tempo, complicado,
Depois que as chuvas do passado se mantêm presentes em nosso hoje desmoronado
(É arma sem garantias esse amor que te ofereço em triste e satisfeito agrado).

É uma arma sem lágrimas visíveis esse amor que te choro calado;
Por isso o falso deserto aonde há extrema umidade,
Por isso essa salva de tiros num estampido quieto e sem vontade.

Sabemos como é difícil manter nossa guerra civil civilizada,
Pois sempre haverá corações feridos em nossa terra bombardeada,
Depois que as tempestades da tua paciência pereceram nas chamas da minha ausência
(É arma traiçoeira esse amor que te ofereço em promessas desfeitas).

É uma arma cercada de rosas medrosas esse amor que te atiro
Por isso o medo de espantar as pétalas depois do tiro,
Por isso esse permanente espinho que carrego comigo e, com o qual, te firo
(Mesmo quando não quero, eu ainda te firo...). 

Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...