domingo, 15 de janeiro de 2012

Poema adulterado: Quando eu ser mais grande

Hoje o Brasil comemora o Dia do Adulto (sim, crianças, essa estúpida data existe! Como se não bastasse toda chatice dessas trevas coloridas de gente podre de madura...). Em (des)comemoração à essa insossa data, posto hoje o poema "Quando eu ser mais grande", publicado em meu quarto livro "Eu e outras Províncias"(2008), que responde àquela pergunta imbecil que todo adulto faz para uma criança: O que você vai ser quando crescer? Um poema idiota para adultos parvos:






Quando eu ser mais grande
(O que você vai ser quando crescer?)

Quando eu ser mais grande
não serei mais como antes
Quando eu ser mais grande
os brinquedos estarão distantes
numa infância esquecida, perdida, estanque
Quando eu ser mais grande
meu egoísmo crescerá como um elefante
Quando eu ser mais grande
serei um bom negociante
tio, tem dinheiro? não, não sou assaltante
mas permita que eu lhe arranque
tudo que tem - já me será o bastante
Quando eu ser mais grande
a ganância será minha amante
Quando eu ser mais grande
serei apenas mais um burguês iniciante
emocionado com a bolsa balbuciante
de valores inconstantes
feliz com a rotina agonizante
de um capitalismo edificante
que me fará ser mais grande

- QUANDO EU SER MAIS GRANDE
serei apenas mais um ex-estudante
com diploma de ignorante
reconhecido pelo MEC.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Solidões compartilhadas: O amor, segundo Isabella Silva

Hoje compartilho minhas solidões com a jovem escritora e blogueira (ela é dona do blog "Registros do coração". Quem quiser ler mais textos desta autora, é só seguir o link: http://registrosdocoraao.blogspot.com/) Isabella Silva. Ela é mais um dos grandes talentos que encontrei na E. M. Alcino Francisco da Silva, escola da zona rural de Teresópolis/RJ, onde leciono. Desde a primeira redação, Isabella destacou-se e mostrou um estilo próprio e seguro de escrever. Em conversas virtuais (afinal, estamos de férias das aulas), ela topou o desafio de produzir uma crônica para o meu blog. Usando paradoxos (explicando: paradoxo é a figura de linguagem que usamos para construir contradições. Ex.: anjo mau - dar a qualidade de mau para um anjo é um paradoxo, pois o anjo nos lembra coisas boas.), Isabella Silva nos descreve a sua visão do "estranho conhecido" sentimento chamado amor. Confiram o estilo apurado desta sensível e talentosa escritora:


Uma estranha aliança chamada AMOR!!!

Amor... Já ouviu falar em algo mais complicado?! Se já ...parabéns!! Você é o primeiro a conseguir entender esse estranho sentimento.
Muitas das vezes o amor começa sem que percebamos, pois ele é silencioso, e agiu..ele consegue fazer coisas que no começo pode até não ter sentido, mais acredite: no meio fará muito menos do que você possa imaginar...
Mesmo sem fazer sentido, o amor nos envolve, nos contagia,  nos faz perceber lados da  vida que antes dele não fazíamos idéia que existiam... Pois é, esse louco e lúcido, amargo como o limão, mais doce que o mel, esse estranho e mais conhecido sentimento,  nos deixa de cabeça pra baixo, mas ao mesmo tempo... nos dá aquilo de que nós precisamos...
A maioria das vezes,o amor chega e ajuda,.. mas o que fazer quando ele nos confunde?! Pra falar a verdade , o amor não nos confunde, o que nos confunde é a vontade de experimentar esse sentimento de qualquer maneira, em qualquer pessoa....
 PARE COM ISSO! O AMOR NÃO É UM BRINQUEDO!
O amor foi feito para unir pessoas, para fazer nascer laços, alianças de um único sentimento!!! Mas parece que certos corações precisam quebrar para saber o verdadeiro sentido da palavra "dor"...
Nesse mundo, não há quem saiba explicar o que é o amor. Mas de uma coisa podemos ter certeza: ele não veio aos nossos corações à passeio; ele veio para fazer com que aqueles que não sabem o sentido da vida possam ter uma razão para viver... ALGUÉM PARA AMAR!!!! 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Clipoema: Tenha dó

Posto hoje um clipe do poema “Tenha dó”, do quinto livro “Eu e outras províncias” (2008), de minha autoria. Animado no estilo stop motion a partir de fotos tiradas por Juliana Guida Maia, o clipe foi produzido e protagonizado pelo próprio poeta Carlos Brunno S. Barbosa, quando este visitava São Pedro da Serra, distrito de Nova Friburgo. O poema brinca com a sensação melancólica meio bossa nova que quase todo poeta passa em sua trajetória lírica. Abaixo do vídeo, está o (micro)poema inspirador.



Tenha dó

Meu coração é um violão de uma corda só.
Não tem ré, não tem si - só tem dó, tem dó de mim.
E ele toca assim: dó, dó, dói, down em mim...

Solidões compartilhadas: A solidão no sereno dos olhos de Fátima Machado


Hoje compartilho minhas solidões poéticas com a professora e amiga teresopolitana Maria de Fátima Pereira Machado. Após muita insistência minha (imenso lirismo não deveria ficar escondido nas gavetas do esquecimento), Maria de Fátima aceitou ceder um de seus poemas ocultos em seu armário lírico. Nesses tempos chuvosos, a escritora declara que traz dentro de si “poemas em gotas” e busca transmitir a todos alguma mensagem de solidariedade e esperança. 
Em sua estréia no blog, Maria de Fátima nos traz uma solidão pouco explorada ainda nessa seção: a solidão do outro, a solidão daqueles que vivem ao relento e precisam de nosso apoio, um grito sussurrado, um apelo para que nos tornemos mais humanos e menos egocêntricos, um poema para ler e pensar:    

Amigo, que fazes aí no sereno?
Não tens lar por isso fazes da rua tua casa?
A calçada-cama é desconfortável
Mas convidativa depois do trago fatal que te jogou aí...
O vento te nina.
Dormes encolhido como se tivesses medo de roubarem teu sono...
ùnica coisa que tens.
Os homens bem vestidos não te admiram... te criticam
Não querem saber que tu és ser humano,
necessitando só de um apoio para te levantar.
Só hoje, amigo, pensei em ti demais.
Te tornando poesia integrante de uma vida que é minha,
mas é muito mais tua.
Eu falo de dor
E tua vida é uma ferida mal curada
que só uma gota de remédio pode sarar:
A compreensão...
Coitado de ti, amigo!


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Poemas nocivos: Parabéns, Mickey Mouse!


Hoje descobri que Mickey, a grande criação que tirou o desenhista estadunidense Walt Disney da miséria absoluta para o império milionário da Disneylândia, fez 84 anos. E assim como Walt Disney ascendeu a um dos mais altos reinados da animação, os Estados Unidos também se tornaram uma potência mundial a ser constantemente e desastrosamente imitada pelo nosso soberano Brasil. Graças a essa submissão ao império norte-americano, hoje somos considerados a sexta maior potência econômica do mundo, apesar de todas as mazelas que assolam nossa terra gentil. 
Lembrei-me também que hoje é aniversário de meu amigo Teco, que adorava cantarolar a música “I started a joke”, da banda inglesa Bee Gees (depois, regravada pela banda Faith No More), cuja tradução dos versos iniciais é mais ou menos isso: “Eu comecei uma piada / Que fez o mundo inteiro chorar / Mas eu não vi / Que a piada era sobre mim”. Descobri que a canção favorita de meu amigo fez parte da trilha sonora da novela “Beto Rockfeller” (exibida de novembro de 1968 a novembro de 1969), de Cassiano Gabus Mendes, produzida pela extinta TV Tupi (nome mais brasileiro para uma emissora impossível rs), cujo personagem principal era um charmoso representante da classe média baixa que se fazia passar por milionário para penetrar na alta sociedade paulista. 
Pensando no império da Disneylândia, em Beto Rockfeller e na grande brincadeira internacional de tratar o Brasil como um país emergente e super-desenvolvido, deixando de levar em conta os alarmantes índices de pobreza, corrupção, desigualdade social e desvalorização dos profissionais da educação de nossa infame mãe gentil, fiz uma meio paródia com a música “I started a joke”, dos Bee Gees. Eis meu poema-piada-sem-graça em descomemoração aos 84 anos do simpático e milionário camundongo estadunidense Mickey Mouse, dedicado a todos os donos do poder, que continuam irreverentes com suas podres piadas governamentais:

Saudações emergentes ao velho amigo 
podre de rico Mickey Mouse
(ou Eu fiz uma piada muito sem graça)  

Mickey, eu fiz uma brincadeira contigo
e você levou a sério,
fingiu ser meu amigo
e agora a piada sou eu.

Ah, Mickey, eu era só um fanfarrão
e você politicamente correto,
conhecedor do mundo inteiro,
entrei pra sua galera
e agora todo mundo me trata bem,
tenho tantos amigos falsos quanto você.

É, Mickey, você está envelhecendo
e perdendo a graça,
mas continuam os mesmo tapinhas nas costas,
o mesmo jeito estúpido de ser
e eu sigo seus passos;
sou tão rato quanto você.

Mickey, eu sempre fui seu amigo,
enriquecendo em seu lixo,
imitando você
e todos me acham bonito,
então escondo meus podres como você.

Sim, Mickey, eu fui brincar contigo
e caí na sua ratoeira de ambição e prazer.
Nossos falsos amigos me felicitam:
“que lindo camundongo rico fizeram de você!”

Mickey, eu fiz uma piada comigo mesmo
e todo mundo gostou, inclusive você,
sou seu novo rato emergente,
irreverente e nocivo,
desenvolvido e fingido,
podre de rico,
roendo seus queijos corrompidos
sem convencer;
a mais nova piada dos buracos estreitos
de seu podre poder!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poema embaralhado: Rosana

O verão de 2012 varia entre calores extremos e grandes tempestades, sorrisos de sol e céus cinzas. Diante da variabilidade do tempo, uma opção de muitos que possuem férias em janeiro e nem sempre possuem capital pra viajarem e gastarem a todo momento - ou seja, não possuem verbas públicas políticas para desviarem e fazerem uma caderneta de poupança no exterior - são os jogos virtuais e/ou entre amigos. Entre um dos maiores vícios dos jogadores em férias ociosas está o jogo de baralho (buraco, bisca, mau-mau, etc), do qual sou adepto, exageradamente adepto, tanto que fiz um poema em homenagem ao carteado, seu ritual de perdas e danos e a uma amiga virtual e grande parceira de buraco que conheci virtualmente (o nome dela é Rosana e jogar com ela é vitória quase garantida - não recomendo a aficionados por vitórias que joguem contra ela, a menos que queiram conhecer o doce fel da derrota rs). Para os fãs de baralho desse início de velho ano novo, para os amadores e experts dos jogos que a vida nos dá, um poema inédito com velhos temas:


Rosana



Amo a madrugada, porque nela encontro você
brilhante, geniosa e ousada,
jogando sobre a mesa as cartas marcadas
de um jogo que só você sabe fazer.
Os astros se perdem no céu extenso
enquanto meus olhos devoram a silhueta sutil
de seus seios no vestido preto (perco meu senso
estratégico, me perco em delírios, estou febril...
uma lua se esconde nos seus trajes noturnos,
é dama da noite com seu baralho sedutor
cheio de canastras sem pudor).
Perder ou vencer... meus olhos soturnos
já não veem as possíveis jogadas,
é a dona do jogo, perco mais uma rodada
pra você...
Então virá outro jogo, você voltará à mesa,
dona da triunfante beleza,
você virá e mais uma vez irei perder...
me perder... mais uma vez...
me perder em você!...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Poema em retratos: Álbum de família

Hoje é o Dia Nacional da Fotografia e do Fotógrafo. Em homenagem a isso, posto o poema "Álbum de família", publicado em meu quarto livro "O último adeus (ou O primeiro pra sempre)" (2004). O texto homenageia aquele antigo artefato (hoje quase sempre as fotos são colocadas em efêmeros álbuns virtuais; poucos ainda cultuam a prática de colocá-las em álbuns), que, em nossa adolescência, morríamos de vergonha quando nossos pais e avós cismavam de mostrá-los às visitas e que, em nossa fase adulto, olhamos com certa nostalgia, morrendo de saudades das auroras de nossas vidas. Dedico esse poema a todos os fotógrafos, profissionais ou amadores - incluindo aquele tio pentelho que sempre pede pra tirar uma fotinha em toda reunião de família -, que dedicam-se a registrar em uma imagem aquilo que não conseguiríamos descrever em mil palavras.



Álbum de família



Eu vi os olhos maternos derramarem lágrimas felizes
ao sentirem o milagre da vida se concretizar
após nove meses de espera.


Eu vi as palavras nascerem dos lábios imaturos
como flores que só se abrem quando sentem
o sorriso incomum da primavera.



Eu vi os livros humanos cuidarem dos olhos estudantis
com apenas um giz, um quadro negro e um objetivo:
educar os sonhos de seus aprendizes.



Eu vi o batom vermelho engolir a boca da timidez efêmera
acelerando promessas que não poderiam ser cumpridas
nascendo do primeiro amor a primeira mentira.



Eu vi anjos urbanos queimarem suas frágeis asas
pra se entregarem aos prazeres ilusórios
dos vícios capitais.



Eu vi demônios se regenerarem dos males que fizeram
ao julgarem que o mundo giraria
em torno de nossos egocêntricos desejos.



E agora eu não vejo mais
(uma poeira do tempo cai sobre meus olhos
cada vez que chego na última página do álbum de família).



Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...