sexta-feira, 25 de março de 2016

Solidões Compartilhadas Drummondianas: Uma Noite do Eu Lírico de Gaby Ferreira com Drummond

Parece que foi ontem, mas aconteceu há algum tempo atrás: o ano era 2010, eu lecionava na Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, na região rural de Teresópolis/RJ (naquela época, nem se fazia ideia de que, em menos de um ano depois, as trágicas chuvas de janeiro de 2011 inundariam a escola e mudariam os rumos de nossos sonhos) e decidi trabalhar poemas do Poeta-Maior Carlos Drummond de Andrade com os poetalunos do nono ano da escola. Após apresentar-lhes os poemas do mestre itabirano, pedi aos escritores-alunos que fizessem uma redação (crônica, prosa poética ou conto) sobre Drummond. Foi mais um dia mágico (sim, tive muitos dias mágicos com aquelas turmas) de produção textual drummondiana - cada artistaluno brindou meus olhos leitores e outrora fatigados com um texto em prosa lírico e renovador, um mais fodástico que o outro. Enviei diversos deles para concursos literários, mas eles jamais ganharam uma honraria sequer - fato que julguei injusto, pela extrema qualidade dos textos. Mantive-os guardados em pastas e em arquivos no meu computador.
Gaby Ferreira
Atualmente, Gaby Ferreira
também dedica-se à música
Um dos autores desses fodásticos textos inspiradíssimos em Drummond foi Maria Gabriela Ferreira, que reencontrei, há alguns dias, virtualmente, através da rede social facebook com o nome Gaby Ferreira (na verdade foi Gaby quem me encontro e me deu a honra de adicioná-la e reencontrá-la ao menos virtualmente). Foi uma espécie de sinal: vi como um momento oportuno para trazer à tona alguns dos fodásticos textos drummondiano que guardei por tanto tempo. Pedi a Gaby Ferreira e ela me permitiu que eu publicasse o texto dela aqui no blog. Hoje compartilho pela primeira vez minhas solidões poéticas com essa escritoramiga eternamente talentosa, Maria Gabriela, a Gaby Ferreira - amigos leitores, vocês terão o privilégio de ler uma das fodásticas prosas poéticas (no caso de Gaby, bem metapoética, pois reflete fodasticamente sobre o próprio ato de escrever, como Drummond curtia fazer) em homenagem a Drummond (e, é claro, esperamos outros fodásticos textos de GAby Ferreira num futuro não muito distante!)
Fascinem-se, amigos leitores, com a fodástica noite que o eu lírico de Gaby Ferreira teve com Drummond!

Uma noite com Drummond

Certa noite tive um  sonho, e, nesse sonho, me encontrei com você, Drummond. Ouvi você suspirando e seus suspiros surgiam como inspiração que entraram em minha mente e alimentaram a minha alma, mas você nada me dizia...
Na noite seguinte, tornei novamente a sonhar com ele e assim foram as três semanas seguintes: todas as noites, eu dormia e lá estava ele, mas nem uma palavra.
Então resolvi  perguntar para aquele  estranho e misterioso homem porque não falava. Ele me respondeu que as palavras não podiam simplesmente ser ditas, mas sim, examinadas, reescritas e  inspiradas, que pudessem ser entendidas e compreendidas de forma  diferente.
Acordei e vi que não serei poeta se as palavras forem jogadas ao vento, não serei poeta  se profanar as palavras, palavras ao vento não comovem ninguém. E o mundo não é mundo, se as palavras não fizerem sentidos.
Depois disso passei a ver a vida por outro ângulo, comecei a pensar antes de escrever, de falar... Palavras, só por palavras, não valem a pena serem ditas...
A palavra tem que  penetrar, ser compreendida e amada, pois, de todos os sentidos, o maior são as palavras. Palavras que encantam, palavras que comovem, que dão vida, vida a um poeta que será eterno...

terça-feira, 22 de março de 2016

Solidões Compartilhadas: Cachoeiras de Amores e um Mar de Letras na Poética de Jammy Said

Yeah, amigos leitores, os deuses das artes ouviram minhas súplicas e finalmente, após muitos pedidos, a divartistamiga niteroiense Jammy Said me permitiu que eu compartilhasse aqui no blog alguns de seus encantadores e fodásticos poemas. Artistativistamiga múltipla (ela é bailarina, empresária, professora de danças, poetisa, escritora, atriz, assessora de artistas, produtora e ativista cultural!) e com uma agenda frenética de eventos dos quais participa intensamente, Jammy se destaca em diversas áreas da arte, como dança, poesia, entre outros, e traz em sua poética essa magia lírica, essa multiplicidade de temas e sentimentos, esse ritmo vibrante, essa caminhada incansável pelos mais belos mares de letras, amor, paz e harmonia.
Para apresentar-lhes um pouco dessas mil facetas poéticas de Jammy Said, compartilho 3 fodásticos poemas de sua autoria: o primeiro, intitulado “Mar de Letras” é um metapoema (ou seja, um poema que fala sobre o próprio poema, sobre o fazer poético) que revela os caminhos líricos imaginados e traçados pela escritora; o segundo, cujo nome é “Rabiscos inacabados” traz um eu lírico derramado em múltiplas sensações, reflexivo com a passagem alucinante do tempo, diante de um porta-retratos que lhe remete a tempos passados, que não voltam mais (deixando assim a impressão de incompletude, como se o eu lírico tivesse apenas rabiscos inacabados de si – neste segundo poema, vemos versos extremamente longos e confessionais, bem ao estilo de Álvaro de Campos, heterônimo do consagrado poeta Fernando Pessoa, abordando o tema da efemeridade do tempo, tema este consagrado em poemas como “Retrato”, da também poeta e diva Cecilia Meireles; o terceiro, chamado “Meu segredo” traz um eu lírico de peito aberto – em contraponto ao título, o que sugere a revelação de algo outrora oculto – em intensa confissão amorosa (curiosidade: segundo a própria autora, o poema foi dedicado a um “amigo, um ex namorado, mas uma amizade eterna de almas que se admiram, se respeitam”).
Além dos 3 poemas, divulgo três vídeos da múltipla artistativistamiga Jammy Said, na qual ela demonstra seu outro dom: a arte de fascinar, de encantar a todos com sua dança e poesia vibrantes e apaixonada pelos diversos caminhos da arte. Os vídeos, postados após os poemas, foram ‘roubartilhados’ do canal de Jammy no Youtube (segue o link para os leitores se inscreverem e poderem curtir outros encantadores momentos líricos da divartistamiga: https://www.youtube.com/channel/UChtB252lzY8tbmwpdbKOcCQ/videos?sort=dd&shelf_id=0&view=0 ).
Naveguemos nossos olhos, amigos leitores, pelas intensas cachoeiras de amores e pelo maravilhoso mar de letras da fodástica divartistamiga Jammy Said!

Mar de Letras   (Jammy Said)

Entre Encantos e Magias a Dona Poesia reina Absoluta
Com Amor, Paz e Harmonia.
Viva a Deusa da Poesia
Na Correnteza de Letras em um Rio sem fim...
Cascatas de Flores ao redor dos Jardins.
Cachoeiras de amores e um Mar de Letras com cheiro de Jasmim.



Rabiscos inacabados      (Jammy Said)

Lágrimas teimam em rolar na minha face como se fossem diamantes.
Lágrimas Cristalinas...
Minhas mãos não são as mesmas ao escrever.
Elas tremem, sinto o calafrio do tempo.
Ah, o tempo!
Rabiscos inacabados no papel...
Lembranças de poemas escritos nos livros meus,
Lembranças de frases inteiras e outras tantas esquecidas e perdidas no tempo.
Procuro no vazio de minha mente as lembranças de outrora e só encontro o passado no meu mundo tão presente.
Fecho os olhos das lembranças e acordo na Fantasia do Mundo Real.
Esqueço nomes, histórias, pessoas e lugares.
Mas estou presente...
Em pouco tempo que me resta nas minhas lembranças existe como Poesia no meu dia.
Declamo poemas inteiros, lembro de nomes, pessoas e lugares.
As lágrimas começam novamente a rolar na minha face... Mas um sorriso ilumina meu rosto cansado que o tempo fez rugas.
Me olho no espelho e me reconheço. passo as mãos no meus rosto e vejo minhas mãos enrugadas com manchas que o tempo deixou..Olho meu rosto não e mais o mesmo e vejo marcas que o tempo perpetuou.;. Minhas pernas já não me obedecem...
Meus cabelos parecem nuvens brancas e macias como algodão.
Só por uns instantes vejo o porta-retratos na mesa: cabelos negros como a Noite, olhos iluminados como sol, pele macia e jovem e só por uns instantes o tempo me permite as lembranças.
De repente... Não mais que de repente...
Uma névoa passa nos meus olhos, a caneta cai das minhas mãos, o rabisco fica no papel, eu olho para o porta-retratos e as lembranças do tempo se foram.
Volto a olhar o infinito com olhos lacrimejantes de saudades com pensamentos vazios que o tempo roubou.
Em algum lugar da mente ainda estou ali.
E agora quem sou?



Meu Segredo (Jammy Said)

Você é meu passado tão presente, sem querer entrou na minha mente deixando saudades.
Nosso segredo que guardamos
no coração sem medo.
Quantos anos de espera e distância que nos separam e a ansiedade da espera.
Foram tantos desencontros...
mas sempre perto nos pensamentos e nos sonhos nos encontramos.
Sei de seus anseios, desejos e segredos.
A vida e uma caixinha de surpresas.
Sempre nos surpreende em formas inusitadas de reencontrarmos.
E não importa se você não bater na minha porta,
seu rosto esta desenhado nas nuvens.
Quando abro minha janela, vejo você me olhar
e o vento chega de mansinho, é você que vem me abraçar.
Nosso amor é real, já ultrapassou os limites da Fantasia...
Vivemos um amor de Encanto e Magia.



Vídeos de Jammy Said:




segunda-feira, 21 de março de 2016

Solidões Compartilhadas: O Amor e a Luz no Lirismo Fascinante de Laryssa Barrozo

Na última sexta-feira, início da tarde, logo após sair do SESC-Teresópolis/RJ, onde havia comprado ingresso para a peça “O incansável Dom Quixote”, reencontrei a  genial poetamiga Laryssa Barrozo, ex-poetaluna da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva – onde leciono – e agora jovem poeta do mundo. Na verdade, quem me reencontrou foi ela, pois foi ela quem me chamou a atenção enquanto eu rumava distraído para fora do SESC. Ainda bem que conseguimos nos reencontrar, pois, sem revê-la e pedir-lhe a permissão de publicar alguns poemas dela – que ela (yeah!) aprovou tranquilamente, as solidões compartilhadas de hoje ficariam engavetadas até que eu conseguisse contato com a fodástica artistamiga.
Hoje trago dois poemas super-fodásticos de Laryssa Barrozo: o primeiro, intitulado “É você” tem razão por estar em tal posição – foi um dos primeiros que ela me entregou, para fascínio de meus olhos sempre em busca de poemas tão bem elaborados e emocionantes como este (salvou minha visão de um dia cansativo, sem emoção e sem poesia); o segundo, intitulado “A luz dele” foi escrito por ela na sala de aula, quando a turma dela – na época, o 9.º A – votava para eleger o melhor poema (cujo tema era luz) dos oitavos – Laryssa mostrou-se extremamente exigente com a qualidade dos poemas votados, a ponto de expor sua opinião na classe, o que fez um outro aluno desafiá-la a fazer melhor (pronto! Jamais desafie uma talentosa poeta: ela fez o poema “A luz dela”, fato que me deixou super-feliz com o final da peleja verbal, pois, no fim das contas, quem ganhou [e muito!] foi a arte de sublimar as discussões em fodásticos poemas!). O poema “A luz dela” ficou tão bom que até foi escolhido para fazer parte de um dos curtas-metragens do “Luz, Câmera...Alcino!”, com marcantes interpretações de Ana Gabriela Medeiros e João Paulo Costa e participação especial de Daiana Vieira, que, finalmente, vai ao ar hoje no youtube e é compartilhado mais abaixo, juntamente com os dois poemas citados.
Falando em “Luz, Câmera...Alcino!”, lembro que, em breve, retornaremos com novos vídeos neste ano e também me recordo de que Laryssa Barrozo já participou de peças e vídeos marcantes durante os anos em que ela fez parte do grupo, por isso, também resolvi postar novamente dois desses vídeos: a peça feita em homenagem ao aniversário de Teresópolis e encenada nas festividades realizadas na Escola Municipal Neide Angélica, em 2011 (sim, Laryssa ainda estava no primeiro segmento e já brilhava nos palcos teresopolitanos ao lado de Diana Paim, Thaynara Lima, Vanessa Olveira, Mayara Silva, Jéssica Reis, Andriele Vieira, Natania Souza, Maiara, Stefanni Amaral e cia) e outro mais recente, inspirado na canção “Os Barcos”, de legião Urbana, e poema de Daphine Quintanilha (nesse segundo vídeo, um dos primeiros produzidos no ano passado, Laryssa é a protagonista abandonada pelo personagem interpretado por João Paulo Costa).
Que nossos olhos tenham o privilégio de serem multiplamente iluminados pela imensa luz lírica da fodástica, versátil e talentosa artistamiga Laryssa Barrozo, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

É você (Laryssa Barroso)

É você que tem que ser meu namorado
É você que tem que falar não quando eu falar sim
É você que tem que me olhar até eu ficar sem graça

É você, meu pequeno,
Que me deixa sem ar só de te olhar
É você,  meu loirinho,
Que tira  minha concentração,
Que me faz bem só de estar ao meu lado.

É você que tem que ir atrás de mim
Quando eu falar que quero ficar sozinha
Pra me pedir um beijo
Quando eu estiver com raiva de você.

É você que tem que ficar comigo
Quando eu estiver sorrindo,
Quando eu estiver chorando por dores de cólicas
É você que eu escolho a partir de hoje
Para cair e levantar,
Aprender e errar comigo.

É você que tem que esperar o ônibus comigo
É você que tem que ficar com ciúmes
Mesmo sabendo que meu infinito só é completo com
Você.



A luz dele (Laryssa Barroso)

Eu só queria encontrar uma solução,
Uma luz,
A resposta para minha escuridão.

Uma luz maior,
Um amor maior,
Uma solução para esse sentimento,
Para esse vazio.

Achei o que queria encontrar
A luz,
A luz no olhar dele,
O som suave da voz dele,
Simplesmente a luz era ele.

A luz mais linda de se olhar,
A luz mais leve de se lembrar,
Mas tudo que brilha demais
Um dia vai se apagar.

A luz acabou,
Simplesmente apagou.
E tudo que tinha luz,
E todos os planos... tudo se foi!

Clipoema: 
Luz, Câmera...Alcino apresenta 
"A luz dela", de Laryssa Barroso
(2015)


Apresentação do Luz, Câmera...Alcino! no aniversário de Teresópolis
(2011)



Clipoema: 
A confusão da solidão no caminho dos barcos (Luz, Câmera,,,Alcino! Legionário)
(2015)


sábado, 19 de março de 2016

Análises Quixotescas Contemporâneas: Líder do PQP finalmente se pronuncia sobre a crise política no Brasil

Escultura de Dom Quixote
 (roubartilhada do link:
 http://www.artmajeur.com/files/amorelli/images/artworks/650x650/1588201_escultura-Dom-Quixote.jpg)
Por muito tempo, o blogueiro que vos fala evitou os assuntos contemporâneos que envolvem esse estranho planeta chamado Brasil – neguei-me a falar sobre esse inédito terceiro turno das eleições brasileiras, torci o nariz discretamente para as possibilidades de um segundo impeachment de presidente (diferente do primeiro, mais forçado por possuir uma espécie de criação condicionada de provas contra a nossa aparente governante maior) num período tão curto na História do país, observei preocupado, como um bom covarde de direita não envolvido no triste cenário corrupto caótico, o crescimento de manobras um tanto nebulosas para a restituição das forças conservadoras no poder e fiquei, como grande parte dos covardes de esquerda não envolvidos no triste cenário corrupto caótico, em cima do muro, esperando a tempestade passar. O problema que a tempestade não passa, não vai passar, enquanto não houver uma solução trágica – seja qual lado que articulá-la, esquerda, centro ou direita, qualquer solução será trágica, pois quem manda nesse caos todo, há tempos, são os poderosos, os que realmente governam este país (‘poder do povo’ é ‘meuzovo’; nenhum governante – seja de esquerda, centro ou direita – está preocupado conosco e, como os poderosos também cagam e andam pra eles, enquanto estes governarem pra deixar tudo como está, nada muda, por pior que esteja). Agora, nesse momento cutucados com vara curta – ou seja, em um cenário de crise econômica sem data prevista para acabar, questão que pode significar perda de lucros assombrosa -, os poderosos pedem, com rigores ditatoriais, aos roteiristas do espetáculo democrático um final de tragédia: ou o governo morre assassinado pelos seus ‘inimigos’ ou se mata. E o enredo para o final não importa aos poderosos – se terá viés forçado, fascista, ou romântico, pelo ‘bem da democracia’ -, as bolsas subiram porque especulam que o governo vai cair, então ele deve cair e pronto, quem aposta alto não aposta pra perder, 'fudeu' a porra toda, o final será trágico, seja qual for, e não é por causa da corrupção ou da busca de solução de problemas socioeconômicos milenares, tudo é por causa das apostas cada vez mais insanas do impassível e ao mesmo tempo cruel mercado econômico. Para os poderosos, não importa a corrupção ou a falta desta naquele que está sentado na cadeira presidencial (na verdade, todos sabemos como a ausência de corrupção é utópica, uma vez que todo ser humano é cada vez mais corruptível num sistema de busca selvagem por lucros, inclusive você, leitor, e eu, que usamos uma série de programas piratas para estarmos aqui conectados e parcialmente informados sobre toda essa loucura); para os poderosos, importa se o Robin Hood às avessas* (que rouba mais dos pobres para dar mais aos ricos) está exercendo corretamente esta maquiavélica função ou se já está desgastado demais para o papel e precisa ser substituído por outro Robin Hood às avessas. (Opa, agora, mais uma vez, abro um parênteses para evitar más interpretações: 1) Dilma é sim o Robin Hood às avessas da vez e não tivemos ainda em nossa história [e creio machadianamente que jamais teremos] alguém ‘eleito’ ou ‘colocado’ que não exerça esse papel [a menos que queira ser eliminado antes de a tragicomédia estrear para o grande público], ela só vai rodar porque sua interpretação no papel está desgastada e os poderosos – diretores da porra toda – acham melhor assim, a menos que ela consiga uma apresentação milagrosa e quase impossível; independente disso, ela, como todos os seus antecessores, está simplesmente exercendo o mesmo papel de outrora; 2) Sim, qualquer um que entrar vai ser o Robin Hood às avessas, deixemos de romantismo; desde o surgimento da democracia – criada com o significado de poder do povo apenas por estratégia genial de marketing - os poderosos sempre tiveram controle sobre os votos e decidem, de tempos e tempos, se darão uma imagem mais cretina ou mais romantizada do processo ‘democrático’ – negamos religiosamente isso como um dogma pra não nos conscientizarmos de nossa quase total inutilidade na marcha política, afinal, como todo figurante, queremos ser reconhecidos como grandes atores também, apesar que o papel que nos é dado continue sendo de figurante, ontem, hoje e sempre; 3) E também sim, os poderosos querem e vão continuar ganhando – no mundo do Capital, o Maior Capital sempre vence o menor capital, independente do que se conceitua como Bem e Mal; inventamos pequenas vitórias para nós, a plebe rude, porque todo ser humano possui o mecanismo do sonhar para não se atirar do décimo andar do primeiro prédio que encontrar; 4) E pior que sim, sou pessimista, porque a conjuntura é péssima e os poderosos que comandam evoluíram e estão cada vez mais péssimos – ser pessimista, mais que especulação, no momento, é o infeliz sinônimo de ser consciente e realista).
No caos de ânimos acirrados para ambos os lados (que, repito, são lados de uma mesma moeda imperialista), talvez o leitor procure em meu discurso uma tendência que me aloje na direita, no centro ou na esquerda – adianto que meu partido é o PQP, Partido Quixotesco Poético, e sabemos que ninguém foi e jamais será eleito nessa legenda partidária (por sinal, a arte, a cultura pouco importa em qualquer cenário, pois quem manda e quem sempre mandou nesse mundo é e sempre foram os poderosos e a arte sempre foi vista como mera distração e/ou incômodo menor, um ingrediente insólito e necessário, por isso sempre há ministério da cultura, secretaria de cultura, mas o poder deles é insosso; o poderoso o vê como lazer ou como uma máquina frágil de resistência que pode ser sucateada com um estalar de dedos e cada vez mais é menos valorizada pelo povo [e, mais uma vez, sem romantismos: se o povo valoriza menos a arte agora é porque os poderosos querem que a valorizem menos; quando estes últimos cismarem de valorizá-la mais {o que é muito difícil, pois a arte parece fazer voto de miséria, ou seja, completamente sã para os verdadeiros valores, mas objeto subjetivo perdido, rejeitado e ignorado pela cabeça do poder}). O que eu quero dizer com tudo isso (inclusive com os muitos pares de parênteses, colchetes e chaves) é que os troços e destroços de hoje, com os espetáculos de manifestações ‘populares’, prós e contras de impeachment, são capítulos traçados da nova velha guerra de poder e são montados e exigidos pelos poderosos milenares para dar maior dramaticidade às suas brincadeiras de especulações da bolsa e render um final trágico inexorável que vai render mais para eles e que, independente de qual fim final os roteiristas escolherem, o povo vai estar sempre ‘fudido’, pois independente de qual personagem for o protagonista, o papel é o mesmo: será um Robin Hood às avessas e abraçará os humildes para ficar mais próximo do bolso do povo.
A presidente (presidenta é ‘meuzovo’, com todo respeito a neologismos, este é um tanto desnecessário, por mais machistas que sejam as posições de poder) Dilma não é heroína ou mártir – é uma atriz que desempenhou o papel de Robin Hood às avessas e não agradou, não rendeu ao ibope, o que quer dizer que é vista como azarona no circo das especulações financeiras e vai rodar ou não vai rodar por isso, sendo corrupta ou não (fato que, já confessei machadianamente, utópico, pois somos todos, em pelo menos algum segundo da vida, corruptíveis). Sua manobra de colocar o Lula, investigado pela Operação Lava-Jato, como Ministro dela, poderia facilitar um julgamento mais rápido – afinal o ex-presidente seria julgado logo pela última instância – e evitar a novela-espetáculo a qual o juiz Sergio Moro estava escrevendo -, mas foi uma tentativa tardia e forçada de melhorar sua interpretação na tragicomédia escrita pelos poderosos (no primeiro governo dela, por sinal, ela, ignorando conselhos de outros atores mais sábios, também tentou uma apresentação inédita, diminuindo o poder do PMDB e este lhe deu de presente grego o cavalo de Tróia Eduardo Cunha como presidente da Câmara). Lula não é herói nem mártir – é apenas um ator que já desempenhou brilhantemente de forma ilusoriamente popular o papel de Robin Hood às avessas, que agora é de Dilma, mas que perdeu espaço entre os novos espectadores-especuladores, que não curtem reprises duvidosas e desejam um ator diferente, um rosto novo para fazer o velho papel de Robin Hood às avessas. Como todo ator consagrado e depois rejeitado, Lula convoca a plateia antiga, mas quem escala os atores não é o público e sim os diretores – os poderosos – e estes já não apostam mais nele (a menos que ele comprove rentabilidade maior na bilheteria, mas, proibido de entrar no palco, esta é uma opção inócua e também impossível, que, por enquanto, só serve para atirar às trincheiras um exército de torcedores desesperados com o rebaixamento iminente às peças de segundo escalão).   Sergio Moro não é super-herói – é apenas um ator mais convincente, enaltecido pelos roteiristas dos poderosos para acelerar o clímax da tragicomédia, e merece aplausos da plateia pelo xeque-mate que deu na protagonista ao divulgar as conversas pelo telefone grampeado de Lula, personagem e ator quase completamente condenado da nova realização da milenar peça tragieconômica. O verdadeiro papel de Moro no enredo não é voar pela cidade salvando as pessoas e lutando pelo bem maior – apenas foi um ator brilhante, que curte bastante os holofotes efêmeros do eterno justiceiro de aço, e descobriu no drama-judiciário-espetáculo uma forma de destacar seu personagem e tomar o protagonismo da nova versão da tragédia. O que dói nessa interpretação de Moro é seu ar megalomaníaco, que acaba atirando parte do público de encontro aos torcedores do exército considerado adversário, e, me perdoem, isso não faz dele um super-herói, mas sim um daqueles reis que, sentado confortavelmente em seu trono, guia os seus cavaleiros fiéis para ataques sangrentos a alvos ímpios determinados em prol de operações que teoricamente enfraquecem os atuais protagonistas do caos, mas que escondem alianças com novos protagonistas do caos. Os atores coadjuvantes do Legislativo são menos heróis ou mártires que todos os outros anteriores – são atores preocupados em se manterem no espetáculo, por isso veem com os roteristas – os poderosos – o que fazer: retirar a protagonista (leia-se impeachment) e pôr um novo ator mais talentoso ou (opção mais trabalhosa, ou seja, mais execrada) pedir uma revisão (leia-se diminuir o marasmo legislativo e votar reformas que satisfaçam os adoradores do Robin Hood às avessas) que permita um destaque para uma atriz já desgastada. Os coadjuvantes do Legislativo são tão responsáveis pelo fracasso da nova apresentação da tragédia quanto a protagonista e até possuem uma caracterização mais repugnante que esta, mas, como atores medíocres, querem é salvar seus papéis.  Em resumo, ninguém é herói, mártir ou vítima, é só mais uma peça do gênero tragédia que tanto agrada os clássicos diretores (leiam-se poderosos de ontem, hoje e sempre). Tanto faz o final do espetáculo, pois o rendimento está garantido com ou sem bom entretenimento, os protagonistas sempre serão os Robins Hoods às avessas (os atores mudam, mas ninguém toca no roteiro da peça) e que vença a melhor aposta, o especulador poderoso mais poderoso.
E é nesse ponto que chego ao olhar do PQP (Partido Quixotesco Poético – não vote na gente; a legenda já foi fundada fundida pra se fuder): no romance “Dom Quixote”, de Cervantes, numa das desventuras do alucinado, lírico e sonhador protagonista, Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura, confunde um bando de ovelhas com um exército poderoso de soldados e atira-se pateticamente contra elas a ponto de tropeçar e se arrebentar todo (por sinal, essa cena pode ser assistida na hiperinteressante versão-monólogo “O incansável Dom Quixote”, magistralmente interpretada pelo ator Maksin Oliveira [tive o privilégio de ser um dos “desocupados espectadores” dessa maravilhosa peça, apresentada ontem, no Teatro do Sesc/Teresópolis]). Depois da violenta investida vã e mesmo sendo lembrado por Sancho Pancha de que o tal exército não passava de um bando de ovelhas, Dom Quixote mantém uma versão louca de que uma bruxa transformou as ovelhas em soldados e, depois do ataque, transformou os soldados novamente em ovelhas. E aí o leitor me pergunta: “E daí? Está chamando a gente de quixotescos?” Não, caros amigos leitores, o olhar quixotesco, como eu já disse, é o meu. A grande pergunta quixotesca minha é: ao ver as ovelhas como soldados, Dom Quixote havia dado mostras de loucura ou de lucidez? Atores da tragédia já ensaiada e bruxos da mídia de todos os lados – esquerda, centro, direita -, coreógrafos dos diretores – dos poderosos – não declaram, mas veem e sempre viram a plebe plateia como ovelhas que podem funcionar como soldados para dar um ar interativo ao espetáculo. O problema que, diferente do episódio de Dom Quixote, nós somos ovelhas-soldados atacando umas às outras em todo espaço que nos é congestionado, enquanto os pastores do caos – com todos os duplos significados – nos observam de longe, ganham e continuam ganhando muito, enquanto se divertem, como bons tiranos romanos, com nossos duelos na arena. A tragédia já está ensaiada, amigos leitores, e, seja qual for o final, será trágico para nós e beneficiará sempre o surgimento ou ressurgimento de mais um Robin Hood às avessas. Só peço a mim mesmo e a todos nós o fim desse Romantismo (escola literária do século XIX, aparentemente não superada, mas já bastante arcaica) desmedido, visto ora com ingenuidade de ovelha, ora com armas de soldado; que continuemos buscando as causas perdidas, mas, por favor, que não tornemos a tragédia mais sangrenta – esquerda, centro ou direita tá pouco se ‘fudendo’ com a gente que se fode todo dia -, divergências de utopias fazem parte, mas não transformemos as ruas em arenas, não sangremos por aqueles que jamais sangraram por nós, como se tais fdp de esquerda, centro ou direita fossem mártires ou heróis (eles nunca foram e, me dói dizer, amigos do PQP, nem nunca serão, a menos que os alienígenas – os donos do poder, os poderosos – algum dia [ah, doce e cansada utopia!] nos aceitem como seres do mesmo planeta que eles). Seja qual for o final, sempre perdemos e estamos cansados de saber (dá até dor de cabeça lembrar disso e buscar um lado pra se refugiar, mas é uma merda em outra merda, escolher defender qualquer lado que não lhe defende é apenas mais uma maneira de se drogar, se anestesiar). Só não se matem, amigos leitores, não nos matemos em vão, nem estraguemos a liberdade de pensar diferente, não façamos como os poderosos que já trazem uma tragédia única, uníssona, há séculos, só mudando os seus fantoches-atores; é a única coisa que eu, como líder da PQP que paradoxalmente nada lidera sem liderar nem mesmo o nada, peço: paz (que seja paz pensada, e não medo) – que a tragédia ensaiada tenha um final menos sangrento para nós, culpados sonhadores inocentes que jamais foram historicamente inocentados. Não gosto desses temas sisudos, até porque despertam fúrias adormecidas e são vítimas de diversos e perigosos fanatismos, mas precisamos acordar para a outra vida – a que vai muito além de uma simples (porém gravíssima) rixa e crise política: a sobrevivência e liberdade de nós mesmos, como seres pensantes, tentando manter dignamente nossa existência num mundo governado por seres poderosos que se acham de outro mundo e só nos usam e maltratam em suas tragédias ensaiadas.

*A ideia sacana de se considerar Robin Hood por roubar mais os pobres para dar mais aos ricos foi apresentada pelo protagonista inescrupoloso do filme "O Capital" (2012) de Costa-Gavras.

domingo, 13 de março de 2016

Leia esta Canção: Abençoada seja a Benção de Carina Sandré e Thiago Fernandes!

Ela fez aniversário ontem e hoje traz um presente ao blog: estou falando da divartistamiga Carina Sandré, mais-que-fodástica cantora voltarredondense, grande parceira e ativista cultural. A convite dela, pude dividir o palco com ela em diversos shows – por sinal, ela é uma das poucas cantoras da região que investe nestas parcerias de shows musicais não só com música, mas também com dança e poesia; é diva e espalha amor, humildade e brilhantismo em tudo que se dispõe a fazer e, no universo cultural tão soberbo e egocêntrico da atualidade, Carina reluz como joia rara, como estrela sublime e solitária [apesar de ser flamenguista, se não me engano rs]. Na última semana (hoje, domingo, e anteontem, sexta-feira), fez, segundo artistamigos que assistiram, dois mais-que-fodásticos shows (o que não é novidade: TODO SHOW que Carina Sandré faz e/ou participa pode ser avaliado entre MAIS-QUE-FODÁSTICO, SUPER-FODÁSTICO e FODÁSTICO-PRA-CARALEEOO) no Teatro Gacemss, durante o Festival de Festival de Artes Integradas do Jornal Olho Vivo. Infelizmente, não pude estar com a divartistamiga, mas tenho certeza de que, devido às minhas ocupações do fim de semana, perdi dois hiper-fodásticos eventos.
Hoje, pra resgatar as postagens musicais do blog e abençoar esse início de semana, divido minhas solidões lírico-musicais com a mais-que-fodástica canção “Bença”, excelentíssima composição de Thiago Fernandes, divinamente interpretada pela divartistamiga Carina Sandré. Em tempo: a canção “Bença” conquistou com todos os méritos o Troféu do Prêmio Olho Vivo 2015 na Categoria Canção – yeah, os deuses da boa música aplaudem de pé essa grandiosa vitória. A letra da música “Bença” resgata elementos importantes de nossa cultura: as benzedeiras, as simpatias, as crenças, o mundo fantástico e fascinante das devoções populares. O ritmo da canção se harmoniza com a letra nesta operação de resgate, trazendo para o século XXI o tradicional e abençoado samba-canção, ritmo secular, popular e eternizado nesse mundo maravilhoso de benzedeiras, ladainhas, simpatias, mandingas, fascinação e devoção.
Abaixo, compartilho a letra e o clipe da mais-que-fodástica canção “Bença”, composta por Thiago Fernandes e interpretada pela divartistamiga Carina Sandré. Parabéns a Carina Sandré, a sua banda e a Thiago Fernandes. E obrigado pelo maravilhoso presente lírico-musical para os olhos, ouvidos, alma e coração.
Juremos, curemos e mantenhamos nossa pura devoção pela divina arte, amigos leitores!

Bença
Compositor: Thiago Fernandes
Intérprete: Carina Sandré

Ôôô…

Oh benzedeira do galhinho de arruda
Me acuda, tira toda essa minha aflição
Se é mau olhado, rebento mirrado, ovo virado
Oh rezadeira dai-me solução

E murcha galho, olha a ladainha pra Virgem Maria
Erva de beber, erva de efusão
Sai dessa porta menina
Que o mal trespassa o batente
Segura firme nesse terço então

Oh benzedeira do galhinho de arruda
Me acuda, tira toda essa minha aflição
Se é mau olhado, rebento mirrado, ovo virado
Oh rezadeira dai-me solução

E murcha galho, olha a ladainha pra Virgem Maria
Erva de beber, erva de efusão
Sai dessa porta menina
Que o mal trespassa o batente
Segura firme nesse terço então

Ramo lá no mato
Corta o mau olhado
Quebra esse quebranto
Bença, crença, densa oração

Copo d´água vela
Retira essa mazela
Afasta essa agrura
Jura, cura, pura devoção


Ô ô ô



sexta-feira, 11 de março de 2016

Solidões Compartilhadas: Vânia Camacho abrindo o coração dos eus líricos, com angústias e nãos

A poetamiga com quem compartilho minhas solidões poéticas no blog hoje, apesar de jovem, é uma velha conhecida do blog, pois já apareceu por aqui com vários poemas fodásticos em diversas solidões compartilhadas: o seu nome é Vânia Camacho, um dos maiores talentos teresopolitanos a quem já tive a honra de ter dado aula e ler em primeira mão diversos de seus poemas.
A postagem que faço hoje em sua homenagem está ao mesmo tempo atrasada e adiantada. Explico: Vânia Camacho fez aniversário no dia 08 de março, o Dia Internacional da Mulher, e, consequentemente, sua presença no blog já era certa nas postagens dessa semana e da próxima, às quais dedicarei em homenagem a grandes artistamigas, em comemoração ao dia 08 de março, porém, como eu fui convidado para um evento cultural em /RJ nesta semana (daqui a pouco, a partir das 18h), preferi guardar a postagem e só publicá-la depois de gravar e editar eu declamando alguns poemas dela no evento que participarei. O plano parecia perfeito, mas falhei no planejamento da execução: como eu tinha guardado como surpresa, acabei fingindo ignorar o dia do aniversário de Vânia, o que deixou a poetamiga super-chateada, e acabei tendo que contar a homenagem que eu secretamente planejara para ela. Para compensar a gafe lírica, hoje antecipo parte da postagem e publico dois poemas da mais-que-fodástica Vânia Camacho, jovem poetamiga, velha conhecida e super-querida do blog, dona de um lirismo hiper-vibrante e produtora febril de fodásticos poemas. Bem, espero que a Vânia me perdoe a gafe... Não foi minha intenção chateá-la e sim lhe dar um presente-surpresa lírico
E lembrando: março começou e a tour lírica do poetamigo que vos fala será reiniciada. A convite da divartistamiga Jammy Said, estarei no Evento Cultural Encontros (Comemoração do Dia das Mulheres)- Café Com Talentos no Gut Café, no dia:11/03/2016, a partir das 18 h, no Gut Café em Icarai - Rua Sete de Setembro,131 Niteroi/Rj. Com Cyber Café/Wi-Fi, Biblioteca e Galeria de Artes). Já separei alguns poemas com eu lírico feminino para representar o Sarau Solidões Coletivas de Valença nessa maravilhosa festa lírica (e quem quiser adquirir os meus livros mais recentes "Bebendo Beatles e Silêncios" e "Foda-se! E Outras Palavras Poéticas", pode comprar comigo durante o evento) e,além deles, declamarei alguns poemas da jovem e consagrada poetamiga Vânia Camacho! Quem estiver por perto, venha curtir junto conosco este fodástico evento lírico!
Enquanto isso, amigos leitores, curtam mais alguns dos fodásticos poemas da jovem Vânia Camacho – garanto que ficarão tão fascinados quanto eu com o vibrante lirismo dessa jovem e talentosa poetamiga!

Digo que não

Digo que não estou te amando,
Mas, na verdade,
Estou me enganando.

Digo que não significou nada,
Mas admito:
Estava enganada.

Digo que não quero mais voltar,
Mas tudo o que espero
É você novamente me chamar.

Angústia

Angustiada, presa, trancada,
me sentindo sozinha
sem saber que caminho seguir.

As lágrimas caem,
O choro vem,
Ninguém pode saber,
Ninguém pode ver.

Minhas forças se foram,
A noite fria toma conta de mim,
Meus sonhos adolescentes se vão;
Só o que eu quero é sumir!

terça-feira, 8 de março de 2016

Veja esta Canção: Dani Carmesim Fazendo das Tripas Coração

Yeah, amigos leitores, o blog está super-lírico-musical nesses dias e, como não poderia ser diferente, hoje, no Dia Internacional da Mulher, divido minhas solidões poéticas com a renomada e mais-que-fodástica divartistamiga pernambucana Dani Carmesim, musa-diva da música independente brasileira.
Cantora experiente, com 3 álbuns lançados (o grupo Luz, Câmera...Alcino!, que dirijo na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, já fez um clipe da canção “Insight”, do álbum anterior da cantora [“Tratamento de choque”] – e pode ser visto na postagem do seguinte link: http://diariosdesolidao.blogspot.com/2012/11/luz-camera-alcino-apresenta-insight-de.html ) e há muito tempo (e muitos prêmios) na luta pela música independente de qualidade, Dani Carmesim traz em suas letras versos rasgados, viscerais, com múltiplos significados e temáticas que fogem do lugar comum. Um dos exemplos mais recentes é a mais-que-fodástica canção “Das tripas coração”, que dá nome ao terceiro álbum de Dani Carmesim (o álbum pode ser baixado no seguinte link: http://www.mediafire.com/download/p5u9ose49zj792s/Dani+Carmesim+-+Das+Tripas+Cora%C3%A7%C3%A3o+%5B2014%5D.rar ). Nessa canção, Dani retoma a expressão popular “fazer ‘das tripas coração’” e a ressignifica ao misturar o sentido figurado com o sentido literal (o peito aberto, rasgado pela impunidade, revelando o corpo dilacerado, das tripas coração).
Nesta postagem, trago a fodástica letra da canção “Das tripas coração” e o clipe experimentalucinógeno desse super-hit. Vale a pena, ver, rever, escutar, ouvir, sentir e agitar, fazer das tripas coração!
Especialmente dedicado a todas as mulheres que fizeram, fazem e sempre farão das tripas coração para lutarem por seu espaço no mundo.

Das Tripas Coração 
(Dani Carmesim)

A impunidade amolou a faca
Que impôs sobre mim.

Punhal de prata
Rasgou tudo em mim.
Faca amolada
Apressou meu fim.

Punhal de prata;
Faca amolada

Perdi minha alma.
Não tenho mais nada
De bom em mim
Das tripas coração!


segunda-feira, 7 de março de 2016

Leia Esta Canção: Indo o Reggae Rasta ao Headbang com Chá de Cheshire

Depois de um breve sumiço devido a ocupações profissionais, preparação do meu próximo novo livro e visita/cuidados com familiares e próximos doentes, pra aliviar o período tenso, compartilho minhas solidões poéticas com o multiartistamigo valenciano Jorran Souza (que já esteve aqui, estreando sua carreira musical solo, com a balada "Campos de bromélias" no seguinte link do blog: http://diariosdesolidao.blogspot.com/2015/11/solidoes-musicais-compartilhadas.html) e seu novo fodástico projeto, a banda Chá de Cheshire.
Nessa postagem, trago a primeira canção que o artistamigo me apresentou, a psicodeclética “Vai do Reggae Rasta ao Headbang”, na qual o eu lírico da canção viaja entre os mais diversos ritmos. O ritmo lembra algo meio psicodélico-misturado como Skank nas fases “Maquinarama” e “Cosmotron”, apesar de o timbre de voz de Jorran nos lembrar Renato Russo; a salada musical e alguns elementos da letra (a mistura de ritmos com ingredientes do psicodelismo de 1960/70, a lembrança rural do ideal árcade ‘carpe diem’ ['aproveite a vida'] com banhos de cachoeira e contemplações da natureza) dão ares a um novo pop rock com raízes bem valencianas.
A postagem de hoje traz a letra da canção citada, composta por Jorran Souza, e o clipe da música, editado por Thiago Haru (Mangá Studio).
Banhemo-nos na viagem do reggae rasta ao headbang, sugerida pela fodástica canção do Chá de Cheshire, amigos leitores!

Vai do Reggae Rasta ao Headbang

O Rock Reggae Music Vai Tocar Meu Bem
Vai do Reggae Rasta ao Headbang
No Embalo Desse Vai e Vem
Deixa Eu Te Levar Também (Também)

O Rock Reggae Music Vai Tocar Meu Bem
Vai do Reggae Rasta ao Headbang
No Embalo Desse Vai e Vem
Deixa Eu Te Levar Também

Me Baseei Nos Dreads do Cabelo Dela
No Estilo Caiçara Dela Que Me Leva
No Embaraço Das Minhas Cantadas Nela
Que Me Entrega Que Me Entrega

Me Baseei No Black do Cabelo Dela
No Estilo Afro Reggae Dela Que Me Leva
No Embaraço Das Minhas Cantas Nela
Que Me Entrega Que Me Entrega

Vai (Vai) Se Banhar na Cachoeira
Vai (Vai) Deixa a Chama Interna Acesa
E a Noite Acender Uma Fogueira
E Contemplar a Natureza (E Contemplar a Natureza)

Hoje Eu Só Quero Relaxar
A Noite Vai Acabar
Mas Tudo Eu Estou Bem
Na Sua Cabana Vamos Ficar

Hoje ao Meu Lado é o Seu Lugar
A Noite Inteira Vendo o Luar
Que Linda Sua Forma
Nua Na Luz da Lua

Vai Me Abraçar Vai Me Beijar
Temos Que Comemorar
A Liberdade Das Amarras
A Vida Linda Viva a Natureza