quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os versos banhados em vinho, ressurgidos como fênix no poleiro, do jovem velho rapaz Luiz Guilherme Monteiro

Hoje tenho o prazer de compartilhar mais uma vez minhas solidões poéticas com o “jovem velho rapaz”, o fodástico poetamigo Luiz Guilherme Monteiro, um dos maiores poetas da “nova velha” geração de artistas de Valença/RJ.
Fã de System of Down e, além de fodástico poeta, grande baixista, Luiz Guilherme, como todo poeta de talento, é um artista de fases – lembrando um pouco Álvaro de Campos, o heterônimo de Fernando Pessoa, na questão das divisões de fases poéticas, o “jovem velho rapaz” valenciano iniciou sua carreira poética com poemas furiosos, tempestuosos e extremos em sua primeira fase; com o tempo e amadurecimento, concentrou essa fúria apaixonada numa tempestade mais calma, com versos mais curtos e mais intimistas, cultivando uma leve ironia ácida de estilo único (segunda fase – intermediária – da qual publico o poema “Banhado em vinho”, de setembro do ano passado) até chegar ao terceiro momento – menos tempestuoso, mais intimista, com um tom mais niilista, porém sem perder a leve ironia ácida e a vibração poética da eterna ressurreição ao voltar a escrever (a transferência da segunda para a terceira fase foi gradativa e custou um tempo de purgatório ao artistamigo – ou seja, de ócio criativo, sem escrever. Deste nova safra poética, trago “Fênix no poleiro”). Para conhecerem melhor os poemas de Luiz Guilherme Monteiro, indico aqui o link do blog do “velho jovem rapaz”: http://madrugadapoetica.blogspot.com.br/)
Deixemos os versos banhados em vinho, ressurgidos como “fênix no poleiro”, cada vez mais maduros, consistentes e provocativos (outra característica intensa em todas as fases da poética do “jovem velho rapaz” Luiz Guilherme Monteiro) se derramarem na taça de nossos olhos, às vezes sensíveis, quase enlouquecidos com nosso dia a dia, amigos leitores!

Banhado em Vinho

Eis o jovem rapaz
Que em sua cama rola pra conseguir dormir
Incerteza ou aflição?
Não se decidiu ainda

Talvez ele só tenha medo
Medo de dormir e sonhar
Medo de dormir
E não acordar mais

Eis o jovem rapaz
Fingindo que está tudo bem
Fingindo pra si mesmo
Mesmo sem saber mentir

E quando tira os pés do chão
Deixa apenas as lágrimas caírem
No chão em que teme cair
Por temer não desejar levantar

Eis o jovem rapaz
Com cabeça de ancião
Que alimenta os pombos na praça
Enquanto se esquece do que não se importa

Eis então o velho rapaz
Que mesmo com toda a carapaça que criou
Só queria tira-la às vezes
Para dormir tranqüilo

Mas a carapaça foi a única saída
Saída de emergência
Não pra sobreviver
Mas pra querer sobreviver ao menos

Então jovem rapaz ou não
Essa noite lhe amaldiçoa
Pois não será de descanso
Será apenas oportunidade de ver as lágrimas caírem

Já disseram que encher um copo de água com açúcar resolveria
Mas ele não vai enchê-lo d'água
Enganem a si mesmos vocês
Porque eu beberei do vinho

Não mais farei uso da carapaça
Menos ainda do pseudônimo
Já que sou apenas eu
O velho rapaz
Luiz Guilherme Monteiro



Fênix no poleiro

O horizonte não me comove mais
Não sei o que aconteceu
Não sei se é falta de paz
Ou se algo em mim morreu

Não é que eu não mais saiba
Eu só não sinto
Nem mesmo que fosse raiva
Ou vontade de um destilado tinto

Quem sou
Não mais sei
Nem pra onde vou
Mas sei por onde passei

Não escrevo mais por lamentação
Ou revolta que maior seja
Não escrevo pois meu coração
Foi parar numa bela bandeja

Ou talvez só tenha endurecido
Talvez tenha me tornado rabugento
Mas e se nada tivesse acontecido
Será que ainda haveria esse lamento?

Não sei se aceito ou abstenho
Atualmente não vejo diferença
De qualquer forma me contenho
Para cada dor uma sentença

E eu que queria me fazer de poucas palavras
Mesmo falhando fiz bons camaradas
Que me acompanham nessa tal jornada
Mesmo que não dê em nada

Talvez tenha enlouquecido
Mas espero que não
Com certeza não enfraquecido
Doutra forma não passaria do portão

Mas sem eufemismos agora
Senti muita falta de escrever
Minha chamada veia poética acorda

Porque poeta eu voltei a ser
Não sei se foi a necessidade
Que em meu peito arde
Ou ardeu
Como algo em mim que a algum tempo morreu

Mas receio ter renascido
Como fênix ou não
Ou talvez só andei adormecido
Talvez só sentisse falta do meu coração
Luiz Guilherme Monteiro


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