quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Eu te amo, Renato (Ou a Liberdade de todo Amor)

Não é segredo nenhum que nosso próximo Sarau Solidões Coletivas, com o tema "De Camões a Renato Russo: Como é que se diz eu te amo - As Solidões Coletivas da Palavra Amor”, que acontecerá na I Feira Literária de Valença (FLIVA), no palco principal do evento, no sábado, dia 05 de outubro de 2013, às 21h, no Jardim de Cima, centro de Valença/RJ, é em homenagem ao fodástico filme “Eu te amo, Renato”, do cineasta valenciano Fabiano Cafure. Também não é mistério nenhum perceber o quanto nossas trevas coloridas disfarçam seus preconceitos contra os homossexuais por meio da fé, das fezes e dos Felicianos. Nossa sociedade é tão hipócrita que se declara contra a cura gay, ao mesmo tempo que torce o nariz quando vê pessoas do mesmo sexo se amando em público. Em resumo, nossa sociedade prega o discurso que todos têm o direito de amar livremente, porém, pratica o ‘por favor, caso seu amor seja entre iguais, por obséquio, se ame o mais distante possível’. É aí que entra o filme “Eu te amo, Renato”, clara e belíssima homenagem ao líder da Legião Urbana, eterna em nossos corações e viva em toda a relação que prega a liberdade amorosa. É também aí que entra esse meu novo poema – o primeiro que faço utilizando um eu lírico homossexual. O filme nos deixa um recado: Que nos amemos livremente, sem barreiras, sem medos de termos medo. O meu poema homenageia esse recado do filme (que também existe nas canções de Renato Russo): seja hetero ou homo, o amor do outro também é nosso amor e merece a mesma liberdade que a nossa. Esse poema é pra mim, pra vocês, pra Renato Russo, pra Fabiano Cafure, para todos nós. E quem achar que é frescura minha, que invente os seus próprios poemas, com seus preconceitos bem longe do meu lado.
O amor livre ‘omnia vincit’ (‘sempre vence’), amigos leitores!

Eu te amo, Renato

É por esse sorriso lindo em teu corpo
que nenhuma lágrima se sustenta em meu rosto...
É por esse abrigo gentil em teu coração
que não temo nenhum mudança de estação...
É por esses beijos carinhosos em minhas asas partidas
que rejeito toda eternidade por um instante mortal
em tua vida
(Mesmo se eu falasse a língua dos homens e dos anjos,
sem a liberdade de nosso amor eu nada seria)...

É porque o teu mais do mesmo
é sempre o que eu desejo
pra viver o amor pleno...
É porque perdi meu medo
de ter medo
pra admirar o gosto amargo
de teu corpo, meu espelho,
pois em ti o sal é doce
e por isso te saboreio...
(A Clarice outrora trancada em meu banheiro
foi libertada do preconceito prisioneiro
e agora desfila em meu corpo inteiro
quando encontro teu olhar moreno,
sedento, intenso, hospitaleiro)...

É por este remédio em teus beijos
que não temo o sereno violento
daqueles que febrilmente nos odeiam...
É por este nosso momento quase perfeito
que eu creio num futuro mais ameno,
numa vida sem receios...
É por esta nossa resistência às tempestades
que eu acredito no nascimento
de um novo sol, de novas verdades,
sem vampiros que manipulem nossos tempos,
sem crucifixos que torturem nossos desejos
(Se outros nos partem em mil pedaços,
ressuscito meus escombros em teus abraços)...

É porque eu te amo, Renato,
é porque és eterno em meu peito,
seja em nosso reino particular,
seja em outro ar rarefeito,
eu te amo, Renato,
e sempre te amarei
(seja aqui ou em outro universo qualquer,
a nossa história sempre será assim,
mesmo feridos, nenhuma cicatriz ferirá o nosso final feliz,
seja lá, onde estarás,
seja aqui, dentro de mim)...


2 comentários:

  1. Perfeito poema, perfeito filme. Espero que chegue o dia em que as pessoas entendam que o amor não pode ser errado em nenhuma de duas manifestações!

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  2. Fodástico Carlos!!Hipocrisia é pouco...alguém vem fechar o portão porque tem muita gente querendo abrir as portas do preconceito!

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