segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Solidões Compartilhadas: O que Julia Rodrigues quer

Ela veio do 7.º Ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, e quer ser a porta-voz feminina de sua geração. O nome dessa incrível poetaluna é Julia Rodrigues, com quem compartilho minhas solidões poéticas no blog pela primeira vez.
Cuidado, garotos sorridentes metidos a 'pegadores': ela pode liricamente fazê-los chorar!


Nunca é fácil

Amar nunca é fácil,
ainda mais quando a pessoa que amas
é falsa contigo:
diz que te ama,
que sente um amor único por ti,
mas na verdade não ama nada,
apenas por muitas vezes
está com pena de te magoar.
Mas se hoje ela não te magoa,
amanhã com certeza te magoará
sem querer.
Hoje eu choro por ele,
mas amanhã ele que pode chorar por mim...



O que nós, mulheres, queremos

Os garotos querem só ficar
Para que um dia possam dizer
“Aquela ali eu já peguei!”
Eles te fazem de objeto,
Tipo um copo descartável
Que você usa
E depois joga no chão
E pisa.
Nós, mulheres, queríamos
Que os garotos reconhecessem
Os nossos sentimentos
E nos machucassem tanto assim.
Às vezes queremos nos preencher,
Porque vemos nossos amigos namorando,
Mas temos que ser fortes,
Saber esperar
Para ninguém nos machucar.




domingo, 17 de novembro de 2013

Labor demais (ou Labor de mais)

Não foi a primeira vez que isso aconteceu, mas, como em outras cidades (Vassouras, em 2011, que o diga, entre outras) e momentos, doeu de novo.
Voltando de Petrópolis com gotas de raiva acompanhando a dança intensa da chuva. O evento ao qual fui convidado foi cancelado sem aviso prévio; Juliana Guida Maia e eu ficamos com cara de paisagem ouvindo a segurança do local dizer que a querida poeta-organizadora simplesmente "cancelou e não pôde avisar ninguém antecipadamente". Nenhum prêmio, os meus livros, os doces que levei pro tal Café Literário pesando nas mãos, sempre aquela sensação de cara que passou por idiota em mais um trote cultural; Ju e eu retornamos respirando fundo pra não gritar. Pelo menos, Petrópolis é bonitinha. Mas ainda gosto mais da beleza natural da Teresópolis onde trabalho ou dos ares multiculturais de Valença, Londrina e São Luís, onde vivi (e pretendo viver mais) momentos únicos de arte.
Como dizem os artistamigos Madalena Daltro e Guilherme Ferreira, são pedras do caminho que escolhi; é hora de levantar do tombo (cada vez mais rotineiro na estrada cultural) e seguir em frente. E, pra provar a persistência, o blog, como eu, segue em frente, com mais um poema inédito meu, um metapoema (poema que fala sobre o próprio poema) sobre o prazer tortuoso do labor de escrever incessantemente, sem pensar nenhum segundo em parar.
Arte Sempre, meio sofrida, mas ainda Arte, ainda Sempre.

Labor demais (ou Labor de mais)

Há labor demais em fazer nada,
Ficar ali trancado em si mesmo,
Nem aí pro mundo,
Enquanto o universo todo pesa em suas costas.

Há muito trabalho na busca pela palavra exata,
Sair de si fatigado de irrealizáveis desejos,
Dizer tudo em vocábulos mudos,
Enquanto o nada trafega em sua mesa de sonhos às moscas.

Há um suor seco em cada lágrima privada
Neste lírio delírio de desesperado sereno,
Sofrer muito, acordar-se moribundo,
Enquanto o prazer da vida eterna beija o seu rosto em cada estrofe composta.

Há um ordenado inválido nessa labuta forçada
Que você, poeta, aceita com insatisfeito desprezo:
O prêmio de ser lido, receber ais profundos,
Enquanto o verdadeiro sentido adormece cego em seu leito iluminado por luzes foscas...

sábado, 16 de novembro de 2013

Solidões feiticeiras compartilhadas: A última praga de Thayane Ferreira

O Dia das Bruxas já passou há algum tempo, mas os feitiços poéticos delas ainda encantam o blog! Hoje compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com a jovem e fodástica poetamiga Thayane Ferreira, de Valença/RJ.
Nessa estreia, a talentosa artistamiga, verdadeira maga das palavras, nos traz um eu lírico revoltado, uma bruxa que nos incendeia com ferozes versos contra a nossa hipócrita sociedade, numa Inquisição oposta a que foi praticada na História - as vítimas da fogueira poética de Thayane Ferreira são aqueles que vivem no universo da falsidade e da falta de magia.
Queimemos as trevas coloridas, liderados pela jovem bruxa-poeta Thayane Ferreira, amigos leitores!


Última Praga

Eu venho de Salém.
Querem me queimar viva
Porque eu sou a diferença;
Eu sou uma chama
Crepitante, incandescente
No meio desse oceano burguês.

Nunca me pegarão viva!
Cuidem de seus pecados!
Ratos de vida imunda!
Não me joguem água benta;
Joguem vodka de preferência!
Suas almas queimarão no fogo eterno
Ao meu lado!
Não me procurem nas noites frias,
Procurem e queimem suas próprias promiscuidades!

Não me amarrem a esta fogueira!
Isso pra mim não é nada;
Castigo pior é viver tendo pessoas como vocês ao meu redor.

E por fim rogo:
Que vocês continuem se danando!
Como ambiciosos vorazes,
Se destruam
E sofram com sua própria inquisição.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sarau Solidões Coletivas Especial no Coletiva Som 2: Quebrando muros e abençoando bruxos e bruxas do underground

Na noite de 09 de novembro de 2013, 24 anos após a Queda do Muro de Berlim, o Sarau Solidões Coletivas realizou um dos seus saraus especiais mais undergrounds, durante o evento "Coletiva Som 2", que aconteceu na Boite Mr. Night, em Valença/RJ. O sarau teve a participação de vários artistamigos, entre eles, o poeta que vos escreve, o poetamigo Wagner Monteiro, o comediante Ronaldo Brechane, as poetas Patrícia Correa, Juliana Guida Maia, Luana Cavalera e Thayane Ferreira (a última não esteve presente fisicamente no evento, mas nos deixou um dos poemas mais fodásticos deste sarau), a musa, escritora e musicista do underground Karina Silva, os músicos Rafael Campos, José Ricardo Maia (por sinal, este foi o sarau de despedida dele, pois está se mudando para Saquarema/RJ nos próximos dias), Jonas, Gabriel Carvalho, Luiz Guilherme, Uli Barros, Davi Barros e o mestre da filosofia punk underground Lucimauro Leite.
Foi bom demais retomar as raízes undergrounds do Sarau Solidões Coletivas (de tempos em tempos, fazemos um sarau mais elétrico como esse pra mesclar com nossas versões mais 'lights' e acústicas). Confesso que o público não foi dos mais satisfatórios: havia poucas pessoas durante nossa apresentação e muito pouco interesse em saraus undergrounds por grande parte do público (que, sendo underground, deveria, na minha opinião, ser menos alienado do que é). Não vou tapar as trevas coloridas com a peneira da hipocrisia - ainda confundimos ser undergrounds com ignorarmos poesia, etc, e enquanto não amadurecermos essa porra, vamos continuar na merda de descrédito que sofremos (sim, a sentença sem poesia é pra todo mundo entender que precisamos nos repensar), sem contar os ditos alternativos que não foram por preferirem serem sombras de concentrações festivas de bailes de medicina e/ou ficarem discutindo os rumos de Engels e Marx em mesas burguesas de bar. Mas, se a falta e certa apatia de público nos feriu um pouco, mantivemos nossa proposta e libertamos todos os nossos bruxos e bruxas do underground. Ou seja, no final, até que foi undergroundmente compensador; com o tema "Quebrando muros e abençoando bruxos e bruxas do underground", demos nosso recado poético e deixamos para os amigos leitores os vídeos do evento. Parafraseando Drummond, nossa arte não é difícil; é o seu ouvido que entortou.
E vamos continuar quebrando os muros, ou pelo menos, continuaremos tentando quebrá-los, amigos leitores! Arte Sempre!











terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bebendo Beatles e Silêncios com artistamigos em São Pedro da Serra

No dia 02 de novembro, Dia dos Finados, tive a oportunidade de reviver os ares poéticos que São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ, sempre me proporciona quando me reencontro com esse cantinho lírico e louco da serra (tenho sempre a impressão que os ventos de lá tocam "Lucy in the Sky With Diamonds", dos Beatles, em meus ouvidos rs).
A convite do poetamigo Afrânio Pinto, participei do primeiro Sarau da Pousada da Serra e aproveitei o momento para lançar lá meu sétimo livro "Bebendo Beatles e Silêncios - George Harrison e eu num bar de Shangri-La". Também pude rever grandes poetamigos, como o mais-que-fodástico Iverson Carneiro (que eu já conhecia, devido às suas marcantes participações no evento "Identidade Cultural & Movimento Culturista", organizado por Janaína da Cunha, no Rio de Janeiro/RJ), e fazer novas amizades com grandes artistas da música e da palavra, como o jovem poeta Vitor Baptista, com seu estilo fodasticamente rep, o fascinante poeta, ator e declamador Manoel Herculano, a poeta Iva França, com suas interpretações e poemas magistralmente singelos, o formidável músico, intérprete e compositor Aleh Ferreira, entre outros. O evento começou no fim de tarde e rolou até altas horas da noite; fodástico demais!
O primeiro vídeo, postado abaixo, traz um aperitivo das apresentações minhas e as dos artistamigos no evento. O vídeo seguinte, produzido por Afrãnio Pinto, traz outros momentos dessa festa lírica. 
Que este seja o primeiro de muitos saraus na Pousada da Serra (São Pedro da Serra já traz poesia no vento; tornar esse lirismo mais intenso e concreto torna o onírico local ainda mais formidável)! Arte Sempre, amigos leitores, cada vez mais coletiva, única e múltipla!






 



sábado, 9 de novembro de 2013

Luz, Câmera... Alcino! apresenta O muro de Berlim dentro de nós

Hoje faz 24 anos que o muro de Berlim foi derrubado e, observando os muros e grades nas casas, vemos que muito pouca coisa mudou. Os muros ainda existem; apenas mudaram de cor: tons quase transparentes, mil disfarces e hipocrisias tornam quase invisíveis as barreiras criadas pelos seres humanos para os afastarem de seus próximos, para os afastarem de si próprios. Somos seres cheios de muros de Berlim dentro de nós mesmos. E é isso que torna canções datadas, como “Alívio Imediato”, dos Engenheiros do Hawaii, em músicas ainda atuais.
Com o apoio dos professores de Geografia, Tiago e Margareth, trabalhei, no segundo bimestre, com os alunos dos oitavos anos da E. M. Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, o tema “O muro de Berlim dentro de nós”. Parte dos poemas que os alunos produziram na culminância do projeto em breve estará aqui no blog. Em tempo: alguns desses poemas serão lidos e declamados hoje, no “Sarau Solidões Coletivas Especial: Quebrando Muros e Abençoando Bruxos e Bruxas do Underground”, que rolará dentro do evento “Coletiva Som 2”, na Boite Mr. Night, de 22h às 0h, em Valença/RJ.
Por enquanto, deixo aos amigos leitores o vídeo, o clipoema que produzimos no final do projeto, com a interpretação da letra da canção “Alívio imediato”, do fodástico compositor gaúcho Humberto Gessinger, somada a fragmentos dos poemas e crônicas produzidos pelos poetalunos dos Oitavos Anos A e B.
Esse curta metragem, que marcou o retorno do “Luz, Câmera... Alcino!” (que já existe e resiste há 2 anos!), teve roteiro coletivo (a discussão e filmagem das cenas foram criadas a partir da sugestão de professor e dos artistalunos participantes) e foi dirigido pelo poeta que vos fala. As filmagens foram feitas em contraturnos de aulas e as cenas foram interpretadas pelos artistalunos dos 8.os anos A, B e C e do 9.o Ano A, gentilmente cedidos pelo professor de Educação Física, Genaldo Lial, durante as preparações para os Jogos Estudantis.

Para pensarmos nos muros que ainda não derrubamos dentro de nós. 


Poemas Insones: Suplício de Lazer

Retorno de madrugada ao blog, o meu estar insone longe de salas de stars e estares, a tevê fora do ar, toda minha ironia suplicando versos, me vem o nome da banda de trash metal Supllicio, de Angra dos Reis/RJ, com quem o Sarau Solidões Coletivas, do qual faço parte, dividirá o palco hoje, dia 09/11, às 22h, no evento Coletiva Som 2, no Mr. Night, em Valença/RJ. 
Revejo os significados da palavra suplício: “dura punição corporal, imposta por sentença”; repenso por que odeio tanto o poder da tevê, ah, minha ironia doida pra beijar o meu lirismo. Saiu esse poema inédito satírico, homenagem ao modo underground de questionar padrões sociais convencionais, tributo ao tom crítico de muitas letras autorais e covers tocados pela banda Supllicio, mais uma vez cedo minhas noites em branco ao mais negro humor, estranho prazer, quase um martírio lírico de rir pra não chorar, de construir desconstruindo.
Estou de volta, amigos leitores, com o suplício prazeroso da escrita mordaz!

Suplício de lazer

Ligo a televisão e ela captura minha vista.
Então vem você, musa da programação, rede vida,
A garota de programa mais querida e mais bonita,
E, mesmo morto pela lida de todos os dias,
Revivo em imbecilidade e dou pulos de alegria
Diante de sua beldade, de sua presença descabida.
Na tela de tevê plasma LCD comprada nas Casas Bahia,
Provo o popular LSD, solitário em minha orgia.
Ah. masturbação de imagens pra suportar a dura rotina,
Fazenda, Flash, BBB, a minha miséria nunca foi tão rica,
Pânico pra valer, sempre mais você, meiguice e ousadia,
Todo meu lixo a crescer, já comprei de você mil mercadorias,
Um empréstimo a fazer, mais outra prestação vencida
Pobre até morrer, me enriqueço de ilusões vadias,
Suplício de lazer, pra esquecer toda minha agonia,
Eu como pra viver, eu sofro com prazer, sempre ligado na sua telinha,
Até quando eu sobreviver – ah, bom dia e cia!
Até quando você aparecer – mais uma de minhas muitas musas cretinas!
Até quando durar a tevê – ah, ela me respira!
Até não mais me reconhecer – até breve, até outro dia!

E para o amigo leitor curtir, aí vai alguns vídeos da banda Supllício, que se apresentará no Coletiva Som 2, amanhã, dia 09/11, no Mr. Night, em Valença/RJ 9 o evento começará às 22h e seguirá durante toda a madrugada):




Meu filho-poema selecionado na Copa do Mundo das Contradições: CarnaQatar

Dia de estreia da teoricamente favorita Seleção Brasileira Masculina de Futebol na Copa do Mundo 2022, no Qatar, e um Brasil, ainda fragiliz...