segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnaval das Solidões Compartilhadas: Palavras na manhã fria, de Regina Vilarinhos

Hoje o carnaval das solidões compartilhadas continua e, desta vez, compartilho minhas solidões poéticas, pela primeira vez, com outra poetamiga voltarredondense, a fodástica Regina Vilarinhos, artistamiga que, assim como eu e Rosangela Carvalho, consagrou-se como finalista na Categoria Poeta, do Prêmio Olho Vivo 2015 (cujo resultado será divulgado numa cerimônia de gala,no Teatro Gacemss, em Volta Redonda/RJ, na sexta-feira, dia 19/02, às 20h).
Conheci  Regina Vilarinhos no dia 11 de maio de 2011, quando fizemos parte de uma Mesa Redonda chamada "A Criação Literária e a Obra Exposta" , organizada pelo Mestre-Amigo Fábio Elionar, na Universidade Geraldo di Biase, em Volta Redonda/RJ e só realmente nos reencontramos (ao vivo, fora das interações virtuais) no ano passado, quando ela me concedeu um espaço para lançar meu oitavo livro "Foda-se! E outras palavras poéticas..." na II Bienal do Livro de Volta Redonda/RJ, juntamente com a oportunidade de fazermos, unidos a outros artistamigos, uma roda poética no evento (foi nesse evento do ano passado que  conheci e reencontrei  grandes poetamigos). A roda de poesia a que me refiro pode ser vista em vídeo no link: https://www.youtube.com/watch?v=pd8_IqHvSkc .
Regina Vilarinhos traz um lirismo vigoroso, profundo e fascinante, coleciona premiações literárias e possui vários grandiosos projetos culturais. Hoje, trago ao blog o mais-que-fodástico "Palavras na manhã fria", de sua autoria, maravilhoso poema pra ser lido e relido, degustado não só em manhãs frias, mas em todos os tempos, em todo passageiro eternamente. Também trago hoje ao blog o clipe do poema, declamado pela própria Regina Vilarinhos.
Que nossos olhos amanheçam liricamente nestas noites de quase-quarta-feira-de-cinzas-de-verão com o encantador poema de Regina Vilarinhos, amigos leitores!

Palavras na manhã fria

As palavras foram colocadas lado a lado
friamente, naquela manhã,
e foram perdendo o sentido e
doçura que tiveram antes.
Os nomes das coisas, as luzes das coisas,
os dentes das coisas,
as orelhas das coisas
todas que sempre tiveram lar
ficaram permanentes
na natureza morta que estava na parede
e sobre a mesa de centro.
Não, um café não estava pronto
nem cheirava na cozinha o seu dia
amanhecendo.
O leite e o pão deixei para trás e
ainda ouvi os passos do leiteiro correndo pela
varanda, tonto e tropeçando no jornal caído na porta.
Pobre manhã a dele e a minha.
Um apito longe daquela usina longe
lembrou que a vida continuava do outro lado
da cidade, da porta, do jardim, do outro lado da neblina.
As horas riam loucamente do meu rosto no espelho,
as vozes da noite arranhando a parede do banheiro,
irritando a lembrança,
doendo o cinza na alma



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