quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Solidões Compartilhadas: Genaldo Lial faz a sua arte, seja aqui ou em qualquer parte

Yeah, amigos leitores, as novidades não param: hoje tenho o prazer incomensurável de compartilhar, neste espaço lírico-virtual, mais um fodástico (e o mais recente) poema do professor-poetatleta-mais-que-fodástico-medalha-de-ouro Genaldo Lial da Silva, de Mesquita/RJ (atualmente residindo e trabalhando em Teresópolis/RJ).
Professor na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, educador, poeta, atleta, amigo, o ser humano mais nobre de todas as famílias do mundo, ele revolucionou os rumos da Educação Física no ensino fundamental de Teresópolis. Apesar de seu nome não aparecer em nenhum livro sobre Didática ou Pedagogia, Genaldo Lial é o único ser da área da Educação (e talvez de todas as outras áreas) capaz de transformar os becos sem saída da ignorância em um caminho de múltiplas possibilidades para a educação do melhor ser humano. Um super-herói real, Genaldo extinguiu a palavra ‘impossível’  do dicionário da Educação:  já desmitificou a lenda de que o Brasil é apenas o “País do futebol” e ensinou aos seus alunos e colegas de trabalho que nossa pátria é capaz de abrigar todas as modalidades esportivas, inclusive o xadrez (febre entre os atletalunos das escolas onde ele leciona) e o badiminton.  Simples e, ao mesmo tempo, sublime, Genaldo redefiniu o conceito de único e, com isso, conquista o respeito e a adoração de todos ao seu redor. Mais que apenas mais um profissional da educação e muito mais que um ser humano, Genaldo é o único capaz de multiplicar as chaves para todos sairmos dos labirintos da ignorância e para, juntos, conhecermos o melhor dos mundos possíveis, o mundo mais educado, lírico e justo, a utopia real de Genaldo Lial.
E, hoje, com seu poema mais recente, Genaldo Lial nos transmite liricamente dicas para ampliarmos os horizontes, para fazermos a nossa arte.
Em tempo: Genaldo Lial fará parte do time de poetamigos que se apresentarão no próximo Sarau Solidões Coletivas, no dia 28/02, a partir das 18h, na Biblioteca Municipal D. Pedro II, em Valença/RJ  (Rua Padre Luna, 68, sl. 101, Centro, em frente ao Shopping 99).
Façamos nossa arte sempre, amigos leitores, seja aqui ou em qualquer parte!

A NOSSA ARTE

Faça sua arte
Faça, então, fluir
Seja aqui
Ou em qualquer parte

Deixe-se permitir
Amplie os horizontes
Conquiste os mais altos montes
Que atinja o planeta Marte

Perceba as muitas energias
Que circundam o nosso corpo
Supere a sociedade em letargia
Ultrapasse a grande zona do conforto

Sinta-se mesmo incomodado
Rompa as amarras sem receio
Corra, não fique aí parado
Mostre ao Mundo a que veio.
Genaldo Lial da Silva

O brasileiro Hilton Alves fazendo sua arte no Havaí,
como na sugestão poética de Genaldo Lial

Céu, Inferno ou um Eterno Carnaval: As diversas faces da poética de Ana Karolina

Faz quase um ano que eu aguardava um sinal positivo dessa fodástica poetamiga para compartilhar seus poemas... E finalmente a espera terminou, amigos leitores: hoje trago ao blog a poética multifacetada da hiper-talentosa Ana Karolina, jovem artistamiga que conheci no ano passado, durante um Sarau Solidões Coletivas, realizado na Comuna da Quinta das Bicas, no quintal da casa de Gilson Gabriel, na Biquinha, em Valença/RJ.
Como todo artista revolucionário na escrita, Ana Karolina apresenta uma poética múltipla, como podemos perceber nos dois poemas abaixo: em “Heaven and Hell?”, seu eu lírico retoma a discussão de um tema já debatido na fodástica canção “Heaven and Hell”, de Black Sabbath, porém, no poema de Ana Karolina, a antítese, a oposição se apresenta de forma ainda mais acirrada, questionadora, com uma vibração ora furiosa, ora melancólica, ora quase desesperançada, é um poema-tempestade-da-desesperada-não-santa-trindade-dúvida-lirismo-e-fúria (o eu lírico estende-se e atira todas as questões nas mazelas do inferno-céu de nossos dias). Mas, se após ler “Heaven and Hell?”, você se julga capaz de desenhar o estilo completo da poetamiga Ana Karolina, depara-se com uma outra face completamente oposta em “Ainda é carnaval” – em completa oposição ao seu antecessor, o eu lírico do segundo poema traz versos cheios de leveza, mística euforia, amor e sutil sensualidade.
O Céu, o Inferno ou o Eterno Carnaval de Ana Karolina? Não sei a resposta, amigo leitor. Faça como eu: na dúvida entre os 3, meus olhos ficam com todas as opções, hipnotizados pela poética fodástica e singular de Ana Karolina.
Em tempo: É claro que os fodásticos poemas de Ana Karolina estarão presentes na próxima edição do Sarau Solidões Coletivas (ainda não sei se a autora optará que ela própria leia ou se outros lerão por ela – o certo é que os poemas serão lidos) no próximo sábado, dia 28/02, às 18h, quandorolará a próxima edição do evento na Biblioteca Municipal D. Pedro II, em Valença/RJ (Rua Padre Luna, 68, sl. 101, Centro, em frente ao Shopping 99).
Bom Céu, Bom Inferno e Bom Eterno Carnaval, amigos leitores!

Heaven and Hell?

Procurando pelas respostas vazias
De um algo amargurado
Com a noite cobrindo toda a alma
É o céu ou o inferno?
Um sonho que não sei se foi real
Um dejavu
Uma nostalgia
Responda-me é o céu ou o inferno?
Vidas perdidas
E consumidas
Ora, isso não é vida!
É o céu
Ou então inferno.
Um Deus que nos cala
Um paraíso gélido
E um inferno quente
Não fume, não beba,
Compre isso e aquilo
Não faça nada de errado
Siga os dogmas
Ou morra!
Serás punido!
É o céu ou o inferno?
É escuro,
Sussurram vozes, já cansadas de chorar
Que não aguentam mais gritar
Se há um Deus
Escute minha prece,
Dessas vidas que estão em decadência,
Do meu espírito que agora está em desistência!
É o céu ou o inferno?
É o vazio que nos consome
É o algo que nos corrompe
Faz parte do plano de Deus?
Ou tudo isso é apenas um inferno?
E eu grito!
Atrás de liberdade
Nossas almas suplicam:
Piedade!
Isso aqui é um pedaço esquecido
Eu não posso dizer
Eu não consigo entender.
É o céu ou o inferno?
Quantas almas compõem esse lugar?
Você consegue ver amor?
Você consegue ver por trás daquelas câmeras?
Em frente, sorria.
Céu ou inferno?
"It's heaven and hell"
Eu não posso questionar
Vão me castigar
Preciso fechar meus olhos e concordar.
Vão me castigar.
Não podem saber que descobri o que omitem!
É o céu ou o inferno?
Para onde as almas vão?
Depois de todos os gritos e dor?
Tolos!
Por que ainda sonham com o paraíso?
Não há céu nem inferno
Pois congelamos os dois
É só uma estrada
Repleta de espinhos!
Deus nos castigou.
Malditos pecadores!
Agora estamos sozinhos
É o céu ou o inferno?
Onde verdades não podem ser ditas
Onde verdades foram esquecidas
Esperando pelo dia que vão nos libertar!
Eu clamo em desespero pela quebra de tais correntes aqui em minhas mãos.
Correntes invisíveis
Que me prendem a um nada!
É o céu ou o inferno?
Um Deus nos castigou!
Eu ainda busco a janela
E tento ainda respirar
Você consegue ouvir?
Acho que as almas estão morrendo
Ninguém aguenta mais
É só decadência
"Ficará tudo bem
Há um paraíso acima de nós
Que aguarda aquele que seguiu as leis"
Esse alguém não existe!
Essa alma também foi consumida!
Esquecida!
Estuprada!
Céu ou inferno?
Já não tem qualquer diferença.
Você consegue ouvir?
Os pecados consumiram todos.
Aquele grande livro se contradizia demais
Acho que só devemos seguir em frente
Sem olhar para os lados
Ou para cima.
Nenhuma alma foi salva
Deus castigou todos nós
Só há uma casca vazia
Que chamam de corpo
Uma massa fria
Que é controlada
Por alguém do céu...
Ou do inferno?
Eu já não sei qual é qual..
Eu só espero pelo dia que vão quebrar minhas correntes
Eu só espero pelo dia que o céu e o inferno serão diferentes
Diferentes daqui
Diferentes dessa vida.
Eu só espero
Esperarei nessa estrada de espinhos
Sempre em frente!
Eu estarei por aqui
Andando com as correntes invisíveis nos pés
Até o dia que não aguentar e cair
E perecer
E ver meu corpo
Sendo jogado na terra
sendo consumido pelos vermes.
Meu corpo não significa nada
E aqui onde estou não há dignidade
Talvez os vermes n ãoestejam apenas na terra
É o céu ou o inferno?
Eu não compreendo nada mais.
Onde estão os sonhadores?
Eu repito:
Onde estão os sonhadores?
E quem vai nos salvar agora?
É um apocalipse
E que deus nos proteja...
Não mais!
Porque ele está nos punindo
Ninguém aguenta a fúria dos deuses
O céu e o inferno agora são iguais
Você não pode ir contra o destino
A hora de fazer isso passou, você podia, não pode mais
Um último grito
Eu pergunto a vocês
É o céu ou o inferno? É uma casca vazia
É o nada
São só pessoas sonhando com o modo de vida perfeito
Engolindo mentiras
E aceitando tudo o que é imposto!
Oh malditas correntes!
Quebrem-se!
Preciso dar um fim nos protótipos.
Por favor! Eu suplico!
Eu vou aguardar
Vou rezar
Ajoelhar
Eu preciso sobreviver
O resto de minha alma vai aguentar
Eu vou sustentar meu corpo
Até essa corrente que nos prende quebrar.



Ainda é carnaval

Meu coração é pura folia
Por te guardar
É samba
É riso
É fantasia
E mais um pouco
Ao te abraçar

É uma alegria repentina
Poder te chamar de meu
Se enrola que nem serpentina
Meu corpo no seu.

Minha felicidade como confete
Se espalha por aí por te ter como vendaval
E em mim, então,
É sempre carnaval.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Solidões Compartilhadas: O amor incondicional no antigo caderno de poemas de Diana Paim

Yeah, amigos leitores, o blog não para de trazer novidades: hoje resgato o antigo caderninho de poemas da super-talentosa poetamiga teresopolitana Diana Paim.
Escrito há três anos atrás, na época em que Diana ainda era minha poetaluna na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva (foi uma das poetalunas que mais se dedicaram à escrita em 2012), seu caderno traz poemas ricos em vigorosa simplicidade (ela sempre foi fã do gênero textual crônica, o que fez a escritora sublimar o banal através das palavras) e carregados por um sentimento de amor incondicional e incontido, mas contrariado (às vezes lembrando as “Cartas Portuguesas”, de Mariana Alcoforado). Temos, através da passagem de um poema para outro, todos escritos febrilmente e em curto período [coloquei as datas dos poemas para percepção desse prazo e conhecimento do constante amadurecimento da poética da autora], o desenvolvimento do amor no eu lírico (ou retraimento, afinal a relação de paixão do eu lírico é parcial, pois não é retribuída pela pessoa amada).
E não é apenas o fato de resgatar esses poemas que faz o blogueiro que vos fala sorrir; atualmente, retomei contato com Diana Paim e recebi a grata notícia de que ela continua a escrever (até me enviou uma remessa de novos poemas, que serão colocados em outra postagem nas próximas semanas) – yeah, amigos leitores, a maravilhosa poesia de Diana Paim continua viva, flertando com a eternidade.
Em tempo: Em homenagem a essa grata notícia, os artistamigos do Sarau Solidões Coletivas declamarão alguns desses poemas (candidatos a declamarem, falem comigo nos comentários e/ou por mensagem no face) no próximo sábado, dia 28/02, às 18h, quando rolará a próxima edição do evento na Biblioteca Municipal D. Pedro II, em Valença/RJ (Rua Padre Luna, 68, sl. 101, Centro, em frente ao Shopping 99). Infelizmente, devido a distância e dificuldades de transporte (lembramos que o Sarau Solidões Coletivas acontece gratuitamente e de forma independente e, consequentemente, não possui verba, muito menos grandes apoios de entidades públicas [comumente, acontecem mais entravamentos, repulsas e/ou alheamento que apoio]), Diana Paim não estará presente, porém seus poemas continuarão a viajar pelo mundo – a arte desconhece os limites da geografia!
Boa leitura e Arte Sempre, amigos leitores!

16/07/2012
Dizem que você não é o que eu penso,
Que não merece o meu amor,
Que sou boba em pensar em você.
Mas o que fazer se eu só penso em você,
Se a minha vida está resumida a você?
Você só sabe me esnobar
E eu, boba, só sei te amar.
Eu já não sei mais o que faço
E o meu coração está aos pedaços.
Quando te vejo,
Só penso em te dar um beijo,
Só que logo percebo que é sonho,
Faço de tudo para te esquecer,
Mas, quando estou quase conseguindo,
Revejo você.
Não sou a garota dos teus sonhos,
Mas tenho uma coisa que ninguém tem:
O meu amor por você...
                                               Te amo!

16/07/2012
O amor... O que é o amor?
Será que é mais uma armadilha da vida?
Eu não sei o que é,
Mas devemos nos preparar,
Pois, quando menos esperamos, ele aparece
E, caso não seja retribuído,
É a pior dor que podemos sentir,
Mas também pode ser a maior alegria
Quando somos correspondidos.

16/07/2012
Todo amor brilha o quanto dura,
Mas, quando se acaba, vira um poço sem fundo de angústia.
Toda amizade é uma alegria e, quando vira amor,
Às vezes, pode ser um caminho de espinhos e armadilhas.
Mas, apesar de todo risco, sempre corremos atrás
E nunca desistimos da pessoa amada.

16/07/2012
Pensando em você, descobri que não tem jeito: tem que ser você!
Eu tentei, mas não consigo te esquecer.
A cada dia que passa fica mais forte,
Eu não sei por que,
Mas eu amo você,
Tudo que faço é pensando em você.
Dizem que sou louca por te amar tanto assim,
Mas acontece que é mais forte que eu.
Quando eu chego perto de você, eu não falo nada,
Porque não sei o que dizer...
Eu queria pelo menos ser tua amiga,
Mas não dá,
Porque o amor fala mais alto aqui dentro – Te amo!

17/07/2012
Estava tudo bem comigo até que você apareceu...
Nesse momento, tudo mudou, pois me apaixonei por você,
Foi amor à primeira vista
E agora tudo em mim enlouqueceu:
Eu só quero é estar com você,
Pois só com você eu posso ser feliz.
Eu te amo
E a minha felicidade só depende de você.

17/07/2012
Eu não sei mais o que faço
Se a cada dia que passa
Eu estou mais apaixonada por você,
Se tudo que faço é pensando em você,
Se durmo e sonho pensando em você.
Meu amor, tudo que eu sei é pensar em você
E, mesmo tentando tudo, você não quer nem saber...
Baby, eu te amo e só quero você...

17/ 07/2012
Quando penso em você,
Fico sem chão,
Perco a noção...
E como fica o meu coração?
Tento ser alguém que não sou,
Mas percebi que isso não adianta,
Sinto que para você não importa se eu te amo,
Mas eu não consigo dizer que te esqueci,
Porque eu estaria mentindo.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Solidões Compartilhadas: Gilson Gabriel Eternizando sua Estrada Poética

“Eu tive fora uns dias
Numa onda diferente
E provei tantas frutas
Que te deixariam tonta
Eu nem te falei
Da vertigem que se sente”
Yeah, amigos leitores, como o eu lírico da estrofe da canção “Uns dias”, da banda Paralamas do Sucesso, o blogueiro que vos fala esteve fora do universo blogueiro-virtual por uns dias (às vezes, um breve retiro misantropo é necessário pra reavaliação dos passos e descompassos poéticos). Mas também, como o eu lírico dessa mesma canção, trago novidades quentes: o acervo lírico das Solidões Compartilhadas deste blog está bombando, cheio de fodásticos poemas de artistamigos para os olhos dos amigos leitores se fascinarem!
Retorno ao compartilhamento de solidões poéticas com mais um poema do Mestre dos Mestres, o mais-que-fodástico poetamigo valenciano Gilson Gabriel, que amanhã comemorará 52 anos de eternidade (na verdade, continuará a comemorar, afinal no sábado, dia 21, ele já celebrou antecipadamente a data com uma mega-festa na Comuna da Quinta das Bicas [quintal da casa dele, na Biquinha]. A mega-festa foi tão grandiosa que até ressuscitou a escrita de outro Mestre dos Mestres, o Lisergy Wyrebuss, alter-ego de Alexandre Fonseca [leia o fodástico “PARÁGRAFOS LANÇADOS A ESMO (3) ou CRÔNICAS DE UM FIM DE SEMANA BIPOLAR” no seguinte link: http://algumcantoemseusorriso.blogspot.com.br/2015/02/paragrafos-lancados-esmo-3-ou-cronicas.html]).
O poema de Gilson Gabriel que compartilho hoje reflete sobre a passagem do tempo e as marcas de amadurecimento e poesia que esta passagem cultiva no eu lírico. Traz aquela beleza infinita de pintura magnificamente simples que só os poetas mais-que-fodásticos como Gilson Gabriel sabem desenhar com palavras.
Em tempo: O Mestre dos Mestres Gilson Gabriel está sempre presente no Sarau Solidões Coletivas e no próximo sábado, dia 28/02, às 18h, rolará a próxima edição do evento na Biblioteca Municipal D. Pedro II, em Valença/RJ (Rua Padre Luna, 68, sl. 101, Centro, em frente ao Shopping 99). Quem sabe não teremos o prazer incomensurável de ouvir o fodástico poema declamado pelo próprio Gilson Gabriel?

Eternizado (Gilson Gabriel)

Hoje olho meus olhos no espelho
e me vejo no infinito
Leio em minhas rugas verdades nuas
e as percebo companheiras.
Hoje olho à volta e vejo a estrada
que circunda e se eterniza
Leio em meus cabelos a cor do tempo
e a traduzo na história mais certeira.

Hoje sinto o cheiro de obstáculos
e não os estranho
E leio pelas curvas do caminho
que o tempo inda se faz infindo.
Hoje beijo as raízes do meu chão
e afago nele minhas origens
E leio no seu cheiro de água e lama
que é com o seu fruto que me blindo.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Sambando na cara de quem confunde brasilidade com exaltação cega ao mito do carnaval

Minha relação com o carnaval sempre foi bipolar: ora caio na folia, fascinado com a poesia e beleza de uma das festas mais populares no Brasil; ora me recolho, aproveitando o momento para descansar e refletir. Neste ano, optei pela segunda opção - neste carnaval, sou folião recolhido às cinzas que ainda nem queimaram.
Assim também se dá a presença carnavalesca em minha escrita: ora meus eus líricos fazem farra; ora são sisudos e extremamente cruéis com a face alienante do carnaval. O que mais me dói é a visão unilateral de alguns críticos: alguns consideram que, se não há exaltação de elementos de carnaval em sua obra, a sua arte não apresenta brasilidade, o que considero uma grande bobagem, afinal, ser artista brasileiro não é apenas seguir fascinado a figura mítica do ser brasileiro – ser artista brasileiro também é quebrar a caricatura que o mundo faz de nossa nação. A arte é plural, logo exaltar ou negar (ou ora exaltar, ora negar) o carnaval é uma contradição necessária pra sobrevivência da pluralidade da arte – não é uma questão de lado A, B e C, o divertido é todos os lados juntos e furiosamente harmonizados no caos da mente do artista; não há limites na arte, nem concepção única de brasilidade, o artista é o eterno turista em seu próprio país: ora se surpreenderá fascinado com sua terra, ora surtará decepcionado com o choque entre o ambiente ideal e a imagem com a qual se depara.
Hoje no blog posto o meu poema “Brasilidade”, bastante inspirado em um poema do Mestre dos Mestres Carlos Drummond de Andrade e recentemente publicado em meu oitavo livro “Foda-se e Outras Palavras Poéticas” (2014), saiu um tanto raivoso na época em que escrevi (estava revoltado com aquele papo de que artista brasileiro que preste tem que apenas se render ao samba e sorrir), mas vale sempre o registro (desde que o autor considere válido – concluído – para ser publicado e divulgado) pra se manter a polêmica discussão sobre identidade e/ou falta de identidade em um artista. Sou artista brasileiro, mas, por favor, não confunda brasilidade com pagação de pau dos elementos estereotipados do mito nacional.
Bom Carnaval, seja qual for a sua relação com a festividade nacional, e Arte Sempre, amigo leitor!
                                                                  
Brasilidade

“Hoje não deslizo mais não,
não sou irônico mais não,
não tenho ritmo mais não.”
Carlos Drummond de Andrade, “Também já fui brasileiro”

Nunca fui brasileiro, moreno como vocês.
Minha palidez sempre mortificou seus carnavais multicoloridos.
(Sobra-me um pouco dos seus ritmos descabidos
recebidos pelos meus ouvidos através das suas repetições;
rendo-me às suas melodias de risos,
mas meu sorriso é amarelo; nunca fui alegre, alienado como vocês)
Nunca fui jogador, driblador como vocês.
Meus pés sempre adoeceram nos seus estádios imensos
de folias e hipocrisias; nunca passei a bola pra vitória imperialista.
Pra mim, seus jogos sempre foram comprados
e não comemoro títulos de devedor; a única coisa que torci até agora foi o nariz.
Nunca fui católico, idolatrador como vocês.
Meus pecados sempre caminharam livres de suas igrejas ufanistas.
(Se Deus é brasileiro, o Brasil é um dogma a ser negado;
ajoelho-me para a razão, tenho fé apenas no fim das promessas,
na queda das máscaras; nunca fui folião, iludido como vocês)
Sou uma neve descontente nos seus verões de monótonas estripulias;
sou um gelo ardente nas suas caipirinhas de exageradas folias,
como pizza congelada no Planalto (você desliga a tevê e sente azia)
como um irmão deficiente que vocês escondem debaixo da ponte para as visitas não verem.
Minha brasilidade resplandece sobre o que não entendem,
sobre a fragilidade resistente de ser diferente diferente no meio de seus diferentes iguais,
de ser um estorvo das suas monumentais sociedades mono mentais;
minha brasilidade rege sambas revoltados nos seus retornos
dos feriados prolongados, das festividades arrastadas
como colchas de retalhos que dançam numa batalha adormecida;
minha brasilidade acorda enquanto os seus instintos nativos repousam na torcida
de mais uma Copa, mais uma Olimpíada, mais um dia, um mês sem perceber
que nunca fui brasileiro como vocês, porém nunca deixei de ser.


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Celebração lírica na Final do Prêmio Olho Vivo 2014: A Poesia de Rosangela Carvalho, Carlos Brunno e Pedro Henrique Mezzabarba

Teatro Gacemss, Volta Redonda/RJ, 06/02/2015 - A Final do Prêmio Olho Vivo 2014, organizada pelo jornalista e incansável ativista cultural Cláudio Alcântara, foi uma festa fodástica e grandiosa! 
Nesta postagem, trago o vídeo com as apresentações da também poeta finalista Rosangela Carvalho e eu (yeah, não ganhamos o troféu - merecidamente conquistado pelo poeta-mestre Josemir Tadeu Souza -, mas tivemos a oportunidade mais-que-fodástica de declamarmos nossos poemas). Outra grata e lírica surpresa do evento foi a declamação do modelo campeão do Prêmio Olho Vivo de sua categoria, Pedro Henrique Mezzabarba (no vídeo, ficou apenas o fragmento final do poema que o fodástico Pedro declamou, pois todos foram pegos de surpresa, inclusive minha namorada, que filmava, através do seu celular, as apresentações poéticas).
Além do vídeo deste momento lírico e inesquecível da Final do Prêmio Olho Vivo 2014 (quem quiser conhecer melhor o fodástico jornal e a festa do Prêmio Olho Vivo, segue o link: http://www.olhovivoca.com.br/ ), posto também o fodástico poema de Rosangela Carvalho, “Mentiras sinceras me interessam” (como o título informa, uma lírica homenagem ao verso da canção “Maior abandonado”, do eterno poeta-músico-compositor Cazuza), juntamente com outro vídeo, no qual ela declama o poema citado. O poema que declamei, “O pianista”, premiado com menção honrosa no Concurso de Poesias da ALAP, pode ser encontrado em postagens anteriores aqui no blog.
Yeah, amigos leitores, que a poesia sempre tenha um espaço especial em todo evento cultural! Vida Longa ao Prêmio Olho Vivo!


Mentiras sinceras me interessam

Ando cansada de tantas verdades
Nuas... Cruas...
Ando sentindo falta de mentiras sinceras,
Aquelas que com cuidado tocam nossos corações.
Que com zelo,
Desvelo,
Nos dizem o que queremos ouvir,
Não o que pode nos destruir.

Mentiras sinceras me interessam...
Ando cansada de tanta realidade
Estampada na cara da verdade,
Sinto falta da ilusão,
Dos sonhos
Que alimentam nossas almas,
Que nos levam... através dos tempos...

Mentiras sinceras me interessam...
Quero mais sorrisos,
Mais conto de fadas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Não desacreditar de ninguém.
De nada.
Quero o sonho do amor verdadeiro
Sem barreiras...
Limites impostos pelas verdades absolutas.

Mentiras sinceras me interessam...
Quero viver confiando,
Viver desarmada.
Desprotegidas de couraças
Que me distanciem das pessoas,
Que me afastem de mim mesma...
Quero ir ao encontro do amor
Como quem se joga do alto de uma montanha
Acreditando que tem asas para voar...

É... mentiras sinceras me interessam,
Me interessam....
Rosangela Carvalho (link com outros poemas da autora: https://www.facebook.com/RCVersosdaAlma?fref=ts )