quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Solidões compartilhadas: Viagens e poemas de Genaldo “Che” Lial

Genaldo Lial inspirou o filme alemão
"Corra, Lola, Corra", pois ele,
como a protagonista do filme,
não para de correr
nenhum minuto!
Genaldo "Che" Lial e eu
indo pra uma aula-passeio
no Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Ele é uma lenda da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Veio de Mesquita/RJ, mas, residente há alguns anos na zona rural de Teresópolis/RJ, já se fez um teresopolitano esportista nato. Professor de Educação Física, fã de xadrez e atletismo -  quando não está lecionando, pratica o que ensina: corre sempre pra manter a forma, pensa Educação Física, ama Educação Física, brinca com Educação Física, respira Educação Física, transpira Educação Física, vive Educação Física, sua alma parece estar em constante atividade física, só para de malhar o corpo para manter o cérebro em forma concentrando-se numa partida de xadrez. Os mais exagerados dizem que ele é o único que já nasceu correndo, dando xeque-mate na parteira e gritando “Primeiro!” feliz por ser o primeiro a alcançar a linha vital no momento do parto. Odeia futebol (sim, o lendário ser é um dos poucos professores de Educação Física que esculacha o mais popular esporte de nosso país – “vou ensinar essa porcaria pra quê? Eles já sabem como é; a mídia, o mundo todo alienado nisso. Vou ensinar o melhor, o que eles não sabem, o que eles realmente merecem aprender”, se defende) e adora viajar em sua moto em longa jornadas pelas regiões do Brasil e da América do Sul (seu currículo de viagem é de dar inveja ao jovem Ernesto Che Guevara, eterno viajante, como podemos ver no filme “Diários de Motocicleta”, do diretor brasileiro Walter Salles, baseados nas primeiras viagens de Che pela América Latina). È fã de forró, considera a sanfona de Luiz Gonzaga mais revolucionária que a guitarra dos Beatles e, se toca um rastapé, não para de dançar um minuto. E, como se não bastassem todas as atividades físicas, partidas de xadrez, bailes de forró e viagens, como Che, o lendário ser ainda é escritor – jovem, construía sonetos, na forma mais clássica; hoje se dedica a escritos de sua viagem (alguns de seus textos e reportagens já saíram em jornais de motociclistas e de grande circulação, como O Globo) e, aos poucos, retoma a poesia, numa forma menos rígida. A personalidade lendária de quem eu falo hoje é o fodástico professor e artistamigo Genaldo Lial da Silva, com quem compartilho pela primeira vez minhas solidões poéticas.
Trago duas faces da escrita de Genaldo Lial: um fragmento do romance de viagem ao qual o artistamigo tem se dedicado (yeah, como ele mesmo diria, primeiro! já tô na fila esperando o lançamento!) e um poema que marca seu retorno à escrita poética, um poema de amor e celebração á vida (o marcante poema foi declamado pelo próprio poetamigo no II Sarau Professor Rosa Amélia, realizado na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, neste ano – cujos vídeos em breve estarão aqui no blog – e surpreendeu a todos que só o associavam a esportes.
Joguemos nossos olhos, amigos leitores, na escrita revigorante de Genaldo Lial.

Fragmento do romance de viagem de Genaldo Lial, com o título provisório de "Viagens de moto 125 pelo Brasil e arredores"

... Passado o primeiro trecho de uns 20km apareceu um asfalto novinho. Que maravilha! Mas a felicidade durou pouco, logo avistei uma placa que dizia “fim do asfalto”, outro trecho de mais ou menos 20km de cascalho. Vamos nós de novo. Tinha que trafegar no rastro dos caminhões porque na brita solta era impossível. Por volta de 13h00 eu, que estava só comento poeira estava cheio de fome, cheguei a um lugarejo e parei numa mercearia e perguntei se havia onde almoçar por ali. Fui informado que não e ainda me disseram que teria que encarar mais dois trechos de estrada de chão pra encontrar algum lugar onde acharia restaurante. Imaginem a cara de animado que eu fiquei, mas viagem de moto é assim mesmo, é só pedreira. Fiz um lanche e abandonei a ideia de almoçar naquele dia. Encarei o terceiro trecho sem asfalto (18km, se não me engano). Quando ia pegar o último trecho de chão me informaram que a estrada era de terra e não tinha cascalhos, dava pra andar bem. Realmente melhorou muito. Dava pra andar até 50km/h às vezes. Mas, como dificuldade pouca é bobagem, armou uma chuva forte e eu parei pra colocar a capa de chuva, torcendo pra chegar ao asfalto antes da chuva me castigar. Não adiantou. A chuva caiu forte e eu fui com a moto dançando na lama. Ao final de todo esse sufoco, encerrei esse segundo dia em Santana – BA com apenas 571km rodados (também com quatro trechos horríveis, o que eu poderia esperar?).

VIDA CELEBRADA (A face poética de Genaldo Lial da Silva)

Que tenhas sido ontem, que sejas hoje e sempre celebrada
Que nasças sem hora certa ou mesmo hora marcada
Vida que brota num bretão distante
Com teus mistérios às vezes entristecida
Que segue seu caminho errante
E por tantas e tantas vezes esquecida
Com todo teu esplendor constante
Vibra em nosso sangue mestiço
Reflete em nosso olhar um bom viço
Recebe a luz que nos aquece e que do sol emana
Com a certeza de seres bela e perfeita
Mesmo que por alguns não tenhas sido eleita
Que não sejas santa nem profana
Pois és tu quem celebro, ó vida humana!

2 comentários:

  1. Meus aplausos para este tudo de tudo, que sua estrada seja linga para tantas corridas e belas aventuras...parabéns!

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  2. Muito legal, esperando o lançamento do romance!!!!!!!

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