terça-feira, 4 de junho de 2013

Eternamente em meu nunca mais agora (Até o fim de semana chegar)

Frio, muito frio. Distância, muita distância. Solidão, trabalho excessivo, glória efêmera e cansaço: trabalho, sobrevivência. Sonho e descanso inalcançáveis: o lugar onde você se sente realmente vivo está distante de onde você trabalha – há sonhos para cultivar aqui, mas as aves que aqui gorjeiam bem, mas ainda não gorjeiam como lá (pelo menos, nos ouvidos de sua lúcida ilusão)... Cismar sozinho à noite, escrever: amada distante, sonhos na janela que, caso aberta, pode os ventos mais frios da realidade libertar. Então cismar mais sozinho mais noite mais os sonhos batendo na janela apreciar, desejar. Meio de semana: onde estou – fim de semana: onde quero estar.
Esta é uma canção de exílio sem exílio, saudade sem fim de tudo que não vi ou que já vi e não posso rever no momento. Mas eu vou rever, ah, se vou! Esta é uma canção de exílio sem exílio, frio que queima (algo meio balada de Bon Jovi com solos que nos rasgam no momento mais sensível), trancado na realidade de sonhar acordado pra não enlouquecer de tanto sonhar dormindo, desejar e ir sumindo consumido; quando ser workaholic é não ceder ao ócio de se perder no cio do impossível e a sensação do “eternamente nunca mais” realmente permanecer, ao invés de como sempre mostrar-se simplesmente sensação e ‘suadavemente’ passar.
A janela está fechada, mas só pra proteger o coração do frio, apenas para o peito aberto esperar o inverno rigoroso passar.
E vai passar, amigos leitores, vai passar!

Eternamente 
em meu nunca mais agora 
(Até o fim de semana chegar)

Um sonho bate em minha janela fechada.
É um sonho distante que bate perto de mim.
É um sonho que bate em minha janela trancada.
Estou me defendendo do gelo, sereia dos ventos,
Estou me cobrindo com os cobertores que não tenho,
Enquanto você continua batendo, batendo,
Ardente,
Latente,
Eternamente em meu nunca mais agora,
Porque agora você é a longitude inquietude do onde distante
Porque nunca mais é você inacessível visível na distância
Porque eternamente é esse tempo sereno com pancadas esporádicas de chuva bruta
Me espancando, espancando
Enquanto você continua batendo, batendo em minha janela saudade
Batendo, batendo muito mais do que suportam as grades
Dessa janela sem paisagem por só conter horizontes constantemente carentes de você.
Estou apenas sufocando o inverno forasteiro em meu peito, musa música ao longe,
Estou apenas deixando a janela permanentemente fechada
Pra não me resfriar
De tantos sonhos nus com seu corpo prazer,
De tanto inferno frio a me arder,
Quando tenho que sobreviver sozinho,
Bravo trabalhador ensandecido com fobia de períodos vadios,
Lúcido em lúdico vazio
Com medo de enlouquecer
Ocioso longe de você...
Porque as horas não passam nessa hora
Porque é nunca mais agora
Até o fim de semana que demora,
Até a nossa volta,
Até eu retornar pro meu verdadeiro lar,
Até quando eu tornar a bater em sua porta
E você novamente abrir, se abrir, me abrir
E deixar de ser sonho distante batendo perto de mim.




Um comentário:

  1. Perfeito como sempre, só vc mesmo pra transformar esse frio louco de Terê em arte! Amo o poeta valenciano, o professor teresopolitano e o homem itinerante que vc é!

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