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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Propaganda Ruim também mata (nem que seja de vergonha)



Mal 2017 começou e nosso 'querido' governo federal já começa suas campanhas publicitárias de chacota nacional. Com o slogan "Gente boa também mata" para 'propagandas' de prevenção aos acidentes de trânsito, o 'Governo' Temer patrocina cartazes sugerindo que pessoas que resgatam cachorros na rua ou que plantam árvores na rua também matam porque podem usar o celular em momentos indevidos (que eu saiba os que mais usam celulares quando dirigem são aqueles que atendem a pedidos de clientes e/ou tentam conciliar, de forma workaholic, o trabalho frenético com as necessidades familiares e, em ambos os casos, o número de gente boa que gasta um pouco de seu tempo constantemente esgotado em atividades filantrópicas é bem menor quanto os de que se consideram sem tempo para atitudes altruístas - tem gente boa que faz isso sim e comete infrações no trânsito, mas por que especificar de forma tão peculiar?), sugerindo que pessoas que fazem a alegria das crianças também matam porque podem beber antes de dirigir e atropelar alguém (tem, é claro, gente boa que é baladeira, mas de onde tiraram tanto mau gosto para especificar quais são os que bebem em horas indevidas?), sugerindo que o bom aluno também pode matar por exceder a velocidade para chegar logo na instituição de ensino (que eu saiba os mais apressados são aqueles com reuniões marcadas em tempos impossíveis de se cumprir, etc, muitas vezes o bom aluno tá se matando num ônibus lotado cujo motorista anda acelerado para cumprir um horário mal calculado por ambiciosos empresários; o bom aluno também pode ter carro e atropelar alguém, mas, mais uma vez pergunto, de onde saiu tanto mau gosto para se especificar assim quem excede a velocidade e quem desobedece as leis de trânsito?) e as gafes publicitárias da nova propaganda federal de prevenção aos acidentes de trânsito seguem esse rumo atropelado, como bem diz o site humorístico Sensacionalista, podendo matar o brasileiro de vergonha.
Em (des)homenagem às 'propagandas' de prevenção aos acidentes de trânsito do 'Governo' Temer, trago aqui o meu poema-campanha-publicitária "Propaganda Ruim também mata (nem que seja de vergonha)".

Propaganda Ruim também mata 
(nem que seja de vergonha)

Ex-candidatos perdedores
que buscam boquinhas
em governos populistas vencedores
também matam.
Futuros candidatos, apoiadores
da xenofobia, do preconceito à minoria
e dos reformados militares torturadores,
também matam.
Administradores cheios de credores,
fãs dos atrasos de salários aos seus funcionários
e dos golpes políticos nos bastidores,
também matam.
Puxa-sacos de exploradores
que usam suas influências
para provocarem terrores
também matam.

Para ganharem uma vantagem,
eles excedem velocidades,
eles podem te atropelar.
Pelo retrocesso dos valores,
eles perdem o controle,
eles podem te pegar.
Pela alta da bolsa de valores,
eles envenenam os motores,
eles podem fazer tua família chorar.
Para trocar a vida do outro por sua dívida egoísta
ou pelo crédito para a compra do mais moderno celular,
eles sempre podem te matar.

Numa propaganda mal formulada,
pode ser certo fazer a coisa errada.
Espalhada por gente bem de vida,
a maldade pode ser bonita,
nos ilude à primeira vista,
mas esconde a verdade maldita:
na busca cega pela máquina selvagem capitalista,
todo defensor ferrenho da tradicional família
também pode te matar.


sábado, 31 de dezembro de 2016

A última postagem de 2016: Carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura para George Michael



Olá, meu estranho querido famoso George Michael,


Andei meio longe de você nesses anos todos, meu querido mito esquecido, mas sua foto reapareceu na tela do computador em uma notícia de site que informava sua partida nesse ano cheio de mortalhas e abutres de 2016. Consultei várias páginas para conferir a veracidade da notícia, a princípio não acreditei neste presente mórbido de Natal, mas você partiu e, mais uma vez, parti por alguns minutos, num flashback de dançarinos cambaleantes que tentam passos felizes em vão (pés culpados não dançam, você já tinha avisado, e eu me sinto incapaz de seguir nesse ritmo trágico de 2016).

É estranho dizer isso, mas sua partida me machucou mais que as de outros grandes mitos como Bowie e Prince; pode parecer cafona ou profano dizer isso para aqueles que medem canções com réguas rígidas, mas já não me preocupo mais com opiniões alheias, os cabelos brancos crescem sem nenhuma vergonha em meu cabelo e eu preciso ser sincero, antes que eu me imploda em convenções de polidez social num ano 'tragicruel' que tanto nos fragilizou.

Você sempre foi um sexy simbol estranho, que flertava com a câmera, o sucesso e a polêmica; Margareth Thatcher, Tony Blair e George Bush recebiam caretas suas, enquanto damas alienadas de todos os sexos se ajoelhavam diante de sua beleza e de suas canções românticas; você foi o paradoxo único e máximo do popstar bonitinho que cuspia punkmente contra o sistema enquanto inicialmente nos ofertava músicas melosas e uma homossexualidade temporariamente enrustida. Em minha juventude arrogante, não o compreendi; eu era um idiota, George, com minha homofobia ignorante e minha pose de rebelde roqueiro sem causa que muitas vezes confundia preconceito com atitude. Suas hesitações em se revelar e minhas excitações com o machismo imbecil nos afastaram e, por muito tempo, eu o envergonhei, me afastei de você, me esqueci do herói que você figurou na minha infância.

Quando criança, fomos tão distantes e, ao mesmo tempo, tão íntimos, George, você era um adulto de rosto jovial e eu, um moleque, uma criança liricamente adulterada pelas suas primeiras canções de sucesso. Nas viagens de férias para Guarapari ou para Angra dos Reis, meu tio João Gomes embalava nossas jornadas on the road com as canções "Careless Whisper", "Father Figure" e "One More Try" (essa a minha preferida) gravadas do programa "Good Times" da Rádio 98 em saudosas fitas K7 - as canções rolavam em ritmos sensuais e ao mesmo tempo melancólicos enquanto o radialista, com aquele vozeirão característico, fazia a tradução imediata de cada verso e era tão cafona e tão lindo ouvir as músicas assim e agora elas sempre se repetem dessa forma em minhas lembranças como lágrimas tristes que escorrem felizes e pueris no rosto enrugado. E, nossa!, isso é tão "One More Try" e tão difícil e tão bonito e tão alegremente infeliz de se lembrar. Naquelas viagens de carro com meu tio João Gomes, ele, professor 24 horas sem diploma de magistério, aproveitava para me ensinar interpretação de textos, eu, um pirralho, tendo a chance de me comunicar, opinar, responder-lhe perguntas complexas como: "Afinal, Brunno, quem é essa 'professora' que aparece na canção "One More Try" do George Michael?"; "Conta aí, garoto, o que ele quis dizer com "Pés culpados não dançam" na "Careless Whisper"?" e foi assim que eu descobri, aos oito, nove, dez, onze, doze anos, que eu amava interpretar, eu amava as metáforas, metonímias e eufemismos de suas canções, George Michael, e eu devo isso a você e ao meu tio João Gomes, intermediador de nossa história de Amor (sim, Amor maiúsculo, platônico, infinito e sem pecado). E agora é fim de 2016 e meu tio anda bastante doente, lutando contra um câncer incansável, guerreiro enfraquecido, mas ainda João Gomes, ainda guerreiro com uma dor insuperável que também dói em mim, mesmo quando tento fingir que ela não nos machuca tanto assim, e agora é fim de 2016 e você não é mais um adulto com ar jovial e eu não sou nenhum menino encantado com minhas primeiras interpretações textuais e você nem aqui está mais para eu lhe pedir perdão por ter me afastado tanto tempo de suas canções, do meu eu menino (a porra dos pés culpados continuam impedindo minha dança, um "Careless Whisper" interminável com aquele sax sexy que transa com eternos flashbacks e não me deixa esquecer você e que você foi embora e é mais outra droga de dor bonita nesta droga de ano que parece o demônio que chora dos olhos do corvo de Edgar Allan Poe na tradução de Fernando Pessoa), e agora é fim de 2016 e o verso "Goodbye" se repetindo na canção "One More Try" porque neste último dia desse maldito ano ouço a canção repetidamente enquanto escrevo essa carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura enquanto o Ozzy, o cachorro labra-latas de minha namorada, meu amigão, às vezes se tranca no banheiro por causa dos canalhas fogueteiros que ainda comemoram ano novo com estardalhaços que incomodam os cães e às vezes paro de escrever para vê-lo e deixo "One More Try" tocar e ficamos ali no banheiro, a canção melancólica ferida por fogos de artifícios comemorando uma porcaria de fim de ano cheio de crises, canalhice, abutres políticos e tragédias que não trazem porra nenhuma pra comemorar ainda mais com barulhos que incomodam os animais mais sensíveis que os parasitas seres humanos e tanta dor e tanta morte desfilando com champanhes parcelados no 2016 que não acaba, cujo fim é comemorado por uma cambada de gente que não liga e é melhor eu encerrar essa carta, George, pois meus dedos já tremem de raiva por essa explicável, mas descontrolada dor que me faz encerrar as postagens dessa porcaria de 2016 com uma carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura que eu jamais pensei escrever. Que venha 2017, que essa porcaria de 2016 finalmente se acabe, infelizmente cheia de infelizmentes, sem você, que venha 2017, "maybe just one more try", talvez somente mais uma tentativa, né, George, é melhor encerrar assim, com alguma esperança perdida, como você encerrou "One More Try", mesmo dizendo antes "Goodbye", talvez somente mais uma tentativa, mesmo depois do adeus.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os poemas dos 9 poetalunos premiados no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP

Aconteceu na segunda-feira, dia 12 de dezembro, às 16h, no auditório da FALB/FALARJ, situado na Rua Teixeira de Freitas, nº. 5/ 3º andar esquina com a Rua Augusto Severo, na Lapa, Rio de Janeiro/RJ, a Cerimônia de Premiação do XXVIII Concurso de Poesia da ALAP, no qual 9 artistalunos meus da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, brilharam: Menção Especial para Andressa da Silva Oliveira, do 9.º A , Jaqueline de Carvalho Nunes, do 9.º A, e Raquel Arruda Branco, do 9.º A, Medalha de Bronze para Flaviane Tavares Gonçalves, da Aceleração V, Paulo André Ramos Almeida, da Aceleração V, Jackson Carvalho dos Santos, da Aceleração V, e Paula Costa Felippe, do 9.º A, Medalha de Prata para Vitória de Souza Andrade de Jesus, do 9.º B, e Medalha de Ouro para Taís Corrêa Moura, do 9.º A.
Hoje tenho a felicidade de postar no blog esses 9 poemas mais-que-fodásticos premiados. Boa leitura e Arte Sempre, amigos leitores!

A elite

Vamos marchar de salto alto,
disparar sorrisos,
derrubar o machismo,
estraçalhar sua falta de opinião,
e, por fim,
encantadoramente,
conquistar corações.
 Andressa da Silva Oliveira – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)

Amizade

Na amizade
não existe falsidade.
Tem que dizer só
a verdade.

Ter amigo nas horas difíceis
é tão bom
que a gente chama
até de irmão.

A amizade não tem preço,
mas tem o começo
de avaliar como ela é.

Por isso todas as pessoas
que tem amigos, valorizem
para evitar que estes virem
seus próprios inimigos!
Jaqueline de Carvalho Nunes – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Sentir-se infinito

Sentir-se infinito como o céu,
Como as alturas dos arranha-céus,
Como uma gota em meio ao oceano
E ver que tudo passa
Como as estações do ano.

Uma vida que não é eterna,
Mas com o sentido infinito
Que todo mundo espera
Sentir-se em paz no meio das guerras.
Raquel Arruda Branco – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Simplesmente

Quando o sol se pôr,
Simplesmente me abrace.

Quando o sol despertar,
Simplesmente não se afaste.

Quando eu me odiar,
Simplesmente me ame.

E quando eu esquecer quem eu sou,
Simplesmente me lembre.
 Flaviane Tavares Gonçalves – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Suavemente

Hoje simplesmente eu acordei cedo
Com muito frio
E te vi passando lentamente
Depois suavemente o sol apareceu
Disposto a esquentar
E, mesmo com aquele frio,
O sol nos esquentou suavemente.
 Paulo André Ramos Almeida – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Senhor Medo

Meia-noite, tudo escuro, som de nada,
ele vem mais negro que o carvão,
mais frio que toda Antártida,
com seu rosto desfigurado,
suas mãos cortadas,
seus lábios secos,
seus olhos amedrontadores:
isso é o Medo,
aquele que chega quando você vai,
aquele que deita comigo quando você está ausente,
aquele que cuida de mim calmamente.

Apesar de ser ruim na aparência,
o seu interior é o de uma criança solitária,
querendo fazer amizade.
Mas como fazer amizade com alguém tão feio assim? Como?
Isso se chama Medo, Medo do Desconhecido.
Por ser tão desvalorizado,
se vinga apavorando e amedrontando crianças,
adolescentes, adultos e velhinhos,
isso tudo pela sua ignorância...
 Jackson Carvalho dos Santos – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



O amor II

O amor nasceu,
Me envolveu,
Me surpreendeu,
Preenchendo meus dias com felicidade,
Me aconselhando,
Me completando,
Meus melhores momentos são com você!
Nossas horas voam,
Porque em seus braços eu me sinto segura,
Seja conversando, brincando, sorrindo,
Ou dizendo bobagens,
O nosso amor nos preenche, nos basta,
Mesmo que distante, ainda estou com você!
 Paula Costa Felippe – 9.º A – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Medo

Eu tinha medo de lhe perguntar
se você gostava de mim,
medo de que você dissesse que não,
medo de pensar que tudo
que aconteceu foi em vão.

Medo de pensar que o tempo
que eu tirei pra você
foi perdido,
que nada mais tivesse sentido,
que tudo fosse esquecido.

Mas você me beijou
e o vazio que eu tinha
dentro do peito
se preencheu,
o medo desapareceu
e a chama reacendeu!
 Vitória de Souza Andrade de Jesus – 9.º B – Medalha de Prata no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Saudade

Hoje pela manhã
senti uma enorme saudade
saudade que penetra no coração
e enche minha alma de emoção.

Saudade de um sorriso doce
que ficou na memória,
saudade de uma carícia,
feita por mãos já cansadas.
Saudade de um olhar alegre e cativante
que não esqueço a nenhum instante.

É doloroso imaginar
que não irei mais ouvir
sua voz suave
que sempre me acalmava.

Tudo o que resta agora
são lembranças.
Lembranças que partem meu coração,
lembranças de um tempo feliz,
lembranças que me fazem chorar.

Só o que me restou
foi olhar para sua casinha vazia
que ninguém ocupou
e sentir saudades
de quem um dia
a morte levou.
 Taís Corrêa Moura – 9.º A – Medalha de Ouro no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)