quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Solidões Compartilhadas de Terror: A escola assombrada pela professora, um conto de terror de Andressa Oliveira


Hoje é dia 31 de outubro, o Dia das Bruxas, conhecido mundialmente como um feriado celebrado principalmente nos Estados Unidos, onde é chamado de Halloween. Mesmo sendo uma data comemorativa estrangeira, hoje em dia é celebrado em diversos outros países do mundo, inclusive no Brasil. E é claro que o blog não iria ficar pra trás: é dia de postar uma narrativa inédita de terror e, por isso, compartilho minhas solidões poéticas com um dos contos mais sobrenaturais e assombrosos da escritoraluna Andressa Oliveira, do oitavo ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ.
Andressa é uma escritoraluna dedicada e fã de narrativas mais sombrias – versátil, ela escreve sobre diversos temas, seguindo os estilos mais variados, mas sua preferência são os contos de terror. Além das atividades de Redação solicitadas nas aulas, quase toda semana, Andressa me entrega uma nova narrativa ou um novo poema, seja qual for o tipo ou gênero, sempre carregado por uma marca autoral forte, um estilo próprio intenso (e muitas vezes tenso) e domínio da linguagem. O conto de terror “A escola assombrada pela professora” é um desses exemplos, cuja história marcante e assustadora destacou-se entre as redações extras que ela me entregara neste ano.
Leiamos nesta noite de Dia das Bruxas, amigos leitores, esse assustador e primoroso conto da hipertalentosa escritoraluna mestre das narrativas de terror Andressa Oliveira!

Os contos terríveis de Andressa: 
A escola assombrada pela professora

Havia uma escola que tinha fama de ser assombrada. Construída no século passado, o prédio possuía muitas salas e corredores aterrorizantes.
Uma das lendas em torno do local dizia que uma professora infeliz por ser abandonada por seu noivo suicidou em uma das salas. Dizem que uma das inspetoras encontrou a pobre mulher enforcada. Sua face estava branca e a língua lançada para fora.
A escola escondeu o fato pelo tempo máximo que pôde a fim de evitar que a instituição não ficasse mal falada. Porém, depois do ocorrido, algumas pessoas diziam ouvir choros e murmúrios pelos corredores durante a noite, acontecimentos que ajudaram a aumentar a fama da professora.
Durante uma das aulas noturnas, uma adolescente ficou até mais tarde para terminar um trabalho escolar e, quando estava indo embora, percorrendo o longo corredor, passou por uma sala, onde avistou uma mulher escrevendo no quadro negro. A jovem estranhou as vestimentas dela e procurou observar mais um pouco, quando, de repente, a mulher virou-se. A menina sentiu suas pernas tremerem, seus cabelos se arrepiarem e uma sensação de pânico invadiu o seu corpo. A mulher não tinha rosto, sua face era lisa e tenebrosa. Com um grito de horror, a menina venceu sua paralisia inicial e saiu correndo, fugindo daquela estranha criatura.
Já fora do local, enquanto era atendida por pessoas que foram atraídas pelos seus gritos, ela se lembrava dos escritos no quadro negro: “por favor, me ajude, eu estou no INFERNO”.



terça-feira, 23 de outubro de 2018

Meu conto fantástico bashô-leminskiano selecionado: Confissões de Leminski

Capa da coletânea "Quixote-Sama e outros
contos fantásticos"

Já faz mais de um mês que aconteceu, mas o memorável evento permanece na memória e encontra lugar cativo na minha trajetória literária. Na segunda-feira, dia 10 de setembro de 2018, das 19:00h às 21:00h, no Edifício Bunkyo, 1.º andar, Rua São Joaquim, 381, bairro da Liberdade, São Paulo-SP, tive a honra de participar do lançamento da antologia do II Concurso Bunkyo de Contos, sob o título “Quixote-sama e outros contos fantásticos”, organizado pela Comissão de Atividades Literárias – Seção de Língua Portuguesa da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social.
A coletânea reúne 30 contos selecionados (e – yeah! – o meu conto “Confissões de Leminski” está entre os textos classificados para compor a antologia) dentre 171 inscritos por autores radicados nas mais diversas cidades do país, e também na Inglaterra, Portugal e Japão. 
Paulo Leminski em caricatura
de Ramon Muniz
Capa do livro
"Vida - 4 biografias",
escrito por Paulo Leminski
O conto, como o próprio título informa, é uma homenagem ao Mestre Poeta Samurai Paulo Leminski e traz um encontro imaginário entre o escritor brasileiro e o poeta japonês mestre dos haikais Bashô, um dos maiores influenciadores da poética leminskiana (no livro “Vida – 4 Biografias”, Leminski chegou a dedicar um capítulo de ensaio-lírico-estudo-biográfico todo para Bashô – por sinal, usei este como material de estudo para o início do processo de estruturação do conto).

Foi uma cerimônia informal, lírica e festiva, na qual tive a honra de conhecer novos e fodásticos escritores artistamigos, Não posso reclamar, amigos, este ano de 2018 tem sido literariamente maravilhoso!
Em agradecimento a todos os amigos leitores pelas vibrações poéticas positivas e torcida pelo meu crescimento literário neste ano, hoje compartilho o meu conto fantástico publicado na coletânea (não posso dar um exemplar da antologia a cada leitor, então torno público o conto como uma forma de presentear os amigos leitores seguidores do blog)! Boa leitura e Arte Sempre!

Confissões de Leminski
Carlos Brunno Silva Barbosa

Eu era apenas Paulo quando o encontrei pela primeira vez. Antes de conhecê-lo, eu estudara a etimologia do meu nome e lamentava que me nomeassem por uma palavra que significava “pequeno”. Como todo jovem tolo, eu trazia um orgulho gigante e me envergonhava de ser chamado de “pequeno”. Eu era apenas Paulo e temia ser apenas Paulo pela minha vida inteira, quando o encontrei pela primeira vez.
                Em minhas viagens solitárias pelas matas desertas de minha cidade, encontrei-o tão solitário quanto eu. Era um senhor com feições asiáticas, sua imagem traduzia aquela complexidade simples de um velho sábio, filho de um Japão distante e ancestral, imigrante pacato de minha agitada Curitiba. Como eu, veio buscar a rara paisagem tranquila de minha cidade e, diferente de mim, parecia ter encontrado o que jamais alcancei: a paz dentro de si mesmo.
                Esse velho senhor observava os sapos no brejo e seu olhar parecia dar vida ao aspecto moribundo daquele lugar, onde tantas vezes eu me escondia do rodamoinho de gente e, às vezes, até de mim mesmo. Ele parecia gostar das coisas pequenas e simples da natureza. Talvez este tenha sido o motivo pra logo reparar na minha presença: o eu apenas Paulo, o eu que me remoía por ser chamado de algo que significava pequeno.
                Observou-me por um longo tempo, como se me desenhasse em seus olhos. Depois se apresentou: “Olá, rapaz, meu nome é Bashô. Qual é o seu?” Minhas memórias me traem nesse momento, não sei direito como me comportei diante daquele estranho de português tão claro e, ao mesmo tempo, carregado pelo sotaque estrangeiro. Guardo sempre a lembrança de um sorriso incontido que lhe ofereci, talvez por timidez, talvez por achar engraçado que o nome dele se parecesse com a palavra “baixo” se eu falasse com o mesmo sotaque que ele. Não sei, não me lembro bem, mas, seja como for, o sorriso incontido, real ou ilusório, se manteve em minha memória e assim permanece sempre que conto para alguém essa minha história.
                Sei que, em seguida, lhe revelei meu nome: Paulo. Mas, pelo tom de repulsa que fiz a minha denominação, era como se eu dissesse algo que me diminuísse: Paulo, apenas Paulo! O velho parece ter lido em meus lábios toda minha ira contra a palavra que me nomeava, então comentou que vários amigos dele mudaram-se para uma grande cidade que possuía o nome de um santo homônimo ao meu: SÃO PAULO. Ao ouvi-lo reproduzir com tom tão grandioso a palavra que eu carregava com vergonha desde o meu batismo, comecei a ter dúvidas sobre o verdadeiro significado de meu nome.  O velho voltou novamente seu olhar para os sapos no brejo e comentou, quase que sussurrando, como se me ensinasse um segredo milenar: “Não deveríamos ter vergonha dos pequenos, pois neles está o que há de mais grandioso nesse mundo”.  E me declamou pequenos poemas, segundo ele, de sua autoria, escritos no saber de observar o que era imenso no que parecia pequeno. E os versos curtos ganharam meus ouvidos como se fossem extensos, infinitos!  A partir daquele momento, tudo que me parecia breve ganhou o terreno colossal de uma eternidade. Eu não era mais apenas Paulo, estava imenso, espalhado por todo aquele matagal, ao lado daquele velho japonês, meu mais novo amigo, agora não mais tão estrangeiro assim.
                Perdi as contas de quantas vezes passeei por aquelas matas com o Sr. Bashô, aprendi muito com aquele velho senhor, tanto que passei até a dividir com ele a tradição de criar pequenos poemas. Hoje acrescento ao meu nome Paulo o sobrenome Leminski, não por vergonha do significado de meu primeiro nome, e sim por tentar entender e estender o grandioso que há no pequeno que agora caminha feliz comigo nas minhas andanças solitárias pelas estradas de um novo agora, sempre acompanhado pelo espírito de meu amigo Bashô, que sempre me visita no caminho. Apesar de não mais pertencer ao mundo dos vivos, Bashô permanece comigo, admirando a beleza grandiosa do pequeno infinito.



segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Solidões Compartilhadas: A poetamiga engenheira das palavras Nathacha Felippe retorna ao blog


Na última postagem do blog, trouxe a brilhante participação dos artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva,da  região rural de Teresópolis/RJ, na  edição 2018 do Festival Intermunicipal de Poesia na Escola. Tal acontecimento me faz relembrar outra brilhante ex-artistaluna da escola onde leciono, atual artistamiga, também teresopolitana, que representou a cidade serrana na Categoria II na edição do ano passado no mesmo festival: a mais que fodástica poetamiga Nathacha Felippe (a participação dela, com o formidável poema “Nosso Paradoxo”, está no seguinte post: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2017/11/poetalunos-da-escola-alcino-que.html ).
Nathacha Felippe brilhou desde cedo na poesia; dedicada e estudiosa leitora, desenvolveu uma poética já surpreendente na primeira fase da adolescência, tanto que, ainda na sexta série, já havia conquistado seu primeiro prêmio literário: com o poema “Uma noite”, rico em anáfora e com versos bem planejados, conquistou a Medalha de Bronze da Categoria Infantil no XXV CONCURSO DE POESIA da ALAP, em 2014 (o poema vitorioso pode ser conferido no seguinte link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2014/12/poetalunos-da-escola-municipal-alcino.html ).
Hoje compartilho minhas solidões poéticas com duas pérolas poemas de Nathacha Felippe: o quase-metapoema brilhante “Amor de poeta”, com rimas e formato bem marcado, com lirismo e maturidade surpreendentes, levando-se em conta que fora escrito quando a artistaluna cursava o sétimo ano, e o também super bem estruturado “Por acaso”, escrito quando ela cursava o nono ano, que traz o tema do amor (do caso) e do acaso (a caso, há caso), mas é milimetricamente elaborado (reparem nas repetições e constância de palavras, fazendo-nos recordar das lições do Mestre Poeta Engenheiro das Palavras João Cabral de Melo Neto sobre usar os mesmos vocábulos em posições e versos diferentes, formando um jogo lírico e sensacional com as palavras).
Aprendamos e nos encantemos, amigos leitores, com a jovem brilhante engenheira das palavras Nathacha Felippe!

Amor de poeta

Em amor de poeta
Não existe meta.

Amor de poeta pode não ser o melhor
Mas não dura um ano só
Amor de poeta fica marcado
Em papel dourado.

Amor de poeta é doido
Pois coração de poeta é sofrido
E às vezes mal compreendido.

Amor de poeta é intenso,
É imenso o amor de poeta,
É feito de facas afiadas
Que podem deixar marcas
Até outro amor chegar.



Por acaso

Por acaso, o acaso da sorte
Trouxe um novo sentimento
Mais forte que o comum.

Por acaso, o acaso do comum
Se tornou compartilhado
Por dois jovens apaixonados.

Por acaso, o acaso dos apaixonados,
Tinham seus destinos traçados,
Algo que não poderia ser mudado.



domingo, 21 de outubro de 2018

Solidões Compartilhadas: Ana Clara Pfister e Pedro da Silva Ferraz, poetalunos que brilham


É, amigos leitores, já passou o dia 12 de outubro, data na qual comemoramos o Dia da Criança, o Dia de Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil e Dia Nacional da Leitura, já passou o dia 13 de outubro, no qual comemoramos o Dia Mundial do Leitor, dia 15 de outubro, Dia do Professor,  então passou desesperadamente rápido e sem fôlego, e eu só procrastinei no blog, sem fazer uma atualizaçãozinha sequer e, agora, quase fim de 20 de outubro, noite super fria em Teresópolis/RJ, muita coisa pra contar, pra postar, e cá estou na correria pra atualizar o blog. Em comemoração a todas as datas citadas, nada melhor que retornar com uma super Solidão Compartilhada: hoje compartilho minhas solidões poéticas com dois grandes jovens poetalunos que brilharam recentemente: Ana Clara Pfister e Pedro da Silva Ferraz, respectivamente, artistalunos do 7.º e 8.º Anos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural e super lírica de Teresópolis/RJ.
Na tarde de 11 de outubro de 2018, em Cambuci/RJ, os poetalunos Ana Clara Pfister e Pedro da Silva Ferraz, da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, mais uma vez brilharam, representando o município de Teresópolis/RJ, na edição 2018 do Festival Intermunicipal de Poesia na Escola.
Não nos classificamos nos primeiros lugares, mas brilhamos nas apresentações, representamos liricamente com orgulho, amor e arte nossa querida cidade serrana e, mais uma vez, todos venceram, pois. a poesia fluiu - e quando há poesia, sempre saímos todos vencedores!
Hoje trago ao blog, os poemas destes dois formidáveis poetalunos + o vídeo com a apresentação dos dois no Festival Intermunicipal de Poesia na Escola 2018, em Cambuci/RJ.
Que a poesia, mesmo nos momentos mais ingloriosos, continue vitoriosa, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

Os poemas de Ana Clara Pfister e 
de Pedro da Silva Ferraz

DOCE MENINA

Com vários rabiscos em um só papel
Um pequeno mar refletindo o céu
Uma doce menina com duas trancinhas
E para embelezar, um belo chapéu.

Com várias cores em uma aquarela
Todas elas grandiosamente belas
Várias flores em um só jardim
E para terminar um céu sem fim.

Do outro lado uma bela cachoeira
Com águas bastante cristalinas
Um enorme sol iluminando o céu
E de novo, lá estava a doce menina!
(Aluna: Ana Clara Pfister. - Turma: 7º B - Categoria I)


Grande amor

Eu encontrei algo maior.
A Tua benevolência me transformou.
Eu quero andar conTigo,
Porque Tua graça me basta.

Não sei o que dizer para Ele,
Porque Ele é tão grande
Como o infinito
Ou até maior.

Ele me ama,
Eu desejo
Que Ele me molde.

Seja o oleiro,
Faça-me de novo,
Me molde.
(Pedro da Silva Ferraz - Turma: 8º B - Categoria II)


A apresentação de Ana Clara Pfister e Pedro da Silva Ferraz no Festival Intermunicipal de Poesia na Escola 2018, em Cambuci/RJ


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Holístico e Lírico: Conexões Coletivas Solitárias Universais com Sarau Solidões Coletivas e Gabriel Carvalho Power Trio


Hoje, dia 04 de outubro, comemoramos o Dia Internacional do Poeta. E hoje relembro o marcante re-retorno (sim, vivemos em eterno re-retorno rs) do Sarau Solidões Coletivas: No sábado, dia 1.º de Setembro de 2018, o Sarau Solidões Coletivas se apresentou no II Encontro Holístico de Valença/RJ, evento organizado pela mais que fodástica artistativistamiga Dirce Assis. A festa lírica aconteceu na Praça Clóvis Corrêa (Praça do Jardim Valença) no bairro Jardim Valença, em Valença/RJ.
O tema da apresentação foi "Conexões Coletivas Solitárias Universais", teve a participação minha, de Dirce Assis, Patricia Vasconcellos, Gilson Gabriel, Wagner Monteiro (Ryu), Lucimauro Leite, Fernanda Monteiro, participação especial da banda Gabriel Carvalho Power Trio (formado por Gabriel Carvalho - guitarra e vocal, Rodrigo Fiúza - baixo e Davi Barros - bateria) e estreia da youtuber lírica nova poetamiga Juh Duboc (segue o link do canal dela: https://www.youtube.com/channel/UC1FPBcX27oF81VI6tWMlyGg). Além de poemas dos artistamigos que se apresentaram, também foram declamados poemas de poetalunos e ex-poetalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva da região rural de Teresópolis/RJ (entre eles, Jackson dos Santos, Poliana Reis e Ruan adaptando um famoso rap nacional) e da diva poetamiga maranhense Eneida Cristina.
Trago hoje ao blog o poema de introdução escrito às pressas para abrir o sarau, o vídeo da apresentação do Sarau Solidões Coletivas e outro com o show-ensaio-aberto do Gabriel Carvalho Power Trio.
Comemoremos este dia especial com leitura e apoio à música e à poesia. Abração, Até Breve (mesmo que não seja tão breve) e Arte Sempre!

Conexões Coletivas Solitárias Universais 
(o vídeo)





Intro Lírico Holístico Solitário Coletivo
(Carlos Brunno Silva Barbosa)

Estou cansado de ouvir falar 
De notícias fakes, presidiários presidenciáveis,
Terra plana e intervenção militar.

Os admiradores de Kareka Giesta já começaram a chegar,
Os admiradores de Kareka Giesta já começaram a chegar,
A Solidão Coletiva vai continuar,
A Solidão Coletiva vai continuar,
A Conexão Universal está estabelecida.

Se você acha que maluco beleza e poesia não tem nada a ver,
Te aviso que aquele candidato fascista e besta não vai salvar a vida de ninguém,
Uma evolução holística voluntária talvez fosse a solução,
Se volte à arte coletiva, aí assim começamos a revolução.

Show "Ensaio Aberto" de Gabriel Carvalho Power Trio no II Encontro Holístico de Valença (o vídeo)



terça-feira, 2 de outubro de 2018

Para comemorar o início do Outubro Literário: Resenhas Alcinenses e Serranas


É, amigos, ontem parecia que o ano se iniciava e já estamos em outubro; o tempo tem passado feito trem bala! E falando em outubro, a querida divartistamiga Eliana Neri, ao me enviar uma imagem com a divulgação de datas comemorativas deste mês, me lembrou que esse é o período mais literário do ano, pois possui 5 datas voltadas para a Literatura: Dia 4/10 – Dia Internacional do Poeta, dia 12/10 – Dia Internacional da Leitura, dia 13/10 – Dia Internacional do Escritor, dia 20/10 – Dia Mundial da Poesia e do Poeta, dia 29/10 – Dia Nacional do Livro (espero que a riqueza de datas inspire aos amigos leitores a dedicaram um pouco mais do seu tempo à Literatura).
Diante de tantas constatações, fiz um apanhado de fodásticos textos produzidos por formidáveis escritores-alunos nesse ano e hoje trago ao blog várias resenhas literárias elaboradas por escritores-alunos dos oitavos anos do Clube do Livro Alcino Voraz, da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, e de escritores-alunos do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano (não leciono mais lá, mas guardo sempre boas lembranças, principalmente da leitura de excelentíssimas redações, escritas pelos geniais escritores-alunos lá). Os textos aqui postados foram anteriormente publicados no Jornal-Mural Alcino News (os dos escritores-alunos do Clube do Livro Alcino Voraz) e na Folha Literária do Centro de Ensino Serrano (os dos escritores-alunos do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano) e analisam: a trilogia de HQ de “Scott Pilgrim contra o mundo”, do canadense Bryan Lee O’Malley, e sua adaptação cinematográfica, o romance em cartas “As vantagens de ser invisível”, do americano Stephen Chbosky, e sua adaptação cinematográfica, o romance “Do que são feitas as estrelas”, da brasileira teresopolitana Jana M. Meilman, relacionado às características do Romantismo Europeu com destaque para a literatura romântica de Jane Austen. Os textos foram escritos, respectivamente, por  Cleyton Filgueiras Arruda, do 8.º Ano B da E.M.A.F.S., Maria Gabriela Ferreira Luz, do 8.º Ano C da E.M.A.F.S., Giorgio Alessandro Ferreira da Cunha Filho, da 2.ª Série do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano, e Maria Antonia Sequeira Gomes, do 2.ª Série do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano.  De brinde, além das resenhas, há um poema, uma ode em homenagem ao livro “Do que são feitas as estrelas”, de Jana M. Meilman, escrito pelo hipertalentoso poetamigo Davi Lage Marinho, da 1.ª Série do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano.
Boa Leitura e bom início de Outubro Literário, amigos leitores!

Resenhas alcinenses

“Scott Pilgrim contra o Mundo”, o filme e os livros
Por Cleyton Filgueiras Arruda

A versão cinematográfica da trilogia em quadrinhos “Scott Pilgrim contra o mundo” foi um pouco fiel ao livro, pois a obra original tem falas que no filme não tem e há momentos que acontecem no livro, que o filme não possui. Mesmo assim, eu recomendo, porque o filme é engraçado, tem ação, referências a jogos antigos de videogame e até coisas românticas.
Para quem não conhece o enredo, um pequeno spoiler: Scott Pilgrim tem que derrotar os 7 ex namorados do mal de Ramona Flowers para ficar com essa garota. Muita gente vai falar: “Eu não faria isso”. Já eu falo que faria tudo para ficar com a garota que eu gosto.
Moral do livro e do filme: Mesmo se alguma coisa não deixa passar, persista para passar, ou seja, nenhum obstáculo pode parar você. Ao invés disso, lute sempre e quebre-o!

As vantagens de ler (e ver) “As vantagens de ser invisível”
Por Maria Gabriela Ferreira Luz

Charlie é um adolescente de 15 anos que já passou por vários traumas em sua vida. Por exemplo, a morte da tia em um acidente de carro (que ele acaba se culpando por isso) e o suicídio do melhor amigo.

                Charlie está se recuperando de uma depressão, que lhe causou tendência suicida. No colégio, ele tenta se enturmar, porém os grupinhos já estão formados. Porém nem tudo está perdido para Charlie: Patrick e Sam são dois veteranos que o recebem em seu pequeno mundinho.
                Na versão cinematográfica desta história, Emma Whatson, Ezra Miller e Logan Lerman representaram maravilhosamente os seus papéis. A trilha sonora, cheia de rock alternativo dos anos 1970 a 1990, também agrada.
                O drama traz assuntos pouco abordados de forma direta ou implícita, como o abuso sexual, pedofilia e homofobia. Esta última ficou bem clara e se trata do pai do namorado de Patrick, que, quando descobre que o filho é gay, bate nele. A pedofilia também fica evidente e se trata de como Sam perdeu a virgindade com um cara mais velho. Já o abuso sexual – que também é considerado pedofilia – não fica muito exposto, mas se trata da estranha relação da tia com Charlie, crime que ocorre sem os pais do garoto suspeitarem.
                O filme e o livro contam com um final surpreendente. A história foca na amizade, na maneira que um confia no outro e como se entregam uns aos outros. Não podemos deixar de citar o poema “Em uma folha amarela com linha....”, que não tem no filme, porém foi citado no livro e deu mais uma emoção ao drama que tocou fundo nos corações de leitores e cinéfilos.

Mini Resenhas Literárias – Por escritores-alunos da 2.ª Série do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano

De quanto Romantismo é feito o livro de Jana M. Meilman
(Por Giorgio Alessandro Ferreira da Cunha Filho)

O livro “Do que são feitas as estrelas”, de Jana M. Meilman, faz uma menção muito grande ao falecimento de entes queridos dos personagens principais do romance. Essa característica é muito parecida com aspectos explorados na época do Romantismo.

Morte, saudade, isso tudo faz com que o primeiro romance da escritora Jana se aproxime da estética romântica.
O livro faz menção a como são feitas as estrelas, no modo literal: dizem que para nascer uma estrela é preciso que outra estrela se vá, ou seja, supõe-se que a cada pessoa que nasce (pessoas importantes para cada pessoa) é preciso que outra pessoa se vá.

De Jane Austen a Jana M. Meilman       
(Por Maria Antonia Sequeira Gomes)

Jane Austen foi uma das primeiras mulheres a se tornar uma romancista importante no cenário literário. Tinha como parte de seu universo, o doméstico, o das casas dos nobres e abastados da província. Foi a primeira a fornecer características modernas ao romance, traços sobre a vida cotidiana da classe média inglesa. Preocupou-se em analisar essa sociedade marcada pelo preconceito socioeconômico, relacionamentos apenas entre as mesmas camadas sociais. Criticou o meio hipócrita e preconceituoso da época.
Assim como Jane, Jana M. Meilman, em seu romance de estreia “Do que são feitas as estrelas”, também narra a vida cotidiana de suas personagens, fala das relações pessoais de amizade, amores e diferenças.

Agradecimento poético do poeta Davi Lage Marinho (1.ª Série do Ensino Médio do Centro de Ensino Serrano) a Jana M. Meilman, autora do livro “Do que são feitas as estrelas”

Sem dúvida alguma,
a leitura
pode ser considerada
cultura.               

Este livro me trouxe
diversas alegrias
pelas personagens
Malu, Lauren e Sofia.

Muito obrigado,
Jana M. Meilman,
por ter me proporcionado
uma ótima leitura.

sábado, 22 de setembro de 2018

De volta à velha infância no equinócio da primavera: A Obra Prima da Prima Primavera


Hoje é o equinócio da primavera! Caso não saiba o que significa equinócio, amigo leitor, informo-te que os equinócios acontecem duas vezes por ano, em março e em setembro, e determinam a entrada do outono e da primavera , como acontece hoje, sábado (22), exatamente às 22:54, horário de Brasília, para determinar a entrada da primavera no hemisfério sul.  Segundo Tânia Maris Pires Silva, coordenadora do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fenômeno "é o momento em que o Sol incide com maior intensidade sobre as regiões que estão próximas da linha do Equador". [para mais informações segue a link da fonte:  https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2018/09/o-que-e-um-equinocio-conheca-o-fenomeno-que-marca-o-inicio-da-primavera_61727.php ].
Professoramiga Patricia Ignácio
com seus filhos
E, para comemorar o equinócio da primavera, ou seja, o início da estação das flores, trago um poema meu inédito, um tanto diferente de muitos outros que já postei aqui – o poema de hoje, “A Obra Prima da Prima Primavera” foi escrito a pedido da professoramiga Patricia Ignácio, do Pré II da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ. Patricia me sugeriu que eu deveria me dedicar mais a poemas infantis (se não me engano, eu só escrevera uns dois ou três assim em toda minha trajetória lírica), então aceitei o desafio e lhe pedi temas que ela havia programado trabalhar com as crianças do Pré II e um dos assuntos recomendados foi a chegada da primavera. O desafio não me saiu da cabeça e, desde que o aceitei, passei 24 horas pensando, estudando , trabalhando o tema e buscando uma linguagem mais adequada, diferente do lirismo aplicado em meus poemas adultos (as poetas-mestres Henriqueta Lisboa e Cecilia Meireles e o sublime Mario Quintana – os três com excelente traquejo para poemas infantis que podem ser lidos por leitores também não infantis  - foram meus inspiradores maiores) e assim surgiu a “A Obra Prima da Prima Primavera”, que os amigos leitores podem ler agora nesta postagem do blog (segurei a postagem pra bem perto do horário do equinócio da primavera, vocês repararam, né?). Adianto que o poema é dedicado a todos os guris formidáveis artistalunos da turma do Pré II da professoramiga Patricia Ignácio – o poema nasceu por eles, com o que observo deles e para eles.
Boa leitura e boa primavera, amigos leitores! Espero que gostem! Abração e Arte Sempre!

A Obra Prima da Prima Primavera

Tudo começou
Meio assim,
Meio assado,
Muito frio
E meio nublado:

Tio Inverno era meio chato,
Sempre bravo e resfriado,
Mas cuidava bem do afilhado,
Seu sobrinho Calendário,
Até que algo estranho aconteceu:
No meio do mês de setembro,
Fechou o clima, fechou o tempo,
O Seu Inverno se escafedeu!

Foi uma bagunça,
Um Deus nos acuda,
Sem tio e sem ajuda,
Sem amigos e sem agasalho,
Sem cuidados e sempre atrasado,
Ficou triste e solitário
O pobre menino Calendário.

O tempo parecia perdido,
Não sabia se fazia calor
Ou se fazia frio.
Calendário, pobre menino,
Precisava de amor
E de carinho.

Foi quando sua Prima Primavera apareceu
E os problemas do primo Calendário
Ela resolveu:
“Não se preocupe, priminho meu,
Que agora quem cuida dos seus horários
Sou eu!”

Logo o menino Calendário reconheceu:
“Acabou-se o tempo ruim,
Agora eu tenho quem cuide de mim!”
Com a Prima Primavera, tudo floresceu:
No jardim, que era só capim,
Cresceram gérberas e jasmins,
Cresceu uma família de flores sem fim.
Até o menino Calendário amadureceu,
Ficou mais vivo e forte, cresceu jovem e feliz!

E tudo continuou
Muito florido
E meio floreado,
Até o grande calor,
Nosso Verão Vizinho,
Inventar outro caso.
(Carlos Brunno Silva Barbosa)