segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Negro (além do bem e do mal)

Esse poema eu devia ter postado no blog há tempos e destaco-o hoje, neste dia 20 de novembro, quando comemoramos o Dia da Consciência Negra. Escrevi o poema, inspirado nas saudosas e fodásticas aulas da Doutora Mestre Escritora-Mais-Que-Fodástica Conceição Evaristo, divartista de imenso destaque da literatura afrobrasileira, durante as aulas na Pós-Graduação  sobre Literatura e Cultura Africana, cujo curso iniciei, mas não encerrei, apesar de, até hoje, trazer e me aproveitar (e muito!) dos materiais e das lições aprendidas em seus módulos. Tenho o privilégio e o orgulho imenso de ter lido o poema em primeira mão para a mais-que-fodástica Conceição Evaristo e ter recebido elogios dessa superadmirada escritora. No mesmo ano em que o escrevi, publiquei-o algum tempo depois no meu quinto livro “Eu & Outras Províncias – Progressos & Regressos” (2008).
Eis o poema logo abaixo, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

Negro (além do bem e do mal)

Negros escravizadores de negros na África
foram meus irmãos.
Negros escravizados também foram meus irmãos.

São minha herança das grandes batalhas,
minhas tribos, meus ritos,
a consagração de meu sangue sedento por expansão,
meus conquistadores negros,
guerreiros, IMENSOS!

Negros capitalistas comunistas estáticos pós-modernos
opressores oprimidos seminus ricamente vestidos
são todos meus irmãos.

O trapo e o ouro,
a dureza do carvão e a maleabilidade do mar,
a sereia sedutora que mata e fascina,
o bronzeado da sombra que reflete a euforia do sol,
tudo isso sou eu, aiué, aiuê, sou eu:
Negro, além do bem e do mal!

Me embala a contradição...
Abraçar um lado de qualquer questão
é embaçar minha cor, me passar em branco,
é cegar o Nilo que me rega mas que também me afoga,
é não enxergar a humanidade de minha vida,
a negritude luzidia de minha vida!


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Direto do túnel do tempo: Meu poema em homenagem à escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, declamado em Guimarães/MA, em 2015

Hoje retiro uma vídeo-lembrança direto do túnel do tempo e a posto no blog, juntamente com o poema declamado, minha lírica homenagem à fodástica escritora maranhense Maria Firmina dos Reis. É um vídeo que andava meio perdido no meio do caos de arquivos de meu bagunçado notebook. Trata-se de minha participação no evento de lançamento da antologia "CENTO E NOVENTA POEMAS PARA MARIA FIRMINA DOS REIS”, no ano de aniversário de cento e noventa anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis, em 12 de outubro de 2015, m Guimarães/MA.. Na ocasião, declamei meu poema "Recado ao moço branco que folheia minhas páginas negras", em homenagem à fodástica musa-escritora Maria Firmina dos Reis.
Em tempo: O meu livro mais recente, o meu 9.º livro-filho "O nada temperado com orégano (Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita)" traz esse poema e, neste fim de semana, realizo um sonho que não pude realizar no final do ano passado: a convite da divartistamiga Dilercy Aragão Adler, no sábado e domingo, respectivamente, dias 18/11 e 19/11, estarei, durante a tarde e a noite, no estande da Academia Ludovicense de Letras (ALL) e em outros espaços, expondo e comercializando a preços promocionais meus livros na 11.ª Edição da Feira do Livro de São Luís/MA (FeliS) que homenageia a própria escritora-musa-inspiradora do meu poema.
Será um excelentíssimo momento pra fazer aquele intercâmbio cultural que eu amo (São Luís/MA) já se tornou uma das minhas cidades afetivas - tanto que no meu livro mais recente dedico vários poemas a autores queridos maranhenses - e rever fodásticos artistamigos que conheci lá!
Abaixo seguem o poema citado, de minha autoria, e o vídeo que registra a minha interpretação para ele.
Que a poesia siga em frente, alcançando todos os cantos do Brasil!
Saudações Firminianas e Gonçalvinas! Até breve e Arte Sempre!

Recado ao moço branco que folheia minhas páginas negras
(Carlos Brunno S. Barbosa)

Olá, moço branco, jovem estranho desses novos tempos selvagens,
onde o preconceito desfila com novos disfarces, outras maquiagens,
se, mesmo ignorada, recebo a visita de teus olhos sedentos pela minha estrada lírica,
ainda existe esperança pra ti, pro novo mundo, pra toda prosa e poesia
que, mesmo abandonadas, continuo a defender muito além da vida.
Não és como os novos bárbaros que repousam minha arte na ignorância-marasmo,
és  minha chance de ressuscitar a herança que sempre me negaram:
a honra de ser rainha numa literatura que sempre me fez de escrava cativa e esquecida.
Gravaram em meu nome apenas o adjetivo-infortúnio “bastarda”,
como se este fosse meu único dom, minha única característica,
quando, na verdade, fui a filha mais agraciada
pelos encantos da língua de Gonçalves Dias.
Domei e conquistei todas as palavras da pátria colonizadora de Camões
e derrubei os vocábulos do patriarcado
para transformá-los em refúgio da Liberdade
pro meu povo outrora escravo e sem mãe.
Com meus cantos a beira mar, me fiz princesa e, mais tarde, rainha das Praias do Cuman.
Com minha escrita libertária, desfiz a mentalidade escravagista e precária
que outrora reinava em minhas terras cansadas de grilhões
e dei sonhos mais sublimes aos milhões de oprimidos do Maranhão.
Até Úrsula, a mais clara constelação,
ganhou comigo uma cor mais mulata,
orgulhosa de sua escuridão:
sou e sempre serei  a dona do primeiro romance brasileiro abolicionista;
por mais que me neguem essa ousadia,
estou nas principais estantes das  bibliotecas livres dessa injusta negação;
sim, minha escrita ainda brilha nos céus despidos de tanta ingratidão!
Bem-vindo, bom moço branco, que desliza as mãos pálidas
por minhas páginas negras,
meu nome é Maria Firmina dos Reis,
escritora da mais alta nobreza
– nasci bastarda sim, mas bastarda não permaneci!
Meu último sobrenome já informa a todos inimigos,
que fazem da intolerância um vício:
mesmo que me atribuam apenas derrotas,
ainda  sou e sempre serei a filha adotada mais gloriosa
da vila mais formosa e linda de todo Brasil.
Bem-vindo, moço branco e bonito, despido das opiniões anciãs,
meu nome é Maria Firmina dos Reis, tenho muitos fãs,
sou a eterna rainha da vila de São José de Guimarães!


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Luz, Câmera...Alcino! retornou e levou os super-heróis mais poderosos do planeta para uma partida de xadrez!

O filme da Liga da Justiça ainda não estreou nos cinemas, mas o Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino!, em seu triunfal retorno agora no quarto bimestre de 2017 (exatamente no dia 25 de outubro de 2017), levou os super-heróis mais poderosos do planeta para uma partida de xadrez!
Na postagem de hoje, trago o roteiro do esquete “Luz, Câmera... Alcino! apresenta: Mulher-Maravilha No Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate”, o vídeo com as duas apresentações do esquete nas abertura do VII Torneio Xeque Mate da Escola Alcino e o superdocumentário produzido pela Superequipe de Repórteres do Luz, Câmera...Alcino!
A apresentação marca o retorno do Luz, Câmera...Alcino! e é uma homenagem ao Torneio Xeque Mate, realizado todo ano na Escola Alcino e aos personagens consagrados nos quadrinhos, no cinema e  no inconsciente nerd coletivo pela DC Comics.
Boa leitura e boa diversão, amigos leitores! Vida Longa ao Torneio Xeque Mate do Alcino, idealizado pelo superpoetatleta-medalha de ouro Genaldo da Silva Lial, e ao Luz, Câmera...Alcino!


Luz, Câmera... Alcino! apresenta: Mulher-Maravilha No Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate

Roteiro e Direção:
Professor Carlos Brunno Silva Barbosa
[O roteiro contém poemas de Kaylanne Pimentel (monólogo em versos do Superman), de Thaynara Silveira e de Nathacha Felippe Correa (monólogo em versos de Ares) e fragmento de canção de Valdivino A. Almeida (coro final)]

CoDireção / Revisão de posicionamento e roteiro:
Isabela Correa

Cenário:
Professor Genaldo da Silva Lial (Educação Física)

Figurino:
Professora Neiva (Artes), Professora Aline Camacho, Jaqueline Santos da Silva, Simone Cruz, Diretora Paloma de Souza, Orientadoras Pedagógicas Flávia Araújo e Vanessa Sátiro, Shayane Silva, Isabela Murta, Leticia Siqueira, Byanca Lima, Maria Emilia de Oliveira, Professor Carlos Brunno, Professor Genaldo Lial

Personagens/ Elenco:
GENERAL LUDENDORFF (rei negro): Tamara Pinheiro
DOUTORA VENENO (rainha negra): Laryssa Fernandes
HITLER [turno da manhã] (torre negra) / Superman [turno da tarde] (comentarista): Hevelyn Carneiro
CAPANGA DO CORINGA (peão negro): Tatiane de Jesus
AMAZONA (cavalo branco): Lidiane Silva
CORINGA (bispo negro): Professor Carlos Brunno
ARLEQUINA (bispo negro / bispo branco): Byanca Lima
STEVE TREVOR (rei branco): Carlos Emanuel Fernandes
MULHER MARAVILHA (rainha branca): Samira Ferreira
HIPÓLITA: Liz
ANTÍOPE: Maria Emilia Oliveira
ARES (jogador de xadrez das peças negras): Isabela Murta
AFRODITE (jogadora de xadrez das peças brancas): Livia de Jesus
LOIS LANE (reporter): Shayane Silva
SUPERMAN [turno da manhã] (comentarista): Brenda Pimentel
BATMAN (comentarista): Livia Portela
FLASH (publico amgo): Karolayne Gomes
LEX LUTHOR (patrocinador trapaceiro): Isabela Corrêa

No cenário, há um palco tabuleiro com as seguintes peças-personagens: do lado negro, o GENERAL LUDENDORFF é o rei, DOUTORA VENENO a rainha, HITLER uma torre, CORINGA E ARLEQUINA os bispos, CAPANGA DO CORINGA 3 o peão na frente do caminho do bispo Coringa. Do lado branco, STEVE TREVOR é o rei, MULHER MARAVILHA a rainha, HIPÓLITA e ANTÍOPE as torres, AMAZONA um dos cavalos, À frente do palco tabuleiro, há uma mesa, com um tabuleiro de xadrez montado como no palco tabuleiro. Entram para jogar: do lado negro, ARES, deus da guerra, e do lado branco, AFRODITE, deusa do amor. Ambos estão sentados frente a frente à mesa com o tabuleiro de xadrez. LOIS LANE está posicionada em frente à mesa, na parte central, de frente para o público. Ao seu lado, estão Superman (à direita) e Batman (à esquerda).

LOIS LANE: Aqui quem fala é a repórter Lois Lane, diretamente do Monte Olimpo da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Hoje o destino da humanidade está em jogo numa partida de xadrez. De um lado, Ares, o deus da guerra. Do outro, Afrodite, a deusa do amor. Quem ganhará essa importante competição e comandará o destino da Terra? Os supercomentaristas Superman e Batman fazem a análise. O que pensa sobre essa partida decisiva, oh, superpoderoso, supermaravilhoso, superquerido, super-tudo-de-bom Superman?
SUPERMAN: É uma partida equilibrada, querida Lois. Ambos possuem uma forte torcida, jogadas poderosas e técnicas semelhantes, apesar de opostas. Admiro muito a rainha escolhida pela deusa Afrodite, a Mulher Maravilha. (LOIS LANE puxa-lhe os cabelos com ciúme. SUPERMAN continua, meio sem graça) É... bem... O resultado é imprevisível, mas estou otimista, nobres terráqueos.
LOIS LANE: E você, Batman? Qual é sua visão desse terrível jogo?
BATMAN: Ao contrário do meu supercolega, eu sempre espero o pior, Lois! Desde que perdi meus pais, sei o quão nefasta e tenebrosa é a humanidade. Ambos são deuses, o xadrez é um jogo de estratégia – até penso que Atena seria melhor jogadora que Afrodite por ser a deusa da sabedoria. Lembro a vocês que Ares é ardiloso e extremamente perigoso. Mas se você, telespectador, torce pra esse crápula, já vou avisando: eu vou caçar você onde estiver e fazê-lo sangrar!
SUPERMAN: Calma, Bruce... quer dizer, Batman! Cuidado com o coração!
FLASH (aparece correndo): Vamos começar logo com essa partida, gente! O público está com pressa!
LOIS LANE: Os adversários já estão posicionados. Antes de iniciarmos, só gostaria de lembrar que esse torneio mundial é patrocinado pelas Empresas Star, Wayne e Lexcorp. (Nessa hora, LEX LUTHOR aparece e abraça de forma fingida BATMAN E SUPERMAN , que tentam sair do abraço. Os dois se mostram desconfortáveis e saem antes de LEX LUTHOR. LEX LUTHOR sai em seguida, mas, antes, dá um tapa amigável em ARES e rouba uma torre [ANTÍOPE, que sai do tabuleiro e dá os braços para LEX LUTHOR] de AFRODITE).
AFRODITE: Eu sei o que você fez, sei que roubou minha peça,  Lex Luthor, mas não deixarei o mal vencer!
LEX LUTHOR sai sorrindo, com a peça na mão, levando ANTÍOPE e, irônico, dá tchaulzinho:  “Tchaul, querida!”
ARES: Nem começamos e já perdes uma das poucas peças que tens, Afrodite! Tens certeza de que não preferes desistir e deixar que eu, deus da guerra, domine a Terra e acabe com toda essa humanidade mesquinha?
AFRODITE (sempre sorrindo): Ah, meu querido, sei que os homens preferem a guerra, mas o amor há de vencer. Sou a deusa do amor e sei que, apesar de toda crise, o amor há de vencer!
(Após falar isso, ela move AMAZONA, que faz um movimento em L no palco tabuleiro e manda um beijo para o CAPANGA DO CORINGA (em frente ao bispo), que cai apaixonado e sai do tabuleiro gritando: “Estou apaixonado! O amor me pegou! O amor me pegou! “ ARES soca a mesa e os personagens todos aparentam ter balançado num terremoto.
STEVE TREVOR: Nossa, esse jogo é muito perigoso, Diana! Deixa que eu te protejo!
MULHER MARAVILHA: Ora, Steve, preste atenção: minha mãe Hipólita, rainha de Themyscira, me cedeu o posto de rainha pra eu te proteger. Sou muito mais forte que você, querido. Deixe de bancar o machão e aceite: como mulher e super-heroína sou muito mais capaz de proteger a nós todos que você proteger a mim! Vocês, homens, já tentaram por séculos e fracassaram. Agora é a vez de nós, mulheres e amazonas, sermos admitidas como protagonistas da História, tentarmos e salvarmos a humanidade!
AFRODITE: É sua vez, Ares!
ARES move o bispo CORINGA. O CORINGA finge obedecer, mas sai do tabuleiro, retorna a sua peça para o lugar inicial e retorna à sua posiçãor inicial.
ARES: Coringa, seu bispo mortal desobediente! Recolhe-te a sua mediocridade e obedeça os meus movimentos!
CORNGA: Rá, rá, rá! O Todo poderoso coloca um palhaço como bispo, pra ficar andando em diagonal pra lá e pra cá e pensa que manda em moi. (observação para o ator: lê-se moá) Rá, rá, rá! (insano e irritado) Ninguém manda no Coringa! Eu sou o caos, vim pra ser rei, rei do caos! Falando em rei... (empurra LUDENDORFF e toma seu lugar) Sai daqui, seu vilão fracote! Rá, rá, rá! (dirige-se para a DOUTORA VENENO) Gostou do seu novo rei? (DOUTORA VENENO lhe dá um tapa no braço). Ai! Tudo bem, ok, volto com o rei (coloca LUDENDORFF de volta ao posto de rei) Fica aqui igual um cãozinho obediente. (CORINGA volta a andar pelo centro do tabuleiro) Rá, rá, rá! Sabe duma coisa? Cansei desse jogo sem graça! (saca uma pistola) Vou matar todo mundo que está assistindo! Rá, rá, rá!
ARLEQUINA (sai do seu lugar e abraça o Coringa, derrubando-lhe a arma): É isso aí, pudinzinho! Por isso que eu te amo! Você sabe tornar tudo divertido!
CORINGA (desagarrando da Arlequina e empurrando-a): Sai daqui, Arlequina, sua grudenta maldita, está atrapalhando meu espetáculo!
MULHER MARAVILHA (também sai do seu lugar e desarma o Coringa): Não admito relações abusivas! (fala para Arlequina) Se o homem te agride, denuncie, Arlequina! Nenhuma mulher deve se submeter à violência e grosseria de homens palhaços como esse Coringa!
CORINGA (meio sem jeito, com medo): Arlequina, amor da minha vida, somos dois, vamos enfrentar essa super-megera!
ARLEQUINA: Ah, pudinzinho, pensa que sou boba? Ela é mais forte que nós dois! Eu vou é pro lado dela (abraça a MULHER MARAVILHA e vai pro lugar do bispo branco que estava faltando no outro lado do tabuleiro)!
CORINGA (ri, embaraçado): Rá, rá, rá! Que maravilha – eu, o palhaço terrível, trocado por uma Mulher Maravilha. Ok, vocês venceram essa, mas lembrem-se: quem ri por último é porque não entendeu a piada! Rá, rá, rá!
BATMAN retorna:  Deixe esse palhaço comigo, Mulher Maravilha! Vai jogar durante muito tempo em outro xadrez, Coringa!
CORINGA: Ui, o Cavaleiro das Trevas ressurge! Rá, rá, rá! O morceguinho guerreiro devia estar com Ares, mas está com Afrodite, cheio de amor pra dar! Rá, rá, rá! Que piada mortal!
BATMAN arrasta o Coringa. ARES irritado joga seus dois bispos pra fora do tabuleiro. AFRODITE pega um bispo branco e coloca-o do seu lado do tabuleiro.
AFRODITE: O amor está realinhando o jogo da humanidade, Ares! Já perdeu o Coringa, o bispo insano, e eu ganhei a Arlequina, a bispa doidinha! O amor traz a paz, transforma vilões em grandes heróis!
ARES: Blasfêmia!  A humanidade é doente, violenta e autodestrutiva! Eu vencerei no final! Tenho a rainha mais perigosa, a Doutora Veneno. (mexe com a rainha dele, a Doutora Veneno fica numa posição afastada do rei e atira veneno na AMAZONA, retirando-a do tabuleiro)
AFRODITE: Observe melhor suas peças, Ares! Olhe como a rainha Doutora Veneno olha para o rei  Ludendorff. A Doutora Veneno, por mais violenta que seja, só está do seu lado porque assim fica ao lado de seu grande amor, o malvado Ludendorff.  Mesmo a sua peça mais maldosa e poderosa carrega um pouco de mim, um grande amor. (Afrodite posiciona a MULHER MARAVILHA) Xeque! Aposto que os outros se sacrificarão por Ludendorff, mas não será um ato de guerra, e sim um ato de amor.
HITLER (irritado): Ei, vocês, suas deuses babacas! É por isso que o guerra está ruindo! Eu é o melhor pessoa pra ser rei. Comigo, Ares será forte!
ARES pega a torre HITLER e joga-a fora do tabuleiro. HITLER sai do tabuleiro.
AFRODITE (surpresa): Jogaste fora a torre HITLER! Está se sensibilizando, querido Ares?
ARES: Sou o Deus da Guerra e não o demônio da guerra. Mesmo ansioso pela vitória, tenho princípios, Afrodite! Não posso deixar crescer na humanidade novamente o totalitarismo, o fascismo e o nazismo! Tenho vergonha de já ter tido peças tão medonhas como essas do meu lado! Quem dera se a humanidade imbecil também os esquecesse e os rejeitasse!
MULHER MARAVILHA: Dê-me a força suprema do amor, Afrodite! (AFRODITE beija a peça que representa a rainha branca. MULHER MARAVILHA cruza seus braceletes e, nesse momento, as peças negras todas caem e saem do tabuleiro. ARES também cai, derrubando suas peças. Os personagens peças negras se levantam e saem abraçados. As peças brancas também se abraçam).
HIPÓLITA (com orgulho): Essa é a minha filha querida! Orgulho da mamãe!
STEVE TREVOR (abraça a Mulher Maravilha): Uau! Que maravilha, Diana! Não tô acreditando! Você nos levou à vitória! (os dois estão quase beijando...
...mas ARLEQUINA entra no meio e se agarra aos dois: É, vamos comemorar, meus pudinzinhos! Nossa, Mulher Maravilha, você tem bom gosto! Esse Steve é pudinzão! Divide comigo? (MULHER MARAVILHA e STEVE TREVOR colocam a mão no rosto, rindo, mas meio sem graça)
SUPERMAN (retorna):
“Na guerra
ou na paz,
Mulher Maravilha
é sempre demais.
(...)
Nos dias de luta,
nos dias de glória,
Mulher Maravilha
Sempre traz a vitória.”
LOIS (brava): Já está arrastando a capa pra cima da Diana de novo, né, Superman?
FLASH (aparece correndo):  Vou te salvar, Super! Vamos sair rapidinho de fininho, camarada! (arrasta o Superman)
AFRODITE: Super Xeque Mate, Ares! Admite: o amor venceu!
ARES (se levantando): Não! Eu estava tão perto! Maldita Mulher Maravilha! Malditas mulheres! Foste traiçoeira, AFRODITE!
AFRODITE (coloca a mão no peito de Ares de forma carinhosa): Por que carregas tanta guerra no coração, querido Ares? O amor não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece.  Pensa bem: se fosses campeão, tudo seria destruído. E de que adiantaria seres um deus sem ninguém pra te adorar? Morrerias também. Sente meu toque de amor, Ares, ex-deus da guerra?
ARES: Sim! Eu sinto teu amor, Afrodite! E... e... confesso que te amo! (abraça AFRODITE e se direciona ao público)
“Eu, Ares, aterrorizador de donzelas,
Grande Deus da Guerra,
Brinco  com as pessoas da Terra,
Induzindo-as à guerra,

Como pude ser tão fraco
E contra meus princípios
Ter me apaixonado.

Até mesmo eu
Que me achava invencível
Acabei caindo.

Fui pego de surpresa
Caí nos encantos
Da deusa do amor
E saí perdendo.”
(ARES abraça novamente AFRODITE)
AFRODITE (para o público. Todos os personagens retornam abraçados uns aos outros): É isso aí, bravos jogadores, joguem sempre com amor, protejam o amor como as peças de xadrez protegem o rei e, na vitória ou na derrota, sempre hão de vencer!
TODOS:
“Vamos jogar xadrez
Vamos jogar xadrez
Nós todos já aprendemos
Agora é sua vez
Luz, Câmera...Alcino!
– Xeque-mate!”

SUPER-FIM

Vídeo da apresentação do Luz, Câmera...Alcino! nas aberturas do VII Torneio Xeque Mate da Escola Alcino


Quarta-feira, 25 de outubro de 2017, dia do Torneio Xeque Mate da Escola Alcino -  Quase um ano depois de sua última apresentação, o super-grupo teatral escolar "Luz, Câmera...Alcino!" retorna com o super-esquete "Mulher-Maravilha no Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate"", apresentada nas aberturas da manhã e da tarde do Torneio Xeque Mate da Escola Alcino, evento idealizado e organizado pelo professor-poetatleta Genaldo Lial da Silva e realizado na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região de Teresópolis/RJ.
O roteiro (que contém poemas de Kaylanne Pimentel, de Thaynara Medeiros e de Nathacha felipe Corrêa) e direção da peça foi do professor-poeta-pateta Carlos Brunno Silva Barbosa, co-direção de Isabela Corrêa e contou com as super-atuações de Livia de Jesus (Afrodite, a Deusa do Amor), Isabela Murta (Ares, Deus da Guerra), Shayane Silva (Lois Lane), Brenda (superman, na apresentação da manhã), Livia Portela (Batman), Karolayne Gomes (Flash), Isabela Corrêa (Lex Luthor), Maria Emilia Oliveira (amazona Antíope), Tatiane de Jesus (Capanga do Coringa), Carlos Brunno (Coringa), Byanca Lima (Arlequina), Samira Ferreira (Mulher Maravilha), Carlos Emanuel Fernandes (Steve Trevor), Laryssa Fernandes (Doutora Veneno), Tamara Pinheiro (Ludendorf), Hevelyn (Hitler, na apresentação da manhã, e Superman, na da tarde), Liz (Hipólita, mãe de Diana/Mulher Maravilha). O cenário foi preparado pelo professor poetatleta Genaldo da Silva Lial e o figurino foi elaborado a partir de contribuições coletivas, que incluem a Equipe Diretiva (Flavia Araújo, Simone Cruz, Jaqueline e a diretora Paloma), professores e os próprios artistalunos da peça.
As filmagens das apresentações foram realizadas pela cineastartistaluna Poliana Reis (apresentação da manhã) e Cineasta-Professoramiga Marcia Medeiros (apresentação da tarde).
A apresentação marca o retorno do Luz, Câmera...Alcino! e é uma homenagem ao Torneio Xeque Mate, realizado todo ano na Escola Alcino e aos personagens consagrados nos quadrinhos, no cinema e  no inconsciente nerd coletivo pela DC Comics.

Vídeo do Superdocumentário sobre o VII Torneio Xeque Mate da Escola Alcino


Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, região rural de Teresópolis/RJ, 25 de outubro de 2017 - Artistalunos e Repórteres-Alunos da E.M.A.F.S. se reuniram e realizaram, de improviso e com visões absolutamente geniais, divertidas e originais (o professor Carlos Brunno e a escola só cederam as câmeras - o recorte jornalístico foi todo elaborado e roteirizado pela equipe de repórteres-alunos e câmeras-alunos), o registro jornalístico/documentário do VII Torneio Xeque Mate da Escola Alcino, importante e tradicional evento anual da E.M.A.F.S. , idealizado pelo Professor-Poetatleta-Medalha-de-Ouro Genaldo Lial da Silva (que fez aniversário no mesmo dia em que o famoso evento foi realizado na escola).
O documentário contou com a participação especial de artistalunos do elenco da apresentação teatral do Luz, Câmera...Alcino! na abertura do torneio, do ator-repórter-escritor Jackson Carvalho dos Santos,  do câmera-man-comentarista Alessandro "Popó", das atrizes-repórteres Isabela Murta e Maria Emilia de Oliveira, do ator-câmera-man Carlos Emanuel Fernandes "Steve Trevor" [faltou o nome dele nos créditos do vídeo], das câmeras-girls-escritoratrizes Tamara Pinheiro, Tatiane de Jesus e Laryssa Fernandes.  A edição tosca foi feita por mim, Professor Carlos Brunno Silva Barbosa (deixei mais ou menos como as gravações estavam até pra manter a espontaneidade do roteiro elaborado pelos cine-documentaristas-alunos e até queria caprichar mais, mas minha habilidade técnica com edições de vídeos é bem primária).
Foram entrevistados alunos, ex-alunos participantes do torneio, professores (é o terceiro ano que realizamos o documentário do torneio e é a primeira vez que conseguimos entrevistas exclusivas com o idealizador do projeto, Genaldo Lial - e duas vezes {!} [de manhã e à tarde]) e a diretorativista pedagógica-cultural Paloma de Souza.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Poetalunos da Escola Alcino que brilharam no V Festival Intermunicipal de Poesias nas Escolas

Era meu dia de folga, mas não perderia aquele momento com brilhantes poetalunos da escola onde leciono por nada! Na tarde de sexta-feira, dia 20/10/2017, Higor Leonardo Santos, Nathacha Felippe Corrêa e eu representamos a Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, no V Festival Intermunicipal de Poesias nas Escolas, cuja edição aconteceu na cidade de Trajano de Moraes. Higor e Nathacha Corrêa (Nathacha Felippe) brilharam na declamação de seus poemas e representaram liricamente e fodasticamente o município de Teresópolis/RJ. Infelizmente não conquistamos os primeiros lugares, mas brilhamos intensamente durante o evento! Alcino e Arte Dentro e Fora da Escola Sempre!
Na postagem de hoje, trago os dois poemas classificados e o vídeo das declamações dos fodásticos textos líricos realizadas pelos próprios geniais autores-poetalunos . Boa leitura e diversão, amigos leitores!

Saudade que machuca

O coração se parte de pensar em ti
Só de imaginar que não estás aqui
Não entendo porque tiveste que partir

Sinto saudade do beijo, do abraço, do amor
Sinto saudade, pois contigo minha vida ainda tinha cor
Sinto saudade e agora também dor

Volta, pra eu poder sorrir
Volta, pra eu poder sonhar
Volta, pra eu te abraçar e nunca mais soltar

Volta pra ficar mais perto
Meu coração tá tão deserto
Vem pra eu te cuidar
E nunca mais te abandonar

Saudade que dói no peito
Não dá mais pra aguentar
Te espero, não demora
Pra te ver, já tá na hora!
Poema classificado na Modalidade I, de Higor Leonardo dos Santos Fonseca, da Aceleração IV



Nosso paradoxo

Existe um paradoxo
Entre eu e você;
Coisa meio absurda
De se ver.

Nossos toques equivalem a choques,
Nossos beijos transmitem desejos,
Os olhares dividem maldades
E tudo está no seu devido lugar.

Somos como eletricidade,
Nossos polos apresentam adversidade,
Vivemos entre amor e brasas
Em constante velocidade.
Poema classificado na Modalidade II, de Nathacha Felippe Corrêa, do 9.º Ano B




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Solidões Soturnas Compartilhadas: O eu lírico de Shayane Silva dá vida à Morte

Hoje é Dia dos Finados e a morte desfila toda rainha pelo feriado nacional de 2 de novembro. Lembrando-me disso, resolvi estreiar hoje (solo, pois já teve uma página de diário inventada dela postada na antologia de escritos dos escritores-alunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva em homenagem à obra literária e cinematográfica “Minha vida de menina”) nas Solidões Compartilhadas do blog a multiartistaluna (é atriz, escritora, sonhadora, louca, sã, hipermúltipla), a brilhante superescritoraluna Shayane Silva, atualmente no 9.º Ano da E.M.A.F.S., de Teresópolis/RJ, com seu poema gótico dedicado à Morte!
Multifacetada (seu lirismo é ora gótico, ora otimista, ora ultrarromântico, ora filosófico, ora tudo isso misturado num poema só, sim, a jovem poeta possui um estilo bem próprio, uma marca bem pessoal, é única e, ao mesmo tempo, paradoxalmente múltipla), Shayane tem períodos de febris produções poéticas, que abordam de forma vibrante e extremamente lírica e densa vários temas, dos mais obscuros aos mais iluminados. No poema “A Morte”, a talentosa poetaluna dá vida à Morte, num formidável poema-pesadelo-real.
Vejamos como esse obscuro eu lírico de Shayane Silva encara a Indesejada das gentes, a Iniludível, a terrível musa definitiva de muitos poetas, a Morte!

A Morte

Hoje a Morte falou comigo
Ela disse que dela ninguém foge
Que a ela ninguém sobreviverá
E que ninguém nunca a vencerá.

A Morte me disse
Que chegará para todos,
Baterá na porta de cada um
E levará todos, um por um.

Ela disse:
“Ninguém me engana,
Ninguém se esconde,
Eu chego sem ninguém perceber.

Eu sou a Morte,
Sou dona da vida,
Sou motivo de tristeza
E causadora da pior dor.

Sou o passado, o presente e o futuro
Eu sou seu pior medo,
Sua destruição
E sua pior realidade.”

Shayane Silva