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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Reflexões tragipoéticas: Germinal e o ano de 2016

Existe um filme francês chamado "Germinal", de 1993,  baseado no genial escritor naturalista Émile Zola, que retrata a condição de trabalho desumana dos operários durante a Revolução Industrial. O filme é uma forte denúncia aos maus tratos com o operiado, porém o roterista, ao dar preferência mais aos fatos que às nuances da narrativa, após a parte inicial do filme, oferta ao espectador uma série de sucessivos fatos trágicos - são pouquíssimos, raríssimos momentos confortantes (na primeira vez que vi, jurava que não havia nenhum sequer) e é tanto acidente, tantas mortes, tantos maus tratos extremos, tanta desgraça junta que nossos olhos chegam a ficar exaustos de ver tanta tragédia num filme só.
Pois é: "Germinal" é uma ótima resposta para quando me perguntarem como foi o ano de 2016 para mim e para a humanidade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Diários, Poemas e Contos e Apresentações Teatrais com Poderes Além da Vida

Um projeto pedagógico da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, do qual me orgulho muito de ter feito parte, devido ao inspirador e empolgante envolvimento dos alunos da Aceleração V (que corresponde ao sétimo e oitavo ano para alunos com defasagem idade/série – para diminuir a discrepância eles cursam duas séries num ano letivo só) foi o trabalho interdisciplinar olímpico que envolveu, na matéria na qual leciono (Português), uma produção textual envolvendo o filme “Além da vida” [“Peaceful Warrior” (2006)], baseado no excelente livro “O caminho do guerreiro pacífico”, romance semiautobiográfico de Dan Millman.
Após a exibição do filme e o conhecimento de trechos do livro de Dan Millman, os escritores-alunos da Aceleração V produziram fodásticos textos de diversos gêneros textuais (diários, contos e poemas) inspirados na obra cinematográfica assistida. Tais redações ficaram tão maravilhosamente bem escritas que, primeiro, estimularam o Professor de Educação Física – já conhecido e reconhecido poetatleta da escola e com várias solidões líricas compartilhadas aqui no blog – Genaldo Lial da Silva Lial a escrever também um poema inspirado no filme, e, depois, ainda serviram de base para o esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, apresentado pelo Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino! na abertura da  Reunião de Pais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em julho deste ano (sim, a postagem está bastante atrasada, mas finalmente chega ao blog).
Hoje tenho o prazer incomensurável de compartilhar minhas solidões poéticas com os fodásticos textos dos talentosos escritores-alunos da Aceleração V, acompanhados do fenomenal poema do sempre mais-que-fodástico professor-poetatletamigo Genaldo da Silva Lial e do vídeo da apresentação do esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, que teve a participação de talentosos atores-alunos da própria Aceleração V e dos 9.º e 8.º Anos.
Que os sonhos líricos dos professores e escritores-alunos também encantem e inspirem vocês, amigos guerreiros leitores pacíficos!

Diários, Poemas e Contos 
com poderes além da vida



Querido diário,
Hoje estou indo para as Olimpíadas, espero que tudo ocorra como imaginei e que eu consiga me classificar, para que a minha família se orgulhe de mim, e, se um dia eu tiver um filho, que eu possa contar pra ele sobre meu passado brilhante.
Paulo Sérgio e Bruno – Aceleração V

O dia dele começou mal
         Ele estava na moto em alta velocidade e bateu de frente com o carro. Quebrou a perna e não conseguiu mais fazer o que tanto ama: a ginástica artística.
         Com a ajuda de um senhor chamado Sócrates, ele começou a treinar de novo, voltou a fazer o que tanto ama e, no final, conseguiu se classificar.
Silvio e Lorran – Aceleração V



Ser feliz

Me perguntaram se eu sou feliz...
Disse que tudo tenho, mas não soube responder.
Reflito em prantos:  Do que adianta tudo ter
Sendo que nada tenho?
Do que adianta poder tudo
Sendo que não há liberdade?
Do que adianta amar sem o Amor?
Viver sem vida...
Pois bem, agora tenho uma resposta:
Não sou feliz,
Pois não tenho um amor,
Um objetivo,
Uma razão para viver.
Cassiane Santos e Jackson Santos – Aceleração V

Hoje acordei
Olhei na janela
Vi vários pássaros
Cantando alegremente
Só que era coisa
Apenas da minha mente.

Assim é nossa mente
Ela controla a gente
Que até nos surpreende.
David Pereira Pires – Aceleração V



Tudo acontece 
Nunca pensei em como conheceria minha vida e como ela acontece... Nunca pensei em como pensar nela, mas sabia que alguém poderia me ajudar.
Então encontrei Sócrates, um homem sábio, que me ensinou a perceber como tudo acontece, mesmo que não percebamos os fatos mais simples.
Bárbara – Aceleração V

Superar-se a cada dia

Superar-se a cada dia,
Superar suas dificuldades:
Se caiu, levante;
Se errou, recomece!

Surpreender-se,
Surpreender-se a cada dia,
Vencer os obstáculos
Os obstáculos da vida.
Angélica e Thaís – Aceleração V




Para vencer um obstáculo
É preciso coragem e determinação

Você tem que se concentrar
Pra não errar, nem cair no chão

Deixe sua mente vazia
Pense somente nos movimentos

E nunca se esqueça
Que você não precisa
Ganhar pra ser feliz!
Flaviane – Aceleração V

Cada movimento tem que ser perfeito,
Cada segundo é único
E eu vou sempre tentar,
Vou conseguir,
Vou impressionar
E nas Olimpíadas vou arrasar
Custe o que custar
Eu vou estar lá!
Paulo André – Aceleração V



O CAMINHO

A insegurança que a certeza do futuro incerto traz
Corrige o rumo da vida que às vezes ilusória demais

Passa sutil rasteira no meu inflamado ego
E mostra que pouco vale tudo aquilo a que me apego

Na voraz velocidade dos compromissos diários
Atropelo sem perceber o que é realmente necessário

A partida e a chegada, sim, eu super valorizo
Sem notar que é no percurso que eu me realizo

E a tal ilustre medalha que é muito cobiçada
Não tem mais valor que o decorrer de uma jornada
Genaldo Lial da Silva, 15/06/2016.
(inspirado no tema do filme “Poder além da vida”)




Vídeo do esquete “A Jornada do Guerreiro Leitor Pacífico: Superando os limites da ação e da imaginação”, apresentado pelo Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino! na abertura da  Reunião de Pais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em julho deste ano


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Mais Um Filho-Poema Premiado: Viagens pelas águas de minha terra

Yeah, amigos, a última semana foi superespecial para o poeta blogueiro-amigo que vos fala! No sábado, dia 19 de novembro de 2016, tive a honra de receber o troféu de 2.º Lugar no Concurso de Poesias da Academia de Letras de Vassouras (ALV), cujo tema foi "As águas de minha terra". A cerimônia de premiação aconteceu na sede da ALV, que se localiza no Mara Palace Hotel, em Vassouras/RJ. Meu poema premiado, "Viagens pelas águas de minha terra", é uma homenagem aos rios Paraíba do Sul, com o qual convivo desde minhas origens, e ao Paquequer, que aprendi a amar a partir do momento em que passei a ter residência também em Teresópolis/RJ. 
Trago o poema premiado logo abaixo nessa postagem do blog "Diários de Solidões Coletivas" (mais à frente colocarei também o vídeo da declamação do poema durante a cerimônia de premiação) e recebi a informação de que em breve minha homenagem lírica aos rios de minha terra também será publicado no jornal Tribuna do Interior.

Viagens pelas águas de minha terra

Meus olhos começam a correr pelas águas de minha terra
quando os ponteiros da Rodoviária de Três Rios parecem estagnados:
aguardo entediado que minha carruagem coletiva se aproxime,
mas a espera é vã, sem Progresso algum.
Na falta de fadas e abóboras mágicas,
meus olhos borralheiros passeiam pela área ao redor
e encostam, hipnotizados, nas grades,
de onde se avista o portentoso rio Paraíba do Sul,
com sua inconstância selvagem.
De águas turvas, ele às vezes é amável e solidário
(Nesse momento, meus olhos pressentem o passado presente
e reveem o peixe beijar o anzol
da vara pueril e principiante do menino barrense.
- É isso aí, filhão! – foi o tio, o meu pai ausente ou o rio
que falou comigo?
Não sei, nunca soube qual foi a nascente
dessas águas mágoas que se vão...)...
De águas barrentas, o Paraíba do Sul às vezes é louco e possessivo
(Meus olhos de novo naufragam o presente e refletem o passado
e, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais da rua Cristiano Otoni,
releio os lábios dos vizinhos que atualizavam minha mãe
das últimas novidades trágicas da semana:
“O Paraíba levou outro menino!
Quem mandou o garoto pular num rio tão traiçoeiro?”)...
Mas, se o rio da minha infância era e continua confuso,
mais absurdos são os homens que atiram lixos furiosos e ingratos
na fonte que os sustenta.
Meus olhos envergonham-se de suas margens feridas
pela sujeira humana.
Bença, vovô Paraíba do Sul,
bença, único avô que me resta nesta vida,
me abençoa e perdoa a ingratidão de minha família...
- Serão ataques de fúria as suas enchentes repentinas?
Meus olhos perguntam ao rio,
mas ele nada responde; apenas segue seu caminho;
sua corrente intranquila pelo menos hoje parece adormecida.
E o tempo antes tão lento retoma seu desassossego:
retorno à rodoviária em cima da hora
e quase perco o ônibus
que me levará de volta
pra Valença, minha cidade afetiva,
município falido, enriquecido pelas minhas memórias inventadas.
Como o rio Paraíba do Sul, a Princesinha da Serra ainda respira,
apesar da geografia humanamente mutilada;
de nobreza rasa e abatida, ambos resistem pelas glórias passadas.

Após o fim de semana, meus olhos correm por outras águas, outras horas:
deixo o sul do Estado do Rio e subo a Serra dos Órgãos
pra me reencontrar com outra parte do Rio (com outro rio de minha vida peregrina):
com seu porte soberbo, orgulhoso de seu protagonismo
no inesquecível “O Guarani”, do mestre José de Alencar,
eis o Paquequer.
Sensual, esse rio é o que mais atrai turistas na região serrana;
perigoso, também é o que mais arranca vidas em trombas d’água insanas
(as trágicas chuvas de 2011 encharcam minhas memórias
e minha vista por um momento embaça e chora
pra depois se recompor e, ainda de luto ferido,
retomar a correnteza do agora)...
O rio Paquequer é tão confuso quanto o Paraíba do Sul,
é tão estranho e lindo quanto qualquer outro grande rio
que sofre com as miseráveis investidas dos novos ricos,
velhos bandeirantes renascidos no século XXI;
o rio Paquequer é mais um rio índio e antigo
ferido por invasores arcaicos que vestem as calças do novo capitalismo
e revestem de cinza o verde e o azul da nossa História,
tecendo bandeiras sem pátrias
para a fábrica nervosa do progresso cego e sem outroras.
Mais à frente, no centro de Teresópolis, remota Cidade dos Festivais,
o rio Paquequer antes tão vivo
é como o título esquecido de seu município:
parece um velho parente enfermo,
vítima de maus tratos;
sobrevive bravamente,
mas carece de cuidados.
Meus olhos correm sobre sua superfície carente,
rala e adoentada...
É a vaidade guerreira de Peri e de Ceci
ou são as lágrimas dos peixes
que te fazem seguir em frente,
meu aventureiro e desnutrido Paquequer?

Agora é mais outro agora e meus olhos param de correr,
reconhecendo as dificuldades da caminhada:
minha vista encalhada segue a pé pela árida estrada
e finalmente reencontro uma de minhas duas moradas.
Entro em casa, deito em minha cama,
fecho meus olhos e sonho com outros rios inacessíveis,
impossíveis em nosso deserto contemporâneo.
Em meus idílios, suas águas invisíveis deságuam
sobre minhas margens cansadas,
preenchendo de infinito
os velhos rios mortos-vivos
que sempre carrego comigo
nessas longas viagens pelas águas de minha terra.


domingo, 13 de novembro de 2016

Quando o Romanceiro Cigano Baila Com Dara: As Solidões Coletivas no Encontro de Valença com Andaluzia

A convite da psicólogartistamiga Raquel Freiri, no sábado, dia 22 de outubro de 2016, na Casa Dara, em Valença/RJ, o Sarau Solidões Coletivas teve a honra de se apresentar durante o encerramento do Encontro Anual da Casa Dara. Déia Sineiro, com poema inédito de sua autoria em homenagem aos ciganos, Juliana Guida Maia, com poema cigano de autoria de Raquel Freiri, o músico Zé Ricardo Maia, tocando sua versão para uma canção de Engenheiros do Hawaii, e eu, com poema-elegia a Federico Garcia Lorca retirado de meu livro mais recente "O nada temperado com orégano (Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita)", apresentamos uma versão curta, mas intensa do Sarau Solidões Coletivas, aproveitando o tema "Quando o Romanceiro Cigano Baila Com Dara: As Solidões Coletivas no Encontro de Valença com Andaluzia - Tributo Poético a Federico Garcia Lorca e à Cultura Cigana".
A postagem de hoje traz o vídeo dessa apresentação do Sarau Solidões Coletivas na Casa Dara e uma imagem com o poema declamado pela fodástica poetamiga Déia Sineiro (os demais poemas apresentados podem ser encontrados em postagens passadas no blog).
Vida Longa ao Sarau Solidões Coletivas e aos eventos multiculturais da Casa Dara!

"Quando o Romanceiro Cigano Baila Com Dara: As Solidões Coletivas no Encontro de Valença com Andaluzia - Tributo Poético a Federico Garcia Lorca e à Cultura Cigana na Casa Dara"
O vídeo


"Cigana" - poema de Déia SIneiro


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O nazismo nosso de cada dia, na análise polêmica de Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo

Temer, presidente legalmente eleito sem ser efetivamente eleito no Brasil de manobras políticas polêmicas realizadas após a eleição, Donald Trump – declaradamente xenofóbico – eleito como Presidente dos Estados Unidos, o crescimento descomunal de uma extrema direita no Brasil e no mundo, alimentado por uma crise econômica – que exacerba uma crise de valores -, além de assustar-nos, nos faz rever nossos passos, nossa História, na busca de respostas para a eterna pergunta: onde foi que erramos? Talvez o erro esteja na pergunta, talvez devêssemos, na verdade, reformular a indagação: O que continuamos errando?

Nessa trajetória de rever o passado, meus olhos leitores reencontram uma redação do ano passado, escrita pelas mais que fodásticas escritoramigas Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo (na época duas das mais formidáveis escritoralunas da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ). A redação dissertativa-argumentativa das duas escritoralunas trazia como tema o nazismo nos dias de hoje e defendia uma tese polêmica, porém, infelizmente, cada vez mais próxima de nossa realidade: o nazismo, historicamente vencido, sobrevive triunfal em cada um de nós. Assustador, não é? E mais aterrador ainda quando revemos nossas práticas diárias, nossas interações no mundo real e no virtual... Nós nos assustamos com a política traiçoeira de Temer, nós lamentamos a eleição de Trump nos Estados Unidos, nós tentamos frear a onda furiosa de extrema-direita, mas será que o Temer, o Trump, a onda furiosa não encontra exílio e força em nossas praias interiores? Será que o veneno do mundo não habita o mesmo frasco onde despejamos nossos antídotos? Nossas pedras são atiradas nos espelhos alheios, mas nós, enquanto apedrejadores, muitas vezes, não refletimos sobre nosso próprio reflexo nos espelhos caseiros que mantemos intactos. E o fascismo fascinante deixa a gente ignorante fascinada... Até quando vamos manter a indagação indignada e mal formulada?
Reflitamos, amigos leitores, a partir da fodástico texto de Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo.

O nazismo nosso de cada dia
Por Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo

             Quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, um de seus primeiros feitos foi começar uma política preconceituosa, excluindo pessoas que tinham ideias, raças, religiões ou orientações sexuais diferentes.
          Hoje em dia, também é assim: nós, 99,9% da população, agimos como perfeitos nazistas: fazemos os nossos grupinhos, como se fossemos o centro de um universo só nosso. Mas, como Galileu descobriu, nosso planeta não é o centro do universo. Todos vivemos como o Estado totalitário, achando que nossas ideias são mais corretas que a dos outros, imaginamos que o certo é o errado e o errado é o certo.
     Em meio a uma ditadura de beleza e pensamentos, estamos presos num campo de concentração,  que se chama sociedade, onde temos que lutar contra nós mesmos, em uma guerra dentro da nossa mente. Bombardeios diários em que explodimos de raiva, prisões de sentimentos, a morte da consciência, em que esquecemos quem somos e passamos a seguir o que o resto da população acha.
Julgamos e excluímos os diferentes por serem exatamente quem eles são. Hitler julgava os judeus por serem judeus, julgava os negros por serem negros. Resumindo, ele julgava as pessoas por serem elas mesmas, por seguirem seus próprios ideais. E nós também somos assim, afinal, todo mundo tem um pouco de nazismo dentro de si.
          Até quando?...


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Reflexões de um jovem poeta diante dos tempos obscuros da guerra

Vivemos tempos obscuros, amigos... Os noticiários nos lembram de que vivemos momentos de crise, sordidez política e violência.  Há poucos dias, o jovem poetamigo Wallace Jonas, que já foi meu aluno na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, me mandou líricas novidades (desde os tempos da escola, eu não possuía mais nenhuma novidade de textos novos desse jovem e talentoso escritor): Wallace me enviou uma fodástica crônica/prosa poética, refletindo sobre a violência e a crise de valores no mundo constantemente em guerra no qual habitamos. Vale a pena observar seu lirismo desesperado diante da selvageria do mundo atual, sua consciência da sordidez política dos poderosos que curtem essa guerra do dia a dia e a percepção da falta de aprendizado histórico da sociedade que deixa uma espécie de neonazismo crescer em nosso violentado e fragilizado universo.
Tenho o privilégio de compartilhar hoje esse fodástico texto com os amigos leitores. Façamos como o talentoso Wallace Jonas, amigos leitores: reflitamos e tentemos acordar (as nações do mundo e nós mesmos).

Reflexões de um jovem poeta diante dos tempos obscuros da guerra

Sangue derramado, pisado, talhado, mera dor de um condenado que não teve o simples direito de viver , hipocrisia idiota dessa gente sórdida achando que é assim que tudo deve ser, tirando vidas , enquanto os tais do poder vivem  nem aí, vendo o tempo a sorrir, sentados, esperando os seus ricos salários.
Ó Deus da minha vida, não aguento mais tanta mentira só para poderem se safar, então volto a refletir: será que o amor e a compaixão deixaram de existir?
Nações de todo o mundo, vamos acordar! Para que guerrear? Somos todos iguais, será que ninguém percebeu? Não vamos dar ouvidos aqueles que querem fazer conosco o mesmo que fizeram com os judeus, pois os que seguem isso são aqueles de cabeça fraca, verdadeiros doentes que  queriam uma só raça. Essa ideia tão absurda  vem destruindo a sociedade e transformando o mundo em um grande e obscuro calabouço de tortura.

Quadro "A face da Guerra", do pintor espanhol Salvador Dali

domingo, 6 de novembro de 2016

Os Pontinhos e a Ausência Sublime nos eus líricos da genial Thainá Ramos

Há alguns dias atrás (terça-feira passada pra ser mais exato), no ônibus no qual eu retornava para casa, reencontrei Thainá Ramos, fodástica poetamiga e saudosa poetaluna dos meus primórdios no magistério, quando eu dava aula na inesquecível Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, região rural de Teresópolis/RJ. Com um sorriso imenso nos lábios, ela me contou de sua vida atual – é mãe de 2 belas crianças, possui um marido compreensivo, que apoia o lirismo que ela ainda traz consigo, e, naquele momento, ela estudava exaustivamente para o próximo Enem. Durante o breve percurso do centro da cidade para Três Córregos, ainda relembramos de grandes momentos na escola, quando eu lecionava para a turma dela. Citei a fascinação que os textos dela sempre me trouxeram, ao fugirem dos lugares comuns da poesia e sempre explorarem o lirismo do inusitado, do imprevisível e exemplifiquei me lembrando de seu poema “Pontinhos”, classificado em 2.º Lugar na Categoria Juvenil (de 13 a 17 anos) do 1.º Concurso Internacional de Poesias Gioconda Labecca, em Campanha/MG (yeah, Thainá Ramos, bem jovem, já era destaque internacional em concursos literários!). Thainá aproveitou o momento para confessar que, no dia em que escrevera o premiado poema, ela estava sem assunto e doida pra ir embora; só ficara naquele dia e, a partir da falta de assunto, escrevera por eu ter insistido (tá, também confesso, eu a pressionei porque sabia como ela escrevia bem) para que ela produzisse um poema para o concurso.
Aproveitei o reencontro também para lhe pedir permissão para publicar os poemas dela que eu guardara em velhos arquivos no meu antigo - quase jurássico - computador. Ela permitiu e, a partir da minha chegada em casa, tratei de buscar os arquivos nos caos de meu HD externo, onde guardo velhos arquivos dos quais me nego a me desfazer. Após a caçada pelos labirintos de pastas e arquivos antigos, encontrei 2 fodásticos poemas: o inesquecível, mais-que-fodástico e premiado internacionalmente “Pontinhos” (o lirismo maduro e inusitado dessa obra-prima é fascinante; impossível esquecê-lo – traz aquela inveja boa do tipo “poxa, queria ter tido talento e criatividade pra escrever algo assim”) e o magnificamente melancólico “Ausência” (esse também mandei para algum concurso literário, mas - a meu ver, injustamente - ele não foi premiado).
E hoje, amigos leitores, com a permissão da autora, tenho o privilégio de compartilhar minhas solidões poéticas com esses dois mais-que-fodásticos poemas da hiper-talentosa Thainá Ramos. Garanto que vocês gostar (os do lirismo fácil podem estranhar, pois a arte dela é genuína, rara, mas jamais poderão negar o brilho sublime dessa incrível autora)! Boa leitura e Arte Sempre, amigos!

Pontinhos

Estrelas são apenas pontinhos.
Pontinhos que fazem muita diferença,
Que às vezes deixam nossas noites mais belas.
Noites que olhamos, paramos e ficamos sem voz,
Noites que às vezes nem percebemos como estamos,
Mas se prestarmos atenção naqueles meros pontinhos,
Saberemos a bela paisagem que temos,
Só não saberemos desfrutar.

-Estrelas não são apenas pontinhos,
Só devemos saber desfrutar.

Ausência

Procuro teu olhar no vale da solidão,
busco teu cheiro no meu colchão,
busco teu beijo na imensidão,
busco teu toque em minhas mãos.
Tento descobrir
para onde foram tuas qualidades que me embriagaram
em belos momentos na tua presença
e que me deixaram à procura de ti quando partiste...