quinta-feira, 9 de março de 2017

Flavi'h Tavares, uma jovem mulher de fases (líricas e fodásticas)

Lembrar o dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher me faz retornar ao ano passado – em fevereiro, pra ser mais exato -, quando trabalhei com a turma de Aceleração V (7.º e 8.º Anos) a Lei Maria da Penha em homenagem antecipada ao dia 08 de março, momento no qual nos dedicamos reflexão da situação da mulher no mundo durante nossas aulas de Português na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ. Foi nesse trabalho, que envolveu a produção de poemas sobre a Lei Maria da Penha e, alguns meses depois, um sarau em homenagem à mulher (quem quiser ler os poemas e conferir o vídeo do sarau, eis o link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2016/05/demorou-mas-chegou-ao-blog-o-i-sarau.html ), que surgiu uma nova e fodastica poetaluna: a intensa e cativante Flaviane Tavares, a Flavi’h Tavares.
Ainda insegura e de forma tímida, ela iniciou sua trajetória lírica com um poema sobre a mulher (veja a foto ao lado), depois tomou gosto pela escrita poética e hoje coleciona formidáveis fases literárias: o início em fase de amadurecimento, a intensificação em poemas cada mais vigorosos, com temáticas fortes e profundas, o refinamento do formato poético, variando da extrema melancolia à superação, da solidão à companhia, do desespero à esperança. Bastante jovem, Flaviane já coleciona uma série de sucessos poéticos: vários de seus poemas foram declamados em saraus da escola e/ou interpretado em esquetes do Luz, Câmera...Alcino! e, no fim do ano passado, um de seus poemas conquistou Medalha de Bronze no Concurso (internacional, vale descatar) de Poesias da Alap, no Rio de Janeiro/RJ. Abaixo trago alguns desses fodásticos poemas (são muitos, pois a escritora escreve febrilmente; em breve, aparecerão em outras postagens), de diversas fases líricas de Flaviane Tavares; vale a pena ler e reler cada um deles, escritos com as veias líricas abertas, com sentimentos à flor da pele em versos intensamente febris e cativantes.
Acompanhemos a fodástica trajetória lírica de Flaviane Tavares, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

Eu só quero entender as pessoas...

Elas sempre dizem que estão do seu lado
pro que der e vier

mas quando precisamos,
todas elas somem...

Me pergunto se o problema é comigo...
Parece que todos me odeiam...

Será que, se eu desaparecer, alguém vai notar?


Não aguento mais: quero sumir
e nunca mais voltar.

Já não consigo esconder
minha tristeza, minha dor.

Cansei de dizer que estou bem,
Enquanto meu mundo está desabando.

Fraca, sozinha, feia, triste
são adjetivos que já fazem parte de mim.

Já não tenho vontade de fazer mais nada,
só fico em meu quarto sozinha, trancada...

Por que tem que ser assim?
Já não sei ser feliz de verdade...

Fingir já virou rotina,
gritar que está doendo é só o que eu queria!



Alguém

Ela sonha com alguém
que a trate bem
que a faça feliz

Alguém que olhe
dentro dos olhos dela
e diga que a ama de verdade

Alguém que não vai fazê-la
sofrer
nem chorar

Alguém que cuide dela
e que a faça sorrir
todos os dias

Ela só quer ser feliz
ao lado de alguém
que a trate bem...



Ela parecia ser forte...
Pela manhã, sorria, brincava,
porém ninguém conhecia seu passado.

Ao chegar em casa,
aquela garotinha sorridente
se trancava no quarto.

Ao anoitecer, ela abria um baú,
onde guardava várias de suas bonecas
velhas e quebradas.

E, dentro de seu maior sonho,
a alma destruída refletia
as velhas bonecas estraçalhadas!


Socorro

Socorro, será que alguém pode me ouvir?
Preciso de ajuda...

Eles estão de volta,
porém mais fortes que antes...

Não sei o que fazer, estou com medo;
por favor, me ajude...

Eles estão querendo me levar;
não deixe isso acontecer...

Não consigo sozinha, preciso de ajuda;
Socorro!


Simplesmente

Quando o sol se pôr,
Simplesmente me abrace.

Quando o sol despertar,
Simplesmente não se afaste.

Quando eu me odiar,
Simplesmente me ame.

E quando eu esquecer quem eu sou,
Simplesmente me lembre.
(Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP - Categoria Juvenil)


Muitas vezes o silêncio machuca
mais que mil palavras

porém tanto o silêncio
quanto essas mil palavras
já acabaram comigo

Não consigo mais ficar de pé
diante de tantas pessoas,
tantos silêncios, tantas palavras,
tantas navalhas...



Stay Strong

Hey, pequena, larga essa lâmina
Seja forte, você consegue

Hey, princesa, você não precisa disso
Você é linda

Sei que o mundo não tá fácil pra ninguém
Mas permaneça forte

Sei o que você tá sentindo
Sei que está triste

Mas será que vale a pena
Descontar toda raiva
Toda dor em si mesma?

Larga essa lâmina
Enquanto pode largar

Se você tem forças pra fingir
Que está tudo bem

Você tem forças pra sair dessa
Acredite em você.

Falso desapego

O Sol se pôs mais uma vez
e eu continuo aqui pensando em você
te esperando

Acreditei em você, me entreguei,
fui sincera com você, disse que te amava,
enquanto você só balançava a cabeça sem dizer nada.

Os dias foram passando
e cada minuto me informava
que você de mim se afastava.

Mas eu não queria te perder,
corri atrás de você,
até me humilhei.

Mas você não se importou
então te dei um tempo
que só nos afastou.

Pensei que me desapegaria de você,
conheci outro,
mas continuo só pensando em você...



talvez não seja
nada

só uma pequena
vontade de chorar

ou talvez uma grande vontade
de por pra fora
tudo aquilo que guardei
dentro de mim!

Apaixonada

Jurei que não iria me apaixonar
depois de sofrer tanto

Mas conheci você
e até pensei que fosse amor passageiro

Mas só você me fazia rir
do seu lado eu me sentia segura

Porém sempre veio o medo de me entregar
apesar de me sentir bem ao seu lado

Alguns dias passaram
e percebi que estava apaixonada

Sim, apaixonada!
Antes não confiava em ninguém,
agora troco meus segredos com você

Finalmente posso lhe dizer
o que nunca disse a ninguém:
eu amo você e jamais o esquecerei.


 Te amo

Simplesmente me apaixonei,
mas não foi por qualquer um

Foi pelo menino moreno
de olhos castanhos
e dono de um sorriso perfeito

Simplesmente me encantei
com seu jeitinho
meio sem jeito.

Eu te amo e prometo provar isso
todos os dias.
Vou te fazer feliz
independente do que aconteça.

Eu sei que o pra sempre é muito,
mas eu o viveria contigo
numa boa.

Teu sorriso me liberta, me conforta
e me traz a paz
que nenhum outro consegue.


Meu amor

O Sol se pôs mais uma vez,
porém hoje não estou mais só.

Tenho você do meu lado
pra me proteger quando anoitecer.

Antes eu só via a escuridão
- agora só vejo o brilho dos seus olhos.

Você veio como quem não queria nada
e se tornou tudo pra mim.

E agora a única certeza que eu tenho
é que eu quero você pra sempre!


segunda-feira, 6 de março de 2017

O Desentorpecer de Gilson Gabriel

A convite da divamiga Rose Almeida, o Sarau Solidões Coletivas retornou com o evento ”Sarau Coletivas In Bar: O retorno dos anjos caídos", na sexta-feira, após o carnaval, dia 03/03/2017, às 19h, no Restaurante Variedade & Sabor, situado na Travessa 27 de Janeiro, n.º 128, no bairro Água Fria, em Valença/RJ. Foi uma noite fodástica e inesquecível (em breve, estarão no youtube e aqui no blog os vídeos)! Lembrar do retorno do Sarau Solidões Coletivas é também reencontrar a mais-que-fodástica poesia do Mestre-Divo-Artistamigo-Maior Gilson Gabriel, parceiraço dos eventos realizados pelo blogueiro-poetamigo que vos escreve.
Enquanto os vídeos do “Sarau Coletivas In Bar: O retorno dos anjos caídos" não saem, nada melhor que desentorpecer com mais um mais-que-fodástico poema de Gilson Gabriel. Crítico liricamente ácido de nosso dia a dia, com formato poético meticuloso e vigoroso e influenciado pelo melhor do lirismo latino-americano (como Neruda, etc), Gilson nos traz uma formidável leitura poética dos nossos tempos e a busca incessante do poeta em, por meio da arte, resgatar a esperança aniquilada pelo contexto do desalento. Vale a pena ler e reler, ler e reler, ler e reler incansavelmente tamanha a beleza e energia dos versos de Gilson Gabriel, até que a vista, hipnotizada pelo fodástico lirismo dos escritos, abra as portas da percepção e abrace o projeto de um amanhã novo, com muita arte pra enfrentar os desgastes do precipitado e ferrenho agora.
Desentorpeçamos com o mais-que-fodástico poema do Mestre-Divo-Artistamigo-Maior Gilson Gabriel, amigos leitores! Boa leitura e Arte Sempre!

Desentorpecer (Gilson Gabriel)

O que dizer se já se disse tudo?
Se os amores já se frustraram,
os sorrisos se amarelaram,
os bandidos se delataram?

O que fazer se o que era pra ser feito o foi?
As máscaras caíram,
as muralhas ruíram,
o ontem se foi?

O que esperar se o sonho já se desfez?
As noites assombraram,
as manhãs se ofuscaram,
os anos se perderam?

Resta um futuro a ser posto.
Resta um amanhã pra nascer.
Resta um sim e um não a dizer.

O que pedir se tudo já foi negado?
O beijo virou fel,
o prato se quebrou,
a música silenciou?

O que querer se o desejo não é presente?
A criança faz-se ausente,
a mão é afago torpe,
o chão faz-se a cova ciente?

Para onde olhar se as vistas já se cansaram?
As nuvens se nublaram,
as aves de voar cansaram,
os horizontes se encurtaram?

Resta um futuro a ser posto.
Resta um amanhã pra nascer.
Resta um sim e um não a dizer.


sexta-feira, 3 de março de 2017

A pior elegia que eu poderia conceber



Hoje queria vir ao blog e postar somente notícias boas, quentes como o sol no início desta manhã, como o retorno do Sarau Solidões Coletivas, hoje, sexta-feira, dia 03/03/2017, às 19h, no Restaurante Variedade & Sabor, situado na Travessa 27 de Janeiro, n.º 128, no bairro Água Fria (próximo ao posto e ao batalhão da PM, em frente ao ponto de ônibus), mas trevas de anos anteriores tornam a manhã nublada e muito infeliz: recebi a notícia de que, na madrugada de hoje, meu tio, mestre, companheiro, amigão de fé, irmão camarada, grande apoiador e influenciador de meus poemas, o mais-que-fodástico tio João Gomes faleceu, após uma árdua luta contra um câncer.
É uma daquelas notícias que você 'já espera'; nas últimas visitas que fiz à casa dele, percebia seu estado de saúde cada vez mais debilitado (já havia citado meu desespero e desconsolo na última postagem que escrevi em 2016: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2016/12/a-ultima-postagem-de-2016-carta-elegia.html), mas a gente carrega aquela chama de esperança, a gente tenta se iludir, porém a Morte, demônio realista, sempre vem pra nos desenganar. Sinceramente, nesse momento, finjo estar de pé, falsamente firme, numa fraca atuação de sabedor de que a morte paradoxalmente faz parte da vida, mas a alma afunda no desconsolo, há trombas d'águas nos olhos que a natureza do meu corpo não consegue conter, por mais que banque o durão, a ficha cai por mais que eu finja que ela não caiu, eu me rendo - estou no chão... tá foda!...
A elegia que posto hoje é intitulada a pior elegia, pois é a mais indesejada, a que jamais desejei escrever. Lembro-me da canção do Biquíni Cavadão, "Impossível": "Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça". Mas é dolorido, é muito difícil, mas é preciso... seguir em frente... Está muito em cima da hora e o Sarau Solidões Coletivas retorna, hoje, sexta-feira, dia 03/03/2017, às 19h, no Restaurante Variedade & Sabor, situado na Travessa 27 de Janeiro, n.º 128, no bairro Água Fria (próximo ao posto e ao batalhão da PM, em frente ao ponto de ônibus), vamos celebrar a vida e lembrar de todos que partem de repente, vamos fazer um evento de dor e folia, seguir em frente apesar do desconforto dos dias (foi sempre assim e meu tio não gostaria que fosse diferente). A morte de meu tio pesa e soma-se às cinzas do tema, vai ser barra segurar a onda, mas precisamos ir em frente, mesmo com a dor eterna, os olhos roxos, o luto indesejado, vamos em frente, em nome da poesia e da resistência, em honra a tudo que meu tio defendeu e lutou. Arte (dolorida, mas) Sempre!

A pior elegia

Para João Gomes (in memoriam)

Hoje o sol me desperta com sombras de pesar.
As trevas do ano anterior bronzeiam com dor voraz
um março febril de um novo ano que tenta sorrir
em vão
e aquela velha canção do amigo de fé, do irmão camarada
ferem nossas antigas gargalhadas,
e todas as canções que você tocou pra mim
nos milhões de rádios, que, de tanto tocar, cansavam, quebravam
em seu saudoso corcel vermelho
que, há pouco tempo, mesmo contrariado,
você vendeu,
e todos os caracóis de seus cabelos grisalhos,
outrora extensos, agora ralos,
e todas as canções que nós ouvimos juntos
em longas viagens pelo nosso pequeno mundo imenso
hoje são sinfonias fúnebres e caladas
que gritam no céu da boca silenciada.
Eu prometi pra mim mesmo que não faria mais elegias assim,
mas, na última vez que o vi, você me disse:
"Dói demais, sobrinho, eu sinto muito...
mas a hora chegou, eu tenho que partir!"
e a esperança, antes firme, apesar de desnutrida,
abandonou seus olhos e deixou em meus ombros,
após aquele último encontro,
a pressão constante da infalível e desconcertante despedida.
E agora é o adeus certeiro, previsto, mas terrível, pois finaliza especulações,
e agora é chuva em mim, enchente sem fim, apesar do céu aberto e sem trovões.
Esta é mais uma elegia que eu nunca quis escrever,
esta é a poesia mais triste que eu jamais quis fazer,
esta é a poesia mais triste, pois nasce sem vida,
como estação de rádio sem sinal, numa lembrança esquecida,
cheia de chiados e sem melodia
(o programa "Good Times", no mau tempo, não sintoniza...)
esta é a pior elegia que eu poderia conceber,
este é o pior poema, pois é o primeiro que escrevo sem você...