terça-feira, 12 de junho de 2018

Solidões Compartilhadas de Eterno Amor: O Poema Romântico de Tuane Miranda finalmente no blog!


Mais um 12 de junho se inicia e o amor está no ar: é Dia dos Namorados! E é claro que o blog não poderia deixar de comemorar essa data com uma maravilhosa estreia na Seção Solidões Compartilhadas:  hoje tenho a honra de compartilhar neste espaço lírico-virtual um fodástico e romântico poema da super-professora-poetamiga teresopolitana Tuane Miranda.
Tuane Miranda é professora dos anos iniciais da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva – sim, é ela quem prepara, dá a base lírica para os futuros poetalunos para os quais lecionarei nos anos finais do ensino fundamental. Há tempos, durante as viagens pela BR 116, de casa para a escola, Tuane confessara que possuía “uns poemas guardados”. Desde então, o blogueiro que vos escreve tem insistido com a tímida poetamiga que ela me apresentasse seus escritos poéticos há tanto tempo guardados para que eu pudesse lançar seus inéditos e fodásticos poemas no blog. Durante muito tempo, insisti, mas a poetamiga Tuane fez que “nunca nem viu” meu pedido e seu lirismo permaneceu oculto, em gavetas secretas, trancadas pela própria poeta autora.
Mas o tempo passou, os deuses do lirismo conspiraram a favor de novas revelações poéticas e a proximidade do Dia dos Namorados influenciou na nova tomada de decisão de Tuane: finalmente ela resolveu revelar um de seus escritos poéticos e ainda permitiu que eu publicasse o sublime poema nessa data especial em que comemoramos o eterno amor entre os mortais!  Por isso, hoje publico e divulgo o fodástico e romântico poema “Meu amor por você”, de Tuane Miranda, declaradamente dedicado ao muso inspirador Leonardo Monteiro, marido e eterno (e)namorado da talentosa poetamiga. Vale destacar a emoção à flor da pele, presente nos versos confessionais de Tuane, além do excelente uso de figuras de linguagem (anáforas pontuais, metáforas singelas, etc) e do ritmo envolvente baseado em rimas simples que traduzem a sublime simplicidade do verdadeiro amor.
Apaixonemo-nos e celebremos o amor, amigos leitores, juntamente com o romântico eu lírico da fodástica poetamiga Tuane Miranda. Boa Leitura! Amor e Arte Sempre!

Meu amor por você

Eu procurei
Por muito tempo
Eu busquei
Um alguém que me amasse
Um alguém que me bastasse

Por muito tempo eu achei
Talvez não sei
Que tudo fosse ilusão
Que eu nunca preencheria meu coração

Nesse momento então
Te encontrei
Você era o amor
Você era o basta
A exatidão do que sonhei

E a ilusão?
Ah! Ela nunca mais coube
No meu coração.
Tuane Miranda



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Solidões Compartilhadas: A Revolta Lírica da Revolucionária Poetamiga Gisleny Almeida


Segundo o Ibope, sete em cada dez brasileiros estão insatisfeitos com governo Temer. E olha que essa pesquisa é de abril deste ano – nem a greve dos caminhoneiros tinha ocorrido, nem o aumento abusivo dos preços do combustível, nem a crise de abastecimento, etc... A insatisfação com a classe política em geral é tão grande quanto a que temos com o desgoverno atual do Brasil. E isso não é de hoje, como podemos comprovar pelo poema da fodástica poetamiga teresopolitana Gisleny Almeida.
No ano passado, Gisleny (que já foi uma das grandes poetalunas da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, onde leciono) me enviou o fodástico poema de elevada revolta e crítica social com o qual compartilho minhas solidões poéticas hoje. Na época, ela me pediu que eu o declamasse em um evento, porém não tive a oportunidade de realizar o desejo dela (não houve microfone livre; entrei mudo e sai calado rs). Seja como for, outras oportunidades para declamá-lo virão. Por enquanto, divulgo-o como um grito calado, com um eu lírico feroz e disposto a atirar em versos cortantes todas as suas mágoas com os descaminhos da pátria que há tempos deixou de ser “mãe gentil”. Vale a pena destacar a energia lírica do poema, impulsionada pelo ritmo forte, pela escolha de palavras e expressões contundentes e pela rebeldia inabalável transformada em apelo poético (não se pode ignorar o vigor lírico da premiada poeta, traduzindo em versos a insatisfação de nossa nação).
Reflitamos e nos revoltemos juntos com o feroz eu lírico da fodástica poetamiga Gisleny Almeida, amigos leitores.

Ei, a injustiça tá demais
E ninguém se importa mais
Já cortaram nossas pernas
Já cortaram nossos braços
E ai, vai deixar que cortem mais?

Zumbi lutou tanto pra conquistar a liberdade
Tiradentes teve o corpo espalhado pela cidade
E hoje a liberdade tá ai, cativa e liberta
Será que a gente a utiliza de forma certa?

Justiça só contra pobre
Não é justiça, é ditadura
Não vão calar minha voz,
Nem vou me fazer de surda!

Teve quem tentou calar minha boca
E até me calava
Mas só com o meu dedo do meio
Falei tudo que eu precisava

No meu mundo, o dinheiro traz comida pra mesa...
Mas lá fora eu o vi levando maldade e frieza

Tristeza, fome, poluição
O mundo anda assistindo o mundo
Em defecação
Pessoas sendo compradas e vendidas
Sem nem ter noção.

Criminosos  amadores são presos,
Os profissionais são eleitos,
Um Brasil que não sabe lidar
Com seus eternos defeitos!

Eles ficam com a carne
Nós ficamos com a banha
A gente que dá duro
E só a massa corrupta e rica que ganha
Se isso é ordem o que é desordem então?

Então vamos lutar
E fazer nossa parte
Pessoas ordinárias
Não calarão nossa arte.



domingo, 27 de maio de 2018

Fim da greve de escrita: Pra não dizer que não falei dos caminhões parados nas estradas do Brasil


Em momentos tensos e contemporâneos nos é difícil fazermos uma análise de um acontecimento histórico, pois estamos envolvidos emocionalmente no evento e, devido ao nosso não distanciamento de tempo dos fatos, não prevemos consequências, nem interesses implícitos além dos explícitos, nem intenções posteriores pelos que lideram a organização dos movimentos e contraste de ideias. Em um evento histórico e contemporâneo, simplesmente tomamos um lado a partir dos nossos juízos de valores e próprios interesses. Nesse período de greve dos caminhoneiros, tomei um lado, tendi a favor dos grevistas, mas não oficializei meu posicionamento favorável a eles, não por covardia, mas por eterna desconfiança. Sou a favor da quase toda a pauta de reivindicações dos caminhoneiros em greve, mas, nas minhas experiências (ativas, na maioria, outras apenas testemunhais) com grandes movimentos históricos populares, algo(zes) implícito(s), ainda não completamente acessível para análise, nesses eventos me faz torcer o nariz. Vejo atitudes altruístas entre os caminhoneiros grevistas, além de uma sensação que lhes foi merecidamente colocada pela bravura e resistência como representantes de um país inconformado com a falta de rumo e corrupção, ao mesmo tempo que estranho a unanimidade ‘nelson rodriguiana’ – esse olhar único favorável que lados outrora plenamente polarizados (mesmo quando apresentam projetos semelhantes) [extrema direita, direita, centro, esquerda, extrema esquerda, acima, abaixo, de ladinho] depositam sobre o acontecimento: cada um toma pra si os méritos do evento (inclusive os defensores da intervenção militar, que, considero, seria a primeira a pôr fim a essa desobediência civil), fazendo-me questionar: afinal, como algo pode agradar todos os lados? Estamos realmente analisando o fato como um todo ou a crise de abastecimento proveniente da greve também está encerrando quaisquer análises distanciadas da emotividade ou pautadas na razão do evento? Pergunto isso, pois, apesar de nos ligarmos emocionalmente aos fatos, há, em todo grupo organizador de um movimento histórico, muitos alguéns (nesse caso, de vários lados) calculando friamente algo – sempre tem; seremos ingênuos mais uma vez? Em nenhum momento, pretendo tirar o mérito da greve dos caminhoneiros, entendam, apenas quero lembrar que isso não é uma partida de futebol na qual você anula sua visão crítica diante das ocorrências e simplesmente torce bestialmente para o seu time favorito.
Considero que o que mais motivou essa quase unanimidade de opiniões diversas e adversas favoráveis à greve dos caminhoneiros se deve à situação caótica na qual nos encontramos - o governo vem pisando na bola há tempos e, consequentemente, tem desagradado impunemente todos os lados outrora inconciliáveis (e, por incrível e inédito que pareça, apesar de se acordarem abraçados na mesma causa, a favor dos caminhoneiros, ainda conseguem se metralhar como em fogo amigo dividindo o mesmo espaço, a mesma trincheira, cada um acusando o outro de ser o causador da guerra, mesmo batalhando com a mesma farda – é a comparação que me veio à mente; por favor, não confundam: sou completamente desfavorável à intervenção militar, que, por esquisito/esquizofrênico sinal, alguns grupos de grevistas defendem arduamente). O desgoverno do Brasil é historicamente corrupto, mas o atual, além disso, é extremamente babaca (o que foi a tentativa de declarar fim da greve a partir de pronunciamentos, acordos e divulgações fakes?), autossabotador (a ameaça insossa de chamar o exército para expulsar os grevistas foi quase que um “olha, eu sei que sou fracote, mas, se me bater, eu chamo meu irmão mais velho e mais forte”, sendo que o tal “irmão mais velho e mais forte” fingiu que nem ouviu ou nem foi realmente acionado ao ataque) e, consequentemente, expressivamente incompetente e impopular (a prova máxima é o fato de que todos os lados se voltam contra ele, pois já conseguiu vacilar com todos). O mérito mais evidente e consagrado da greve dos caminhoneiros foi retirar a máscara, foi gritar para todos os cantos do Brasil o quão impopular é o Governo Temer – era um fato que todos sabiam, mas foi o evento histórico e popular citado quem gritou com voz firme e incontestável essa monstruosidade, outrora disfarçada, fingindo-se de popularizada. Seja qual for o resultado da peleja entre caminhoneiros e desgoverno federal, se daí só sairão consequências positivas e um futuro completamente promissor só o tempo irá dizer (sinceramente, duvido, me desculpem, mas, depois de 39 anos de Brasil e muitos estudos, não me ufano, nem me fantasio mais), um prêmio a greve dos caminhoneiros vai manter durante toda nossa História: ter agido como aquele menininho (mas nem tão inocente e sincero quanto o personagem original, por favor, sem ilusões) do conto da “A Roupa Nova do Rei”, que, observando o desfile absurdo de hipocrisia, grita “O rei está nu!”, tirando toda a população do estupor cúmplice e revelando ao mundo as fragilidades e vergonhas de seus (des)governantes.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O momento literário em que fui minha mãe: Memórias de meus tempos (na verdade, os tempos dela) de fábrica


No último domingo, dia 13 de maio, foi Dia das Mães. Devido a essa data comemorativa superespecial, lembrei-me de um texto que eu escrevera há alguns anos atrás, utilizando como personagem narradora em 1.ª pessoa a minha mãe Vanda Silva Barbosa.
Na época (julho/agosto de 2012), o Sarau Solidões Coletivas vivia tempos áureos e tínhamos uma parceria fodástica com o outrora recém-ressuscitado (hoje, mais uma vez, ‘falecido’) Jornal Valença em Questão (VQ). Meio que a pedido (na verdade, fiz a sugestão, ainda meio sem saber como seria o escrito final, e o pessoal do jornal abraçou a ideia e me cobrou) de um dos principais articuladores do VQ na época, Vitor Castro, construí um texto de memórias, inspirado nas lembranças de minha mãe sobre a Valença de sua juventude e início de trabalho nas fábricas têxteis da cidade (na época, em ascensão; hoje, fechadas).  Para a produção do texto, utilizei técnicas parecidas com as apresentadas na Olimpíada de Língua Portuguesa e os métodos conhecidos dos escritores ghostwriters: entrevistei mamãe e, a partir das informações retiradas da entrevista somadas à percepção de marcas coloquiais da fala da entrevistada, elaborei o texto de memórias, me passando como protagonista-narrador por minha mãe. Ela possuía histórias maravilhosas do seu passado e considerei que tais narrativas orais mereciam ser passadas para a narrativa escrita.
Abaixo os amigos leitores poderão ler o texto de memórias que escrevi, o momento em que liricamente ‘fui minha mãe’. Espero que gostem. Abraços e Arte Sempre!

Memórias de meus tempos de fábrica

Não que eu seja uma daquelas pessoas que só vê o lado negativo das coisas; nem fica bem pra um ser humano ser assim, né? Mas confesso que às vezes me dá uma sensação estranha, meio que uma tristeza, quando vejo todas essas fábricas têxteis fechadas aqui em Valença. Elas fazem parte de minha história, de minhas memórias. Sou de um tempo em que essas fábricas moviam a economia da cidade; você saía de uma delas e logo em seguida já arrumava emprego em outra.
Me lembro bem de meu início de trabalho nessas fábricas. Acho que foi nos idos de 1969 quando comecei a trabalhar em fábrica (me desculpe, mas faz muito tempo e a gente sabe como é a nossa memória: às vezes ela engana a gente e recria as nossas histórias). Fazia um ano que papai tinha morrido, éramos 11 pessoas na família numa casa grande na roça e precisávamos ajudar nas finanças da casa. Como eu já tinha completado 14 anos, mamãe conseguira uma vaga na Fábrica da Chueke pra mim (sim, é aquela mesma onde fica a Richards hoje em dia).
Eu morava no Cambota. Naquele tempo, o bairro não era asfaltado; ainda havia até os trilhos de trem na estrada. Como não havia mais trem por lá, colocaram até um ferro pra impedir a passagem deles nos trilhos – minha irmã Maria e eu já nos machucamos passando por ali naquela época. Tenho a cicatriz até hoje, bem aqui nessa perna, veja só. Pra chegar na Chueke, andava quatro quilômetros e meio e trabalhava na noveleira – aquela que fazia os rolos - das cinco da manhã até uma da tarde. Trabalhei apenas um mês lá, pois mamãe achava ruim eu caminhar tão mocinha pela estrada de madrugada.
Mamãe optou por me colocar na Fábrica de Renda e Bordado, em frente ao que hoje é a Metamorfose, pois minha irmã mais velha, a Yara (na época com 20 anos de idade) trabalhava lá e assim poderíamos sempre ir juntas ao trabalho. Lá trabalhei na máquina automática de fiação durante um ano e pouco. Todas as meninas da família, minhas irmãs, trabalharam lá, com exceção da Dinah, minha irmã mais nova. Como eu dissera antes, a história dessas fábricas fazia parte da trajetória de trabalho de nossa família, de nossa luta pela sobrevivência sem papai aqui para nos amparar – tínhamos que manter nossa casa, dar boas condições para mamãe e para nós mesmas.
E deu tudo certo, graças a Deus! Após a Fábrica de Renda e Bordado, trabalhei na Fábrica Progresso e na Santa Rosa. Não faltava trabalho em fábrica naquela época.
Como os tempos mudam. Hoje, se você não quer ficar desempregado, tem que buscar vaga no comércio, que, naquela época, era quase inexistente. As pessoas saíam de Valença pra comprar as coisas, nenhuma loja grande durava na cidade por muito tempo. Agora, está tudo mudado: o comércio cresceu muito e todas as fábricas nas quais trabalhei fecharam. Fico impressionada com essas mudanças bruscas; se bem que eu adoro passar no centro e poder fazer minhas comprinhas sem ter que sair da cidade. Como disse, não se pode ver só o lado negativo das coisas.
Ah, mas tinha uma coisa que eu não gostava nem um pouquinho da época em que trabalhava em fábrica: como eu era menor de idade, meu salário era muito mais baixo que de um trabalhador maior de idade. E tinha que dar a mesma produção [atingir as metas] que os mais velhos, veja só! Era uma pressão danada, eu me virava, até dava produção, mas não passava da meta. As colegas que davam produção maior às vezes me ajudavam. Não posso esquecer jamais da minha amiga Zilma, que, na época da Santa Rosa, dava produção e ainda me ajudava pra que eu alcançasse a minha meta.
Atitudes como essa não acontecem muito hoje em dia, com todas essas câmeras internas, com todo esse desespero para se manter no emprego. Hoje é mais cada um por si. Mas acaba que, pensando nas fábricas de Valença hoje em dia, não há nem união, nem cada um por si, afinal, não há mais fábricas como antigamente por aqui. Às vezes, vem gente me dizer que foi por causa do sindicato que as fábricas fecharam, mas eu não sou boba: na década de 1990, a Santa Rosa, por exemplo, muito antes das brigas com o sindicato, já funcionava meia boca, pagava os funcionários com atraso; esse negócio de ficar culpando os outros pelos nossos próprios erros é uma atitude que eu não aceito, sempre fui muito honrada e não gosto de mentira e covardia. Que cada um admita o seu defeito, conviva com seus pecados e arrume um jeito de encontrar a sua redenção.
É... parece que pecamos demais como cidadãos valencianos e nada de acharmos uma redenção. Continuamos votando errado, trocando voto por saco de cimento, dentadura, um dinheirinho e quem paga a conta somos nós mesmos: aí estão as fábricas fechadas, Valença estagnada, um cenário triste que não me deixa mentir. A cidade tinha tudo pra dar certo, não tinha? Mas não dá. Ver as fábricas fechadas me faz pensar em tudo isso, me faz relembrar – se a gente não tiver memória, como vamos conquistar um futuro melhor para nossa terrinha? Mas, já disse isso e nunca custa lembrar, não devemos trazer na cabeça só coisas negativas, a gente fica até doente assim, não é verdade? Tenho fé em Deus que um dia Ele vai iluminar a cabeça da minha gente e o povo vai se conscientizar. Sim, um dia, a gente vai usar a memória pra funcionar, aprender com nossos erros e ver nossa cidade voltar a crescer!
(Texto escrito por mim, baseado nas memórias de minhaa mãe, Vanda Silva Barbosa, publicado anteriormente no Jornal Valença em Questão n.º 43, de Agosto de 2012. Texto também acessível no link: http://blogdovq.blogspot.com.br/2012/08/vq-n-43-memoria.html)



sábado, 12 de maio de 2018

Solidões Compartilhadas: A Premiada Vida e O Emblemático Viajante do Futuro de Débora Branco


Há 2 dias atrás (10/05), a fodástica poetamiga teresopolitana Débora Branco fez aniversário.
Conheci seus poemas na época em que ela ainda era estudante na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em 2014. Eu ainda não lecionava Português na turma dela (isso só aconteceria no ano seguinte), mas, por recomendação de vários artistalunos, voltei minha atenção para sua poética e, assim, conheci um de seus mais formidáveis poemas, “Vida”, já publicado aqui no blog (e relembrado nesta postado junto de outros). Diante do fodástico poema, não resisti e, mesmo Débora não sendo minha aluna, apadrinhei seu lirismo e enviei seu poema para disputar a Categoria Juvenil do Concurso de Poesia da Alap (Academia de Letras de Paranapuã) de 2014, no Rio de Janeiro/RJ. Não deu outra: o poema “Vida” de Débora Branco foi laureado com Medalha de Ouro no certame literário daquele ano!
Em 2015, Débora Branco esporadicamente me entregou uma série de poema, entre eles - outro que destaco nesta postagem – o intrigante, emblemático “Viajante do futuro”, cheio de referências literárias e reflexões filosóficas (marca principal dos escritos poéticos da jovem escritora). Como uma “viajante do futuro”, Débora sempre esteve liricamente à frente de seu tempo, com uma poética madura e sublime. É sempre uma honra compartilhar minhas solidões poéticas com essa fodástica e merecidamente premiada escritoramiga.
Fiquemos com a vitoriosa “Vida” e as passadas viagens “do futuro” de Débora Branco, amigos leitores!

Vida

Às vezes penso em acreditar,
Mas prefiro sonhar.
Às vezes quero correr
Em vez de caminhar.

Não penso no distante futuro,
Apenas no imediato amanhã;
Hoje foi descoberto,
Hoje o presente,
Amanhã o mistério.

Mas a vida nos surpreende
Em cada minuto,
Enfim somos
Apenas marionetes do absurdo da vida.
(Poema de Débora Branco, premiado com Medalha de Ouro, na Categoria Juvenil do XXV Concurso de Poesia da ALAP [2014])




O viajante do futuro

Quem é esse?
Um viajante do futuro?
Quando olhares para o futuro o que verás?
Tantas perguntas e tão poucas respostas.
Não se preocupe com as perguntas
E sim com as respostas.

Mas que mistério há nesse viajante...
Sabe todos os segredos da vida,
Tantas vividas e tão pouca sabedoria,
O mundo gira, a tristeza fica
E uma nação na solidão.

Não desiste do impossível,
Não deixe de descobri-lo.
O que é a ilusão?
Uma armadilha do destino
Ou a última solução?

Esta é a cicatriz que o tempo nos deixou.
Sabes quem é o viajante do futuro?
O próprio tempo que nos adiantou!



terça-feira, 8 de maio de 2018

Solidões Aniversariantes Compartilhadas: O Coração Acelerado de Laura Evangelista


Ontem foi meu aniversário, mas os grandes presentes me aparecem todos os dias de todas as formas: na poesia infinita na folha finita escritos por mãos amigas que desenham inúmeros sonhos e me trazem a visão de um milhão de céus. Sim, além da escrita, os maiores presentes que recebo e percebo no dia a dia, nesses 39 anos de líricos, antilíricos, sãos e loucos dias a dias, são as leituras de novos sonhos, escritos por outros eus em mim, escritos por outros eus em desconhecidos, em artistamigos, em artistalunos, em ex-artistalunos, em novos artistamigos. Essa frequência poética, esse giro lírico que mantém o nosso mundo vida dia a dia, muito além do mundo planeta cientieficienticida. E isso me faz lembrar que ontem, dia 7 de maio, não foi apenas meu aniversário, mas também da superfodástica e intensa prosapoetamiga teresopolitana Laura Evangelista, que há menos de um mês me presenteou, confiando-me uma de suas prosas poéticas mais recentes e, segundo ela, “uma das melhores” que ela escreveu (sim, amigo leitor, você lerá e entenderá a poética irrefreável e segura dessa afirmação.
O novo poema da ex-artistaluna, madura nova artistamiga Laura Evangelista traz erotismo sem medo temperado com romantismo à flor da pele, num transbordamento de emoções e lirismo que só os escritores capazes de expor a alma nua e sem pudor são capazes de escrever! Quando ela me confidenciou seu novo escrito, luzes líricas e portentosas incendiaram a noite outrora sem poesia e inundaram meus olhos leitores com a satisfação da leitura de um poema intenso, de sentimentos harmoniosamente turbulentos e imensos, potentes, fodásticos!
Ontem foi meu aniversário e também o aniversário da superfodástica Laura Evangelista, mas quem ganha o presente, a mais carnalmente sublime oferenda lírica, a mais fodástica prosa poética de Laura Evangelista, é você, amigo leitor!

Acelerado (Laura Evangelista)

Às vezes eu queria ter coragem de olhar nos teus olhos e te dizer tudo que tá entalado em mim e que grita pra sair sempre que te vejo, sempre que ouço tua voz, que vejo teu sorriso: eu amo você, amo você com todas as letras que a palavra amor tem, eu amo você, com toda dor que a palavra amor pode causar em alguém, eu amo você, em cada acorde de música romântica que eu escuto eu penso em você, nos teus doces olhos castanhos, eu me pego te amando a cada amanhecer que abro meus olhos e meus pensamentos se direcionam a você, a cada vez que te pego me olhando, sorrindo ou até mesmo não fazendo nada. Teus lábios ainda formigam a minha boca e meu coração acelerado ainda me faz questão de lembrar em como teu beijo é o lugar no qual eu gostaria de morar, teus lábios tão macios e gostosos encaixados nos meus, enquanto meu coração batia freneticamente gritando pelo teu nome e o quanto eu queria que nunca acabasse, tuas mãos nas minhas, tens o encaixe perfeito e todas as vezes que eu fecho meus olhos eu vejo você deitada na minha cama completamente nua enquanto se entrega de corpo e alma pra mim e deixa eu te amar como se fosse a primeira e última vez. Meus pensamentos teimam em acreditar que você está aqui comigo e que um dia será apenas eu e você nos amando embaixo da lua, no nosso cenário perfeito, meus beijos pelo teu corpo, enquanto você se remexe pra mim, enquanto teu corpo tá em êxtase pelo desejo que eu causo em você, pelo brilho dos teus olhos e pelos gemidos da tua boca, teu corpo tremendo em puro desejo pelos meus dedos te tocando por completo, tocando tua alma, te enxergando por dentro, curando teus monstros internos com meus beijos que te reiniciam por inteiro, cuidando de você, amando você. E, com o tempo, aprendemos que o amor é isso, é mais do que somos por fora, é algo que vem de dentro, que cura, que reinicia, que completa, o amor é o que eu sinto por você, o amor é o que me faz me apaixonar por você a cada dia que passa, o amor é o que me dói e, ao mesmo tempo, me constrói, o amor é o que futuramente vamos viver, eu e você!



sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Abraço Mais Quente para o Eterno Retorno, a minha Volta ou a Volta dos que jamais foram


Faz um bom (ou mau?) tempo que não venho aqui (mais uma vez sumido, mais uma vez...). Os motivos são diversos, o amigo leitor pode até escolher: um período contemporâneo estranho, cheio de extremismos e imensos vazios, que me afastou da poesia cotidiana; o cansaço; um certo bloqueio criativo; crises existenciais repentinas; estranha sensação de breve tristeza infinita como agulha fina e invisível perfurando o corpo e a mente lentamente – há um turbilhão de problemas que quase todo ser humano anda passando e eu também, eu talvez com mais intensidade, talvez não (sem medições; somos tendenciosos a sempre julgarmos sofrermos mais que os outros e está todo mundo no mesmo circo de horror, revendo as mesmas terríveis atrações: queda de valores humanos, terror do violento cotidiano, temor diante da involução humana, corrupção, carga de trabalho sempre acima da nossa capacidade, solidão na multidão composta por indivíduos que assim como nós sente a mesma sensação, etc, etc).
Passei várias vezes pelo blog, pensando em como recomeçar: desabafando? Desabando? Ignorando o sumiço? Criando outra persona? Deixando pra lá? E assim o tempo, ser workaholic  que não se deixa abalar para os dramas dos mortais ao seu redor, seguiu seu percurso acelerado e nada de eu, nada de recomeçar as postagens.
Porém, contudo, todavia,  quando nos pegamos completamente perdidos, numa frágil fortaleza de solidão, numa estranha ilha deserta sem mar ou areia, a arte nos resgata, nos chama pelo nome; super-herói mais poderoso, mesmo sem poderes e com tendências anti-heroicas, a arte sempre nos salva. Desta vez, veio pela mensagem amiga, via whatsapp: a divartistamiga Helene Camille me relembrou de um conto meu que sempre foi o seu declaradamente favorito entre os meus escritos: o “Amor é fogo que arde sem se ver” (sim, o título é uma irônica referência a um soneto de Camões) e me mostrou uma versão em curta metragem dele que ela produzira, com o apoio de artistamigos dela, conforme poderão conferir na descrição que ela fizera ao postar o vídeo (e que eu reproduzo na íntegra mais abaixo nesta postagem).
Diante da maravilhosa e lírica homenagem a um conto-filho meu, finalmente achei uma motivação, uma desculpa pra retornar ao blog. Compartilho nesta postagem minhas solidões poéticas com Helene Camille e todos os demais artistas envolvidos na produção do curta. Para isso, trago o conto-filho inspirador e a fodástica versão cinematográfica idealizada e produzida pela divartistamiga Helene Camille.
Em resumo: estamos de volta aos diários de solidões coletivas, amigos leitores! Espero que gostem desse novo eterno retorno!

Amor é fogo que arde sem se ver

                Cego pela solidão que se arrastava pelos móveis, espalhou álcool sobre a mesa fria, sobre o sofá antiquado, sobre a biblioteca de livros empoeirados, sobre o guarda-roupa de sobretudos guardados para encontros que não se consumaram.
                Acendeu o fósforo e, com olhos de criança travessa, observou as chamas consumirem a casa.
                Pela primeira vez, o triste homem sentiu calor. Feliz com o sentimento inédito, acendeu um cigarro e deitou-se de olhos fechados no chão incendiado.

“O Abraço mais Quente”:
O curta de Helene Camille, inspirado no conto “Amor é fogo que arde sem se ver”

Comentário de Helene Camille sobre o curta metragem:
“É uma das minhas mais recentes experimentações na vida é o cinema. Não como espectadora, mas como produtora kkkkkkk. Não bastando isso, ainda arrasto meu aluno-ator, Gabriel Pompeu, com seu talento mais do que comprovado no teatro, sob a batuta de meu queridíssimo Fernando Mattos. Contudo, a qualidade da imagem não é uma das melhores porque minha câmera fotográfica está completamente obsoleta, o que não dá ao meu ator o brilho que ele merece. Este então é a minha primeira obra: O Abraço mais Quente", tem exatos 59s, pois o exercício que o curso que o Laboratório Kumã, da UFF, propôs para os alunos que filmássemos um "Minuto Lumier" em homenagem aos irmãos Lumière. Então adaptei o microconto "Amor é fogo que arde sem se ver", de meu amigo valenciano, Carlos Brunno S. Barbosa, para a telinha minúscula de minha NIKON amada com o a ajuda luxuosa de Mirela Cesária e da queridíssima Carla Verônica Cesaria.”