segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Árvores vitoriosas ganham raízes na eternidade: Relembrando os poemas vencedores de Vanessa Cristina e de Mirtes Fernandes

É, camaradas leitores, o tempo passa aceleradamente e a cada dia a correria pela sobrevivência parece crescer, tomando quase todo intervalo de minha vida (fim de bimestre então o tempo passa como um sopro), o que tem feito eu me distanciar cada vez mais do blog (já pensei até em alterar seu nome para ‘Raros Intervalos de Solidões Coletivas’). Mas hoje, Dia da Árvore, fui tomado por uma belíssima lembrança: quando eu lecionava para os alunos do nono ano da E.M. Nadir Veiga, em Teresópolis/RJ, em 2010 (o último ano antes das trágicas chuvas que arrasaram a escola) , inscrevi um poema de minha autoria (“Ensaio sobre a cegueira das árvores”, já publicado aqui nas primeiras postagens do blog) e outros dos artistalunos daqueles memoráveis nonos anos no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ, cujo tema era “Árvore”.
E o resultado não poderia ter sido mais fodástico: conquistei o primeiro lugar na Categoria Adulto e as poetalunas Vanessa Cristina Silva dos Santos e Mirtes Fernandes Andrade conquistaram, respectivamente, o terceiro e o primeiríssimo lugar na Categoria 13 a 15 anos (por sinal, até hoje considero o poema de Mirtes muito mais fodástico que o meu – dá aquela inveja boa do tipo “queria ter escrito esse poema”).
Cinco anos depois, trago de volta do túnel os dois fodásticos poemas das duas fodásticas ex-poetalunas – elas já vivem as atribulações da fase adulta, mas seus poemas vivem a eterna primavera juvenil da eternidade. Também trago a animação inspirada no poema vencedor de Mirtes Fernandes, produzida pelo professor-artistamigo Max Vitor Sarzedas.
Que árvores contemplem a possibilidade da vida eterna assim como os fodásticos poemas de Vanessa Cristina Silva dos Santos e de Mirtes Fernandes Andrade!

Liberdade

Já lutei comigo mesma
pra dizer que isso é normal,
mas não consigo me acostumar
com tudo que fazem contra mim,
não consigo me acostumar
com os meus galhos cortados
e com a lenha
que retiram de mim
só pra produzirem
uma coisa chamada dinheiro.
Nunca pedi nada demais para eles,
só pedi minha liberdade,
liberdade para crescer,
liberdade para sentir
o sol, a chuva e o vento,
liberdade para sentir
o que as que antes de mim sentiram,
liberdade para viver,
liberdade para ser
o que sou desde que nasci,
liberdade para ser uma
                                     Árvore.

Vanessa Cristina Silva dos Santos, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 - 3.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

O nascer de uma árvore

Do broto
Vi nascer
E a árvore
Aparecer.

De sua raiz
Vi surgir
E o tronco
A lhe engolir.

Do tronco
Vi as folhas aparecendo
E seus frutos
Pássaros comendo.

Do fruto,
Uma bela fruta
Que cai despedaçando-se
No chão.

De seu caroço
Um novo broto
Para novamente
Surgir do chão
Aquela, a Árvore Inspiração.


Mirtes Fernandes Andrade, poetaluna do nono ano da E. M. Nadir Veiga Castanheira em 2010 -  1.º Lugar no 4.º Concurso de Poesias do Espaço Cultural São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ - Categoria: 13 a 15 anos - Tema: Árvore

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Juntando-se ao Lado Hardcore da Inércia: O Luz, Câmera...Alcino! Também Diz Não

Yeah, amigos, o vídeo já começou a brilhar há algum tempo no Youtube e finalmente chega ao blog Diários de Solidões Coletivas: eis mais um fodástico curta-metragem do Luz, Câmera..Alcino!, de Teresópolis/RJ, desta vez, retomando o Projeto Brasil Musical (iniciado em 2012) e faz um clipe à fodástica e vibrante canção "Eu digo não!", da banda de punk rock/hardcore brasileira (bem ao gosto do ativistamigo Lucimauro Leite) Inércia, de São Gonçalo/RJ.
O clipe é um pedido antigo do músico-amigo Rafael Almeida, integrante da banda Inércia e responsável pelo Feira Moderna Zine entre outras tantas atividades culturais. O roteiro foi, como sempre, feito de imrpoviso entre o professor-diretor e os artistalunos participantes; optamos por aproveitar a letra, que fala sobre revoltar-se contra as más condições de trabalho e os mandos e desmandos do patrão, para relembrar as manifestações legítimas trabalhistas contra o autoritarismo de alguns patrões e questionar e denunciar o trabalho infantil em empresas corruptas/quase clandestinas. Acrescentamos também, no final, um fodástico poema de crítica social "Eu quero chegar", escrito pela ex-poetaluna Maria Eduarda Ventura, artisticamente conhecida como Duda Ventura (ela se formou no ano passado, mas continua como sempre 'causando' no Alcino e mantém o título de ter sido a mais fodástica filmadora e supervisora artística do Luz,Câmera...Alcino!)
A filmagem, direção e edição do vídeo foram minhas, contando com o super-talento nato dos artistalunos Ana Gabriela Medeiros, Stallone Oliveira, Carollany Corrêa, Brendha Fernandes, Richarles Mello, Vânia Camacho e Maiara Charles. Ainda contamos com o retorno da ala infantil do Luz, Câmera...Alcino! com as super-atrizes Luana Rodrigues da Silva (a Luana Loira), Vitória Gabrielle, Eduarda "Duda" e Jaqueline de Souza (as artistalunas das turmas coordenadas pela orientadora Vanessa Satiro).
Além do clipe, trago também nesta postagem as duas obras inspiradoras do vídeo: a super-vibrante e crítica letra de música “Eu digo não!”, da banda Inércia e o fodástico poema social “Eu quero chegar”, da jovem e talentosa poetamiga Duda Ventura.

Clipe do Luz, Câmera...Alcino! para a canção "Eu digo Não!", da banda Inércia, de São Gonçalo/RJ



Eu Digo Não  (Inércia)

Por todas as imposições injustas
Que você acha que eu tenho que acatar
Sem condições justas
Assim não dá, não podemos ficar!
Não! Eu digo não!
A cada ano um aumento na esmola!
Não posso sobreviver com esse mínimo!
Pois tudo aumenta a toda hora!
Como pode sobreviver com sobras?

Não! Eu digo não!
Já estamos cansados de ser mandados!
Suas leis só apoiam o patronato!
E nós, que trabalhamos pra sustentá-los?
Desse jeito, no meu trabalho, sou escravo!

Não! Eu digo não!
Não! Eu digo não!
Eu quero chegar (Duda Ventura)

Eu quero chegar em um lugar e ver mato.
Eu quero chegar em um lugar e ver carteiras assinadas, muito trabalho,
Eu quero chegar em uma comunidade e ver igualdade,
Eu quero chegar em um lugar e me sentir importante.
Eu não quero mais ver desigualdade,
Eu não quero mais ver diferença entre os homens,
Chega de ver mauricinho passando de carro importado,
Enquanto alguém passa fome ao meu lado.