Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
Hoje, dia 17 de julho, é aniversário da querida Cidade do
Aço, Volta Redonda/RJ, município vizinho de Valença/RJ e uma das minhas regiões
lírico-afetivas. Em homenagem ao aniversário deste roteiro lírico-turístico de
minhas andanças boêmio-poéticas (já curti e participei de muitos eventos culturais
por lá), compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com um antigo e
sempre querido mestre poetamigo, residente em Volta Redonda/RJ, Euzébio
Nascimento Alves, também conhecido como o Joãozinho do Gibi.
Bom prosador e grande poeta, Euzébio Nascimento Alves é bom
de bate papo e, mesmo tendo meio que se aposentado da arte poética (“pra mim,
envolvia muita dor, amigo, ficava triste por horas”, declarou-me uma vez), em
uma postagem recente do blog, inspirou-se e retomara o hábito sublime de
escrever fabulosos versos. Em mensagens virtuais, enviou-me, em formato de
fotos, 2 poemas seus que foram publicados na histórica obra “X Coletânea de Contos
e Poesias (1990-91)”, do famoso grupo artístico volta-redondense GLAN – Grêmio Literário
de Autores Novos. Os 2 poemas foram publicados quando Euzébio tinha 24 anos e
envolvem temas familiares/lírico-filosóficos (a onírica união do amor com a
amizade em “Casamento”) e sociais (o eu lírico com condições razoáveis de vida
diante da fome e pobreza em “Sem razão”). Publico-os em sua forma original, uma
lembrança poética/oferenda lírica em comemoração aos 65 anos de Volta
Redonda/RJ.
Era quinta-feira, dia 14 de março de 2019, um dia após dois jovens,
imitando o massacre de Columbine, abrirem fogo dentro da Escola Estadual Raul
Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo e deixarem marcas de sangue e luto no
coração do Brasil. Era uma quinta-feira, inicialmente cinza, nublada, quase fria,
com ares de luto coletivo. Como professor, acompanhar a notícia no dia anterior
foi assustador; dar aula no dia
seguinte, na fatídica quinta-feira, dia seguinte ao massacre de Suzano, era
estranho, perturbador. Precisávamos falar sobre os massacres, a violência nas
escolas; era um assunto delicado, mas precisávamos falar sobre Kevins (quem é
cinéfilo ou ávido leitor, entende a referência), sobre a perturbadora onda de
violência que há tempos grita nas problemáticas diárias das escolas. Preparei
às pressas material sobre o assunto, alterando todo o planejamento do resto da
semana (era um assunto delicado, mas precisava ser abordado, não se esconde um
elefante deste no canto da sala [quem é cinéfilo, novamente saca a segunda
referência]). O segundo susto veio logo no início da mesma manhã de
quinta-feira: enquanto a orientadora da
escola, Flávia Araújo, iniciava a manhã com uma reunião com todos os alunos na
quadra para falar sobre o assunto, muitos silêncios estranhos, muitos
burburinhos de indiferença e pouco luto, parca compaixão, a violência não mais
escandalizava – se tornava algo distante, vítimas veladas à distância pelas
velas do esquecimento e/ou ignorância. Um projeto se formou na minha cabeça
naquele instante: precisávamos cada vez
mais urgentemente falar disso, nos indignarmos, sentir a dor do outro, clamar
por um mundo melhor, sem notícias ensanguentadas e trágicas como a do dia
anterior. E não podíamos esquecer, pois esquecer é manter os erros, a
ignorância, a indiferença e deixar acontecer de novo e de novo e de novo...
Trabalhei com os nonos anos o histórico de massacres,
debatemos, conversamos, tomamos conhecimento, exercitamos o fim da indiferença,
sempre tomando como foco mais as vítimas, sempre relegadas a segundo plano em
noticiários, que os praticantes dos massacres. A partir daí, obtive apoio de
outros profissionais da educação da escola onde leciono – o tema era delicado
demais pra seguir sozinho -, os artistalunos usaram seus conhecimentos e
sensibilidade e produziram diversos monólogos, cada um representando uma escola
ferida pela ferida. Essas produções textuais são as que posto hoje, juntamente
com o vídeo da emocionante apresentação do Luz, Câmera... Alcino 2019, composta
pelos monólogos que os artistalunos escreveram: a peça "Monólogos de Dor e
a Alegria do Circo Musical", sobre a violência nas escolas e um pedido de paz e
esperança, com o histórico encontro dos artistalunos dos nossos anos com o Pré
II, da formidável professoramiga Patricia Ignácio. Deixo aqui nesta postagem agradecimentos
especiais à super equipe diretiva da Escola Municipal Alcino Francisco da
Silva, de Teresópolis/Rj, que acreditaram no projeto e permitiram que o evento
fosse realizado, aos professores amigos que apoiaram o evento, aos artistalunos
da direção artística (Ana Júlia Ana Julia Duarte e Ana Clara Oliveira) e aos novos
e veteranos artistalunos do Luz, Câmera...Alcino. Foi lindo demais!
A apresentação teve sonoplastia dos Professores Daniel e
Genaldo Lial. A peça, resultado de redações de monólogos escritas pelos
artistalunos do nono ano + performance elaborada pelo Pré II de Patricia
Ignácio, aconteceu na Quadra da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva na
quinta-feira, dia 11/04/2019, e a filmagem foi realizada pelo Professor Júnior,
lírico matemático.
Amemos mais os próximos e os distantes, amigos leitores, e
fiquemos em paz. Arte Sempre e nós sempreabraçados, ao lado (e não acima) de todos.
Monólogos da dor
I
Meu Deus, o que está aconteceu com esse mundo? Tantas
pessoas morrendo, tantas famílias sofrendo, o que mais podemos fazer para ter
um mundo melhor? As pessoas estão indo de mal a pior. Precisamos de paz e
união; jovens estão morrendo e se matando por depressão.
Monólogo escrito por Ramon, Guilherme, Gustavo Silva, Jonathan e
Miguel
II
Naquele dia, foi feito um dos maiores massacres já
acontecidos no mundo. Naquele dia, eu só lembrei de correr para bem longe, eu
só escutava barulho de tiros, alunos gritando e correndo com medo. Corri, fugi
da escola para chamar alguém pra ir lá ajudar os outros. Mais de 10 alunos
foram mortos a tiros.
Isso tudo foi feito por dois ex-alunos da escola. Eles nunca
gostaram dos professores, nem da escola toda. No final de tudo, os dois garotos
se mataram a tiros.
Agora está tudo bem comigo e com os outros sobreviventes do
massacre na escola. Mas uma marca de sangue fica em nossa memória, uma mancha
que sempre sangra em nossa mente.
Monólogo escrito por Marcus Vinicius e Ana Gabriela
III
Sou Columbine e infelizmente a mais famosa escola vítima de
um massacre.
No dia 20 de abril de 1999, minhas paredes foram manchadas
de sangue, pois dois jovens chegaram e mataram 13 alunos. Um dos atiradores
tinha 17 e o outro 18.
Às 11h19, presenciei Eric Harris e Dylan Klebold, dois
alunos que viviam dentro de mim, ferirem, matarem e, depois, se matarem.
Foi o momento mais triste da minha vida.
Monólogo escrito por Vitória, Camila, Livia, Kawan e Kayk
IV
Eu sou Columbine High School, da cidade de Littletown, no
Colorado. Peço desculpas pelo meu humor triste, pois, desde o dia 20 de abril
de 1999, eu não tenho mais alegria. Nunca fui tão triste em toda minha vida
como naquele dia. Vou tentar explicar o que aconteceu: dois dos meus alunos
entraram armados, matando cerca de 13 alunos e ainda deixaram mais de 20
pessoas feridas, antes de se matarem. O que mais me dói é que se alguém
soubesse que eles eram depressivos, que eram sozinhos, que sofriam bullying,
talvez nada disso teria acontecido, nada, nem ninguém estaria triste como eu
estou.
Se a Swat tivesse chegado antes, talvez seria menos doloroso
lembrar daquelas cenas. E, só de pensar que o número de mortes, era para ter sido
maior e não foi é um ‘alívio’. Mesmo assim, ainda sinto o sangue das vítimas
dentro de mim, ainda escuto os gritos e pedidos de socorro ecoando pelas
paredes da biblioteca. E só de pensar que os assassinos escolhiam suas vítimas
chega até a dar raiva dentro de mim. E o mais incrível é que em 16 minutos eles
mataram 12 alunos e 1 professor.
Isso tudo é uma triste e horrível história e, de coração,
não quero que aconteça com ninguém! Porque vocês não sabem o que estou, estava
e sempre vou sentir dentro de mim. Já faz quase 20 anos e não passa!
Monólogo escrito por Andressa, Katheleen, Ingrid, Isabelle e
Emily
V
Olá, meu nome é Virginia Tech, sou um instituto politécnico
e uma universidade estadual.
No dia 16 de abril de 2008, um de meus estudantes, de 23
anos, matou 32 colegas e professores antes de cometer suicídio.
Com minhas paredes ensanguentadas, vi no olhar dos alunos
que ainda permaneciam vivos o desespero, a angústia e a tristeza.
O estudante psicopata foi até um alojamento por volta das
7:15 e matou duas pessoas, um homem e uma mulher.
Ele fugiu do local antes de as autoridades chegarem e todos
pensaram que ele já havia me abandonado, porém, com mais ódio e raiva, o
estudante voltou duas horas depois, começando a cometer o terrível segundo
ataque, que tirou a vida de 30 pessoas e logo em seguida suicidou.
Nunca entendi o motivo pelo qual ele fez aquilo; ele sempre
parecia estar sorrindo em meus corredores, mas nunca imaginei que aquele
sorriso era tão maldoso.
Sim, eu sou considerada a universidade com o maior número de
mortos dentro de mim, esse é um crime que eu nunca mais esquecerei.
Queria ter evitado tudo isso, mas não foi possível.
Me desculpem.
Monólogo escrito por Ana Clara, Ana Julia, Tayssa, Pedro
Henrique e Marcelo
VI
Ser um dos pais do assassino não é fácil... Me sinto culpado
por não ter cuidado direito dele. Pra mim, que sou pai, não é fácil, não
consigo parar de pensar nessa desgraça que ele fez a essas crianças e a si
mesmo. Já procurei uma forma para tentar diminuir esse sentimento de culpa que
fica agoniando dentro de mim; estou sofrendo muito com tudo isso, com essa
amargura que me agonia todos os dias, já pensei em desistir, sabia? Queria ter
sido um pai mais presente na vida de meu filho para que ele não tivesse feito
essa escolha. Nunca imaginei que um dia ia sofrer tanto como estou sofrendo
hoje, já procurei várias maneiras pra esquecer, mas não é fácil pra mim.
Monólogo escrito por Walace, Romullo e Gustavo Lopes
VII
Olá, me chamo Sandy Hook, desculpas eu peço por não
demonstrar sorrisos, pois, no dia 14 de dezembro de 2012, um atirador chamado
Adam Lanza, de 20 anos, me invadiu e matou 26 pessoas que estavam dentro de
mim. 20 destas pessoas eram crianças entre cinco e dez anos. Eu fico muito
triste em saber que um homem de 20 anos planejou assassinar crianças. O que o
levou a fazer isso? Até hoje ninguém sabe...
Monólogo escrito por Brenda,
Evelly, Julia e Rafael
VIII
Oi, sou Sandy Hook. Em dezembro de 2012, aconteceu um
massacre em mim. Um rapaz chamado Adam Lanza abriu fogo em mim, matando 26 pessoas,
vinte delas crianças de cinco a dez anos.
Soube que, depois desse crime, a mãe dele foi encontrada
morta em sua casa.
Não sabemos os motivos que levaram Adam Lanza a fazer esse
massacre. Ele tinha familiaridade com o acesso a armas de fogos e munições e
uma obsessão por assassinatos em larga escala. Dizem que ele se inspirou no
tiroteio que ocorreu na escola de Columbine em abril de 1999.
Monólogo escrito por Gabriela e Camille
IX
Como podes entrar assim tão de repente matando jovens
inocentes. Por que matou sua mãe, por que matou essas crianças, elas podiam ter
crescido, montado suas vidas; e seus familiares como achas que estão, chorando
agora, sem pensar e perdão.
Oh, Adam Lanza, por que fez isso com crianças, crianças com
apenas cinco, dez anos de idade, faz-me pensar o que será de nós, será que você
tinha problemas, ou fez por diversão, você nunca parou para pensar; já não
bastava o massacre em Columbine, agora vem você querendo imitar, matar
professores, sem ao menos pensar por quê...
Monólogo escrito por Alice dos Santos, Juslaine Bepler,
Maria Eduarda Rodrigues, Patrick e Ruan
X
Ah, se eu soubesse que seria desse jeito (choro) só queria
ter o abraço pra ver se pelo menos eu consigo continuar a viver. O mundo tira
de nós nossos bens mais preciosos... sinto tanto sua falta... se você pudesse
pelo menos ouvir, ah, como eu queria dizer que te amo, te abraçar, não sei mais
o que faço da minha vida se você era a minha vida... Por que se foi assim? Um
menino tão bom, estudioso, educado... Minha vida se foi com você e a saudade
ficou quando você se foi.
Monólogo escrito por Carine e Livia
XI
Olá, sou Tasso da Silveira, uma simples escola. Todos os
dias em mim, é simplesmente um dia comum de aula. Mas algumas lembranças minhas
não são muito boas...
No dia 7 de setembro de 2011, na parte da manhã, aqui em
Realengo, um ex-aluno disse que iria fazer uma palestra. Já em minha sala, esse
ex-aluno, na época um jovem de 23 anos, sacou uma arma e matou doze
adolescentes. O ataque só parou quando um sargento da polícia baleou sua perna.
Ferido, o assassino se matou.
Até hoje me lembro daquelas cenas. Depois daquilo, meu
coração tem a mancha do sangue daqueles jovens.
Monólogo escrito por Victhor Hugo, Maria Eduarda Bravim,
Kethelin Oliveira, Débora de Faria e Eduardo.
XII
Cenas horríveis... Como vou fazer para apagar da minha
mente?
Eu estava na porta da secretaria quando escutei um barulho
muito forte. Na hora, eu não me virei para ver o que estava acontecendo. Pensei
que era alguma brincadeira de alunos bagunceiros, mas de repente comecei a
escutar pedidos de socorro, correria, então me virei para ver o que estava
acontecendo.
Quando me virei, minha amiga que estava ao meu lado caiu no
chão e... morreu na hora. Eu fiquei desesperada, tentei acordar minha amiga,
mas o assassino me viu e apontou a arma para mim.
Nesse momento, comecei a pedir a Deus para me proteger.
Então, nesse momento, eu corri. Ele atirou e acertou meu braço. Consegui correr
para o banheiro, que estava cheio na hora que eu entrei. Todos estavam
desesperados, ligando para seus pais. Eu imediatamente vi a professora e pedi a
ela para ligar para meus pais. Ela tentou ligar, mas só dava caixa de mensagem.
Então se passaram 20 minutos e eu desmaiei.
Quando acordei, estava no hospital e, graças a Deus, me
recuperei bem, mas as cenas não saíram da minha mente.
Monólogo escrito por Vitor Sepolar, Raiane, Daniel e Maria
Victória.
XIII
Goyazes me chamo, marcas de sangue eu tenho, 2 vítimas
jovens com sonhos. Em minhas paredes sangue derramado, sonhos quebrados, vidas
perdidas, pessoas feridas... Há mais de um ano isso tudo aconteceu, esquecidos
fomos, porém a dor nunca nos esqueceu...
Monólogo escrito por Michele
XIV
Sangue, munição, duas puxadas de gatilho e um frio que nada
tira. Eu entro em coma, um coma do qual é melhor não acordar. Violência é maior
que tristeza, tiroteios são maiores que as melhores lembranças e uma arma é
maior que duas vidas. Hoje choramos e nos machucamos mais e mais quando
lembramos. Meu nome é Goyazes e estou desabando...
Monólogo escrito por Yuri, Cleyton, Kauan e João Pedro
XV
Eu sou o Colégio Goyazes. Tenho marca de sangue em mim desde
outubro de 2017. Estava tudo tranquilo comigo até que um aluno que sofria
bullying assassinou 2 alunos a tiros e aquilo causou o pior desespero a todos.
O garoto de 14 anos tinha planejado isso há 2 meses e tinha se inspirado no
massacre de Columbine. Isso foi assustador, sim... Dizem que ele queria
assassinar somente o garoto que fazia bullying com ele, mas sentiu vontade de
assassinar mais e matou mais outro garoto. Vou levar essa marca para sempre em
mim.
Monólogo escrito por Daniele, Estela e Maria Eduarda França
XVI
Olá, eu sou
Marjory Stoneman Douglas High School, de Parkland. Em 2018, sofri um
atentado por um jovem pisicopata cheio de ódio. Com 19 anos, ele foi capaz de
matar 13 pessoas na minha parte interna, 2 pessoas na parte externa e outras 2
não resistiram aos ferimentos e foram a óbito. Eu nunca mais fui a mesma depois
do ocorrido, fico triste e com medo – não sei se pode vir a acontecer de novo.
Ainda estou muito abalada... como um jovem daquele pode cometer um ato tão
violento comigo?
Monólogo escrito por Wesley, Romário, João Vitor e Wallace
XVII
Era uma manhã como qualquer outra (ou, pelo menos, parecia.
Acordei, fui fazer café e, logo em seguida, fui acordar a Elizabeth para ir
para a escola. Quando cheguei na cozinha, senti algo diferente, como se algo me
prendesse naquele momento para sempre, porém não achei que deveria levar a
sério, pois esse sentimento já tinha se repetido algumas vezes. Então a
Elizabeth desceu e fomos à mesa para tomar café, e, pela primeira vez, olhei
para os olhos dela, como se nunca tivesse olhado antes. Mas, logo após tomarmos
o café, percebemos que estávamos atrasadas.
Fui até a garagem pegar o carro, enquanto Elizabeth escovava
os dentes, então pegamos estrada até a escola. Chegando lá, dei um beijo nela
como de costume, dei tchaul e ela logo entrou para o pátio. Esperei ela entrar
e voltei para casa com aquele aperto no coração.
Logo que cheguei em casa, fui fazer as tarefas de costume e,
então, por volta das 10:30, resolvi fazer o almoço para o meu marido Edward e
para a Elizabeth, pois como sempre ela chegava faminta da escola. Edward então
chegou para almoçar e voltou ao trabalho. Por volta das 11:40, eu já estava
esperando Elizabeth chegar.
Por volta das 12 horas, eu já estava ficando preocupada,
pois Elizabeth de costume chegava por volta das 11:50, mas achei que era algum
atraso normal, pois já tinha ocorrido algumas vezes. Mas, quando o relógio
indicou 12:20, resolvi fazer uma ligação. Talvez parecesse exagero, mas nunca tinha
acontecido antes como naquele dia, então fui para a cozinha, peguei o telefone
e, em seguida, liguei para a escola, porém não fui atendida. Liguei algumas
outras vezes e nada, então resolvi esperar alguns minutos a mais. 10 minutos se
passaram e ela não tinha chegado ainda, então resolvi ir até a escola.
Chegando lá, vi o pátio em desespero, então senti uma enorme
dor me corroendo por dentro. Saí do carro desesperadamente, entrei correndo
pela porta principal. Quando me aproximei, tive a notícia do que tinha
acontecido. Não conseguia parar de chorar e pensar o que poderia ter acontecido
com minha filha Elizabeth. O corredor estava coberto de sangue. Entrei
novamente em desespero. Foi quando encontrei alguns policiais e perguntei o que
havia naquele lugar. Eles isolaram o local e pediram para eu descrever como era
a Elizabeth.
De tanto chorar, eu não conseguia falar. Eles me acalmaram,
na medida do possível, para que eu fizesse a descrição de Elizabeth, então
pediram que eu aguardasse. Impaciente, esperei, como se não tivesse acontecido
nada, na esperança de que ela logo estaria em meus braços, mas, no fundo, eu
sentia que não estava nada bem.
Então eles voltaram, olhando para mim cabisbaixos e me
disseram: “Eu sinto muito”. Depois disso, algo me puxou para baixo, me
desmoronando completamente por dentro, eu senti como se tivessem tirado algo de
mim, uma grande parte de meu coração.
Por um momento, me senti culpada por não ter levado a sério
meus pressentimentos, por não ter mudado isso. Me tiraram lá de dentro, eu
lutei para ficar lá e juro que lutei o máximo que pude, mas minhas forças
acabaram.
É, eu perdi quem eu mais amava na minha vida e sinto uma
infinita solidão.
Jamais queiram sentir o que eu senti – perder um pedaço de
você e não poder fazer nada!...
Monólogo escrito por Samara e Milena
XVIII
Desde 13 de março ainda ouço gritos de horrores e desespero
pelos meus corredores, minhas paredes foram manchadas com sangue inocente.
Um dia, eles serão esquecidos por muitos, mas eu não
esquecerei, nem os familiares das vítimas, como superar tamanha tragédia? Como
será daqui pra frente?
Meu nome é Raul Brasil e não é um prazer me apresentar a
vocês.
Monólogo escrito por Ryan Portilho, Pedro Ferraz, Esther
Aquino, Marlon Augusto e Ester Monnerat
XIX
Oi, eu sou a escola Raul Brasil. A manhã de quarta-feira,
dia 13 de março, ficou marcada na minha história. Como podem ter feito isso
comigo, vocês eram como meus filhos e, agora, minhas paredes têm manchas de
sangue.
Sempre terei lembranças dos tiros - tiros que foram
disparados aleatoriamente e a sangue frio – e eu vi os corpos ali; eu via e não
podia fazer nada, estava ali imóvel, enquanto Guilherme e Taucci abriam fogo
contra mim. Os tiros e os gritos de desespero me assombram até hoje; por mais
que passem os dias, meses e até mesmo anos, eu sempre vou ter essas memórias
vagando. E isso dói muiti, não consigo mais ter um sorriso em meu rosto.
Monólogo escrito por Maria Gabriela e Maria Vitória Souza
XX
Só hoje eu pude perceber o quão perdido está o mundo e que
precisamos andar sempre desconfiando de tudo e de todos. Quando me ligaram da
escola para me contar do acontecido, a minha ficha não caiu enquanto não vi o
meu filho morto. Assim que eu o vi, meu mundo desabou e eu nem conseguia falar
de tanto que eu chorava. Mas, do mesmo jeito que aconteceu com o meu filho,
poderia ter acontecido com qualquer pessoa. O maior problema é que andamos por
aí com o pensamento de que nunca irá acontecer com a gente ou com nosso filho,
e, quando acontece, você está completamente despreparada. Na hora que você
descobre a notícia, você não acredita e, quando sua ficha realmente cai, você
fica realmente sem chão. No começo, eu sofri muito e senti muita falta, mas não
é só dos momentos bons que me lembro; sinto falta até das brigas que nós
tínhamos quando ele não arrumava o quarto ou não fazia as tarefas de casa... Só
que a gente só dá o valor necessário que a pessoa merece depois que a gente
perde ela, e, hoje, eu percebo que ele e eu podíamos ter passado muito mais
tempo juntos, feito muitas coisas que não fiz porque eu achava aquelas coisas
bobas.
É muito triste você perder uma pessoa que você ama desde o
primeiro batimento cardíaco, desde o primeiro sorriso e até desde o primeiro
choro. Eu presenciei ele nascer, crescer e desenvolver, eu participei de tudo
desde o primeiro passo até o último. Eu o amava mais que a mim mesma e, se
pudesse, eu teria ido no lugar dele. Às vezes, me pego pensando nele e, por
mais que eu finja estar bem e siga minha vida, é super complicado, porque ele
era um pedaço de mim, e, por sinal, o mais importante. Agora eu vou ter que
conviver sem ele e sei que vai ser muito difícil, mas eu vou tentar, porque sei
que, se ele pudesse me ver lá de cima, não iria querer me ver triste e chorando
porque ele se foi.
Eu queria poder, pelo menos, dar um último abraço e também
poder dizer um “Eu te amo” pela última vez, e, agora, percebo que tinha que ter
dito isso mais vezes do que eu falei, mas não imaginava que ele pudesse ir tão
cedo.
E agora eu ando pelas ruas, com medo no coração, porque,
depois do acontecido, passei a ser muito mais desconfiada do que era antes. E
eu queria que as pessoas também começassem a ser mais cuidadosas consigo mesmas
e com seus filhos, porque - eu falo por uma experiência própria – não adianta
ser cuidadosas só depois que acontece algo inacreditável, tipo o que aconteceu
com o meu filho; devemos cuidar mais para isso não acontecer mais, e as
escolas, os governos, sei lá quais responsáveis pela verba da educação nesse
país, poderiam contribuir com tratamentos psicológicos para os estudantes para
eles receberem a orientação desde cedo, porque eles serão não só o futuro do
país, e sim do mundo todo.
Precisamos melhorar nossas atitudes, sermos mais protetores
com os nossos filhos e darmos muito amor, carinho e dedicação a eles, porque
nós não sabemos a hora que eles irão partir. Devemos aproveitar cada segundo
como se fosse o último, pois não sabemos o dia de amanhã.
Monólogo escrito por Leticia e Tiago
XXI
(adaptação da letra de música de Charlie Brown Jr. “Onde não
existe a paz não existe o amor”)
Fico sem saber pra onde eu vou
Quando vejo a situação no mundo em que estou
Destilar meu ódio
Ou só falar de amor
Sabe-se lá a diferença
Entre os olhos que enxergam
E os que não querem enxergar
Mas se eu berrar no microfone
Onde não existe a paz não existe o amor...
A subida é longa
E o chão é de pedra
Dificuldade em domar as próprias pernas
O mundo que se move nem sempre a seu favor
Você precisa ter coragem pra provar o seu valor
Mas ao contrário da vontade esquecida por nós dois
O tempo não muda
Não deixa nada pra depois
Mas se eu puder, viver, amar intensamente
Bem mais do que eu odeio tudo ao meu redor
A gente tem que provar todo dia quem a gente é
Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
Onde não existe a paz não existe o amor...
Fique em paz e nos
tire desse horror
Fique em paz e ressuscite o amor
A peça em vídeo:
Luz, Câmera...Alcino! apresenta Monólogos
de Dor & O Circo Musical do Amor
É isso, amigos leitores, mais uma vez re (re-re-re)torno ao
blog, após novo desaparecimento. Por favor, entendam (ou melhor, ao menos,
aceitem), tenho passado há anos por um processo de reavaliação acerca de tudo
que defendi e me dediquei minha vida toda: arte, educação e diversão. O tempo
vai passando e essa equação vai ficando complicada – minha arte passa por
momentos de ceticismo lírico e desânimo alternado a efêmeros momentos de
glorioso (mas, como já disse, passageiros) entusiasmo; o meu trabalho na
educação vive um período de incertezas e necessidade de novas sustentações; a
diversão às vezes é maravilhosa, mas a sensação de escapismo e vazios muitas
vezes a esgota. Não sei o que esperar dos novos tempos (se é que os novos
tempos são realmente novos ou apenas velhinhos retrógados querendo o fim de
eras mais contemporâneas e antenadas com os novos paradigmas...)... O socrático
“Só sei que nada sei” nunca fez tanto sentido como atualmente; desconfio de
tudo e mais ainda de mim mesmo. Sim, também não me sei. E, nesse ponto, fica
difícil às vezes vir aqui ao blog, publicar, escrever, sem me sentir, ao mesmo
tempo que uma teimosia, um senso de resistência lírica lateja em meu coração,
Por isso, retorno com um poema premiado meu, premiado com publicação há algum
tempo atrás, mas, por algum louco motivo ou estranho esquecimento, eu ainda não
havia publicado no blog. Sim, há outros recentemente premiados e ainda não
postados, há muitas solidões líricas de artistamigos e artistalunos para serem
compartilhadas; apesar da crueza do dia a dia, ainda existe muita poesia! E,
por isso, mais uma vez, voltei, e muitas vezes mais sumirei e voltarei, sempre
voltarei.
O poema de hoje, “Os últimos suspiros de Ícaro nos olhos
assustados de Dédalo” (sim, com título que remete à mitologia grega, bem ao
gosto dos clássicos, que eu curto sem vergonha, apesar de também adorar flertar
com o marginal e me relacionar ardentemente com a contracultura; sou um poeta
de fases, me equilibrando em inusitadas polaridades), foi premiado entre os 25
poemas selecionados para a coletânea do Concurso Literário Prêmio VIP de Literatura, de
Maringá/PR, e, finalmente, chega ao blog. Não poderia escolher melhor hora: o
poema reflete bem o meu estado de espírito atual; fala sobre transitoriedade da
vida, das coisas, e a busca incessante por mais uma fagulha de renovação da
vida, apesar do contínuo envelhecimento de si e do mundo ao redor. Somos meio
Dédalos; queremos a magia do voo, mas a vida, esse Ícaro sempre jovem e
impetuoso, muitas vezes se atira contra o sol e nos expõe a fragilidade do sonho,
a possibilidade do fim.
Espero que gostem do poema (demoro pra publicar, mas, quando
o faço, posto sempre de coração aberto). Abraços, Suspiros Líricos e Arte
Sempre, amigos leitores!
Os últimos suspiros de Ícaro nos olhos assustados de Dédalo
Nesses tempos frios, precisamos do calor do amor, do amor de
verdade, movido a mais sublime poesia! Por isso hoje lhes trago dois maravilhosos
poemas de amor de uma jovem e talentosa escritora teresopolitana.
Os poemas com o qual compartilho minhas solidões poéticas
hoje é de autoria de Maria Eduarda Carvalho Quintanilha, artistaluna da rede
municipal de Teresópolis/RJ. A excelentíssima obra poética foi-me apresentada e
recomendada pelo professor amigo Rodrigo, autor da Revista Amnésia (segue o
link da página da revista pra você curtir: https://www.facebook.com/amnesia.teresopolis/)
que agora comprova também ser um magnífico ‘olheiro’dejovens talentosos poetas, um verdadeiro descobridor
de talentos. Rodrigo não errou ao indicar-me os poemas de Maria Eduarda
Carvalho Quintanilha:o primeiro poema
abaixo, “Quando me amei de verdade”, traz aquele lirismo
singular e singelo que afaga poeticamente nossos corações leitores, carentes do
verdadeiro amor-próprio, enquanto o segundo, “Amor,
uma palavra tão pequena, mas com enorme significado”nos resgata liricamente aquela nossa esperança outrora
perdida de (re)encontrarmos (ou percebermos o já encontrado) amor.
Nesses tempos frios, carentes de sentimentos calorosos,
abracemos a arte amorosa e poética da jovem e talentosa escritora Maria Eduarda
Carvalho Quintanilha e nos dediquemos à leitura de sublimes poemas de amor,
amigos enamorados leitores!
Quando me amei de verdade,
pude compreender
que, em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade,
pude perceber
que o sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade,
comecei a perceber
como é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e qualquer coisa
que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e, com isso, errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Amor,
Uma palavra tão pequena, mas com um enorme significado.
Amei tantas pessoas, mas nem metade delas me amou, se
algumas pessoas tivessem passado pelo que eu passei, certamente já teriam
desistido do amor.
Mas, eu não desisti, e pretendo nunca desistir... O amor é a
coisa mais bela que existe, amor é tudo e mais um pouco, amor é amar tudo, até
os defeitos do próximo.
O amor não é para os fracos, o amor é complicado, e
doloroso, mas ele sempre é a melhor escolha.
Você pode sofrer por ele, pode ainda não ter encontrado a
pessoa certa para lhe acompanhar, mas aproveite seu tempo sozinho.
Um dia, você vai achar alguém, o amor da sua vida pode
chegar a qualquer hora, ou talvez ele já tenha chegado.
Deus sempre tem alguém pra nossa vida - às vezes, essa
pessoa pode demorar a chegar, mas sempre vale a pena esperar.
Acredite, você vai achar alguém, e você vai se sentir a
pessoa mais feliz do mundo; espere, pois essa pessoa está por vir, ou já veio.
É amanhã, amigos,
que acontecerá mais um mais que fodástico Torneio Xeque Mate, organizado organizado
pelo Professor Poetatleta Genaldo Lial, na Escola Municipal Alcino Francisco da
Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, nos turnos da manhã e tarde. E,
claro, o Luz, Câmera...Alcino estará lá com mais um esquete envolvendo
personagens da literatura e dos quadrinhos (e, como sempre, com aquele humor
irônico diante do caos nosso de cada dia).
Lembrando da nossa
participação, me liguei o quanto fui relapso com o blog no ano passado: até
hoje eu não havia feito a postagem do esquete e de nossa apresentação do ano
passado. Ciente disso, desfaço essa falha e trago na postagem de hoje o esquete
do ano passado, chamado “Um Sonho de Sandman: O Xeque do Louco mais Louco do
Universo DC”.
Logo abaixo vocês,
amigos leitores, têm a oportunidade de ler o esquete escrito por mim no ano
passado para a abertura do Torneio Xeque de 2018 e ainda poderão curtir o vídeo
– já postado há tempos no Youtube – com as duas apresentações do Luz,
Câmera...Alcino! (E, lembrando, quem quiser ler as esquetes anteriores e
assistir aos vídeos, é só ir no mecanismo de busca do blog e procurar Luz,
Câmera...Alcino! Xadrez e/ou outras palavras chave como Torneio Xeque Mate.
Espero que
divirtam-se com o esquete e as apresentações. Abração e Arte Sempre!
Para ler, rir e
refletir:
“Um Sonho de
Sandman:
O Xeque do Louco mais Louco
do Universo DC”
SANDMAN entra.
Atrás dele, há uma mesa de xadrez com dois lugares. Mais acima, à frente, o
cenário tabuleiro com peças humanas.
SANDMAN:
Olá, jovens sonhadores, meu nome é
Sandman. As mentes de todos os seres vivos estão ligadas ao meu reino, ao
Sonhar. O meu reino, o Sonhar, guarda também o mundo imaginário de cada
sonhador, várias realidades alternativas e seres imaginários se escondem em
minha casa. E não se assustem com minha imagem; passei por uma fase difícil; a
realidade dura e violenta dos novos tempos tornou o meu reino andou frágil e
cisma em me derrubar. Sonhamos pouco nesses tempos sombrios... Por isso, peço
que fechem os olhos e sonhem, jovens amigos, sonhem para eu possa continuar a
reinar. Fechem os olhos, amigos, durmam acordados comigo, prometo
presenteá-los, fechem os olhos, isso! Entre os vários universos que meu reino
traz, apresento hoje para vocês uma realidade onde os super-heróis existem,
onde podemos mais livres voar, lutar contra a tirania ou até mesmo a velocidade
do som e a barreira do som enfrentar. Que um novo sonho comece!
LOIS
LANE e JIMMY OLSEN ENTRAM.
LOIS
LANE (irritada): Ah, que grande
besteira! Eu, Lois Lane, a repórter mais importante do Planeta Diário, ter que
cobrir uma partida estúpida de xadrez. Ora, me poupem! Me diga, Jimmy Olsen,
isso não foi ideia sua, né?
JIMMY
OLSEN:É que essa partida é um pouco diferente, Lois, é uma partida
beneficente, para arrecadar fundos para um orfanato do distrito de Hot Water.
LOIS
LANE: Ah, que lindo! Mas chaaaatoooooo!
Cadê o desafio, a aventura? Chamassem o paspalho do Clark Kent!
JIMMY
OLSEN: Mas, Lois, é que a partida
envolve o Flash...
FLASH
aparece: Oi, estão falando de mim.
Cheguei, tô pronto, vamos que vamos!(senta-se
no lugar onde estão as peças pretas, mas não consegue ficar parado sentado)Tá demorando, gente, tá demorando, vou
comer e já volto. (bate na barriga) Pronto,
já devorei dez salgados do Mac China! Ih, ainda não começou? Que tédio!
LOIS
LANE (à parte com Jimmy): Ora, se a
partida é com esse Flash, então chamasse a pata choca da Íris West; ela é que se
entende com esse corredor maluquinho com TDAH! Me poupe...
JIMMY
OLSEN: Mas, Lois, tem um motivo para
nós, repórteres de Metrópolis, estarmos aqui: o Flash vai enfrentar o nosso
superamigo, o Superman!
LOIS
LANE (se arrumando e sorridente): Ah, o
Superman! (dá um passo pra trás e esbarra no SUPERMAN que acabou de chegar;
vira-se e já quase o abraça) Uau!... Oi,
Super... Há quanto tempo!
SUPERMAN:
Olá, Lois. Faz mesmo bastante tempo: uns
dois atrás, te salvei do Lex Luthor...
LOIS
LANE: Ora, me poupe, supermentiroso!
Esse papinho de donzela em perigo cola com a Lana Lang. Uns dois atrás, eu que
investiguei o esconderijo do Luthor, tomei a kriptonita dele e salvei você, seu
superconvencido, supermentiroso, supermusculoso...supertudo de bom... ah, tá
bom, faz de conta que me salvou, tá... Vai, vai pro seu lugar.
SUPERMAN
(beija a mão de Lois Lane): Como quiser,
querida Lois. (Senta-se no seu lugar com as peças brancas. Nesse período,
Flash continua agitado na cadeira, olhando várias possibilidades de jogo)
JIMMY
OLSEN (pergunta para Lois, que continua encarando o Superman): Ainda quer que chame o Clark, Lois?
(Superman ameaça preocupação)
LOIS
LANE: Ora, Jimmy, me poupe! Liga logo
essa câmera!
FLASH:
É isso aí! Tá demorando demais! Já dei 3
voltas em torno do planeta e isso não começa! Tô ficando com fome de novo!
LOIS
LANE: Olá, caros telespectadores do Planeta
Diário, hoje estamos aqui para assistir ao superdesafio de xadrez, um duelo
entre o homem mais rápido do mundo e o ser mais poderoso do universo, Flash e
Superman. Que comece a partida!
FLASH:
Xeque Mate! Ganhei, ganhei!
(Superman coloca a mão no rosto envergonhado. Jimmy Olsen e Lois Lane não
entendem nada. No palco atrás, o peão preto à frente do rei está a dois passos
e a rainha está dando xeque no rei branco caído. A peça branca em frente ao
bispo está uma casa à frente e a peça branco em frente ao cavalo branco está a
dois).
LOIS
LANE: O quê? Como? Eu não vi nada...
Você filmou algo, Jimmy?
JIMMY
OLSEN (encabulado): Hã... não...
SUPERGIRL
(sai do meio do público e vai na direção de Superman): Eu não te falei, primo? Devia ter deixado eu jogar no seu lugar; você
sempre perdeu pra mim! Que burrada!
LOIS
LANE: Peraí, eu não vi nada, o público
aqui não viu nada (PÚBLICO começa uma vaia, as pessoas dizem que é
marmelada).
ARQUEIRO
VERDE (sai do meio do público e vai na direção do Flash): Flash, você falhou com essa cidade, falhou com essa partida! Deveria
ter jogado mais devagar, rapaz!
FLASH:
M-mas, eu só quebrei a velocidade do
som, o Super acompanhou, né, eu jurava que vocês estavam acompanhando...
LOIS
LANE (preocupada com as vaias e os gritos de marmelada): E agora? O público está chateado. O que faremos para salvar essa
disputa?
BATMAN
(sai do meio do público): Esse é um caso
para mim, o maior detetive do mundo. (Dirige-se para os que vaiam) E vocês, agitadores candidatos a vilões, é
bom calarem-se, antes que eu lhes apresente o xadrez do Departamento de Polícia
de Gotham. (silêncio)
ROBIN
(interrompe): Santa investigação,
Batman!
LOIS
LANE: Mas como...
BATMAN
(coloca os dedos nos lábios de Lois): É
elementar, cara senhorita Lane. Observe o quadro onde se deu a disputa. Flash
foi veloz demais, tanto que o reprodutor das jogadas entrou em curto e pausou
na jogada final (aponta para o cenário tabuleiro) Basta retomar os passos (caminha para o cenário tabuleiro, levanta
o rei e recoloca as peças humanas em seus lugares) e analisar as jogadas: Superman jogou primeiro e mexeu o peão à frente
do bispo uma casa – uma jogada muito estúpida por sinal.
SUPERMAN:
Ah, que isso, amigão, releva aí... Em
Kripton não havia esse tipo de jogo!
BATMAN
(irritado): Não relevo nada! E se o
universo estivesse em perigo e você fizesse uma jogada estapafúrdia dessa! E se
fossem seus pais cercados por um bandido num beco escuro e assassinados como os
meus (ameaça chorar)
SUPERGIRL
(vai na direção do Batman e abraça-o): Tadinho
do seu amiguinho, primo, vem consolar ele comigo, vem.
BATMAN
(cede um pouco, mas logo afasta os braços da Supergirl): Ora, saia daqui, mulher, não quero compaixão, deixe completar meu
raciocínio!
SUPERGIRL
(se afasta e retorna para o lado de Superman): Nossa, você arruma cada amiguinho, primo. Que cara grosso!
BATMAN:
Ora! Continuando: Flash, ao perceber o
rei de Superman exposto, atirou o peão preto à frente do rei duas casas à
frente, permitindo a liberação de sua rainha para a jogada fatal e o Super, sem
perceber a cilada, fez mais uma jogada es-tú-pi-da – sou seu amigo, mas
convenhamos, sua cabeça estava em outro planeta, Superman -: atirou o peão
branco à frente do cavalo duas casas à frente, deixando seu rei completamente
desguarnecido. Flash atirou a Rainha preta na diagonal e deu o xeque mate mais
rápido possível do xadrez. Caso solucionado e agora todos viram como foi feito.
Essa jogada rara é chamada de Mate do Louco.
CORINGA
e ARLEQUINA (saem do meio do público [ou debaixo da mesa de xadrez]): Rá, rá, rá! Eu escutei “louco”! Opa, me
chamaram, rá, rá, rá (atiram água no público)
ARQUEIRO
VERDE prende o CORINGA, enquanto SUPERGIRL prende ARLEQUINA.
CORINGA:
Nossa, Arqueiro, você é tão forte quanto
o Batman; vocês malham juntos?
ARLEQUINA:
Pudinzinho, nós perdemos de novo, mas
foi superdivertido!
BATMAN:
Que jogada mais estúpida, Coringa!
CORINGA:
É claro, Morceguinho, pensou que eu
deixaria o Mate do Louco, que é meu por excelência, ficar com seu amigo
superpaspalhão? Se o Mate é do Louco, o Mate é meu! Vou pro xadrez, mas não
perco a piada! Rá, rá, rá!
SUPERMAN
(ainda pra baixo): Como pude fazer uma
jogada tão estúpida?
FLASH
(consolando-o): Não fica assim não,
Super, vamos disputar uma corrida, que é mais o seu estilo, que tal?
SUPERMAN
(se levanta e se posiciona com FLASH): Ok,
vamos lá!
FLASH
(fica ereto, de repente mostra-se cansado e suado. SUPERMAN também): Puxa, empatamos de novo.
LOIS:
Mas vocês já correram?
PÚBLICO:
Nós não vimos nada. Marmelada,
marmelada!
SUPERMAN:
Batman, pode dar uma ajudinha com o
público?
BATMAN
(sai emburrado): Ah, cansei de vocês!
Vou pra batcaverna que tenho mais o que fazer!
SANDMAN
retorna (cena fica congelada): E assim
termina mais um sonho, abrindo lugar a outro, o sonho de Mister Genaldo Lial, o
Super Professor de Educação de Física da Academia de Super Enxadristas Alcino
School. Que inicie o novo Torneio Xeque Mate!
SANDMAN
sai – os personagens permanecem congelados.
FLASH
(congelado, só mexe a boca): ô, Super...
SUPERMAN
(congelado, também só mexe a boca): Fala,
amigo Flash.
FLASH
(congelado, só mexe a boca): Se o
Sandman já saiu e o público já aplaudiu, a gente pode se mexer, né.
SUPERMAN:
Acho que sim...
FLASH:
Ótimo, porque eu já estou morrendo de
fome. Acelera o bis nos aplausos aí, gente!
TODOS:
“Vamos jogar xadrez
Vamos jogar xadrez
Nós todos já
aprendemos
Agora é sua vez
Luz,
Câmera...Alcino!
– Xeque-mate!”
Para assistir, rir,
refletir e se divertir:
“Luz,
Câmera...Alcino! Apresenta Um Sonho de Sandman:
O Xeque do Louco mais Louco
do
Universo DC”
Quadra da Escola
Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, 4 de
julho de 2018, Como é tradição, o Luz, Câmera...Alcino! fez a abertura do
Torneio Xeque Mate da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, organizado
pelo Professor Poetatleta Genaldo Lial. Desta vez, o grupo teatral escolar
apresentou o esquete "Um Sonho de Sandman: O Xeque do Louco Mais Louco do
Universo DC", dirigido pelo Professor de Português Carlos Brunno Silva
Barbosa e interpretado por Livia Soares (Sandman), Ingrid Santos (Lois
Lane), Katheleen Maciel (Jimmy Olsen),
Laiane Astrogildo (Superman), Brenda Macêdo (Flash), Cleyton Filgueiras (Rei Branco), Maria Luiza
Carvalho (Peão Branco),(Peão Branco), Maria Vitória Souza (Peão Branco),
Isabelle provadelli (Rainha Preta), Carlos Brunno (Rei Preto), Ester Monnerat
(Peão Preto), Emily Oliveira (Peão Preto), Juslaine Soares (Peão Preto),
Leticia Vieira da Fonte (torcida), Kethelin Rabelo (torcida), Alice Cesário (torcida), Evelly Silva
(Torcida), Maria Gabriela Luz (torcida), Daniele Muniz (torcida), Carine
Gonçalves Arruda (torcida), Julia
Marques (torcida), Camille Gonçalves Arruda (torcida), Milena Marques da Silva (Supergirl), Samara
dos Passos (Arqueiro Verde), Esther Aquino Ferreira (Batman), Estela Villas
Bôas (Robin), Ana Julia Duarte (Coringa), Vitória Fernandes (Arlequina),
Andressa Oliveira (Gilmara Mendes).
Mesmo com a falta
de tempo para um número satisfatório de ensaios e o nervosismo natural, foram
duas apresentações memoráveis e os artistalunos do Luz, Câmera...Alcino! mais
uma vez brilharam.
Apesar de o áudio
estar um pouco prejudicado, devido às questões da acústica do palco de
apresentação, o vídeo vale como registro das fodásticas apresentações.