Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
Na semana
passada, no fim de tarde de quinta-feira, dia 23/05, foi comemorado na Escola
Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ. Para os artistalunos
dos nonos anos e da Aceleração IV, esse dia foi mais que especial: foi dia da
votação popular dos poemas enredos (Disputa do Estandarte Popular 2019 – Tema Orfeu
em Teresópolis) dos compositores poetalunos dos nonos anos e a participação de Leandro
Ciriaco Hyatti, da Aceleração IV, na abertura do Dia da Família na Escola, declamando
o poema “Família é...”, de autoria de Andressa de Oliveira, do 9.º B (o texto,
porém, fora escrito quando ela estava no 8.º Ano, especial para a exposição de
objetos antigos de família na Festa da Família do ano passado).
Hoje posto o
poema e o vídeo com a interpretação segura e lírica de Leandro Hyatti para os
singelos versos da consagrada poetaluna Andressa de Oliveira.
Para ler, ver
e defender as boas vibrações que toda boa família (seja ela composta das mais
variadas formas) pode trazer. União, Compaixão, Amor, Família e Arte Sempre!
FAMÍLIA É...
União,
compaixão, amor.
Família é
você se sentir especial quando acha que não é.
No domingo passado, foi Dia das Mães e, devido às minhas muitas idas e
voltas por Valença x Teresópolis (incluindo uma desventurosa passagem do ‘especial’
e superatrasado ônibus da Viação Util Valença x Rio [o tal ‘especial’, marcado
para as 16:30h, pasmem, saiu bem depois do 17h – pra ser mais exato, às 18:05h,
o tradicional serviço privado {frisando bem no privado, tão cultuado pelos
defensores do atual governo} desta viação de ônibus, que como tantas outras,
não trazem o menor apreço e respeito com seus passageiros consumidores]),
somadas às tarefas frenéticas diárias e a necessidade de procrastinações esporádica
diante da rotina estafante, acabei dando mais uma vez um tempo do blog. Mas a
postagem de hoje vai compensar toda espera, amigos leitores, pois hoje trago
duas crônicas de uma das mais formidáveis cronistas que passaram pela Escola
Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ. Seu
nome é Rayssa Ribeiro, e, nos tempos em que cursava o nono ano do ensino
fundamental (pra ser mais exato, em 2014), ela se destacou por sua prosa
fluida, com sensibilidade lírica tocante, emocionante.
Rayssa Ribeiro com a mãe Valéria Souza
A primeira crônica de Rayssa Ribeiro, que publico hoje no blog, foi
intitulada “Costureira do Infinito” (o título e as poucas revisões gramaticais
foram minhas pífias interferências neste maravilhoso texto, de lirismo único),
datado de 15/07/2014, é uma poética homenagem da escritoramiga à sua mãe, Valéria Souza,
captando, de forma divinamente poética, o dia a dia materno na profissão de
costureira. Na época, tentei mandar a crônica dela para concursos literários
juvenis nacionais e internacionais, mas, infelizmente, na época, não houve
nenhuma opção de concurso de crônicas com tema livre na categoria da idade dela
(há muitos concursos literários para a idade dela em verso, mas em prosa são
raríssimos [quando aparecem, são regionais, específicos de uma cidade ou Estado
do qual não fazemos parte]). A versão completamente revisada ficou guardada
comigo, no formato original e também em arquivo doc por longo tempo perdido no caos
de memória que é o meu notebook e, com a passagem do Dia das Mãese proximidade da Festa da Família na escola,
retornou às minhas lembranças.
Rayssa Ribeiro
nos tempos da escola
“Costureira do Infinito” merece ser lido por muitos leitores, assim
como a crônica bônus seguinte, “As coisas invisíveis desse lugar”, também de Rayssa
Ribeiro, onde a genial cronista traz seu
olhar lírico para tudo que ela via durante o trajeto da escola para casa. Na
época, a crônica foi a selecionada da turma para disputar a seletiva para a
Olimpíada de Língua Portuguesa de 2014, representou a escola, mas não foi a
escolhida pelo júri no município, fato que nãoinvalida a exuberância lírica e genialidade do escrito da talentosa
cronista.
Viajemos pelo incrível universo lírico de Rayssa Ribeiro, amigos
leitores, e conheçamos a espetacular Costureira do Infinito e as líricas coisas
invisíveis desse lugar!
Costureira do Infinito
Cheguei em casa e
comecei a observá-la. Lá estava ela no mesmo lugar, sentada, trabalhando em
suas máquinas, costurando como todos os dias.
Fiquei ali parada,
observava cada movimento. Ela se deslocava para outras máquinas em apenas um
segundo, trocava linhas e começava de novo o mesmo trajeto.
No decorrer do
dia, a campainha tocava mais de mil vezes, eram muitas pessoas diferentes com
roupas diferentes trazendo mais trabalho para a costureira. E ela ali, parecia
gostar de repetir todo aquele trajeto, nunca reclamava, apenas costurava.
Ah, minha mãe,
queria ter uma disposição assim como você para fazer algo que nunca tem fim!
Rayssa Ribeiro
As coisas invisíveis desse lugar
Voltando da
escola, comecei a reparar em tudo, tentando encontrar as coisas que ninguém vê
no lugar onde moro. A pedido do professor, comecei a pensar o que eu poderia
falar do lugar onde vivo.
Quando cheguei em
casa, me sentei e, com a janela aberta, fiquei observando a rua. Pessoas
passando, cachorros latindo, portas se abrindo e se fechando, como acontece
todos os dias, parecia até que eu estava me relembrando.
Logo a frente,
vejo uma barraca e, nela, um homem maqueta sentado, sempre na mesma posição,
sem nada pra fazer, parece meio triste, meio sem rumo, sem destino.
A rua é
movimentada e possui um nome meio estranho. Morro Agudo é o nome dela e parece
mais uma viela. Rua sem vida e sem criatividade.
Com o tempo tudo
passa e, como aquele homem manqueta, fico sempre aqui, sentada, pensando e
esperando a rua evoluir, mas isso não acontece.
Tentando encontrar as coisas invisíveis que o professor pediu, eu
continuo sentada aqui a esperar...
Correria pós-aniversário (fiz 4.0 no último dia 07 de maio), enxames de notas, provas, trabalhos e prazos + dia das mães e tantos etcéteras que o tempo nem liga denos ver tão ocupados e prefere seguir acelerado em sua cinza das horas voraz, a postagem de hoje sai meio às pressas e meio autorreferente e meio diferente: é uma compilação de imagens e vídeos com meu eu espalhado por canais de youtube, memes, imagens líricas, etc - como aqui é um diário solitário coletivo, resolvi misturar as coisas, compartilhar bons momentos, fragmentos de mim pelos outros compilados numa mesma postagem.
Eis um pouco de mim com os outros (na visão de Jammy Said, Rafael Clodomiro, Helene Camille, Jorran Souza, Kauane Hrescak, Cláudio Alcântara), de meus momentos líricos solitários coletivos - uma postagem bem autorreferente (ao mesmo tempo que rápida de fazer pra não deixar o blog no marasmo), mas de coração para os amigos leitores que lembraram do meu aniversário e/ou acompanham o blog e curtem a arte deste blogueiro escritor sempre enrolado que vos escreve.
Fragmento de metapoema de minha autoria na arte design de Jammy Said
Meu poema "Esferográfico Blues" na arte design da multiartistamiga Jammy Said
Foto de Kauane Hrescak com um de seus poemas favoritos de minha autoria
"O Abraço mais quente":
Curta experimental de Helene Camille
para meu microconto "Amor é fogo que arde sem se
ver"
Leitura de meu poema "Benditos sejam os malditos",
realizado pela divartistamiga Helene Camille
"Central de Atendimento S.O.S.":
Meu conto "Fale conosco (Ana e Téo)
em versão curta metragem de Jorran Souza
Improviso poético realizado no Prêmio Olho Vivo 2014
ao lado dos espetaculares artistamigos
Rosangela Carvalho e Pedro Henrique Mezzabarba,
no canal de Cláudio Alcântara (Olho Vivo):
Participação minha no Prêmio Olho Vivo 2015
registrado pelo canal de Cláudio Alcântara (Olho Vivo)
Premiação de meu nono livro
"Foda-se & Outras Palavras Poéticas"
no Prêmio Olho Vivo 2015,registrado pelo canal de Cláudio
Alcântara (Olho Vivo)
Hoje, 1.º de Maio, comemoramos o Dia do Trabalhador, por isso resolvi
trazer uma postagem diferente: uma série de relatos e memórias sobre um objeto
antigo, muito usado por donas de casa e empregadas domésticas em tempos passados:
o ferro de passar movido a brasas. Este velho instrumento de trabalho, ainda encontrado
principalmente em casas de famílias que vivem em regiões rurais, apesar de
atualmente servir mais como peça de decoração ou como mais um mero objeto no
espaço onde se guarda quinquilharias antigas, tem muitas histórias e traz
muitas recordações.
Como parte de um projeto iniciado no ano passado, em homenagem ao Dia
da Família na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, solicitei aos oitavos
anos da época (atuais nonos anos), entre o fim de maio e o início de junho de
2018, objetos antigos de família, com suas respectivas histórias/recordações,
com objetivo de montar uma exposição, realizada no dia 9 de junho. O ferro de
passar movido a brasas foi um dos objetos mais citados, sendo trazido por 3
escritores-alunos diferentes. 3 ferros de passar movidos a brasas, 3
relatos/depoimentos/memórias; não havia como ignorar sua importância nas
lembranças, nas histórias passadas de trabalho.
Hoje, dia dos trabalhadores, compartilho minhas solidões poéticas com
esses 3 ferros de passar movidos a brasas e seus 3 respectivos fragmentos de
memórias, elaborados por 3 entusiasmados escritores-alunos.
O velho ferro de passar ou engomar
Mais conhecido
como ferro à brasa, o antigo ferro era como o modelo de hoje, com a diferença
de que, para seu uso, abria-se a parte de cima e colocava-se a brasa nessa
parte oca do objeto. Depois de tanto tempo, o ferro teve suas evoluções.
Ester Rodrigues Monnerat (na época, 8.º Ano B, atualmente no 9.° B)
O antigo ferro de passar da vovó
Minha avó, quando comprou esse ferro de passar,
trabalhava para uma família rica.
Ela passou muita
roupa com esse ferro.
Jonathan Teixeira Maia, (na época, do 8.º Ano C, atual 9.º C), neto de
Maria do Carmo
O ferro preto movido a brasas
de minha avó Maria
No alto de um morro, morava a minha avó com sua
família simples. Com o velho ferro preto, ela passava várias camisas, calças,
shorts, etc.
Me recordo de
minhaavó dizer que colocava brasa nele
e assoprava para aquecê-lo.
Com o passar do
tempo, tudo foi se modernizando. Hoje em dia, ele é só um ferro antigo, mas que
um dia teve muitas qualidades e utilidade.
Vitória Fernandes (na época, do
8.º Ano A, atual 9.º A), neta de Maria da Conceição
Hoje o Facebook me lembrou pela milésima vez que há tempos
não publico nada no blog; o aniversário do Sarau Solidões Coletivas passou
silencioso (dia 21 de abril), assim como tantas outras datas; a rotina
frenética; as pequenas violências diárias que sofremos a cada dia; 2019 nos
atropela com seu caminhão temporal acelerado e hitlérico. Poderia mais uma vez,
além das causas anteriormente expostas, lembrar que, em períodos de longos
feriados fico grande parte do tempo na casa de mamãe, onde dependo do wifi da
internet do meu irmão que nunca funciona em longos feriados ou lembrar que tô
cansado pra ka...ramba e mais um monte de blá blá blá e mimimi (pra quem lê de
fora) que já expus e re-expus em outros momentos, mas vamos ao que interessa:
arte, renovArte. [Penso que a introdução já cumpriu o seu objetivo principal,
que é avisar antecipadamente que essa postagem tá meio BASTANTE atrasada; por
isso vamos ao que interessa].
A postagem de hoje, que renova o marcador Poemas - HQs, foi planejado para a sexta ou sábado de Páscoa (sim,
tá atrasadaça, mas arte boa desconhece relógios e calendários), tanto que
fiquei na escola fora do meu horário encarando um dos escaners mais esforçados,
mas também um dos mais lentos do universo, para que todo o material fosse
postado em tempo real, mas a Páscoa passou, Jesus ressuscitou e a Oi Velox do
meu irmão não realizou o mesmo feito que nosso Redentor e o retorno às
atividades escolares foi tão intenso que o corpo não resistiu à tentação de
breves procrastinações.
A manhã de quarta-feira, dia 17 de abril de 2019, na Escola
Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, foi dia da Oficina de Língua Portuguesa
"Páscoa em Cena - HQ e Peça Teatral", organizada por mim e pela
formidável professoramiga Vanessa Costa, com participação lírica e iluminada
dos artistalunos dos sexto B, nono B e oitavo C. Realizamos, durante a oficina,
lemos quadrinhos da Turma da Mônica – aquele da série “Você sabia?” (o nome é
esse ou algo assim) – falando sobre a Páscoa, os ousados artistalunosuma realizaram
uma encenação ensaio do Ato da Ressurreição sob nossa direção e, depois (uau e
ufa! Como rendeu o dia e como foi exaustivamente lírico e brilhante!), os
talentosos artistalunos transformaram cenas do ato do trecho encenado da peça
teatral em maravilhosos quadrinhos que compartilho hoje com vocês, amigos
leitores!
Nada melhor que ressuscitar as postagens do blog com uma
exposição dos quadrinhos líricos, divinamente produzidos pelos artistalunos dos
sexto B, nono B e oitavo C da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva!
Bom entretenimento a todos e Arte Sempre!
Arte de Brenda, do 9.º B, com Giovana e Amélia Vitória, do 6.º B
As chuvas lentas e tímidas de outono sempre me provocam poemas estranhos. Este é mais um, inédito, acróstico com diagnóstico de loucura
sã. Não sei o que dizer sobre ele – a chuva outonal o fez assim e assim ele
abraça os seus olhos de outono encharcado de lágrimas preguiçosamente caída
como folhas desabadas das árvores, levemente em vão.
O que eu quis dizer? Nem meus eus mais secretos, nem eu mesmo sei, amigo leitor, e, mesmo se eu soubesse, não diria, pois muitas vezes a arte consiste em não dizer os segredos que ela tem, é 'subjetivativativista', depende dos olhos de quem lê, de quem lhe dá vida. Leia-me e diga-me você, amigo leitor inimigamigo, possuidor e possuído da minha estranha poesia.
Acróstico sereno
outonal
Cá estou eu em
trevas solares.
Hoje a noite pálida
amanheceu timidamente tempestuosa em mim
Unindo cansaços
bem sucedidos à melancólica preguiça existencial
Vicejando
begônias e ervas daninhas no solo ácido e misto de meu jardim outonal.
A chuva fina e
frígida abre calorosas cicatrizes obscuras em meu sol sereno.
Deveria o sorriso
torto e sem jeito fazer rima tosca com leves desesperos?
Espero respostas
que os pingos franzinos deste orvalho equivocado não têm.
Outra vez me
surpreendo dançando atabalhoado e quase parado entre poças mal formadas,
Urdidas por uma
garoa artista que pacientemente expõe suas telas sinfônicas de impaciência
Tracejadas nas ruínas
gritantes das públicas calçadas solitárias e abandonadas.
Outrora a tarde
sorria sem pudor; hoje também sorri, mas com indisfarçada monotonia:
Nobre natureza
rainha invade o reino urbano cinza com rurais lamentos de verdes vãos.
Outra vez a chuva
lenta e tardia irriga meu frágil deslumbramento com sins banhados de nãos...
É, eu sei, eu sei,
vou chover no molhado: tem acontecido tanta coisa, tantos eventos, tanto
trabalho, que apareço pouquíssimo nesse meu querido (e meio que mal atendido)
espaço lírico virtual; e toda vez arrumo uma desculpas – ora é trabalho demais,
acontecimentos demais, o tempo não para e segue frenético. E ontem, quinta-feira,
dia 11/04, foi um dia desses: de manhã, o Luz, Câmera...Alcino! fez sua segunda
apresentação (a peça "Monólogos de Dor e a Alegria do Circo Musical”,
sobre a violência nas escolas e um pedido de paz e esperança, com o histórico
encontro dos artistalunos dos nossos anos com o Pré II, da formidável professoramiga
Patricia Ignácio – em breve no Youtube e no blog) e sarau à noite, com
participação minha e das queridíssimas artistalunas Leticia Vieira e Maria
Gabriela Luz na Oficina de Poesia e Criação, no SESC/Teresópolis. Tantos
eventos já seriam mais uma óbvia desculpa pra declarar-me um caco e adiar meu
retorno ao blog, mas hoje, diante de tantos eventos realizados, porém deixados
pra trás no blog, ou seja, ainda não publicados aqui, resolvi fazer um
sacrifício, lutar contra o cansaço e, finalmente, atualizar as postagens.
A postagem de hoje,
como tantas outras que virão, já deveria ter sido publicada há tempos
(atrasado, o mundo segue tão veloz que vivo em estado de permanente atraso,
mesmo tentando me adiantar).
Mal o ano letivo tinha
começado e já estávamos de volta às atividades líricas e cênicas. Na manhã de
sexta-feira, dia 02/03/2019, o Grupo de Teatro da Escola Municipal Alcino
Francisco da Silva, o Luz,Câmera...Alcino!, apresentou um novo esquete, chamado
"Eurídice e Orfeu do Monte Alcino", versão carnavalesca alcinense do
mito grego "Orfeu e Eurídice", dirigido e roteirizado por mim (com
acréscimo do poema premiado "Uma causa", do jovem artistaluno Walace
Rezende, do 9.º C) e interpretado por Juslaine Bepler (Oráculo), Vitória
Fernandes (Orfeu), Isabelle (Eurídice), Julia (Hades), Cleyton Filgueiras
(Cérbero), Ryan (vento da Desconfiança) e o quarteto de mênades que viraram
musas por causa do carnaval Ana Julia Duarte, Maria Gabriela Ferreira, Maria
Vitória Souza e Érica Ribeiro.
Foi um esquete
histórico (desde 2011, não fazíamos um esquete de carnaval) e o primeiro de
muitos de 2019.
Hoje trago ao blog o
texto do esquete e o vídeo da nossa apresentação lírico teatral.
Boa leitura, bom
divertimento e Arte Sempre!
Euridíce e Orfeu do Monte Alcino no carnaval da
mitologia
Personagens:
ORÁCULO: Juslaine Bepler Soares
HADES:Julia de Caldas Marques
ORFEU: Vitória Fernandes da Silva
Carvalho
EURÍDICE: Isabelle Mello Provadelli
CÉRBERO: Cleyton Filgueiras Arruda
VENTO DA DESCONFIANÇA: Ryan Garcia
Portilho
MÊNADES: Ana Julia Duarte da Silva, Maria
Gabriela Ferreira Luz, Maria Vitória Souza do Carmo e Érica Ribeiro Souza da
Silva
ORÁCULO (ar solene, dirige-se ao público):
Sou
o Oráculo do Monte Alcino Folia
E
trago-lhes uma nova versão para uma história muito antiga.
É
o mito de Orfeu e Eurídice, dois personagens da grega mitologia
Que
hoje ganha novo enredo, nova melodia
Neste
carnaval de arte e magia.
Sai Oráculo. Atrás dele, estava Hades
congelado (como numa cena pausada), sentado no trono, com uma caveira nas mãos.
Ergue-se para falar.
HADES:
Assistam,
mortais amigos e inimigos, à minha folia do horror,
Sou
Hades, o rei do Camarote da Morte, o Príncipe da dor,
Sequestrei
Eurídice, a musa de Orfeu, o poeta cantador
E,
com esse ato vil, provoquei o fim de um grande amor.
ORFEU (aparece de repente, sempre tocando violão quando fala [e também quando
não diz nada, continua tocando]):
Pois
aqui estou, sou eu Orfeu, o poeta cantador,
Vim
ao Camarote Maldito do vil senhor
Pra
resgatar Eurídice, o meu único e grande amor.
HADES (irritado e surpreso):
Ora,
que grande presunção!
Entra
no meu seleto camarote um morto vivo, um pobretão!
Como
passaste por Cérbero, meu segurança e meu cão?
CÉRBERO (meio tonto, rosna como cão, sem graça. Usa 3 bonés, 1 pra frente,
outro pro lado e um pra trás):
Ah,
meu Mestre Hades, mas que vergonha!
Orfeu
me tocou uma moda muito risonha
E
eu fiquei todo bobo, um verdadeiro pamonha,
Passou
por mim, seu pesadelo, como quem bem sonha.
HADES:
Ah,
meu fiel cão Cérbero,
Também
sinto a música de Orfeu afetar meu cérebro.
(muda
o tom, como se sofresse uma transformação de humor, fica amoroso)
De
mim, já não sou senhor,
O
que queres de mim, Orfeu querido poeta cantador?
ORFEU:
Quero
que me devolva Eurídice, a minha amada,
Quero
de volta o amor da minha vida. E mais nada.
HADES (encantado):
Ah,
Orfeu, não consigo resistir à música do seu violão,
É
uma magia invencível, uma incrível tentação!
Leve
Eurídice contigo... (a partir do “mas”, faz tom maldoso) Mas, até
sair, a mantenha longe da sua visão,
Pois,
mesmo encantado, lanço-lhe a maldição:
Se
olhar pra ela antes do fim da caminhada
Perderá
para sempre a sua amada.
ORFEU
começa a sair lentamente e Eurídice segue atrás.
HADES (confabula com VENTO DA DESCONFIANÇA):
Segue
os dois, Vento da Desconfiança,
E
afeta os ouvidos de Orfeu, acaba com sua confiança.
VENTO DA DESCONFIANÇA:
Deixe
comigo, Mestre Hades, sou o maior fofoqueiro e corruptor,
Provoco
brigas entre amigos e acabo com qualquer amor.
(vai
na direção de Orfeu e fica falando ao seu lado)
Qual
é, Orfeu, vai deixar a praga do Hades te assustar?
É
mais forte que ele, grande Orfeu, não vai encarar?
E
se Eurídice ficou feia, e se ela não te acompanhar,
Vamos,
Orfeu, antes de acabar a caminhada,
Pra
trás, dê uma olhada...
ORFEU
acaba olhando pra trás.
HADES (sequestrando novamente Eurídice, sai do palco)
Eu
te avisei pra não olhar pra trás, Orfeu,
Agora
sua amada pra sempre você perdeu.
ORFEU
larga o violão e ajoelha-se em desespero, com as mãos esticadas. VENTO DA
DESCONFIANÇA assiste a tudo debochado.
VENTO DA DESCONFIANÇA:
Ah,
Orfeu, és um músico grandioso,
Mas
não passas de um tolo.
Como
podes dar ouvido pro meu comentário maldoso?
ORFEU (sozinho, ajoelhado e triste)
Ah,
Zeus do Monte Alcino,
Desconfiei
do amor e fiquei sozinho!
Entram
as seis mênades e cercam Orfeu. Não se sabe se são boas ou ruins.
Mênade 1:
Que
isso, meu neguinho lindo,
Em
pleno carnaval, estás chorando sozinho?
ORFEU (pego de surpresa, desesperado e triste):
As
mênades, as mulheres que rejeitei!
Vieram
me matar porque não as amei!
MÊNADE 2:
Ih,
o Orfeu endoidou!
Um
fora em nós você já deu e já passou.
Não
viemos lhe tirar a vida;
Aqui
é Brasil, e não a Grécia Antiga.
Mênade 3:
Você
chamou Zeus do Monte do Alcino Folia
Então
Ele nos convocou pra sermos suas amigas.
Já
denunciamos pro tribunal da mitologia
E
foi-se feita a justiça divina:
Condenou-se
a maldade de Hades
E
a maldição dele perdeu a validade. (traz Eurídice)
Amigo
Orfeu, é o fim do luto e da agonia
Eis
aqui de volta a sua Eurídice querida.
ORFEU (apaixonado, levanta-se, segurando o violão e abrindo os braços):
Eurídice
querida,
Retornaste
à minha vida!
EURÍDICE (emburrada, com os braços cruzados):
Muita
calma aí, Orfeu do Monte Alcino, filho dos sóis,
Até
agora nada falei, porque o terror roubou minha voz.
Mas
agora digo que contigo não mais fico
Desconfiou
de mim, ouviu o inimigo.
Sou
mulher de respeito
E
você me vem com despeito!
Sai
pra lá, seu bobão,
Comigo
não, violão!
ORFEU (volta a tocar):
Ah,
perdoa esse sambista bobo, Eurídice querida!
Toco
agora meu violão com todo amor e harmonia,
Perdoa
esse violeiro tolo, que te quer bem por toda vida!
EURÍDICE (mudando de postura, abrindo um sorriso):
Ah,
Orfeu querido, não toca essa modinha,
Senão
eu não resisto, fico toda molinha...
ORFEU:
Vencemos
a morte, a desconfiança e o tormento
E,
com essa melodia, te peço em casamento.
Ah,
Eurídice, amada e muito querida,
Contigo
quero formar a mais bela e apaixonada família.
ORFEU E EURÍDICE SE ABRAÇAM.
Mênade 4:
Mortais
carnavalescos de Terê,
Através
desse mito façamos crer
Que
o amor tudo pode vencer.
ORÁCULO (entra para declamar o poema premiado de Walace Resende de Moraes):
Uma
causa
O
amor é uma causa
que
Deus abençoa sem pausa.
O
amor é de verdade
Quando
há respeito e lealdade.
O
amor é uma constante,
deve
ser cuidado a todo instante.
O
amor cultiva na alma
o
melhor de nós.
Sentimentos
ruins ele acalma,
faz-nos
encontrar esperança
pra
que nunca fiquemos sós.
Um
desejo ele desperta,
puro
como criança,
o
amor liberta.
(Poema
de Walace Resende de Moraes [na época, 8.º C], 2.º Lugar na Categoria III [8.º
Ano] do “1.º Jovem Talento Teresopolitano – Concurso de Poesia Olavo Bilac 2018”,
organizado pela Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de
Teresópolis/RJ)
Mênade 5:
Deixemos
no reino do submundo
A
desesperança, o ódio, as tragédias e outros absurdos
E
levemos só presentes bons aos nossos carnavais futuros.
Mênade 6:
Que
nesta nova folia celebremos uma nova vida,
Sem
violência; só amor, paz e harmonia
Entre
mim e você, você e o outro, somos todos uma só família.
Toquemos
com Eurídice e Orfeu as notas da vitória da mais sublime alegria!