Olá, caros leitores, bem vindos ao blog daqueles que guardam um sorriso solitário no canto dos lábios que versam sonhos coletivos. Bem vindos ao meu universo virtual poético, bem vindos ao mundo confuso e fictício ferido de imortal realidade. Bem vindos ao inóspito ambiente dos eus líricos em busca de identidade na multidão indiferente, bem vindos ao admirável verso novo.
ÚLTIMO dia do mês de janeiro, fim de férias de professores e alunos, verão
continuamente radiante, sol intenso, proximidade do retorno às aulas: tais elementos
me lembram e destacam a artistamiga teresopolitana, outrora artistaluna
[premiadíssima] da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, Maria Eduarda
Ventura (para os mais próximos Duda Ventura), com quem compartilho minhas
solidões poéticas nesta postagem de 31 de janeiro de 2019.
Dona de um lirismo intenso e radiante, Duda Ventura não passa pelo
mundo como inofensiva e passageira nuvem – extremamente crítica, sua poética
prefere provocar marcantes tempestades ou sóis ferozes. No fim do ano passado, fez
participação superespecial no último sarau de 2018 na escola onde ela iniciara
sua trajetória poética, trouxe um novo poema, de temática feminista, e
demonstrou que seu lirismo continua brilhante, contagiante e cada vez mais
maduro – sim, senhoras e senhores leitores, a poetamiga Duda Ventura continua
vívida, cada vez melhor e mais sublimamente certeira em seus posicionamentos
líricos críticos.
Hoje trago aos amigos leitores o novo poema de Duda Ventura e o vídeo
no qual ela apresenta o mais que fodástico texto lírico durante o último sarau de
2018 na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Leiam, apreciem e curtam
sem moderação!
Pare de olhar para minha barriga e meu peito
Pare de olhar pro meu corpo desse jeito
Não sou uma donzela em perigo em um vilarejo
Muito menos um objeto de desejo
Sou uma obra de arte
Perambulando pelas ruas todas as tardes
Agora soudona da minha história
Ansiosa para construir novas memórias
Sem dor e cicatrizes
Quero me expor em marquises
Para que todos saibam que agora sou livre
Livre dos padrões das amarras que me prenderam durante anos
Estamos
no primeiro mês de 2019, que também é conhecido como mês de férias para
artistalunos e professores (para estes últimos, em Teresópolis, além disso,
como virou tradição – ou melhor, maldição – é o mês que os governantes e
desgovernantes decidem deixar os funcionários públicos sem o devido pagamento)
e também serve como um período de pausa, reflexão e retrospectiva do ano
anterior.
Lembrando
destes fatos referentes ao primeiro mês do ano resolvi compartilhar hoje minhas
solidões poéticas com a ‘primeira página de diário’ (que foi a primeira
proposta de redação individual do ano passado, realizada com os oitavos - futuros nonos - anos após a leitura de
diversos fragmentos de diários como o de Anne Frank, de Chaves, etc) de três
grandes e hipertalentosos escritores alunos da Escola Municipal Alcino
Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ; os inspiradíssimos escritos de hoje
foram escritos pelos artistalunos Ramon Espindola Bernardo, Ana Julia Duarte e
Maria Gabriela Ferreira Luz.
Nestas
primeiras páginas de diários, vemos revelações de expectativas e sonhos
(principalmente na redação de Ramon), inspirações musicais e literárias (na
página fictícia de Ana Julia Duarte, há citações da canção de Kell Smith e
influências do “Diário de Anne Frank) e confissões de peito aberto, com
múltiplos jogos de palavras, uma desenvoltura literária imensa com citações
divertidas e domínio maduro da arte escrita (principalmente na página de Maria
Gabriela Luz – atentem para o jogo intencional de chamar o diário de “Potter”, remetendo
ao protagonista da saga “Harry Potter”, o uso bem planejado de aspas e
parênteses, etc).
Não
curte o programa Big Brother, mas deseja ver o dia a dia de outros com lirismo?
Eis uma ótima alternativa: leia as fantásticas e líricas primeiras páginas de
diários de Ramon, Ana Julia e Maria Gabriela. Curte o Big Brother, mas, além
disso, quer preencher mais sua curiosidade sobre o lirismo incrível do banal
dia a dia. Dá uma espiada nas fantásticas e líricas primeiras páginas de
diários de Ramon, Ana Julia e Maria Gabriela. Seja admirador, inimigo ou
indiferente dos reality shows, leia e sonhe com o incrível show da vida na arte
escrita por Ramon, Ana Julia e Maria Gabriela, amigos leitores.
Diário de um
sonhador
Querido
diário,
Esse
ano fiz tanta coisa que não sei como começar... Penso em iniciar falando dos meus
sonhos: quero ter uma casa própria, ter minha namorada e ser feliz.
Tem
muitos momentos em que fico na minha cama pensando como vou realizar meus
sonhos. Minha mãe me dá vários conselhos para ficar na linha: não me envolver
com drogas, nem beber para conseguir realizar meus sonhos.
Estou
caminhando para realizar meu sonho. Só faltam alguns meses e eu realizo meu
desejo, por isso estou muito feliz.
Obrigado
por me apoiar, querido diário.
Ramon
Espindola Bernardo
A primeira página
do diário inventado de Ana Julia
Querido diário,
Hoje, dia 26 de fevereiro, ganhei você.
Vou começar a escrever em suas páginas, mas não sei como começar, pois não
muito a falar. Já sei: vou começar contando como eu te encontrei!
Um belo dia, eu estava andando na rua e
encontrei várias páginas indo na direção da cemitério. Fiquei com medo, mas fui
atrás.
Como gosto muito de escrever, fui catando
as folhas e guardando-as comigo. Chegando no fim do caminho, encontrei um livro
de capa dura, que era você! Achei interessante e acabei guardando você pra mim.
Na última página sua, está escrita uma frase, ela é assim: “É que a gente quer crescer, e, quando cresce, quer voltar no início,
porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido”. Levo essa
frase pra vida toda.
Gostei muito de escrever aqui, vou
levar você também pra vida toda. Você é aquele amigo que não tenho, só você me
entende, só você que me escuta realmente!
Beijos de Luz,
Ana Julia
A primeira página
do diário de Maria Gabriela
Teresópolis,
02 de março de 2018
Querido
diário (lhe chamarei de Potter),
Nesse começo de ano, aconteceu tanta
coisa que não sei por onde começo.
Então, Potter, meus dias andam um pouco
tumultuados, eu ando meio nervosa, mas creio que seja apenas cansaço.
Ando meio confusa nos meus propósitos.
Por alguns segundos, eu queria sumir,
ir para outro planeta. Eu nunca fui muito boa para fazer amizades novas, mas
até que nessa semana consegui novos amigos, consegui ter um diálogo com alguém
que durou mais de 1 minuto (juro, isso é santo milagre!).
Nesse mês até criei coragem e saí de
casa. Fui pra Santa Teresa; gosto de ficar lá na igreja. Mesmo o silêncio sendo
enlouquecedor, fico lá e, bom, dá pra ler sem ninguém me atrapalhar.
Enfim, Potter, foi bom ter “conversado”
com você; consegui desabafar, coisa que não conseguiria com ninguém.
Todo começo de ano é um começo de recomeço.Começo por representar o início de um novo
período, recomeço por sugerir continuidade ao iniciado nos anos findos. Por
esse motivo, por esse começo de recomeço, retomo as postagens no blog neste ano
que se inicia dividindo minhas solidões poéticas com uma jovem e ao mesmo tempo
antiga artistamiga. Jovem pela idade, antiga por trazer a tradicional asa
eterna da poesia, pela força milenar de seus versos e divido mais uma vez este
espaço lírico virtual solitário coletivo com a artistamiga teresopolitana Maria Emilia de Oliveira, autora do poema
“Recomeçar” (postado aqui em 2017 e disponível no link: https://diariosdesolidao.blogspot.com/2017/07/aprendendo-recomecar-com-maria-emilia.html
), e, desta vez, ela nos mostra que seu eu lírico deseja “Muito mais que ser
feliz” (reparem que, logo no segundo verso, o verbo ‘recomeçar’ ressurge em
nova obra lírica da escritoramiga).
Ex-artistaluna da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva (meio
vacilona nos estudos, apesar de superinteligente e criativa – meu lado
blogueiro elogia e aplaude de pé a sua arte, mas minha parte professor sempre
que pode lhe ‘puxa as orelhas'), Maria Emilia, com mais este poema, confirma
seu talento e demonstra uma maturidade fora do comum; tem asas eternas suas
aves poemas que voam muito além da sua idade, buscando sempre o recomeço, a
retomada do desejo de ser muito mais que ser feliz. Vale destacar também como,
nesse poema romântico e de sentimentos universais, a talentosa poetamiga
consegue genialmente inserir a ‘cor local’, marcas da sua região, símbolos de
sua região (como a Capela da Matriz).
Recomecemos nossas leituras solitárias coletivas com o fodástico poema
de Maria Emilia de Oliveira, amigos leitores!
Muito mais que ser feliz
Ah, que lua boa pra gente se amar,
Que tempo bom pra recomeçar!
Vamos sentar sobre uma pedra no meio da nada,
Vamos fingir que todos os problemas acabaram
E que a gente não é mais piada.
Vou esquecer tudo que passei, tudo que sofri,
Prometo que, daqui pra frente, só vou te fazer sorrir.
Por quê?... Porque eu quero muito mais que ser feliz:
Todo ano, desejo a todos um Feliz e Próspero Ano Novo e todo
Ano Novo Próspero e Feliz é substituído por outro Ano que promete ser Ainda
Mais Próspero e Feliz. Ok, desta vez resolvi contrariar as estatísticas e tradições
do blog e postar um novo poema de Feliz Ano Novo, um poema nem tão novo, com um
desejo de felicidade nem tão feliz assim...
Feliz Ano Novo Antigo
Mais um ano novo começa
pisando no ano que finda
como todo novo engano
diante do velho em desencanto que agoniza.
365 dias, algumas horas e drogas legais etílicas
pra me desconhecer
(mesmo que eu prometa não mais beber,
o copo me convida
e sou objeto do objeto que me incita
mais me desconhecer
- é só mais um novo ano
de ilusões bem sucedidas,
período cheio de promessas vazias),
preparo-me para outra farsa festiva
ritualística
tradicionalmente iludida:
feliz ano novo, meu velho,
zeremos o jogo mais uma vez
sem ganhar nem perder.
Esperanças renovadas como trapos bem passados,
dançamos, prometemos, rezamos e retribuímos
o sorriso branco de futuro amarelecido do novo ano
que vem altivo
como todos os anos antigos quando recém nascidos,
como aquela eterna cena de cinema,
quando somos felizes para sempre
até que o The End passa
e a realidade se arrasta
e nos arrasta
pra fora das fábricas de ilusões.
E, mesmo assim, sonhamos,
continuamos
em novos velhos anos.
Vem, ano novo antigo,
vem sorrindo
e, mesmo que fugidio,
me beija, me abraça,
como chuva de alegria
que oculta velhas lágrimas.
Que se dane o amanhã de velhas ruínas inalteradas;
hoje governamos os castelos invisíveis
até que as sete ondas novamente os desmanchem:
feliz ano novo, meu velho, iluminemos as salas opacas
Já virou tradição no blog e na vida real: mini super
apresentações lírico culturais no período de Natal.
No sábado, dia 22 de dezembro, tive a oportunidade de
assistir e curtir a mais que fodástica Festa de Natal na Praça Emilia Januzzi
no bairro São José das Palmeiras, em Valença/RJ. O evento, magnificamente
organizado pelo mestre artistamigo rei das práticas
artístico-cerimonialísticas-líricas Thiago Ferreira, faz parte do Super Projeto
Praça Viva idealizado pelo amigo vereador David Nogueira e contou com minha
participação (apresentando poemas meus e de autoria do jovem talento
teresopolitano Pedro Ferraz, com acompanhamento do violão lírico do
superartistamigo Ronaldo Brechane, convidado por mim para representarmos o
Sarau Solidões Coletivas nesta querida festa cultural natalina que rolou em
nosso bairro), apresentações da Cia Amor E Arte Teatro, Cia Teatral Renascer,
Tatiele Sauvero & Carolina Menezes, Danças Vivarte, da superescritoramiga
contadora de histórias Ni Lopes, Grupo Expressão e DJ Fabinho.
Foi uma festa marcante, emocionante e que vem criando uma
tradição cultural importante para nosso querido bairro São José das Palmeiras.
Parabenizo mais uma vez (o evento ocorre desde o ano passado
e tem tudo pra manter a tradição lírica por infinitos anos) aos
superartistativistamigos e divoamigos Thiago Ferreira e David Nogueira pela
lírica e excelentíssima oportunidade de mostrar nossa arte neste evento
maravilhosamente organizado e liricamente rico de talento e brilho culturais.
Agradeço também a Ronaldo Brechane por ter aceitado meu convite em cima da hora
(como sempre kkk) pra participar comigo.
Trago ao blog os poemas inspiradores (mais uma vez, pois os
textos já estiveram em outras postagens no blog) da minha apresentação com o
músico artistamigo Ronaldo Brechane + o vídeo da nossa apresentação.
Desejo a todos os amigos leitores Arte Sempre e Boas Festas
de Fim de Ano!
Os poemas inspiradores
Grande amor
Eu encontrei algo maior.
A Tua benevolência me transformou.
Eu quero andar conTigo,
Porque Tua graça me basta.
Não sei o que dizer para Ele,
Porque Ele é tão grande
Como o infinito
Ou até maior.
Ele me ama,
Eu desejo
Que Ele me molde.
Seja o oleiro,
Faça-me de novo,
Me molde.
(Poema de Pedro da Silva Ferraz [8.º B], Representante do
município de Teresópolis/RJ na Categoria II no Festival Intermunicipal de
Poesia na Escola 2018, em Cambuci/RJ)
Natal na América do Sul
É Natal!
É dia de acreditar no que se duvida!
É dia do nascimento do Poeta-Maior!
É dia do triste libertar o sorriso escondido!
Não, não estou falando do sorriso amarelo
Que se abre só pra disfarçar
O presente indesejável que ganhou...
É dia do sorriso bem intencionado
Que se abre pela simples alegria
De, neste dia, ser lembrado!
É dia de ver Papai Noel de bermuda e chinelo
Distribuindo esperança pela América do Sul!
É dia do duende moreno
Que samba mesmo nos dias ruins!
É dia do sino tocar: “Belém, Belém, Belém do Pará”!
É dia mundial dos pinheiros
Que se enfeitam para a festa!
É dia de Natal bem brasileiro!
É dia de beber vinho como se fosse champanhe,
É dia de Natal!
Não, não estou falando do Natal comercial
Que dá dor de cabeça só de pensar
Se o dinheiro vai ser suficiente pra pagar
As contas do mês e todos os presentes...
É dia do Coração Natal!...
Deste coração que bate esperança
Por um novo sonho para os sonhos do passado,
Por um novo nascimento,
Por um renascimento melhor!
(Poema natalino de Carlos Brunno Silva Barbosa, publicado em
meu terceiro livro solo “Note or not ser” [2001])
Vídeo da Apresentação de Natal no Projeto Praça Viva em 2018
Yeah, amigos e artistamigos, seguimos e frente no blog com a
liricamente riquíssima retrospectiva literária deste ano. E como tem poema
premiado aqui pra divulgar (isso sem contar os inúmeros textos iluminados,
porém [ainda...] não contemplados! 2018 foi superespecial para mim (ou melhor,
está sendo, pois hoje mesmo recebi uma notícia de uma nova premiação em outro
fodástico concurso literário) e para os jovens artistalunos da Escola Municipal
Alcino Francisco da Silva.
Registro fotográfico enviado vai e-mail pra mim pelo escritor acadêmico amigo Paulo Tórtora: lembrança de mais uma conquista literária no Dia do Poeta: hoje, dia 20 de outubro, quando fui à Cerimônia de Premiação do 7.º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (AML), no qual conquistei o segundo lugar na Categoria Adulto com o poema "Cemitério de Vagalumes".
Hoje relembro mais algumas conquistas literárias neste ano: no Dia do
Poeta (20 de outubro), fui à Cerimônia de Premiação do 7.º Concurso Literário
da Academia Madureirense de Letras (AML), no qual conquistei o segundo lugar na
Categoria Adulto com o poema "Cemitério de Vagalumes". Além disso, os
queridos artistalunos teresopolitanos da Escola Municipal Alcino Francisco da
Silva, onde leciono, Carine Gonçalves Arruda [na época, do 8.º C, em breve 9.º
Ano], Patrick Martins Vieira [idem, também 8.º C, em breve 9.º Ano], Ester
Rodrigues Monnerat [na época,8.º B, em breve 9.º Ano] e Emily Medeiros de
Oliveira [também 8.º B, em breve 9.º Ano], apesar de não contemplados com os
primeiros lugares, receberam um Diploma de Reconhecimento da AML pelos seus
valiosos escritos líricos.
Projeto de Produção Textual Descrição Poética da Paisagem ao nosso redor.
Cena do filme "De encontro com o amor" ("Shadows in sun")
Antes de postar os poemas premiados, vamos à concepção dos mesmos,
afinal essas introduções que escrevo servem exatamente para dar detalhes da
pré-produção lírica. Os poemas dos artistalunos diplomadamente reconhecidos na
AML fizeram parte de uma pré-seleção do Projeto de Produção Textual Descrição
Poética da Paisagem ao nosso redor, escritas após assistirmos à comédia
romântica “De encontro com o amor” (no original – que é o título mais lírico -,
“Shadows in Sun”), que apresenta um imaginário escritor atormentado chamado
Weldon Parish, que não escreve há mais de 20 anos, mas dá dicas de
escrita/descrição poética ao editor Jeremy Taylor, apaixonado pela filha de
Weldon, Isabela, e com a difícil missão de fazer Weldon retornar às práticas
literárias – tudo isso recheado de situações românticas, dramáticas e
engraçadas no lindo cenário de um vilarejo, rico em paisagens naturais, da
Itália. A produção textual foi realizada
após uma aula passeio ao redor da área externa da escola, que envolveu educação
do olhar à cor local, revisão de adjetivos e reforço na apreensão e compreensão
das principais figuras de linguagem e do gênero textual poema em prosa ou em
verso (ficava à escolha do artistaluno) e descrição poética, e cada artistaluno
poderia escrever onde se sentisse mais à vontade – ao ar livre ou na sala. Os
poemas de Carine, Patrick, Ester e Emily se destacaram (apesar da imensa
qualidade das demais descrições poéticas – em outra postagem, trago mais
algumas, principalmente as prosas poéticas, cujas características – ser em
escrita em prosa, e não em verso - não permitiram que fossem concorrentes no
certame literário) e concorreram, com reconhecimento e destaque merecido, no 7.º
Concurso Literário da AML.
Já o poema “Cemitério de vagalumes”, de minha autoria, .º Lugar na
Categoria Adulto no 7.º Concurso Literário da AML, teve seu rascunho escrito
por mim há algum tempo – na época, eu estava muito sensibilizado com os tristes
acontecimentos no mundo, principalmente a guerra na Síria, que vitimava muitos
inocentes, com triste destaque às crianças (aquela foto da criança exilada
morta na beira da praia não me sai da cabeça e, como no filme “Crianças
invisíveis”, me lembra o quão trágico e sem sentido é a violência em ambientes
hostis em guerra), somado às lembranças do excelentíssimo anime “Túmulo de
vagalumes” (1988), ao qual havia assistido recentemente graças ao mais que
fodástico blog “Sonata Première” (segue o link: https://sonatapremieres.blogspot.com/2014/11/o-tumulo-dos-vagalumes.html). No trágico e icônico desenho do
diretor Isao Takahata (é tragédia sobre
tragédia, melancólico demais, daqueles que você chora diante de tanta crueldade
e sofrência da humanidade em eterna guerra consigo mesma), os irmãos Setsuko e
Seita vivem no Japão em meio a Segunda Guerra Mundial. Após a morte da mãe num
bombardeio americano e a convocação do pai para a Guerra, eles vão morar com
alguns parentes. Insatisfeitos, saem da cidade e acabam num abrigo isolado na
floresta, onde lutam contra a fome e as doenças e se divertem com as luzes dos
vagalumes. Amigos leitores, se quiserem chorar e temer a desumanidade humana,
assistam a esse anime desesperançado! Pois bem, diante de tais tristes e
desesperadoras inspirações, construí o meu poema, forjando uma nova situação,
na qual o eu lírico em um cenário de violenta guerra, encontra o corpo de uma
criança morta, vítima da guerra. O poema sofreu várias transformações desde sua
primeira concepção – primeiramente, o construí como soneto, mas o formato e as
emoções vazavam e pediam mais que 14 versos. A única formatação mantida desde o
primeiro esboço foram os versos decassílabos, que refletem a impotência do eu
lírico diante da criança morta, vítima da guerra – os sentimentos de desespero
e melancolia se expandem nele e tentam extravasar a medida, mas o universo bélico
está no formato rígido, impassível. O conteúdo traz influências simbolistas de
Alphonsus de Guimaraens e de Cruz e Souza – o diálogo melancólico com a
paisagem viva versus a visão da inocente morta no antinatural cenário da floresta
queimada e violentada pela guerra. Assim como veteranos de guerra, o poema “Cemitério
de vagalumes” sofreu diversas derrocadas em concursos literários durante anos
(mesmo amplamente derrotado, insisti nele) até ser finalmente consagrado no 7.º
Concurso Literário da AML.
Bem, considero que já falei até demais, afinal a melhor interpretação
sempre será a de cada um de vocês, amigos leitores, pois é a leitura e visão
pessoal de cada um de vocês que enriquecem os cenários da arte literária, dessa
nossa estimada, amada, idolatrada arte de solidão coletiva compartilhada. Na
ordem, posto os poemas dos iluminados artistalunos Carine, Patrick, Ester e
Emily, seguidos de meu poema premiado “Cemitério de vagalumes” e um vídeo com
minha leitura do escrito contemplado durante a Cerimônia de Premiação do 7.º
Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras (AML), na tarde de 20 de
outubro deste ano.
Espero que gostem, curtam, questionem e comentem, amigos leitores! Paz
e Arte Sempre!
Linda paisagem ao redor
Vejo uma linda paisagem ao meu redor
com várias árvores e várias flores,
pássaros fazendo seus ninhos
e o sol exaltando as cores.
À noite, uma linda lua no céu
e várias estrelas a brilhar;
nunca vi nada tão lindo
quanto o sol de manhã chegar.
Vejo várias nuvens no céu
movimentando-se lentamente,
várias montanhas maravilhosas
e vários lugares diferentes.
(Poema de Carine Gonçalves Arruda [8.º C], ganhador do Diploma de
Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)
Um dia lá fora
Fui lá pra fora e vi as nuvens brilhando.
Olhei pra meu lado
e vi meus amigos me acompanhando.
Olhei e fiquei emocionado
só de saber que tenho amigos de verdade
ao meu lado.
(Poema de Patrick Martins Vieira [8.º C], ganhador do Diploma de
Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)
Outra maneira
Eu vejo o contraste
do sol com o céu azul,
as nuvens cobrindo
as montanhas verdes,
o vento balançando
as belas folhas
das árvores,
as flores vermelhas
que combinam com o amor.
Sinto o ar puro
das árvores,
o sol iluminando
seu lindo olhar.
E, por fim,
finalmente te enxergo
de uma outra maneira.
(Poema de Ester Rodrigues Monnerat [8.º B], ganhador do Diploma de
Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)
Conforme o vento
Eu vejo um lindo céu azul
em meio às montanhas
com o contraste do sol
entre as nuvens
iluminando seu sorriso.
As folhas balançam
conforme o vento.
As belas flores
pintam em meu coração
uma bela paixão.
E, no fim de tudo,
percebo que encontrei
um grande amor.
(Poema de Emily Medeiros de Oliveira [8.º B], ganhador do Diploma de
Reconhecimento no 7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)
Cemitério de vagalumes
Foi ali, entre o verde sobrevivente
da floresta ferida pela guerra,
que encontrei seu corpo beijando a terra:
era uma menina, um pingo de gente.
Seu rosto trazia a noite que aterra
almas que buscam um sol no poente
e só encontram a morte iminente;
era mais um astro que a treva encerra.
Seus dedos inúteis para brinquedos...
Infância frágil que abranda rochedos...
Seu sangue tem cheiro de asa quebrada...
Corpo sem luz como estrela apagada...
- Por que os vagalumes morrem tão cedo? –
Pergunto em vão para o surdo arvoredo.
Levo o anjo morto pela leve estrada
E a paz breve pesa mil toneladas...
(Poema de Carlos Brunno Silva Barbosa, 2.º Lugar na Categoria Adulto no
7.º Concurso Literário da AML, no Rio de Janeiro/RJ)
Doodle em homenagem ao 98.º Aniversário de Clarice Lispector disponibilizado pelo Google
Cena de "Luz, Câmera...Alcino! apresenta
"A pequena Clarice Leléspector"
Hoje, dia 10/12/2018, a diva escritora máxima Clarice
Lispector faria 98 anos (ela nasceu em 10 de dezembro de 1920 e faleceu em 09
de dezembro de 1977), por isso nossa retrospectiva de hoje retoma tempos mais
antigos: entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2015, produzi com
artistalunos do (na época) 3.º ano da Escola Municipal Alcino Francisco da
Silva (com participação especial em um dos vídeos do artistamigo Diogo Lima, na
época artistaluno do 9.º ano), de Teresópolis/RJ, dois curtas metragens do Luz,
Câmera...Alcino! em homenagem bem humorada a Clarice Lispector – “A pequena
Clarice Leléspector” e “Os parvos e as
claricianas”. As artistalunas participantes atualmente estão no 6.º Ano (já
passando para o 7.º, se agradaram os deuses do estudo, da sabedoria e do
conhecimento).
Cena de "Luz, Câmera...Alcino! apresenta
"O parvo e as claricianas"
Divirtamo-nos, amigos leitores, com os divertidos curtas
metragens do Luz, Câmera...Alcino! Mirim em homenagem a Clarice Lispector neste
98.º Aniversário de Vida da eterna, amada e idolatrada Mestre Escritora!