segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Ainda sobre ontem: Guerra nas Estrelas - A ameaça fantasma paterna


Ainda sobre ontem, dia dos pais. A data me remete às sábias palavras da escritoramiga valenciana Nanny Oliveira:
“Agosto é o mês daqueles caras que fizeram, mas não que criaram seus filhos, procurarem alguma foto pra postar no dia dos pais. Eu aconselho a você parabenizar todos eles assim ó:
E o amor, a presença, estão em dia?!”
(Nanny Oliveira)


Inspirado nisso, trago hoje meu conto inédito, inspirado na famosa data do segundo domingo de agosto, um conto de Dia dos Pais, entre Luke Filho e Anakin ‘Darth Vader’ Pai.
Espero que curtam esse episódio carlosbrunniano de Guerra nas Estrelas. Boa leitura e Arte Sempre!





Guerra nas Estrelas – A ameaça fantasma paterna
(Carlos Brunno Silva Barbosa)

Luke Filho bate na porta da casa paterna com uma firmeza inusitada. Apesar de todo ensaio e treinamento jedi que praticara para dar ao ato tal solidez, não imaginava ter tamanha firmeza... É dia dos pais e Luke Filho sente o desconforto constante que esta data lhe traz. Enquanto bate na porta, o coração jedi lhe alerta: “Perigo, perigo! Isso não vai dar certo de novo, não vai dar certo de novo!...” Mesmo assim, Luke Filho insiste – todo ano, reserva essa data ao sacrifício de se aproximar da criatura estranha que declarara ser seu pai.
            Anakin Pai atende a porta – tem olhos de real ressaca, tão diferentes dos oblíquos olhares das Capitus Machadianas que Luke Filho admira nas leituras cotidianas. A ressaca de papai é algo adoentado, misto de crise moral e existencial. “Perigo, perigo!”, o coração jedi grita. Mas, em silêncio, Luke Filho força um sorriso e deseja que este saia o menos amarelo possível. “Perigo, perigo!”, o coração jedi em histeria. Mas Luke Filho apenas sorri e diz a Anakin Pai um “Feliz Dia dos Pais!”, sem hesitar, bem firme, como treinara durante a longa viagem para este hostil planeta.
            Anakin Pai repete o ritual anual, demonstra satisfação com a chegada do filho pródigo, abraça-o com entusiasmo e comenta sobre planos imediatos e futuros que jamais concretiza ou concretizará. Combina com Luke Filho para que ambos saiam em direção à Galaxiária de Barra A-Li, pois juntos pegarão uma espaçonave para a Estrela Shagri-Lá, onde almoçarão com Princesa Léo, irmã-o de Luke e segundo filho de Anakin.
Antes de saírem, Anakin Pai conversa às ocultas com a irmã Madrinha Estelar, que ainda antes abraçara o afilhado Luke Filho e comentara com este os últimos acessos embriagados de fúria sith do nebuloso consanguíneo, atualmente brigado com os demais parentes da casa. Luke Filho observa à distância a tentativa de reunião sigilosa de Anakin Pai com Madrinha Estelar, mas nada escapa aos olhos jedi: seu pai, em eterna crise financeira, pegava mais um empréstimo fraterno que jamais iria pagar. “É pra eu poder curtir meus filhotes, irmã Estelar, você sabe...”, Anakin Pai sussurra para a consanguínea benevolente e protetora, que não percebe a farsa fantasma no tom suspirado do nebuloso consanguíneo. Luke Filho, de ouvidos apurados jedis, finge que não, mas ouve tudo e sente desconfortantes premonições. “Não vai dar certo, nunca dá certo!”, o coração jedi em colapso. Mas Luke Filho apenas acompanha a farsa de Anakin Pai e, após o comando paterno, segue com ele em direção da Galaxiária.
Cenário II da farsa: Galaxiária de Barra A-Li. Anakin Pai alega dores misteriosas e pede para parar no Bar do Bulba para relaxar e conversarem enquanto a espaçonave das 12:30 não chega. Retira do bolso puído da velha calça o dinheiro amassado, outrora sem vinco ou marcas quando Madrinha Estelar emprestara, e pede uma dose de Cerveja Letal Extra Sith, apesar de antes ter alegado a Luke Filho que pediria um H2O terráqueo. Anakin Pai percebe um certo desconforto no filho, mas a energia nebulosa no pai é mais forte que a censura velada do filho. “Não liga de eu estar bebendo só umazinha cervejinha letal, né?”, sorri nebulosamente, como cobra amiga que disfarça a periculosidade de seus venenos. “Perigo, perigo!”, novamente o coração jedi em histeria. Mas Luke Filho apenas ensaia um sorriso torto e responde um inócuo “Não” que nem ele mesmo acredita que sairia tão falsamente indiferente. É o dia dele, de Anakin Pai, e Luke Filho quer explodir, mas, por enquanto, pelo bem da paz nas estrelas, só implode.
Anakin Pai, após o primeiro copo de Cerveja Letal Extra Sith, dispara: “Sabe, filho, tô sentindo umas dorezinhas aqui, acho que não estou disposto a viajar.” Primeira desculpa – então o plano era só mesmo dar ‘um perdido’ na Madrinha Estelar, como as primeiras premonições jedis de Luke Filho desconfiavam. “Perigo, PERIGO!”, o coração jedi surta. Mas Luke Filho implode e só diz um “Ok” que soa mais irônico, desesperançado e desconfiado do que ele ensaiara fazer. Segundos de pesado silêncio, o bafo de Cerveja Letal Extra Sith incomoda o nariz jedi de Luke Filho, logo que o pai dispara o segundo e fatal tiro: “E o namorado de seu irmão deve estar lá...” “PERIGO, PERIGO!...” Além de dar ‘um perdido’ na Madrinha Estelar, agora Anakin Pai tenta se justificar com manobras homofóbicas do tradicional Império, atacando o seu segundo filho e irmã-o de Luke, Princesa Léo. É demais para qualquer zen budismo jedi! Luke Filho tenta conter a explosão, mas sua cara jedi não disfarça a expressão de fúria. O bafo letal extra sith de Anakin Pai dá a última estocada: “Você também fica zangadinho à toa...” “PERIGO, PERIG...” Luke Filho soca levemente o balcão, queria retirar o Sabre de Luz da Verdade e picotar o já despedaçado pai. A criatura a sua frente é tudo que ele não queria ser e tem o mesmo sangue que corre nas veias dele. Os olhos de Luke proferem Guerra, mas ele apenas se levanta e diz que prefere sair do bar e entrar mais cedo na espaçonave para a Estrela de Shangri-Lá. Luke Filho parte sem olhar pra trás.
“Não ia dar certo, você sabia que não ia dar certo”, o coração jedi dispara arritmado, mas controlado, como escombro sobrevivente de ataques de múltiplos furacões. Mas Luke Filho, mesmo sempre frustrado, o ignora, pois sabe, que, no ano que vem, nesta mesma fatídica data, retornará à casa paterna e repetirá o ritual, mesmo se opondo aos alertas do coração jedi.



sábado, 11 de agosto de 2018

Latinidade Valenciana Ludovicense: Apenas 3 poemas latino americanos sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes


Como eu já dissera na postagem anterior, no último período de folga, retornei a São Luís-MA para participar do"IV ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL", em São Luís/MA/Brasil, de 19 a 21 de julho, e curti muito essa jornada lírica ludovicense. Durante o evento, além ter tido o privilégio de declamar vários poemas meus, entre eles, como já informara na postagem anterior,  tive a sublime emoção de ver ao vivo e em múltiplas cores o lançamento da I Coletânea Poética da Sociedade de Cultura  Latina do Brasil: Construindo Pontes”, em comemoração aos 30 anos de fundação dessa importante instituição multicultural. 
A minha participação nessa coletânea é muito importante para minha bibliografia, pois, apesar da liberdade de temas, foquei nos meus 3 poemas inseridos na obra minha visão lírica de latinidade (mais próxima da ‘américa latinidade’) e seus elos históricos e suas pontes às vezes firmes, às vezes frágeis.
E, como o número de exemplares da coletânea são limitados, impedindo-me de doar, emprestar para cada leitor, trago hoje ao blog estes 3 poemas (2 inéditos – “Lá Tino” e “A cidade latina dos náufragos”  e 1 já publicado anteriormente no blog – San Vicente dos Convalescentes”).
Espero que tenham uma boa leitura. Abração (estou de volta!) e Arte Sempre!




Levaram meu ouro, minhas jazidas de sonhos e mataram parte de minha rebeldia.
Ainda assim, carrego comigo toda riqueza perdida nos olhos sem brilho cheios de fantasias.
Trago em meus sorrisos mais naturais todas as inconfidências tolhidas e dores incidentais.
Imagino sempre vinganças vãs e nunca cumpridas contra meus exploradores ancestrais.
Navego em calmarias revoltosas em busca eterna da metrópole a retratação.
O passado é um legado de sangue, dor e ingloriosa conquista que nunca deixo pra trás.

Tino

Latino é um ser assassino em potencial incapaz de assassinar qualquer forma de vida.
Ainda que a fúria incontida incendeie os olhos e a rotina, infinita é apenas a fumaça dos dias.
Tenho a faca da revolução nas mãos, mas apenas acaricio suas lâminas com amor e hesitação.
Impossível negar o clamor guerrilheiro, mas a guerrilha aberta só se manifesta
Nas trincheiras internas, nos confins do coração descompassado pelos fracassos diários.
O inglorioso legado de ser nativo explorado implode meu corpo que desfila
Sem brilho e pacífico no meio da violenta multidão.




A cidade latina dos náufragos

Ainda ontem mataram mais uma pomba da paz
Que passeava inocentemente pelas estradas da vida
Cantando músicas de conciliação
Para a população faminta e oprimida
De nossa cidade latina, ainda gripada com o vírus da farda
Trajada e disseminada por golpistas ancestrais.

Hoje os culpados são pegos aclamados por seus discursos de preconceito
Nas vias públicas e redes sociais virtuais.
Hoje os culpados são pegos, mas quem vive preso é o bom senso,
Encarcerado nas celas do retrocesso de uma nova e poderosa Alcatraz.

Ainda ontem espancaram mais um defensor dos humanos direitos
Que pensava inocentemente que haveria respeito
À vida de todo ser vivo que caminha pela cidade latina em busca de paz.
Enquanto o mundo se mata pela estável economia,
Aqui explodem granadas sobre os defensores do direito à vida pacífica;
A discussão estúpida mais popular é se devemos ou não nos matar.

Hoje a febre é verde e amarela e mata-nos um pouco a cada dia;
A doença se alastra por ruas e avenidas.
A falta de razão e de cortesia é agraciada
Pela nação violenta e enlouquecida.

Ainda ontem chorei de saudades pelos tempos cerebrais
Que os anos e a internet não trazem mais.
Hoje a vida acuada me visita,
Aflita com as novas notícias falsas e as vozes assassinas,
Com medo que novamente nos arrombem as portas
E marchem contra sua existência divina.

Declamo-lhe então essa vã poesia
E, mesmo refém do mesmo receio que a exila,
Abro a porta de casa pra vida.
A morte, popularizada, compartilhada e querida,
Ronda armada a vila e ameaça minha acolhida.
- Nesse continente insensato de nossa sociedade latina,
A vida e eu agora somos uma náufraga ilha...



San Vicente dos Convalescentes

Era um imenso coração sangrando
Que avistei em teus olhos castanhos
Indispostos pra vida ou pra morte
Com uma dor de nada que tudo invade.
Era o monstro e a verdade
Um horror de sina sem sorte
Eu vi nossa doce ilusão mancando
Depois do tiro e do golpe.

A América latina, com consciência,
É outra vez um gigante que adormeceu
Nas camas sitiadas de San Vicente,
Governada pelos demônios e suas cruzes.
Nas praças plácidas de San Vicente,
As velhas estátuas armadas de sobrenomes
Assistem a seus novos varões clamando
Por mais rancor entre os ricos e os pobres.

Os livros de História eles já rasgaram
E o que era sonho vivo desfaleceu.
Enquanto tu suspiravas
Por uma estrada nova pra San Vicente,
Os porcos cercavam tua avenida,
Mantendo a América convalescente.
Agora vejo velhos barões gritando
Por um novo circo cada vez mais torpe.







terça-feira, 7 de agosto de 2018

Entre Bibliotecas de Babel e Beijos Cibernéticos no retorno à Ilha do Amor: Fragmentos de mim no IV Encontro Nacional da Sociedade de Cultura Latina do Brasil em São Luís MA


No último recesso, retornei a São Luís-MA para participar do"IV ENCONTRO NACIONAL DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL", em São Luís/MA/Brasil, de 19 a 21 de julho, e aproveitei (muito!)  pra curtir mais essa capital maranhense que amo de paixão (o finalzinho saiu brega mas sincero). Durante o evento, tive o privilégio de declamar vários poemas meus, entre eles, “Biblioteca de Babel”, de meu nono livro “O nada temperado com orégano – Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita” [2016], e “Beijo cibernético (1998)”, de meu quarto livro “O último adeus (ou O primeiro pra sempre)[2004]”.
Hoje relembro estes poemas, já postados em publicações anteriores no blog, e trago o vídeo com fragmentos de minha interpretação para os dois poemas.
Espero que gostem. Abração (estou de volta!) e Arte Sempre!


Biblioteca de Babel

Sou Maiakovisk às vezes eufórico, depois desesperançado, na Rússia Revolucionária,
Sou Kerouac atravessando as glórias e agruras na estrada dos Sonhos Americanos,
Sou Che Poeta, escrevendo versos entre revoluções armadas e os exércitos de La Paz,
Sou Churchill Moço, esquecendo os cabelos brancos e a bomba atômica,
Sou o rico mais pobre, o plebeu mais nobre, a chama invisível de Camões,
O carnaval cinza de Bandeira, o colorido melancólico de Oswald,
Sou o bandido mais querido, o mocinho mais temido, o vazio que enche nossos corações,
O Todo Mundo dos Altos dos Autos da Lusitânia,
O Ninguém das Epopeias, de Todos Os Odisseus,
Sou Todo Seu e também sou Eu e Outras Poesias,
Sou a acomodação e a rebeldia, a distorção e a harmonia,
O Amor maiúsculo e o amor tosco, o Arcanjo e o Anjo Torto,
Sou o Tao, sou humilde, Yin e Yang, a praia e o mangue,
Sou Deus, Zeus e o Demônio da Teoria,
Sou Talmud, Corão, Hieróglifos, sou popular e erudito,
Sou Temporada no Inferno e Comédias Divinas,
O Jesus Menino de Torga e o Menino Jesus da Bíblia,
O Evangelho das Selvas e o Bhagavad-gita,
Sou toda inércia que nos agita,
Sou os olhos cegos de Borges que leem sem parar,
Sou o leitor de tudo, com o lírico nada incluso,
Sou raso, sou profundo, sou a volta e a falta que o parafuso faz,
Sou a procura perdida de todo sentido na falta de sentido de Dadá,
Sou o viajante parado dando a Volta ao Mundo sem sair do lugar.

Beijo cibernético (1998)

Aposte, invista na crise
pois ela cresce mais que a ação
pare a ação
ligue-se na internet
sinta o site
mande um e-mail
solidaoarrobapontocompontobr
conte bytes caso não consiga dormir
especule o movimento
beije seu software
tecle enter pra amar
invista no desemprego
desfile no enredo do FMI
jure sobre os juros
reze pro prédio não cair
vote eletronicamente
confirme a clonagem
encha o disco
desligue o aparelho de CD
disque 0900
faça um curso de inglês
passe a bola pro francês
que a taça agora é dele também
desista do português
porque esta língua está em baixa na bolsa de valores
conte-me como foi sua primeira vez
na cama com Bill Gates
globalize o coração
delete a consciência
privatize suas emoções
venda sua poltrona
compre à vista uma bomba atômica
escolha o filme que escolheram pra você
aperte play pra explodir o vídeo-cassete
observe se seus três filhos estão bem
a tevê, o celular e o computador
obedeça a ordem
deixe que o progresso faça o resto
provoque um curto-circuito
aproveite a queda de energia
pra anular o comando esquecer
acesse o banco de dados
e finalmente perceba:
a única máquina que respira em sua casa é você.

sábado, 28 de julho de 2018

O Cordel do Carrossel das Burrinhas


Isso aconteceu no Programa Passa Ou Repassa, apresentado por Celso Portiolli, no SBT, e, devido à gafe, bombou em vídeos cômicos do Youtube: as atrizes Marcelina Guerra e Alicia Gusman, conhecidas por suas atuações na novela Carrossel, quando interrogadas no quadro do programa Passa ou Passa qual era a identidade do personagem de histórias em quadrinhos Tony Stark, cada uma deu uma resposta mais insólita que a outra com uma certeza comicamente equivocada – uma citou Super-Homem e a outra, eufórica, citou Batman.
Tempos depois, tal acontecimento não escapou dos olhos antenados e líricos dos artistalunos do nono ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ, que, durante a aula de introdução ao gênero lírico cordel, produziram coletivamente o cordel “Carrossel das burrinhas”, postado, juntamente com o vídeo da gafe, logo abaixo.
Bom divertimento e Arte Sempre, amigos leitores!




Carrossel das burrinhas

Isso aconteceu
No Passa ou Repassa
Com Celso Portiolli
Não foi sem graça
Tinha duas burrinhas
Que se fizeram de palhaças

Elas tinham que acertar
De Tony Stark a identidade
Disseram Super-Homem e Batman
Mas isso não era verdade
Um mico pagaram
E viraram do riso celebridades.
(Escrito por Isabella Silva Valentim, Giovanna da Silva Rodrigues,Eduardo da Costa Pinto Cabral, Fellipe Patricio da Rocha, João Pedro Pimenta Ramos e Lucas Lucindo da Silva, sob supervisão do Professor Carlos Brunno, durante a  aula de Redação de introdução ao cordel de 10/07/2018)



domingo, 8 de julho de 2018

As Novas Cartas de Amor aos Mortos, escritas pelo Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ


Inspirados na proposta de redação sugerida nos primeiros fragmentos do romance “Cartas de Amor aos Mortos”, da escritora Ava Dellaira, os escritores alunos do Oitavo Ano do Centro de Ensino Serrano de Teresópolis/RJ produziram cartas em homenagem a seus ídolos que faleceram.

                No livro “Cartas de Amor aos Mortos”, tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno da protagonista Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Já os escritores alunos do Centro de Ensino Serrano escolheram outros ídolos para seu “Correio do Além”: parentes queridos que partiram (estas cartas, mesmo sendo belíssimas, foram omitidas nesta postagem, em razão do caráter extremamente pessoal  e confessional dos escritos), Martin Luther King Jr., Stephen Hawking, Ayrton Senna, Roberto Gomez Bolaños  e Renato Russo.
Hoje, trago algumas dessas cartas, que fizeram parte da exposição da Feira Literária do Centro de Ensino Serrano de 2018.
Boa leitura e Arte Sempre!



Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 


Querido Martin Luther King Jr.,


Olá, Martin, decidi escrever para você porque hoje é o dia em que você morreu, porém exatos cinquenta anos depois. Gosto muito de seus discursos e suas frases. A que mais gosto é: “Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa”.


Sei que, na sua época, você tinha muitos inimigos e era contra toda política americana e contra o racismo. Porém, com somente 39 anos, já tinha conseguido balançar todos os Estados Unidos com uma política de paz.


Atualmente, você, Martin Luther King Jr., é o maior símbolo contra o racismo nos Estados Unidos e no mundo. O que você disse no seu discurso “Eu tenho um sonho” se tornou realidade, e não só para seus filhos, mas para o mundo.


Atenciosamente,


Daniel da Rocha Lima


Teresópolis/RJ, Brasil, 10/04/2018 

Querido Stephen Hawking,

Venho, por essa carta, te dizer que você foi um guerreiro, pois, com essa doença degenerativa, você poderia simplesmente “desistir da vida”, mas foi além, fez cálculos complexos e escreveu livros, ações que homens “normais” não fazem.

Você lutou até o fim, ao ponto que só conseguiu falar usando um adaptador que captava o movimento de sua bochecha.

Obrigado por todas suas frases ditas nesse mundo.

Adeus,

Arthur Andrade Corrêa de Melo


Teresópolis/RJ, Brasil, 12/04/2018 

Ayrton Senna,

Gostaria de te conhecer, pois as pessoas me falam que você corria muito e, quando botava o carro na frente dos outros, ninguém conseguia chegar em você e te passar.

Você poderia ter muitos anos de carreira, mas infelizmente morreu.

Atenciosamente,

Filipe Soares Pereira de Medeiros


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

Incrível pesquisador sobre Física e lutador Stephen Hawking,

Gostaria de parabenizar você.

Sei que nasceu na Inglaterra, Oxford, em 8 de janeiro de 1942. Ao contrário do que seu pai desejava, que era que você cursasse Medicina, seguiu sua paixão que era saber mais sobre a galáxia.

Aos seus 21 anos, descobriu sua doença que não havia cura, a esclerose lateral amiotrófica.Você participou de filmes e seriados conhecidos, entre eles The Simpsons, Futurama, Dexter’s Laboratory, The Big Bang Theory. Seus temas abordados eram sensacionais, como: natureza da gravidade, a origem do universo. Apesar de sua luta em relação à doença, você não deixou de lutar e estudar. Em um de seus documentários, alegou que é uma necessidade sua saber mais sobre o universo.

Você morreu em casa em Cambridge, na Inglaterra, no começo da manhã de 14 de março de 2018, com 76 anos. Foi elogiado em diversas áreas na Ciência.

Milla Miranda Silva Carvalho


Teresópolis. 9 de abril de 2018.

Caro C. S. Lewis,

Acho admirável seu trabalho, principalmente as suas produções voltadas ao cristianismo, como “Protestantismo Puro e Simples” e sua coleção “Milagres”. Gosto de assistir ao “As Crônicas de Nárnia”, que foi inspirado no seu livro.

Meu irmão tem uma biografia sua que foi escrita por David Downing, “C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos”. Esse livro tem como foco o período da sua infância até o início dos seus 30 anos, quando viveu uma jornada tumultuada de pesquisa espiritual e intelectual. Penso como marcou a história com suas obras, do modo que começou no início de 1930 e ainda é conhecido atualmente, em como seus livros escritos detalhadamente há anos são sucessos de vendas.

Você usou dedicação para defender sua fé – isso é admirável.

Respeitosamente,

Vitória Lopes de Carvalho Vidal 


Teresópolis/RJ, Brasil, 04/04/2018 

El Chavo,

Olá, Roberto Gomez Bolaños, eu não te conhecia com esse nome como creio que todos os meus amigos também não. Nós te conhecemos como Chaves. Eu sempre te via na televisão, suas piadas nunca perdiam a graça.

Todo o Brasil te conhece como Chaves, seu programa fez parte da infância de todos. Mesmo falecido, seu programa ainda faz sucesso. Se você estivesse vivo, estaria orgulhoso pelo império que construiu de pessoas que te conhecem.

Atenciosamente,

Anderson Siqueira Junior 


Teresópolis/RJ, Brasil, 14/04/2018 

Querido Renato Russo,

É um grande prazer escrever uma carta para um grande ídolo como você.

Gostaria de agradecer pela grande geração de músicos que se espelham em você e em suas composições. Gostaria de agradecer também pelas suas músicas que são como uma herança para o mundo.

Fico triste por saber que muitas pessoas ainda não conhecem suas músicas e a Legião Urbana. Mas isso pode mudar, essa “geração coca-cola” pode mudar, e isso me deixa entusiasmada.

Às vezes brinco dizendo que “nasci na época errada” e que nunca irá existir alguém como você, um grande cantor e compositor, com tanta dedicação pelo nosso país, que infelizmente está cada vez mais em decadência; não digo só em relação à política, mas à cultura. Como sua música cita: “Que país é esse?”.

Beijos,

Giovanna Pimentel Lage




sexta-feira, 6 de julho de 2018

Os mais que fodásticos Planos e Poemas de Nanny Oliveira


E, mais uma vez, a Seleção Brasileira, “a pátria de chuteira no pé”, é eliminada nas quartas de final  da Copa do Mundo  (já colecionamos 4 eliminações [3 nas quartas] para seleções europeias, cujos países possuem um índice muito superior ao nosso no investimento em saúde, educação e, pasmem, até no esporte do qual somos tão vidrados). Como afirma a fodástica escritoramiga valenciana Nanny Oliveira, com sua ironia lírica sutil, “pelo jeito, acabou a alegria do brasileiro, volta a rotina... Fora Temer, abaixar a gasolina.... e não ser liberado mais cedo do trabalho!”
E por que estou falando da fodástica artistamiga Nanny Oliveira? Porque, pela primeira vez no blog, tenho a honra de compartilhar minhas solidões poéticas com os mais que fodásticos escritos dela. Conheço Nanny Oliveira há tempos, antes mesmo de ela surgir com esse quase pseudônimo (na verdade, é uma espécie de diminutivo do nome dela – e fato poético: com essa diminuta alteração, ela revelou sua grandeza lírica). Conhecia-a com seu nome de batismo, com seu nome do dia a dia, da rotina e das muitas vezes que nos esbarramos na zoeira ou no caminho para casa (somos de bairros vizinhos em Valença/RJ). Já a Nanny Oliveira conheço há pouco frequentando a rede social virtual facebook (“como eu não conhecera esse lado lírico dela antes?”, minha alma sedenta pelo vigor da fodástica poesia me pergunta, constrangida) não deixa de ser a Regiane dos dias a dias às vezes loucos, às vezes simplesmente iguais a outros dias,  vive a mesma rotina, mas a sublima com um lirismo espetacular. Ela mesma se define: “Não sou fofa, não sou doce, sou amorosa com quem sabe extrair o meu melhor. Mas sei uma aspereza, uma rispidez e um sarcasmo que não desejo a ninguém. Isso pode ser chamado de crueldade. Eu chamo de posicionamento”. 
Sua prosa poética e seus contos breves, todos sem títulos, atirados à efemeridade das publicações no facebook,  trazem aquela alma esfacelada, mas rebelde, lutadora, resistente, grandiosa apesar de toda a falta de grandeza nos nossos dias (sim, combina exatamente com minha estética de “poeta da derrota gloriosa”; sim, foi fascínio à primeira vista ler as atualizações líricas de Nanny Oliveira). Como blogueiro e criador da seção das Solidões Compartilhadas, espaço onde apresento novos, velhos e eternos fodásticos autores amigos, não podia deixar esses textos apenas no espaço passageiro das publicações do facebook, pedi, implorei que Nanny Oliveira liberasse seus fodásticos escritos para serem postados aqui no blog. E ela disse sim! (Fiz o sinal da Cruz e Sousa quando ela permitiu, agradecendo a todos os Deuses da Poesia por essa sublime permissão).
Pensam que eu estou exagerando, amigos leitores? Pois então leiam, amigos, e tenho certeza de que ficarão tão fascinados quanto eu pelos mais que fodásticos escritos líricos de Nanny Oliveira. Boa leitura e Arte Sempre!

“Seu Moço, acordei me perguntando por que a vida é essa reunião de sucatas e sucessão de ressacas. Pedaços de sonhos enferrujados espalhados pelo chão. Abraços a doses de euforia escorridas pelos dedos da mão. Pés bambeiam em lugar nenhum, coração se machuca em jejum e a cabeça lateja.
Veja: o nosso intento é um infortúnio. Por que destinos e bebidas sempre fogem ao nosso intuito? A gente se embriaga de planos e poemas e, no fim, nenhum sorriso é gratuito. Eu só pretendia colocar para fora o desejo que me preenche o peito e engolir uma garrafa cheia de mundo. É pedir muito?
Eu queria só por uma vez pagar a conta e chegar em casa com a certeza de que a felicidade realmente exige pouco. Mas, se tiver somente moedas de dor, Seu Moço, dessa vez não precisa trazer o troco.”
Nanny Oliveira



“Reconstruí meus dias do que não deixei ficar pelo caminho e percebi que o que restou foi minha mais pura essência.
Mergulhada em mim,decifrei todos os meus mistérios,encontrei a saída dos labirintos que o tempo causou,cicatrizei feridas que sofriam por doer,apaguei mensagens antes gravadas,que martelavam em meu ser de forma ensurdecedora.
Busquei a coragem que se acovardara na incerteza.
Agora me vejo inteira com as quatro estações dentro de mim: sei onde buscar meu sol e a hora de me deixar florir!”
Nanny Oliveira



“E bateu a exaustão.
Não, não da quarta-feira, mas sim dessa gente hipócrita e mesquinha, que fala uma coisa e faz outra, e que não faz nada de útil.
Bateu a exaustão dessas pessoas de sentimentos passageiros, do "eu te amo" sem valor algum que é dito como se fosse um "oi, tudo bem?".
Ela anda sem paciência com a maioria das pessoas, até se culpa por isso, mas não entende como atrai tanta gente imbecil pra sua vida.
Bateu a exaustão, das promessas não cumpridas, de doar-se e não ter o menor sinal de reciprocidade, de tentar resolver os problemas de todo mundo, e só receber ingratidão em troca.
E agora ela cansou de apanhar da vida, não vai bater de volta, não vai ficar revoltada, nem muito menos querer vingança por sofrimentos passados.
Bateu o amor próprio, ela apanhou todos os sorrisos que deixou pelo caminho e seguiu.”
Nanny Oliveira