sábado, 12 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXVIII

LXXVIII


Gosto de revisar meus originais com o meu vizinho. Vítima de envergonhado analfabetismo, meu vizinho finge ler meus escritos e, pra fingir-se de sabido, dá uma dose de fantástico realismo aos meus textos fictícios.




Quem bate um bolão é a arte underground: Sarau Feira Moderna #1!

11 de julho, véspera da véspera do Dia do Rock, estréia do Sarau Feira Moderna, mais uma opção para divulgação da arte underground da região, com início programado para as 20h, no Metallica Pub, em Porto Novo, em São Gonçalo/RJ, previsão de participação minha, representando o Sarau Solidões Coletivas de Valença/RJ. Até aí mil maravilhas! Então vem o sufoco: a viagem de Teresópolis/RJ, onde trabalho, até Alcântara leva 2 horas a mais que o previsto. Em Alcântara, ainda me indicam o ônibus errado para Porto Novo – entrei no que só chegava na entrada do bairro. Putz, corro pra chegar! Aff, valeu, ufa, cheguei bem atrasado (os relógios denunciam 22:40 h, ou seja, atrasado pra cara...ca!), perdi os showa da banda “pessoas como nós” e de Xarles Xavier, mas cheguei, clima festivo, bora fazer a arte poética underground acontecer!
Todo o sufoco valeu demais a pena: partcipar do primeiro Sarau Feira Moderna, organizado pelo Feira Moderna Zine, foi uma experiência fodástica! Assisti a ótimos shows e ainda tive a oportunidade de interagir liricamente com a maioria dos diversos músicos que participaram do evento.

Hoje trago um vídeo com vários momentos especiais desse primeiro e super-fodástico Sarau Feira Moderna. No vídeo, há minhas apresentações declamando poemas de minha autoria e um poema premiado de Maiara de Souza, minha ex-poetaluna da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, atualmente no ensino médio e espalhando sua luz lírica além dos muros da escola. Além das declamações, vocês podem conferir a cantora Evangelina Corrêa, acompanhada de Rafael A., dando sua interpretação para “Ovelha Negra”, de Rita Lee, o folk fodástico da banda defolks e Xande McLeite e o músico “garoto prodígio” Guilherme José fazendo uma super-versão acústica no hit “Nos tempos dos dinossauros”, do álbum “Sou do Rock”, de Xande McLeite & Rockfriends. Outra curiosidade do vídeo, que vale a pena ressaltar: enquanto nos apresentávamos, no fundo do palco, atrás de nós, uma tevê exibia as clássicas versões cinematográficas de dois romances fodásticos da literatura universal, os filmes “1984” e “A metamorfose”.

O futebol pode estar numa de suas piores fases no Brasil, mas nossa arte underground, amigos leitores, continua batendo um bolão! Que venham outros saraus da Feira Moderna Zine! Arte Sempre!





sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXVII

LXXVII


Vovô recebia cartas todos os dias; eu menino só com o nada me correspondia. Pra superar o trauma da falta de missivas e ganhar o céu de cartas que meu avô recebia, em 1961, publiquei a narrativa “Ninguém escreve ao coronel”. Efêmero troféu que conquistei: ganhei de meu avô no papel de fantasia, mas, na caixa postal que reservei pras minhas correspondências afetivas, perdurava o peso de nenhuma carta contida...


Transformando a Feira Moderna em Feira de Agosto

Hoje posto um poema inédito meu escrito há quase 1 ano atrás, a pedido de Rafael A., do Feira Moderna Zine. O citado zine voltaria a ter uma publicação impressa em agosto e o Rafael A. me pediu que eu colaborasse na edição com um poema. Sabendo do fã-natismo de Rafael A. pelas canções do Clube da Esquina (o nome do zine dele é uma clara homenagem a uma das mais clássicas canções desse movimento musical brasileiro), resolvi construir uma subversão poética da fodástica canção “Feira Moderna” aliando com o mês no qual o Feira Moderna Zine voltaria (agosto) e com a máxima que esse mês sempre traz (agosto mês do desgosto). Tentei produzir um poema meio enigmático e com viés de crítica social como o original “Feira Moderna”. Não sei se fui completamente bem sucedido, mas segue a subversão poética.
Em tempo: Declamarei esse poema hoje, na minha participação na primeira edição do Sarau Feira Moderna, organizado pelo Feira Moderna Zine! O evento acontecerá hoje,  às 20h, no Metallica PUB, em São Gonçalo/RJ! A entrada é franca!
Bem-vindos, amigos leitores, às feiras de agosto, em pleno mês de julho!

Feira de agosto (Eras de frio esgoto e caloroso desgosto)

O gelo que te corta são os olhos dos outros, velhas pragas dos novos tempos
Teu soluço que eles ignoram é feio, é pejo, é raiva sem desejo!
Feira de agosto, vendem-te neve virtual,
Amigos saudosistas, o antigo inverno já morreu
O frio que te fere é outro
O frio que em ti ferve é outro
E ele aparece em todo intervalo comercial
Naquela novela, o final é sempre igual
Amigos saudosistas, a realidade já morreu
Independência ou sorte
Em qualquer estação, só não esfriam os donos das caixas-fortes,
Os discípulos da guerra, os mercadores de amém
Feira de agosto, vendem-te uma nova era hipócrita e glacial
O velho frio no qual jazias é moço
O outro velho frio que trazias é morto
E nem precisas de atestado de óbito pra saberes do funeral... 




Solidões Rockeiras Compartilhadas: Xande McLeite incendiando com o Motoqueiro Fantasma

Pra incendiar essa sexta-feira, às vésperas do Dia do Rock, trago, a mais que perfeita letra de música “Motoqueiro Fantasma”, de Xande McLeite & Rockfriends, de São Gonçalo/RJ.
Claramente inspirada no controverso herói das histórias em quadrinhos, o Motoqueiro Fantasma, aquele que fez um pacto com o demônio para salvar a vida do amigo (em vão... o demônio trapaceia: cura o câncer do amigo, mas este, que não sabia do fato, morre, quase em seguida, num acidente fatal), a canção, do álbum “Sou do Rock”, de Xande McLeite, traz uma sonoridade rock revigorante e um refrão fodástico. A letra descreve a angústia do personagem Johnny Blaze, transformado no Motoqueiro Fantasma, e reconta a origem do super-herói. “Quando fiz a letra busquei exatamente esse sentimento, pois é o reflexo que ficou num cara que já era fã Motoqueiro Fantasma desde os tempos dos quadrinhos. E quando soube que iam fazer o filme resolvi fazer a minha homenagem ao meu herói.”, revela Xande McLeite.
Adoro todas as faixas do CD "Sou do Rock", mas essa canção é a que eu mais amo do Xande McLeite & Rockfriends, pelo seu diálogo com as histórias em quadrinhos (relembrando clássicas bandas de rock que também faziam essa intertextualidade, como Queen com “Flash Gordon”, etc) e o refrão fodástico (ai, ai, tô me repetindo rs, sou pentelho demais quando curto muito uma canção)! Já elogiei tanto a canção pro compositor que, numa vez em que nos apresentamos no mesmo evento do Identidade Cultural & Movimento Culturista, organizado pela mais que fodástica artistamiga Janaína da Cunha, o Xande McLeite resolveu fazer uma versão acústica da canção em minha homenagem.
Em tempo: Xande McLeite, acompanhado do instrumentista "garoto prodígio" Guilherme José, estará na primeira edição do Sarau Feira Moderna, organizado pelo Feira Moderna Zine! O evento acontecerá hoje, às 20h, no Metallica PUB, em São Gonçalo/RJ! A entrada é franca
Acompanhemos as aventuras do Motoqueiro Fantasma na fodástica letra de música de Xande McLeite, amigos leitores!

Motoqueiro Fantasma (Xande McLeite)

Todo dia quando o sol se pôe
Começa a minha maldição
Andar pela noite e fazer justiça
Com a corrente em minhas mãos

Durante o dia sou Johnny Blaze, o dublê
Nas duas rodas sou o astro
A noite sou uma entidade justiceira
Sob a pele de Zarathos

Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou......

Com minha moto envenenada
E minha cabeça flamejante
Todas as noites eu sou um errante
Minha pista é uma longa estrada
Que vai onde você vê
Porque o resto não vale mais nada
E pra você...

Buscando a salvação para um grande amigo
Me perdi num pacto com Mephisto
Mesmo salvo pelo amor da minha amada
Ele levou a metade da minha alma

Um novo dia mais um espetáculo
Vou fingindo que tudo é normal
Hoje eu tenho um novo salto
Com certeza vai ser muito legal

Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou não!!
Às vezes sou feliz ou...




quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto LXXVI

LXXVI

O problema de viver cem anos de solidão é sobreviver ao último dia de tão extensa fantasia. Como explicar à solidão, companheira de toda minha vida, que chegou o dia da nossa despedida?


Solidões Compartilhadas: Julia Graziela mostra que o Amor se suporta

Nesta sexta postagem da goleada de 7 publicações no mesmo dia, compartilho, pela primeira vez, minhas solidões poética com uma das mais geniais escritoralunas que tive, quando fiz a Oficina de Produção Textual “Novas Letras”, realizada nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Centro Educacional Roger Malhardes (CEROM), em Teresópolis/RJ, nos períodos de 2010 a 2011: a fodástica Julia Graziela Rodrigues da Silva.
Julia é uma daquelas poetalunas adultas que trazem uma genialidade natural; você incentiva-a, lhe aponta os caminhos líricos e ela acompanha suas ideias de uma forma única – a partir do caminho que você recomendo, ela estabelece seu próprio mapa, ou seja, cria e recria seu próprio estilo – se fosse um barco poético, ela seguiria o rumo dos outros barcos, mas, ao alcançar o porto (a ideia, a inspiração), com base no que vê, ela avançaria além daquele limite e voaria para um outro porto, imaginário e desenho por ela própria.
A crônica-poema (até o gênero textual escolhido pela autora é próprio, ou seja, dá um nó nas classificações tradicionais) que ela produziu e que destaco no blog hoje é um exemplo claro de sua genialidade: após a leitura da crônica “O amor acaba”, de Paulo Mendes Campos, pedi que os escritoralunos da EJA fizessem uma paráfrase, uma subversão da crônica lida – poderia ser “o amor continua, o amor começa, ou modificar os lugares onde ele acabava, etc. Pois bem, Julia, claramente cansada e com algum evidente aborrecimento trazido da rotina, dentre as opções que dei, ela escolheu o “etc” e transformou tudo que a aborrecia em uma obra-prima lírica, como vocês podem ler (e amar, com certeza, vocês irão amar a escrita dessa fodástica escritora, amigos leitores!) mais abaixo nessa postagem. Reparem que o verso / parágrafo final tem duplo sentido, expondo claramente a mensagem lírica que a autora quis passar.
Vejamos pelo olhar lírico de Julia Graziela o que o amor nosso de cada dia suporta, amigos leitores!
 

O amor se suporta

            O amor se suporta num domingo chato, depois do almoço.
            O amor se suporta num dia de insônia.
            O amor suporta cobras e lagartos.
            O amor suporta dias de tempestade.
            O amor suporta a falta de calor nos dias frios.
            O amor suporta coisas rotineiras.
            O amor suporta os “Bom Dia” amargurados.
            O amor suporta as agressões em palavras, duras.
            O amor suporta as poeiras que vão ficando nos cantos.
            O amor suporta os ciúmes inconsequentes.
            O amor suporta os carinhos forçados.
            O amor, na verdade, suporta dor.
Julia Graziela Rodrigues da Silva