domingo, 19 de maio de 2019

Solidões Compartilhadas: A Costureira do Infinito e As coisas invisíveis desse lugar de Rayssa Ribeiro

Rayssa Ribeiro atualmente

No domingo passado, foi Dia das Mães e, devido às minhas muitas idas e voltas por Valença x Teresópolis (incluindo uma desventurosa passagem do ‘especial’ e superatrasado ônibus da Viação Util Valença x Rio [o tal ‘especial’, marcado para as 16:30h, pasmem, saiu bem depois do 17h – pra ser mais exato, às 18:05h, o tradicional serviço privado {frisando bem no privado, tão cultuado pelos defensores do atual governo} desta viação de ônibus, que como tantas outras, não trazem o menor apreço e respeito com seus passageiros consumidores]), somadas às tarefas frenéticas diárias e a necessidade de procrastinações esporádica diante da rotina estafante, acabei dando mais uma vez um tempo do blog. Mas a postagem de hoje vai compensar toda espera, amigos leitores, pois hoje trago duas crônicas de uma das mais formidáveis cronistas que passaram pela Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ. Seu nome é Rayssa Ribeiro, e, nos tempos em que cursava o nono ano do ensino fundamental (pra ser mais exato, em 2014), ela se destacou por sua prosa fluida, com sensibilidade lírica tocante, emocionante.
Rayssa Ribeiro com a mãe Valéria Souza
A primeira crônica de Rayssa Ribeiro, que publico hoje no blog, foi intitulada “Costureira do Infinito” (o título e as poucas revisões gramaticais foram minhas pífias interferências neste maravilhoso texto, de lirismo único), datado de 15/07/2014, é uma poética homenagem da escritoramiga à sua mãe, Valéria Souza, captando, de forma divinamente poética, o dia a dia materno na profissão de costureira. Na época, tentei mandar a crônica dela para concursos literários juvenis nacionais e internacionais, mas, infelizmente, na época, não houve nenhuma opção de concurso de crônicas com tema livre na categoria da idade dela (há muitos concursos literários para a idade dela em verso, mas em prosa são raríssimos [quando aparecem, são regionais, específicos de uma cidade ou Estado do qual não fazemos parte]). A versão completamente revisada ficou guardada comigo, no formato original e também em arquivo doc por longo tempo perdido no caos de memória que é o meu notebook e, com a passagem do Dia das Mães  e proximidade da Festa da Família na escola, retornou às minhas lembranças.
Rayssa Ribeiro
nos tempos da escola
“Costureira do Infinito” merece ser lido por muitos leitores, assim como a crônica bônus seguinte, “As coisas invisíveis desse lugar”, também de Rayssa Ribeiro,  onde a genial cronista traz seu olhar lírico para tudo que ela via durante o trajeto da escola para casa. Na época, a crônica foi a selecionada da turma para disputar a seletiva para a Olimpíada de Língua Portuguesa de 2014, representou a escola, mas não foi a escolhida pelo júri no município, fato que não  invalida a exuberância lírica e genialidade do escrito da talentosa cronista.
Viajemos pelo incrível universo lírico de Rayssa Ribeiro, amigos leitores, e conheçamos a espetacular Costureira do Infinito e as líricas coisas invisíveis desse lugar!

Costureira do Infinito

                Cheguei em casa e comecei a observá-la. Lá estava ela no mesmo lugar, sentada, trabalhando em suas máquinas, costurando como todos os dias.
                Fiquei ali parada, observava cada movimento. Ela se deslocava para outras máquinas em apenas um segundo, trocava linhas e começava de novo o mesmo trajeto.
                No decorrer do dia, a campainha tocava mais de mil vezes, eram muitas pessoas diferentes com roupas diferentes trazendo mais trabalho para a costureira. E ela ali, parecia gostar de repetir todo aquele trajeto, nunca reclamava, apenas costurava.
                Ah, minha mãe, queria ter uma disposição assim como você para fazer algo que nunca tem fim!
Rayssa Ribeiro

As coisas invisíveis desse lugar

                Voltando da escola, comecei a reparar em tudo, tentando encontrar as coisas que ninguém vê no lugar onde moro. A pedido do professor, comecei a pensar o que eu poderia falar do lugar onde vivo.
                Quando cheguei em casa, me sentei e, com a janela aberta, fiquei observando a rua. Pessoas passando, cachorros latindo, portas se abrindo e se fechando, como acontece todos os dias, parecia até que eu estava me relembrando.
                Logo a frente, vejo uma barraca e, nela, um homem maqueta sentado, sempre na mesma posição, sem nada pra fazer, parece meio triste, meio sem rumo, sem destino.
                A rua é movimentada e possui um nome meio estranho. Morro Agudo é o nome dela e parece mais uma viela. Rua sem vida e sem criatividade.
                Com o tempo tudo passa e, como aquele homem manqueta, fico sempre aqui, sentada, pensando e esperando a rua evoluir, mas isso não acontece.
               Tentando encontrar as coisas invisíveis que o professor pediu, eu continuo sentada aqui a esperar...
Rayssa Ribeiro

Um comentário:

  1. Olá!

    É sempre tão bom revonar os ares dos olhos com as novidades do blog, e dessa vez os ventos sopraram infinitamente poéticos com as crônicas lidas, lindas. Costurar o infinito é unir polos, continentes, universos. É fazer a transformação de formas, cores, emoções. Amei! Costuro por aqui os meus sonhos aos sorrisos da lua, pra acordar infinita como a poeta-cronista.
    Beijos,

    Raquel Leal

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