domingo, 30 de julho de 2017

Para as Ruínas de Valença com Protesto e muito Amor: A Balada Arruinada de Carlos Brunno, Gabriel Carvalho, Dirce Assis e Ronaldo Brechane

Na foto de Dirce Assis, o registro do momento
em que estávamos no bar e que Ronaldo Brechane
encerrava o poema coletivo cujo tema, sugerido por mim,
foi Casarão em Ruínas no centro da cidade de Valença/RJ
Na noite de terça-feira, dia 25 de julho, em comemoração ao Dia do Escritor, aos 6 anos do blog e em pacífico protesto às ruínas tombadas do antigo Casarão das Artes no coração cinza do centro da cidade, os artistamigos do Sarau Solidões Coletivas se reuniram num bar próximo e, depois, realizou uma intervenção poética relâmpago “em cima da hora”, em frente ao Casarão das Artes em ruínas, na subida para a Catedral Nossa Senhora da Glória, no centro da cidade de Valença/RJ.
Durante o tempo em que ficamos ‘bebemorando’ no bar, a partir de uma ideia de Gabriel Carvalho e com tema sugerido por mim (as ruínas do Casarão das Artes), produzimos um poema coletivo na hora a quatro visões líricas, com colaborações de versos escritos por mim (formatados aqui no blog em cor vermelha), por Gabriel Carvalho (em cor azul), por Dirce Assis (em cor verde) e com versos de encerramento de Ronaldo Brechane (em cor preta). Hoje trago ao blog o resultado dessa produção poética, juntamente com registros em vídeo de fragmentos do Sarau, realizado pelo Canal do Youtube EcoCidade Digital, de Lucimauro Leite (em breve, em outra postagem e canal, sairá outro, com o sarau na íntegra, porém os vídeos produzidos pelo ativistartistamigo Leite já registram com eficiência a aura irônica-lírica-comemorativa da intervenção).
Boa leitura, amigos leitores! Sarau Solidões Coletivas, com muito Protesto e Amor, Omnia Vincit! Até breve e Arte Sempre!

Balada Arruinada
Para o Casarão das Artes, em ruínas, recentemente tombadas

As ruínas de teu corpo tombado
flerta com as lágrimas
que meus olhos não derramaram.
A enigmática presença
de teus muitos eus em chamas
me presenteia com um estranho sentimento
lascivo.
Transo com tuas trágicas trevas
e tuas chamas apagadas
afagam meu corpo.
Somos cinza
somos cinzas,
somamos cinzas
ao colorido que nunca foi,
ao colorido possível
que jaz natimorto nas tuas cinzas,
após o vermelho fogo
que a cidade cinza atirou em ti.
Essas ruínas me arruínam
- nem um gole de vinho?!?
Suave é a noite que me alivia,
oh, dor, oh, amor de um poeta louco
dos  sonhos dourados,
me perder no abraço que tudo faz
esquecer
e aquecer!
Me lembrei de um blues,
me lembrei de Dylan,
me lembrei de um ultrarromântico momento
em tua canção
que não se esquece.
Esqueci algo que não sabia,
lembrei algo que não existiu,
esqueci que não sabia escrever,
mas lembrei que eu podia, 
pelo menos, tentar
mais uma vez!...

Carlos Brunno, Gabriel Carvalho, Dirce Assis e Ronaldo Brechane


terça-feira, 25 de julho de 2017

Confissões de um leitor apaixonado: (Con)Vivendo com Livros

No dia 23 de julho o blog comemorou 6 anos de existência, insistência e resistência literária e, hoje, dia 25 de julho, comemoramos o Dia do Escritor. Em homenagem a essas duas datas, posto hoje uma crônica minha, já publicada em antologia do Grêmio Barramansense de Letras (Grebal), mas ainda inédita no sarau. Na crônica de hoje, conto um pouco da minha paixão por livros, minha trajetória como leitor.
Em tempo: hoje, às 20h, em comemoração ao Dia do Escritor e aos 6 anos do blog, o Sarau Solidões Coletivas fará uma intervenção poética relâmpago “em cima da hora”, em frente ao Casarão das Artes em ruína, na subida para a Catedral Nossa Senhora da Glória, no centro da cidade de Valença/RJ.
(Con)Vivamos sempre com Livros, amigos leitores, apaixonados seguidores da boa leitura, eternos companheiros dessa trajetória literária!

(Con)Vivendo com Livros

É infalível: quem me visita e constata a biblioteca caótica que tenho em casa acaba me perguntando como consigo viver no meio de tantos livros. Nessas horas, costumo dar um sorriso sem graça e balbuciar declarações quase sem sentido e completamente vagas: “ah, vou levando” (como se a pergunta fosse “como vai sua vida?”) ou “a gente vai convivendo” (como se a dúvida fosse “como está o seu casamento?”). Evito a resposta real, seria complicado explicar.
            Por muito tempo, me expressar foi um grande mistério: as palavras que dançavam livres em meus pensamentos, quando saíam de minha boca, alcançavam o mundo de maneira atropelada e atrapalhada, chegando aos ouvidos dos outros desfiguradas. Falar era um parto, um atirar-se cego em tenebrosa roseira; as palavras me doíam como espinhos e esse era meu grande desafio: domar meu medo delas, descobrir como chegar na rosa sem me machucar demais, dominar a linguagem.
            Apesar de tímido e pouco comunicativo, aprendi facilmente a ler. Certo dia, minha madrinha, que era professora numa escola particular de um município vizinho, propôs que eu fosse com ela para o trabalho. Como eu adorava passear, aceitei logo. Chegando lá, informaram que eu não poderia ficar na sala de aula (e nem queria, pois significava pôr à prova a minha [in]capacidade comunicativa), restando-me esperar minha madrinha na biblioteca da escola. E o que uma criança que já aprendeu a ler poderia fazer naquele espaço pra preencher o ócio e o tédio da espera?
Passei a namorar as inúmeras obras literárias da biblioteca. Primeiro folheava-as sem compromisso, depois fui lendo-as uma a uma. Com o tempo, percebi que o segredo de como domar as palavras, de como torná-las atraentes e fluentes, estava ali ao alcance dos olhos, na minha cara, debaixo do meu nariz, como eu não tinha percebido antes? Foi paixão à primeira leitura.
Devorei prateleiras inteiras daquela biblioteca e as palavras passaram a escorregar de meus lábios como espinhos macios; ainda balbuciava demais, mas agora as palavras saíam incontidas, desesperadoramente necessárias. Eu precisava expressá-las, libertá-las, declarar meu amor por elas. No princípio, era o medo. Através da leitura, conheci o Verbo, sua coragem e seu imenso amor.
            Mas a “operação traça” ainda me tornava inacessível ao bate-papo informal. Precisei adequar minha linguagem. E até nisso os livros me ajudaram! Apiedado por inúmeros personagens, de todos os tipos, aprendi com os livros a ler também as pessoas, perceber os traços e estilos de cada uma e respeitá-las, amá-las. Os livros me ensinaram a me esquecer do próprio umbigo pra viver as aventuras e desventuras dos outros. Hoje não sei mais se apenas convivo com os livros ou se vivo neles, com eles – a cada página que viro em meu caminho é um novo romance (em todos os sentidos), uma nova realidade (nunca sei se real ou fictícia), a minha vida ganha novas vidas e, nesta lida de lidas diárias, vou encontrando uma humanidade mais compreensiva e infinitamente melhor!


sábado, 15 de julho de 2017

Aprendendo a Recomeçar com Maria Emilia de Oliveira

Hoje é um dia superespecial, pois uma fodástica estrela lírica nasceu neste dia: a formidável poetaluna teresopolitana Maria Emilia de Oliveira!
Conheci a arte lírica de Maria Emilia quando ela estava no sétimo ano e me entregou um poema (ainda inédito aqui no blog) em homenagem ao filme/livro “Battle Royale” e, depois, fui altamente recomendado pelo mestre-professor-poetatletamigo medalha de ouro Genaldo Lial para prestar atenção nos escritos delas. Atualmente cursando o oitavo ano na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, Maria Emilia vem brilhando nos saraus da escola e mantém uma escrita lírica profunda e intensa.
Hoje posto um destes fodásticos poemas de Maria Emilia, o lírico-filosófico “Recomeçar”.
Comecemos e recomecemos, amigos leitores, com esse formidável poema de Maria Emilia!

Recomeçar

Para cada sofrimento
Uma ferida
Para cada vida
Uma partida

Para cada morte
Um choro
Para cada nascimento
Um sorriso

Para cada depressão
Um corte
Para cada amor
Um sorriso

Para cada abraço
Um alívio
E em cada final
Um recomeço
Pois a vida que se vai para uns
Começa para outros.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Microconto classificado de humor: De volta para o futuro 4, uma versão brasileira Carlos Brunno Produções Artísticas

Demorei pra retornar às postagens do blog, mas volto em alto estilo: hoje trago meu microconto de humor “De volta para o futuro 4”, recentemente classificado para publicação na coletânea do 7.º Concurso Microcontos de Humor de Piracicaba/SP 2017. O microconto é uma homenagem à fodástica trilogia “Back to the future”, clássico da década de 1980, no qual o jovem Marty McFly (Michael J. Fox) viajava para o passado e para o futuro no DeLorean DMC-12 modificado pelo Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) para tornar-se uma máquina do tempo. Escrito após assistir às principais notícias de um jornal, meu microconto brinca com a possibilidade “e se McFly viajasse para 2017, seu olhar dos anos 1980 acharia que ele realmente viajara pro futuro?”
Voltemos para o futuro no DeLorean DMC-12 de McFly, amigos leitores!

De volta para o futuro 4

  Malária, racismo, peculato. McFly retorna desolado:
  - Doutor, que fiasco: a máquina do futuro só viaja pro passado!