segunda-feira, 8 de maio de 2017

Voltando ao blog: O estranho que me vejo

Depois de chegar aos 38 anos ontem, em breve estar comemorando 23 anos de poesia (essa data nunca me recordo bem; foi mais ou menos no meio do ano de 1994 que descobri a poesia), sendo 20 destes 23 promovendo eventos culturais (esse tem data a ser comemorada: o primeiro evento que organizei foi no dia 13 de junho de 1997) e sabendo que o blog em breve comemora 6 anos de existência, resistência e insistência, não podia mais adiar meu retorno a esse espaço lírico-virtual de coletivas solidões poéticas compartilhadas. Por isso, hoje trago um miniconto inédito meu, bem intimista, pra retornar às postagens.
Espero que os amigos leitores gostem. Abraços do blogueiro-artistamigo, que, muitas vezes, desaparece virtualmente, mas sempre que pode (ou quando diminui sua crises virtuais existenciais) reaparece. Boa leitura e Arte Sempre!

O estranho que me vejo

Olho para o espelho mais uma vez e pergunto ao estranho que me vejo quem sou eu, mas ele nunca me responde – apenas repete meus trejeitos, reproduz mudo e ao mesmo tempo minha dúvida.
O estranho que me vejo no espelho tem o mesmo olhar desesperado, a mesma busca angustiada por respostas que não vêm, o mesmo desejo de criar um mundo novo e infinito em formatos limitados de papel (sim, o estranho que me vejo também carrega uma caneta de sonho e palavras inaudíveis que parecem gritar sem parar).
Abandono o espelho e o estranho que me vejo continua a me seguir por toda casa, por toda noite, por todo dia, por toda vida! Em rotineiro frenesi e viciado na luta diária com as palavras como eu, o estranho que me vejo senta comigo mais uma vez em frente ao velho notebook e, unidos pela insônia obscura, reproduzimos com o coração nos dedos novos gritos em silêncio na tela iluminada. 


Um comentário:

  1. Nossa,que loko...
    Depois dos trinta, fica dificil nos reconhecer,depois dos trinta agente meio que fica nos alimentando do passado,talvez por medo do que vira.Sei lá

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