sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

De Castro Alves a Slim, passando por Pessoa: O poema rap com título-rasura do jovem e talentoso Alexandre de Oliveira Bispo

Depois de um período de procrastinação (o blogueiro-escritor-poeta-professor-pateta que vos escreve adora passar o breve período inicial das férias escolares em modo preguiça total, chegando a ficar quase completamente offline pro real e pro virtual), o blog retorna com velhas novidades: professores-amigos, parceiros de profissão e do blog “Diários de Solidões Coletivas” têm atuado voluntariamente como “olheiros culturais”, como formidáveis “caça-talentos artísticos” e contribuído para enriquecer cada vez mais o marcador “Solidões Compartilhadas” deste blog com o destaque de jovens, talentosos e fodásticos poetalunos!
Recomendado pela incansável e superlírica professora-escritoramiga Flavia Vargens, hoje compartilho minhas solidões poéticas com o supertalentoso Alexandre de Oliveira Bispo, poetaluno carioca que, neste ano, cursou o primeiro ano do ensino médio na Escola Municipal Francisco Cabrita. Seu poema, cujo genial título é uma rasura (isso mesmo, amigos leitores, é uma rasura, um recurso poético neoconcreto refletindo um momento histórico borrado pela falta de humanidade e pelo desrespeito com o próximo: a escravidão), foi inspirado na poética de Castro Alves, mais que fodástico poeta romântico baiano, estudado nas aulas de Leitura e de Português realizadas na Escola Municipal Francisco Cabrita (foi trabalhada inclusive a versão musical de Caetano Veloso para o consagrado poema “Navio Negreiro” [que pode ser encontrado no álbum “Livro”, de 1997, de Caetano Veloso]).
O inspirado (e inspirador) poema de Alexandre de Oliveira chegou a se classificar no Concurso Maratona Escolar Castro Alves, realizado pela Academia Brasileira de Letras (yeah, o rapaz já começou merecidamente no topo!). A poética alexandrina oliveirana traz um estilo próprio, cheio de referências tradicionais a ultramodernas, mesclando o tom oratório de Castro Alves com Slim, caetaneando Pessoa com um inédito heterônimo rapper, e registra um grito-protesto-poético meticulosamente bem arranjado (e com um verso final arrasadoramente fodástico!).
Rasuremos as rasuras escabrosas de nossa história, não apagando-as, mas marcando-as com a poética memória, e reflitamos e protestemos juntos com o fodástico poema do talentoso Alexandre de Oliveira Bispo, amigos leitores!





Época de escravidão
Te apresento Tráfico Negreiro
Primeira vez que me emociono
Com um poema de um brasileiro...
... Depois de refletir, vou agradecer
Obrigado Castro e Princesa, por estarem na minha mente!
E ajudarem o negro a andar de relógio de pulso,
E não mais de corrente ...
Agora vou falar de minha mãe, que leva seus fardos nas costas
E sem deixar cair se torna uma guerreira!
Nunca trabalhou nas “Casas Bahia”
Olhe o seu estado civil: não é mulher solteira!
Mulher de pele escura,
Com esse rap busco fazer barulho... Arte, Cultura!
Dessa cor, tenho muito orgulho!
Poeta dos escravos: somos liberdade!
Poeta dos escravos: somos verdade!
“O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Mas que dor real...sem explicação...
A dor é verdadeira...É a ESCRAVIDÃO!
Inspiração de Pessoa, eu senti...
Também ouvindo um só rap, de um homem de nome Slim!
E hoje infelizmente digo:
A “ESCRAVIDÃO” não teve fim!


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Solidões Sertanejas Compartilhadas: O Sonho de Cleber e Cauan (e agora também do Luz, Câmera...Alcino!)

Dando uma breve olhada nos eventos de hoje, descobri que hoje está rolando um Karaokê Sertanejo no Beco Beer, pub famoso aqui de Teresópolis/RJ. Não, essa constatação nada tem a ver com ‘uma balada que eu queria muito ir’ (nada contra o gênero musical, apesar de não ser das minhas preferências, porém: 1) peguei o dia de hoje pra procrastinar, ficar de preguiça, não fazer nada; 2) o evento já começou e tá uma chuva sinistra lá fora; 3) prefiro uma balada mais rock, ou seja, a opção de amanhã [a fodástica banda Sabottage] segue mais minha tendência pro fim de semana). É que o evento de hoje no Beco Beer, pra ser mais exato a palavra “sertanejo” no nome do evento, me relembrou o último vídeo que produzi com o Luz, Câmera...Alcino 2017, um clipe musical para a canção “Sonho”, da dupla sertaneja Cleber e Cauan (há mais três vídeos após este, mas o que posto hoje foi o último feito com integrantes apenas deste ano – os três outros foram elaborados em parceria com os veteranos, remanescentes de grupos do Luz, Câmera...Alcino de anos anteriores).
Mesmo no corre-corre de fim de bimestre, com pouquíssimo tempo para novas gravações, o Luz, Câmera...Alcino! 2017 ainda teve fôlego para realizar mais um curta metragem do gênero Clipe Musical, desta vez inspirando-se no sucesso sertanejo "Sonho", da dupla Cleber e Cauan. Esse clipe marca as estreias de Laryssa Fernandes e de Carlos Emanuel como protagonistas em vídeos do Luz, Câmera...Alcino! (antes eles fizeram parte do esquete “Luz, Câmera... Alcino! apresenta: Mulher-Maravilha No Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate” e participaram, respectivamente, como entrevistada e câmera man do "VI Torneio Xeque-Mate - O superdocumentário"). O clipe também marca as estreias de Kaylanne Pimentel, Nathacha Corrêa, Shayane Silva, Liz Lainne e Tamara Pinheiro (as três últimas também fizeram parte dos mesmos projetos dos quais Carlos Emanuel e Laryssa Fernandes participaram).
Outra curiosidade interessante é que este é o primeiro vídeo do Luz, Câmera...Alcino! com locações no centro da cidade (filmamos uma cena no Cine Show, no Shopping Teresópolis, após assistirmos o filme "Liga da Justiça").
E não é só isso: a própria dupla Cleber e Cauan curtiu o twitter que apresentava vídeo do clipe da canção "Sonho" que o Luz, Câmera...Alcino! fez.

Ainda não assistiu, amigo leitor? Pois está postado logo abaixo... Bom Entretenimento e Arte Sempre!


Título: Luz, Câmera...Alcino apresenta "Sonho", de Cleber e Cauã
Gênero: Clipe/Drama Musical
Produção: Luz, Câmera...Alcino!
Origem/data: Teresópolis/RJ, Brasil, 2017.
Direção: Prof. Carlos Brunno
Roteiro: Autoria Coletiva
Atores:
Carlos Emanuel Fernandes (Ex-namorado/  Invasor de sonhos)
Laryssa Fernandes (Ex-namorada/Sonhadora)
Shayane Silva (amante)
Tamara Pinheiro (Amiga da ex-namorada/Parte do sonho)
Kaylanne Pimentel (Parte da multidão/Parte do sonho)
Lidiane Silva (Parte da multidão/Parte do sonho)
Liz Lainne Charles (Parte da multidão/Parte do sonho)
Nathacha Corrêa (Parte da multidão/Parte do sonho)
Isabela Corrêa (Parte da multidão)
Alessandro Rodrigues (Parte da multidão)
Thaynara Medeiros (Parte da multidão)
Cenário: Escola Municipal Alcino Francisco da Silva e arredores, Cine Show Teresópolis
Agradecimentos especiais a Genaldo da Silva Lial pelo empréstimo de colchões e colcha
Figurino: Artistalunos do Luz, Câmera...Alcino! e Prof. Carlos Brunno
Apoio: E.M.A.F.S.
"Sonhos" é uma canção da dupla Cleber e Cauan
Visitem o site da banda: http://www.cleberecauan.com.br/site/
O vídeo foi gravado numa tarde e noite nublada de 2017, nas regiões rural e urbana de Teresópolis/RJ.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A primavera sem flor na ausência de um poema, de Layza Silva (em verso e vídeo)

Qual escritor nunca sentiu aquela terrível fase de falta de inspiração, aquela impotência lírica na busca de algum escrito que está na ponta da língua, mas não sai de lá, fica preso em nós e, mesmo transbordando à nossa volta, em todo nosso ser, não conseguimos transportar pro papel? Nem os eus líricos do Mestre-Poeta-Maior Carlos Drummond escaparam desse momento dramático – o poema “Poesia” mostra essa extrema dicotomia: o poema (concreto) não sai, mas o momento transborda em poesia (abstrato). E qual escritor ousaria começar sua carreira lírica com um metapoema (um poema que fala sobre a própria poesia)? Sim, é preciso muito talento, criatividade e ousadia para isso e esses três elementos sobraram no primeiro(!) poema da jovem poetamiga teresopolitana (recém-ex-poetaluna do 9.º  C da Escola Municipal Alcino da região rural de Teresópolis/RJ, afinal acabara de concluir seu ensino fundamental neste fim de dezembro) Layza Silva.
Com aquele ar meio distraído, quase entediado e flertando com a preguiça, Layza Silva aparentava estar cansada pra quase tudo (os intervalos eram esperados ansiosamente), porém nada disso fez dela uma aluna ruim, jamais: mesmo fazendo-se de cansada, numa falsa sonolência, despreguiçava e fazia as atividades com esmero (claro que tinha uma pressãozinha básica para tirá-la da inércia, né rs), pedia socorro numa coisa ou outra, citava coisas que investigava pela internet ou com amigos, tirava dúvidas, participava das rodas de leitura, declamava poemas em sarau com personalidade. Havia criatividade, sagacidade e um lirismo transbordante nela – o abstrato estava lá, faltava realizar-se concreto. Layza sempre declarava que não era muito ligada em escrita (meus instintos de caça talentos recebiam a declaração com descrédito) e chegou até a confessar vontade em ser poeta, mas, não se sabe por quê, não conseguia escrever poemas (sorria com leve desespero e desânimo, seus olhos meio que brilhavam meio como se trouxesse uma estrela melancólica que tinha brilho, mas não sabia como brilhar). Aproveitei a confissão dela e lhe sugeri dois desafios: 1) largar a preguiça, concentrar-se em quebrar a própria declaração e, consequentemente, desistir de desistir de escrever; 2) diante disso, que usasse como ponto de partida sua própria confissão de fraqueza, ou seja, que escrevesse um poema sobre isso, sobre não ter inspiração, usando as figuras de linguagem e outros conteúdos que aprendeu neste ano. Então, finalmente, seu primeiro poema saiu, formidável, espetacularmente metapoético (só escritores maduros fazem poemas sobre o ato de escrever poema e Layza foi ousada: já fez seu primeiro poema explorando magnificamente o assunto!)!
Fiquei tão empolgado com o primeiro poema dela que pedi aos artistalunos do Luz, Câmera...Alcino que fizéssemos uma adaptação do mais que fodástico poema de Layza Silva, obra prima entregue sem título que batizei de "A primavera sem flor na ausência de um poema”. O poema tem toda a confissão de Layza sobre a dificuldade de inspirar-se, usando recursos que ela aprendera no ano letivo: estão lá as figuras de linguagem, a gloriosa luta pelo verso mais certeiro, até as orações subordinadas entraram nesse metapoema de meigo lirismo na medida exata e leve desesperado ferrenhamente bem trabalhado contra quaisquer dificuldades – é perceptível no poema ver a batalha poética do eu lírico em tentar vencer (e derrubar, paradoxalmente não derrubando) a dificuldade de encontrar inspiração.
A versão em vídeo do Luz, Câmera...Alcino!, posado logo abaixo do poema, é inspirado nesse mais que fodástico poema "A primavera sem flor na ausência de um poema", da poetaluna Layza Silva.  Na A introdução do curta inclui o poema "Poesia", de Carlos Drummond de Andrade (sim, tem tudo a ver com o poema de Layza Silva, e ouso dizer que a poeta faz páreo duro com o experiente e consagrado Mestre Poeta-Maior brasileiro). O vídeo também marca a estreia da poetaluna Thaynara Medeiros (que já teve um poema seu adaptado pelo Luz, Câmera...Alcino!, já postado no blog anteriormente, essa artista está em todas as áreas artísticas!) como atriz-aluna do Luz, Câmera...Alcino! É também a estreia de Byanca Lima nos curtas do grupo (antes ela interpretara a icônica Arlequina no esquete "Mulher-Maravilha No Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate", apresentado no Torneio Xeque Mate da Escola Alcino! deste ano, evento organizado pelo Mestre-Poetatleta Genaldo da Silva Lial). E atenção: Assistam ao vídeo até o fim, pois possui uma cena Pós-créditos encenada por Byanca Lima!
E, assim, apresento-lhes o mais que fodástico "A primavera sem flor na ausência de um poema", da poetaluna Layza Silva, em verso e vídeo – tenho certeza que ficarão tão fascinados quanto eu, amigos leitores! Bom Entretenimento, Boa Leitura e Arte Sempre!







A primavera sem flor na ausência de um poema

Não sei o que escrever,
As palavras não fluem.
Estou como uma pessoa muda
Que tudo vê e nada expressa.

É como um rio sem água,
Céu sem pássaros,
Primavera sem flor .
É tipo oração subordinada
dependente de uma oração principal inexistente.

Nada tem sentido...
Às vezes me pergunto
O que estou fazendo
E não tenho resposta.

Só queria entender por que é assim...
E, mais uma vez,
O silêncio domina
E não tenho resposta alguma

(Layza Silva – na época, poetaluna do 9.º C da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva)


Ficha técnica:
Título: Luz, Câmera...Alcino! apresenta:"A primavera sem flor na ausência de um poema", de Layza Silva
Gênero: Comédia Dramática Lírica
Produção: Luz, Câmera...Alcino!
Origem/data: Teresópolis/RJ, Brasil, 2017.
Inspirado em poema homônimo de Layza Silva
Direção: Prof. Carlos Brunno
Roteiro: Autoria Coletiva
Atores:
Byanca Lima  (poeta sem inspiração)
Livia de Jesus (Musa da Inspiração)
Thaynara Medeiros (Musa da inspiração)
Poema declamado por:
Livia de Jesus
Trilha sonora:
"Tick Tock", de Jimmy Fontanez & Media Right Productions
"Soul Search", de Silent Partner
Figurino:
Artistalunos do Luz, Câmera...Alcino! e Prof. Carlos Brunno
Cenário: Sala de aula do 9.º A na Escola Municipal Alcino
Francisco da Silva
Apoio: E.M.A.F.S.
Gravado em novembro de 2017 na região rural de Teresópolis/RJ.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas, de Fresno e do Luz, Câmera...Alcino! 2017

Hoje posto no blog mais um vídeo do hiperprodutivo e supercriativo Luz, Câmera...Alcino! 2017. Depois de um ano sem vídeo da série, o "Brasil Musical" retorna graças aos esforços do Luz, Câmera...Alcino! 2017. 
E, pra começar a quinta temporada, trazemos um som do Sul do Brasil, mais especificamente do Rio Grande do Sul: a canção"Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas", do álbum "Ciano" (2006), da banda Fresno, na época uma representante de destaque do rock/emocore no Brasil.
O roteiro das cenas é de autoria coletiva, dirigido por (Professor Carlos Brunno Silva Barbosa) e traz como protagonista a atriz-aluna Tatiane de Jesus (outrora personagem secundária na trama do esquete “Luz, Câmera... Alcino! apresenta: Mulher-Maravilha No Xadrez da Guerra e do Amor: A origem da Justiça e do Super Xeque Mate”, apresentado no VI Torneio Xeque Mate, organizado pelo Professor de Educação Física/Poetatleta Genaldo da Silva Lial). Outras novidades são as estreia da atriz-aluna Camille Chermouth, no Luz, Câmera...Alcino!, fazendo o papel de amante/pivô da separação do casal protagonista (o namorado vacilão é interpretado pelo experiente e brilhante Alessandro Marques) e de Poliana Reis, como uma das amigas da protagonista, e a primeira interpretação em vídeos de Lívia de Jesus  (ela já brilhara em diversos esquetes do grupo) como amiga da protagonista traída.

Essa turma do Luz, Câmera...Alcino 2017 marcou presença e brilhou intensamente nas artes cênicas (na verdade, os artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva deste ano honraram o título histórico de escola formadora de supertalentos artísticos – tanto que há solidões compartilhadas previstas para o blog para todo esse fim de ano e início do ano que vem).  Boa visualização e Arte Sempre, amigos leitores!


Ficha técnica:
Título: Luz, Câmera...Alcino! apresenta:"Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas", uma canção de Fresno.
Gênero: Clipe/Drama Musical
Produção: Luz, Câmera...Alcino!
Origem/data: Teresópolis/RJ, Brasil, 2017.
Direção: Prof. Carlos Brunno
Roteiro: Autoria Coletiva
Atores:
Tatiane de Jesus  (apaixonada, vítima da traição)
Alessandro Rodrigues (ex-namorado vacilão)
Camille Chermouth (amante)
Livia de Jesus (amiga da traída)
Poliana Reis (amiga da traída)
Isabela Corrêa (passante)
Samira Ferreira (passante)
Hevelyn Silva (passante)
Figurino: Artistalunos do Luz,  Câmera...Alcino!, Prof. Carlos Brunno e Prof. Marcelo (de Matemática do 8.º Ano - que gentilmente cedeu uma das capas de chuva).
Cenário: Escola Municipal Alcino Francisco da Silva e arredores.
Apoio: E.M.A.F.S.
Gravado num dia de chuva de novembro (november rain) de
novembro de 2017 na região rural de Teresópolis/RJ.
A canção "Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas", composta por Lucas Silveira, faz parte do terceiro álbum da banda Fresno, "Ciano" de 2006
Visite o site oficial da banda Fresno: http://www.fresnorock.com.br/

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Vencendo os medos e plantando flores belas com os eus líricos de Thaynara Medeiros

Ela não é de falar muito, mas é extremamente dedicada às atividades que se propõe e quando escreve... Uau!  Será tímida? Talvez... Observadora silenciosa do mundo à sua volta?  É quase certo. Uma brilhante escritoraluna? Com certeza! Ela não precisa berrar e/ou sinalizar aos quatro ventos para brilhar;  seus gritos silenciosos em versos ecoam nos olhos fascinados de quem a lê e caminham rumo às maiores constelações! Estou falando da superlírica, a mais que fodástica Thaynara Medeiros, de Teresópolis/RJ.
Quando comecei a lecionar na turma dela, neste ano, na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, não sabia muito bem o que esperar e o que buscar nela: quase não falava, mas fazia todas as tarefas sem muita dificuldade, tirava uma dúvida ou outra quando sentia necessidade, só se comunicava quando achava necessário e ainda aparentava um certo ar misto de blasé com tédio. Falhei feio nesta primeira interpretação; depois de um tempo, percebi que seu ar estava mais para observadora constante e secretamente atenta a tudo, aprendendo e apreendendo silenciosamente todo lirismo que rondava fora e dentro da sala. Thaynara já meio que se destacava nas notas e nas atividades, mas foi nas aulas de produção textual que vi seu maior potencial: seus textos transcendem os temas que ela se propõe a escrever, sua face ganha uma luminosidade única quando está em rigoroso e intenso processo de escrita lírica e ela sorri suavemente, num misto de satisfação e de segura insegurança com o texto concluído (comum nos grandes escritores que procuram a perfeição), quando encerra e me apresenta um novo e genial texto – como eu não tinha percebido logo de cara? Ali estava uma mais que fodástica escritoraluna!
E para que você, amigo leitor, também possa curtir a arte dessa iluminada escritoraluna, trago ao blog dois fodásticos poemas de Thaynara Medeiros: o primeiro (“Meus medos”) foi finalista na seletiva de poemas para representar Teresópolis/RJ no V Festival Intercolegial de Poesias (aquele certame literário, cujo poema escolhido foi o da também mais que fodástica Nathacha Felippe Corrêa, coincidentemente da mesma turma da qual Thaynara fazia parte) e ganhou uma versão em curta metragem do Luz, Câmera...Alcino!, dirigido por mim e interpretado por Alessandro Rofrigues, Isabela Corrêa, Samira Ferreira e Hevelyn Silva (posto-o logo abaixo, juntamente com o poema); o segundo (“Flor bela”), Thaynara se inspirou no pseudônimo que dei a ela na seletiva de poemas (batizei-a de Florbela, em homenagem à fodástica poeta portuguesa) e, mesmo desconhecendo poemas da escritora portuguesa homenageada, a talentosa poetaluna acabou fazendo intuitivamente um poema em tributo a uma flor bela, tão sublime e melancólico que também serve, numa leitura mais figurada, como homenagem à ilustre  Florbela Espanca. Esses dois fodásticos poemas de Thaynara Medeiros, iluminados de grande brilhantismo lírico, são só o início – Thaynara possui muitos outros fodásticos poemas, que serão compartilhados em outras postagens.
Boa leitura, amigos leitores e sigamos o exemplo da super poetaluna  Thaynara Medeiros: que vençamos nossos medos e plantemos sempre flores belas em nosso jardim.

Meus medos

Essa manhã acordei...
E venci mais alguns dos meus medos
Medo de viver e medo de morrer
Medo de te perder e medo de te esquecer

Medo do agora, medo daquela hora
Medo do novo, medo daquele nosso acordo
Medo da verdade e medo da maldade
Medo do escuro, medo de ver o futuro

Medos, por que me assombram?
Não sabem que eu não queria estar aqui
Nesse mundo cruel, onde todos são réus,
Onde até o fel ficou melhor que o mel.

O meu peito está ferido,
A minha voz parece que está embaixo de lençóis.
Precisamos de alguém que pense em nós!
Não podemos calar nossa voz...



Meus medos – O Curta Metragem
do Luz, Câmera...Alcino!


O Luz, Câmera...Alcino! continua ativo nas filmagens de curtas e, desta vez, aborda os medos numa interpretação lírica do fodástico poema "Meus Medos", da poetaluna Thaynara Medeiros, da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ.
Ficha Técnica:
Curta metragem: Meus Medos
Inspirado em poema homônimo de Thaynara Medeiros
Gênero: Drama Lírico
Origem: Teresópolis/RJ,  Brasil, 2017
Produção: Luz, Câmera...Alcino!
Direção, filmagem e edição: Professor Carlos Brunno
Roteiro: Autoria Coletiva
Cenário: Sala do 9.º A.
Figurino: Artistalunos ddo Luz, Câmera...Alcino! e Professor Carlos Brunno
Maquiagem:  Artistalunos do Luz, Câmera...Alcino!
(d)Efeitos Especiais: Professor Carlos Brunno
Atores/Declamadores:
Alessandro Conceição
Hevelyn Silva
Isabela Corrêa
Samira Ferreira
Trilha Sonora:
"Horror Music", de Audionautix (música de abertura)
licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/...)
Artista: http://audionautix.com/
"Italian Afternoon" de Twin Musicom (canção dos créditos)
licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/...)
Artista: http://www.twinmusicom.org/

Flor bela

Uma linda flor a desabrochar
Com sua dor a se destacar,
Cada propósito iluminar
E aos humanos inspirar.

Flor bela, onde tu estás?
De repente começou a murchar,
Foi ferida ou arrancada
Ou apenas ficou com suas pétalas amareladas...


sábado, 9 de dezembro de 2017

Hora do Terror Lírico: O Senhor Medo de Jackson Carvalho dos Santos em verso e vídeo!

É noite... é a hora em que o Senhor Medo te procura no quarto escuro e se alimenta dos teus pavores mais obscuros...


Hoje trago pela segunda vez ao blog o premiado poema “Senhor Medo”, do fodástico poetaluno Jackson Carvalho dos Santos. O emblemático poema motivou a volta do Luz, Câmera...Alcino! às filmagens de curtas. O curta aproveitou o poema para abordar o medo numa interpretação lírica e aterrorizadora – foi o primeiro curta de “Terror Lírico” do grupo teatral formado na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ.
Abaixo trago o poema inspirador  e o curta metragem que ele inspirou. Boa leitura, Arte Sempre e... encaremos o Senhor Medo, amigos leitores.

Senhor Medo – o premiado poema de Jackson Carvalho dos Santos

Senhor Medo

Meia-noite, tudo escuro, som de nada,
ele vem mais negro que o carvão,
mais frio que toda Antártida,
com seu rosto desfigurado,
suas mãos cortadas,
seus lábios secos,
seus olhos amedrontadores:
isso é o Medo,
aquele que chega quando você vai,
aquele que deita comigo quando você está ausente,
aquele que cuida de mim calmamente.

Apesar de ser ruim na aparência,
o seu interior é o de uma criança solitária,
querendo fazer amizade.
Mas como fazer amizade com alguém tão feio assim? Como?
Isso se chama Medo, Medo do Desconhecido.
Por ser tão desvalorizado,
se vinga apavorando e amedrontando crianças,
adolescentes, adultos e velhinhos,
isso tudo pela sua ignorância...
 Jackson Carvalho dos Santos – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)

Senhor Medo – O curta metragem de Terror Lírico



Ficha Técnica:
Curta metragem: Senhor Medo
Inspirado em poema homônimo de Jackson Santos
Gênero: Terror Lírico
Origem: Teresópolis/RJ,  Brasil, 2017
Produção: Luz, Câmera...Alcino!
Direção, filmagem e edição: Professor Carlos Brunno
Roteiro: Autoria Coletiva
Cenário: Sala do 9.º A. Colchões da Sala de Materiais de Educação Física (Professor Genaldo) e Cobertas e Lençóis de tecidos TNT da Sala de Materiais da Secretaria (Jaqueline Santos), Livros da Sala da Biblioteca do EMAFS (Emidiã Fernandes)
Figurino: Artistalunos do Luz, Câmera...Alcino! e Professor Carlos Brunno
Maquiagem:  Artistalunos do Luz, Câmera...Alcino! e Professor Carlos Brunno
Iluminação: Tamara Pinheiro
(d)Efeitos Especiais: Professor Carlos Brunno
Atores:
Karolayne Gomes (Vítima do Senhor Medo)
Maria Emilia Oliveira (Mãe da Vítima do Senhor Medo)
Alessandro Conceição (Senhor Medo)
Vozes/Leitura do Poema "Senhor Medo", de Jackson Santos: Karolayne Gomes e Isabela Corrêa
Trilha Sonora:
"Dreams Become Real" de Kevin MacLeod
"Hush" de Kevin MacLeod
"Heart of the Beast" de Kevin MacLeod
Dreams Become Real de Kevin MacLeod está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/...)
Origem: http://incompetech.com/music/royalty-...
Artista: http://incompetech.com/
Hush de Kevin MacLeod está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/...)
Origem: http://incompetech.com/music/royalty-...
Artista: http://incompetech.com/
Heart of the Beast de Kevin MacLeod está licenciada sob uma licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/...)
Origem: http://incompetech.com/music/royalty-...
Artista: http://incompetech.com/
Apoio: Escola Municipal Alcino Francisco da Silva
Essa é mais uma produção do Luz, Câmera...Alcino! 2017


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O que era amor e o que são saudades na prosa poética de Laura Evangelista

Hoje estreia nas solidões compartilhadas a genial escritoraluna teresopolitana Laura Evangelista.
Conheci Laura neste ano, quando lecionei Português para o 9.º C da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Confesso que, no início, estranhei seu jeito agitado e falante (não, não vamos tapar o sol com a peneira – não houve muita empatia à primeira vista), mas, após os choques iniciais, nas aulas em que havia produção textual principalmente, Laura demonstrou interesse pelas aulas e revelou trazer, dentro de si, uma estrela lírica única e especial: apaixonada pela arte de escrever, ela brilha, reina na escrita de emocionantes prosas poéticas. Muitos de seus escritos fascinaram o professor-poeta-blogueiro-pateta que vos escreve.
Hoje trago duas prosas poéticas dela, de momentos distintos: a primeira, escrita no 1.º bimestre, e a segunda, mais recentemente. A primeira traz leve inspiração em uma carta de amor com versões variadas e popular na internet (mas considero essa versão de Laura a mais lírica e definitiva, bastante superior às que a inspiraram), enquanto a segunda, com um estilo confessional escancarado e extremamente vibrante, fala sobre as saudades (pra quem não sabe, a palavra “saudade” é privilégio de quem possui como código a Língua Portuguesa – nenhuma outra língua traz uma palavra que dê nome a esse sentimento tão marcante em nossas vidas).
Vale a pena ler e reler as fodásticas prosas poéticas da jovem e talentosa Laura Evangelista, amigos leitores!
Em tempo: Laura Evangelista topou o desafio e declamará algumas de suas prosas poéticas, amanhã (dia 07/12) no início do turno da manhã, no último Sarau do ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Façam como a Laura, amigos artistalunos, ex-artistalunos e familiares, venham curtir, declamar e ouvir algumas das pérolas mais líricas da poesia ultrajovem alcinense!

O que era o amor

Uma vez, me perguntaram se eu sabia o que era amor e a primeira coisa que me veio a cabeça foi você, e que sim, eu sabia o que era amor, amor é o que eu sinto por você.
Amor é sentir a necessidade de estar junto, amor é compreender, amor é colocar a pessoa que você ama em suas orações, amor é querer estar junto, amor é colocar o problema da pessoa acima do seu, amor é quando seu coração bate forte com apenas uma mensagem, amor também é quando você tá junto da pessoa que ama, pode não estar fazendo nada, mas só dela está ali, você se sente completa. Amor é cuidar, é mimar, é saber valorizar.
E eu sabia que era amor, porque eu sentia tudo isso, com você.
Laura Evangelista


Saudades

Eu não sou capaz de expressar toda essa dor que estou sentindo, toda mágoa, e todo sentimento acumulado dentro de mim, que grita pra sair. Não sou capaz de expressar a falta que você me faz, a falta do que você era antes. Sinto falta dos seus abraços, das suas mensagens dizendo que me amava e pedindo, com toda sinceridade, para eu me cuidar, saudades das suas mensagens de bom dia, de boa tarde e até as de boa noite. Saudades de quando você me fazia sentir especial e de quando dizia que eu era muito importante pra você, e que não queria me perder nunca. Saudades dos seus olhos nos meus, das suas mãos na minha, das suas palavras  sussurradas e da sua pele na minha. Saudades dos seus toques suaves e da sua boca colada na minha. Saudades do que você era, de como você era. Mas o que me resta é isso: saudades. Odeio que, pra mim, você seja muito, enquanto, pra você, eu sou tão pouco! Então tudo o que resta em mim são saudades!

Laura Evangelista