sábado, 31 de dezembro de 2016

A última postagem de 2016: Carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura para George Michael



Olá, meu estranho querido famoso George Michael,


Andei meio longe de você nesses anos todos, meu querido mito esquecido, mas sua foto reapareceu na tela do computador em uma notícia de site que informava sua partida nesse ano cheio de mortalhas e abutres de 2016. Consultei várias páginas para conferir a veracidade da notícia, a princípio não acreditei neste presente mórbido de Natal, mas você partiu e, mais uma vez, parti por alguns minutos, num flashback de dançarinos cambaleantes que tentam passos felizes em vão (pés culpados não dançam, você já tinha avisado, e eu me sinto incapaz de seguir nesse ritmo trágico de 2016).

É estranho dizer isso, mas sua partida me machucou mais que as de outros grandes mitos como Bowie e Prince; pode parecer cafona ou profano dizer isso para aqueles que medem canções com réguas rígidas, mas já não me preocupo mais com opiniões alheias, os cabelos brancos crescem sem nenhuma vergonha em meu cabelo e eu preciso ser sincero, antes que eu me imploda em convenções de polidez social num ano 'tragicruel' que tanto nos fragilizou.

Você sempre foi um sexy simbol estranho, que flertava com a câmera, o sucesso e a polêmica; Margareth Thatcher, Tony Blair e George Bush recebiam caretas suas, enquanto damas alienadas de todos os sexos se ajoelhavam diante de sua beleza e de suas canções românticas; você foi o paradoxo único e máximo do popstar bonitinho que cuspia punkmente contra o sistema enquanto inicialmente nos ofertava músicas melosas e uma homossexualidade temporariamente enrustida. Em minha juventude arrogante, não o compreendi; eu era um idiota, George, com minha homofobia ignorante e minha pose de rebelde roqueiro sem causa que muitas vezes confundia preconceito com atitude. Suas hesitações em se revelar e minhas excitações com o machismo imbecil nos afastaram e, por muito tempo, eu o envergonhei, me afastei de você, me esqueci do herói que você figurou na minha infância.

Quando criança, fomos tão distantes e, ao mesmo tempo, tão íntimos, George, você era um adulto de rosto jovial e eu, um moleque, uma criança liricamente adulterada pelas suas primeiras canções de sucesso. Nas viagens de férias para Guarapari ou para Angra dos Reis, meu tio João Gomes embalava nossas jornadas on the road com as canções "Careless Whisper", "Father Figure" e "One More Try" (essa a minha preferida) gravadas do programa "Good Times" da Rádio 98 em saudosas fitas K7 - as canções rolavam em ritmos sensuais e ao mesmo tempo melancólicos enquanto o radialista, com aquele vozeirão característico, fazia a tradução imediata de cada verso e era tão cafona e tão lindo ouvir as músicas assim e agora elas sempre se repetem dessa forma em minhas lembranças como lágrimas tristes que escorrem felizes e pueris no rosto enrugado. E, nossa!, isso é tão "One More Try" e tão difícil e tão bonito e tão alegremente infeliz de se lembrar. Naquelas viagens de carro com meu tio João Gomes, ele, professor 24 horas sem diploma de magistério, aproveitava para me ensinar interpretação de textos, eu, um pirralho, tendo a chance de me comunicar, opinar, responder-lhe perguntas complexas como: "Afinal, Brunno, quem é essa 'professora' que aparece na canção "One More Try" do George Michael?"; "Conta aí, garoto, o que ele quis dizer com "Pés culpados não dançam" na "Careless Whisper"?" e foi assim que eu descobri, aos oito, nove, dez, onze, doze anos, que eu amava interpretar, eu amava as metáforas, metonímias e eufemismos de suas canções, George Michael, e eu devo isso a você e ao meu tio João Gomes, intermediador de nossa história de Amor (sim, Amor maiúsculo, platônico, infinito e sem pecado). E agora é fim de 2016 e meu tio anda bastante doente, lutando contra um câncer incansável, guerreiro enfraquecido, mas ainda João Gomes, ainda guerreiro com uma dor insuperável que também dói em mim, mesmo quando tento fingir que ela não nos machuca tanto assim, e agora é fim de 2016 e você não é mais um adulto com ar jovial e eu não sou nenhum menino encantado com minhas primeiras interpretações textuais e você nem aqui está mais para eu lhe pedir perdão por ter me afastado tanto tempo de suas canções, do meu eu menino (a porra dos pés culpados continuam impedindo minha dança, um "Careless Whisper" interminável com aquele sax sexy que transa com eternos flashbacks e não me deixa esquecer você e que você foi embora e é mais outra droga de dor bonita nesta droga de ano que parece o demônio que chora dos olhos do corvo de Edgar Allan Poe na tradução de Fernando Pessoa), e agora é fim de 2016 e o verso "Goodbye" se repetindo na canção "One More Try" porque neste último dia desse maldito ano ouço a canção repetidamente enquanto escrevo essa carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura enquanto o Ozzy, o cachorro labra-latas de minha namorada, meu amigão, às vezes se tranca no banheiro por causa dos canalhas fogueteiros que ainda comemoram ano novo com estardalhaços que incomodam os cães e às vezes paro de escrever para vê-lo e deixo "One More Try" tocar e ficamos ali no banheiro, a canção melancólica ferida por fogos de artifícios comemorando uma porcaria de fim de ano cheio de crises, canalhice, abutres políticos e tragédias que não trazem porra nenhuma pra comemorar ainda mais com barulhos que incomodam os animais mais sensíveis que os parasitas seres humanos e tanta dor e tanta morte desfilando com champanhes parcelados no 2016 que não acaba, cujo fim é comemorado por uma cambada de gente que não liga e é melhor eu encerrar essa carta, George, pois meus dedos já tremem de raiva por essa explicável, mas descontrolada dor que me faz encerrar as postagens dessa porcaria de 2016 com uma carta-elegia-não-sei-o-quê-não-sei-por-quê-de-tanto-desespero-loucura que eu jamais pensei escrever. Que venha 2017, que essa porcaria de 2016 finalmente se acabe, infelizmente cheia de infelizmentes, sem você, que venha 2017, "maybe just one more try", talvez somente mais uma tentativa, né, George, é melhor encerrar assim, com alguma esperança perdida, como você encerrou "One More Try", mesmo dizendo antes "Goodbye", talvez somente mais uma tentativa, mesmo depois do adeus.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Os poemas dos 9 poetalunos premiados no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP

Aconteceu na segunda-feira, dia 12 de dezembro, às 16h, no auditório da FALB/FALARJ, situado na Rua Teixeira de Freitas, nº. 5/ 3º andar esquina com a Rua Augusto Severo, na Lapa, Rio de Janeiro/RJ, a Cerimônia de Premiação do XXVIII Concurso de Poesia da ALAP, no qual 9 artistalunos meus da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, brilharam: Menção Especial para Andressa da Silva Oliveira, do 9.º A , Jaqueline de Carvalho Nunes, do 9.º A, e Raquel Arruda Branco, do 9.º A, Medalha de Bronze para Flaviane Tavares Gonçalves, da Aceleração V, Paulo André Ramos Almeida, da Aceleração V, Jackson Carvalho dos Santos, da Aceleração V, e Paula Costa Felippe, do 9.º A, Medalha de Prata para Vitória de Souza Andrade de Jesus, do 9.º B, e Medalha de Ouro para Taís Corrêa Moura, do 9.º A.
Hoje tenho a felicidade de postar no blog esses 9 poemas mais-que-fodásticos premiados. Boa leitura e Arte Sempre, amigos leitores!

A elite

Vamos marchar de salto alto,
disparar sorrisos,
derrubar o machismo,
estraçalhar sua falta de opinião,
e, por fim,
encantadoramente,
conquistar corações.
 Andressa da Silva Oliveira – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)

Amizade

Na amizade
não existe falsidade.
Tem que dizer só
a verdade.

Ter amigo nas horas difíceis
é tão bom
que a gente chama
até de irmão.

A amizade não tem preço,
mas tem o começo
de avaliar como ela é.

Por isso todas as pessoas
que tem amigos, valorizem
para evitar que estes virem
seus próprios inimigos!
Jaqueline de Carvalho Nunes – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Sentir-se infinito

Sentir-se infinito como o céu,
Como as alturas dos arranha-céus,
Como uma gota em meio ao oceano
E ver que tudo passa
Como as estações do ano.

Uma vida que não é eterna,
Mas com o sentido infinito
Que todo mundo espera
Sentir-se em paz no meio das guerras.
Raquel Arruda Branco – 9.º A – Menção Especial no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Simplesmente

Quando o sol se pôr,
Simplesmente me abrace.

Quando o sol despertar,
Simplesmente não se afaste.

Quando eu me odiar,
Simplesmente me ame.

E quando eu esquecer quem eu sou,
Simplesmente me lembre.
 Flaviane Tavares Gonçalves – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Suavemente

Hoje simplesmente eu acordei cedo
Com muito frio
E te vi passando lentamente
Depois suavemente o sol apareceu
Disposto a esquentar
E, mesmo com aquele frio,
O sol nos esquentou suavemente.
 Paulo André Ramos Almeida – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Senhor Medo

Meia-noite, tudo escuro, som de nada,
ele vem mais negro que o carvão,
mais frio que toda Antártida,
com seu rosto desfigurado,
suas mãos cortadas,
seus lábios secos,
seus olhos amedrontadores:
isso é o Medo,
aquele que chega quando você vai,
aquele que deita comigo quando você está ausente,
aquele que cuida de mim calmamente.

Apesar de ser ruim na aparência,
o seu interior é o de uma criança solitária,
querendo fazer amizade.
Mas como fazer amizade com alguém tão feio assim? Como?
Isso se chama Medo, Medo do Desconhecido.
Por ser tão desvalorizado,
se vinga apavorando e amedrontando crianças,
adolescentes, adultos e velhinhos,
isso tudo pela sua ignorância...
 Jackson Carvalho dos Santos – Aceleração V – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



O amor II

O amor nasceu,
Me envolveu,
Me surpreendeu,
Preenchendo meus dias com felicidade,
Me aconselhando,
Me completando,
Meus melhores momentos são com você!
Nossas horas voam,
Porque em seus braços eu me sinto segura,
Seja conversando, brincando, sorrindo,
Ou dizendo bobagens,
O nosso amor nos preenche, nos basta,
Mesmo que distante, ainda estou com você!
 Paula Costa Felippe – 9.º A – Medalha de Bronze no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Medo

Eu tinha medo de lhe perguntar
se você gostava de mim,
medo de que você dissesse que não,
medo de pensar que tudo
que aconteceu foi em vão.

Medo de pensar que o tempo
que eu tirei pra você
foi perdido,
que nada mais tivesse sentido,
que tudo fosse esquecido.

Mas você me beijou
e o vazio que eu tinha
dentro do peito
se preencheu,
o medo desapareceu
e a chama reacendeu!
 Vitória de Souza Andrade de Jesus – 9.º B – Medalha de Prata no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)



Saudade

Hoje pela manhã
senti uma enorme saudade
saudade que penetra no coração
e enche minha alma de emoção.

Saudade de um sorriso doce
que ficou na memória,
saudade de uma carícia,
feita por mãos já cansadas.
Saudade de um olhar alegre e cativante
que não esqueço a nenhum instante.

É doloroso imaginar
que não irei mais ouvir
sua voz suave
que sempre me acalmava.

Tudo o que resta agora
são lembranças.
Lembranças que partem meu coração,
lembranças de um tempo feliz,
lembranças que me fazem chorar.

Só o que me restou
foi olhar para sua casinha vazia
que ninguém ocupou
e sentir saudades
de quem um dia
a morte levou.
 Taís Corrêa Moura – 9.º A – Medalha de Ouro no XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Categoria Juvenil)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Sobre a felicidade suprema e insustentável das vitórias amargas

Cena do filme "Vitória Amarga", de 1939
(só pra ilustrar)
Dia 12 de dezembro de 2016: um dia muito especial. Depois de muitas agruras no difícil ano de 2016 finalmente um momento de alívio: 9 poetalunos das minhas turmas na Escola Municipal da zona rural de Teresópolis/RJ foram classificados na Categoria Juvenil do XXVIII Concurso de Poesia da ALAP (Menção Especial para Andressa da Silva Oliveira, do 9.º A , Jaqueline de Carvalho Nunes, do 9.º A, e Raquel Arruda Branco, do 9.º A, Medalha de Bronze para Flaviane Tavares Gonçalves, da Aceleração V, Paulo André Ramos Almeida, da Aceleração V,  Jackson Carvalho dos Santos, da Aceleração V, e Paula Costa Felippe, do 9.º A, Medalha de Prata para Vitória de Souza Andrade de Jesus, do 9.º B, e Medalha de Ouro para  Taís Corrêa Moura, do 9.º A) e a Cerimônia de premiação foi na tarde de hoje, dia 12 de dezembro, um dia perigosamente especial... Afinal, um ano difícil mantém seus espinhos: apesar de vitoriosos, os alunos não puderam ir à cerimônia de premiação e chego ao Rio de Janeiro, sozinho e meio chateado com a ausência deles (os premiados são eles, a cerimônia era pra eles, e, pelo segundo ano consecutivo, a culminância do projeto [eles virem receber a premiação] falhou), de qualquer forma, tento manter a cabeça erguida, preciso representá-los.
Desço próximo aos Arcos da Lapa (como tenho pouca noção dos pontos de parada do ônibus circular, escolho um ponto turístico próximo ao auditório da FALB/FALARJ, situado na Rua Teixeira de Freitas, nº. 5/ 3º andar esquina com a Rua Augusto Severo, na Lapa). Como parei bem antes, acabo passando pela rua na qual o transporte escolar ficaria estacionado se tivéssemos conseguida uma van ou Kombi da Prefeitura para nos trazer (segundo a mensagem da diretora da minha escola, enviada pelo whatsapp no domingo de manhã [ela afirmara ter ficado sem internet nos dias anteriores, mas a desculpa soa meio evasiva, pois havia mensagens dela no grupo da escola no sábado de manhã...], a Secretaria Municipal de Educação de Teresópolis/RJ alegou não ter disponibilidade de transporte, apesar da supostamente afirmada insistência da direção. Ao menos a diretora permite que eu vá direto para a cerimônia de premiação e, apesar de em cima da hora, a mensagem chegara a tempo de me poupar duas passagens que seriam gastas a mais, se eu tivesse ido à escola pra ter de voltar ao Rio.Ironia do momento: na tal rua na qual o transporte escolar ficaria estacionado se tivéssemos conseguido uma van ou Kombi, há um espaço vago do tamanho de uma van ou Kombi... Paro por um momento, talvez por alguma ilusão, mas nenhum transporte aparecerá, nenhum aluno participará da cerimônia de premiação mais uma vez... Está um calor danado e os  ares cariocas sempre impõem uma rotina frenética: acordo de minha pose estática e sigo em frente – não é momento de delírios piegas e cafonas, professor, siga em frente, o sinal está verde e, se ficar parado, vai acabar ficando atrasado.
Conto as notas da carteira para ver se, antes de chegar ao prédio, posso comprar um refrigerante – é um momento vergonhoso, mas, como o meu salário permanece atrasado e com prazo indeterminado para recebê-lo, estou fazendo a viagem meio que da forma mais econômica possível. Lido com literatura e educação e financeiramente (e ainda pior na crise atual) isso é uma merda mendiga (me desculpem o termo, mas nenhum denominaria melhor a situação econômica precária). Após o refrigerante, respiro fundo (ah, os alunos não vieram... para de pensar, siga em frente, professor, siga em frente...), entro no prédio e me direciono ao auditório da FALB/FALARJ. Respondo a uns 3 acadêmicos diferentes da ALAP, conhecidos dos anos anteriores, a mesma ladainha: infelizmente, por uma série de motivos, os alunos não puderam vir - impossível conter o tom derrotado na voz. Digo que vou ao banheiro, mas é só pra ganhar tempo e respirar fundo outra vez.
Sento-me em uma das cadeiras do auditório e tento me distrair com os artistas que vão chegando. Evito olhar para as cadeiras vazias, mas o “ah, os alunos não puderam vir receber o prêmio” parece um mantra amaldiçoado na minha cabeça. Graças a Deus, a cerimônia de premiação não demora muito para começar e ouvir os trovadores declamando suas trovas premiadas finalmente me distrai.
Então chega a Categoria Juvenil do Concurso de Poesias – aproximadamente 75 por cento dos premiados nessa categoria são meus alunos e, quando os acadêmicos citam o nome do primeiro, a partir daí me levanto pra receber o prêmio como representante deles, declamar o poema e me posicionar pra foto e, como a maioria dos próximos nomes serão de artistalunos meus, me mantenho de pé (ah, esse era o momento da Andressa, ah, esse era o momento da Jaqueline, e assim vai amarga e vitoriosamente). Declamo os poemas como posso, saem mais emocionados do que deveriam sair, a cada três que declamo, acabo sempre deixando escapar que “lamento, fico feliz, mas a vitória é meio amarga, sabe, os artistalunos que deveriam estar aqui curtindo o momento”, quero parar de fazer isso, me conter, declamar mais calmamente (você não é mais um adolescente pra se deixar levar pelas emoções, professor, siga em frente... ah, adolescente, eles deveriam ter vindo comigo, putz... a cabeça reclama enquanto declamo), os aplausos a cada poema, não me repito, mas a cabeça lateja: os artistalunos é que deveriam estar aqui, muito mais que eu...
Após receber as 3 menções especiais, as 4 medalhas de bronze, a medalha de prata e a medalha de ouro de meus artistalunos, juntamente com os seus respectivos diplomas, volto a me sentar; outros artistas premiados nas demais categorias me parabenizam pelo excelente trabalho, sorrio, mas a cabeça pesa sobre os prêmios: os alunos premiados podiam estar aqui... Trato de organizar e guardar a premiação e volto a tentar me distrair, ouvindo os fodásticos poemas dos poetas premiados na Categoria Adulto (os dos seus artistalunos também são fodásticos, professor, eles deveriam ter vindo, a cabeça insiste na lamúria, mas deixo-a sussurrando num canto, enquanto ouço as declamações dos demais premiados).

No fim da premiação, inicia-se um tradicional coquetel, os vários e célebres artistas premiados vêm falar comigo: solidarizam-se, dão-me livros para entregar aos premiados, elogiam os poemas de meus artistalunos, bolam estratégias e alternativas para que os artistalunos premiados no próximo concurso possam estar ali recebendo o prêmio no ano que vem, ajudam a aliviar e tornar menos amarga essa sensação vitoriosa de consagração sem os donos da consagração. Quando saio, o tempo é chuvoso e assim permanecerá, uma vitória imensa e melancólica permanece em meu semblante, a bolsa que carrego tem o peso bom da consagração mais-que-fodástica dos meus artistalunos que não puderam vir comigo. Agora escrevo essa crônica-desabafo no blog; penso em também postar o vídeo que mostra eu declamando alguns dos poemas premiados, penso em também postar os poemas premiados de uma vez, mas deixa pra amanhã; por hoje é só, pessoal, hoje continua chovendo apesar dos sorrisos sinceros de algum sol que tento manter na atmosfera soturna. Amanhã começo a bolar estratégias para que todos os artistalunos premiados recebam urgentemente suas devidas e super-merecidas premiações, agora vou dormir, parabéns a todos, somos vitoriosos até nesse universo que nos despreza, siga em frente, professor, ai, minha cabeça, siga em frente, mas primeiro descanse... 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Nada Temperado com Orégano no Sarau da Academia Voltarredondense de Letras

Teatro Gacemss II, Vila Santa Cecilia, Volta Redonda/RJ, 18 de novembro de 2016 - A convite da maravilhosa divartistamiga Aline Reis, tive o privilégio de lançar meu nono livro "O nada Temperado Com Orégano (Receitas Poéticas para um País sem Poesia e com Crise na Receita)" durante o Sarau da Academia Volta-redondense de Letras. Além ser uma honra estar pela primeira vez no Sarau realizado por essa importante instituição cultural voltarredondense e finalmente apresentando meu novo livro-filho na querida Cidade do Aço, o momento foi ainda mais especial pois pude declamar em parceira com a mais-que-fodástica divartistamiga Elisa Carvalho. Foi um momento inesquecível e para sempre gravado em minha trajetória poética. Agradecimentos especiais ao artistamigo Dio Costa, do grupo lírico-musical Circunlókios e autor do mais-que-fodástico livro de poemas "Sarcáustico", que filmou esse marcante momento.

Se você curtiu os poemas do livro "O nada Temperado Com Orégano (Receitas Poéticas para um País sem Poesia e com Crise na Receita)", dê uma força para ele entrar na Grande Final do Prêmio Olho Vivo 2016, votando no seguinte link (recomendo também o formidável livro "Sarcáustico", do fodástico poetamigo Dio Costa, que também concorre nessa categoria): http://www.olhovivoca.com.br/enquetes/148/livro-em-qual-voce-vota-para-receber-o-premio-olho-vivo-2016/

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Quando uma tragédia une 3 poetas: Força, Chape, de Alessandro Moura, Matheus Quintieri e Emerson dos Santos

Quando me propus a fazer um blog cujo título possui como primeira palavra “Diários”, sempre busquei trazer aqui os relatos líricos e experiências dos meus eus líricos e dos eus líricos de outros artistamigos diante da realidade cotidiana, o poético viver o tempo “quando” de Vinicius de Moraes diante de um dia a dia estranho e que sempre parece nos negar o viver poético. Com a triste notícia da trágica morto de grande parte do elenco dos aguerridos jogadores da vitoriosa Chapecoense, o blog respeitou minutos de silêncio e luto, mas jamais deixaria de registrar esse dramático momento, afinal a morte de todo ser humano é sentida por todos nós, afeta o nosso cotidiano, pois pertencemos à mesma humanidade – a sensação de desconhecidas ausências se torna nossa conhecida quando nos deparamos com tragédia como essa.
Nesta foto, Alessandro Moura (à frente)
e Matheus Quintieri.
Na foto abaixo, Emerson dos Santos
Hoje o blog traz um poema escrito a três em homenagem ao fodástico time da Chapecoense – a simples, bela e singela elegia partiu do poetamigo Alessandro Moura, ex-poetaluno da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ, que visitou sua ex-escola para participar do tradicional Sarau Professora Rosa Amélia, que realizamos todos os anos, reunindo artistalunos e ex-artistalunos. Inspirado pelo momento do sarau, Alessandro Moura aproveitou um intervalo, juntou-se com Emerson Santos e Matheus Quintieri e, unidos, eles construíram o belo, solidário e singelo poema abaixo, em homenagem a Chapecoense (eles também declamaram a especial elegia no Sarau, logo após o fim do intervalo – em breve, sairá o vídeo registrando esse e outros momentos mais-que-fodásticos do Sarau Professora Rosa Amélia deste ano).
Que os três poetamigos e poetalunos jamais abandonem esse fodástico lirismo que tanto ilumina o nosso cotidiano, que a Chapecoense, novo time de coração de todo brasileiro, siga sua trajetória internacionalmente vitoriosa e que jamais percamos, amigos leitores, essa poética capacidade de nos envolvermos com os outros seres humanos e compartilharmos dentro e fora de nós as alegrias e amarguras de toda humanidade.

Chapecoense, apenas um time?
Não, uma família
Não tinha só atletas, mas sim irmãos,
Uma família de sonhadores
Que tragicamente se foram.
Não só se foram
Nos deixaram uma lição:
Futebol não é só briga e confusão,
Mas sim amor e compaixão,
Unindo todos em uma só nação!

#força_chape

domingo, 4 de dezembro de 2016

Seis vezes Douglas Marques Lopes é igual a uma imensidão de poesia!

Ele é um daqueles jovens talentos que passam pela sala de aula transbordando poesia, impossível não reparar na sua arte lírica, trabalhada e esmerada como diamante a cada novo verso, a cada novo sonho, a cada novo poema; já apareceu aqui no blog em diversas postagens (uma solo, com alguns de seus primeiros poemas – eis o link: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2015/08/solidoes-compartilhadas-os-amores.html - e outras tantas vezes, ora como autor de homenagem lírica às mulheres, no Sarau Pocket do Alcino, ora como coautor de fodásticos poemas vorazes nas postagens do Clube do Livro Alcino Voraz); participa intensamente de projetos lírico-pedagógicos extracurriculares (está em todas: Clube do Livro Alcino Voraz, Luz, Câmera...Alcino! 2016, etc, etc), em resumo, quando falamos de espetaculares artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ, temos que citá-lo, porque ele é o cara! Seu nome é Douglas Marques Lopes e, como recebi a confiança do fodástico escritoraluno citado para ler, analisar e digitar seus poemas, hoje tenho o privilégio de, mais uma vez, compartilhar alguns de seus mais-que-fodásticos textos.
Hoje trago 6 poemas de Douglas Marques Lopes: o romântico “Te esquecer”, o rebelde “Foda-se” (que ele fez em homenagem ao meu oitavo livro “Foda-se! E Outras Palavras Poéticas...”), a elegia naturalmente melancólica “Céu nublado”, o soturno “À Noite”, o paradoxal e interrogativo “Poema estranho” e o metapoema (poema que fala da própria arte poética) “Poesia”  – essa breve antologia mostra o imenso e rico universo lírico que o jovem, talentoso e fodástico poetamigo traz dentro de si.
Em tempo: Assim como a genial poetaluna Cassiane Silva, o mais-que-fodástico Douglas Marques Lopes também já confirmou presença no Sarau Professora Rosa Amélia 2016, que acontecerá na manhã da próxima segunda-feira, dia 05 de dezembro, na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, e garantiu que interpretará e cederá alguns poemas de sua autoria para iluminar o evento com sua brilhante poesia.
Boa leitura, amigos leitores! Arte Sempre!

Te esquecer

Te esquecer nunca foi fácil,
Te amar não foi difícil,
Me paixonar não foi difícil,
Por que me fazer sofrer foi tão fácil?
Se te amar foi tão fácil,
Por que é tão difícil te esquecer?

Por que, por quê?
Por que seria tão difícil,
Difícil a ponto de me deixar
Louco, sem rumo, sem esperança,
Por que a minha vida vai ser só tentar
Te esquecer e não chorar...



Foda-se

Foda-se, se ele não te ama,
Foda-se, se ele não te quer,
Foda-se, se ele pensa em outra,
Foda-se, se ele não chora quando você
Foi-se embora.

Foda-se, foda-se isso,
Foda-se se o amor acabou
E com ele foi a minha vontade de viver
Foda-se, foda-se isso tudo.



Céu nublado

Com o céu nublado, pintado de cinza,
Eu vejo lágrimas caindo do seu rosto
Imóvel sem dar nenhum tipo de reação.

Com o céu nublado, pintado de cinza,
Você já estava ali, branco, totalmente pálido,
Pálido como uma vela.
Mas me diga: como está?
O que você está a fazer e a pensar?

Por que, por que isso aconteceu com você?
Por que você se foi assim?
Tão rápido quanto um piloto veloz...




A Noite

A noite chega e você não está aqui,
A noite vai e você ainda não voltou,
A noite vira escuridão profunda
Sem você para iluminá-la
A noite vem e você ainda não chegou

A noite chega e vai!
A noite já chega e você ainda não voltou
A noite é um breu, uma escuridão sem você...



Poema estranho

Por que o seu amor me sufoca,
Por que sua amizade me mata,
Por que seu carinho me enterra,
Por que sua tristeza me renasce,
Por que seu choro me dá vida?

Por quê? Por quê?
Por que seu suspiro me dá calafrios,
Por que seu beijo me dá febre,
Por que sua mão ao me tocar me dá tontura?

Por quê? Por quê?
Por que isso acontece?
Por que é assim mesmo
Por que ao sentir você eu passo mal
Por que é assim mesmo assim que a vida passa?



Poesia

Poesia não é só um texto em blocos.
Poesia é a forma de mostrar o que o autor quer falar.
É também a alma do escritor
e a paixão dele pela vida.

Poesia é uma das formas que o poeta encontra
para falar das maravilhas do mundo.
Um poeta se expressa pela sua poesia
de uma forma que o leitor a leia
e se encontre com sua história.