sábado, 30 de julho de 2016

A realidade da tocha que nos atocha: A Crônica Tragicômica de Sãogongolo de Helene Camille

Em tempos de tochas caras que nos atocham, atravessam e queimam a esperança da população por melhorias na saúde, cultura e educação (já sei: blá blá blá espírito olímpico, mas os governos municipais declaram calamidade financeira, mas torram uma grana com a passagem do circo olímpico, ok, espírito olímpico nos bolsos vazios do trabalhador é chamar de colírio a pimenta que jogam nos nossos olhos), leio e compartilho a fodástica crônica tragicômica, no melhor estilo do saudoso Millôr Fernandes, da super-escritoramiga gonçalense Helene Camile:

Crônica tragicômica de Sãogongolo 


Indo para o trabalho, eis que desço o morrão e vou pegar meu catacorno como é de meu costume e percebo que a pracinha está com uma pequena multidão de trabalhadores a pintar e a tirar os matos, já que flores não há. Um dos trabalhadores se desequilibra e cai. Os colegas caem na pele dele, riem a vontade. O homem sem muito jeito, ainda caído, abre um sorrisão desdentado e engrossa a gargalhada geral. Quis rir também, juro! Mas não consegui. Afinal de contas, a passagem da tocha só me lembra de que estão atochando em mim direto. Chega meu busão, entro e continuo a minha sina de Sísifo.
Helene Camille 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O Nada Temperado com Orégano (e com participações hiper-especiais) no Espaço Cultural Ponto de Luz em Teresópolis

A convite do artistativistamigo Victor Santos da Silva, realizei, com as participações mais-que-especiais das artistamigas Mayara Silva, Diana Paim e Gisele Dumard Catrinck, um Sarau de Apresentação do meu nono livro "O nada temperado com orégano", no Espaço Cultural Ponto de Luz, no bairro São Pedro, em Teresópolis/RJ, no final da tarde e início da noite de 23 de julho de 2016.
O evento foi super-especial por vários motivos: primeiro que há tempos não participava da movimentação cultural de Teresópolis, onde leciono há mais de 10 anos, segundo porque pude estar em um bairro onde trabalhei produção textual com alunos da EJA (no CEROM) e terceiro e não menos importante (o motivo que mais me emocionou) foi que pude dividir o palco com 3 mais-que-fodásticas ex-poetalunas minhas - agora grandes parceiras culturais e maduras escritoramigas!
Foram breves, mas inesquecíveis momentos no formidável Espaço Cultural Ponto de Luz.
Hoje posto no blog os fodásticos momentos de nossa participação no Sarau Vida e Verso. A filmagem, apesar de bastante amadora (e bem tosca em alguns momentos) serve para registrar esse momento mais-que-especial em minha trajetória lírica.
Agradeço a toda equipe super-ativa do Sarau Vida e Verso, que, sob a tutela de Victor Santos da Silva, deu o maior apoio a mim e às artistamigas convidadas. Vida Longa ao Espaço Cultural Ponto de Luz!
Falando nisso, outros momentos tão intensos quanto o do vídeo no fabuloso e autêntico Espaço Cultural Ponto de Luz acontecerão no mesmo local neste sábado, dia 30 de julho, à tarde, a partir das 14h, pois já marquei presença na Feira Cultural São Pedro, organizada por Victor Santos da Silva,no Espaço Cultural Ponto de Luz, localizado no Planet Soccer (Rua Fileuterpe, n.º 900), no bairro São Pedro, em Teresópolis/RJ!
Meus livros serão apresentados, expostos e postos à venda a preços promocionais durante o evento, que possui diversas super-atrações culturais (lembrando que o evento começa às 9h, mas só estarei lá à tarde).

Não percam esse fodástico evento cultural! Até breve e Arte Sempre!!!


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sarau Solidões Coletivas no Evento Multicultural SemNome II de Ronaldo Brechane: Encarando o inverno rigoroso com doses quentes de poesia

A convite, mais uma vez, do ativistartistamigo Ronaldo Brechane, o Sarau Solidões Coletivas participou da mais-que-fodástica 2.ª edição do Evento Multicultural SemNome, que aconteceu no Bar Opção, em Valença/RJ, na iluminada noite de 16 de julho.
O evento, além de privilegiar as múltiplas manifestações artísticas, ainda apresentou uma faceta lírica beneficente, ao coordenar a arrecadação de agasalhos para entidades que ajudam as pessoas carentes, que vivem em nossas ruas e precisam encarar o inverno rigoroso deste ano.
Nessa segunda edição do Evento Multicultural SemNome, também tive a oportunidade de apresentar e expor meu novo livro “O nada temperado com orégano” e ganhei o privilégio de ouvir alguns dos meus poemas serem declamados por fodásticos artistamigos como Dirce Assis e Lucimauro Leite, além de curtir boa música com o músico-amigo José Ricardo Maia.
O vídeo que posto hoje no blog traz alguns momentos da nossa participação no excelentíssimo evento, organizado por  Ronaldo Brechane.

Vida Longa à parceria do Sarau Solidões Coletivas com o mais-que-fodástico Evento Multicultural SemNome!!!





sábado, 23 de julho de 2016

5 anos do blog Diários de Solidões Coletivas e seguimos viagem na eterna festa lírica!

Yeah, amigos, hoje o blog "Diários de Solidões Coletivas" faz 5 anos e comemoraremos em grande estilo, com uma participação - um sarau de apresentação do meu nono livro "O Nada Temperado Com Orégano (Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita)", com as participações especiais de Mayyara Silva, Gisele Dumard Catrinck e Diana Paim - no mais-que-fodástico evento "Sarau Vida e Verso", organizado por Victor Santos da Silva, hoje, dia 23 de julho, às 17h, no Espaço Cultural Ponto de Luz, que se localiza no Planet Soccer, na Rua Euterpe, n.º 900, no Bairro São Pedro, em Teresópolis/RJ!
E pra não esquecermos esse momento de festa lírica e comemoração de 5 anos de "Diários de Solidões Coletivas" trago o vídeo e relembro meus momentos no "Encontro Sarau & Dança", organizado pela divartistamiga Jammy Said, no Circuito das Artes de Niterói/RJ, evento que aconteceu no sábado, dia 09 de julho. No evento, declamei um poema de minha autoria, o "Biblioteca de Babel" (já compartilhado no blog em postagem anterior), do meu livro novo, e outro do fodástico escritor Joffer Cesario Jr. (in memoriam).
Vida longa aos Diários de Solidões Coletivas, amigos leitores! Espero que gostem, curtam e compartilhem a postagem e nossos eventos! Até Breve, Abraços e Arte Sempre!




quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dia do Amigo é Todo DIa: A Amizade, segundo o olhar lírico de Jaqueline de Carvalho

Sei que esta postagem está com um dia de atraso, afinal o Dia do Amigo foi comemorado ontem, mas, como toda amizade verdadeira é pra sempre e não apenas por um dia, ainda é válida a homenagem: hoje compartilho minhas solidões poéticas com o super-poema-canção “Amizade”, da jovem e hiper-talentosa poetaluna Jaqueline de Carvalho, do nono ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, da região rural de Teresópolis/RJ.
Jaqueline escreve constantemente (e febrilmente) poemas e letras de canções de sua autoria. Durante as aulas de produção textual, ela me revelou sua veia poética e, a partir daí, recebo fascinado diversas e fodásticas produções líricas da jovem escritora, que também se apresenta nos saraus da escola como cantora.
Boa Leitura e Feliz Todo Dia do Amigo, amigos leitores!  

Amizade

Na amizade
não existe falsidade.
Tem que dizer só
a verdade.

Ter amigos nas horas difíceis
é tão bom
que a gente chama
até de irmão.

A amizade não tem preço
mas tem sempre o começo
de se avaliar como ela é.

Por isso a todas as pessoas
que tem amigos
digo: valorizem!
Para que eles não virem
Seus próprios inimigos.

Jaqueline de Carvalho (9.º A)


terça-feira, 12 de julho de 2016

O Tempo Passa, mas o Luto Perdura: O Eu Lírico de Genaldo Lial da Silva Questiona a Intolerância Homicida-Suicida

Sei que andei ‘offline” para o blog durante bastante tempo e mal voltei e ainda tenho mil compromissos no mundo fora da realidade virtual, fato que faz as postagens saírem um tanto espaçadas, com intervalos de tempo acima dos que eu dava outrora. Sei também que, durante esse período fora da esfera virtual, por mais tolo que seja, esperei que o mundo real diminuísse seus atos de violência e intolerância. Utopia fatalmente derrubada, ingenuidade perdida, sangue de inocentes banham nossos olhos fatigados pela rotina árdua de trabalho: há um mês atrás (ou seja, no dia 12 de junho de 2016), um atirador atacou boate voltada ao público LGBT, em Orlando, nos EUA, e matou 50 pessoas que aproveitam seus raros momentos de lazer num domingo que deveria ser de festa, amor e paz. 
O número de mortos faz do ato o pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos. O segundo pior ataque viria na internet, com apoio de internautas brasileiros: alguns tentando tratar o ato como se não fosse uma prova letal da intolerância com o público LGBT, outros minimizando a tragédia apontando outros atos de violência, outros ainda mantendo a ideia absurdo da legalização do porte de armas mesmo após o violento ataque, em resumo, uma porrada de internautas babacas tentando esconder os corpos e escondendo a intolerância no armário podre de seus espíritos de porcos.
Não podemos esquecer esse ataque sangrento de intolerância, não podemos esquecer que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros ainda são os principais alvos de violência e intolerância, não podemos esquecer que, enquanto escrevo que não podemos esquecer, muitas pessoas que optam por orientações sexuais consideradas não convencionais para a ‘família tradicional brasileira’ estão sofrendo algum tipo de violência e intolerância, não podemos esquecer que todos temos o direito, a liberdade de escolher nossa orientação sexual e não deve sofrer nenhum tipo de opressão por causa disso, não podemos esquecer o momento trágico em que vivemos, amigos leitores, não podemos esquecer para que tais ataques não se repitam jamais, sei que é dolorido demais acordar pra tanta tragédia e encarar a violenta realidade, mas é preciso lembrar, porque se o dito popular insiste que errar é um ato humano, insistir nos mesmos erros pela preservação de tradições evidentemente fraudadas e falidas é de uma desumanidade terrível. Por isso, mesmo após ter passado um mês do sangrento ataque de intolerância em Orlando, o blog ainda lembra e traz, nesta postagem, um fodástico poema do professor-poetatletamigo Genaldo Lial da Silva, escrito, segundo as palavras do próprio autor, “em homenagem às 50 vítimas do atentado terrorista em uma boate gay dos E.U.A., que morreram por falta de tolerância e amor ao próximo em junho deste ano”.
Um minuto de silêncio, uma eternidade pra lembrar, um poema para ler, pensar e tentar buscar o esquecido respeito, a violentada e ainda mais necessária paz.

INTOLERÂNCIA

Se em nós carregamos indiferença
Que a transformemos em acolhida
Se não respeitamos o que o outro pensa
Que nossa opinião seja esquecida

Se nos agarramos aos preconceitos
Agredimos ao próximo conscientemente
E não enxergamos os nossos defeitos
Que estão aqui bem a nossa frente

Cultivar o maldito ódio interno
Alimenta o cerne da maldade
Aproxima-nos da escuridão do inferno
E deprecia a beleza da humanidade

Somos reprodutores de vida
Das terras do sul às do norte
Não apertemos o gatilho suicida
Pra não disseminarmos a morte.

Genaldo Lial da Silva


sábado, 9 de julho de 2016

Temperando a Letura Frenética com Orégano: A Biblioteca de Babel de Meus Eus líricos

Yeah, amigos, sei que fiquei fora do blog por um longo tempo, mas tive um motivo especial para aprontar esse desaparecimento:  o calendário do “Nada Tour Com Orégano”, agenda de eventos nos quais participo com o meu nono e novo livro “O Nada Temperado com Orégano (Receitas poéticas para um país sem poesia e com crise na receita)”, tem sido frenético. Em pouco mais de um mês (o lançamento do livro foi na tarde do dia 05 de junho, na Feira do Livro de Valença/RJ [FLIVA]), já estive em Valença, Resende, Barra Mansa, Paraty e Barra do Piraí, e, neste fim de semana tenho mais 2 compromissos em cidades do Estado do Rio de Janeiro:  hoje, dia 09 de julho, às 17h, a convite da divartistamiga Jammy Said, participarei do Encontro Sarau & Dança, organizado pela própria Jammy, no Circuito das Artes de Niterói, na Praça Dom Navarro,  em Icaraí, Niterói/RJ  (a praça é na Avenida Ary Parreiras, fica em frente à Igreja São Judas Thadeu, no final da praia, para quem vem do Centro) e amanhã, dia 10 de julho, a partir das 10h (no cartaz anunciei 11:30h, mas o horário foi alterado a pedido do escritor-amigo e organizador) a convite do premiado e fodástico escritor-amigo Victor Gomez, participarei de uma Mostra Literária na Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro/RJ.
Para não continuar deixando o blog sem postagem, hoje publico o poema “Biblioteca de Babel”, que faz parte de meu novo livro. Este poema possivelmente será declamado hoje à tarde por mim no Circuito das Artes de Niterói e fala um pouco da biblioteca de babel que fica rolando na cabeça de devoradores de livros como eu.
Para quem quiser adquirir o livro, lembro que a edição está com o preço promocional de R$30,00 e poderá ser adquirida nesses dois próximos eventos dos quais estarei participando:  hoje, dia 09 de julho, às 17h, durante o Encontro Sarau & Dança, organizado Jammy Said, no Circuito das Artes de Niterói, na Praça Dom Navarro,  em Icaraí, Niterói/RJ, ou amanhã, dia 10 de julho, a partir das 10h, na Mostra Literária na Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro/RJ (ou, depois, por pedido/encomenda em mensagem in box no facebook ou em outros eventos futuros que, em breve, anunciarei). Seja como for, conto com a presença de todos nestes próximos eventos citados na postagem.
Boa Leitura, Abraços, Até Breve e Arte Sempre, amigos leitores!

Biblioteca de Babel

Sou Maiakovisk às vezes eufórico, depois desesperançado, na Rússia Revolucionária,
Sou Kerouac atravessando as glórias e agruras na estrada dos Sonhos Americanos,
Sou Che Poeta, escrevendo versos entre revoluções armadas e os exércitos de La Paz,
Sou Churchill Moço, esquecendo os cabelos brancos e a bomba atômica,
Sou o rico mais pobre, o plebeu mais nobre, a chama invisível de Camões,
O carnaval cinza de Bandeira, o colorido melancólico de Oswald,
Sou o bandido mais querido, o mocinho mais temido, o vazio que enche nossos corações,
O Todo Mundo dos Altos dos Autos da Lusitânia,
O Ninguém das Epopeias, de Todos Os Odisseus,
Sou Todo Seu e também sou Eu e Outras Poesias,
Sou a acomodação e a rebeldia, a distorção e a harmonia,
O Amor maiúsculo e o amor tosco, o Arcanjo e o Anjo Torto,
Sou o Tao, sou humilde, Yin e Yang, a praia e o mangue,
Sou Deus, Zeus e o Demônio da Teoria,
Sou Talmud, Corão, Hieróglifos, sou popular e erudito,
Sou Temporada no Inferno e Comédias Divinas,
O Jesus Menino de Torga e o Menino Jesus da Bíblia,
O Evangelho das Selvas e o Bhagavad-gita,
Sou toda inércia que nos agita,
Sou os olhos cegos de Borges que leem sem parar,
Sou o leitor de tudo, com o lírico nada incluso,
Sou raso, sou profundo, sou a volta e a falta que o parafuso faz,
Sou a procura perdida de todo sentido na falta de sentido de Dadá,
Sou o viajante parado dando a Volta ao Mundo sem sair do lugar.