segunda-feira, 25 de abril de 2016

Resgatando o Que Ficou pra Trás e Seguindo em Frente para Continuar: Lembrando poemas do Clube do Livro Alcino Voraz 2015

Yeah, amigos leitores, mais uma vez fiquei meio desaparecido do blog (período de fim de bimestre pra professor-escritor-blogueiro é uma espécie de purgatório onde ficamos presos entre o inferno e o céu, corrigindo provas e trabalhos e fechando as notas dos alunos), mas retomo as postagens com algumas ótimas lembranças para renovar velhos retornos: trago, do túnel do tempo do ano passado (ou seja, em 2015), vários poemas inspirados nos Jogos Vorazes, escritos em algumas das últimas reuniões de 2015 do Clube do Livro “Alcino Voraz” , realizadas na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ.
Após a terceira reunião, na qual encerramos os debates da trilogia “Jogos Vorazes” (mal encerrada, pois, devido ao caos político e a calamidade financeira do setor público de Teresópolis/RJ, não pudemos realizar o ‘gran finale’ do projeto no ano passado – que seria levar os artistalunos do Clube do Livro no cinema para assistirmos ao “Jogos Vorazes – A Esperança Parte 2”), ainda realizamos, no ano passado, para os artistalunos-leitores tardios (ou seja, que entraram após as primeiras reuniões) duas sessões extras do Clube do Livro Alcino Voraz, revendo, de forma mais corriqueira, a trilogia “Jogos Vorazes” do primeiro ao último livro – tais reuniões especiais e de resgate das obras que iniciaram os estudos do nosso grupo foram as mais cheias, pois, além dos escritores-alunos-leitores tardios, elas também contaram com aqueles que participaram desde a primeira reunião do clube. Só para lembrar: partindo da ideia do Círculo do Livro Alcino, iniciada e idealizada no ano passado pelas poetalunas Ana Gabriela Medeiros e Laís Martins, e livremente inspirado no conhecido Clube Literário Palavras ao Vento, de Valença/RJ, organizado por Pit Larah e Cia, o Clube do Livro Alcino Voraz tem como principais objetivos: estimular a leitura reflexiva, compartilhar e debater experiências de leitura, estabelecer leituras comparativas entre as diversas linguagens literárias (visão comparativa de livros e versões cinematográficas) e fazer a releitura de obras literárias através da produção textual (construir novos poemas, contos e crônicas inspirados no conteúdo do livro debatido). Feito no contraturno das aulas, as reuniões contemplaram como livros-temas a trilogia “Jogos Vorazes”, da escritora estadunidense Suzane Collins. Tanto nas reuniões anteriores quanto nessas duas de retomada dos livros-temas, foram realizados debates dos livros, relembrando as relações históricas que envolvem as obras (regimes totalitários, fatos históricos e pessoais que estimularam a escritora na construção do romance, comparações com o nazismo, fascismo e colonialismo, indústria do entretenimento [de reality shows e programas de MMAs], a percepção da guerra fria e a relação entre socialismoxcapitalismo com o confronto Distrito 13 x Capital implícito nos capítulos do terceiro livro da trilogia), a exibição das versões cinematográficas da trilogia e a produção de poemas e contos inspirados nos livros e filmes dos “Jogos Vorazes”. Lembrando também que a entrada e participação no Clube do Livro Alcino Voraz é livre/opcional (somos escritores-leitores vorazes e não autoritários como os governantes da Capital de Panem rs) e rende mais conhecimento e troca de experiência, sem barganhas de pontos extras.
Hoje, finalmente trago os poemas - já divulgados em uma antologia caseira entregue para escritores-alunos-leitores-vorazes no ano passado, mas inéditos no blog – escritos durante as duas reuniões que retomamos os estudos e as análises da trilogia Jogos Vorazes.  O conjunto de poemas que posto hoje é tão interessante quanto o das três postagens anteriores, pois condensa toda a trilogia revista nas duas últimas reuniões do Clube do Livro Alcino Voraz no ano passado. E nada melhor que rever o passado pra crescermos no futuro: neste ano, o Clube do Livro Alcino Voraz já retornou com um grupo ainda maior de escritores-alunos-leitores-vorazes e, como muitos são iniciantes no Clube (mas não esquecendo os remanescentes, que atualmente estão no nono ano seguem firmes no projeto), retomamos as reuniões do mesmo início – a partir do primeiro livro da trilogia “Jogos Vorazes” e seguindo a mesma cronologia do ano passado, mas desta vez buscando realmente encerrar o ciclo "com chave de ouro", sem interrupções bruscas como, infelizmente, foi no ano passado, devido ao trágico quadro político da cidade.
Estou de volta ao blog e o Clube do Livro Alcino Voraz também retorna às atividades! Boa leitura, amigos leitores! Vida longa ao blog e ao Clube do Livro Alcino Voraz – Educação, Escola Alcino e Arte Sempre!

Às vésperas da colheita

Mais um ano vem...
Não há como se salvar,
nem há ninguém para ajudar.

Não temos escolha,
ano após ano,
em pares, vamos lutar,
mas no final sabemos: um só pode ficar.
(Marcos Vinicius Corrêa e Paulo Matheus Motta, inspirados na trilogia de livros “Jogos Vorazes” e nos 3 primeiros filmes da série)

Katniss e Peeta em chamas

Quando você partiu,
em mim um vazio se abriu.
Quando você reapareceu,
meu amor renasceu.

Quando eu pensava que era amor,
ao mesmo tempo era dor.

Sua última lembrança
me trouxe esperança
e, ao mesmo tempo, em mil chamas desapareceu.
(Paula Costa, Jade Féo, Esaú Medeiros e Vitória Souza de Jesus, inspirados na trilogia de livros “Jogos Vorazes” e nos 3 primeiros filmes da série)




A Confissão do Presidente Snow

Tudo começou com uma fagulha
que achamos que seria controlada.
Logo virou uma chama e se alastrou
e queimando de pouco a pouco meu mundo devastou.

Eu era o herói;
em minha jornada o sabor de sangue me seguia
e o cheiro de rosas me destacava na multidão
e depois disso tudo você me tornou o vilão.

Meu reino será bem cuidado?
Ela não deixará cair nas mãos daquele povo depravado.
Louvado seja, amado tordo,
pois prometemos não mentir um pro outro.
(João Paulo Oliveira, Alex Sander Lopes e Stallone Oliveira, inspirados na trilogia de livros “Jogos Vorazes” e nos 3 primeiros filmes da série)

Memórias das chamas contra a neve

Na primeira vez que te vi
ao vivo, altivo, num palanque, longe à minha frente,
eu era apenas uma garota
com sonhos de menina,
morrendo de medo de ti.

Com a ajuda de Cinna,
segui minha sina
e transformei meu medo
em calor
e, pela primeira vez,
eu queimei
contra a neve em teu olhar.

Na segunda vez que realmente te vi
assassino vivo, bem próximo, perfumando a sala, bem à minha frente,
eu era apenas uma vencedora
com ares de derrotada,
morrendo de medo de te contrariar.

Com a ajuda dos outros,
dei asas ao tordo
e transformei minha cega rebeldia
em flechada certeira
e, pela segunda vez,
eu te desafiei,
mas, dessa vez, foi pra valer.

Um pouco antes disso, na terceira vez que te vi,
ainda altivo, menos que outrora, mas cuspindo sangue em taças de champanhe,
acenaste um não
e mataste, assim, toda minha ilusão.
Eu perdi o medo
e, negando todas as tuas rosas brancas
de neves insanas,
eu queimei os teus vestidos caros e pálidos
que me deste
e passei a usar as vestes
da mais negra e incendiária revolução.

Com a ajuda de todos,
eu agora sou o tordo
e transformei toda minha inglória
em chamas de esperança
e, na próxima vez que nos vermos,
será a última
pois os jogos vorazes deste ano sou eu contra o teu poder
e, seguindo as regras de teu torneio insano,
só um de nós irá sobreviver.
(Carlos Brunno S. Barbosa, inspirado na trilogia de livros “Jogos Vorazes” e nos 3 primeiros filmes da série)



sábado, 16 de abril de 2016

Solidões Compartilhadas Argumentativas - Nathália Malheiros questiona: Ordem e progresso: na bandeira, está escrito; no Brasil, não mais – até quando?

Vivemos mais um período tenso e vergonhoso (e, infelizmente, nada inédito) em nossa História moral e política: a tentativa de impeachment da presidente Dilma. De um lado, a “Excelentíssima” Dilma Rousseff, governante desgovernada (mais manobrada que manobrista), sem liderança, com péssimas manobras políticas (ter tentado enfraquecer o PMDB há uns anos atrás foi talvez seu crime maior, pois tal partido – mamador viciado das tetas do poder - não perdoa tal tática; deu de presente pra ela o infame Eduardo Cunha), no meio de crise, carregando nas costas um PT que, a cada sufoco, suja ainda mais sua própria história e, corrompido, acaba se dando a artifícios cada vez mais vergonhosos pra si e pra história geral da política, afim de não largar o suculento osso do poder público maior. Do outro lado, tão sem vergonha e vergonhoso quanto, temos uma Câmara e Senado igualmente (e, por vezes, ainda mais) corrupta e incapaz de lidar com a crise ou de criar projetos que melhorem nossa situação (desde que as propinas e mamatas de cargos se escassearam e/ou foram denunciadas e/ou inviabilizadas por conta da crise, terminaram um mandato e iniciaram outro mostrando completa ineficiência para votarem um projeto realmente relevante, mais preocupados em serem os ratos que vão à mesa com a saída do dono da casa do que ousarem realizar uma real faxina que propicie melhorias para a casa). Em resumo, se o impeachment acontecer, meu senhor, minha senhora, minha senhorita, estamos todos muito ferrados, pois nos danaremos todos com o retorno de um PMDB, acompanhado de tantos outros partidos, coxinhas e não coxinhas, tão sujos e patifes quanto o PT, não sejamos ingênuos. Mas – não, não tem ‘mas’, adversativas não acontecem, nada sugere contrariedade; só há aditivas. Ou seja, E, se o impeachment não acontecer, meu senhor, minha senhora, minha senhorita, o velho mar de lama petista se rejuvenesce e estamos também todos muito ferrados, pois nos danaremos todos com a manutenção de um PT e de outros partidos, pães com mortadela e pães sem mortadela (por favor, sem aquela de comunistas – todos os partidos brasileiros que almejam o poder beijam os donos do dinheiro; traje social é só pra dar mais destaque no paletó capitalista), tão sujos e patifes quanto eles num desgoverno que sempre promete, mas que nada tem a oferecer. É esse o problema: estamos muito ferrados independente dos rumos da política brasileira, pois todos os rumos não são caminhos para nós e sim rotas de fuga dos poderosos que mamam ou de um lado ou de outro (todos eles ganham de qualquer forma, uns mais que outros, enquanto todos nós nos ferramos de qualquer forma, com um mais que com outros). Em todos os lados, a corrupção, cujos anos em nosso país são comemorados junto com o próprio Brasil, está entranhada, tão entranhada que nem nós mesmos escapamos dela, somos corruptos também, assumindo lados que corroboram com nossos egoísmos, com nossa incansável busca por aquela vantagenzinha ali e outra mamatinha acolá – quem concorda com o impeachment já teve vantagem no poder, quer voltar a ter e o Brasil que se foda; quem discorda do impeachment quer manter a vantagem no poder, quer se consolidar e o Brasil que se foda. A corrupção no Brasil está entranhada em todos, com menor ou maior proporção de acordo com a posição socioeconômica do indivíduo e, a cada dia, nos corrompemos mais pelo bem do nosso eu, negando tudo que aparenta um mínimo de coletivo.
Tal reflexão me fez lembrar de um artigo de opinião, fodasticamente escrito pela hiper-talentosa escritoramiga Nathália Malheiros, de Teresópolis/RJ, inspirada em pensamentos filosóficos de Mario Sergio Cortella. O texto foi escrito no ano passado, pra ser mais exato em outubro, quando Nathália era uma das geniais escritoralunas que brilhavam nas aulas de Produção Textual que eu dava na época na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, quando o impeachment já estava sendo amplamente divulgado, mas permanecia meio que adormecido, esperando o beijo de algum Judas (Michel ou Cunha) cutucado com vara curta pra se manifestar. Sou cético, completamente descrente com o fim da corrupção na política com ou sem impeachment, mas, como Nathália, guardo uma esperança de solução em nós mesmos (precisamos acreditar que algo vai mudar, pelo menos em nós mesmos). O texto dela vale a pena ler e reler – serve para pensarmos e repensarmos nossas posturas e atitudes antes de apontarmos a sujeira do outro com nossos dedos igualmente (ou ainda mais) sujos.

Ordem e progresso: na bandeira, está escrito; no Brasil, não mais – até quando?
Nathália Malheiros

Ordem e progresso: na bandeira, está escrito; no Brasil, não mais. A corrupção no Brasil cresceu e aumenta a cada dia, nós sabemos. Reclamamos de governantes, deputados e todos os outros ditos representantes do povo. Mas será que não somos participantes disso? Você pode ter certeza que sim.
                Nós queremos mudar o mundo corrupto sendo corruptos. Queremos melhorias sem melhorar. Queremos ver o sol sem sair da sombra. Queremos, mas não fazemos. Você e eu cometemos corrupção a todo tempo. Queremos passar a perna até em quem é amigo! A “luta” pelo dinheiro ultrapassa os limites. “Dinheiro é tudo em um país de crise”, não é mesmo?
                Não há honra. O que é honra? Alguém lembra? Estamos nos deixando, abandonando uns aos outros por corrupção, por dinheiro. Até quando isso vai durar? Temos que ser a mudança que queremos ver, temos que começar com a gente para querer mudar alguém. Não é fácil mudar, nunca é. Mais incrível é a maneira que alguém simples passa a ser corrupto; corrupção é sempre fácil. Não existe gratidão no mundo, precisa de mais! Não existe respeito. Os valores de um mundo corrupto são valores perdidos.
                E quando vamos olhar para nós mesmos e para o nosso mundo? Vamos esperar as coisas piorarem para isso acontecer? Vamos respeitar mais, amar mais, honrar mais, sermos mais gratos!

                Vamos colocar nossos erros à nossa frente e tentar consertá-los. Um mundo sem corrupção será sim possível se a gente começar hoje. Julgue menos e tente mudar mais. Mudanças acontecem quando existem pessoas que querem mudar. Se coloque no lugar do outro, tente compreender e ajudar. Para mudar o mundo é preciso evoluir. Comece por você a evolução. O mundo será mais quando a corrupção for menos.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Solidões Compartilhadas (Instrumentais): A Magia Lírica na Harpa e no Violino de Bárbara Cunha

Yeah, amigos leitores, hoje é dia de, pela primeira vez no blog, da poesia sem palavras, da magia lírica da música instrumental: hoje compartilho, pela primeira vez, minhas solidões poéticas com a mais-que-fodástica divartistamiga Bárbara Cunha, instrumentista voltarredondense, rainha da harpa e do violino. E há um motivo super-especial para isso: Bárbara Cunha foi selecionada com muitos méritos entre as dez melhores instrumentistas que concorrem ao Prêmio Olho Vivo 2016 (os 3 mais votados classificam-se para a finalíssima – quem curtir e quiser dar um apoio a ela, é só clicar, fazer o login e votar no seguinte link: http://www.olhovivoca.com.br/enquetes/130/instrumentista-em-quem-voce-vota-para-receber-o-premio-olho-vivo-2016/ ) e o blogueiro que vos fala recomenda que os amigos leitores conheçam um pouco mais de seu talento. Para isso, compartilho hoje no blog alguns vídeos com trechos de apresentações de Bárbara Cunha, em versões solo e em incríveis parcerias.

Deixemos a música sublime da divartistamiga Bárbara Cunha e de seus parceiros divartistamigos nos levar aos caminhos líricos do sonho e do melhor dos mundos possíveis (o universo maravilhoso da arte), amigos leitores!










terça-feira, 12 de abril de 2016

Solidões Compartilhadas Direto do Túnel do Tempo: A Vida Infinita no Antigo Caderno de Poemas de Gisele Dumard Catrinck

Há algumas semanas atrás, no ponto de ônibus ao lado do Supermercado Extra, enquanto aguardava (na verdade, mofava, pois os horários dos circulares são bastante espaçados) um desses veículos coletivos que me levasse de volta para o bairro Três Córregos, onde moro em Teresópolis/RJ, tive o privilégio de reencontrar a artistamiga Gisele Dumard Catrinck, que foi uma das escritoralunas para quem tive a honra de lecionar nos tempos em que eu dava aula na saudosa Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira.
Irmã da poetamiga Miriam Dumard (que também possui um fodástico acervo de poemas de sua autoria do tempo da escola – em breve também os trarei para o blog), Gisele Dumard Catrinck sempre foi uma leitora voraz (segundo ela própria, ainda é fanática por leitura) e, nos tempos da escola, brilhou como uma escritoraluna de produção poética vibrante, fascinante e febril – tanto que até hoje guardo um caderno dela, cheio de poemas da jovem e talentosa poetamiga, que a própria autora deixou comigo nos tempos de escola.
Aproveitei nosso reencontro para pedir a Gisele que me permitisse resgatar no blog alguns desses fodásticos poemas contidos nesse caderno que ela deixara comigo naquela época (para ser mais exato, os fodásticos escritos são de 2010) e... yeah, Gisele Dumard Catrinck permitiu que eu retirasse da poeira do tempo e revelasse aos amigos leitores seus fodásticos poemas!!! Por isso, hoje tenho o prazer incomensurável de compartilhar minhas solidões poéticas, pela primeira vez no blog, com Gisele Dumard Catrinck. Seus poemas, apesar de antigos, permanecem com o fodástico lirismo intacto, eterno, e comprovam a talentosa versatilidade da jovem poeta – ora falam de amores jovens e maduros, ora brincam como crianças, ora comunicam-se com outras expressões artísticas (como a pintura abstrata), ora sonham, ora acordam para a realidade, ora trazem releituras de personagens clássicos da literatura (como Romeu e Julieta) e sempre flertam com o infinito, com os melhores dos mundos possíveis, sem limites, numa escrita lírica, magnificamente bem elaborada, entusiasmada e fascinante.
Sopremos a poeira do tempo entranhada no caderno de poemas da hiper-talentosa Gisele Dumard Catrinck e, através de nossa leitura, levemos esses fodásticos textos poéticos para a eternidade, amigos leitores!

Desenho abstrato

Para fazer um desenho abstrato
Não precisa ter nenhum cuidado
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
E nenhum desenho
Irá se formar
Rosa, azul, amarelo
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
E nenhum desenho
Quis se formar
E eu continuo a rabiscar
Rabisca pra cá
Rabisca pra lá
Olhei o desenho
Tentei me informar
Nenhuma informação
Consegui encontrar!

O mundo chora

A Terra chora
pedindo seu cuidado
pois o mundo
está ficando acabado.

Também chora
o céu de anil
junto com as crianças
Do nosso Brasil.

A natureza chora
não está contente
pois viu morrer
animais inocentes.

O homem não chora
com a arma na mão
mata pessoas
sem qualquer explicação.

A Terra diz:
“Quero saber
Quando isso vai acabar?
Será que a paz
um dia vai reinar?”

Declaração para Romeu

Desde quando te vi,
Marquei tua face em meu pensamento,
Gravei teu nome em meu coração,
Mesmo sendo um grande inimigo.
Este amor inexplicável
Venceu o ódio que carregava em meu peito,
Meu coração se encheu de esperança
Só de pensar que um dia
Ficaria ao teu lado.
Nós somos como
O céu e o mar,
O luar e a noite,
O branco e o preto,
Quero estar contigo
Em um momento chamado sempre.
Se for pra morrer,
Quero morrer contigo.
Mas mesmo assim não seria morte
Pois estaria ao teu lado
E o meu coração estaria vivo
Pois estaria batendo de amor.

Será?

Nas noites de luar
Eu começo a pensar:
Como será
Quando as estrelas
Pararem de brilhar?

Será que o sol
Vai explodir
E o universo sumir?

Será que
As calotas de gelo
Vão derreter
E muitos seres irão morrer?

Não importa como será
Na vida
As estrelas
Não param de brilhar

Não importa como será
A vida é infinita


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Solidões Compartilhadas (Atrasadas, Mas Infelizmente Ainda no Triste Agora): O Poema Protesto de Dio Costa

Sim, amigos, no dia 1.º de abril deste ano, acabei dando um golpe de mentira sem querer fazê-lo: fascinado com o fodástico poema “Protesto”, escrito pelo mais-que-fodástico artistamigo Dio Costa, residente em Volta Redonda/RJ, pedi ao autor que me permitisse publicar o poema citado em meu blog e previ que a postagem sairia no dia 1.º de abril (como o poema de Dio questionava as manifestações populares pedindo o intervenção militar, escolhi a data em que a farsante “revolução” (leia-se golpe militar) foi oficialmente iniciada). Pois é... mas eu não contava que iria tirar um período de folga do blog (sempre que fico abafado no trabalho ou atolado de compromissos, coloco o blog em “ostracismo programado”) exatamente na semana em que eu prometera publicar o poema de Dio Costa – o aniversário do famigerado Golpe Militar passou e a postagem não aconteceu.
Mas, como sabemos, ainda há muitos manifestantes ensandecidos a favor do retorno da Ditadura Militar e, por esse motivo, infelizmente, mesmo com atraso, o poema “Protesto”, de Dio Costa continua super-atual (yeah, tudo segue assustadoramente igual na, como diria Cazuza na canção “Medieval”, “novidade média, na mídia da Nova Idade Média”) e continua merecendo todos os destaques e aplausos pelo seu excelentíssimo conteúdo (o mesmo poema pode ser encontrado no blog de Dio Costa no seguinte link: http://diocostapoemas.blogspot.com.br/2016/03/protesto.html).
É a primeira vez (de muitas que virão) que compartilho minhas solidões poéticas com o fodástico artistamigo Dio Costa, mas não é a primeira vez que ele aparece no blog (ele já apareceu por aqui nos vídeos em que fizemos parceria lírico-musical em evento organizado pelo poeta Giglio na Toca do Arigó). Autor de diversos fodásticos livros (como o vibrante “Sarcáustico”, de 2015 – do qual falarei mais a frente em postagens posteriores), integrante do grupo lírico-musical Circunlókios, Dio Costa estreia hoje no blog uma postagem solo, uma solidão lírica compartilhada extremamente crítica contra os pensamentos retrógrados daqueles que ainda aplaudem ditaduras e golpes militares, períodos reconhecidamente sangrentos e extremamente repressivos de nossa História (ah, mas a memória é curta, então nos encarceramos em novos passados inventados por não lembrarmos corretamente do terror dos cárceres passados).
Fiquemos com o fodástico e super-atual poema “Protesto”de Dio Costa, amigos leitores – é melhor postá-lo logo, antes que a História retome sua tortuosa face torturadora.

Protesto

depois não adianta chorar
Sr e Sra Intervenção Militar
depois não adianta chorar
o choro que ninguém vai escutar
podem protestar
se o protesto de vocês é pacífico
o nosso é atlântico, em alto mar
e alto lá, mermão
não nos confunda com o Garotão da Intervenção
e seu abadá da militarização
nem com a Família Rabecão
pedindo mais repressão

podem protestar
protestem antes que todo e qualquer protesto
seja trancafiado no porão
onde tortura não é nome de torta
onde pau-de-arara não é nome de passarinho
onde doi-codi é bem mais
que a senha do wi-fi do seu vizinho

podem protestar
digam que é intervenção e não implantação
talvez seja loucura minha
me lembra muito aquele papo
de prometer botar só a cabecinha
e uma vez lá dentro, Fera,
já foi, já era


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Noite e dia nos teus olhos (Cantiga cazuzística de escárnio amigo)

Depois de um breve período de ostracismo programado (às vezes a gente precisa dar um tempo, né), estou de volta, amigos leitores! E, como hoje seria o 58.º aniversário do mais-que-fodástico cantor Cazuza, posto para os amigos leitores – pela primeira vez, na íntegra no blog - o meu “Noite e dia nos teus olhos (Cantiga cazuzística de escárnio amigo)”, poema que faz parte do meu oitavo e mais recente livro “Foda-se! E Outras Palavras Poéticas...” (2014), vencedor do Prêmio Olho Vivo 2015.
Em tempo: o poema que publico hoje teve um trecho interpretado por mim e pelo músico Zé Ricardo Maia num dos vídeos extras do “Foda-se! E Outras Palavras Poéticas... – o livro e sua história”. Aproveito para compartilhar novamente nessa postagem o vídeo citado, que foi gravado por Juliana Guida Maia na sala da casa da artistamiga Isabel Cristina Rodegheri e teve participação especial do cachorro Ozzy olhando para o horizonte.
Em tempo 2: Meus dois livros mais recentes - o sétimo, "Bebendo Beatles & Silêncios" (2013), livro terceiro colocado no Concurso "Poetizar o Mundo com livros" 2014, e o oitavo "Foda-se & Outras Palavras Poéticas" (2014), vencedor do "Prêmio Olho Vivo 2015 - Categoria Livro" - estão à venda na Livraria Veredas (Rua 14, nº 350, lj 59 - Pontual Shopping - 2.° Piso - Vila Sta Cecília. Volta Redonda/RJ) e na Cia do Livro, em Valença/RJ!!! Amigos e artistamigos de Volta Redonda/RJ, Valença/RJ e região, aproveitem a oportunidade para adquirirem já os seus exemplares!
Recomendo que leiam o poema de hoje ouvindo uma daquelas canções de amor rasgado de Cazuza (indico, entre elas, a canção “Incapacidade de amar”, gravada por Leoni, pois foi a composição inspiradora do poema).

Noite e dia nos teus olhos

(Cantiga cazuzística de escárnio amigo)

“Vê se entende, pára e senta! / Outra pessoa pode / Tirar você do bode
Mas só eu mesmo pra desculpar / Por tanta incapacidade de amar”
Cazuza e Leoni , “Incapacidade de amar”

Há noites em que teus olhos não vêem a noite.
Talvez não entendas, talvez não queiras entender,
mas estes meus versos são pra ti, não pra mim
(Aguarda que tu vais me entender).

Há noites claras, passadas, quase dias pros teus olhos.
O que brilhavam neles?
Seriam estrelas daquelas que demoram tanto
pra nascer ou pra morrer?
Ou seriam sóis, com seus calores ferozes e rotineiros,
sóis que convivem conosco e a gente finge que não vê?
Não, não irei devanear,
não me confundirei contigo, não irei me comover.
Minha dor é saber que a amargura nos mistura,
mas as dúvidas são tuas, contigo vão morrer.
Aguarda que tu vais me entender.

Se teus olhos conheciam o sol em certas noites
era ela, era tua musa aquarela alquimista
que transformava tua pedra em ouro.
Era ela sorrindo,
era ela contigo,
era ela brilhando,
era ela o porquê!
Mas, mesmo iluminado pela tarde noturna,
tu eras objetivo, ranzinza, negador do absurdo,
envolvias o sol com tua peneira de orgulho...
Estúpido! Quanto mais erguias teu gigante,
mais o calor vinha te doer.
Aguarda que tu vais me entender.

Há noites plenas, presentes, teus olhos quase cegos.
Um abismo úmido em tuas pálpebras te mostra
constelações brilhando nas ruas:
são multidões, são muitas musas,
são todas - menos a tua.
É a verdadeira noite que te procura,
a pantera solidão que te espreita,
as garras dela preenchendo a ausência da musa,
te enchendo de feridas,
é a noite - sem adjetivos.
Queres carinho? Procura na obscuridade
do vazio objetivo a te corroer!
A musa partiu, teu babaca!
E agora te resta o Nada, não há nada pra se fazer.
Nada, nada vai te fazer entender.

Ela se foi, teu babaca! Está escuro, não vês?
A minha raiva é que teus lapsos de humildade
só servem pra que ressuscites em mim
esta tua estátua figura de Cristo traído
(Por que todo homem abandonado imita o divino?
Os olhos arrependidos, a barba por fazer,
o rosto sofrido, o cabelo desgrenhado, por quê?)
Esquece a bíblia da dor, teu imbecil!
Nenhuma penitência vai te devolver a musa que partiu,
nem a noite noite, noite sem adjetivos que ela te deixou
quando te mandou pra rima que escapuliu.
É engraçado, é o humor negro da solidão
mas não sabes abraçar a falta de calor sozinho,
procuras um amigo pra te acompanhar no frio
e então profanas a minha casa
com tuas lembranças amargas;
e, novamente, vejo que te vejo quando me vejo no espelho;
que tu és eu e és tudo o que eu não quero;
que a musa passa, passa,
que tudo está sempre passando;
que a culpa é tua;
que a noite não acaba;
que nenhum sol voltarás a ver;
que contigo não quero viver!
E nem te negando, nem assim me abandonas,
ó dolorosa sósia estúpida criatura...
Não adianta, nunca vais me entender.