quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O nazismo nosso de cada dia, na análise polêmica de Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo

Temer, presidente legalmente eleito sem ser efetivamente eleito no Brasil de manobras políticas polêmicas realizadas após a eleição, Donald Trump – declaradamente xenofóbico – eleito como Presidente dos Estados Unidos, o crescimento descomunal de uma extrema direita no Brasil e no mundo, alimentado por uma crise econômica – que exacerba uma crise de valores -, além de assustar-nos, nos faz rever nossos passos, nossa História, na busca de respostas para a eterna pergunta: onde foi que erramos? Talvez o erro esteja na pergunta, talvez devêssemos, na verdade, reformular a indagação: O que continuamos errando?

Nessa trajetória de rever o passado, meus olhos leitores reencontram uma redação do ano passado, escrita pelas mais que fodásticas escritoramigas Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo (na época duas das mais formidáveis escritoralunas da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural de Teresópolis/RJ). A redação dissertativa-argumentativa das duas escritoralunas trazia como tema o nazismo nos dias de hoje e defendia uma tese polêmica, porém, infelizmente, cada vez mais próxima de nossa realidade: o nazismo, historicamente vencido, sobrevive triunfal em cada um de nós. Assustador, não é? E mais aterrador ainda quando revemos nossas práticas diárias, nossas interações no mundo real e no virtual... Nós nos assustamos com a política traiçoeira de Temer, nós lamentamos a eleição de Trump nos Estados Unidos, nós tentamos frear a onda furiosa de extrema-direita, mas será que o Temer, o Trump, a onda furiosa não encontra exílio e força em nossas praias interiores? Será que o veneno do mundo não habita o mesmo frasco onde despejamos nossos antídotos? Nossas pedras são atiradas nos espelhos alheios, mas nós, enquanto apedrejadores, muitas vezes, não refletimos sobre nosso próprio reflexo nos espelhos caseiros que mantemos intactos. E o fascismo fascinante deixa a gente ignorante fascinada... Até quando vamos manter a indagação indignada e mal formulada?
Reflitamos, amigos leitores, a partir da fodástico texto de Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo.

O nazismo nosso de cada dia
Por Ana Gabriela Medeiros e Daiara Cairo

             Quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, um de seus primeiros feitos foi começar uma política preconceituosa, excluindo pessoas que tinham ideias, raças, religiões ou orientações sexuais diferentes.
          Hoje em dia, também é assim: nós, 99,9% da população, agimos como perfeitos nazistas: fazemos os nossos grupinhos, como se fossemos o centro de um universo só nosso. Mas, como Galileu descobriu, nosso planeta não é o centro do universo. Todos vivemos como o Estado totalitário, achando que nossas ideias são mais corretas que a dos outros, imaginamos que o certo é o errado e o errado é o certo.
     Em meio a uma ditadura de beleza e pensamentos, estamos presos num campo de concentração,  que se chama sociedade, onde temos que lutar contra nós mesmos, em uma guerra dentro da nossa mente. Bombardeios diários em que explodimos de raiva, prisões de sentimentos, a morte da consciência, em que esquecemos quem somos e passamos a seguir o que o resto da população acha.
Julgamos e excluímos os diferentes por serem exatamente quem eles são. Hitler julgava os judeus por serem judeus, julgava os negros por serem negros. Resumindo, ele julgava as pessoas por serem elas mesmas, por seguirem seus próprios ideais. E nós também somos assim, afinal, todo mundo tem um pouco de nazismo dentro de si.
          Até quando?...


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