segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Hoje os sinos dobram por ti, Sayuri...

Foi há um bom tempo bom atrás, na época em que eu dava aula de Português na Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, em Três Córregos, região rural de Teresópolis/RJ (sim, foi muito antes da tragédia das chuvas de 2011, foi num tempo em que meus sonhos bailavam menos melancólicos)... Naquela época, em nossa pequena imensa escola, eu via cotidianamente a jovem Sayuri Taminato – as lembranças que tenho de sua imagem são sempre angelicais: ora sorrindo com aquele sorriso sereno e iluminado que espantaria as nuvens mais tenebrosas do céu, quase sempre do tipo quietinha, uma aluna aparentemente tranquila, sempre trazendo aquela luz vital permanente, qualquer estrela por mais brilhante admiraria o seu brilho humano e natural. Poucas vezes estive na sala de aula com ela – era aluna das turmas nas quais a professoramiga Rosangela Alves de Castro lecionava; estive apenas umas poucas semanas na turma de Sayuri quando Rosangela esteve de licença médica, mas o pouco tempo não desfaz o muito que sinto pela sua partida. Vinha acompanhando-a virtualmente, como seu amigo no facebook e, nossa, tão jovem e já construía uma família imensa, unida e feliz, como o tempo passa, Sayuri, e como o tempo para e inacreditavelmente mortalmente nos transpassa sem sentido, sem explicar. Como a própria Rosangela citou, Sayuri “morreu em uma circunstância que não cabe: dando a vida ao pequeno Rafael”, seu 4.º filho (tão jovem e já construía uma família imensa, unida e feliz, meu Deus!). E até o drama de sua partida comprova sua face de super-heroína: Sayuri partiu nas complicações do parto, mas, mesmo assim, deu a jovem vida pelo surgimento de outra nova vida (poucos conhecidos do nosso dia a dia seriam capazes de encerrar uma trajetória de luz de forma tão heroica assim...). Não sei se são os ares melancólicos do céu nublado em Teresópolis, não sei se é a lembrança infinita do sorriso lindo dela, não sei se é a juventude que tive e que Sayuri não mais poderá curtir, não sei se foi o inesperado, o inacreditável, não sei o porquê, mas sua morte me tocou bastante, mesmo sem conhecê-la tão profundamente. Como Rosangela disse, “a gente se afasta, mas não deixa de amar essas pessoas que são parte da nossa construção como profissionais, parte da nossa vida!” Como diria John Donne, " [...] a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti". Não consigo evitar a canção elegíaca de Renato Russo nesse momento: “É tão estranho... Os bons morrem jovens... Assim parece ser quando me lembro de você...” Vai em paz e mantém a paz lírica que sempre transmitiste com teu sorriso, jovem Sayuri Taminato... Vivemos tempos difíceis... Deus deve estar precisando de anjos formidáveis e grandiosamente amorosos como você. Na tristeza fúnebre deste momento, tento me confortar com a lembrança de teu lindo sorriso, com a torcida pela vitalidade da família que deixas contra tua vontade, mas não consigo evitar as lágrimas de lamentação por uma juventude iluminada que inexplicavelmente de repente se apaga. Hoje o sol nem tentou dar as caras, jovem Sayuri, escondeu-se em luto, lamentando a energia que os raios dele só encontravam quando abraçavam um sorriso teu... 


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