sábado, 30 de julho de 2016

A realidade da tocha que nos atocha: A Crônica Tragicômica de Sãogongolo de Helene Camille

Em tempos de tochas caras que nos atocham, atravessam e queimam a esperança da população por melhorias na saúde, cultura e educação (já sei: blá blá blá espírito olímpico, mas os governos municipais declaram calamidade financeira, mas torram uma grana com a passagem do circo olímpico, ok, espírito olímpico nos bolsos vazios do trabalhador é chamar de colírio a pimenta que jogam nos nossos olhos), leio e compartilho a fodástica crônica tragicômica, no melhor estilo do saudoso Millôr Fernandes, da super-escritoramiga gonçalense Helene Camile:

Crônica tragicômica de Sãogongolo 


Indo para o trabalho, eis que desço o morrão e vou pegar meu catacorno como é de meu costume e percebo que a pracinha está com uma pequena multidão de trabalhadores a pintar e a tirar os matos, já que flores não há. Um dos trabalhadores se desequilibra e cai. Os colegas caem na pele dele, riem a vontade. O homem sem muito jeito, ainda caído, abre um sorrisão desdentado e engrossa a gargalhada geral. Quis rir também, juro! Mas não consegui. Afinal de contas, a passagem da tocha só me lembra de que estão atochando em mim direto. Chega meu busão, entro e continuo a minha sina de Sísifo.
Helene Camille 

Um comentário:

  1. Fico a imaginar o que as pessoas entendem por espírito olímpico. Será que é espírito olímpico colocar leitos de luxo em hospitais para os eleitos, enquanto a população morre nas filas a espera de um leito? Sabe, vou citar apenas esse, já não tenho saco para dizer o óbvio. os míopes sempre preferiram o circo e as migalhas de pão.

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