sexta-feira, 25 de março de 2016

Solidões Compartilhadas Drummondianas: Uma Noite do Eu Lírico de Gaby Ferreira com Drummond

Parece que foi ontem, mas aconteceu há algum tempo atrás: o ano era 2010, eu lecionava na Escola Municipal Nadir Veiga Castanheira, na região rural de Teresópolis/RJ (naquela época, nem se fazia ideia de que, em menos de um ano depois, as trágicas chuvas de janeiro de 2011 inundariam a escola e mudariam os rumos de nossos sonhos) e decidi trabalhar poemas do Poeta-Maior Carlos Drummond de Andrade com os poetalunos do nono ano da escola. Após apresentar-lhes os poemas do mestre itabirano, pedi aos escritores-alunos que fizessem uma redação (crônica, prosa poética ou conto) sobre Drummond. Foi mais um dia mágico (sim, tive muitos dias mágicos com aquelas turmas) de produção textual drummondiana - cada artistaluno brindou meus olhos leitores e outrora fatigados com um texto em prosa lírico e renovador, um mais fodástico que o outro. Enviei diversos deles para concursos literários, mas eles jamais ganharam uma honraria sequer - fato que julguei injusto, pela extrema qualidade dos textos. Mantive-os guardados em pastas e em arquivos no meu computador.
Gaby Ferreira
Atualmente, Gaby Ferreira
também dedica-se à música
Um dos autores desses fodásticos textos inspiradíssimos em Drummond foi Maria Gabriela Ferreira, que reencontrei, há alguns dias, virtualmente, através da rede social facebook com o nome Gaby Ferreira (na verdade foi Gaby quem me encontro e me deu a honra de adicioná-la e reencontrá-la ao menos virtualmente). Foi uma espécie de sinal: vi como um momento oportuno para trazer à tona alguns dos fodásticos textos drummondiano que guardei por tanto tempo. Pedi a Gaby Ferreira e ela me permitiu que eu publicasse o texto dela aqui no blog. Hoje compartilho pela primeira vez minhas solidões poéticas com essa escritoramiga eternamente talentosa, Maria Gabriela, a Gaby Ferreira - amigos leitores, vocês terão o privilégio de ler uma das fodásticas prosas poéticas (no caso de Gaby, bem metapoética, pois reflete fodasticamente sobre o próprio ato de escrever, como Drummond curtia fazer) em homenagem a Drummond (e, é claro, esperamos outros fodásticos textos de GAby Ferreira num futuro não muito distante!)
Fascinem-se, amigos leitores, com a fodástica noite que o eu lírico de Gaby Ferreira teve com Drummond!

Uma noite com Drummond

Certa noite tive um  sonho, e, nesse sonho, me encontrei com você, Drummond. Ouvi você suspirando e seus suspiros surgiam como inspiração que entraram em minha mente e alimentaram a minha alma, mas você nada me dizia...
Na noite seguinte, tornei novamente a sonhar com ele e assim foram as três semanas seguintes: todas as noites, eu dormia e lá estava ele, mas nem uma palavra.
Então resolvi  perguntar para aquele  estranho e misterioso homem porque não falava. Ele me respondeu que as palavras não podiam simplesmente ser ditas, mas sim, examinadas, reescritas e  inspiradas, que pudessem ser entendidas e compreendidas de forma  diferente.
Acordei e vi que não serei poeta se as palavras forem jogadas ao vento, não serei poeta  se profanar as palavras, palavras ao vento não comovem ninguém. E o mundo não é mundo, se as palavras não fizerem sentidos.
Depois disso passei a ver a vida por outro ângulo, comecei a pensar antes de escrever, de falar... Palavras, só por palavras, não valem a pena serem ditas...
A palavra tem que  penetrar, ser compreendida e amada, pois, de todos os sentidos, o maior são as palavras. Palavras que encantam, palavras que comovem, que dão vida, vida a um poeta que será eterno...

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