domingo, 27 de dezembro de 2015

Ao meu avô Fernando: Uma nova elegia, antigos contos e eternas saudades de ti...

2015 definitivamente é um dos piores anos nos quais já (sobre)vivi. Apesar de ter tido alguns bons e maravilhosos momentos,  o saldo final deste ano - que parece arrastar-se em seu encerramento - tem sido desastroso.  Na madrugada deste fatídico domingo, dia 27 de dezembro, recebi a notícia de que meu avô Fernando Barbosa, depois de uma aguerrida luta pela vida durante a internação no Hospital da Santa Casa, de Barra do Piraí/RJ, veio a falecer durante a madrugada: seu coração não resistiu a mais uma torturante batalha... E cá estou eu, há mais de 24 horas desperto, completamente insone, com uma ficha que parece não cair, os olhos inchados de tanto chorar, com flashes do velório, do sepultamento, da partida do meu maior super-herói - aquele que me abrigou e cuidou de mim durante os anos de faculdade, que sempre contou as melhores histórias, que sempre me ensinou milhões de coisas da vida, que salvou milhares de vezes minha vida da mediocridade, sempre me mostrando os caminhos singulares, suas particulares ironias, os melhores rumos para a estrada mais honesta e lírica.
No meu último encontro com ele, na tarde de natal, dia 25 de dezembro, durante o horário de visitas  à UTI onde se encontrava, vovô Fernando parou o médico de plantão e indicou a este sorrindo: "este é o meu neto escritor!", foi meu maior presente, ele me exibindo com orgulho para, segundo vovô, o "melhor médico daquele hospital", foram algumas das últimas palavras de vovô Fernando naquele nosso último encontro, quando ele ainda estava com vida, o corpo frágil, mas a mente lúcida e altiva. Ao vê-lo, na manhã do dia 27, inerte no caixão, alguma ilusão louca em mim ainda pedia por um milagre, que ele se levantasse, rindo de toda aquela desgraça, mas não aconteceu: vovô Fernando estava morto, era um ponto final de adeus a esta vida para a reticência de outra mais acima, um firmamento paradisíaco mais justo e bonito para seu belo coração, cansado de tanta dor. Diante de meu falecido avô e seguindo o pedido de minha tia e madrinha lírica Celeste, escrevi uma elegia a ele - era o mínimo que eu poderia fazer diante da lembrança que ele deixou e diante das tantas e tantas histórias que ele já me inspirou.
Hoje, nesta noite insone, trago a elegia que escrevi e declamei durante a cerimônia de sepultamento de meu avô Fernando. Além desta, também deixo os dois contos do livro "Diários de Solidão" (2010), ambos inspirados em momentos passados com meu avô (o primeiro, intitulado "O quarto vazio (ou O quarto e o vazio)" foi escrito em 2004, quando vovô passara [e sobrevivera] a uma difícil internação devido também ao frágil e generoso coração; o segundo "Troféu de lata", escrito aproximadamente na mesma época, se não me engano um a dois anos antes, brinca com as diferenças e semelhanças que tínhamos, nossa amorosa harmonia em solidão coletiva), um pouco do imenso tudo que ele me deixou e que permanecerá pra sempre comigo.
Boa eternidade, pai-vovô Fernando, com todo amor e saudade deste seu filho-neto que tenta por toda eternidade chegar ao menos no dedo mindinho de seu mais-que-fodástico esplendor.

Os ventos sopram o nome de meu avô (Elegia ao meu vô Fernando)

O calor abafado, tão frequente,
foi domado por estranhos ventos indolentes...
Eles levam teus últimos sopros de vida,
eles levam teu nome para distantes avenidas,
bem longe da gente, mas sempre presente,
acima da dor que tão corajosamente
o teu coração suportou.
Agora és o anjo mais poderoso
do nosso Criador.

O sol fere as montanhas com feroz ardor,
enquanto teu corpo frio, mas ainda firme,
descansa nas sombras iluminadas.
Vai em paz, meu pai, meu guerreiro avô,
defender-nos na difícil caminhada,
mesmo longe, te vemos na estrada,
pois agora és o anjo mais poderoso
do nosso Criador.

Lembro-me de todos os teus sábios conselhos,
teu imenso afeto,
teu ar zombeteiro,
teu jeito agitado e, ao mesmo tempo, sereno.
Eras o boa praça, aquele que com todos conversava,
eras o senhor garboso, o mais cheio de graça,
flamenguista dos áureos tempos vitoriosos,
sempre meio gozador,
trabalhador honesto, sempre o mais correto,
aquele que acerta mesmo quando comete erros;
eras o órfão que adotou e criou filhos e netos,
homem de poucos estudos que a tantos melhor educou,
lutador do dia a dia, aquele que sublimou as mais vorazes agonias,
acrobata do cotidiano, aquele que sempre pisou firme
nas cordas bambas da vida,
eras, és e sempre serás
meu pai, meu guerreiro avô,
mesmo quando perdeste, foste o maior vencedor,
partiste da lida sofrida para o paraíso promissor,
agora és o anjo mais poderoso
do nosso Criador.
(27/12/2015)

O quarto vazio (ou O quarto e o vazio)

Entro em teu quarto. Não estás, sei que não estás. Mesmo assim, te procuro. Tudo arrumado, cada coisa em seu lugar: a cama intacta, o rádio de pilha em silêncio, os discos velhos que não tocam, o aparelho de som que não funciona, a tevê desligada... Estranho – agora percebo – o rádio de pilha está em silêncio porque não se encontra aqui. Talvez levaste, talvez alguém o levou pra ti no hospital. Estou vendo demais: meu coração desarrumado cria ilusões em meus olhos.
É... nem tudo está em seu lugar. Há um vazio. Em todo espaço físico que passo, há um vazio por dentro. Talvez, por isso, Álvaro de Campos escrevia poemas com versos tão longos: para preencher os vazios. Estranha reflexão que trago nessas horas mortas – estranho, eu me sinto estranho.
Hoje, na faculdade, uma professora rejeitou um artigo meu. Pediu-me uma dissertação; trouxe-lhe um argumento ardoroso, um manifesto agressivo, quase rebelde. Deu-me um sorriso, elogiou minhas colocações, mas explicou-me que a política do jornal acadêmico é atacar os problemas sem ferir os donos (ou políticos?, me perguntei enquanto ela falava) do problema. Me senti um estranho (estranho como esta palavra me persegue), dei um sorriso e parti. Senti saudades dos parentes da roça: eles sabiam dar nomes aos bois.
Mas isso, nada disso eu te contaria (ainda mais agora). Te falaria do meu sucesso, do meu futuro acadêmico. Repetiria tudo que quisesses ouvir, tudo que gostarias que eu fosse... se estivesses aqui. Se estivesses aqui, quereria saber como estás, com vai teu coração. Nada: o quarto vazio. Meu sentimento distante busca uma cama de hospital. Estou enfermo: uma doença estranha entranha em mim, uma dor de vazio. Mas isso, nada disso eu te contaria. Te falaria que estou bem só pra não te preocupar.
(extraído do livro de contos "Diários de Solidão" [2010], pp. 53 a 54)

O troféu de lata

Um dia cheguei em casa festivo. Eu era um poeta, pelo menos, acreditava que era. Um poeta vencedor, um campeão! Carregava em minhas mãos um troféu: PRIMEIRO LUGAR NO CONCURSO DE POESIAS DA CIDADE DE SHANGRI-LÁ. Um troféu lindo, pelo menos, eu acreditava no seu brilhante valor.
Vovô estava na sala. Assistia à TV Câmara ou TV Senado – eu sempre me confundia, tamanhas as falácias (bonita palavra, não achas? Crítica, feroz, sutil, poética!) de ambas as emissoras. Entre um discurso contraditório da oposição e uma defesa evasiva da situação, exibi o meu troféu: Olha, vovô, eu ganhei!
Primeiro ele se assustou. Afinal, tanta efusão, tanta energia só podia ser gasta num grande clássico de nosso nem sempre glamoroso (palavra bela, esquecida, mas também poética!) futebol. Depois observou com atenção o artefato que eu trazia nas mãos. Esboçou um sorriso-paradoxo. Meio admirado, meio amargurado: seu neto era um poeta e, como todo poeta, trazia um lado tolo, pateta.
Refletiu, baixou os olhos, então resmungou um elogio: “É, é bonito...”. Depois atacou: “... mas eles podiam ter dado um prêmio em dinheiro, não acha?”
Agora quem baixa os olhos sou eu. O coração vazio de glórias tanto quanto os bolsos de dinheiro. Revejo a cena, tento retornar a história aos sorrisos iniciais, aos primeiros parágrafos... Tarde demais: só encontro o vazio do canto da página. Do início só resta o (TAB) parágrafo.
Durante o Globo Esporte, vovô me mostrou que um surfista ganha, numa vitória do Circuito Mundial, 10 mil dólares, bem diferente do meu troféu de lata de poeta.
Vovô é um poeta da Matéria, criou um engenho magnífico de conforto e lazer, dourado de finanças e bem-estar. Não tem culpa por não compreender o sensível e mendigo universo das letras - a poética de vovô vem de outra natureza; eu sei e amo o poeta que ele é assim mesmo.
Mesmo assim, afastei-me, ocultei o troféu das palavras de vovô. Senti que elas feriam meu objeto poético, talvez patético, mas ainda meu.
Ficamos trancados no quarto o troféu e eu. Percebi que ele chorava e adquiria tons cinzas nos olhos. No escuro do quarto... sozinhos... quem carregava mais tristeza: o troféu ou eu? Não sei... talvez seja esse lance de poesia que me faz ver coisas, talvez vovô tenha razão. Ele sempre dizia que eu precisava crescer. Estou com vinte e seis anos e continuo a duvidar do mundo adulto que vovô me expõe a cada notícia, a cada debate político – tudo me parece tão absurdo... quando vou entender?
Adormeci e sonhei que um surfista campeão do Circuito Mundial gastou 10 mil dólares num só dia de comemoração do título, acordou duro, melancólico e, refletindo sobre a efemeridade das coisas e da vida, escreveu um poema.
Acordei com meu troféu de lata no chão. Passei a mão sobre seu corpo de lata: estava intacto, perfeito, sublime (outra palavra bela, ricamente sonora na doce língua de Camões. Lírica, mágica, transcendental!). Quebrou-se apenas a fantasia.
De manhã, vovô lamenta a falta de aumento, as intrigas políticas que atingem sua economia. Sim: o mundo que dá 10 mil dólares a um surfista campeão do Circuito Mundial nega um tostão ao aposentado. Que arte ingrata vovô escolheu com seu lirismo de Matéria! Fico triste com ele, fico triste por ele. Amo sua poesia de vida... só não compreendo por que ele a gasta com tanto ouro de tolo.
Vovô e eu somos poetas opostos com a mesma dor – solitários e incompreendidos.
Parto para a fábrica, então trabalho: máquina robô maquina vai volta faz desfaz refaz máquina maquina bruuummmmmmmmmm produção produto hora hora ora ora orai trabalha cansa recansa. No fim do mês, terei o ouro de tolo que vovô poetiza.
Quando chego em casa, conto para ele que terei aumento (só não aviso que é aumento de trabalho e não de finanças).
Vovô sorri, ensaia versos sobre a nobreza do trabalho e sonha um futuro monetário para mim.
Respondo o sorriso, confesso meu cansaço e me distancio, trancando-me no quarto.
Sozinho e angustiado, pego meu melancólico troféu de lata e o abraço. Patético, tragipatético, deves pensar, mas confortante (isso tu não vês).
Adormeço e sonho que sou um poeta surfista campeão do Circuito Mundial me equilibrando em ondas de palavras.
(extraído do livro de contos "Diários de Solidão" [2010], pp. 50 a 52)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Notícias líricas: Os meus 3 vídeos finalistas no Concurso da Fenapo

Yeah, amigos, não foi desta vez que fiquei entre os 3 primeiros colocados, mas tive a honra de possuir 3 vídeos como finalistas da Categoria Vídeo Poesia da Fenapo 2015, em Osasco/SP: "Escravilizado" (com o falecido cachorro Tortinho, do bairro São José das Palmeiras), "Aurora Inexistente" (com a mais-que-fodástica artistamiga Karina Silva e filmado por Juliana Guida Maia) e "Anjo Caído" (vencedor do Festival Literário Londrix 2013 e agora finalista de outro concurso!).
Em homenagem a esse feito, trago de volta ao blog nesta postagem os 3 vídeos finalistas.

Yeah, estamos no caminho certo, amigos das Solidões Coletivas!






Solidões Compartilhadas: Os caminhos e descaminhos de amor na poética de Daiana Vieira

Conforme prometi em postagens anteriores, cerca de metade (ou mais da metade) das postagens desse final de ano serão relacionadas a poetalunos e ex-poetalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ (afinal,  entre as poucas coisas que realmente se salvaram nesse trágico 2015 está a arte cada vez mais sublime dos artistalunos). Hoje trago um poema de mais uma das artistalunas que brilharam neste ano, a mais-que-fodástica Daiana Vieira, que hoje comemora mais um ano de existência e brilhantismo (sim, hoje é o aniversário desta fascinante artistaluna!).
Intérprete de marcantes papéis no Grupo Teatral Escolar Luz, Câmera...Alcino!, presença firme nos saraus organizados por mim na Escola Municipal Alcino, Daiana é autora de diversos fodásticos poemas. Hoje trago ao blog um destes maravilhosos poemas, um dos primeiros que ela me entregou durante o ano letivo, o romântico (e melancólico, devido a situação amorosa do eu lírico) "Meu amor". Recomendo que, após a leitura, os amigos leitores releiam e atentem para os versos finais, nos quais a jovem e talentosa escritora Daiana faz um jogo de palavras, deixando ao verso final um fodástico múltiplo sentido. Yeah, amigos leitores, a Daiana Vieira quem faz aniversário e são os nossos olhos fascinados que ganham o mais sublime presente lírico!
Que a chama lírica de Daiana Vieira continue brilhando por todo seu caminho! Acompanhemos, amigos leitores, as trilhas e desvios do amor do eu lírico da jovem e talentosa Daiana Vieira!

Meu amor

Com seu jeito humilde de ser,
conseguiu meu sorriso,
me mostrou que a felicidade nos faz crescer
e que a vida pode ser um paraíso!

Com seu sorriso ele me fez brincar,
com seu jeito carinhoso me amou,
mesmo sem poder me tocar,
se apaixonou.

Lá vem ele:
ele que me amou,
ele que me encantou,
ele que nunca me deixou.

Mas agora ele quer me deixar,
Simplesmente me abandonar,
Apenas amigo quer virar.

Me fez sonhar
sem nem me beijar,
me fez sorrir
sem sentir
e agora digo-lhe: estou aqui
sem ti!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

As Solidões Coletivas dos Vadios de Casaca e das Legiões Urbanas - finalmente em vídeo!!!

Essa é mais uma das postagens “tirando o atraso” do blog: hoje trago os vídeos do evento "As Solidões Coletivas dos Vadios de Casaca e das Legiões Urbanas", realizado pelo Sarau Solidões Coletivas em agosto deste ano (yeah, essa postagem está super-atrasada, mas antes tarde do que nunca rs).
A convite de Marcia Cristina, no sábado, dia 08 de agosto, o Sarau Solidões Coletivas retornou à Biblioteca Municipal D. Pedro II, no Centro de Valença/RJ e realizou o evento "As Solidões Coletivas dos Vadios de Casaca e das Legiões Urbanas", com Sarau-Tributo lírico a Renato Russo + Noite de autógrafos do livro “O Vadio de Casaca”, de Iverson Carneiro (Rio de Janeiro/RJ) [pela primeira vez em Valença!].
O evento ainda teve a participação mais-que-especial da divartistamiga mais-que-fodástica Elisa Carvalho, de Barra Mansa/Volta Redonda/RJ, grandes estreias de novos maravilhosos artistamigos, a presença sempre super-fodástica da galera cativa do Sarau, exposição de artes plásticas da Oficina de Artes Iluminação, varal de roupas-poemas de Elisa Carvalho, desenhos e poemas ao vivo, público animadíssimo e o tradicional coquetel compartilhado/de partilha.
Yeah, o Sarau Solidões Coletivas brilhou mais uma vez e segue misturando todas as manifestações artísticas no mesmo espaço!
E lembrando que, neste finzinho de ano, , o Sarau Solidões Coletivas está voltando com o evento ““FODA-SE! A FESTA” -EM COMEMORAÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DE “FODA-SE! E OUTRAS PALAVRAS POÉTICAS...”, O OITAVO LIVRO DE CARLOS BRUNNO S. BARBOSA NA CATEGORIA LIVRO DO PRÊMIO OLHO VIVO 2015 (APROVEITE O EVENTO PARA COMPRAR SEU EXEMPLAR) E ZOANDO LIRICAMENTE COM AS FESTAS COMERCIAIS DE FIM DE ANO – CONTRA O PAPAI NOEL VELHO BATUTA E A CORJA POLÍTICA QUE FINANCIA O CAOS E A CRISE NESTE FIM DE ANO. O evento acontecerá neste Domingo, dia 20/12, a partir das 17:00h, no Bar da Sirene (Rua Aparecida, n.º 1849, Bairro Chacrinha – Estrada Valença-Barra do Piraí, ao lado do Posto Ale, em frente ao Doce Armazém), em Valença/RJ.

Vamos celebrar o caos nosso de cada dia, amigos! Se a vida está foda, festejemos liricamente com Foda-se!  













quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Entre Campos, Picassos e Flores na Neve: Os premiados poemas dos mais-que-fodásticos poetalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva

Que 2015 não tem sido um ano fácil todos nós sabemos. As diversas crises e problemas deste ano têm afetado até o blog – foi difícil manter o ritmo das postagens em meio a tanta correria e obstáculos, mas, mesmo assim, o blogueiro que vos escreve vem tentando manter a chama viva. E um grupo que manteve o lirismo e a esperança vivos neste ano foram os meus amigos artistalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, sim, eles salvaram este ano da análise pessimista, eles salvaram a poesia do dia a dia e mantiveram acesa a luz maltratada do poeta-professor-pateta-blogueiro que vos escreve. Devido a uma série de problemas administrativos/caóticos-políticos não pude presenteá-los de forma adequada e justa, mas pretendo, nesta e nas próximas postagens, compartilhar a sublime poesia deste fodástico grupo de poetalunos, que, na maioria, concluíram festivamente ontem o nono ano e passaram a outro ciclo merecidamente promissor graças aos talentos deles.
Hoje trago 4 poemas mais-que-fodásticos destes maravilhosos poetalunos que foram recentemente premiados no XXVI Concurso de Poesia da ALAP, no Rio de Janeiro/RJ: o poema “Picasso Fenomenal”, de Paula Grillo Almeida (ganhador da Menção Especial no concurso citado), “No campo”, poema neo-árcade de Kellyson Branco Silva (Menção Honrosa), “Flores na neve”, de Ana Gabriela Medeiros (Menção Honrosa) e “Tão Picasso”, de Gisleny Silva de Almeida. Pela primeira vez desde 2010, nem eu nem os artistalunos puderam ir à cerimônia de premiação (a Prefeitura de Teresópolis desconsiderou o pedido de transporte, alegando a eterna “crise” que nos impossibilita de encerrarmos com dignidade um projeto lírico-pedagógico de mais de 6 anos, mas ironicamente não impede que o governante faça milhões de contratações a cargos especiais inclusive em unidades que nem existem mais no município – somado a isso fui visitar meu avô na CTI em Barra do Piraí/RJ, que sofreu um infarto no dia anterior à cerimônia, e, mesmo tentando chegar ao evento pelo menos para participar – bem atrasado - do final, fui impedido devido ao eterno trânsito caótico da Cidade ‘Maravilhosa’). Ao menos, os organizadores do concurso compreenderam as dificuldades e mandarão por correio os diplomas e premiações.
Todos esses transtornos me impediram de divulgar e comemorar o sucesso dos poemas mais-que-fodásticos dos 4 fantásticos poetalunos premiados, mas agora trago para o alcance dos olhos dos amigos leitores as 4 obras-primas desses jovens talentos (de brinde, compartilho um vídeo produzido pelo Luz, Câmera...Alcino! – com atuações de Vânia Camacho, João Paulo Oliveira e Stallone Oliveira - interpretando o premiado poema da super-lírica Ana Gabriela Medeiros).
Que a Arte e Educação sobrevivam à falta de respeito de nossos governantes. Os políticos aproveitam a purpurina efêmera do poder e partem, mas a sublime poesia dos poetalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva permanece na eternidade!

Os premiados poemas dos mais-que-fodásticos poetalunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva:

Picasso Fenomenal

Com o pincel em sua mão,
tentando captar tudo que é surreal,
transformando o simples em algo fenomenal,
fazendo a sua própria revolução

Do azul ao coral
como um alpinista
escalando e evoluindo
na grande montanha artística

Picasso foi um pintor extraordinário
indo contra o Estado totalitário
desde as pinturas mais antigas
até as mais novas
ele mudou o mundo da arte
e pintou uma nova história.
(Paula Grillo Almeida – Menção Especial no XXVI Concurso de Poesia da ALAP)



No campo

No campo
vi o lindo sol se pôr,
pássaros cantando,
o vento soprando,
as águas dos rios
correndo e desaguando,
um lindo lago
de águas escuras,
matas obscuras...

No campo
descobri o que é amor.
(Kellyson Branco Silva – Menção Honrosa no XXVI Concurso de Poesia da ALAP)



Flores na neve

Um frio intenso me percorria
E a neve branca me cobria.
O gelo me dominava
E o meu coração congelava.

Minha pele estava pálida
E meu corpo tremia.
Então, quando tudo parecia o fim,
O destino sorriu.

E eu percebi que,
Embora o inverno fosse inabalável lá fora,
Dentro de mim havia a primavera eterna.
(Ana Gabriela Medeiros – Menção Honrosa no XXVI Concurso de Poesia da ALAP)


Tão Picasso

No começo, achei maluca
aquela arte distorcida, sem sentido...
mas depois fui percebendo
cada sentimento,
cada pensamento...
em cada pincelada expressiva,
eu percebia
o que ele sentia por dentro.

A tristeza da perda
o arrastou para a frieza do azul.
A felicidade do amor
o levou para a alegria do circo, do rosa!

Tantos amores, tantas amantes,
tantas críticas e muitos elogios,
tantas pinturas, tantos desenhos,
tantas realizações, tantos sonhos...

E, numa mistura de cores,
numa mistura tão louca,
tão Picasso, tão sua,
eu encontrei... a beleza da arte!

(Gisleny Silva de Almeida  – Menção Honrosa no XXVI Concurso de Poesia da ALAP)


O Clipoema "Flores na neve, de Ana Gabriela Medeiros", produzido pelo Luz, Câmera...Alcino!


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Clube do Livro Alcino Voraz: A terceira reunião: Escritores-Leitores Vorazes trazem a Esperança Voraz

Yeah, amigos, hoje posto a continuação dos poemas vorazes, escritos pelos poetalunos e pelo poeta-professor-pateta que vos fala, todos nós do Clube do Livro Alcino Voraz, projeto de grupos de leitura realizado na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. E, desta vez, trago os poemas inspirados na primeira metade do livro “Jogos Vorazes – A Esperança” e no filme “Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1”.
No dia 17/11, dois dias após a “Proclamação da República”, retornamos ao Clube do Livro Alcino Voraz - com cada vez mais escritores-alunos-leitores-vorazes! - e promovemos, na E. M. Alcino Francisco da Silva, a terceira reunião do grupo.
Partindo da ideia do Círculo do Livro Alcino, iniciada e idealizada no ano passado pelas poetalunas Ana Gabriela Medeiros e Laís Martins, e livremente inspirado no conhecido Clube Literário Palavras ao Vento, de Valença/RJ, organizado por Pit Larah e Cia, o Clube do Livro Alcino Voraz tem como principais objetivos: estimular a leitura reflexiva, compartilhar e debater experiências de leitura, estabelecer leituras comparativas entre as diversas linguagens literárias (visão comparativa de livros e versões cinematográficas) e fazer a releitura de obras literárias através da produção textual (construir novos poemas, contos e crônicas inspirados no conteúdo do livro debatido).
Feito no contraturno das aulas, a terceira reunião contemplou como livro-tema a metade do terceiro romance da trilogia “Jogos Vorazes”, da escritora estadunidense Suzane Collins. Foi realizado o debate do livro “A Esperança”, relembrando as relações históricas que envolvem a obra (regimes totalitários, fatos históricos e pessoais que estimularam a escritora na construção do romance, comparações com o nazismo, fascismo e colonialismo, indústria do entretenimento [de reality shows e programas de MMAs], a percepção da guerra fria e a relação entre socialismoxcapitalismo com o confronto Distrito 13 x Capital implícito nos capítulos deste terceiro livro da trilogia, a exibição da versão cinematográfica da primeira parte do livro ("Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1") e a produção de poemas e contos inspirados na obra. Ainda neste mês de novembro, devido ao aumento expressivo de participantes e seguindo a votação e sugestão dos novos e antigos artistalunos do Clube, realizamos uma Sessão Especial"Reprises Vorazes" nos dias 24 e 25 deste mês de novembro, para que os novos integrantes pudessem ver as versões cinematográficas assistidos nas 3 reuniões (os poemas do grupo desses 2 encontros aparecerão em breve no blog).
As fotos foram tiradas no dia 25/11(no dia do encontro, como sempre, não deu tempo de fotografarmos devido a produção textual e nos dias seguintes não foi possível devido ao calendário frenético de provas nesse período) trazem o grupo que participou da terceira reunião (faltandoos artistalunos-vorazes Rian Lopes, Taynara Silva - que saiu mais cedo - e Paulo Ricardo, que, infelizmente, não foi à aula, pois tinha consulta médica marcada no dia). Os créditos das fotos são dos fotográfos-alunos Matheus dos Santos, Gisleny Almeida e Mayane Tavares. Lembrando também que a entrada e participação no Clube do Livro Alcino Voraz é livre/opcional (somos escritores-leitores vorazes e não autoritários como os governantes da Capital de Panem rs) e rende mais conhecimento e troca de experiência, sem barganhas de pontos extras.
Vida longa ao Clube do Livro Alcino Voraz – Educação, Alcino Teresópolis e Arte Sempre!




A Esperança vai chegar

Katniss sobrevive
Mas o Distrito 12 não existe mais...
A esperança vai chegar
Pra nunca mais acabar!

O presidente a Katniss
Quer matar
Para ela não tomar o seu lugar.

A vida é um jogo
Um jogo voraz...
Com a esperança podemos vencer
E o futuro a nós vai pertencer!

Peeta, o seu grande amor,
Pode machucá-la...
Será que ele vai crucificá-la?
Ou será que o amor dele vai voltar a procurá-la?
(Amanda Barboza, Patrícia Flores, Isabela Murta, Luana Gonçalves e Guttyellen Canto)

Guerra Voraz

A vida é um jogo
Um jogo voraz
Há uma guerra entre nós
Uma guerra voraz

Corrupção e morte
Morte voraz
Inveja e mentira
Mentira voraz
Tragédia e milícia
Tudo é voraz

Em chamas vivemos
Em meio a decepção
Mas seguimos em frente
Com a esperança no coração

A guerra é mais voraz
Que qualquer jogo
Principalmente a que fere o coração
Principalmente a que traz dor e decepção.
(Herbert Gabriel)

Voraz

Seus crânios rolam pelo chão
como se fossem simples rosas caindo no chão.
Mas, em toda lágrima de fogo,
há sempre uma esperança.

Mesmo com toda guerra, há sempre um amor
em cada soldado.
Mesmo com todo amor, também existe uma guerra
entre dois corações ardendo em fogo.

A vida é um jogo,
um jogo voraz,
batalhar sempre, vencer talvez,
desistir jamais!

O futuro é incerto, não se pode saber
quando vai acabar
ou quem irá vencer:
serei eu ou será você?
(Paulo Matheus, Marcos Vinicius Correa, Taynara Oliveira, Douglas Marques e Paulo Ricardo)

Torturados de saudades

Saudades de sua ironia e de seu beijo,
Saudades de acalmar seus medos
Saudades de descobrir seus gestos e desejos
Saudades de afagar seus cabelos em noites de pesadelos
Saudades de você e de seu arco e flecha,
Saudades, sou torturado por saudades suas,
Saudades, quantas saudades eu sinto da garota em chamas...
(João Paulo Oliveira, Ana Gabriela Medeiros e Stallone Oliveira)

Chuva de rosas contra o rosto em chamas

Hoje rosas brancas caem do céu,
como gotas de sangue,
glóbulos brancos como a neve,
investindo contra meu rosto rebelde,
insistindo em suas defesas,
expondo as minhas fraquezas.

A frieza com que o senhor tortura meu amor,
sua geleira de horror contra o meu peito fervendo em rancor,
é o monstro das neves contra a garota em chamas,
é o morto ditador contra a ressurreição da esperança.

Você pode me queimar outra vez,
mas eu sei queimar também
e muito melhor que você!

(Carlos Brunno S. Barbosa)




sábado, 5 de dezembro de 2015

Elegia para Darlene/Marília

Hoje mais uma diva deixa o palcos dos mortais e alcança os holofotes da eternidade. Faleceu hoje a sublime atriz, cantora e diretora teatral brasileira Marília Pêra. E o blogueiro-poeta-pateta que vos fala não poderia deixar de homenageá-la: deixo para os amigos leitores minha elegia a Marília, como aquele sorriso sublime que a gente sempre se lembra, mas que, em alguns momentos, nos lembramos tanto que dá vontade de chorar.

Em cartaz: Elegia para Darlene/Marília

À minha frente, Darlene segura o cigarro entre os dedos
mais apagado do que nunca, mas ela brilha.

- E agora, Darlene? O que fazemos? – encerro o silêncio.

Darlene tem aquela gargalhada trágica de Catherine
antes de atirar-se ao rio após a saída do teatro.

- Agora você bebe meu gim, meu querido,
O show deve continuar, mesmo eu partindo.

Um taxista de Truffaut toca insistentemente a buzina.
Darlene beija meu rosto com uma piada triste:
- Esse francês sempre me quis no além,
mas eu preferi excitá-lo com meu desdém.
Agora que serei sua vizinha,
que mal faz eu me divertir com ele também?

Darlene sai do palco com salto de diva,
os calcanhares de estrela morta que sempre brilha.
Antes de sair, dá outra risadinha:
- Ah, e pare de me chamar de Darlene,
meu nome é Marília;
lembre-se disso quando for me louvar
todos os dias.

Darlene/Marília parte,
mas ninguém no teatro ousa fechar a cortina.
O cartaz do teatro informa temporada infinita
para o sorriso de sua partida.