segunda-feira, 27 de julho de 2015

2 Giz (1 Poema e 1 Canção) no Mesmo Show: Carina Sandré, sua banda e eu no Lugar de Mulher é no Vocal 6 Especial Certas Canções

Na sexta, dia 24 de Julho, véspera do dia do escritor, às 20:30, tive o privilégio de ser um dos artistamigos convidados do novo show Lugar de Mulher é no Vocal 6 Especial Certas Canções da super-mais-que-fodástica Carina Sandré e banda (Adriano Adriano Oliveira e cia)., no Centro Cultural Fundação CSN, em Volta Redonda/RJ. Foi uma noite formidável, inesquecível, que curti acompanhado de outros fabulosos artistamigos.

O vídeo que posto hoje no blog traz minha apresentação no show de Carina Sandré (declamei meu poema "Giz 2", em homenagem a Renato Russo, com o apoio de Adriano Oliveira e Iaron Barbosa nos violões e do público fazendo o coro lírico-interativo) e a apresentação da canção "Chão de Giz", de Zé Ramalho, fodasticamente interpretada Carina Sandré (voz), Adriano Oliveira e Iaron Barbosa (violões) e Bárbara Cunha (violino).


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Hoje tem Lugar de Mulher é no Vocal 6 com Carina Sandré e artistamigos em Volta Redonda/RJ: Yeah, o show não pode parar!

Yeah, amigos, é hoje! Nesse dia 24 de Julho, SEXTA, véspera do dia do escritor, às 20:30, estarei de volta a Volta Redonda/RJ, no Centro Cultural Fundação CSN e farei uma participação especial, junto com outros artistamigos, no novo show Lugar de Mulher é no Vocal Especial Certas Canções da super-mais-que-fodástica Carina Sandré e banda (Adriano Oliveira e cia).
E, para comemorar esse retorno aos fodásticos shows de Carina Sandré, relembro aqui alguns vídeos de eventos anteriores nos quais a artistamiga e eu fizemos parcerias lírico-musicais e também trago os clipes oficiais de 2 canções exclusivas de Carina Sandré, as premiadas “Versos Limados” (letra de Roberto Esteves Siqueira Jr, e música de Wilson Fort) e “Coisa Pouca” (letra e música de Wilson Fort). [fico devendo a letra, pois estou na correria de preparação para o show].

Até breve e Arte Sempre, amigos leitores!



















quinta-feira, 23 de julho de 2015

Meu lado lirista plástico: Os olhos nos olhos de Modigliani

Yeah, hoje o blog Diários de Solidões Coletivas faz 4 anos de existência, insistência e resistência, e, conforme prometi há alguns dias atrás em meu facebook, farei poemas inéditos com temas e artistas sugeridos pelos amigos leitores. Começo com a sugestão da musartistamada Juliana Guida Maia, de Valença/RJ, que pediu como tema/artista “Amedeo Modigliani, mais precisamente os olhos nas obras de Modi”.
Antes de apresentar-lhes o meu novo poema, inspirado na sugestão de Juliana (que me permitiu retomar – depois de muito tempo afastado - o estilo neo-concreto contemporâneo e aliar diferentes manifestações artísticas – pintura e poesia – no mesmo poema), devo contar-lhes um pouco da minha história com o pintor Amedeo Modigliani.
Sinceramente, durante minha infância e adolescência, desconhecia completamente o universo fascinante das obras do mestre-fodástico artista plástico Amedeo Modigliani. A primeira vez que me lembro de ver esse nome foi no fim de minha juventude ao ler um daqueles ‘meigos’ minicontos do livro “111 Ais”, de Dalton Trevisan. Eis o conto:
"O jantar para os dois casais amigos. Na parede uma das mulheres nuas de Modigliani. Tanta festa, muito riso: o lombinho uma delícia. Até que um dos maridos:
- Essa moça do quadro. Ela sorri para você?

- É o meu consolo das horas mortas.A dona acode, oferecida:

- Ela sou eu, não é, bem?

Um murro na mesa estremece prato e espalha talher:

- Ela é você? Quando você tece esse amor desesperado nos olhos? Esse perdão infinito na boca?

Outro soco espirra vinho tinto na toalha:

- Não se conhece, sua bruxa?"
(Dalton Trevisan, in: "111 Ais") 
Marcante na obra “111 Ais”, de Dalton Trevisan, o miniconto ficou na minha cabeça e me trouxe curiosidades sobre o pintor italiano citado (tipo: “putz! não sei nada desse tal de Modigliani”). Como em outros minicontos do livro, este trazia uma ilustração: no caso, um desenho reproduzindo uma pintura de Modigliani.
Passei a estudar e procurar obras de Modigliani. Nessa busca febril e fascinada, me deparei também com o fodástico filmaço “Modigliani - A Paixão pela Vida” na locadora Total, no Centro de Valença/RJ. A interpretação entusiasmada (super-hiper-fodástica) de Andy Garcia como Modigliani (ou “Modi”, para os íntimos), o roteiro poético e apaixonado pelo pintor, a histórica rivalidade entre ele e Picasso, tudo no filme – até seus momentos sombrios e alucinados – me levaram a me encantar ainda mais pelo revolucionário artista italiano. Consequentemente, me aprofundei ainda mais nas obras de Modigliani e, agora com a sugestão de Juliana Guida Maia, pude dar um passo a mais nesse mergulho modigliano.
Eis meu primeiro presente poético para vocês, amigos leitores que estimulam minha louca lucidez lírica e permitem a longevidade deste blog: “Os olhos nos olhos de Modigliani”.
Boa leitura e Arte Sempre!  

Os olhos nos olhos de Modigliani


I
Os

eram felinos, ariscos,
artigos bem definidos,
tinham brilhos famintos
que devoravam minha hesitação.

excitação... Os seus olhos saltavam em minhas mãos
e domavam minha tela.
Os seus olhos,
jamais meus,
sempre
Os seus.

por isso rejeito aplausos:
as palmas são para
Os seus
o
l
h
Os.




II
olhos

olhos
às vezes, negros como noites roubando o sustento dos girassóis,
às vezes, claros como oceanos ensolarados descansando em aquários,
mas sempre tomando a vista inteira,
tomando vida,
me levando à cegueira,
pedaço de corpo protagonizando a tela inteira.



III
nos

nos
contração
de
pre
posição
e
definição.
nos
liga
de elementos
dentro
entremeio
intermediário
centralizado.
nos
oblíquos
passivos
objeto
sujeito disfarçado.

nos
ponte
levadiça e perpétua
erguida
caindo
bem de
vagar.
nos
é o meu pincel
dançando
entre meus olhos
e
Os seus.



IV
olhos

olhos
alargaram os limites de seu espaço
e choraram o infinito da vida nas dimensões finitas de meus retratos.



V
de

pre
posição
pura
liga
Os olhos
à sua pessoa

ser artista é fazer o poder de ter o de,
sustentar a inveja vampira,
é assinar o seu olhar nos olhos de outros
é tomar o de de outros pra si.



VI
Modigliani

Modigliani é apenas um nome
metido a maiúsculo
mas minúsculo
se você olhar bem...

biógrafos negam,
mas sempre fui pintor cego
e, refém da escuridão plena,
desejei ardentemente
todas as visões iluminadas.
por isso roubei
com tamanha febre
as luzes que desfilavam
em seus olhos nublados...

biógrafos enganados
me deram holofotes equivocados;
apenas encontrei o que já estava localizado:
se meus olhos brilharam
foi porque roubei as estrelas
cultivadas em você.

Os seus olhos ávidos
pousados em meu ateliê
foram constelações que pra mim posaram
para que meu eu cego pudesse ver!




Insistência e Resistência com Muito Lirismo: A receita dos 4 anos do blog Diários de Solidões Coletivas!

Yeah, amigos leitores, hoje o blog Diários de Solidões Coletivas faz 4 anos de existência, insistência e resistência (não conto o período anterior, na zipnet, pois considero aquele como um momento de gestação). Com título inspirado em meu sexto livro "Diários de Solidão" (2010), nascido no mesmo ano das trágicas chuvas que arrasaram a região serrana, o blog foi criado como uma espécie de válvula de escape para meus anseios líricos - a necessidade de escrever e publicar quase que diariamente e sempre de forma independente, fato possível apenas no universo virtual (publicar um livro a cada seis meses seria inviável financeiramente).
Desde seu surgimento, o blog me permitiu uma comunicação mais eficaz com leitores de todo o mundo e, com o tempo, foi se tornando um espaço lírico-virtual-coletivo com o marcador "Solidões Compartilhadas", onde divido o espaço com artistamigos, e, quase um ano mais tarde, inspirou a criação do Sarau Solidões Coletivas e estimulou também o surgimento de novos talentos (os poetalunos da E.M. Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, onde leciono, blogs parceiros, escritores que se correspondem comigo pelas diversas redes sociais virtuais, etc).
Após quatro anos de altos e baixos, o blog, com mais de 280 seguidores e mais de 280.000 visualizações, segue sua proposta lírica-underground e sobrevive às instabilidades e estabilidades dos tempos.
O blog (ele já respira sozinho, quase independente de mim) e eu agradecemos aos amigos leitores que mantém a nossa chama literária acesa, firme e viva durante esses quatro anos de existência, insistência e resistência.
Obrigado por tudo, Boas Leituras e Arte Sempre!
Diários de Solidões Coletivas Ominia Vincit!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Solidões Compartilhadas: Desacatos Sociais e Notas Póstumas dos eus líricos de Luca Quitete

22 de julho, véspera do aniversário do blog (amanhã, o “Diários de Solidões Coletivas” fará 4 anos de existência, resistência e insistência) e antecipadamente o blogueiro que vos fala já abre os presentes entregues ao meu espaço lírico-virtual antes da data comemorativa. Hoje faço uma das coisas que mais gosto de fazer desde quando criei este blog: compartilhar minhas solidões coletivas com novos e antigos artistamigos. E, prestes a completar 4 anos, o blog continua apresentando novidades fascinantes: hoje tenho o prazer de dividir este espaço lírico-virtual com o muito-mais-que-fodástico (talento novo no blog, elogio novo devido a grandiosidade do talento) jovem artistamigo Luca Quitete, de São Gonçalo/RJ.
Conheci Luca Quitete em eventos do Feira Moderna Zine (os sempre fodásticos Rock na Garagem e Sarau Feira Moderna), primeiramente, o conheci como o vocalista e um dos compositores da fodástica e vibrantemente underground Banda Embrião – ali percebi algumas influências do grunge, folk (sem ser Neil Young; Luca Quitete sempre me lembra que o folk vai além de Neil Young) e de Radiohead;  alguns eventos depois, conheci seu lado poeta, tive a honra de dividir o palco poético do Sarau Feira Moderna com ele, então percebi outras influências nele, um Poe misturado às extravagâncias dos personagens de Oscar Wilde, a filosofia grunge beijando os lábios loucos de Álvaro de Campos, heterônimo aflito de Fernando Pessoa. Conversar com Luca Quitete é fazer uma tour esquizofrênica pela literatura – às vezes parece um louco lúdico em nervosas calmarias, às vezes abraça escandalosamente contradições como verdades sem explicações como um Kurt Cobain que desistiu de se matar para estrangular a invencibilidade frágil da coerência e senso comum; conversar com Luca Quitete é uma loucura fascinante, amizade delirantemente única (ele já me adicionou e me excluiu de seu facebook, mesmo sem ter mudado sua relação comigo no universo aparentemente real que vivemos; é assim, delírio amigo, com muita admiração, mas sem nenhuma noção lúcida), poesia pura, viciante, fascinante, perigosamente poderosa.
Os poemas de Luca Quitete não seguem uma linha de estilo única, seus eus líricos dançam em labirintos poéticos, ora em versos longos e derramados, ora em versos curtos e cortantes, denunciam caminhos tortos pela vida e pelos passeios na literatura universal. Ler os poemas de Luca Quitete é uma experiência única, uma viagem fascinante, amigos leitores.  E, como comprovação de meus comentários, trago, inicialmente, ao blog  2 poemas de Luca Quitete (em breve, breve, trarei outras solidões compartilhadas com esse muito-mais-que-fodástico poetamigo; até porque, para conseguir que ele cedesse seus poemas, tive que insistir constantemente com o poeta).
Viajemos os olhos, amigos leitores, pelos desacatos sociais e pelas notas póstumas do Sr. Gray de Luca Quitete. Boa leitura e Arte Sempre!   

Desacato Social de Minha Integridade Imoral (mas ao mesmo tempo passível e compreensível)

Medos e receios,
Timidez e visitas a sebos.
Toda essa história empoeirada,
Cansando meus olhos, já cheios de medo.

Repetitivos métodos não ortodoxos de aprendizagem
Cansam meu corpo e meus pés não reagem.
Inalo todo esse ar sujo e contaminado por chaminés industriais,
Mas não posso reclamar de nada, por estar fumando em um cais.

Fatias de sensações (se é que podem ser cortadas em pedaços como a carne)
Que se resumem a simplesmente não ter definição do tarde.
Detrito hormonal, transformando-me em algo diferentemente podre,
Resultando em algo que mal se sabe do que é sobre.

(Cansado de tudo isso) Estou continuando,
Afundo a cada instante, traindo a mim mesmo e a minha estante.
Folheio revistas a procura de consolo (embora a busca só traga mais desespero)
Rótulos comerciais do que se é belo,
Como se essas flores fossem simplesmente algo a ser deixado ao passado,
E que ninguém fosse lembrar-se delas sem ter se emocionado.

Trocas de olhares (que retratam oposição de um a outro)
Enjoos e dores no estomago (devido estar inserido em situações desconfortáveis)                      
Olhando-me no espelho e com sono, somente vendo uma figura manchada,
Trazendo saudades de tempos remotos onde eu ainda sabia minha aparência.



Notas Póstumas do Sr. Gray

Tão belo.
Tão jovem.

Agora, jaz velho enrugado,
Irreconhecível ao chão.
Diz-me que não sou eu,
Embora saiba a verdade.
Não acredite na mentira,
Diz-me que fui teimoso,
E que de todos os gozos e deleites da vida,
Fui moderado.
E meu sótão, como ficará limpo?




terça-feira, 21 de julho de 2015

Trans(ins)pirações poéticas em HQs: Meu tributo lírico para a Rosie de "O muro"

Dia 21 de julho é véspera da véspera do aniversário do blog (no dia 23/07, o “Diários de Solidões Coletivas” fará 4 anos de existência, resistência e insistência). Em 21 de julho de 1990, ou seja, há 25 anos, Roger Waters, ex-integrante da banda inglesa Pink Floyd, fez um megashow na Alemanha, em comemoração à queda do muro de Berlim. Hoje, 25 anos depois, o blogueiro que vos escreve traz um outro muro – quase inquebrável, terrivelmente existencial: inspirado na História em Quadrinhos (HQ) “O muro”, de Céline Fraipont e Pierre Bailly, traduzida por Fernando Scheibe, lançada pela Editora Nemo e lida por mim num fôlego só na última madrugada, escrevi um novo poema, reflexo dessa leitura febril e melancolicamente entusiasmada das vibrantes desventuras da protagonista Rosie, uma menina de 13 anos, residente em uma monótona cidadezinha do interior belga, que se vê entregue à própria sorte (sua mãe fugiu com outro homem numa aventura amorosa e seu pai vive mergulhado no trabalho). A narrativa se passa em 1988 e traz uma história poética e melancolicamente cativante e intensa, arrastando a nós, leitores, pelos (des)caminhos obscuros de uma adolescência problemática ao som do punk rock.
Como toda obra artística que faz meu eu leitor se comover e ‘trans(ins)pirar’, não agi passivamente após concluir a leitura dessa fodástica obra-prima em quadrinhos: acabei criando um poema/conto em versos, passeando com minha poesia pelas transformações/(des)caminhos da protagonista adolescente Rosie. Além da fodástica HQ “O muro”, o meu poema traz dois “cês” – um c da super-melancólica canção “Clarisse”, da banda Legião Urbana, e um c de Clarice Lispector (me preparando para o tema ‘equívocos’ com toques líricos lispectorianos, sugerido pela poetamiga Rosangela Carvalho), um “l” de Lygia Fagundes Telles, muito da melancolia de The Cure (que a protagonista da HQ ouve constantemente) e uma tentativa de explorar o estilo poético (presente também na HQ) de transformar fatos banais em lirismo magnífico que consagrou a banda gaúcha de rock Nenhum de Nós em álbuns como “Histórias reais, seres extraordinários”.
Bem-vinda ao meu louco universo lírico, Rosie. Boa leitura, amigos leitores, HQs e Poesia Sempre!

Rosie

Órfã de pais vivos,
abandonada no casarão,
com medo da escuridão,
pobre menina rica,
esquecida pela pobre ex-amiga,
tomando mil banhos quentes
para me aquecer
(ou esquecer?),
nenhum sonho como alívio,
nem mesmo um monstro noturno,
apenas o monstro diário do medo:
eu mesma no espelho.

13 anos – quase quatorze –
13 anos e a primeira menstruação veio hoje
- finalmente mulher?
Não... A maturidade é apenas uma lágrima
que sai de meus olhos de criança
sem cair em lugar nenhum;
apenas eu caindo erguida
ao lado do uísque roubado de papai,
bebido na sala vazia,
tão sem vida quanto as cartas distantes
que mamãe me envia de outros horizontes
mas que nunca leio.
Cartas cegas trancadas na gaveta da cômoda
- sou eu vendo o tempo passar
sem olhar pra janela,
sem ver o tempo passar.

Já acreditei que ficar em cima do muro
seria sempre o meu lar,
uma espécie de paraíso particular,
bebendo mais uma garrafa roubada
do extenso balcão de bebidas de papai,
fumando cigarros escondida,
esperando pela eterna amiga
que pôs fim à eternidade
porque seus pais me consideram má companhia
- 13 anos e me sinto velha e sozinha,
13 anos – cada vez mais quase quatorze;
ela me disse que jamais me abandonaria
e agora é só o muro e eu
como se fôssemos um só
eternamente sós.

Então você apareceu,
jovem judeu perdido,
primeiro encostado ao muro,
eu 13 – quase quatorze –
e você dezesseis.
“Rosie, seu nome parece o de um porquinho”,
você brincou;
no rosto um sorriso triste sem dor
como um cavalheiro que oferece uma rosa nova
para um canteiro onde só florescem espinhos...
- Se eu fosse um, você me protegeria,
estranho jovem lindo judeu? – eu talvez retrucasse
se eu não fosse eu...
o monstro silêncio nos lábios cerrados:
eu não sabia o que dizer pra você.

Mesmo assim, você voltou aqui,
apesar do meu mundo mudo,
apesar de todo monstro eu,
você reapareceu
pra resgatar a princesa
que sempre neguei a mim mesma
 - sou sapo que vira Julieta
na companhia de um inusitado Romeu.
Você trazia valsas punks no walkman,
letras de canções que – 13 anos e tão ininteligível –
demorei para entender;
quando reparei, já estava ao meu lado  
em cima do muro,
era todo meu, todo eu,
meu príncipe encantado nas vestes de um rebelde plebeu,
você foi todo meu, mesmo quando nunca me pertenceu.

Do muro para sua casa,
The Cure na vitrola enquanto me beijava,
o monstro adormecido na voz de Robert Smith,
o uísque roubado de meu pai
e o haxixe que você vendia pra sobreviver,
nossa solidão embriagada, dopada, quase curada,
éramos o mundo todo em seu quarto de zé ninguém,
The Cure, Sonic Youth, Ramones
13 anos eu – quase quatorze – e você dezesseis,
éramos todo mundo e outros tudos eram ninguém.
Entre uma visita e outra a sua casa, você me Cureava,
13 anos e eu, mesmo toda errada, me sentia curada,
sem medo do escuro, pois estava com você...

Mas um dia não encontrei mais você;
um carro bêbado atropelou você,
o jovem motoqueiro louco judeu
sem capacete
e, agora, sem vida também...
Quatorze anos – voltando aos 13 –
novamente
completamente
somente eu,
tentando seguir em frente,
sobreviver à falta de futuro
como você tantas vezes sobreviveu...
Um vento frio em meu rosto,
quatorze anos eu
e você bonito e inacessível
com seus eternos dezesseis
caminhando invisível ao meu lado,
o mais lindo e mais louco judeu,
seguindo em frente comigo pelo breu...




domingo, 19 de julho de 2015

11 de julho, véspera da véspera do Dia Mundial do Rock, e eu na Dupla Rodada Lírica em São Gonçalo/RJ!

Yeah, dia 11 de julho, às vésperas das vésperas do DIa Mundial do Rock, eu - representando o Sarau Solidões Coletivas, de Valença/RJ - participei de dois fodásticos eventos em São Gonçalo/RJ – que já se tornou uma das minhas cidades afetivas mais queridas liricamente falando – e, mais uma vez, concluí uma Rodada Lírica Dupla (tour ativa por dois eventos no mesmo dia) pela Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro.
À tarde, estive no Grande Circuito da Cultura, organizado pelo Movimento Identidade Cultural e apresentado por Janaína da Cunha, no Restaurante Bela Vista, onde tive o privilégio de, pela primeira vez, declamar meus poemas acompanhado pelo talentoso e fabuloso violinistamigo Matheus Francisco.
À noite, mergulhei na mágica lírica underground do evento Rock na Garagem #44 (momento no qual foi comemorado o aniversário do fodástico músico ativistamigo parceirão artístico Rafael Almeida), organizado pelo Feira Moderna Zine, no Metallica Pub, onde pude declamar poemas meus e um do poetamigo valenciano Luiz Guilherme Monteiro, além de ter tido o privilégio de curtir os fascinantes poemas do poetamigo Sergio Almeida, mais conhecido como Jardim, e assistir aos shows fodásticos de Xarles Xavier, Guilherme Gak, Van Tempestade & Rafael Almeida, Banda Frogslake, Embrião, Obscene Capital e True North (fazendo tributo à banda de punk rock/hardcore estadunidense Pennywise (esta última, infelizmente, sem registro em minhas gravações, por falta de energia nas baterias da câmera e do celular)!
Hoje tenho o prazer de postar no blog 2 vídeos – um de cada evento – com alguns grandes momentos dessa incrível Rodada Lírica Dupla em São Gonçalo/RJ.






sexta-feira, 17 de julho de 2015

Sarau Solidões Coletivas Es Loco Por Ti, América: Somos Todos Galeanos e Violetas Parras

Yeah, amigos leitores! Rolou no sábado, dia 04 de julho, o “Sarau Solidões Coletivas Es Loco Por Ti, América”, de volta a Comuna da Quinta das Bicas, de Erli Gabriel e Gilson Gabriel, no Bairro Biquinha (e não Carambita, como erroneamente coloquei no primeiro vídeo do evento), em Valença/RJ! 
O evento contou com apresentações vibrantes e fodásticas, público animado e teve até, no início, um ritual puri coordenado pelo artistativistamigo Lucimauro Leite. 
É sempre bom demais realizar saraus na Comuna da Quinta das Bicas, mas este teve um gosto mais-que-especial, feito em tributo lírico aos mais-que-fodásticos artistas latino-americanos!
Hoje tenho o prazer de postar os 5 vídeos que mostram um pouco  do que rolou no “Sarau Solidões Coletivas Es Loco Por Ti, América” (as memórias e baterias do celular e da câmera foram poucas pra registrarem todo esse grandioso evento).

Vida Longa ao Sarau Solidões Coletivas e Arte Sempre, amigos leitores!