terça-feira, 30 de junho de 2015

Contos vis: O ilustríssimo caso de amnésia do Dr. Jekyll

Hoje foi mais um dia de luta contra os desgovernos do (Des)Prefeito Arlei Rosa para o Movimento de Professores Pela Educação de Teresópolis/RJ (MPET), para os demais servidores públicos e para o povo de Teresópolis, todos (agora) apoiados pelo outrora arredio Sindicato dos Servidores Público de Teresópolis (que muitas vezes foi – e nas declarações à TV ainda é - omisso na afirmação da força popular do movimento de servidores públicos que resiste e movimenta a cidade independente dele). E, depois de muitas paralisações, meias paralisações e pressão popular constante nos ‘corruptosos’ vereadores da Câmara Municipal de Teresópolis, finalmente conseguimos uma vitória mais consistente: as contas do atual desgoverno teresopolitano – já rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União – foram também reprovadas pelos vereadores presentes na Sessão de hoje e, com isso, o (Des)Prefeito Arlei Rosa ficou inelegível e pode ser afastado pelo Poder Judiciário.
Mesmo assim, como em outros momentos, mais uma vez, houve torpes manobras políticas: na tentativa de esvaziarem a Câmara, os vereadores Dr. Carlão, Habib, Luciano da Vargem Grande, Anginho e Dedê da Barra faltaram a Sessão, mais uma vez aprovando a caótica má administração de Arlei Rosa (8 pedidos de Comissão Processante contra o Prefeito – na busca de afastar o omisso gestor e investigar as irregularidades que detonam com a administração sadia da cidade – já foram rejeitados graças às manobras desses 5 vereadores e a Serginho Pimentel).
Sempre que essas coisas acontecem, sempre me vêm à cabeça diversas indagações: como um ser humano, eleito por seres humanos, pode insensibilizar-se tanto e decepcionar os anseios populares a ponto de tornar-se um politiqueiro desumano, vil e defensor de podres poderes? Como um ser desses consegue dormir, viver em paz com sua consciência, diante de tantas covardias com sua própria cidade, seu próprio abrigo? Não sei, honestamente não consigo me pôr no lugar deles sem sentir-me apodrecer por dentro, mas, graças a um convite de publicação da Revista Amnésia Teresópolis (deixo aqui o link da página para os amigos leitores curtirem e conferirem as fodásticas matérias da revista citada: https://www.facebook.com/pages/Revista-Amn%C3%A9sia/263883053674717?fref=ts) e minhas lembranças de “O médico e o monstro - Dr. Jekyll e Mr. Hide”, obra-prima de Robert Stevenson, tentei imaginar um conto-hipótese para esses seres insanamente medíocres e desprovidos de ética e humanidade, chamados de “a maioria dos políticos brasileiros”, que me provocam tanto asco. Foi assim que um dia, numa das diversas rejeições de Comissões Processantes contra o desgovernante Arlei, vendo meus companheiros fragilizados diante de tanta luta em vão e de tanto desrespeito daqueles que nós mesmos elegemos, reparando nos sorrisos sarcásticos dos vereadores Dr. Habib e Dr. Carlão, foi assim que surgiu “O ilustríssimo caso de amnésia do Dr. Jekyll".
Aviso aos amigos leitores que, como reflexo dos torpes vereadores inspiradores, o conto não é de boa ‘digestão’ para os olhos.
   
O ilustríssimo caso de amnésia do Dr. Jekyll

O velho homem entrou em sua mansão luxuosamente decorada como um mendigo que encontra um bilhete premiado da mega-sena. É aqui que eu moro? Desde quando? Terrível amnésia! Olhou cada canto da mansão e em nenhum deles encontrou a resposta. O vaso grego, o tapete persa, o sofá obscuro, todos os objetos pareciam falar uma língua que o velho homem não sabia traduzir. Na cabeça, a memória insistia em horizontes longínquos, uma vida mais simples e remota, lembranças mais próximas de sua terra se conflitavam com a luxúria luxuosa de seu novo habitat. É aqui que eu moro? Desde quando? A parede lhe sorria com tons amarelos, superficiais. A tendência colorida de alguns objetos parecia se contrastar com seu terno cinza, seus cabelos sem vida, sua vista embaçada, sua memória que continuava a falhar.
                Ouviu um som de TV vindo do quarto... Oh, não estou sozinho! Ah, alguém comigo, alguém que talvez pudesse lhe explicar... Aproximou-se em passos lentos, não se lembrava se possuía esposa, filhos, companheiros, visitantes... ou um invasor? O coração batia arrastado, como se insistisse que o velho homem sempre fora assaltado por uma terrível solidão. No quarto, deparou com uma TV gigante de não se sabe quantas polegadas. Quando comprara aquela máquina monstruosa? Desde quando curtia objetos insanamente colossais? Na cabeça, de novo, um planeta distante, um mundo sem dúvidas e sem tevês, um campo vasto, cercado por crianças, ele tão pequeno e tão bonito sorrindo para as árvores que cresciam sem nenhuma semente de solidão. Acordou do transe onírico ao deparar-se com uma estranha deitada na imensa cama do quarto, olhando hipnoticamente para a gigantesca TV ligada. Não reparava a presença do velho homem? Seria uma zumbi? Era jovem, linda, esbelta e extremamente pálida – seria um lindo cadáver que se esqueceu de morrer? No intervalo do programa ao qual assistia, ela olhou pro velho homem, estranhando a inércia dele diante dela:
- Tudo bem, querido? Aconteceu alguma coisa? Tira esse terno, toma um banho, vem se deitar comigo, vai passar um filme maravilhoso daqui a pouco no outro canal, vem ver... – ela o chamou de “querido” e é tão nova para ele. Seria sua esposa? Uma esposa com ares de filha...? Seria alguma espécie de legalizada pedofilia? O velho homem não sabia e, mesmo não sabendo, se condenava... – Ah, vai lá, tira essa roupa, toma um banho, depois tenho que te contar da TV nova que eu vi anunciar!
O velho homem fingiu obedecer aos pedidos da garota e afastou-se do quarto. Mas não foi ao banheiro, tudo aquilo parecia um pesadelo, um pesadelo rico, mas ainda pesadelo. Atormentado pela amnésia e pelo inexplicável horror a tudo aquilo, preferiu sair da mansão, tentar encontrar as respostas na rua. Foi preciso apenas atravessar um portão blindado e pisar para o lado de fora para perceber o cenário assustador do bairro onde a mansão se localizava: a estrada esburacada, as calçadas destruídas, árvores cortadas, uma praça demolida numa obra abandonada - apenas sua bela mansão resplandecia impassível naquele cenário caótico. No lado externo recentemente pichado do muro da mansão, o velho homem finalmente reconheceu seu nome no meio dos dizeres: “A sua hora vai chegar, Dr. Jekyll safado, ladrão! Enganou o povo só pra ganhar a eleição!” Relia os dizeres, quando ouviu um grito: “Ele saiu da toca, gente, vamos pegar o safado!” Viu a multidão enfurecida que vinha em sua direção e correu de volta para dentro da mansão.
O coração saltava, ouviu as múltiplas batidas vãs no portão blindado, o velho homem se sentiu perigosamente seguro e começou a se lembrar de quase tudo: a campanha gloriosa, os esquemas, a sobrevivência amaldiçoada pela ambição de ter mais do que precisava. O velho homem lembrou-se de quase tudo, mas algumas perguntas continuavam em sua cabeça falha: como pôde ser tão cretino a ponto de entregar seu mundo para tantos governantes corruptos e fantasmas? Como pôde ser tão cretino a ponto de aceitar pertencer a um grupo tão odiado e babaca? Por falta de respostas, ameaçou se atirar para fora da mansão e se entregar para a multidão enfurecida, mas o velho homem também se lembrou da sua imensa covardia.
- Querido, telefone pra você! – ouviu a jovem esposa chamá-lo e considerou hipocritamente que aquele era um sinal de que aceitar aquele confortável exílio era a melhor decisão a se tomar.
                Entrou na sala e atendeu a ligação:
                - Mr. Hide, a porção já está na sua conta. Valeu pelo voto a nosso favor.
                E novamente Dr. Jekyll lembrou-se que trocara de nome e, mais uma vez, tomou uma hipócrita conclusão: Dr. Jekyll era inocente; ele não tinha culpa pelos atos de seu alter-ego Mr. Hide. Foi ao banheiro, lavou as mãos e o rosto e repetiu para si mesmo: Este monstro no espelho não sou eu, este monstro no espelho é Mr. Hide.
Carlos Brunno Silva Barbosa


terça-feira, 23 de junho de 2015

O Mais Belo Azul Blues em Chacrinha: Sarau Solidões Coletivas no Bar da Sirene


Yeah, amigos, por indicação dos artistamigos Uli Barros, Davi Barros Azevedo e Luana Cavalera, o Sarau Solidões Coletivas In Bar voltou na noite de sábado, dia 20/06 no Bar da Sirene, invadindo liricamente pela primeira vez o Bairro Chacrinha, em Valença/RJ!
O tema desta vez foi “SOU REI, SOUL BLUES: AS SOLIDÕES COLETIVAS DO MAIS BELO AZUL”, um TRIBUTO LÍRICO AOS REIS B.B. KING (pedido de Jonas Eduardo Lopes de Castro) E ROBERTO CARLOS (pedido da dona do bar que irá abrigar essa edição do Sarau). O evento contou com um público animado, grandes apresentações, mas, pela primeira vez, logo no evento que pedia violões e guitarras, não houve acompanhamento desses instrumentos (o único músico que participou e brilhou nesta edição foi o sempre fodástico rapper Paulinho Gonçalves “Graveto Old Style”). De qualquer forma, o Sarau Solidões Coletivas brilhou mais uma vez e teve a oportunidade de conhecer um novo e animadíssimo público em mais um novo e aconchegante espaço!
Abaixo posto os dois vídeos do evento de mais esse fodástico evento.


Nesse primeiro vídeo, declamo poemas meus em homenagem a Celso Blues Boy – neste aproveitando base de Paulinho Graveto Old Style –  e Cássia Eller e interpreto um novo poema de Luiz Guilherme; a primeira parte da sempre-fodástica apresentação de Paulinho Graveto Old Style; Juliana Guida Maia homenageia Patricia Correa, declamando o mais-que-fodástico poema patriciano “Estou cego”, e também declama um poema próprio inédito, feito especialmente para o Sarau; o Mestre-Poetamigo Gilson Gabriel declama diversos poemas de sua autoria, experimentando as influências do músico e compositor Chico César e do fodástico poeta Gregório de Matos; Luana Cavalera lê poemas de sua autoria; Lucimauro Leite lê a “Lenda do Álbum Preto de Carlos Brunno” em homenagem ao Professor-Poetamigo Alexandre Fonseca.



Nesse segundo vídeo, Wagner Monteiro declama “Verso e Prosa”; Luana Cavalera declamo outro poema inédito seu; Lucimauro Leite e eu declamamos um conto indígena bilíngüe (em puri e em português) de Dauá Puri; o Mestre-Poetamigo Gilson Gabriel declama letra de música de Chico César e um poema gilsiano, experimentando as influências da canção declamada; Juliana Guida Maia declama “Os caracóis do seu cabelo”, do rei Roberto Carlos; eu declamo alguns poemas interativos meus com a participação do público; a segunda parte da apresentação de Paulinho Graveto Old Style; Lucimauro Leite declama meu poema georgeharrisoniano “Amor fora de si”.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Acoustic Project , antes do fim do grupo, na eternidade de minhas lembranças

Hoje trago ao blog a fodástica - e já saudosa - Acoustic Project, com a qual estreei a série “Pelos botecos da Princesinha, o novo som de Valença”.
Acoustic Project foi uma banda valenciana de rock alternativo formada por Emanuel Coelho,Gabriel Carvalho e Luiz Guilherme Monteiro, visando um som acústico cover de bandas internacionais e nacionais de Pop Rock, Pop, Rock 'n' Roll e também alguns outros ritmos. Além das músicas cover, a banda contava com composições próprias feitas pelos três músicos membros (Emanuel Coelho, Gabriel Carvalho e Luiz Guilherme Monteiro), fazendo assim um repertório misto de músicas próprias e de cover.  Infelizmente a banda acabou e entrou para o extenso rol das fodásticas bandas que eu amo e que não existem mais, como Província, Hipnotize, Zombiez, REM, The Chemical Romance, Barão Vermelho, Hojerizah, entre outras.
De qualquer forma trago ao blog o registro em vídeo de alguns grandes momentos do show do Acoustic Project no Buteco do Dinei, no dia 16 de maio, quando a banda apresentou duas composições próprias: “With Times Like These” e “Canção da Chuva” (também trago nesta postagem a letra desta fodástica canção composta por Luiz Guilherme Monteiro; esperei por um tempo a letra (e tradução) da canção em inglês, mas o compositor Gabriel Carvalho ficou me devendo rs). No show apresentado no vídeo, além do trio, a banda contou com a participação especial do percussionista Fabrício Coelho, no cajón.
Sejam quais forem os rumos dos ex-integrantes do Acoustic Project, espero que continuem espalhando essa arte fodástica em trabalhos solos ou em novos conjuntos.

Canção da Chuva
(Composição de Luiz Guilherme Monteiro)

A chuva lá fora me deixa meio sonolento
Um tanto cheio de pensamentos
Lembranças de antigos juramentos
Que se espatifaram em fragmentos de lamentos

O seu som contínuo
Constantemente rasgado por raios e trovões
Que me lembra do desassossego
Entre facas e dois corações

Sem você aqui comigo
Fico observando o choro da chuva
Vagando nessa cidade
Sem rumo e de rua em rua

Não sei o que fazer
Quando essa chuva acabar
Mas sei que não vou te perder
Não vou deixar a chuva te levar

Ah sim eu vou correr atrás
Pra te dizer uma vez mais
Que sem você
Não dá mais

E se for pra lutar e sofrer
Não vou jogar pra perder
Porque essa chuva só é bonita
Com você


terça-feira, 16 de junho de 2015

Balada para lembrar os seis que eu devo esquecer em 2016 (Para alguns vereadores de Teresópolis que decepcionam mais uma vez)

Crédito da foto: TV Cidade Canal 9

Crédito da foto: TV Cidade Canal 9
Mais uma vez os vereadores de Teresópolis/RJ decepcionam o povo, que, hoje, se movimentou em frente a (e dentro da) Câmara Municipal de Teresópolis, pedindo a votação da Comissão Processante paro afastamento do prefeito Arlei Rosa, que tem atrasado pagamentos e benefícios dos servidores públicos municipais. Necessitando de 8 votos, a Comissão Processante não aconteceu (apenas 6 vereadores votaram a favor). Os vereadores Dr. Carlão e Anginho, presentes na Sessão da Câmara, votaram contra o processo. Serginho Pimentel, Dr. Habib, Dedê da Barra e Luciano Ferreira faltaram à Sessão, ou seja, foram a favor da permanência do polêmico e quase desaparecido Arlei Rosa na cada vez mais debilitada Prefeitura de Teresópolis/RJ.
Os seis vereadores citados ignoraram o grande movimento popular que acompanhava a Sessão da Câmara e, mais uma vez, foram contrários aos anseios daqueles que os elegeram, talvez por pensarem que, independente de sua arrogância com o povo, tais atos nefastos serão esquecidos nas eleições municipais de 2016. Pois bem, talvez estes ardilosos políticos estejam certos: muitas vezes o povo esquece... Mas quem disse que a arte esquece?  

Balada para lembrar os seis que eu devo esquecer em 2016
Dedicado aos vereadores que não colaboraram com a Comissão Processante que afastaria Arlei Rosa do comando da Prefeitura de Teresópolis/RJ

Hey, doutor de cabelos brancos e vista fraca,
já foste um menino de olhos puros
antes da visão diabolicamente turva,
antes dos óculos oblíquos de ressaca.
Hey, doutor de cabelos brancos e vista fraca,
já escolheste salvar vidas,
hoje preferes ignorá-las...

Hey, homem sumido das rodas populares do Meudon, de São Pedro e da Barra,
já foste – pelo menos fingiste ser - mais amigo dos oprimidos
antes de escolheres o conforto omisso,
antes de teres assumido a falta de garra.
Hey, homem sumido das rodas populares do Meudon, de São Pedro e da Barra,
já foste amigo de porta-bandeiras e mestres-salas,
hoje sambas sozinho em teu mundinho cheio de amarras...

Hey, lobo servidor público municipal, ex-companheiro de batalha,
já foste mais trabalhador,
antes de servires aos maiores poderes,
antes de te juntares à mais rica gentalha.
Hey, lobo servidor público municipal, ex-companheiro de batalha,
já pediste o povo no poder,
hoje preferes vestir-nos com mortalhas...

Hey, pequeno anjo de asas cortadas,
já foste um ser alado
antes de te venderes ao inferno,
antes de tomares direções erradas.
Hey, pequeno anjo de asas cortadas,
já trouxeste propostas angelicais,
agora desenvolves alianças endiabradas...

Hey, ex-agricultor da família e atual motorista de bravatas,
já foste o guia de muitas pessoas,
antes de percorreres as mais ricas estradas,
antes de te enforcares com uma gravata.
Hey, ex-agricultor da família e atual motorista de bravatas,
já dirigiste para os simples,
agora preferes os magnatas...

Hey, doutor papa-jerimum dos bigodes brancos e das vastas risadas,
já foste mais vigilante com a saúde dos outros,
antes de alterares os planos,
antes de adoeceres em faltas malfadadas.
Hey, doutor papa-jerimum dos bigodes brancos e das vastas risadas,
já trabalhaste pela higiene de tua cidade,
hoje deixas a doença caminhar tristemente por nossas calçadas...

Hey, malditos todos Os Seis,
já fostes a esperança de alguém,
hoje sois representantes de ninguém.
Hey, malditos todos Os Seis,
ganhastes os votos do povo refém,
hoje sois lembrados para serdes esquecidos em 2016.

domingo, 14 de junho de 2015

Quando a poesia namora com a música: Sarau Solidões Coletivas no show de Dia dos Namorados do músico amigo Fael Campos

Billa's Bar, no bairro Monte D'Ouro de Valença/RJ, noite de 12 de junho de 2015 - A convite de Fael Campos, eu, representando o Sarau Solidões Coletivas, fiz um dueto com o músico amigo durante seu show em comemoração ao Dia dos Namorados.
Acompanhado do violão de Fael Campos, declamei os poemas "Paixão Barroca" e "O primeiro eclipse", poemas já publicados em meu quarto livro "O último adeus (ou o primeiro pra sempre)", que trago novamente ao blog nesta postagem, juntamente com o vídeo que registra esse meu dueto como artistamigo Fael Campos.
O vídeo ainda traz um trecho da parceria de Fael Campos com Zé Ricardo, interpretando fodasticamente a canção "Proibida pra mim (Grazon)", de Charlie Brown Jr.



Paixão Barroca

És minha casa de portas abertas
Tens as chaves de meus quartos vazios
Porém não me abrigas dos ventos frios
Mesmo congelando, não me acobertas...

Trazes o porto, mas não tens os navios
‘Inda assim rejeitas minhas ofertas
Quando te colonizo, me desertas
Quando te encaminho, vens com desvios

Cobres meu ser feito angústia barroca
Se penso que sorris, fazes careta
E se julgo-te farta, ficas oca

És, paixão, satélite sem planeta
Como calor sem sol, beijo sem boca
Um todo que arde mas não me completa...
(2.º Lugar – Pena de Prata – no X Concurso Nacional de Poesias “Sebastião R. e Silva e Iracema T. Ribeiro” da Academia de Letras de Paranapuã (ALAP), no Rio de Janeiro/RJ, em 2000. Poema republicado em meu quarto livro “O último adeus [ou o primeiro pra sempre]”, de 2004)

O primeiro eclipse

Eu não pensei que o gelo derretesse tão rápido
Não pensei que o coração batesse tão fácil
Eu tentei evitar os animais de estimação
Os filmes românticos no escuro
As canções de amor
Tentei ficar frio diante de qualquer situação
Tentei ficar... sozinho...
Mas eu não pensei que o eclipse ocorresse tão rápido
Não pensei que o coração rebatesse tão fácil
E insistisse em pedir um minuto de silêncio
Uma hora no absurdo
Uma vida com você...
(Poema publicado em meu quarto livro “O último adeus [ou o primeiro pra sempre]”, de 2004)

Compartilhando Solidões Coletivas nas escolas: Grandes momentos do Sarau do Instituto de Educação Deputado Luiz Pinto (IEDLP) 2015

Valença/RJ, Sexta-feira, tarde de 12/06/2015 - A convite da fodástica professoramiga Izabel Monteiro, Patricia e eu fomos representar o Sarau Solidões Coletivas no Sarau do Instituto de Educação Deputado Luiz Pinto (IEDLP) 2015, e tivemos a oportunidade única de assistir a um evento maravilhoso, com excelentíssima participação de professores e artistalunos do IEDLP.
Hoje trago ao blog dois vídeos com grandes momentos desse fodástico evento e os poemas que declamei nos dois momentos do Sarau do IEDLP. No primeiro vídeo, trago as apresentações de Francisco Oliveira "Chiquinho" e José, Fred Ielpo e a Osquestra do IEDLP, Patricia Correa, eu e Rafael. Nesse segundo vídeo, trago as apresentações de Gilson Gabriel, Francisco Oliveira "Chiquinho" e José, o inédito dueto meu com Rafael, eu solo e Patricia Correa.


 Maldição Parnasiana

Lembro de você falando
Com a boca do brilho do olhar
Que me daria todos os seus dias
Por um abrigo no meu coração
Mas fiel à Beleza e parnasiano por sentimento
Eu disse não.
Oh, você era tão feia...
Que os meus olhos me enganaram
Me transformaram num espelho
Cuja qualidade é só ver a aparência perfeita
E cujo defeito é se forjar nesta razão.
Tudo seria passado
Se os seus olhos não aparecessem
Em todos os meus sonhos
Perguntando: “por que não?”
Oh, você era tão feia
Nas proximidades dos olhos
E, agora, é tão linda
Na distância da visão.
Malditos gregos!
Que largavam as amadas
Ao luar
Para filosofarem sozinhos
Sobre a razão de amar.
Maldito Bilac!
Que me fez acreditar na Beleza
Efêmera e perfeita
E esquecer que o Verdadeiro Poeta
Não está nos versos certos
E sim nos olhos cegos
Que só enxergam o coração.

(1.º Lugar – Medalha de Ouro – na Coletânea “Pérgula Literária II”, resultado do II Concurso Nacional de Poesias Poeta Nuno Álvaro Pereira, em dezembro de 1997. Poema republicado em meu terceiro livro “Note or Not Ser”, de 2001)



O primeiro eclipse
Eu não pensei que o gelo derretesse tão rápido
Não pensei que o coração batesse tão fácil
Eu tentei evitar os animais de estimação
Os filmes românticos no escuro
As canções de amor
Tentei ficar frio diante de qualquer situação
Tentei ficar... sozinho...
Mas eu não pensei que o eclipse ocorresse tão rápido
Não pensei que o coração rebatesse tão fácil
E insistisse em pedir um minuto de silêncio
Uma hora no absurdo
Uma vida com você...
(Poema publicado em meu quarto livro “O último adeus [ou o primeiro pra sempre]”, de 2004)



60”


Um segundo e uma segunda intenção persegue minha mente dois segundos e o desejo já contamina meu corpo três segundos e o mundo desaparece quando me oferto pra ti quatro segundos e te levo pro quarto cinco segundos e ainda estamos aqui seis segundos e me percebo delirando há dois segundos atrás sete oito nove dez segundos e me mantenho sereno onze doze treze segundos e uma palavra ameaça o silêncio quatorze quinze dezesseis segundos e tua voz alcança meus ouvidos dezessete dezoito dezenove vinte segundos e tua negação parece uma cena de cinema vinte e um vinte e dois vinte e três segundos em câmera lenta vinte e quatro vinte e cinco o quarto vazio vinte e seis vinte e sete vinte e oito adeus delírios...vinte e nove trinta o tempo não pára (trinta e um trinta e dois trinta e três trinta e quatro trinta e cinco trinta e seis) pra meu desconserto trinta e sete trinta e oito trinta e nove e não sei por que não procuro outro lugar motivo palavra quarenta quarenta e eu um segundos quarenta e sem nós dois segundos quarenta e três passos pra trás quarenta e quatro quarenta e cinco quarenta e seis me desculpa eu só queria tentar quarenta e sete e não cedes quarenta e oito quarenta e nove cinquenta e estás longe cinquenta e eu sempre um segundos cinquenta e sempre sem nós dois segundos cinquenta e três é demais cinquenta e quatro cinquenta e cinco e desapareces cinquenta e seis cinquenta e sete e sinto muito cinquenta e oito cinquenta e noves fora o mundo nas minhas costas nos meus segundos meu coração part 
       indo em sessenta segundos completos 

Se tu soubesses quantas emoções se passam num minuto que me rejeitas...

(1.º Lugar no II Concurso Internacional Ars Viva/ Contemporânea de Poesia Moderna, em Santos/SP, em 2004. Poema republicado no meu quinto livro "Eu & Outras Províncias: Progressos e Regressos", de 2008)

sábado, 13 de junho de 2015

Só lutando podemos mudar a falta de futuro do desgoverno teresopolitano: Acompanhando a luta dos servidores públicos de Teresópolis

Foto de Marco DaCosta
Há muito tempo eu vivi calado, mas agora resolvi falar: chegou a hora e com o (des)prefeito Arlei Teresópolis/RJ não pode mais ficar!
Confesso que no início vacilei, hesitei... O movimento seria válido? Lutar, esperar, desesperar? Na ausência de respostas, estagnei, esqueci a velha máxima “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Enquanto isso, os donos do poder - prefeito, sindicato patronal e vereadores de Teresópolis - mantinham-se serenos, colhendo os frutos da impunidade no jardim da minha acomodação. Enquanto isso, os salários do funcionalismo público continuaram atrasando, rombos nos cofres públicos, governantes ostentando novas posses e nenhum respeito com aqueles que os elegeram, com aqueles que deveriam ser representados por eles, os poderosos e omissos seres desse cenário político sujo da região serrana. Enquanto isso, outros funcionários públicos, muito mais conscientes, organizados e corajosos que eu, se colocaram no meu lugar, sofreram as minhas dores, foram pra luta e formaram um movimento legítimo de reivindicação dos nossos direitos, autenticado pela insistência, sabedoria e resistência. E eu, logo eu, que sempre defendi que meus alunos lutassem por seus direitos, logo eu, o primeiro a bradar por honrados protestos contra o abuso de poder e os desgovernos, logo eu, me passando por passivo, omisso... covarde? É duro e difícil continuar a encarar-me no espelho assim. Por isso, fui pras ruas hoje, fui pra frente da Prefeitura, me juntar ao MPET - Movimento Professores pela Educação de Teresópolis, participei da assembleia e, a partir de agora, os acompanho e apoio seus passos. Só podemos mudar nosso trágico cenário se intervirmos nele, nada muda se não lutarmos. E agora estou com eles, amigos, alunos, responsáveis e companheiros de trabalho (falamos tanto das injustiças, nos declaramos solidários aos professores do Estado do Paraná e do Rio de Janeiro e, na nossa vez, logo na nossa vez, vamos arregar?) e vamos lutar até os desgovernos serem banidos de Teresópolis e o respeito aos nossos direitos voltar aos ares serranos.    

Comemorando 8 anos de carreira musical com grandes artistamigos e muito estilo: Grandes momentos do show de Fael Campos & Convidados

Na noite de 06 de junho até a madrugada do outro dia, rolou um super-fodástico evento no Boteco do Dinei, no centro de Valença/RJ: o show de Fael Campos & Convidados, no qual Fael comemorou 8 anos de brilhante carreira musical. Hoje trago ao blog dois vídeos com grandes momentos desse inesquecível evento.
No primeiro vídeo, temos Zé Ricardo e Fael Campos tocando “Não pare de lutar”, composição do saudoso Adriano Gonçalves, “Terra de Gigantes”, dos Engenheiros do Hawaii (pedido do músico amigo Luiz Guilherme Monteiro) e “Só os loucos sabem”, de Charlie Brown Jr.; Chiquinho, Fael Campos e Zé Ricardo mandando o “Blues da Piedade”, de Cazuza; o dueto de Fael Campos e Chiquinho em “Eu quero sempre mais”, do Ira!; “Jeremy”, de Pearl Jam, interpretado por Chiquinho e Gabriel Carvalho, e o trio Fael Campos, Gabriel Carvalho e Chiquinho apresentando uma versão emocionante de “Ainda é cedo”, de Legião Urbana.

No segundo vídeo, temos mais outros grandes momentos desse inesquecível evento: Chiquinho, Fael e Gabriel Carvalho interpretando “Use somebody”, de Kings of Leon; “Another brick in the wall”, de Pink Floyd, mesclado ao meu poema “Canção Imperativa”, com a super-jam Fael Campos, Gabriel Carvalho, Paulinho Graveto Old Style, Chiquinho e eu; Zé Ricardo e Fael Campos e Paulinho Graveto Old Style mandando “Eu não toco Raul”, da banda Pedra Leticia, e “Cowboy Fora da Lei”, de Raul Seixas; Fael Campos, Zé Ricardo, Chiquinho e Paulinho Graveto Old Style interpretando “Teatro dos vampiros”, de Legião Urbana e Paulinho Graveto Old Style interpretando “Samba Makossa”, de Chico Science & Nação Zumbi, acompanhado de Fael Campos e Zé Ricardo.
Que Fael Campos comemore mais 8, 80, 800 anos de shows super-fodásticos como esse!



sábado, 6 de junho de 2015

Hoje é Dia de Mega Festa Lírico-Musical: Fael Campos comemora 8 anos de carreira musical no Boteco do Dinei!!!



Yeah, amigos leitores, hoje, dia 06 de junho, é um dia muito, muito especial: hoje, às 23 horas, no Boteco do Dinei (Praça XV de Novembro, n.º 11, Centro, em frente ao Jardim de Baixo, ao lado da Escola Normal), em Valença/RJ, o fodástico artistamigo Fael Campos estará comemorando 8 anos de carreira artística com uma mega festa, um super-show, relembrando momentos marcantes de sua trajetória como músico, intérprete e compositor. E é claro que a galera do Sarau Solidões Coletivas estará lá, participando e dando o maior apoio possível ao fodástico artistamigo Fael Campos, que, desde o início de sua carreira musical, participou de eventos de lançamento de meus livros e do sarau.

E para relembrarmos alguns desses momentos, trago hoje no blog 8 vídeos de grandes momentos de vários shows de Fael Campos ao longo desses primorosos 8 anos de carreira: