sábado, 28 de março de 2015

Solidões Cazuzísticas Compartilhadas: O poeta visionário de Gilda Maria Rachid Dias

Yeah, amigos leitores, baseados nos mais-que-fodásticos artistas (Cazuza, Cecilia Meireles e Eric Clapton) que serão homenageados no próximo Sarau Solidões Coletivas, que acontecerá hoje, sábado, dia 28/03, às 17:30h, na Biblioteca Municipal D. Pedro II, no Centro de Valença/RJ,  muitos artistamigos estão cazuzeando, ceciliando e ericlaptiando.
Hoje trago mais uma maravilhosa escritoramiga que entrou na onda lírica das homenagens: Gilda Maria Rachid Dias, em seu poema inédito e super-recente (ela me enviou o fodástico texto lírico ontem) “Meu poeta visionário”, traz um maravilhoso diálogo entre seu eu lírico coletivo (seria melhor dizer “nós líricos”) e Cazuza, cheio de referências às canções do eterno poeta da música popular brasileira.

Meu poeta visionário

É, poeta...
O tempo não para.
Quem diria que agora o sonho acabou ou está se acabando?
É, poeta...
Ideologia você queria uma pra viver.
Nós também queremos uma pra viver
Em tempo de coxinhas e ptralhas.
Cadê nossa ideologia?
Nós apostamos alto, poeta. E você nos alertou:
Brasil mostra a sua cara.
Quero ver quem paga pra gente ficar assim.
Será? Que vai mostrar a cara da frente? Ou a cara de trás?
É, poeta...
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
E ela continua a ficar rica
Agora nossa bandeira é salvar a poesia
Que está sufocada na garganta dos poetas
Que vagam em meio a esse caos da burguesia fedida
Os poetas fodidos.
Bete Balanço, meu amor, me avise quando for a hora.
Porque aqui nos perdemos nas horas
Absurdas horas do tudo e do nada
Do novo e do velho
Dos sonhos e das decepções
É, poeta...
Vamos pedir piedade.
Senhor piedade.
Para os pobres, caretas e covardes
Pobres de caráter
Caretas por pregarem uma falsa moral
Covardes por roubarem o que é de todos
E aí seguimos, poeta.
Num trem pras estrelas.
Depois dos navios negreiros.
Outras correntezas.
Correntezas que avançam e retroagem.
E nós navegamos nessas correntezas.
Outras correntezas.
Meu poeta visionário.
Outras correntezas...
Depois dos navios negreiros.
Persiste a escravidão.
Enfim, poeta,
Somos todos exagerados.
Exageradamente humanos e brasileiros.

Um comentário:

  1. Te enviei um convite no diHITT! Seguindo teu Blog! Um abraço!
    http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/

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