sábado, 31 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XLI

XLI


Outro luxo que conquistei como escritor inativo foi a vantagem de ler os causos nos lábios dos velhos desconhecidos nas filas que frequento para aposentados. Enquanto espero minha vez pra sacar o meu salário invisível, ouço tantos depoimentos inventados tão bem contados que até me sinto um escritor secundário.




sexta-feira, 30 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XL

XL

Com inveja dos velhinhos sentados nos bancos da pracinha, atirando milhos aos pombos famintos, inventei, em 2009, a minha aposentadoria. Alguns poucos duvidaram - estes foram os únicos loucos sábios: só estes perceberam que tanto os pombos famintos que vi quanto os milhos jogados foram inventados por mim, o ‘escritor aposentado’.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXIX

XXXIX

O último pergaminho de Melquíades eu queimei na revisão do livro “Cem anos de solidão”: neguei-me a avisar aos amigos que todo escritor do invisível pertence à família extinta dos amaldiçoados Buendía. Agora bem mais velho, despido de todo pudor e temor, confesso a última maldição de minha invenção, depois de tanto negá-la: todo autor de ficção fantástica traz em seu universo interior a condenação sumária de carregar em seu peito a sensação amarga de cem anos de solidão literária.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXVIII

XXXVIII

Bem-aventurados são os homens que inventam as suas esperanças. Enquanto o sol queima a Colômbia com raios tristes de esquecimento e desesperança, minha Macondo imaginária festeja a reconquista das suas lembranças.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXVII

XXXVII

Os melhores filmes que inventei foram os que os outros inventaram pra mim. Nada melhor que ver na câmera dos outros as imagens que jamais fui capaz de inventar pra mim.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXVI

XXXVI


Fiz um jogo perigoso com o cinema: tentei dirigir a minha imaginação em filmes. E que loucura a minha! Por não controlar a ficção, dei de fazer aos meus filmes minhas próprias críticas. E assim inventei nas películas significados e personagens que a câmera cinematográfica jamais filmaria!




domingo, 25 de maio de 2014

Com a benção lírica de Santa Sara: Sarau das Solidões Ciganas

A convite da artistamiga Raquel Freire do Amaral, realizamos na noite de ontem, dia 24/05, o "Sarau das Solidões Ciganas", em homenagem a Santa Sara Kali, protetora dos ciganos e dos oprimidos.
O evento aconteceu no aconchegante Espaço PsicoVida, de Raquel Freire, localizado no Centro de Valença/RJ, e foi o primeiro evento que realizamos em estilo "Unplugged Intimista", ou seja, sem caixa de som, só voz, dança e emoção, num tom bem intimista.
O Sarau contou com a participação minha, de Bell Tuhay e de seu grupo de dança da Vivarte, do mestre dos mestres Gilson Gabriel (que, além de poemas seus, declamou também um fodástico e inédito poema de Alexandre Fonseca, o "Lisérgico Virabossa"), de Juliana Guida Maia (declamando poemas de Raquel Freire e de Raquel Leal), do comediante Ronaldo Brechane, de Déia Sineiro (retornando ao sarau!) e contou com as estréia de Mario Sergio Figueiredo Rocha e da jovem e super-talentosa Natalia Neubaner.
Abaixo, deixo os vídeos para que os amigos leitores possam curtir o que rolou durante esse maravilhoso momento lírico.
Até a próxima e Arte Sempre, amigos leitores!



Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXV

XXXV

Acho que realmente sou um bom escritor. Quando parei um pouco de escrever, até a Morte me visitou e, desesperada, me perguntou: Por que, García, por quê?


Cartas Musicais: Vânia Ribeiro, a Rainha da Rua da Melodia

Hoje trago mais uma escritoraluna da oficina textual de cartas argumentativas “A música em minha vida”, que realizei na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, em março deste ano.
A autora de hoje é a fodástica multiescritora (super-poeta, escritora de cartas, etc) Vânia Ribeiro, do 8.° Ano. Fã de rock (entre suas influências líricas, ela sempre cita a Pitty) e já reconhecida como fodástica poeta nas “Solidões Compartilhadas” deste blog, Vânia Ribeiro defende liricamente o poder da música em sua vida, usando um remetente imaginário que tenta convencer o falecido avô Valentin a também ceder ao poder da música. Sua carta argumentativa merece destaque pelo emocionante diálogo com o destinatário e pelas citações musicais, pontualmente colocadas no texto.
Vamos nos permitir, amigos leitores!

Rua da Melodia, em algum dia sem você... 

Prezado Valentin,               

Seja em qual céu estiver, sei que o senhor nunca gostou de música. Hoje, depois de um tempo de sua partida, faltou-me algo para lhe falar: percebi que a música é essencial para nossas vidas.               

Posso afirmar, com toda certeza do mundo, que todos temos uma música que nos marca, que marca um momento de nossas vidas, que nos faz lembrar de alguém especial.             

Até na natureza podemos observar a música: no canto dos pássaros, no vento, enfim. Mas agora eu lhe pergunto: Se até na natureza existe música, por que não gostar dela?               

Existem momentos em que a música vai muito além da melodia e de alguns versos. Imagine: o que seria de um amor sem uma trilha sonora?               

Estimado Valentim, é certo que todos tenham um gênero musical favorito. O meu, por exemplo, é o rock. Nele realmente me encontro. Não só esse ritmo: a música, no geral, mudou minha vida.               

Desde pequena, ou melhor, acho que desde que nasci, a música faz parte da minha vida. Às vezes, do nada me pego cantando e acho fantástico o poder que a música tem sobre mim.               

A música tem o dom de nos alegrar. Muitas das vezes, quando estou triste, busco na música a alegria que perdi.               

Então quero pedir ao senhor, esteja onde estiver, que dê uma chance, que se permita, que vá além. Dê uma chance à música, não importa o gênero – sertanejo, rock, funk, não importa o cantor, não importa qual música – apenas se permita. Como naquela música de Lulu Santos que diz: “Vamos nos permitir...”               

E, depois de tudo isso, se você continuar não gostando de música, sinceramente, eu acho que o senhor continuará perdendo uma fonte de alegria que vem do coração.
Cordialmente,
Lyah Valentina


sábado, 24 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXIV

XXXIV

Jamais deixei ensinamentos, fascinado escultor. Esquece esses pensamentos, por favor; não são elogios merecidos a nenhum escritor. Artista que se preza não ensina; se te revelo minha magia, sou péssimo ilusionista. Por isso digo que o bom escritor ‘desensina’, pois se nega a levar ao leitor as tais verdades da vida. Máximas de sabedoria são incipientes mentiras. O bom escritor precisa manter o seu posto de mau educador pro bem da rebeldia, pra evitar que os leitores aceitem o bom convívio com nossa realidade falida.


Solidões Ciganas Compartilhadas: A Cigana Esmeralda de Raquel Freire do Amaral

Hoje, mais uma vez, compartilho minha solidões poéticas com a poetamiga Raquel Freire do Amaral (desta vez, sem pseudônimos ou heterônimos).
O poema, escrito no ano passado, é uma fodástica homenagem lírica ao universo cigano. “É uma mensagem que foi canalizada por mim ha algum tempo”, diz a autora.
Em tempo: hoje, dia 24 de maio, às 19h, no Espaço PsicoVida (Rua D. Renato Pontes, 27C Centro de Valença/RJ, rua próxima ao Hospital Geral), esse e outros poemas serão declamados no Sarau das Solidões Ciganas, na festa em homenagem a Santa Sara Kali. Não percam!
Dancemos com a lírica cigana de Raquel Freire do Amaral, amigos leitores!

A cigana Esmeralda

Eu sou cigana
Não tenho paradeiro, nem estação
Não tenho vigilância
Somente paixão

Amo a dança,
E quando danço, meus pés descalços tocam a terra e então sinto- me livre e viva

As flores e seus perfumes me atraem
A natureza é o meu acolhimento
E o meu bando é o meu berço onde descanso em paz e serenamente

Os homens se envolvem com o desenvolto de minhas saias
Mas tal como o ilusionismo nas mágicas e os enfeitiço e vou embora

Vermelho sangue
E o verde de meus olhos
Com meus cabelos anelados e negros me jogo ao vento
Como se não existisse fim porque de verdade a vida não tem fim

Doce criança eu brinco e rio
Amo banhar-me em águas límpidas e claras

Não desejo ninguém, só desejo partilhar de tudo o que é mais infinito

Abraço e acolho, pois meu amor não tem fim

Laço e enlaço verdadeiros artefatos para dizer quem sou

A alegria é a minha inspiração
E é a vida que me seduz estar entre todos
Eu desejo a todos vocês alegria e paixão pela vida

Viva o vermelho sangue de minhas saias!
Vida a todos do bem!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXIII

XXXIII

Dei a um náufrago que inventei o nome de alguém que existiu. Mágica feliz: leitores afogados num mar de palavras pisam na terra firme da mente movediça do escritor de histórias verídicas inventadas.


Cartas Musicais: Ana Gabriela Medeiros, a mais fodástica escritora da Rua das Notas Musicais

À medida que o ano letivo vai passando, nós, professores, vamos ficando cada vez mais reflexivos, analisando erros e acertos durante o período, relembrando grandes momentos e dias esquecíveis (agradeço a Deus que os grandes momentos vêm sempre em maior proporção que os dias esquecíveis – mas, que não devem ser esquecidos, pra não cometermos os mesmos erros). E um grande momento, um período que me marcou e já fez valer minha existência neste ano de 2014, na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, foi a oficina de produção textual sobre cartas argumentativas, que realizei com os alunos em março.
O objetivo da oficina era inspirá-los a escreverem cartas argumentativas com o tema “A influência da música em minha vida”, tema de um Concurso de redações dos Correios. Após a produção (foi meio corrido, pois tínhamos apenas uma semana para o envio), selecionei 2 dessas cartas (a de Ana Gabriela Medeiros e a de Vânia Ribeiro) e mandei para o concurso citado anteriormente. Há pouco tempo, recebemos a notícia de que não fomos selecionados, porém, as cartas e as canções permanecem vitoriosas nos olhos desse professor-poeta-pateta e, quem sabe, a partir de agora, nos olhos de vocês, amigos leitores.
Por isso, estreio hoje no blog um novo marcador, uma nova seção chamada “Cartas musicais - A música em minha vida”. Em princípio, serão publicadas as fodásticas cartas musicais dos escritores-alunos (ser classificada ou não em concurso, não desfaz o valor inviolável destas obras de lirismo e emoção), produzidas durante a oficina de produção textual, mas já aproveito para convidar aos amigos leitores escritores, que quiserem participar desse marcador, que mandem as suas cartas argumentativas pro meu e-mail: carlosbrunno@bol.com.br.
A carta musical de hoje foi escrita pela genial e fodástica multiescritora (faz carta, letra de música, poema,seja qual gênero textual for, ela se destaca) Ana Gabriela Medeiros. Aluna dedicada do 8.° Ano, extremamente comunicativa, Ana Gabriela incorporou uma remetente fictícia (inventada) chamada Maria Clara, que busca convencer o personagem Marcos sobre a importância da música para todos nós. Destaco o excelente vocabulário da escritoraluna e, também, o uso de referências poéticas para o enriquecimento da carta. Vale a pena ler e reler essa fodástica carta argumentativa, lírica e musical!
Como diz a personagem Maria Clara, criada por Ana Gabriela Medeiros, desejo aos amigos leitores uma boa canção durante a leitura!


    
Rua das Notas Musicais, dia de alguma canção que você poderia ouvir... 

Prezado Marcos,               

Através de alguns colegas, descobri que você não está muito próximo da música, que não sente aquele arrepio ao ouvir uma canção perfeita, sabe, aquela que parece ter sido feita para você.               

Todos nós temos uma trilha sonora, aquela que conta a mesma história de formas diferentes para cada pessoa. Acredito que a vida de todos é uma canção. Até para você que não curte muito tem bem lá no fundo uma nota musical, uma poesia cheia de melodia dentro de você.               

Estimado Marcos, sei que não deveria me intrometer em suas escolhas, seus ideais, porém gostaria de pedir que não desligasse o rádio quando tocasse alguma música, que não saísse daqueles lugares que tocam as mais diversas melodias. Talvez, se escutasse alguma canção, iria gostar tanto que procuraria saber mais, e poderia até gostar tanto de música quanto eu.               

A música possui diversos significados para cada um. Para mim, ela é como um refúgio, como uma válvula de escape, para fugir dos mais difíceis e mais diversos problemas. Nela, encontramos um “ombro amigo”, nela podemos confiar, ela nos entende e transmite o que nós sentimos sem precisarmos abrir a boca para falar algo, ela realmente nos compreende.               

Realmente acredito que a música é importante para todos. Como diz Shakespeare, “o homem que não tem música dentro de si e que não se emociona com o som doce dos acordes é capaz de traições, conjuras e rapinas”. Marcos, não quero forçá-lo a nada, muito menos transmitir algo que talvez você não queira utilizar.

Porém quero que leia a minha carta e tente ouvir, procure os sons nos lugares mais diversos, nos locais mais inusitados.               

Boa canção!               

Atenciosamente,               

Maria Clara


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXII

XXXII

Minhas histórias verídicas são tão reais quanto o Dragão que morre pela espada de São Jorge na lua cheia. Esse homem verdadeiro que encontraste em meu livro antigo, crédulo leitor, garante o sorriso satisfeito desse senhor inventor.


Na Cozinha das Solidões Compartilhadas: A Polenta Poética de Luiz Guilherme Monteiro

Como bem nos lembra a Wikipédia, Polenta é um alimento típico da culinária italiana, mas que tem amplo uso e aceitação em diversos países, como Argentina, Brasil e Uruguai. Sua base é a farinha de milho. Pode ser servida mole, dura, grelhada ou frita. Pode ser recheada com uma miríade de molhos ou outros ingredientes, acrescentados enquanto ela ainda está mole. Antigamente considerada "comida de pobres", a polenta hoje é usada em diversas casas e restaurantes, sem essa conotação.
E, no blog “Diários de Solidões Coletivas”, a popular Polenta ganha novo significado; Polenta, a partir de agora também significa poesia, graças ao engenhoso cozinheiro-poetamigo valenciano Luiz Guilherme Monteiro. O jovem e louco poetamigo, autor do blog “Madrugada Poética” (siga o link na barra de favoritos do blog) misturou em seu poema uma miríade de influências (Raul Seixas, Jovem Guarda, Rock 80, Pink Floyd, System of Down, AC/DC, Beatles, música brega, etc e mais uns tantos etcéteras) e batizou sua fodástica gororoba poética de Polenta.
Voltemos os olhos às palavras, amigos leitores, pois a Polenta poética do artistamigo Luiz Guilherme Monteiro está na mesa!

Polenta

Essa sociedade alternativa não me faz sentido
Pois para mim
Todo esse ouro é de tolo
E todo esse diamante de mendigo

Sempre abro os olhos
Mas nunca quero me levantar
Pra não ter que enxergar
Enxergar a cegueira da visão

E mesmo com essa vida que se torna cada vez mais louca
Continuo procurando um amor que ainda não encontrei
Mas que venha preparada
Porque o meu coração é do tamanho de um trem

E aqui mesmo nessa mesa de bar
Somente posso garantir que
Haja o que 'hajar'
Uns bons drinks vou tomar

Então seu garçom
Não deixe meu copo vazio
É claro que eu quero outra dose
Venha e troque o refil

Não sei porque somos assim
Talvez seja pela rosa vermelha no topo do monte
Talvez seja por tudo que foi
Ou por tudo que será

Em meio a tudo
Sinto-me como uma mosca
Uma mosca que apesar de ter caído na sopa
Não foi engolida

Sinto-me louco também
E nem sempre isso é uma beleza
Mas onde o Rock é do diabo
O que poderia ser?

O Máximo Denominador Comum de minha vida continua desaparecido
Deve ser algum número complexo
Se não for uma espécie de incógnita
Mas não importa, também sou uma variável

Variável, uma eterna e imensa metamorfose
Uma metamorfose ambulante
Que mesmo quando tenho amor
Posso lhe ter horror

Não sei o que diria Jorge Maravilha diante disso
Mas não direi nada
Apenas faço tudo o que quero
Esperando que seja tudo da lei

Não me importa ter um bom capital inicial
Se a legião de trabalhadores urbanos foi abortada
Deve haver um lobo mal os amedrontando
Os amedrontando por temer uma queda sem elegância

Mas enquanto trabalha tal elegância
Elegância regada em orgulho
Eu e meu amigo Pedro
Preferimos ser apenas vampiros loucos e cowboys fora da lei

Então tire seu time de canto
Pois antes de sair
Irei a igreja de todos os bêbados
Senhor Daniels e Cuervo lá me esperam

E mesmo que sejamos apenas estranhos um para o outro
Estranhos em meio a noite
Espero que escute minhas canções
Mesmo que sejam canções canções não nomeadas

E mesmo com alguns arrependimentos
Os quais foram muito poucos para contar
Consigo estar satisfeito
Porque como disse Frank, fiz do meu jeito

Por fim
Me sinto apenas perdido em pensamentos
Tão perdido como numa grande cidade
Como se estivesse perdido em Hollywood

Perdido em Hollywood
Em mais um dia solitário
Ouvindo o som do silêncio
Enquanto desejo que estivesse aqui

Saia desse frio que habita enquanto envelhece
Mostre que seu tempo não acabou
Que ainda brilha como diamante
Diamante do céu da Lucy

Mesmo que esteja em má fase
Em plena escuridão
Como se estivesse no lado negro da lua
Lembre-se que sempre se pode ascender o isqueiro

Não és apenas outro tijolo na parede
Mas será que saberia diferenciar algumas coisas?
Coisas como dor a um campo verdejante
Um campo verdejante a um campo de batalha

De toda forma continuo aqui
Pilotando o caminhão do trovão
Seguindo meu próprio caminho
Na autoestrada pro inferno

Continuarei e agradecerei a mim mesmo
Por ter tido a sorte de sobreviver
Mesmo no dia mais escuro
Mesmo no dia mais solitário




quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXXI

XXXI

Alguns leitores distraídos dizem que eu já escrevi textos não fictícios. São mais imaginativos que eu: inventaram uma realidade impossível e idealizada, que a escrita literária, infalível na ilusão das palavras, jamais corrompeu!


terça-feira, 20 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXX

XXX

Boa época aquela em que o mundo era dividido entre castristas, castrados e castradores. Quando me sentia sozinho em Nova York, na década de 1960, inventava-me como o mais ferrenho defensor do governo socialista do cubano Fidel Castro e adeus, solidão: logo, logo me serviam de companhia vários agentes capitalistas da CIA.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXIX

XXIX

Sherazade também tinha seus mil e um amantes. Para que ela não me largasse, casei-me com Mercedes e inventei mil e uma fantasias realizadas com minha nova cara metade. Senhora vaidosa dos sonhos, Sherazade não aceitou ser passada pra trás por uma mulher de carne. Tornou-se mais voluptuosa em meus sonhos, possuiu de mil e uma formas novas todo o meu corpo. Meu primeiro passo de grande escritor: inventei-me aos seres de sonho e de carne como o senhor dos grandes segredos do amor. Tornei-me tão sexy que tanto a Vida quanto a Morte me disputam pela Eternidade.




domingo, 18 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXVIII

XXVIII


Minha esposa Mercedes jamais aceitou meu caso com Sherazade. Sempre que podia, Mercedes mostrava-me as contas do mês, impunha às minhas fantasias um mínimo de realidade. Ah, Alzheimer vadio, era só eu pagar as contas pra me esquecer do bolso vazio e sonhar-me sozinho numa praia de nudismo ao lado de Sherazade!


sábado, 17 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXVII

XXVII


Por algum tempo de minha vida, fingi-me jornalista só pra investigar a tal da Verdade. De tanto procurá-La, tracei o Seu perfil assustador: era uma senhora enrugada e ninfomaníaca, vivia agarrada a todo homem vil e mentiroso. Tentou um caso comigo, mas de pronto a rejeitei. Sherazade me esperava e meu amigo Gregor também. Não me venham com inverdades – com a Velha Verdade eu jamais transei. Com aquela senhora inescrupulosa, só aprendi o que sempre quis esquecer.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXVI

XXVI

Alguns dizem que lutei contra a demência senil. E o Monstro do Pântano da Realidade Sem Imaginação que derrubei com um murro só? Esse ninguém comenta! Doentes do visível, esses médicos loucos são incapazes de verem que o tumor da realidade está destruindo os seus espíritos.


Solidões Compartilhadas: Esperanças e lembranças de Thayslane Freitas

Hoje, dia 16/05, é um dia muito especial! Não apenas por ser sexta-feira, início do final de semana, não apenas por ser maio, mês de sonhos, não apenas por ser mais uma data de vida e sobrevida no calendário de nossas existências, hoje o sol é mais intenso, hoje o frio é mais ardente, hoje o dia e a noite são mais líricos, pois foi no dia 16/05 que nasceu uma das poetas mais fodásticas que tive o privilégio de conhecer (e ler seus poemas em primeira mão, quando lecionava na turma dela!): a teresopolitana, jovem e eterna sonhadora poeta Thayslane Freitas.
E, como todo fodástico escritor que se preza, nesse dia especial, ao invés de lhe darmos presentes (mas, lembrando que é sempre bom dar e retribuir presentes a pessoas iluminadas como ela), é a artista que presenteia nossos olhos com mais dois belos poemas de sua autoria.
Que os ventos da eternidade continuem soprando em seu caminho lírico, fodástica escritora Thayslane Freitas!

Conto real

Vivo como num conto de fadas,
onde amo um cara de mentira,
dando amor sem ser amada
(não do modo que precisava).

Embora eu não seja do tipo princesa,
meu jeito de ser é frágil
e ainda sou uma garota
(criança brincando de crescer).

Do modo que vivo,
os sentimentos ficam frios, toscos,
falsos, sem sentido, ocos.

Sonhando com um pesadelo,
fingindo namoro (carinho)
de jeito triste, me torno modelo
preferível de sujeito solitário.

Esperança de lembrança

Em um lugar só nosso,
espero pacientemente,
exatamente como posso,

olhando a beleza do amanhecer,
lembrando sempre da confusão
boba em ver o sol nascer.

Tudo me traz tua lembrança,
te terei de volta,
tenho uma pura esperança.

Eu sei que o mundo voltará
a ter cor,
pois eu sei que novamente
serás o meu amor!


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXV

XXV


Abandonei o Direito e as Ciências Políticas. Preferi a Esquerda Criativa e me elegi rei da Anarquia Non Sense. Demência Senil é como hoje os médicos graduam essas minhas faculdades indeterminadas. Mal sabem eles o quanto suei pra ganhar o título de Doutor em Loucura Realizada.




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXIV

XXIV

O inseto de Kafka não é um ser impossível. Impossível mesmo é criar insetos impossíveis com tanta gente pisando na nossa vida, enxotando nosso valor. Quem nunca hesitou matar o sonho do outro não só torna impossível o crescimento do inseto Gregor – torna-se um ser desprezível, torna também impossível o surgimento de um novo escritor. Por isso te piso, bajulador asqueroso do só visível, inimigo público da magia do gênio criador.

A Metamorfose de Kafka adaptado em quadrinhos por Peter Kuper 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXIII

XXIII

Não posso matar-lhe a barata, apavorada senhora. Ela é uma descendente nobre de Kafka, anda tonta pela tua casa porque procura abrigo para criar. Recomendo-te que deixes a barata sozinha; seres humanos como a senhora são moralistas escandalosos; bloqueiam a arte libertina do inseto escritor.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XXII

XXII

Menti pra Aladin, dizendo-lhe que eu era um gênio. Um crime sem pudor – inventei que lhe daria mil desejos só pra lhe roubar o tapete voador. Por isso, escrevo há tanto tempo: preciso continuar a transformar universos impossíveis em realidades (in)críveis pra que Aladin não perceba que lhe roubei o único objeto que o fazia voar.


domingo, 11 de maio de 2014

Poemas maternos: Mãe, minha subversão poética do Pai de Fábio Jr.

Hoje comemoramos o Dia das Mães (ah, humanos, como se achássemos que o Dia das Mães é um dia só) e, aproveitando a data, pedi que a minha mãe, a famosa Dona Vanda, sugerisse o cantor / cantora que eu iria homenagear nesta postagem do blog. Por isso, meu tributo lírico-musical de hoje é uma homenagem ao fodástico cantor romântico Fábio Jr.
Guardo boas lembranças de Fábio Jr.: minha mãe tinha um LP chamado “Fábio Jr. Ao Vivo”, que eu, moleque, volta e meia ouvia (na adolescência, continuei a ouvi-lo, mas escondido dos colegas rs) e uma das suas canções que mais me emocionam (até hoje!) é a super-famosa “Pai”. Devido a essas lembranças, resolvi fazer uma subversão poética da canção de Fábio Jr., transformando-a num poema para minha mãe, tentando assim homenagear não só o cantor que ela pediu, como também ela mesma.
Essa é pra ti, Dona Vanda! Pra ti, minha querida mãe, e para todas as mães que ainda cultivam sonhos românticos como as canções de Fábio Jr. no coração de todo filho.

Mãe

Mãe, é certo que daqui a alguns dias
terei que partir, seguir minha vida
e talvez a distância, por menor que seja,
nos parecerá infinita.
Mãe, com certeza, na solidão da rotina,
eu sentirei falta dos carinhos
e de suas mãos tão macias,
o som da sua voz da cozinha
me dizendo que o almoço está pronto,
pra eu vir logo pra mesa,
senão a comida esfria
e que fica ruim requentar...
Mãe, daqui a alguns dias, com certeza,
as noites me parecerão mais frias,
longe do seu lar doce lar.
Mãe, pra você eu sou a mesma criança,
mesmo longe dos 20
e já passando dos trinta,
ainda tenho aquela velha insegurança
pra brincar de adulto
nesse mundo que mata esperanças
que você me cultivou desde cedo.
Mãe, eu ainda me sinto pequeno
pra um mundo tão gigantesco
e ainda sou incapaz
de matar o brilho daquele menino
que você ensinou a sonhar.
Mãe, eu talvez não possa lhe oferecer
tudo que você mereça ganhar
e toda a minha angústia seja
por eu não ser tão capaz
de só trazer alegrias ao seu peito,
mas eu juro que tento,
mesmo meio sem jeito,
eu tento
e vou continuar a tentar...
Mãe, talvez eu nunca lhe dê
aquele lindo netinho
que você sonha em ninar
mas eu lhe ofereço toda minha poesia
feita na febre dos dias
com todo lirismo possível
pra acalentar o filho impossível
que não desejo gerar.
Mãe, você é toda força lírica
que me faz continuar,
por isso, na distância,
há essa saudade infinita
de nossos dias de guerra,
de nossos dias em paz.
Mãe, eu não tenho o dom de prever,
mas posso dizer que por mais obscuros
que sejam os dias futuros,
eu jamais vou lhe esquecer,
porque eu a amo demais
e nunca vou deixar de ser
aquele moleque maluco
que insiste em despertar os sonhos
que você me ensinou a sonhar.