terça-feira, 4 de novembro de 2014

Meu poema cinemaníaco premiado: Que horas serão em Déjà vu? (Os incompreendidos de Cronos, Tsai Ming-Liang e Truffaut)

Capa do filme que inspirou o meu poema
Há alguns dias atrás, recebi mais uma ótima notícia por e-mail: meu poema “Que horas serão em Déjà vu? (Os incompreendidos de Cronos, Tsai Ming-Liang e Truffaut)” foi classificado entre os 30 melhores do Concurso Internacional Contemporânea 2014, organizado pelo artistamigo e ativista cultural Maurilio Campos, em Santos/SP!
Fiz esse poema há algum tempo atrás, inspirado no fodástico filme cult “Que Horas São Aí? / Hora da Partida”, de Tsai Ming-Liang, de Taiwan (esse é mais um dos fodásticos filmes que baixei no mais-que-fodástico blog Sonata Première. Quem quiser, baixá-lo, segue o link: http://sonatapremieres.blogspot.com.br/2013/03/que-horas-sao-ai-hora-da-partida_4760.html ). O filme, de uma beleza plástica rara e de um olhar lírico-melancólico único sobre a solidão, conta a história de um camelô, vendedor de relógios, que acaba de perder o pai. Sua mãe, religiosa dada a crendices, altera sua vida e o cotidiano da casa à espera da visita do marido morto. Uma garota vai ao camelô comprar um relógio que marque as horas de dois lugares simultaneamente, pois vai para Paris. O camelô diz que não pode vendê-lo, pois seu pai morreu e isso pode dar azar a ela. Ela não se importa, compra e viaja, enquanto ele passa a fixar-se em filmes e horários parisienses. O filme de Tsai Ming-Liang é uma clara e fodástica homenagem a François Truffaut e Jean-Pierre Léaud, ator que protagonizou, em sua infância, o filme “Os incompreendidos”, clássico de Truffaut.
Yeah, Valença/RJ, cidade natal de minha poesia, e eu premiados
no Concurso Internacional Contemporânea 2014
com o poema "Que horas serão em Déjà vu?
(Os incompreendidos de Cronos, Tsai Ming-Liang e Truffaut)"
O filme me chamou tanto a atenção que acabei me inspirando a fazer um poema sobre ele. Quando me vi abafado e com o prazo em cima para mandar um poema para o Concurso Internacional da Contemporânea, decidi enviar o meu poema tributo lírico às obras cinematográficas de Tsai Ming-Liang e Truffaut. E deu certo: o poema classificou entre os 30 melhores do concurso internacional, enchendo esse poeta-pai-de-poemas-loucos de orgulho. Infelizmente, não poderei ir à cerimônia de premiação, que acontece na noite do dia 07 de novembro, devido a compromissos com a minha função de professor e devido ao evento “Lua, Poesia e Violão”, que acontecerá na data seguinte, dia 08 de novembro, às 21h, no Mirante do Cruzeiro, em Valença/RJ, o qual o Sarau Solidões Coletivas foi  convidado para participar pelo artistamigo João Júnior e cia. De qualquer forma, yeah, o poema será declamado ao vivo neste evento, afinal se tornou um dos meus poemas-xodós do ano.
Deixo para os leitores, nesta postagem, o premiado poema, resultado de meu fascínio pelo acervo cinematográfico fodástico do blog Sonata Première e pelas obras-primas cinematográficas de Tsai Ming-Liang e Truffaut. Acertem seus relógios, amigos leitores, e vejamos que horas serão na minha imaginária Déjà vu! Boa leitura e Arte Sempre!

Que horas serão em Déjà vu?
(Os incompreendidos de Cronos, Tsai Ming-Liang e Truffaut)

Que horas serão naquelas terras estranhas
que contemplas, à noite, em filmes estrangeiros,
Palmas de ouro em Cannes, difíceis de entender,
assistidos por teus olhos insones;
imagens de rara beleza triste,
hipnóticas sem saberes por quê;
que horas serão na cena que tanto revês?

Na tela, o menino deitado sobre trilhos
de alguma estação desconhecida, sozinho,
incompreendido, em absoluto vazio,
sorrindo para fantasmas amigos
é uma imagem que te deixa aflito:
aquele menino dorme contigo;
estás pausado em todos os filmes que vês...

Por mais que alteres os relógios do universo,
o teu tempo ainda é o mesmo de outrora
com os ponteiros voltados pra solidão.
Tanto nos intermináveis minutos,
quanto nos acelerados segundos,
quanto nas cinzas frígidas das horas,
serás sempre o mesmo solitário de agora... 

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