terça-feira, 16 de setembro de 2014

Fragmento de um livro de ensaios eternamente inacabado

Não há muito o que declarar sobre a postagem de hoje. Apenas que estou muito cansado de tentar fazer arte, com meu barulho quieto no meu canto e ter que aturar os mandos e desmandos das trevas coloridas.
Se o mundo prosseguir sua evolução retrógada, em breve não haverá mais solidões coletivas, apenas solidões solitárias 'umbiguistas', e não poderei mais desejar Arte Sempre pra vocês, amigos leitores...

Cada vez que releio as páginas de "1984", de George Orwell, "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury e "Admirável mundo novo", de Aldous Huxley, e me reencontro com os universos distópicos desses livros, mais temo o caráter visionário das obras. Nossas trevas coloridas, cheias de conspirações de sorrisos amigos e felicidade autoritária, nos impõem em ofícios governamentais e/ou solicitações amistosas ordens como "é vedado", "está fora de questão", etc,, termos milhares que funcionam como eufemismos para o conhecido e ditatorial "é proibido". Os fãs de regimes totalitários continuam buscando seus tronos no IV Reich, têm apelo popular e só substituíram o ar sisudo por um disfarce mais fanfarrão de espírito alegre e prepotente. E o Grande Irmão não é mais tão abstrato; está nos olhos de quem lê isto e busca algum deslize meu pra me censurar e/ou me excluir/bloquear/ignorar completamente como ofensivo, abusivo, etc e tal. Lamento muito ter que prever que, muito em breve, estaremos novamente queimando livros e outros artefatos artísticos críticos, dançando em volta do fogo e celebrando o retorno da nova Era Nazifacista Pós-Idade Média Com Louvação à Formação da Ignorância Festiva Duplipensada... É triste, mas sorria, senão você pode ser processado. Bem-vindo à atualidade, bem-vindo ao inferno feliz.

(fragmento do livro "Barrados no Baile - Os rostos tristes do Outro Lado do Muro das Trevas Coloridas", obra eternamente inacabada devido ao aumento infinito das 7 Pragas, de Carlos Brunno S. Barbosa)


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