quarta-feira, 23 de julho de 2014

Uma canção de despedida numa época de tantas partidas: O aniversário melancólico do Diários de Solidões Coletivas

Hoje o blog realmente faz 3 anos (a memória do poetamigo blogueiro que vos fala às vezes é tão louca que acabei trollando vocês há cerca de 1 mês atrás: o aniversário de 3 anos do blog não aconteceu no dia 23 de junho; na verdade, o blog só fez 3 anos hoje, dia 23 de julho), mas pouco há pra se comemorar – em um breve período perdemos Gabriel García Márquez, Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro, meu tio poetamigo Noel e, agora há pouco, Ariano Suassuna. É, tá foda, amigo leitores, as solidões coletivas vivem momentos de imensa tristeza coletiva. Mas promessa é dívida e o projeto lírico do blog se mantém: vamos sempre levar pra eternidade aqueles que vivem e aqueles que morrem e, assim, matar a falta de vida da tal da morte.
E como trollei vocês, amigos leitores, ontem, no facebook, dei nova chance de sugerirem de novo qual artista (escritor, músico, banda, louco, etc) eu homenagearia na postagem de hoje. Ganhou o pedido da poetamiga Raquel Leal: homenagear Rubem Alves. Confesso que amo o lado lírico deste escritor, mas sempre tive minhas desavenças com ele por sua postura agressiva aos professores, classe que ele atacou em diversos textos e palestras de forma generalizante e muitas vezes exagerada (não é porque ele partiu que tal ferida com algumas de suas posturas profissionais se cicatrizaria, afinal é a minha classe trabalhadora – mesmo que tais acusações dele aconteçam com parte da classe, não se deve bater em todos os seus representantes com tamanha autoridade, como se o escritor-professor fosse o único dono da verdade e o restante, os réus confessos inconfessáveis). Mas relevei tudo isso pelo pedido lírico de Raquel Leal.
Para fazer a homenagem, busquei o lado de Rubem Alves que me cativou e sempre me encantou: o do contador lírico de boas histórias, o do autor do mais-que-fodástico conto “A menina e o pássaro encantado”. Em meu poema, resolvi dar voz ao pássaro encantado que, após tanto tempo, perto da menina, contando-lhe histórias, precisou partir, se desvencilhar da amorosa gaiola (leia o texto de Rubem Alves na íntegra no link: http://contadoresdestorias.wordpress.com/2008/01/07/a-menina-e-o-passaro-encantado-ruben-alves/). Pra manter a sonoridade, afinal é uma despedida cantada por um eu lírico pássaro encantado, adotei rimas e uma métrica meio louca que inventei (cada quarteto – estrofe com 4 versos – possui dois versos iniciais alexandrinos [de 12 sílabas poéticas] e dois versos finais de 14 versos). Segundo Juliana Guida Maia, minha namorada e crítica primeira da maioria de meus poemas  “ficou simples e bonitin’”.
Nesse período de aniversário do blog no meio de tantas partidas, deixo para os amigos leitores a “Canção de despedida do pássaro encantado pra menina da gaiola dourada”, em homenagem ao conto “A menina e o pássaro encantado” de Rubem Alves, em preparação ao cotidiano de tanto adeus nesse inverno rigoroso que congela com a eternidade da ausência os nossos mais queridos autores.

Canção de despedida do pássaro encantado pra menina da gaiola dourada

Se canto à distância, menina bonita,
É porque só sei compor as canções na estrada,
Preciso ver o tudo, careço fugir do nada,
Só sei tocar diante da beleza infinita.

Por isso nego a tua gaiola blindada,
Por mais que tua prisão seja confortável,
Devo continuar a perseguir o inalcançável,
A liberdade é a cadeia mais bem ornada.

Não chores, menina linda, a dor da partida,
Pois não existe adeus em nossa despedida,
Poupa essas lágrimas pras chuvas que caem errantes
Estarei sempre aqui contigo mesmo que distante.

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