sexta-feira, 11 de julho de 2014

Transformando a Feira Moderna em Feira de Agosto

Hoje posto um poema inédito meu escrito há quase 1 ano atrás, a pedido de Rafael A., do Feira Moderna Zine. O citado zine voltaria a ter uma publicação impressa em agosto e o Rafael A. me pediu que eu colaborasse na edição com um poema. Sabendo do fã-natismo de Rafael A. pelas canções do Clube da Esquina (o nome do zine dele é uma clara homenagem a uma das mais clássicas canções desse movimento musical brasileiro), resolvi construir uma subversão poética da fodástica canção “Feira Moderna” aliando com o mês no qual o Feira Moderna Zine voltaria (agosto) e com a máxima que esse mês sempre traz (agosto mês do desgosto). Tentei produzir um poema meio enigmático e com viés de crítica social como o original “Feira Moderna”. Não sei se fui completamente bem sucedido, mas segue a subversão poética.
Em tempo: Declamarei esse poema hoje, na minha participação na primeira edição do Sarau Feira Moderna, organizado pelo Feira Moderna Zine! O evento acontecerá hoje,  às 20h, no Metallica PUB, em São Gonçalo/RJ! A entrada é franca!
Bem-vindos, amigos leitores, às feiras de agosto, em pleno mês de julho!

Feira de agosto (Eras de frio esgoto e caloroso desgosto)

O gelo que te corta são os olhos dos outros, velhas pragas dos novos tempos
Teu soluço que eles ignoram é feio, é pejo, é raiva sem desejo!
Feira de agosto, vendem-te neve virtual,
Amigos saudosistas, o antigo inverno já morreu
O frio que te fere é outro
O frio que em ti ferve é outro
E ele aparece em todo intervalo comercial
Naquela novela, o final é sempre igual
Amigos saudosistas, a realidade já morreu
Independência ou sorte
Em qualquer estação, só não esfriam os donos das caixas-fortes,
Os discípulos da guerra, os mercadores de amém
Feira de agosto, vendem-te uma nova era hipócrita e glacial
O velho frio no qual jazias é moço
O outro velho frio que trazias é morto
E nem precisas de atestado de óbito pra saberes do funeral... 




Um comentário:

  1. Amigo, obrigada por compartilhar uma maravilha de poema!
    Em cada verso o cheiro da realidade, para muitos olfatos cegos e surdos.
    Parabéns!
    Bjins literários,
    Simone Guerra

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