domingo, 8 de junho de 2014

Três Nostalgias na Mesma Solidão Coletiva

Um dos filmes que mais me marcou nos últimos tempos foi uma raridade genial que tive a oportunidade de baixar no blog “Sonata Première”: o mais-que-fodástico “Nostalgia”, de Andrei Tarkovsky, de 1983 (aí vai o link pra quem quiser também assistir a esse fodástico filme: http://sonatapremieres.blogspot.com.br/2014/04/nostalgia.html ).
O clássico filme de Tarkovsky, premiado no Festival de Cannes de 1983, conta a jornada mística do poeta russo Andrei Gorchakov à Itália em busca de um novo modo de vida. Depois de 3 meses, viajando em companhia de Eugenia, uma atriz italiana, chegam a um pequeno vilarejo ao norte da Itália. Frustrado e deprimido por ainda não ter encontrado seu caminho, Gorchakov mergulha em seu passado, isolando-se em impenetrável silêncio. Fiquei impressionado com a belíssima fotografia e o lirismo denso, melancólico e onírico fascinante do fodástico filme, tanto que, somando com uma canção fodástica homônima da banda de rock D’hanks, de Volta Redonda/RJ (que não me canso de ouvir), fiz um novo poema, homônimo à canção e ao filme.
D'hanks
Não sei se fui capaz de transmitir todo meu êxtase e sintonia com o filme de Tarkovsky e com a canção da banda D’hanks, mas deixo abaixo o poema para avaliação do amigo leitor. Além do meu poema, também compartilho com vocês a letra de música e um vídeo com a canção “Nostalgia”, do primeiro álbum da banda D’hanks, e também de um trailer do filmaço de Tarkovsky, para o amigo leitor entrar no clima do poema.
Em tempo: o meu inédito poema “Nostalgia” foi declamado ontem, dia 07 de junho, durante o evento Coletiva Som 4, com acompanhamento do violão grunge de Karina Silva (o vídeo será postado em breve aqui no blog em outra postagem sobre o evento).

Eis o meu poema:

Nostalgia
“Dizem que ele morreu de nostalgia” (do filme “Nostalgia”[1983], de Andrei Tarkovsky)

Lento, muito lento
são os passos do desalento
nos caminhos da pátria cinza
que não é minha
mas que também é cinza
por mais intensas
que sejam
as cores vivas.

É preciso atravessar com uma vela acesa
a terra estrangeira que chora
as lágrimas que jamais derramei
por medo de me afogar
na minha própria tristeza.

E eu entendo o louco
que atirou fogo em si mesmo;
é impossível viver no lado escuro e frio
se sua alma está ardendo
num inferno infinito.

E eu te lamento, doce italiana
cujo sabor jamais provei,
mas o amor que desejas
é uma substância que jamais sonhei.
Dorme comigo uma região estranha
para teus olhos que não veem o além,
o Cupido me feriu com uma flecha insana,
o ser que eu amo se chama ninguém.

E essa nostalgia assassina,
o meu retrato desfigurado
pelo espelho embaçado
da pior melancolia,
é a terra natal que sempre vejo,
minha mãe falecida
cada vez mais viva,
é o chão que me pisa,
é onde Deus me procurou,
é um lugar onde não me encontrei.

E, por mais longe que eu vá,
estou sempre perto
do que não existe mais,
por isso esse ar tão estéril,
por isso essa vontade
de não mais respirar.

Sigo em frente com a vela acesa,
mas só ela queima,
pois a cada passo da minha existência,
vejo incendiar-me a ausência;
há flocos de neve no sol,
há todos e sou só,
adeus, vida estrangeira,
volto pras terras de minha inexistência...



Eis a letra de música da banda D’hanks, “Nostalgia”, que inspirou o meu poema:

Nostalgia (D’hanks)

As grades lá fora me fazem pensar
Eu não quero mais ficar nessa prisão
O tempo demora, eu não sei mais a hora
Se eu vou sair daqui ou não

Estou preso no passado, que precisa acabar
Alguém me tire desse sonho e me faça acordar

Preciso ter de volta a minha liberdade
Seguir em frente sem pensar no que ficou pra trás
São tantas histórias, então me bate a saudade
De um tempo que não vai voltar mais

Meus olhos estão fixos em nenhum lugar
Quanta coisa mudou e ainda vai mudar
Eu preciso aprender a continuar




Eis o trailer do filme “Nostalgia”, de Andrei Tarkovsky, de 1983, que também inspirou o meu poema:


3 comentários:

  1. Parabéns, Carlos Brunno por essa interação cheia de qualidade.
    Ótimo poema, música muito bem feita pelo pessoal da D'Hanks.
    E agradeço pela menção ao Sonata Première.
    Abraço.

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  2. Que coisa mais linda!!! Agora que tive tempo de ler tudo e fiquei muito feliz e emocionada com as menções à banda! =) Obrigada mesmo... Lindo demais o seu poema!!! Obrigada!!! Bjo, Angel

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