terça-feira, 24 de junho de 2014

Solidões Musicais Compartilhadas: The Black Bullets contra Aqueles Que Querem O Ouro, A Prata e O Poder

Nesses momentos de intensos protestos contra os gananciosos que levam nosso ouro, nossa prata e que, direta ou indiretamente, estão no poder, vale a pena percebermos que as bandas de rock brasileiras se mantêm atentas aos questionamentos que nosso povo leva para as ruas. Por isso, hoje destaco e compartilho minhas solidões poéticas com a fodástica letra de música “O Ouro e a Prata”, da banda de rock valenciana The Black Bullets, formada pelos competentes músicos João Júnior (vocais), Felipe Martins (guitarra e backing vocal), Rominho Alvernaz (guitarra e backing vocal), Daniel Iunes (baixo) e Baldo Barreto (bateria).
“O Ouro e a Prata” é um rock vigoroso, com claras influências do Pink Floyd, quando Roger Waters liderava a banda (a temática crítica contra os donos do poder era uma constante no Pink Floyd desse período), um hit envolvente para aqueles que só saciam suas vontades quando ouvem uma boa canção de rock’n roll. Vale observar a trajetória harmônica da letra da canção, desde o desenho na primeira estrofe dos gananciosos que  “querem tudo, querem o ouro, a prata e o poder”, alvos da crítica e revolta do eu lírico, prosseguindo por estrofes que apontam o vazio e o desespero que a ganância pode gerar até o refrão que encerra a gradação e finaliza com a autoridade doentia dos gananciosos: eles querem tudo, mas não levam nada desta vida. Destaco a riqueza de figuras de linguagens (ou seja, recursos estilísticos que embelezam o texto) na letra da canção: breves aliterações [colocação de palavras com sons parecidos no mesmo verso] (“a prata e o poder”), antíteses para opor os anseios e delírios às reais conquistas do ganancioso (“querem tudo” versus “E nada / Nada se pode levar”, entre outras oposições similares) e ironia ácida pra terminar de desfazer os gananciosos doentios, por sinal, bem no estilo do floydiano Roger Waters (“Como prefere pagar seus pecados? / Em dinheiro, cheque ou cartão?”)
A letra de música foi premiada, com louvor, como Melhor Arranjo e Melhor canção (e ainda consagrou o vocalista e poetamigo João Júnior como Melhor Intérprete) do IV Festival Intermunicipal de Música de Rio das Flores/RJ, em junho de 2012. E a canção pode alcançar muito mais: atualmente a banda disputa o Concurso da Revista Rolling Stone Brasil com essa canção e conta com o voto popular dos amigos leitores e dos fãs (para votar na banda e na canção, é simples – basta acessar o link  http://rucaa.com/home/Index/Bandas_Doq9ZxCB3P8 e votar na banda [ atenção: quando for votar, desative o bloqueador de pop up pois se ele estiver ativado o voto não será computado!).
Cantemos juntos com a banda The Black Bullets, amigos leitores, nossa revolta contra aqueles que querem levar o nosso ouro, a nossa prata e que vivem, direta ou indiretamente, querendo assumir o poder. Arte e Atitude Sempre e, como sempre diz uma escritoraluna que já esteve nesse blog, Boa Canção!

O Ouro e a Prata (The Black Bullets)

E daqui pode se ver
Vejo escorrer a saliva
Da boca aberta em frente a mesa e o banquete
Tão farto para lhes atender
Com a barriga cheia mas querem tudo
Querem dominar este mundo
Querem o ouro, a prata e o poder
Se esquecem do que vão deixar
E só pensam no que levam

Me diz que o que você vai levar daqui?
E o que você vai deixar...

Deixar
Vai deixar
Sua história escrita nas pegadas que outros irão ler
E nada
Nada se pode levar

Ficar
Vão ficar
Os erros e virtudes que irão lembrar de você
E nada
Nada daqui vai levar

De que adianta querer saber
Se tudo tem preço
- Se não pode compreender
Nem tudo se compra não
Valores não têm preço

Mas daqui pode se ver
Vejo escorrer suas lágrimas
E agora molham sua solidão
Como prefere pagar seus pecados?
Em dinheiro, cheque ou cartão?

Me diz que o que você vai levar daqui?
E o que você vai deixar...

Deixar
Vai deixar
Sua história escrita nas pegadas que outros irão ler
E nada
Nada se pode levar

Ficar
Vão ficar
Os erros e virtudes que irão lembrar de você
E nada
Nada daqui vai levar


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