terça-feira, 24 de junho de 2014

Solidões Compartilhadas: Caroline de Almeida e Juarez Júnior Balançando as Folhas e a Imaginação

O sol hoje se manteve firme durante grande parte da tarde. Será que ele veio brindar mais um dia de Copa do Mundo no Brasil? Não, imagino que não, afinal, os jogadores sofreram para jogar diante desse sol intenso. Então por que será que o sol se manteve tão firme numa tarde que pedia desesperadamente o inverno? Não sei, mas tenho uma hipótese lírica: o sol veio brindar um dia muito especial, a data em que a ex-poetaluna Caroline de Almeida Rocha comemora mais um ano de luz, mais uma primavera brilhante contrapondo-se ao rigoroso inverno!
Caroline Almeida foi uma das minhas artistalunas mais aplicadas que tive na Escola Municipal Alcino Francisco da Silva. Não havia desafio lírico que ela não topasse; às vezes, quebrava a cabeça, negava o talento poético natural, mas a febre criadora lhe cutucava e lá estava ela escrevendo, escrevendo e vencendo com lirismo todos os desafios e limitações; não havia fronteiras para ela: mesmo que sentisse a alma derrotada, seu lirismo sublimava e ela sempre vencia sua luta lírica com os desafios da busca da palavra certa, que mantém o mundo da imaginação a girar pelo infinito. Não é à toa que, em quase todos os projetos que lancei no ano passado, ela estava à frente, rainha da arte a dar xeque-mate nos reis da realidade sem arte.
Em sua homenagem, compartilho mais uma de suas obras-primas (já há várias delas aqui pelo blog, como nas postagens do “Arcadismo Teen 2012”, nas “Histórias de meninos e meninas más”, nos vídeos dos saraus e no “Movimento da Semana de Arte dos 22 – Poetas mais que modernistas”), feita em parceria com o também ex-poetaluno Juarez Júnior Charles Maia, após uma oficina textual de descrição poética (parecida com aquela que fiz e descrevi na crônica “Pensamentos de um estudante de Letras”, com o acréscimo do filme “De Encontro com o amor”, onde o personagem, um escritor inventado chamado Weldon Parish, dá lições de descrição poética – em breve, mais textos desta oficina estarão disponibilizados no blog).
Desde que ensinei a Caroline de Almeida as características do Arcadismo, somados um ano depois ao Modernismo, ela passou a se identificar com as propostas do “Carpe Diem” (“Aproveite o dia”, em latim, que significa que os eus líricos devem sempre aproveitar o máximo seus dias, pois têm consciência de que a vida é breve e tudo é passageiro demais para não ser aproveitado) e, em quase todos os poemas e prosas poéticas que ela produzia sozinha ou em conjunto, essa filosofia árcade, de vez em quando, reaparecia. A prosa poética de hoje é um belo exemplo disto e, como as poetalunas aniversariantes anteriores com quem compartilhei solidões poéticas, Caroline de Almeida, acompanhada de Juarez Júnior, mantém a tradição: ela faz aniversário, mas quem é presenteado com uma oferenda lírica de fodástica beleza é você, amigo leitor!
Parabéns a Caroline de Almeida por mais uma primavera lírica (espero que nunca abandones esse lirismo suave e natural que trazes em ti) e boa leitura, amigo leitor, é hora de balançarmos as folhas e a imaginação!
  
Balançando as folhas e a imaginação
(Caroline de Almeida Rocha e Juarez Júnior Charles Maia)

            Hoje o sol não apareceu, mas os pássaros continuam a cantar alegremente com seus cantos que acalmam a alma.
            Quando olho para o céu nublado, me sinto triste, pois vejo as nuvens com uma vontade enorme de chorar e o sol escondido entre elas parece não estar a fim de aparecer.
            O vento vai e vem, balançando as folhas, fazendo um som encantador, parece até que estou em um filme.
            Fecho os meus olhos e tento me imaginar daqui a alguns anos, quando essa paisagem linda e maravilhosa não puder mais existir, quando o canto dos pássaros acabar e as nuvens chorarem pra valer...

Como seria? Não sei... Mas, enquanto isso não acontece, vou aproveitar o máximo que posso...


Um comentário:

  1. Lindo e nostálgico!
    Parabéns aos dois! Espero ler mais e mais os seus escritos!
    Lindo demais!
    Simone Guerra

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